RCAAP Repository
Equinos como hospedeiros de Leishmania spp. e estudo da fauna de flebotomíneos nos municípios de Andradina e Ilha Solteira, estado de São Paulo
Objetivou-se a detecção de DNA e anticorpos anti-Leishmania spp. em equinos e levantamento da fauna de flebotomíneos nos municípios de Andradina e Ilha Solteira, São Paulo. Para isso, 235 equinos provenientes de Andradina, Araçatuba, Bauru e Ilha Solteira passaram por exames clínicos e laboratoriais. Os flebotomíneos foram coletados de janeiro de 2017 a dezembro de 2018, por meio de armadilha do tipo CDC (Center for Disease Control and Prevention) onde 6 armadilhas foram instaladas em Andradina e 6 em Ilha Solteira. As coletas foram realizadas mensalmente durante três dias consecutivos. Nos equinos, pelo ensaio imunoenzimático (ELISA) foi constatada soropositividade de 60,6% (137/226) e pela técnica da Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), soropositividade de 89,4% (202/226). Pela PCR convencional (cPCR) utilizando o primer 13A/13B avaliando amostras do sangue (cPCR-SG), constatou-se 3,4% (8/235) de positivos, já na avaliação do suabe conjuntival (cPCR-SC), 2,5% (6/235) foram positivos Não foram encontrados animais positivos avaliados pelo cPCR utilizando o primer LIT5R/L5-8S (ITS-1). Na correlação de animais positivos com os achados hematológicos e bioquímicos, houve correlação no aumento da concentração plasmática de globulinas e diminuição de albuminas no grupo de animais positivos. Já na correlação entre a soropositividade dos cavalos e contato com cães com leishmaniose visceral e soropositividade compresença de lesão dermatológica não encontramos correlação. Em relação aos flebotomíneos, a densidade total foi de 64 machos e 50 fêmeas capturados em Ilha Solteira e 32 machos e 16 fêmeas em Andradina. Quando realizada a caracterização da espécie, em Andradina foram identificadas 6 espécies distintas de flebotomíneos e Ilha Solteira 11 espécies, dentre todas se destacando a maior densidade de Lu. (Lu) longipalpis, 43,75% e 28,10% em ambos os municípios respectivamente. Os resultados da presente pesquisa alertam para a presença de equinos infectados em áreas endêmicas, bem como da presença ativa de vetores incriminados na transmissão das leishmanioses nos locais estudados.
2019
Julio César Pereira Spada
Diversidade molecular dos genes codificadores das proteínas não-estruturais Nsp2 e protease Papaína-like e da proteína estrutural S1 de amostras brasileiras do Coronavírus aviário
Coronavírus, incluindo-se o Coronavírus aviário (ACoV), possuem o maior genoma composto por RNA conhecido entre os vírus. Aproximadamente dois terços desse genoma codificam proteínas não estruturais (Nsps), cujas funções parecem estar associadas à replicação e patogênese viral. Até o momento, esses alvos têm sido pouco explorados quanto a sua diversidade em diferentes linhagens de ACoV. O presente estudo teve como objetivo investigar a diversidade dos genes codificadores das proteínas não estruturais Nsp2 e protease Papaína-like (Plpro), utilizando-se linhagens brasileiras de ACoV. Para tanto, 10 linhagens de ACoV, isoladas em ovos embrionados, foram submetidas à RT-PCR direcionada aos genes codificadores de Plpro e Nsp2, seguindo-se o sequenciamento de DNA e a análise filogenética, juntamente com sequências homólogas obtidas no GenBank. Além disso, realizou-se a genotipagem por meio do sequenciamento parcial do gene codificador da proteína de espícula (região S1). Três das amostras virais obtidas e investigadas no presente trabalho apresentaram padrão de segregação discordante para os genes estudados. O isolado CRG I22 agrupou-se com linhagens virais pertencentes ao genótipo Massachusetts para S1 e com o grupamento de ACoVs brasileiros os genes da Nsp2 e Plpro. O isolado CRG I33 agrupou-se com linhagens virais pertencentes ao genótipo brasileiro para s1 e plpro e de maneira divergente para o gene da Nsp2. Para o isolado CRG I38, não foi obtida a genotipagem por s1, entretanto, similarmente ao observado para o isolado CRG I33, esse isolado agrupo-se com linhagens virais brasileiras para o gene plro e de maneira independente para o gene nsp2. As demais linhagens estudadas resultaram na formação de um grupamento especificamente brasileiro de ACoV, para os três genes estudados. Esses achados sugerem a ocorrência de recombinação nessas amostras discrepantes. Quanto às identidades médias entre as sequencias nucleotídicas analisadas, a região de s1 analisada apresentou as menores identidades (73,75% ±16,78), seguido pelo gene plpro (88,06% ±5,7) e do gene nsp2 (92,28% ±4,37), em acordo com a literatura. Assim sendo, os alvos investigados podem constituir ferramentas úteis na epidemiologia molecular do ACoV e na investigação de linhagens recombinantes do vírus. O presente estudo é o primeiro a investigar a diversidade genética de genes codificadores de proteínas não-estruturais em linhagens brasileiras de ACoV. Os resultados aqui apresentados reforçam a existência de um genótipo brasileiro de ACoV, para os 3 genes estudados. Entretanto, discrepâncias pontuais encontradas no padrão genotípico para s1, nsp2 e nsp3 permitem inferir uma diversidade genética maior do que a conhecida até o momento, possivelmente resultante de eventos de recombinação entre ACoVs brasileiros, ACoVs vacinais e outros ainda desconhecidos. Os resultados obtidos auxiliam na compreensão dos padrões e evolução dos ACoVs
2014
Giselle Ayres Razera Rossa
The role of material stereotypic behaviour on developmental outcomes in piglets
Stereotypic behaviour is considered an indicator of compromised welfare. We have conducted studies to test the controversial hypothesis that stereotypic behaviour helps animals to cope with challenges. We proposed that animals that do not express stereotypies could be under more compromised welfare, than the ones showing the behaviour, when exposed to difficult situations. Rather than asking to the animal if stereotypies are indicating good welfare, we assessed the effects on foetal programming. This study investigated the outcomes of stereotypies measured in sows (Sus scrofa) during gestation in shaping their offsprings phenotype measuring both behavioural and physiological indicators of welfare. Environmental enrichment is an efficient protocol, acting in the causal factors of stereotypies, such as motivational systems, to reduce repetitive, invariant behavioural patterns, defined as stereotypies. We demonstrated that stereotypies in pregnant sows are related with a reduction in fear indicators in their offspring. Then, we showed that environmental enrichment, in the last third of gestation, improved the welfare of sows and also the welfare in their offspring. Comparing the brain of the offspring of sows kept in enriched and non-enriched environments and comparing non-enriched sows performing stereotypies with non-enriched sows not showing stereotypies, we identified eight genes related with neuroplasticity and psychiatric diseases, which were differentially methylated. The main contribution of this study is that maternal stereotypic behaviour during gestation decreases fear indicators and alters the neuroepigenome of the limbic system of the offspring. As far as we know, this is the first evidence showing that stereotypies expressed by the mother during gestation did affect offsprings emotionality, in which the mechanism were epigenetic changes in the brain.
