RCAAP Repository

As relações europeias do território português na época romana

O território ocidental da Península Ibérica é, com demasiada frequência, considerado área marginal do Império Romano, cujo único interesse residia na sua riqueza mineira. Como consequência desta visão redutora permanece a tendência para interpretar como limitadas e pouco interessantes as relações desta periferia com a Itália e as restantes províncias do Império. Os progressos da investigação, histórica e arqueológica, se, neste caso, é possível considerar esta duplicidade, mostram inequivocamente, que a faixa atlântica que hoje corresponde a Portugal, sem conhecer a exuberância de testemunhos que se registam noutras regiões hispânicas, como a Bética, conta com provas seguras de contactos regulares e significativos com outras áreas do mundo romano.

Year

2007

Creators

Mantas, Vasco Gil

Os suevos na Galécia e na Lusitânia

Da mais genuína origem indo-europeia, os Suevos tiveram um percurso geográfico muito significativo, confundindose praticamente, no período romano, com os Germanos, até porque abrangiam ou interagiam muito proximamente com várias etnias dispersas pelas regiões fronteiriças ao Império no Norte da Europa. A sua vinda para a Hispânia e actual território português, com eleição preferencial do Noroeste atlântico, permitiulhes manter a sua identidade etnico-cultural, primeiro face aos hispano-romanos e, depois, na sua relação com outros povos bárbaros, designadamente os Visigodos, até que o evoluir do tempo permitisse uma aculturação mais profunda, promissora de uma pacífica e enriquecedora interacção com outros modos de estar na sociedade hispânica, abrindo perspectivas novas de futuro. É sobre esta realidade que se pretende reflectir, fazendo, em primeiro lugar, um levantamento de dados históricos sobre a acção dos Suevos e, em segundo, uma leitura sobre a chamada Pax Suévica no Ocidente Peninsular, condicionante de caminhos novos abertos às gerações que se lhes seguiram.  

Year

2007

Creators

Maciel, Manuel Justino

«A Oeste nada de novo»?

Desde os primórdios da produção arqueológica que a origem dos vestígios identificados no terreno mereceu a maior atenção, estabelecendo-se, desde então, e de alguma forma, uma fronteira entre quem apoiava uma proveniência exógena, mormente oriental, e quem defendia uma derivação endógena. Não obstante, estes posicionamentos não foram sempre inflexíveis, antes assistindo-se a sucessivas procuras de conciliação entre as duas abordagens, aliando a fonte oriental – o conhecido ex oriente lux – das principais realidades que marcaram os primeiros estádios da evolução humana a uma certa originalidade endógena, traduzida, tanto no modo como essas mesmas novidades foram adaptadas, quanto na emergência de algumas particularidades. Este foi, na verdade, um dos temas que mais interesse e polémica suscitou no seio da comunidade arqueológica – e antropológica – de oitocentos, perdurando na centúria subsequente, a ponto de se transformar, nalguns casos, num portentoso instrumento de manipulação de informação, de acordo com agendas políticas muito específicas. Embora despojada da intensidade que assumiu nos principais círculos académicos europeus, esta temática foi seguida de perto pelos principais investigadores portugueses actuantes neste domínio. É, justamente, este exemplo que pretendemos analisar nesta nossa primeira abordagem do tema, percorrendo e contextualizando o discurso produzido nas primeiras décadas de novecentos, período durante o qual houve um empenho redobrado em acentuar a originalidade de vestígios arqueológicos encontrados em solo português, ao mesmo tempo que se enfatizava a proximidade observada com existências identificadas noutros recessos europeus e extra europeus.

Year

2007

Creators

Martins, Ana Cristina

A participação da Filologia Clássica, portuguesa e estrangeira, nos estudos de Arqueologia em Portugal

É em especial dos estudos epigráficos, como parte importante dos estudos arqueológicos, que nos ocuparemos hoje, partindo do princípio inatacável de que Epigrafia é Arqueologia e que não há nenhum epigrafista que possa dispensar uma formação clássica. Por Filologia Clássica entendemos nós não apenas o conhecimento dos idiomas grego e latino, com os respectivos dialectos, mas também essa imensa massa cultural que facilita uma melhor compreensão de toda a civilização ocidental. Se assim não fosse, como se entenderia o grande apoio dado em Portugal aos estudos arqueológicos por figuras gradas da epigrafia e que, com o mesmo à-vontade se movimentam na área da Arqueologia propriamente dita?

