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O povoado calcolítico do Outeiro de São Mamede (Bombarral): estudo do espólio das escavações de Bernardo de Sá (1903/1905)
O povoado pré-histórico conhecido pelo nome de Outeiro de São Mamede, localiza-se na colina alongada, de orientação aproximada Norte-Sul, bem demarcada na paisagem, e pontuada de rochedos na sua parte mais alta, formando nalguns lugares escarpa vertical, sobre o fértil vale adjacente, designada por Cabeço da Raposa, na Carta Militar de Portugal, na escala da 1/25 000. Trata-se de afloramentos de calcários dolomíticos do Jurássico Inferior (Infralias). Administrativamente, pertence à freguesia de Roliça, concelho de Bombarral.
2003
Cardoso, João Luís Carreira, Júlio Roque
A gruta do Correio-Mor (Loures)
A gruta natural do Correio-Mor, cerca de 1 km a WNW de Loures e a aproximadamente 10 km a N de Lisboa, foi identificada em 1974, no decurso de lavra de pedreira que, então, explorava os calcários duros subcristalinos do Cretácico (Cenomaniano superior) que ali se desenvolvem em extensas bancadas, facilmente exploradas. Desapareceu no decurso da escavação de emergência ali realizada. O avanço da frente da pedreira, ao intersectar uma cavidade subterrânea de origem cársica até então desconhecida, pôs à vista depósito terroso, que a colmatava em grande parte, formando um talude na frente da exploração, onde desde logo foi recolhido algum espólio arqueológico. O bom estado de conservação dos materiais recolhidos, tanto pré-históricos como proto-históricos, indicava que a gruta teria servido como necrópole, justificando-se deste modo uma intervenção de emergência.
Nótula sobre materiais romanos provenientes do rio Tejo (Oeiras)
No âmbito do estudo sistemático dos achados romanos encontrados em águas portuguesas, que efectuamos para o Inventário Nacional do Património Subaquático, publicamos aqui materiais provenientes de achados fortuitos na barra do Tejo, em depósito no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática.
2003
Diogo, António M. Dias Cardoso, João Pedro
A Baixa Estremadura dos finais do IV milénio a.C. até à chegada dos romanos: um ensaio de história regional
Esta obra trata da sucessão cultural registada na Estremadura portuguesa desde a emergência das sociedades complexas do Calcolítico até à chegada dos Romanos, correspondendo a um lapso de tempo entre os finais do IV milénio e os finais do século II a.C. Sumário Prefácio Apresentação Resumo 1 – Âmbito temático e geográfico 2 – A consolidação do sistema agro-pastoril do Neolítico Final, na segunda metade do IV milénio a.C. e a Revolução dos Produtos Secundários 3 – O Calcolítico da Estremadura 3.1 – Características gerais 3.2 – O Calcolítico Inicial, o Calcolítico Pleno e o “fenómeno” da fortificação dos povoados 3.3 – A metalurgia do cobre e o comércio transregional de outras matérias-primas 3.4 – Difusionismo versus indigenismo nas origens do Calcolítico da Estremadura 3.5 – A eclosão das cerâmicas campaniformes e o final do Calcolítico na Estremadura 4 – O Bronze Pleno na Estremadura 5 – O Bronze Final na Estremadura 6 – A Idade do Ferro na Estremadura Bibliografia citada
As “Ferrarias del Rey” em Barcarena: subsídios para a sua história
Quando recolhemos as primeiras informações referentes a uma antiga ferraria e fábrica de armas em Barcarena, verificámos que as frequentes alusões às Ferrarias del Rey, contrastavam com a pouca informação disponível sobre a sua localização e existência. Intrigou-nos a superficialidade com que se abordava a matéria, que a remetia quase para o campo das memórias perdidas, quando tudo indicava tratar-se de um estabelecimento que teria assumido um claro protagonismo no passado da nossa metalurgia. Procuraremos contribuir com novos dados para esta problemática, confirmando, na nossa avaliação, a relevância que esta fábrica real, com existência documentada para um período de 208 anos, terá assumido na produção de armamento ligeiro em Portugal.