Impacto da vacinação na prevalência da brucelose bovina no estado de Tocantins, Brasil
Foi realizado um estudo seccional sobre a situação epidemiológica da brucelose bovina no Estado de Tocantins com o objetivo de avaliar a eficácia do programa de vacinação implementado. O Estado foi dividido em cinco regiões e em cada uma delas foi aleatoriamente amostrado um número pré-estabelecido de propriedades. Dentro de cada propriedade, fêmeas com idade igual ou superior a 24 meses foram aleatoriamente selecionadas e submetidas à sorologia em série para o diagnóstico da brucelose (AAT e 2-Mercaptoetanol). Ao todo foram examinados 6.846 animais oriundos de 756 propriedades. A prevalência de focos no estado foi de 6,42% [4,76 -8,62] e a de animais 2,21% [1,05 - 4,01]. A prevalência de focos apresentou-se homogeneamente distribuída entre as cinco regiões. Como o estudo realizado em 2003/2003 estimou a prevalência de focos no estado em 21,22% [19,33 - 23,11], conclui-se que o programa de vacinação implementado pelo Tocantins reduziu a prevalência de maneira importante. Assim, recomenda-se que o estado continue seu programa de vacinação, dando grande ênfase para a qualidade dos procedimentos, desde a comercialização do insumo até a inoculação nos animais, pois a imunização ainda é a maneira mais racional de se reduzir a prevalência da brucelose bovina no seu território. Adicionalmente, o estado deve implementar uma forte ação de educação sanitária para que os produtores passem a testar os animais para brucelose antes de introduzi-los nos seus rebanhos, pois verificou-se que a reposição de animais está associada à condição de foco de brucelose bovina.
2018
Fabiano Benitez Vendrame
Associação entre o índice de mastite em rebanhos bovinos leiteiros e a qualidade microbiológica do leite cru no Estado de São Paulo, Brasil
O objetivo deste trabalho foi verificar as possíveis correlações entre os índices de mastite e a qualidade microbiológica do leite cru, em 36 propriedades com atividade exploratória leiteira, no Estado de São Paulo, Brasil. Examinou-se 4662 quartos mamários de 1180 animais em lactação para se verificar a presença de mastite pelos Testes de Caneca de Fundo Escuro e CMT, e coletou-se uma amostra de cada quarto mamário positivo em pelo menos um dos testes para exame microbiológico. Para se avaliar a qualidade microbiológica do leite cru, coletou-se uma amostra de cada propriedade e fez-se a Contagem de microrganismos mesófilos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de microrganismos psicrotróficos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de microrganismos termófilos aeróbios facultativos viáveis, Contagem de Enterococcus spp., Contagem de Stapylococcus spp., Contagem de Streptococcus spp., Contagem de Corynebacterium spp., Contagem de bolores e leveduras, Número Mais Provável de coliformes totais e Número Mais Provável de coliformes fecais. Aplicou-se teste de Correlação de Pearson e Regressão Linear. Para comparação entre os índices de mastite, a melhor correlação foi entre o índice de resultados positivos ao teste CMT e os casos de mastite por causa infecciosa (r = 0,920 e R2 = 84,7%). Comparando-se o índice de mastite e a qualidade microbiológica do leite cru, o melhor resultado que apresentou correlação significativa foi entre o índice de casos de mastite por Staphylococcus spp. e a Contagem de microrganismos termófilos aeróbios facultativos viáveis (r = 0,522 e R2 = 27,3%). Pelo baixo número de análises que apresentaram resultado de Correlação significativa, notou-se que o índice mastite em rebanhos bovinos leiteiros não interfere na qualidade microbiológica do leite cru, nas condições estudadas neste experimento.
2006
Luís Ivan Martinhão Souto
Estudos biológico, imunológico e genético de amostras do vírus da raiva isoladas de morcegos no Estado do Rio de Janeiro - Sudeste, Brasil
O presente trabalho visou estudar o comportamento biológico em camundongos de 10 amostras de vírus da raiva isoladas de morcegos hematófagos e não-hematófagos, no Estado do Rio de Janeiro, sua caracterização genética quanto aos genes N e G, além da resposta de camundongos vacinados com a vacina anti-rábica produzida pela replicação da amostra Pitman-Moore em cultivo celular, frente ao desafio com estas amostras virais. As passagens sucessivas em camundongos determinaram uma redução do período de incubação e a obtenção de amostras virais com altos títulos. A vacina anti-rábica utilizada na imunização dos camundongos ofereceu proteção em mais de 80% dos camundongos vacinados com a diluição 1:5 da vacina, frente à maioria das amostras. A análise filogenética do gene da proteína N apresentou um padrão de agregação dividido em variante de morcego hematófago e variante de morcego insetívoro, com diferenças filogenéticas entre as variantes de morcego hematófago isoladas na Região Noroeste do Estado do Rio de Janeiro e aquelas isoladas nas Regiões Metropolitana e Sul do Estado. A substituição do resíduo ácido aspártico por ácido glutâmico na posição 118, encontradas na caracterização genética da proteína G das amostras 704/97 e 151/98, permite inferir que esta posição esteja relacionada à antigenicidade viral. Não foram observadas diferenças genéticas temporais entre as amostras estudadas.
