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VOCÊ TEM FOME DO QUE?
O presente artigo procura mostrar que a fome e a subnutrição, que hoje atingem pelo menos 852 milhões de seres humanos em todo o mundo, não são conseqüência de problemas naturais, nem do suposto crescimento descontrolado da população mundial, mas sim de políticas neoliberais que tratam a comida como uma mercadoria qualquer e, nessa medida, sujeita às leis e mecanismos da especulação financeira.
2012
Júnior, José Arbex
FORMAÇÃO TERRITORIAL, AGRONEGÓCIO E ATUAIS MUDANÇAS NA ESTRUTURA FUNDIÁRIA DE MATO GROSSO
Através do “DATALUTA – Banco de Dados da Luta pela Terra”, versão “Estrutura Fundiária”, desenvolvemos uma pesquisa das mudanças na estrutura fundiária brasileira. De 1992 a 2003, as áreas cadastradas no Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) aumentaram em 89 milhões de hectares. Neste artigo, apresentamos algumas análises das possíveis causas desse aumento, por meio dos impactos socioterritoriais em seus processos de territorialização e desterritorialização. Numa primeira análise dos dados, observamos que essas mudanças estão ocorrendo com maior intensidade nos estados onde a produção da soja está se territorializando, onde terras até então semi-utilizadas ou não utilizadas estão se valorizando devido à dinamização da economia e da infra-estrutura. Estudamos inicialmente o Estado de Mato Grosso por este apresentar um crescimento maior de áreas cadastradas. Assim, à medida em que o complexo da soja se dinamiza, mais terras são incorporadas pela propriedade privada por meio de diversas formas de apropriação. Dentre elas, a grilagem de terras, principalmente devido à falta de fiscalização e controle territorial por parte da União. Os impactos socioterritoriais causados pelo agronegócio da soja, pela reforma agrária e pela luta pela terra são resultados da conflitualidade entre a articulação global/local para a condução do desenvolvimento territorial concomitante com as diretrizes do capital. Além de buscar compreender os processos desencadeados por essa nova realidade, temos o intuito de criar uma metodologia de estudos das mudanças da estrutura fundiária a partir dos impactos socioterritoriais que as condicionam.
2012
Cavalcanti, Matuzalem Fernandes, Bernardo Mançano
ENSAIOS SOBRE OS ESPAÇOS AGRÍCOLAS DE EXCLUSÃO
O principal objetivo deste artigo é reconhecer a dinâmica de (re) produção dos espaços agrícolas do semi-árido e dos cerrados do Nordeste do Brasil recentemente incorporados à produção agropecuária globalizada, como resultado da dispersão espacial do agronegócio e da agricultura científica pelo território do país, difundindo-se especializações territoriais produtivas. O intuito é discutir alguns dos processos que a regem e as desigualdades socioespaciais resultantes. Ao considerar que a difusão do agronegócio se dá de forma extremamente excludente, acentuando as históricas desigualdades sociais e territoriais, além de criar muitas novas desigualdades, optamos por apresentar alguns dos impactos negativos para os elementos sociais da estrutura agrária. Sobressaem, especialmente, a concentração da estrutura fundiária, impondo uma nova dinâmica ao mercado de terras, e a mudança das relações de trabalho, formando-se um mercado de trabalho agrícola formal.
GÊNERO E ACESSO A POLÍTICAS PÚBLICAS NO MEIO RURAL BRASILEIRO
Este artigo pretende analisar os avanços das políticas publicas e os seus impactos sobre as mulheres rurais, bem como sua relação com as reivindicações dos movimentos de mulheres trabalhadoras rurais. O conjunto de políticas analisadas abrange tanto aquelas especialmente dirigidas às mulheres quanto outras destinadas ao conjunto dos trabalhadores rurais, mas que afetam direta ou indiretamente as trabalhadoras. Nosso foco privilegiado de reflexão refere-se às condições de trabalho das mulheres agricultoras, que representam cerca de 87% das mulheres ocupadas na agricultura no Brasil1. Embora o período em análise seja aquele compreendido entre 1992 e 2002, sem dúvida os avanços e mudanças ocorridas nesse lapso são resultado de processos que têm origem em períodos imediatamente anteriores e desdobramentos posteriores, que são também abordados.