2005
Gomes, José Luís Cardoso, João Luís
Fernando Meirelle's The constant gardener at the crossroads of hegemonic and counter-hegemonic globalization
John Le Carré’s novel The Constant Gardener (2001) focuses on the ongoing exploitation of former African colonized people by international interests in a post-colonial time marked by globalization. Despite the novelist’s attempt to render the complex machinations among multinationals, Britain and underdeveloped states visible, his focus is mainly placed on characters connoted with power. This essay analyzes Fernando Meirelles’s 2005 filmic remediation of Le Carré’s novel and demonstrates how Meirelles transforms Le Carré’s representation of multifold conflicts into a reflection on the complexity of the phenomenon of globalization and of its impact on the Global South. I claim that Meirelles transforms his film into a stage on which the hegemonic and counter-hegemonic forces of globalization (Santos, “The Processes”) are confronted and interrogated froman ethical perspective. The latter highlights the relevance of a globalization from below (Appadurai “Grassroots”) and cinema’s role in denouncing the evils of globalization.
The angel, the martyr and the whore: Elizabeth Gaskell's female trinity
Elizabeth Gaskell’s two most controversial novels, Mary Barton and Ruth, focus on female characters who represent, respectively, the full acceptance and the incipient refusal of Victorian common sense. In Mary Barton, two stereotypes coexist: the woman-angel (Mary) and the whore (Esther). The novel depicts the dangers brought by economic independence and factory labour to young female workers, as well as the degeneration until death to which all “fallen women” are doomed. But, sometimes, both kinds of women seem to coincide in a sole character, creating a real human being instead of a mere didactic device. Gaskell’s soft revolution will rise in Ruth, with her unwelcome sympathy for the abandoned women and single-mothers. Ruth’s destiny would have been similar to Esther’s if Elizabeth Gaskell hadn’t had the generous courage of subverting the rules. Ruth ‘sins’, but her route until the redeeming death is not one of vice and degeneration, but one of penance and virtue. Showing without solving, the author voices the conflict between human nature and social rules...which nevertheless are still the winners.
As fontes históricas do De vita et moribvs B. Elisabethae Lusitaniae Reginae Libri III de Pedro João Perpinhão, S.J.: o conflito etre D. Dinis e o seu filho e a intervenção de D. Isabel
In order to compose his biography of Queen Saint Elizabeth, the jesuit priest Pedro Perpinhão, teacher and speaker of the Colégio das Artes, in the middle of the sixteenth century, seeked information on historical writings, to give truth and credibility to his words. This paper stablishes the parallel between his text and those historical writings.
Um tigre, dois tigres, três tigres: William Blake e Jorge Luis Borges num poema em prosa de Eugénio de Andrade
Prose poem “Borges e os tigres”, by Eugénio de Andrade, invokes, intertextually, two other wild beasts, present in the compositions “The Tiger”, by English writer William Blake, and “El otro tigre”, by Nobel Prize winner Jorge Luis Borges. In this article, I examine the three texts, in order to understand how Eugénio reflects, Appropriates and recreates, with imagination and talent, the literary animals of Blake and Borges. To accomplish my goals, I resort to studies by specialists in the fields of literature, myth and symbol. The result will be, I expect, a different and revealing perspective about the meanings that hide in Eugénio’s prose poem.
What burns in your heart: a viagem de regresso em Garden State (2004) de Zach Braff
Garden State (2004) by Zach Braff is a very good example of the importance of the journey for humanity and, in this particular case, for the American culture. In this article we analyze this movie taking into account the journey back home of the main protagonist where he will find himself again, learning to live life in a uncomplicated and fulfilling way.
A outra ética: desafios propostos pela tradução cultural (com breve reflexão sobre discursos nao-literários)
This article addresses the by and large neglected question of Cultural Translation in non-literary territories. Reflections have been, in fact, limited almost exclusively to the translation of literary texts. However the approach presented here differs from this one since it covers a larger plan, covering all kinds of discourses. This perspective reflects on issues of ideology, violence and resistance that necessarily involve the process of translation as a whole. Such questions tend to be ignored by translators but they are a material aspect of their social action. This is the ethics of translation professionals must recognize and incorporate into their work.