Análise multigênica de rotavírus do grupo A em suínos
Os rotavírus do grupo A (RVA) são importantes causadores de diarreias virais em crianças e animais jovens de diferentes espécies, com impactos na saúde pública e animal. Visando contribuir para o entendimento e prevenção das rotaviroses assim como suas possíveis relações zoonóticas, caracterizou-se os 11 segmentos de dsRNA de rotavírus codificadores das proteínas estruturais e não estruturais presentes em amostras fecais positivas de suínos coletadas nos anos de 2012-2013, em 2 estados brasileiros. Mediante o emprego de RT-PCR, sequenciamento nucleotídico e análises filogenéticas, todos os segmentos genéticos oriundos de 12 amostras de RVA detectados em suínos foram analisados e comparados com os de outras amostras descritas previamente. As sequências obtidas para os genes codificadores das proteínas NSP2, NSP3 e VP6 contemplaram a open reading frame (ORF) completa do gene, enquanto que a ORF parcial foi determinada para os genes codificadores das proteínas VP1, VP2, VP3, VP4, VP7, NSP1, NSP4, NSP5 e NSP6. Os genotipos de rotavírus suíno provenientes das regiões amostradas concordam com os mais frequentemente descritos nesta espécie animal, apresentando, assim, uma matriz genética suína com a maioria dos segmentos pertencentes à constelação genotípica 1, com exceção dos genes codificadores das proteínas VP6 e NSP1, os quais foram os genotipos I5 e A8, respectivamente. Apesar de predominar o genotipo 1 (Wa-like) nas sequências deste estudo, a análise genômica sugere a existência de uma variação intragenotípica no genoma do rotavírus do grupo A atualmente circulante nas populações suína amostradas dos estados de São Paulo e Mato Grosso. Adicionalmente, buscou-se identificar os aminoácidos relacionados com a adaptação dos rotavírus no hospedeiro e assinaturas genéticas que distinguissem RVA suíno e humano. Para isso, as sequências obtidas neste estudo foram comparadas com outras cepas de RVA detectadas nestas duas espécies e pertencentes ao genotipo 1 (Wa-like) disponíveis no Genbank. Como resultados foram encontrados mais de 75 sítios de mudanças deaminoácidos que diferenciam RVA suíno e humano além de sítios de substituiçãopresentes em algumas proteínas virais que frequentemente covariaram entre elas. Estes resultados proporcionam um maior entendimento da diversidade viral circulante em unidades de produção suína e uma melhor compreensão dos animaiscomo reservatórios genéticos de cepas de rotavírus emergentes em humanos.
2016
Fernanda Dornelas Florentino Silva
Produção científica brasileira no tema \"pescado: alimento para consumo humano\" - período de 2002 a 2012
O intuito deste estudo foi o de realizar uma pesquisa qualiquantitativa, documental e exploratória sobre a produção científica nacional no tema \"pescado: alimento para consumo humano\" compreendendo o período entre 2002 e 2012. Os trabalhos foram classificados em duas grandes áreas: Saúde Pública, e Processamento do Pescado. Objetivou-se identificar a participação das regiões brasileiras; o pescado mais estudado; as entidades que mais pesquisam sobre o tema (públicas ou privadas); os aspectos em que a pesquisa sobre o tema contribui para o desenvolvimento do setor, e os principais avanços identificados nesse período de estudo. O estudo concluiu que houve um aumento do número de trabalhos produzidos no tema \"pescado: alimento para consumo humano\", entre 2002 a 2012; as pesquisas desenvolvidas vem contribuindo com um grande número de trabalhos voltados à Saúde Pública, sendo que estes apresentaram principalmente pesquisas de análises microbiológicas e físico-químicas; as instituições públicas foram as que mais apresentaram pesquisas dentro do período estudado; a região que mais realizou estudos foi a Sudeste; o pescado mais estudado foi origem marinha e a espécie de pescado mais encontrada nos estudos foi a tilápia (Oreochromis niloticus); o maior número de trabalhos foi apresentado no Congresso de Higienistas de Alimentos, seguido pelo SIMCOPE e base Capes, respectivamente. Os trabalhos, no geral, foram muito semelhantes e voltados à Saúde Pública, porém o SIMCOPE demonstrou maior número de trabalhos referentes ao Processamento do Pescado. A criação do Ministério da Pesca e Aquicultura gerou um aumento de investimento, por parte do governo no setor, incentivando a produção de peixes de cativeiro, como a tilápia.
2014
Renata Savarino Levenhagen
Coronavírus bovino (BCoV): ocorrência, diversidade molecular e padronização de PCR para diagnóstico a partir de amostras fecais de bezerros com e sem diarréia criados em municípios dos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Brasil
O coronavírus bovino (BCoV) é classificado no grupo 2 do gênero Coronavirus da ordem Nidovirales, família Coronaviridae, causando diarréia em bezerros neonatos, processos respiratórios em bezerros não neonatos e disenteria em vacas adultas. No presente estudo, 203 amostras fecais de bezerros de 19 propriedades leiteiras nos Estados de São Paulo e Minas Gerais foram submetidas à prova de hemaglutinação/ inibição da hemaglutinação (HA/HI) para a detecção de coronavírus e a uma reação de PCR dirigida ao gene codificador da RNA-polimerase RNA-dependente dos coronavírus (PCR pol), sendo feita a comparação entre as duas técnicas através dos testes Kappa e J de Youden. Amostras positivas à PCR pol foram submetidas a uma reação de PCR para amplificação de um segmento de 488 pares de bases correspondentes à região hipervariável do gene codificador da subunidade S1 da proteína S, sendo os fragmentos submetidos a seqüenciamento de DNA para a reconstrução genealógica das amostras estudadas. Ainda, a presença de rotavírus foi pesquisada pela técnica de PAGE. Segundo a técnica de HA/ HI, 35,47% das amostras e 73,68% das propriedades rurais forma positivas para BCoV, enquanto que pela PCR pol 25,12% das amostras e 52,63% das propriedades rurais foram positivas para este vírus. A comparação entre as duas técnicas resultou valores de kappa de -0,048 para os resultados individuais e -0,08 em relação às propriedades rurais e J de Youden de -0,045 para os resultados individuais e -0,1 em relação às propriedades rurais, demonstrando baixa concordância entre as duas provas. A genealogia obtida por máxima parcimônia através de algoritmo heurístico e baseada em seqüências da região hipervariável do gene codificador da subunidade S1 da proteína S de 15 amostras de campo aqui estudadas, da amostra Kakegawa de coronavírus bovino utilizada como controle positivo e de 10 seqüências recuperadas dos GenBank revelou a existência de dois genotipos dentro desta espécie viral, sendo os dois genotipos encontrados entre amostras brasileiras. A identidade média de nucleotídeos entre as 15 amostras brasileiras foi de 98,34%, com similaridade média de aminoácidos de 98%. Amostras pertencentes ao genotipo 2 apresentaram uma deleção de 18 nucleotídeos/ 6 aminoácidos dentro da região correspondente ao domínio II da proteína S. A árvore de máxima parcimônia enraizada tendo bredavírus como grupo externo revelou que esta deleção ocorreu em um único momento na genealogia dos coronavírus bovinos. Rotavírus foi encontrado em 12,6% das amostras fecais individuais e 28, 57% das propriedades rurais pesquisadas. Estes resultados são os primeiros baseados em amostras brasileiras de coronavírus bovino e contribuem para a caracterização molecular do BCoV, para a predição da eficiência de imunógenos e para o encontro de marcadores moleculares úteis para estudos epidemiológicos continuados em relação às diarréias neonatais em bovinos.