Year

2007

Creators

Almeida, Justino Mendes de

Roteiro de Saragoça no século XVI

On the reports of travels that took place at the 16th century between Portugal and Rome, the description of some cities assumes particular importance. One of those cities is Saragossa a compelling passage for those who, although not going on a pilgrimage, wanted to visit this place of devotion, known by its sanctuaries, holy relics and miracles.

Year

2013

Creators

Toipa, Helena Costa

Evocação de Octávio da Veiga Ferreira

Octávio da Veiga Ferreira (o Veiguinha), foi um arqueólogo que, apesar dos escassos meios científicos existentes ao seu alcance, produziu resultados e conclusões que ainda hoje são consideradas de grande valor. Um homem para quem “o preto sempre foi preto e o branco sempre foi branco”, o que por vezes provocou polémica. Um grande amigo dos seus amigos para quem amizade e sinceridade eram valores indiscutíveis.

Year

2008

Creators

North, Christopher Thomas

Entre Octávio da Veiga Ferreira et Pedro Bosch Gimpera. Le Néolithique du Portugal – Historiographie, souvenirs, commentaires

João Luis Cardoso me propose de rendre hommage à la mémoire de notre commun ami Octavio da Veiga Ferreira en évoquant notre rencontre et l’élaboration de l’article « le Néolithique ancien au Portugal » (Bulletin de la Société Préhistorique Française, 1970, pp. 304-322). Je réponds plus d’autant favorablement à cette requête que l’étude en question a donné lieu en 1971 à un courrier de Pedro Bosch Gimpera, l’un des maîtres fondateurs de la Préhistoire ibérique, alors retiré à Mexico et avec lequel j’ai entretenu quelques relations épistolaires. Je donne ci-après le contenu de cette lettre, jusqu’ici inédite, car elle me semble être un bon miroir des débats de l’époque et la discute. De sorte que la présente contribution mêlera souvenirs, aperçus historiographiques et commentaires archéologiques. C’est dans le contexte qui était celui il y a plus de 35 ans qu’il faut donc lire ces lignes.

Year

2008

Creators

Guilaine, Jean

Octávio da Veiga Ferreira: un recuerdo de amistad

Entre la documentación referida en este Homenaje al profesor Octavio da Veiga Ferreira se hallan algunas de las cartas que le envié en los años 1969 a 1971. La muestra aportada por esta correspondencia resulta bastante escueta. Son, en efecto, de muy limitada locuacidad unas cartas ceñidas a lo inmediato de algunas atenciones profesionales “entre colegas” (las habituales informaciones de hallazgos, gestiones de publicación, agradecimiento por facilidades de acceso a colecciones y datos, etc.) y resultan mínimamente expresivas de sentimientos míos personales y muy arraigados hacia Veiga Ferreira: los de mi admiración y provecho hacia sus ricos conocimientos e intuiciones y los de una buena amistad con la persona acogedora y entrañable que fue. Considero un atrevimiento que aporte unas líneas al merecido Homenaje que se le tributa en este volumen y sólo puedo justificarlas por mi relación científica con el homenajeado, en un plano exclusivamente personal ya que fue él quien me abrió más inmediatamente las vías de mi conocimiento directo de colecciones, bibliografía e ideas sobre la Prehistoria portuguesa, tan próxima. y tan a menudo ignorada a este lado de la frontera.

Year

2008

Creators

Maestu, Ignacio Barandiarán

Octávio da Veiga Ferreira – Colega e Amigo

Octávio da Veiga Ferreira esteve também ligado ao Instituto Arqueológico Alemão. Desde 1963 que pertencia a esta instituição como membro correspondente, e sempre a apoiou.

Year

2008

Creators

Schubart, Hermanfrid

Evocação de O. da Veiga Ferreira

O presente texto constitui a evocação da memória de um Homem extraordinário que tive o gosto e proveito de conhecer e com quem tive o privilégio de trabalhar, durante quatro anos e privar uns quantos mais. Foi meu Mestre e Amigo, também Professor (1979-1981) e Colega (1983-1987). Por tudo isso, confesso que sinto manifesta dificuldade em avaliar e tratar de um forma isenta, fria e objectiva a sua carreira e obra. Estaria a enganar os leitores se pretendesse fazer passar esta evocação, sentida e emotiva, do Mestre e Amigo, por mais um estudo de história da Arqueologia portuguesa, como outros que tenho publicado, onde sempre me foi mais fácil analisar e dissecar a obra de desconhecidos com o suficiente distanciamento e alguma (pretendida) objectividade.

