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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O GEÓGRAFO ANARQUISTA PIOTR KROPOTKIN E A COMUNIDADE RURAL YUBA EM MIRANDÓPOLIS (SP)
O presente trabalho apresenta uma descrição analítica dos ideais anarquistas e suas principais correntes, principalmente, o geógrafo anarquista Piotr Kropotkin que viveu de 1842 a 1921 e suas principais obras, fazendo uma ligação com a comunidade rural Yuba localizada no município de Mirandópolis, interior de São Paulo. As idéias de Kropotkin têm como núcleo fundante a expropriação dos bens da humanidade, onde tudo é de todos; da não propriedade privada, e sim das terras sendo cultivadas em comum; do princípio da não autoridade, e sim da autonomia do homem; do desenvolvimento livre da ciência e das artes para todos; da produção conforme a possibilidade de cada um, e o consumo conforme a necessidade. Em nosso trabalho de campo foi possível identificar na Comunidade Yuba estas práticas citadas, algumas com problemas e outras em plena (co)vivência. Acreditamos que atualmente, neste sistema capitalista que venera o individualismo, as obras de Kropotkin tornam-se necessárias para o contraponto, pois colocadas em prática nos revelam uma nova utopia, contribuindo para pensarmos e lutarmos por uma outra sociedade tendo como base à ajuda mútua. Por outro lado, cabe destacar que esta nova sociedade não é um mero idealismo, ela existe, como pudemos analisar entre os Yubas.
2012
Mendes, Eduardo Roberto Almeida, Rosemeire Aparecida de
A GEOGRAFIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO: O MST E O ZAPATISMO
Neste texto comparo dois movimentos sociais que nascem em contextos históricos e culturais específicos, que utilizam a mídia e a Internet para dar visibilidade a sua luta e que se opõem ‘a nova ordem mundial: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil, e o Exercito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN ou Zapatismo) no México. Parte do sucesso do Zapatismo e do MST deve-se a suas ações relacionadas às estratégias de comunicação. Ambos utilizam-se da mídia e da Internet para dar visibilidade as suas lutas, divulgá-la para o mundo, bem como buscar apoio nos momentos críticos de suas lutas. A capacidade desses movimentos se comunicarem com o mundo bem como com as sociedades Mexicana e Brasileira, acabou lançando grupos constituídos por populações tradicionais, que possuem lutas localizadas territorialmente, como protagonistas importantes da política mundial a partir de meados dos anos 90 do século XX. A globalização, caracterizada, sobretudo pelo sistema de informação, definido pelas redes de riqueza e poder, possibilitaram a emergência de movimentos sociais, cuja base é composta de camponeses, indígenas e trabalhadores urbanos, subempregados ou desempregados, como àqueles que com suas práticas de resistência e luta pela terra, contestam tanto suas situações de carência e exclusão, quanto à lógica inerente a nova ordem mundial.
2012
Simonetti, Mirian Claudia Lourenção
A SUSTENTAÇÃO FINANCEIRA DE ORGANIZAÇÕES DO PATRONATO RURAL BRASILEIRO
Apesar do discurso corrente da eficiência do grande agronegócio, há um fluxo de recursos públicos – especialmente através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP) – que financiam as entidades de representação do setor patronal. Recursos destes Serviços são utilizados para o financiamento de pessoal e das máquinas administrativas, como demonstram várias investigações do Tribunal de Contas da União (TCU).
2012
Sauer, Sérgio Tubino, Nilton Luís Godoy
LA VÍA CAMPESINA: GLOBALIZAÇÃO E O PODER DOS CAMPONESES
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2012
Desmarais, Annette Aurélie
DIMENSÕES DA AÇÃO E NOVAS TERRITORIALIDADES NO CERRADO BRASILEIRO: PISTAS PARA UMA ANÁLISE TEÓRICA
Na contemporaneidade a ciência, a tecnologia e a informação constituem a base da reorganização do espaço e da sociedade. Portanto, é fundamental analisar os impactos das inovações tecnológicas na organização territorial das atividades do país, em um momento de transição paradigmática, no qual podem ser observadas as direções assumidas pela penetração da nova frente tecnológica e científica, com conseqüências acentuadas na divisão territorial e social do trabalho. Essas transformações estão sendo acompanhadas mediante a observação de novos processos que geram mudanças espaciais nas regiões de expansão da soja no cerrado de Mato Grosso. Nesse contexto, coloca-se como objetivo mais amplo uma proposta teórica para avaliação das ações na agricultura moderna e seus efeitos econômicos, políticos, sociais e territoriais. O tema em estudo está sendo desenvolvido a partir de suas relações com a economia mundial, a qual se manifesta através das mudanças científico- tecnológicas.