Aspectos epidemiológicos da erliquiose canina no Brasil
O presente estudo visou obter informações sobre a epidemiologia da erliquiose canina no Brasil, a partir da caracterização molecular de isolados nacionais e de estudo de prevalência da infecção em cães (Canis familiaris) e carrapatos Rhipicephalus sanguineus. Inicialmente, padronizou-se o isolamento de Ehrlichia canis em cultivo de células DH82, a partir de um cão inoculado com a cepa Jaboticabal, seguida da identificação do isolado pelo sequenciamento de DNA de um fragmento do gene dsb de Ehrlichia. Posteriormente, realizou-se o isolamento de E. canis de um cão naturalmente infectado, atendido no Hospital Veterinário (HOVET) da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Este novo isolado foi geneticamente caracterizado a partir da PCR almejando fragmentos dos genes dsb, 16S rRNA e P28. Com o estabelecimento do isolado Jaboticabal em cultivo celular, padronizou-se a Reação de Imunofluorescência Indireta (RIFI), utilizando-a em amostras de soros de 314 cães de áreas urbana e rural do Município de Monte Negro, RO. Finalmente, avaliou-se pela PCR do gene dsb, a freqüência de carrapatos infectados e de cães oriundos de quatro populações de R. sanguineus, uma do município de Monte Negro, RO. e três do estado de São Paulo. Do cão inoculado com o isolado Jaboticabal, constatou-se o crescimento de E. canis em cultivo celular, no 27o dia pós-inoculação, confirmado pela PCR e citologia. Após o seqüenciamento de DNA, o fragmento amplificado a partir do isolado apresentou-se 100% similar a seqüência correspondente ao gene dsb de E. canis depositada no GenBank. O isolamento de E. canis, a partir do cão atendido no HOVET, foi obtido no 14o dia pós-inoculação. Esta nova cepa, designada como isolado São Paulo, apresentou-se idêntica às seqüências do gene dsb e similares às seqüências dos genes 16S r RNA e P28, de outros isolados de E. canis disponíveis no GenBank. Dos soros testados pela RIFI, observou-se prevalência (títulos ± 40) de 31,2% (98/314), sendo 37,9% (58/153) em cães urbanos e 24,8% (40/161) em cães rurais (P < 0,05) de Monte Negro, Estado de Rondônia. A prevalência de carrapatos infectados (dada como freqüência mínima de infecção) foi de 2,3, 6,2, e 3,7% para as populações 1 (Monte Negro), 2 (Jundiaí, SP), e 3 (São Paulo I, SP), respectivamente (P > 0,05). Nenhum carrapato infectado foi detectado na população 4 (São Paulo II, SP). Os produtos da PCR dos carrapatos e de cães das populações 1, 2 e 3 foram idênticos entre si e à seqüência de E. canis disponível no GenBank. Estes resultados reforçam estudos anteriores, que relataram a infecção por E. canis em cães do Brasil, contudo descreve pela primeira vez no Brasil a infecção natural por E. canis em carrapatos R. sanguineus, tido como o principal carrapatos de cães no país.
2006
Daniel Moura de Aguiar
Caracterização genética de amostras do vírus da raiva isoladas de morcegos. Avaliação da patogenicidade e proteção cruzada em camundongos
Vírus da raiva provenientes de 23 morcegos de espécies hematófagas, frugívoras e insetívoras foram caracterizados geneticamente pelo seqüenciamento completo da região que codifica a nucleoproteína N. A análise filogenética das seqüências, incluindo lyssavirus e isolados de morcegos do Chile e Estados Unidos, mostrou que os diferentes isolados do vírus da raiva foram de modo geral segregados em quatro grupos genéticos distintas: morcegos hematófagos, morcegos insetívoros 1, 2 e 3. Os morcegos insetívoros 1 constituiram-se por isolados de Eptesicus furinalis: BR-EF1, BR-EF2, BREF3, BR-EF-4, BR-EA1 e BR-NL2; os morcegos insetívoros 2 consistiram de isolados de Molosssus spp: BR-MM1, BR-MM2 e BR- MA1 e os morcegos insetívoros 3 isolados de Nictinomops laticaudatus: BR-NL1 e BR-NL3. A homologia de nucleotídeos entre cada grupo de morcegos insetívoros 1, 2 e 3 foi maior que 99%, 97% e 99%, respectivamente. O grupo de morcegos hematófagos foi representado pelos isolados de: 3 morcegos hematófagos Desmodus rotundus (BR-DR1, BR-DR2 e BR-DR3); 5 morcegos frugívoros Artibeus lituratus BR-AL1, BR-AL2, BR-AL3, BR-AL4 e Artibeus planirostris BRAP1; 2 morcegos insetívoros (BR-MR1 e BR-EA2) e 2 de espécies não identificadas (BR-BAT1 e BR-BAT2). Entre as amostras seqüenciadas foram selecionadas cinco (BR-EF1, BR-NL1, BR-AL3, BR-MM1, BR-DR1) e um isolado de cão (BR-C) para os estudos de patogenicidade em camundongos albinos suíços inoculados pela vias intracerebral (IC) e intramuscular (IM). Todas as amostras quando inoculadas em camundongos pela via IC apresentaram-se patogênicas, provocando a morte dos mesmos num período de 4 a 14 dias pós-inoculação. No entanto, 500DLIC50 das mesmas amostras inoculadas pela via IM levaram a uma mortalidade de camundongos de: 60% (BR-DR1); 50% (BR-C, BR-NL); 40% (BR- AL3); 9,5% (BR-MM1); 5,2% (BR-EF10). As mesmas amostras foram utilizadas para a verificação de proteção cruzada, conferida por vacina comercial de uso animal, de camundongos que receberam uma ou duas doses de vacina pela via subcutânea (SC) e desafiados pelas vias IC e IM. Camundongos inoculados com duas doses de vacina foram protegidos quando desafiados pela via IC, com todas as amostras testadas. Quando os camundongos receberam uma dose da mesma vacina houve proteção parcial daqueles desafiados com as amostras de vírus PV e BR-C. Houve proteção de 100% dos camundongos desafiados pela via IM, com exceção daqueles vacinados com uma dose de vacina e desafiados com a amostra PV que apresentaram um índice de 66% de sobreviventes. Os resultados indicam a possibilidade de existir variantes do vírus da raiva espécies específicas circulando em morcegos. Sugerem ainda, que espécies de morcegos hematófagos, frugívoros e insetívoros compartilham o mesmo polimorfismo de vírus. A vacina comercial contra a raiva contendo vírus inativado e de uso veterinário protegeu os camundongos contra o desafio com as diferentes amostras testadas, sugerindo que as vacinas usualmente utilizadas são efetivas no tratamento profilático da raiva transmitida por morcegos, apesar da marcada diferença de neurovirulência dos diferentes isolados quando inoculados em camundongos pela via IM.