Osmose cultural e neolitização na Pré-História europeia. A propósito da transição Mesolítico-Neolítico no sul de Portugal
Os autores procuram aplicar o conceito de osmose cultural ao processo de neolitização ocorrido em três áreas europeias: a Costa Sudoeste, o Vale do Sado e a planície setentrional da Europa. Esse processo teria sido protagonizado pelas populações do Mesolítico Final ao adoptarem (e reelaborarem) as inovações neolíticas, tecnológicas e/ou económicas, de modo selectivo e de acordo com as suas próprias necessidades e identidade cultural. Em suma, a dinâmica gerada pelo desenvolvimento económico-social das populações mesolíticas teria constituído o factor fundamental da integração selectiva das referidas inovações. Os autores privilegiam as relações de vizinhança, admitindo que a prática da exogamia poderia ter representado importante veículo de difusão.
2007
Silva, Carlos Tavares da Soares, Joaquina
A neolitização do Portugal meridional no contexto mediterrâneo ocidental do VI milénio a. C.
No presente texto descrevem-se as principais características do primeiro Neolítico do actual território português, o qual está restrito às regiões meridionais do país, tem uma economia de produção que não se encontra ainda bem definida, e a sua cronologia indica 5.500-5.400 cal BC para o seu surgimento, que ocorre no centro da Estremadura e no Barlavento Algarvio. Em regiões adjacentes, as adaptações mesolíticas perdurarão até ao início do V milénio a.C., com ou sem interacção com as comunidades neolíticas (no caso do Sado e de Muge, respectivamente). As características da cultura material deste Neolítico integram-no claramente na tradição cardial, mas apresenta diferenças dignas de nota em relação, por exemplo, às realidades congéneres do Levante peninsular. A sua comparação preliminar com os contextos conhecidos na Andaluzia e norte de Marrocos permite identificar afinidades entre estas três grandes regiões e extrair ilações acerca dos processos específicos da neolitização das mesmas. O estado actual dos conhecimentos, ainda muito insuficientes em diversos domínios da investigação, aponta no entanto para a possibilidade de se estar perante um processo catalizado pela chegada de grupos cardiais por via marítima que se instalam em territórios marginais aos mesolíticos.
2007
Carvalho, António Faustino de
Breves reflexões sobre os caminhos das antigas sociedades camponesas no centro e sul de Portugal
O autor apresenta algumas das questões que tem presentemente em estudo, quer as potenciadas pelo Projecto «PLACA NOSTRA» quer pelo Projecto «Caminhos do Sul». Analisa questões relacionadas com os «movimentos» megalíticos, e o seu duplo significado, com as placas de xisto gravadas, particularmente as placas CTT, refere a expansão arqueometalúrgica para Ocidente e a questão campaniforme, com relevo para as cerâmicas «campaniformes» decoradas com métopes.
Análise de técnicas de tradução em textos da área da saúde e bem-estar no par de línguas alemão-português
The area of health and wellness is represented by different discourse genres, which constitute a challenge for every translator and make it necessary to have a clear idea about the target audience. These popular science texts constitute a growing text genre and are frequently translated into several languages. The emergence of countless publications for a non-professional audience as well as the fact that there are specific sections in journals and magazines, justify the interest of dealing with this topic in the field of Translation Studies. With regard to Translation Studies, the knowledge of translation techniques, specific for a language pair (in this case portuguese and German), represents a very important aspect. Starting with the works of Vinay & Darbelnet, several classifications have been proposed, among them the ones by Gallagher and Schreiber, which will be analysed in this article. On the basis of a corpus consisting of popular science texts, we would like to identify and characterize those techniques that are used when translating from German into Portuguese.