ECONOMÍA REGIONAL Y EMERGENCIA DE MOVIMIENTOS AGRARIOS. LA REGIÓN CHAQUEÑA DE LOS AÑOS SETENTA
El objetivo de esta ponencia es realizar una caracterización de las relaciones de producción y del desarrollo de la actividad agropecuaria en la región chaqueña, para poder establecer así correlaciones con la emergencia de un importante proceso de movilización social de campesinos y medianos productores en los años setenta (Ligas Agrarias). El accionar de este movimiento agrario se definía explícitamente desde una situación tanto de subsunción en términos de clases sociales como de marginalidad y subdesarrollo regional. Como las Ligas Agrarias inscribían su lucha dentro de una acepción que resaltaba las desigualdades sociales y las desigualdades socioeconómicas espacio-territoriales, es importante entonces estudiar las características estructurales e históricas de la economía regional, para poder entender más cabalmente el origen del movimiento social.
BIOFUELS: FIVE MYTHS OF THE AGRO-FUELS TRANSITION
The goal of this article is to present the perverse nature of the discourse made by governments and trade companies about biofuels. These discourses consider them as an alternative totally efficient to replace petroleum an to solve the problem of green house gas emissions by burning petroleum derived fuels. In order to reach the objective proposed here, it is presented the contradictions of five myths related to biofuels: 1) Agro-fuels are clean and green; 2) Agro-fuels will not result in deforestation; 3) Agro-fuels will bring rural development; 4) Agro-fuels will not cause hunger; 5) Better “second-generation” agro-fuels are just around the corner.
2012
Holt-Giménez, Eric
ASSOCIAÇÕES DOS AGRICULTORES FAMILIARES, CAFEICULTURA ORGÂNICA E COMÉRCIO JUSTO NA AMAZÔNIA: DILEMAS E PERSPECTIVAS
O associativismo dos agricultores familiares dedicados à cafeicultura orgânica em Rondônia, foi incentivado pela Diocese de Ji-Paraná, preocupada com o avanço do desmatamento, contaminação da água, solos e pelo grande número de doenças provenientes das condições precárias de saneamento das comunidades. As lideranças investiram no fortalecimento das associações, no cultivo orgânico e no comércio justo, como forma de preservar a biodiversidade, reduzindo os efeitos da comercialização monopolista, incentivando procedimentos alternativos de saúde pública e contribuindo para o aumento da qualidade de vida e da geração de renda dos agricultores familiares. No entanto o processo apresenta diferenciações, pois algumas associações adotaram procedimentos empresariais, e outras se mantiveram nas práticas camponesas. Elaboramos um balanço mostrando estas diferenciações e os avanços e dilemas com que se defrontam as associações dedicadas ao cultivo do café orgânico e ao comércio justo, como também propostas visando à resolução de problemas enfrentados por estas organizações localizadas na Amazônia, particularmente no Centro de Rondônia.
2012
Macedo, Giovanni Raimundo de Binsztok, Jacob
REFRAMING DEVELOPMENT: GLOBAL PEASANT MOVEMENTS AND THE NEW AGRARIAN QUESTION
This paper criticizes the conventional conception of the agrarian question and argues that the way the “agrarian question” is traditionally understood should be revised. The role played by the agrarian movement, especially transnational agrarian movements such as the Vía Campesina, is underscored.
DE TERRITÓRIO DE EXPLORAÇÃO A TERRITÓRIO DE ESPERANÇA: ORGANIZAÇÃO AGRÁRIA E RESISTÊNCIA CAMPONESA NO SEMI-ÁRIDO PARAIBANO
Este artigo procura analisar os avanços e desafios da agricultura camponesa na região semi-árida da Paraíba, enquanto etapas da construção/consolidação de “Territórios de Esperança”. Ele parte da discussão sobre a concepção de espaço e território na busca da construção do conceito de “Território de Esperança”. Em seguida resgata o processo histórico de produção do espaço agrário do semi-árido paraibano e as mudanças recentes na sua organização, aborda a política fundiária do Estado, evidenciando os seus resultados através da criação de assentamentos rurais, no período de 1985 a 2005 e, por último, apresenta algumas estratégias de viabilização dos assentamentos e da agricultura camponesa em geral enquanto forma de consolidação dos “Territórios de Esperança”.