2006
Elenice Maria Sequetin Cunha
Comparação entre a quantidade de unidades formadoras de colônias de microrganismos e a contagem de células somáticas em amostras de leite provenientes de glândulas mamárias de bovinos com infecção intramamária
Os processos inflamatórios na glândula mamária são especialmente freqüentes e importantes em bovinos leiteiros, sendo responsáveis por grandes prejuízos à pecuária leiteira. A mastite infecciosa é a mais importante doença sob o ponto de vista econômico e de saúde pública. A contagem de unidades formadoras de colônias por mililitro (UFC/mL) de leite proveniente diretamente de uma glândula mamária permitiria avaliar o comportamento de cada um dos agentes etiológicos da mastite infecciosa. A comparação desta informação com a contagem de células somáticas (CCS/mL) na amostra de leite permitiria uma avaliação mais acurada do processo infeccioso e inflamatório na glândula mamária. O presente trabalho teve como objetivos: avaliar o \"status\" microbiológico de amostras de leite de vacas em lactação que apresentaram mastite e comparar a quantidade de UFC/mL de colônias dos diferentes microrganismos com as respectivas CCS/mL, levando em consideração a diferenciação de células polimorfonucleares (PMN/mL) e mononucleares (MN/mL) nas amostras. Quinhentas e seis amostras de 15 propriedades de exploração leiteira do Estado de São Paulo, Brasil, foram submetidas aos testes de Tamis e California Mastitis Test (CMT), e realizados os exames microbiológicos, contagem de UFC/mL e CCS/mL. Destas, 112 não apresentaram crescimento de microrganismos, e das amostras com crescimento foram isolados: 94 Corynebacterium spp., 104 Staphylococcus spp., 73 Streptococcus spp., 36 Prototheca zopfii, 08 Candida spp., 02 Nocardia spp. e 77 associações entre os microrganismos. Houve correlação entre o número de UFC/mL com a CCS/mL, assim como entre PMN/mL e entre MN/mL. Concluiu-se que existe um aumento da CCS/mL, PMN/mL e MN/mL no leite quando há um aumento das contagens de UFC/mL. As quantidades de UFC/mL no leite com isolamento de Streptococcus spp. foram maiores estatisticamente (P < 0,05) que as quantidades de UFC/mL com isolamento de Corynebacterium spp. e Staphylococcus spp. Concluiu-se também que, em havendo necessidade de tratamento de mastite clínica e subclínica no rebanho devido às altas contagens de UFC/mL, deve-se tratar inicialmente os quartos nos quais foram isolados Streptococcus spp. e deixar para uma segunda etapa ou para o processo de secagem o tratamento das mastites associadas à Staphylococcus coagulase-positivo, Staphylococcus coagulase-negativo e Corynebacterium spp. nessa mesma ordem.
2003
Simone Silveira da Costa
Avaliação da ocorrência de fatores de virulência em estirpes de Escherichia coli em fezes de cães errantes
O presente trabalho teve como objetivo isolar e identificar os microrganismos aeróbicos e a frequência de isolamento de Escherichia coli patogênica ao homem em fezes de cães sem sintomas de colibacilose e assim averiguar a participação do cão como fonte de infeção de colibacilose humana. No período de setembro de 2002 a outubro de 2004, foram coletadas 220 amostras de fezes de animais capturados pelos CCZ de Guarulhos, Cotia e Barueri, cidades do Estado de São Paulo. O método de coleta foi através de swabs estéreis profundamente ao intestino dos animais anestesiados, mantidos sob refrigeração e em caldo BHI. As bactérias foram isoladas por semeadura em Mac Conkey, ágar sangue e Sabouraud. Houve crescimento de microrganismos em 100% delas. Foram isolados os seguintes microrganismos: 120 (54,54%) estirpes de E. coli em cultura pura e 76 (34,54%) estirpes em associação com outros agentes, Proteus mirabilis (2,27%), Klebsiella pneumoniae (2,27%), dentre outros microrganismos. Deve-se ressaltar ainda o isolamento de leveduras (Candida albicans) em associação com outros agentes a partir de 05 (2,27%) amostras de swabs retais. Uma vez isoladas, seus genes de virulência foram detectados por PCR. De um total de 196 estirpes de E. coli isoladas, 123 (62,75%) apresentaram um ou mais dos fatores de virulência estudados. Dessas 196 estirpes, 16 (8,16%) foram positivas para afa, 54 (27,55%) foram positivas para sfa, 38 (19,38%) foram positivas para pap, 66 (33,67%) foram positivas para aer, 31 (15,81%) foram positivas para cnf, 13 (6,63%) foram positivas para hly, 01(0,51%) foi positiva para VT2 e nenhuma das linhagens foi positiva para LT, STa e STb. Os cães aparentemente sadios, sem sintomas de colibacilose, poderiam estar participando da cadeia epidemiológica como reservatórios de E. coli uropatogênica ao homem, pois os genes encontrados com maior número foram aer, sfa e pap presentes em infecções extraintestinais, mais especificamente infecções urinárias. Os cães podem participar como reservatório de estirpes de E. coli resistentes a antimicrobianos. Das amostras de E. coli testadas, 85,64% apresentaram resistência à Cefalotina e 0% de resistência à Norfloxacina. Há a necessidade de mais pesquisas sobre o modo de transmissão das E. coli patogênicas entre o cão e o homem e dos fatores de virulência uropatogênicos encontrados com maior frequência tais como aer, sfa e pap.