2012
Heredia, Beatriz Maria Alásia de Cintrão, Rosângela Pezza
UM OLHAR SOBRE AS REDES DE SOCIABILIDADE CONSTRUÍDORAS DO TERRITÓRIO DAS FABRIQUETAS DE QUEIJO
O presente estudo tem como objetivo, discutir os conceitos do rural, território e redes, relacionando a uma atividade agroalimentar criada pelos agricultores no sertão sergipano, favorecendo a revalorização destes e fortalecendo a identidade cultural. A criação desta atividade, prioritariamente na zona rural, está intimamente ligada a uma população que reluta em não abandonar a terra natal, refletindo a percepção do mercado de trabalho atual e a sua difícil inserção no sistema produtivo. As redes de sociabilidade articulam os elementos constituintes da cadeia produtiva do leite, visando manter-se na sua área de origem, possibilitando o surgimento de uma dinâmica no mercado informal através da criação de alternativas para beneficiamento do leite, gerando trabalho e renda, e, consequentemente, reproduzindo-se. Porém, as políticas públicas não são direcionadas para este setor no sentido de valorizar o potencial cultural existente no meio rural do sertão sergipano, diferentemente do que acontece com o grande capital industrial.
2012
Menezes, Sônia de Souza Mendonça Almeida, Maria Geralda de
QUESTÃO AGRÁRIA BRASILEIRA: ORIGEM, NECESSIDADE E PERSPECTIVAS DE REFORMA HOJE
Um dos principais temas debatidos entre os pesquisadores e estudiosos dos estudos agrários no Brasil é a questão agrária, ou seja, a relação entre o problema da concentração fundiária, as injustiças no campo e a miséria da população rural, e a reforma dessa desigual estrutura agrária que está concentrada nas mãos de poucos. Dessa maneira, os objetivos do presente artigo são: identificar as origens da questão agrária brasileira e seus desdobramentos para então entender o atual embate político sobre a realização da reforma agrária; bem como analisar a questão da reforma agrária hoje no Brasil, identificando a necessidade, a importância, a viabilidade e quais as perspectivas de realização por meio da análise do Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA) elaborada pelo atual governo federal.
CAPITALISMO RENTISTA E LUTA PELA TERRA: A FRAGILIDADE DO PARÂMETRO DE RENDA MONETÁRIA NO ESTUDO DOS ASSENTAMENTOS RURAIS
Embora o paradoxo da propriedade privada da terra no capitalismo tenha sido tratado, no geral, como mal necessário, daí a validação do tributo da renda terra, a maior parte dos países modernos trataram de criar regras para limitar o poder dos proprietários em arbitrar esse tributo. Via de regra, o caminho encontrado foi a divisão da terra, de modo a evitar pactos monopolísticos que pudessem inviabilizar o princípio da acumulação ampliada de capital. Todavia, as elites no Brasil optaram por caminho inverso, ou seja, instituíram a centralidade da acumulação na renda da terra, daí o caráter rentista do capitalismo brasileiro. É sobre os desdobramentos dessa opção que trata esse texto, que se debruça na problemática da luta pela terra e traz como referência para o debate o estudo de um assentamento implantado no ano de 2000 no município de São Jerônimo da Serra, estado do Paraná. Partindo de um levantamento realizado no assentamento, o texto propõe uma reflexão sobre o equívoco de se utilizar critérios baseados na renda monetária para contestar a pertinência da reforma agrária no Brasil, pois mostra a mudança qualitativa de vida daqueles que conquistam a terra.
DO KAROSHI NO JAPÃO À BIRÔLA NO BRASIL: AS FACES DO TRABALHO NO CAPITALISMO MUNDIALIZADO
No período de 2004-2005, 13 trabalhadores faleceram nos canaviais paulistas em razão do excessivo esforço imposto pelas empresas do setor sucroalcooleiro. O presente artigo visa a compreensão deste trabalho sob a ótica da ontologia do ser social e da luta de classes neste momento histórico caracterizado pelo capitalismo mundializado, cujo enjeu envolve não somente os trabalhadores e os capitalistas, como também outros atores sociais, originários dos organismos institucionais e da sociedade civil.