APROXIMACIÓN HISTÓRICA AL COOPERATIVISMO Y SU RELACIÓN CON LA PRAXIS DESARROLLADA POR EL MOVIMIENTO DE LOS TRABAJADORES RURALES SIN TIERRA (MST)
Parece claro que la cooperación, como hecho humano, es tan antigua como la propia colaboración entre seres sociales que se ayudan mutuamente. Sin embargo, el cooperativismo, como movimiento social, como posicionamiento político y como alternativa económica, tiene un origen concreto y unas delimitaciones conceptuales que lo diferencian claramente de otro tipo de experiencias asociativas. Pese a ello, este concepto ha sido utilizado, a lo largo del tiempo, para definir proyectos muy distintos entre sí. Esto ha sido fruto de la apropiación de la expresión por parte de diversas escuelas de pensamiento, que lo han matizado a su conveniencia. Por ello nos parece pertinente analizar el contexto en el que surge el cooperativismo y destacar que empieza teniendo una inspiración claramente transformadora que poco tiene que ver con las políticas cooperativistas promovidas por muchos estados latinoamericanos durante la segunda mitad del siglo pasado. Frente a estas, algunos movimientos sociales, tanto urbanos como rurales, han querido rescatar la concepción primigenia del cooperativismo. De todos ellos, analizamos el caso de uno, eminentemente campesino y con una importante influencia en el medio rural, el MST.
ZONEAMENTO GEOAMBIENTAL COMO SUBSÍDIO AOS PROJETOS DE REFORMA AGRÁRIA. ESTUDO DE CASO: ASSENTAMENTO RURAL PIRITUBA II
A ausência de diagnósticos ambientais detalhados nos projetos de reforma agrária pode afetar a qualidade de vida das famílias, a produtividade e a sustentabilidade ambiental. O objetivo desse estudo é estabelecer o zoneamento geoambiental no assentamento rural Pirituba II e analisar o uso desse instrumento para subsidiar os projetos de reforma agrária. Para isso, foram realizadas fotointerpretação de produtos de sensores remotos e verificações em campo para detalhar as informações ambientais de drenagem, geologia estrutural, fisiográficas e pedológicas. A integração dessas informações permitiu estabelecer as zonas geoambientais. Essas foram subdivididas em subzonas pela análise estrutural e fisiográfica, para posteriormente determinar as potencialidades e limitações de uso e ocupação de tais unidades para tomadas de decisão. Esse zoneamento forneceu um estudo detalhado e integrado do meio físico para planejamento local e melhoria dos assentamentos rurais, visando a sustentabilidade socioambiental.
2012
Shimbo, Júlia Zanin Jiménez-Rueda, Jairo Roberto
CAMPO E CIDADE NO BRASIL: TRANSFORMAÇÕES SOCIOESPACIAIS E DIFICULDADES DE CONCEITUAÇÃO
A cidade e o campo, no Brasil, surgem no movimento de expansão da modernidade e do moderno, a partir da expansão ultramarina, constituindo-se em fundamento do processo colonizador. Desde então, seus conteúdos e suas formas foram alteradas, o que demanda a necessidade de re-pensar os seus conceitos. É, então, no contexto de metamorfoses sociais, econômicas e políticas que tentaremos analisar as transformações socioespaciais da cidade e do campo, no Brasil, como fundamento da discussão da importância de sua reconceituação, na contemporaneidade, para dar conta de seus novos conteúdos e novas formas.
VERS DE NOUVELLES RELATIONS VILLE-CAMPAGNE: LES TRAVAILLEURS RURAUX ET LA CRÉATION DE NOUVEAUX LIEUX
Cet article cherche à montrer comment de nouvelles formes d’implantations spatiales apparaissent avec les assentamentos de réforme agraire. Des noyaux de population se forment là où il n’y avait auparavant qu’un «désert». La population récemment installée génère des activités économiques et politiques qui la placent dans une relation particulière à la ville. Les travailleurs ruraux installés dans les assentamentos de réforme agraire assument un rôle actif dans la transformation des rapports ville-campagne, cela en augmentant l’accès des paysans à des services autrefois centralisés au siège des municipios et en élargissant le poids politique de la population rurale.
EL LUGAR TAMBIÉN IMPORTA. LAS DIFERENTES RELACIONES ENTRE LULA Y EL MST
Tras los cuatros años de gestión de Lula, y ante su reciente reelección, este ensayo trata de analizar la relación del gobierno petista con el más fuerte movimiento social del país, el Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Terra (MST), una relación no libre de tensiones y oscuridad. Las asimetrías regionales y la peculiaridad de lo local nos llevan a trazar la evolución del discurso de los sin tierra en estos últimos años, insertando como pieza fundamental para el análisis el concepto de lugar, entendido como referencia política para los movimientos sociales. Sugerimos así que si el discurso de los sin tierra ha variado, también han cambiado las prácticas espaciales a través de las cuales el MST trata de influir y presionar en los debates políticos locales y nacionales, suscitando cuestiones teóricas y políticas profundas que exigen la comprensión de una nueva configuración que incluya el plano geográfico y geopolítico. Finalmente, planteamos el enfoque de la resistencia de lugar y la espacialidad de la interacción para analizar los logros y reflujos del MST.