2005
Anna Catharina Maia Del Guercio von Sydow
Estudos morfológicos e investigação da presença de bactérias e protozoários em ácaros (Trombidiformes), parasitos de répteis e anfíbios, no estado de São Paulo
O Brasil é um país megadiverso em herpetofauna, e do total da diversidade brasileira, aproximadamente 30% das espécies de répteis e 27% das espécies de anfíbios ocorrem no estado de São Paulo. A grande urbanização e o desmatamento acentuado têm ocasionado o aumento de encontros entre a herpetofauna e a população da capital e das outras cidades do estado. Esse fato faz com que algumas espécies, antes florestais, sejam atualmente consideradas sinántropicas. Répteis e anfíbios são amplificadores e reservatórios conhecidos de vários patógenos, mas o papel destes animais no ciclo de doenças e o potencial vetorial dos ácaros ectoparasitas desses vertebrados são ainda pouco conhecidos. Répteis e anfíbios são parasitados por ácaros da ordem Trombidiformes, pertencentes a 5 famílias (Cloacaridae, Pterygosomatidae, Harpirhynchidae, Trombiculidae e Leeuwenhoekiidae). Com exeção de Cloacaridae, as outras ocorrem na América do Sul. Dessa forma, a situação fragmentária dos registros de Trombidiformes no estado de São Paulo, sua complexidade taxonômica e a escassês de informações sobre sua participação na epidemiologia de doenças, foram os principais motivos que levaram à proposição do presente estudo. Os ácaros Trombidiformes de répteis e anfíbios, que estão depositados na coleção acarológica de Instituto Butantan (IBSP) foram revisados e alguns identificados. Igualmente, aqueles ácaros obtidos na recepção de animais do Instituto Butantan e de coletas em campo foram também identificados. Parte do material foi preparada para estudos moleculares e inferência filogenética, usando genes ribossomais e mitrocondriais, e parte foi investigada para a presença de Rickettsia spp., Coxiella spp. e Hepatozoon spp. As seguintes espécies de ácaros foram identificadas, Geckobia hemidactyli, Ophioptes parkeri, O. brevipilis, O. longipilis, Eutrombicula alfreddugesi, Fonsecia ewingi, Hannemania hepatica, H. minor e H. yungicola. Foi descrita uma espécie nova de Ophioptes, sendo a primeira deste gênero parasitando viperídeos. Todos os registros de hospedeiro são novos, assim como, algumas localidades são novos registros de ocorrência para as espécies G. hemidactyli, H. minor e H. yungicola. Foi proposta uma filogenia utilizando-se o gene 18S V4 rRNA da ordem Trombidiformes. As sequências obtidas foram analisadas juntamente com aquelas depositadas no GenBank. Não foi detectada a presença de patógenos nos ácaros e nem nos hospedeiros investigados
2015
Jairo Alfonso Mendoza Roldan
Perfil genético e susceptibilidade de diferentes populações do carrapato Amblyomma sculptum à infecção pelo patógeno Rickettsia rickettsii
Recentemente, o táxon Amblyomma cajennense sofreu uma divisão sistemática, através de estudos morfológicos, moleculares e biológicos. No Brasil, Amblyomma sculptum (pertencente ao complexo Amblyomma cajennense) tem sua importância em saúde pública relacionada à transmissão de Rickettsia rickettsii, agente etiológico da Febre Maculosa, doença esta considerada de maior importância dentre as enfermidades transmitidas por carrapatos na América Latina. A Febre Maculosa Brasileira (FMB) tem seu destaque de ocorrência na região sudeste do país, onde A. sculptum está bem estabelecido e quase sempre relacionado à presença de capivaras. Porém, nem todas as áreas da região sudeste com presença de carrapatos A. sculptum e capivaras tem notificações de transmissão de R. rickettsii para humanos. O intuito do presente estudo foi avaliar, em condições de laboratório, a susceptibilidade da infecção por R. rickettsii em seis populações geograficamente distintas de A. sculptum. Dessa forma, foi realizada a quantificação da perpetuação transestadial, da transmissão transovariana e de possíveis efeitos deletérios da infecção nos carrapatos. Além disso, tentou-se correlacionar a susceptibilidade à infecção das diferentes populações de carrapatos (de áreas endêmicas e não endêmicas para FMB) ao perfil genético das mesmas, através dos marcadores 16S rDNA mitocondrial e ITS2 nuclear. Com base nos resultados encontrados, pode-se constatar diferenças na susceptibilidade à infecção por R. rickettsii entre as seis populações de A. sculptum estudadas, muito embora todas elas se mostraram parcialmente refratárias à infecção por R. rickettsii. No entanto, não foi observado nenhum padrão específico de variabilidade nos parâmetros biológicos e reprodutivos de carrapatos infectados e não infectados. A partir dos resultados de caracterização molecular, não foi possível verificar divergências genéticas entre as diferentes populações para o marcador ITS2 nuclear. Da mesma forma, com a análise do marcador 16S rDNA mitocondrial não constatou-se divergências genéticas que pudessem ser atribuídas à maior susceptibilidade ou refratariedade dos carrapatos à infecção por R. rickettsii. Porém, vale ressaltar que variabilidade nucleotídica neste marcador foi observada entre algumas populações, que parece seguir padrões geográficos de origem. A exceção para este resultado foi a população de Belo Horizonte (Pampulha), que apresentou variabilidade intrapopulacional, com genótipo semelhante à população do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (GSV), ambas do estado de Minas Gerais e um segundo genótipo idêntico ao de Itu, no estado de São Paulo
Condição higiênico-sanitária de meias-carcaças de suínos após o abate e depois do resfriamento e análise da utilização de Lista de Verificação para avaliar boas práticas no abate de suínos
Em um matadouro-frigorífico de suínos, no Estado de São Paulo sob Serviço de Inspeção Federal, avaliou-se as condições higiênico-sanitárias de 240 meias-carcaças realizando a contagem de coliformes totais, de Escherichia coli e a pesquisa da presença de Salmonella spp em três regiões pré-definidas (face lateral externa do pernil, do peito e da papada), após o abate e depois do resfriamento; e analisou-se as dificuldades e facilidades na aplicação de uma Lista de Verificação de procedimentos de abate, adaptada a partir daquela utilizada pelo Serviço de Inspeção Federal, propondo-se uma nova. Vinte e uma Listas de Verificação foram preenchidas ao longo de 12 meses de estudo. Obteve-se coliformes totais em 98,7% (711/720) e Escherichia coli em 90,7% (653/720) das meias-carcaças analisadas e houve aumento do número de coliformes e Escherichia coli após o resfriamento das meias-carcaças. Salmonella spp esteve presente nas carcaças após o abate e depois do resfriamento numa freqüência de ocorrência de 5,4% (13/240). Concluiu-se que para se alcançar qualidade higiênica e higiênico-sanitária aceitável em carcaças de suínos faz-se necessário padronizar os procedimentos que envolvem o abate desde o recebimento dos animais até o resfriamento das meias-carcaças, incluindo-se o funcionamento e uso da câmara frigorífica, e para tanto implementar boas práticas formalizadas é o primeiro passo. A aplicação de uma Lista de Verificação mostrou-se um instrumento útil para se avaliar procedimentos de abate e permite identificar, de forma organizada, não-conformidades, implementar medidas corretivas e criar o histórico do controle da qualidade higiênico-sanitária do estabelecimento.