2012
Silva, Maria Aparecida de Morais Martins, Rodrigo Constante Ocada, Fábio Kazuo Godoi, Stela Melo, Beatriz Medeiros de Vettoracci, Andréia Bueno, Juliana Dourado Ribeiro, Jadir Damião
LA RENTA DE LA TIERRA EN LA ECONOMIA POLÍTICA CLÁSICA: DAVID RICARDO
En este trabajo se hace una revisión de la teoría de la renta de la tierra elaborada por David Ricardo a comienzos del siglo XIX. Tras señalar que las leyes de granos que limitaban la libre importación de alimentos del exterior favoreciendo a terratenientos en desmedro de una burguesía industrial en ascenso formaban parte de las circunstancias que lo llevaron a elaborar un modelo que analiza la evolución de la distribución de los ingresos entre las “tres principales clases de la sociedad”, se presenta una descripción numérica y gráfica de tal modelo. Destacamos que Ricardo tenía como móvil de política económica favorecer al comercio libre. Pero que el libre cambio que propicia tiene que ver con las circunstancias históricas particulares que afectaban a la Inglaterra de su época: el hecho de que ese país fuese el primero que emprendía una “revolución industrial”.
A MÍSTICA NA LUTA PELA TERRA
Este artigo se insere em uma pesquisa de mestrado intitulada As Lutas Pelas Terras do Senhor: A Comissão Pastoral da Terra no Estado de São Paulo (1990-2000), e busca analisar os usos e significados dos símbolos e da mística pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) na luta e conquista da “terra prometida”. Os símbolos de maior visibilidade são: a terra, a água, a cruz e a Bíblia. Eles fazem parte do cotidiano, do universo objetivo e subjetivo dos lavradores. Assim, permitem, segundo os agentes de pastoral, uma assimilação mais rápida por esses homens e mulheres da sua representatividade e do seu vigor na mística.
A HIERARQUIZAÇÃO DOS ESPAÇOS AGRÁRIOS NA AMAZÔNIA SUL-OCIDENTAL: OS ASSENTADOS EM ÁREAS DE PRESERVAÇÃO E OS NÃO ASSENTADOS
A pesquisa privilegiou o estudo das trajetórias de famílias seringueiras, numa área da Amazônia Sul-Ocidental – Acre (Brasil) e Pando (Bolívia). Os dados obtidos, em quatro anos de pesquisa, revelam os desdobramentos da delimitação dos espaços agrários no Acre, a partir da criação dos assentamentos extrativistas. Dentre estes, o processo de diferenciação social, política e econômica. Refiro-me a diferentes posições que ocupam os trabalhadores seringueiros: os que vivem nas Reservas Extrativistas, na floresta Pandina (vivendo subterraneamente) e os que estão nas periferias das cidades. Tal processo é percebido num contexto de fortalecimento e fragmentação da comunidade seringueira, onde lideranças e técnicos envolvidos não perceberam ou aceitaram as “di-visões”, sobrepondo outra delimitação física ao território nacional, quando da demarcação das áreas de preservação.
AÇÃO PASTORAL E QUESTÃO AGRÁRIA NO PONTAL DO PARANAPANEMA
Esse texto é uma leitura geográfica da ação pastoral desenvolvida pela Diocese de Presidente Prudente (SP), no período histórico de 1976 até 2005. A ação pastoral contribui, interfere e é fruto de um dinâmico processo, no interior do qual encontram-se interceptados aspectos geográficos, econômicos, sociais, políticos, culturais e religiosos. A leitura geográfica é resultado do debate de paradigmas da questão agrária e da ação pastoral. A compreensão da ação pastoral é fruto da discussão de dois paradigmas eclesiais: Igreja como cristandade e Igreja como Povo de Deus. A compreensão da questão agrária é resultado da discussão de dois paradigmas: o paradigma do capitalismo agrário e o paradigma do campesinato. O Pontal do Paranapanema é uma região onde estão presentes diferentes ações sociais responsáveis por inúmeros conflitos advindos da grilagem da terra e da luta pela reforma agrária. A ação pastoral participa desse processo por interferir nele e também é seu fruto. Esse quadro referencial propicia analise das concepções subjacentes às atuações pastorais concretizadas no período determinado. Por fim, revela que a ação pastoral não se restringe ao ambiente litúrgico, mas ocupa as ruas, espacializa-se nos domínios públicos provocando conflitos, pois é impulsionada pela conflitualidade.