ESTUDOS AGRÁRIOS NO BRASIL: MODERNIZAÇÃO, VIOLÊNCIA E LUTAS SOCIAIS (DESENVOLVIMENTO E LIMITES DA SOCIOLOGIA RURAL NO FINAL DO SÉCULO XX)
O trabalho traça um panorama dos processos sociais agrários no Brasil nas últimas décadas do século XX, através de resultados de pesquisas de diversos autores. Destaca alguns eixos de pesquisa sobre a sociedade rural brasileira, com base em informações e interpretações realizadas por alguns cientistas sociais brasileiros e em novas referências bibliográficas, às quais os autores agregam suas próprias considerações. São examinadas: a institucionalização da Sociologia Rural no Brasil; as principais temáticas dos estudos agrários; as classes sociais no campo e as formas de dominação; organizações, lutas, conflitos e violência no campo.
2012
Brumer, Anita Santos, José Vicente Tavares dos
MUJERES RURALES Y NUEVA RURALIDAD EN COLOMBIA
En el mundo rural de hoy se están presentando muchas transformaciones que forman parte de lo que se denomina la nueva ruralidad, en la cual la dimensión de género es importante. Este escrito pretende hacer una aproximación a la temática de las mujeres rurales y la nueva ruralidad, utilizando resultados de la investigación “Pobreza rural y trabajo femenino en Colombia” realizada, por las autoras, en dos departamentos rurales pobres de Colombia. En el presente artículo se hará énfasis en la articulación de las mujeres a las actividades productivas, reproductivas y comunitarias, en los nuevos roles que han asumido hombres y mujeres en la última década, en la propiedad y toma de decisiones en cuanto a tierra y animales, en los movimientos de población urbano – rural y rural – urbano, en los cambios en las condiciones de vida rurales, y en cómo muchas de estas características y transformaciones evidencia la existencia de una nueva ruralidad.
2012
Quijano, María Adelaida Farah Correa, Edelmira Pérez
A CONSTRUÇÃO DO CAMINHO PARA A CONQUISTA DA TERRA: UM ESPAÇO DE TRANSFORMAÇÃO DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM-TERRA
O presente artigo visa analisar as estratégias dos trabalhadores rurais no espaço do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra. Traduzindo na relevância dos seus símbolos e na mística que permeia a militância e influência na luta. É preciso observar que a mística é compreendida como o ponto de partida da análise sob fundamentação de Henri Lefebvre. A mística do Movimento é a capacidade, segundo Bogo, de construir imaginariamente o momento seguinte e fazer parte dele. A mística no Movimento dá sustentação ao projeto político e alimenta a prática no espaço vivido. O espaço é resultado da ação do homem no espaço vivido. Neste movimento de transformação do espaço ele vai construindo apropriações e dando sentido ao lugar. A mística é a essência do Movimento, sem ela não existe a luta. Ela cria mecanismos que reafirmam no cotidiano a necessidade da implantação de um projeto social que possibilite a libertação do homem.
A INSTITUIÇÃO IMAGINÁRIA DA AMAZÔNIA BRASILEIRA. REGISTROS COGNITIVOS E PRÁTICAS SOCIAIS
A hipótese aqui trabalhada supõe que a instituição da Amazônia é um empreendimento que obedece à sua compreensão como vazia, rica e vulnerável. Trata-se de um núcleo matricial imaginário que informa os olhares que definirão práticas e políticas privadas e públicas. No rigor, é um registro cognitivo que alimenta o desconhecimento e a desqualificação de elementos que são próprios e constitutivos de sua realidade. A desconstrução do universo simbólico imaginário em que se insere a Amazônia é, portanto, condição um confronto com sua realidade.
MOVEMENT HISTORIES: A PRELIMINARY HISTORIOGRAPHY OF THE BRAZIL’S LANDLESS LABORERS’ MOVEMENT (MST)
Founded in 1984, the Landless Rural Workers Movement of Brazil (MST) has been historicized in several recent publications. This review essay examines seven books that provide historical analysis of the movement. Published in English, Spanish, Portuguese, and Italian in the past six years, these books offer diverse assessments of MST history. The essay contrasts their interpretations of the movement’s origins, founding, consolidation, organization, and future prospects. As an institutionalized social movement with more than twenty years of history, the books prove that the MST merits the attention of historians.