2005
Esther Naomi Matsubara
Detecção de Mycoplasma pulmonis e Mycoplasma arthritidis no trato respiratório superior de ratos e bioteristas por cultivo e reação em cadeia da polimerase (PCR)
Mycoplasma pulmonis e Mycoplasma arthritidis são espécies frequentemente isoladas de animais de laboratório (ratos), causando prejuízos e alteração em resultados de pesquisa que utilizam tais animais. O Mycoplasma pulmonis coloniza principalmente o trato respiratório, nasofaringe e ouvido médio de murinos e causa micoplasmose respiratória murina (MRM). A principal via de transmissão é horizontal, o que facilita a disseminação deste agente para os demais ambientes do biotério e também para seus funcionários. O Mycoplasma arthritidis pode ser isolado da orofaringe destes animais, mas sua ocorrência natural é rara. Os micoplasmas geralmente são espécie-específicos embora algumas espécies possam ser encontradas em diferentes hospedeiros. O objetivo deste trabalho foi o isolamento Mycoplasma pulmonis e Mycoplasma arthritidis em ratos de laboratório e a detecção destas espécies por meio da PCR em ratos e funcionários de diferentes biotérios. Foram positivas para Mycoplasma pulmonis 144 (60%) amostras de lavado traqueal de ratos na cultura e 155 (64,58%) pela PCR espécie especifica. Mycoplasma arthritidis não foi isolado e detectado em nenhuma amostra analisada. M. pulmonis foi detectado em quatro (10%) amostras de funcionários que não mantinham contato direto com os ratos, sendo uma do biotério 1 e três do biotério 4. Dos bioteristas que mantinham contato direto, 24 (77,4%) foram negativos nas duas coletas, 4 (12,9%) foram positivos após o manejo dos animais, 2 (6,5%) foram positivos em ambas as coletas e 1 (3,2%) foi positivo somente antes da higienização das caixas. Estes resultados mostram que pessoas que trabalham em biotérios estão expostas a tal agente podendo servir como veículo de transmissão
2005
Juliana Bonin Ferreira
Pesquisa do vírus da raiva em quirópteros naturalmente infectados no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil
Pouco se conhece a respeito da incidência ou prevalência da infecção pelo vírus da raiva em morcegos, ou ainda sobre a distribuição do vírus em tecidos e órgãos não nervosos. Os objetivos deste trabalho foram: i) verificar as espécies de morcegos mais freqüentemente envolvidas com a raiva no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil; ii) estudar a distribuição do vírus da raiva em tecidos e órgãos não nervosos de morcegos; iii) estudar os períodos de mortalidade das amostras de vírus da raiva encontradas nos cérebros e glândulas salivares de morcegos, após inoculação intracerebral em camundongos, e iv) comparação do isolamento do vírus da raiva no sistema camundongo e cultura de células de neuroblastoma (N2A). Entre abril de 2002 a novembro de 2003, 4.393 morcegos capturados de diferentes municípios do Estado de São Paulo foram enviados à Seção de Diagnóstico da Raiva do Instituto Pasteur de São Paulo. Destes, 82 (1,87%) foram positivos para raiva pela técnica de imunofluorescência aplicada aos materiais do cérebro e 33 morcegos pertenciam ao gênero Artibeus sp; 15 Myotis sp; 10 Epitesicus sp; 5 Lasiurus sp; 4 Nyctinomops sp; 4 Tadarida sp; 3 Histiotus sp; 1 Molossus sp; 1 Eumops sp e 6 vampiros Desmodus rotundus. A distribuição do vírus em diferentes órgãos foi examinada pela inoculação de camundongos e células N2A com suspensões a 20% preparadas a partir de fragmentos do cérebro, glândula salivar submandibular, pulmão, língua, coração, bexiga urinária, rins, gordura interescapular, músculo peitoral, trato genital (testículos ou ovários e útero) e estômago. O vírus foi prontamente recuperado de tecidos e órgãos não nervosos com diferentes graus de sensibilidade, tanto em camundongos como em células N2A, e os órgãos mais apropriados para o isolamento viral foram os cérebros e glândulas salivares. Os períodos máximos de mortalidade observados para os vírus presentes nos cérebros usualmente foram mais curtos que os das glândulas salivares, a média do período máximo ± desvio padrão calculado para os cérebros de morcegos hematófagos foi de 15,33 ± 2,08 dias e para as glândulas salivares, 11,33 ± 2,30 dias; para os morcegos insetívoros, 16,45 ± 4,48 dias para os cérebros e para as glândulas salivares, 18,91 ± 6,12 dias; e para os morcegos frugívoros, as suspensões cerebrais apresentaram período máximo médio 12,60 ± 2,13 dias e para as glândulas salivares, 15,67 ± 4,82 dias. O teste de ANOVA indicou existir diferenças significantes entre os períodos de mortalidade correspondentes às suspensões preparadas a partir dos cérebros de morcegos insetívoros (período mínimo) e glândulas salivares de morcegos insetívoros (período máximo) e entre glândulas salivares de morcegos insetívoros (período máximo) e cérebros de morcegos frugívoros (período mínimo), com p<0.001. O uso de células N2A para o primo-isolamento do vírus da raiva a partir de tecidos e órgãos não nervosos de morcegos, diferente de cérebros, não mostraram resultados consistentes, especialmente devido à contaminação bacteriana e fator toxicidade
2005
Karin Correa Scheffer Ferreira
Caracterização das microbiotas bacteriana e fúngica presentes em cloacas de passeriformes silvestres confiscados do tráfico que serão submetidos a programas de soltura