ESTRATEGIAS DE VIDA, ESTRATEGIAS DE LUCHA: APUNTES DE UN TRABAJO DE CAMPO: EL MST, SÃO PAULO, BRASIL (REUNIÓN DEL GTDR – CLACSO, AGOSTO/SETIEMBRE DE 2005)
Durante los días 2 y 3 de septiembre del 2005, el grupo de trabajo “Desarrollo Rural” del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO) tuvo su primera reunión en Presidente Prudente (Estado de São Paulo, Brasil). En aquel primer encuentro, además de debates muy productivos, realizamos dos trabajos de campo para conocer la realidad de los asentamientos y acampamentos del Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST) en dos regiones del Estado de São Paulo: el Pontal do Paranapanema y la región en torno de la ciudad de Riberão Preto. Se trata de dos regiones con dinámicas diferentes que se hilvanan en esta relatoría a través de informaciones, entrevistas e intuiciones.
2012
Giarraca, Norma Gómez, Jorge Ramón Montenegro
MOVIMENTOS SOCIAIS, MÍDIA E CONSTRUÇÃO DE UM NOVO SENSO COMUM
Este trabalho tem por objetivo interpretar questões que envolvem os movimentos sociais contemporâneos, tomando como viés o fato de que a visibilidade de suas lutas depende profundamente da mediação dos meios de comunicação de massa, já que em sociedades complexas, definidas também como “sociedades da informação”, a própria experiência da realidade social assenta-se nas informações oriundas de escalas locais, nacionais e planetária, recebidas de fontes e aparatos tecnológicos diversos, observando-se, porém, que estas mensagens são reforçadas por redes de relações interpessoais, como vizinhança, parentesco, ambiente de trabalho, estudo e/ou lazer. Este raciocínio teórico será desenvolvido a partir de três prisões de Diolinda Alves de Souza, mulher de José Rainha Jr., o mais conhecido líder do MST do Pontal do Paranapanema.
2012
Lerrer, Débora Franco
CAMPESINATO E REENQUADRAMENTO SOCIAIS: OS AGRICULTORES FAMILIARES EM CENA
No artigo, sistematiza-se uma análise de processos de constituição de adesões à simultânea formação da categoria sócio-profissional agricultores familiares e dos respectivos agentes de desenvolvimento, dotados de competência para referenciar o processo e para assegurar reconhecimento econômico e político ao setor da agricultura familiar. A análise enfatiza algumas das reflexões elaboradas por agrônomos para projetar o quadro institucional correspondente aos objetivos prenunciados.
A ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE ECONÔMICA CAMPONESA: ALGUNS ASPECTOS DO PENSAMENTO DE CHAYANOV E DE MARX
O presente trabalho tem como objetivo discutir o pensamento de Chayanov e de Marx a respeito da unidade econômica camponesa. Para Chayanov, o trabalho do camponês tem como fim à satisfação de suas necessidades. Deste modo, a lógica da análise marginalista é inaplicável, já que, para o camponês, a noção de utilidade marginal decrescente do trabalho se defronta com a noção de satisfação de suas necessidades. Tanto para Chayanov quanto para Marx é possível se falar de um modo de produção camponês ou de uma economia camponesa, quando o campesinato se apropria, na íntegra, do produto da terra em que trabalha. Marx e Chayanov explicam o problema da falta de acumulação de capital a partir de mecanismos específicos no funcionamento da economia camponesa. Este artigo aborda, ainda, a emergência dos fundamentos teóricos da organização da unidade econômica camponesa e as críticas a Chayanov e à “Escola de Organização e Produção” na Rússia.