Aspectos e problemas das origens e desenvolvimento da metalurgia do bronze na fachada atlântica peninsular
De há longa data que se reconhece que a maioria das produções metalúrgicas peninsulares, incluindo o território hoje português, atribuível ao último quartel do 3.º milénio a.C. e à maior parte do 2.º (Primeira Idade do Bronze) utilizam modelos de um grande conservadorismo, inclusive técnico, que, ao longo do 2.º milénio, progressivamente se afastam dos presentes na área europeia centro-atlântica. A tal facto não será estranha a produção peninsular de cobres arsenicais que integra boa parte dos artefactos de cobre do final do Calcolítico e a quase totalidade dos atribuíveis à Primeira Idade do Bronze, sendo correntemente afirmado que a tardia introdução das ligas de bronze (cobre e estanho) na metalurgia peninsular se deve ao sucesso dos cobres arsenicais em cujos minérios é rica. Argumentamos que esta introdução, perspectivada como ocorrendo por via continental trans-pirenaica por M. Fernández-Miranda, I. Montero Ruíz e S. Rovira Llorens (1995, p. 67) e seguindo de Navarra para as Mesetas e finalmente para o Sudeste Argárico, pode também pensar-se, face a novos dados disponíveis, como correndo ao longo da fachada atlântica peninsular, igualmente de norte para sul e daí para o interior. Para tal concorre a recente descoberta no Norte Português de evidências de produção de bronzes binários em contextos domésticos do segundo quartel do 2.º milénio a.C., bem como a revisão de anteriores achados do Centro-Sul português. Tais contextos permitem igualmente reflectir sobre as modalidades de que se reveste tal progresso tecnológico e qual o seu significado tecnómico e simbólico.
2007
Senna-Martinez, João Carlos de
Andrade, Eugénio de. Chuva sobre o Rosto (com vinte desenhos de Jorge Pinheiro). Prefácio de João Miguel Torres e um poema de Joaquim Manuel Magalhães. Coord. José da Cruz Santos. Porto: Afrontamento, 2011. ISBN: 978-972-36-1043-7
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Xosé Manuel Sánchez Rei, Lingua galega e variación dialectal, Ames, Laiovento, 2011, 662 páginas
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Cavalos-de-frisa e muralhas vitrificadas no Bronze Final do Sudoeste. Paralelos europeus
Na Europa são conhecidos mais de 200 povoados fortificados que mostram evidências das suas muralhas terem sido sujeitas a um aquecimento intenso, o que levou à vitrificação dessas estruturas. Nas rochas silicicatadas, a vitrificação ocorre através de uma fusão total ou parcial de minerais primários e formação de uma fase vítrea. A vitrificação das muralhas, que só ocorrerá quando estas tiverem sido construidas com madeira e pedras, pode ter tido uma função construtiva, originando uma muralha mais sólida, ou destrutiva, se foi incendiada e arrasada devido a um qualquer conflito, ou, ainda, para formar uma estrutura de condenação de contextos pré-existentes. A vitrificação de muralhas de povoados proto-históricos ibéricos, mais precisamente no Sudoeste, foi pela primeira vez registada, já na década de noventa, no povoado do Monte Novo (Évora), com ocupações do Bronze Final, da Idade do Ferro e da Época Romana, e no do Passo Alto (Vila Verde de Ficalho), sendo aí atribuível a uma ocupação do Bronze Final. Outras muralhas vitrificadas foram posteriormente identificadas em Portugal, nomeadamente no Castelo Velho de Safara (I. do Ferro) e no Cerro das Alminhas-Sarnadinha (Bronze Final) e, em Espanha, nos povoados sidéricos da Fragua del Romualdo (Encinasola, Huelva), do Pico del Castilho (El Gasco, Cáceres), do Pico del Pozo de los Moros (Villasrubias, Salamanca). No povoado da Misericórdia (Serpa), com ocupações do Bronze Final e da 2ª Idade do Ferro, um muro vitrificado, fazendo parte de uma estrutura com uma base de maiores dimensões não vitrificada, foi datado por arqueomagnetismo. A estrutura que, muito provavelmente, faria parte de uma torre defensiva, tem uma data absoluta de 842-652 cal. BC.
2007
Soares, António M. Monge