Atualmente muitas espécies nativas de pássaros são consideradas raras no Brasil, pois são capturadas de forma indiscriminada por traficantes de animais e são então comercializadas, fazendo com que sejam encontradas cada vez mais em menor quantidade em seus habitats naturais. Animais confiscados do tráfico têm sido submetidos a programas de soltura ou relocação, atentando-se para que os mesmos não representem risco à população nativa. Passeriformes silvestres, saudáveis ou doentes, podem carrear uma grande diversidade de microorganismos e, portanto, o conhecimento sobre o status sanitário de animais apreendidos do tráfico que serão submetidos a programas de soltura, permite uma avaliação quanto à possibilidade destes animais atuarem como portadores de agentes patogênicos bem como atua como elemento esclarecedor da epidemiologia de doenças transmissíveis, aspecto fundamental para a preservação da saúde animal e também humana. O presente estudo procurou avaliar a ocorrência e frequência de bactérias aeróbias e anaeróbias facultativas bem como de fungos em suabes obtidos de cloacas de passeriformes silvestres apreendidos do tráfico e que serão submetidos a programas de soltura. Foram realizados testes de suscetibilidade in vitro dos isolados de E. coli frente a diferentes antimicrobianos utilizando-se o método de disco difusão, bem como a pesquisa de diversos genes codificadores de fatores de virulência nos mesmos através reação em cadeia da polimerase. A maior parte dos passeriformes (62,5%) avaliados apresentou uma microbiota cloacal constituída por bactérias aeróbias e/ou anaeróbias facultativas e/ou fungos, sendo que os microorganismos mais frequentemente isolados foram Staphylococcus spp. (15,0%), Micrococcus spp. (11,5%), Escherichia coli (10,7%) e Klebsiella spp. (10,7%). Observou-se uma maior ocorrência de bactérias Gram positivas seguidas por bactérias Gram negativas e fungos. A frequência de bactérias Gram negativas (28,4% do total de amostras coletadas) foi bastante representativa. Foram isolados 14 gêneros de bactérias, 03 gêneros de leveduras e 04 de fungos filamentosos. As 27 estirpes de E.coli isoladas apresentaram multirresistência aos antimicrobianos, sendo que ampiclina e amoxicilina+ácido clavulânico foram os antimicrobianos frente os quais observou-se maior índice de resistência (100%) por parte dos isolados, enquanto que cloranfenicol foi o antimicrobiano frente o qual observou-se maior índice de sensibilidade (100%). Somente um dos isolados de E.coli foi positivo para presença do gene codificador de fímbria S (sfa), podendo ser compatível com perfil de E. coli patogênica aviária (APEC) ou E. coli uropatogênica (UPEC). Nenhum dos isolados apresentou características condizentes com E.coli enteropatogênica (EPEC). Considerando-se a reduzida ocorrência dos genes codificadores de fatores de virulência estudados pode-se concluir que os passeriformes apreendidos do tráfico representam baixo risco potencial no tocante à transmissão de estirpes de EPECs, APECs e UPECs para outros animais ou mesmo para o ser humano. Por outro lado deve-se considerar o risco potencial de transmissão intra ou interespécies de E. coli multirresistentes aos antimicrobianos bem como a introdução destes micro-organismos no ambiente. Os riscos de disseminação de Salmonella spp., Cryptococcus spp e Candida spp. são pouco prováveis quando considerados programas de soltura.
Aspectos relevantes concernentes à salmonelose humana e canina
Salmonella é uma bactéria Gram-negativa, que compreende cerca de 2.500 sorotipos, muitos dos quais relevantes para humanos e animais; contamina alimentos e água, apresentando-se como um grande problema de saúde pública em todo o mundo. Causa infecção acompanhada de diferentes manifestações clínicas, mais comumente gastroenterite, e pode progredir, embora menos frequentemente, para septicemia e morte, especialmente em indivíduos jovens. Também é responsável pela febre entérica, caracterizada pela disseminação da bactéria pelo sistema reticuloendotelial via macrófagos para linfonodos, fígado e baço. O presente trabalho realizou um levantamento bibliográfico com vistas a averiguar os principais aspectos relativos à Salmonella discutidos na última década. Constatou-se que, no geral, os sorotipos mais prevalentes são S. Enteritidis, seguida de S. Typhimurium e, em regiões em desenvolvimento, há alta prevalência de S. Typhi e ,em menor proporção, de S. Paratyphi A. Em publicações que relatam surtos provocados por salmonelas, S. Typhimurium é o sorotipo mais prevalente, seguido de S. Enteritidis. Os fatores de virulência mais referidos são hil, spv, sop, sif, sse e inv. A resistência a antimicrobianos utilizados no tratamento de salmonelose é bastante discutida e são apontadas altas taxas de resistência e, inclusive, multirresistência principalmente à ampicilina, cloranfenicol e tetraciclina. Os antimicrobianos mais indicados atualmente para tratamento de salmonelose são ciprofloxacina e ceftriaxona, ainda que estudos apontem para o desenvolvimento de resistência a estes fármacos. Outros antimicrobianos indicados são cefixima, ceftazidima e imipenem, embora recomendados apenas em casos de falha no tratamento com fluoroquinonas e cefalosporinas de terceira geração, devido a fatores como alto custo e maior propensão ao desenvolvimento de efeitos colaterais. Os genes que intermediam a resistência a antimicrobianos estão normalmente contidos em plasmídios ou integrons, especialmente integron classe 1, os quais podem também estar abrigados em plasmídios ou no cromossomo da bactéria, especialmente em uma região chamada de ilha genômica 1 de Salmonella (SGI1). Os principais genes que conferem resistência a antimicrobianos mencionados são: drf, aad, tet, str, sul e flo. A resistência a antimicrobianos também é conferida por enzimas beta-lactamases de amplo espectro, cujos principais genes responsáveis por sua codificação são blaCTM-X, blaTEM e blaPSE. Na epidemiologia da salmonelose, os vetores mais relevantes para a contaminação pela bactéria são ovos, principalmente, além de carne bovina e leite, frutas, vegetais especialmente o tomate , carne aviária e suína. Como medidas profiláticas, são indicadas práticas de higienização de alimentos e utensílios utilizados em seu preparo e a lavagem das mãos após a manipulação de comida, assim como boas práticas de fabricação na cadeia de produção de alimentos. Em regiões em que a febre entérica é prevalente, recomenda-se o consumo de água engarrafada ou após fervimento e cuidado com a água utilizada para lavagem de frutas e verduras a serem ingeridas. Com relação à salmonelose em cães, há poucas publicações a respeito; dentre estas, há dois temas preferencialmente discutidos: a associação da contaminação de Salmonella pelo homem via cão de estimação ou contato com ração ou guloseimas caninas; e a resistência a antimicrobianos de salmonelas isoladas em cães.