A DEFINIÇÃO DE CAMPONÊS: CONCEITUAÇÕES E DESCONCEITUAÇÕES – O VELHO E O NOVO EM UMA DISCUSSÃO MARXISTA
Há razões para definir “camponês” e há razões para deixar indefinida a palavra, uma figura de linguagem fora do domínio onde residem as criteriosas categorias do conhecimento. Tal decisão jamais é inconseqüente, pois este conceito, se aceito como tal, vincula-se ao próprio âmago do pensamento teórico sobre a sociedade global contemporânea e reflete-se em conclusões de imediato interesse político e analítico. O que importa são as maneiras com tais palavras são utilizadas. Sem dúvida, pode-se exagerar as preocupações com terminologias, desviando-se para um discurso fastidioso, em que longas palavras são usadas para tecer mais palavras, ainda mais longas, sem jamais retornar ao mundo dos vivos. Para evitá-lo, o pensamento dos cientistas sociais deve sempre mergulhar diretamente nas realidades e nos problemas sociais e políticos. Entretanto, de vez em quando, recomenda-se fazer um teste do conceito ou voltar às suas raízes epistemológicas. Para que, agora, o momento é propício para isso, pois por razões às quais retornaremos brevemente, a moda intelectual de “estudos camponeses” parece aproximar-se de um novo estágio e de um momento decisivo.
AGRARIAN REFORM AND THE PRODUCTION OF LOCALITY: RESETTLEMENT AND COMMUNITY BUILDING IN MATO GROSSO, BRAZIL
This paper investigates processes of place-making and community formation following agrarian reform resettlement in Brazil. Based on case studies conducted between 2002 and 2004 in several settlements organized by the Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) in the Brazilian state of Mato Grosso, I argue that resettlement through agrarian reform in Brazil is a process of intentional community-building through resettlement and emplacement. Ethnographic data from one settlement, Antonio Conselheiro, shows that land recipients passed through a series of physical movements [displacement, occupation, encampment, settlement] that shape the production of locality, or what I refer to here as emplacement. I discuss key social processes that contribute to emplacement: the transition from individual to imagined community, from imagined community to collectivity, and from collectivity to place-based community.
REFLEXÕES SOBRE A PARTICIPAÇÃO DOS ASSENTADOS NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS
Este artigo faz uma reflexão sobre a participação dos assentados na eleição municipal de 2000 no Estado do Ceará, como candidato a um mandato no Legislativo ou no Executivo e o assentado como eleitor. Entendo assentado como sendo aqueles camponeses que receberam terras por meio dos instrumentos desapropriação por interesse social, desapropriação por interesse público ou compra. Portanto, ficam excluídos os camponeses atendidos pelos Programas de Compra e Venda de Terra, no caso do Ceará os Projetos São José e o Cédula da Terra. Neste contexto, busco entender as razões da candidatura do assentado por um determinado partido, bem como, em quais candidatos prefeito, viceprefeito, e vereador o assentado vota. Para fazer esta reflexão, o presente artigo, está dividido em duas partes. A primeira qual o significado dos termos assentado/assentamento. A segunda parte discuto o assentado candidato e o assentado eleitor.
A COMERCIALIZAÇÃO INFORMAL DE LEITE COMO COMPONENTE DE RESISTÊNCIA CAMPONESA EM MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PR.
A comercialização informal de leite em Mal. Cdo. Rondon/PR pode ser entendida na perspectiva da contradição do desenvolvimento desigual do capitalismo. A informalidade reside no fato de que os camponeses estão comercializando a produção de leite diretamente com os consumidores e não com os laticínios/cooperativas. Esta prática realizada por parte de pequenos agricultores é mais uma das formas encontradas pelos camponeses para continuar na terra e nela trabalhar. Por isso, constitui-se num "mecanismo" de resistência, pois os camponeses produtores de leite vão contra a ordem vigente do capital, manifestada nos laticínios/cooperativas.
2012
Bem, Anderson Fabrini, João Edmilson