Year

2008

Creators

Fabião, Carlos

Octávio da Veiga Ferreira: Uma visão pessoal no contexto do seu tempo

Octávio da Veiga Ferreira, nome adoptado. Ou Octávio Reinaldo dos Santos Ferreira, nome real (nascido em Lisboa, 28.3.1917 – falecido em Lisboa, 14.4.1997). Filho de um oficial do exército – que, coerentemente com os seus ideais, se havia batido pela Monarquia e cedo morreu – não beneficiou nem de meios materiais, nem de apoios significativos, políticos ou outros. Daí uma vida construída a pulso. Desde uma adolescência nos arredores de Sintra, entre festas e eventual pancadaria, e daí por diante. Segundo lhe ouvi, foi marinheiro e lutador, do que, todavia, não disponho de dados comprovativos, e elemento muito válido pelo seu trabalho de Investigação, sobretudo em Arqueologia mas abrangendo áreas da Geologia e da Paleontologia também. Além do mais, foi grande amigo dos seus amigos, de lealdade inultrapassável, modesto e activo, generoso, disponível para ajudar outrem. De tudo isso dou testemunho, acumulado ao longo de uma colaboração que perdurou longamente e que a morte interrompeu. Por isso sinto como dever moral o aderir à iniciativa de João Luís Cardoso, ao convidar-me a participar numa justa homenagem a Veiga Ferreira, embora depare com a dificuldade de não ser arqueólogo e, por conseguinte, de a minha perspectiva ser algo lateral.

Year

2008

Creators

Antunes, Miguel Telles

Três notas (muito pessoais) sobre Octávio da Veiga Ferreira

Não sei em que grau exacto contribuiu Veiga Ferreira para o percurso que eu vim a seguir, numa aproximação crescente aos estudos sobre Pré-História Antiga, intimamente ligados aos enfoques disciplinares das Ciências da Terra. Bem vistas as coisas e com a isenção que a distância do tempo permite, creio que foi uma influência muito maior do que eu poderia supor ou até aceitar. Nada de mais refrescante para um estudante de Letras do que a autenticidade telúrica da ligação à terra que Veiga Ferreira nos oferecia, ainda por cima num quadro de grande (para a época inusitada) convivialidade e abertura aos jovens. Numa altura em que a ideia da interdisciplinaridade não passava ainda na minha cabeça de propósito algo piedoso, Veiga Ferreira foi quem, pelo que escreveu e pelas lições informais que nos dava, mais contribuiu para dar conteúdo prático àquele propósito.

Year

2008

Creators

Raposo, Luís

O Arqueólogo Octávio da Veiga Ferreira

Foi-nos sempre difícil falar ou escrever sobre aqueles de quem mais gostamos. Por um lado, sempre associámos isso a panegírico; por outro, tememos que não consigamos dizer quanto esse amigo mereça, acabando por ficar muito aquém das nossas próprias expectativas. Veiga Ferreira foi para nós um mestre e um desses raros amigos maiores que nos transmitiu os seus conhecimentos e a sua amizade desinteressadamente durante três décadas.

Year

2008

Creators

Cardoso, Guilherme

Veiga Ferreira – Mais do que uma recordação

Conto aqui algumas coisas que não eram conhecidas e que, saindo do currículo oficial, lançam uma outra luz sobre a vida deste homem excepcional.

Year

2008

Creators

Salvado, Salete

El Solutrense y el arte rupestre en Portugal. Reflexiones acerca de la obra de O. da Veiga Ferreira y su proyección actual

Este trabajo rinde homenaje a un prehistoriador con una dilatada vida científica, Octávio da Veiga Ferreira (1917-1997), autor de estudios y excavaciones de referencia en la Prehistoria portuguesa, incluidos algunos de los grandes yacimientos del Paleolítico superior. Entre otras contribuciones relevantes, la definición moderna de la secuencia del Solutrense en Portugal es tributaria de sus investigaciones en el centro de Portugal, particularmente en la Cueva de Salemas.

Year

2008

Creators

Rodríguez, Maria Soledad Corchón

A Estação mesolítica da Amieira (Sesimbra)

A localização da estação da Amieira, efectuada no decurso de prospecções arqueológicas na zona ocidental do concelho de Sesimbra, em Janeiro de 1989, deve-se ao Sr. João Pinhal; foi já objecto de uma publicação, tendo sido atribuída ao Neolítico Antigo, na curta nota que dava conta da sua existência. Uma recente revisão dos mesmos materiais, com base em critérios mais recentes, veio alterar aquela classificação, sem prejuízo de, já naquela data, se terem identificado produções de cunho mesolítico, como o trapézio de Téviec. Com efeito, o estudo aprofundado e exaustivo do conjunto lítico, agora pela primeira vez efectuado, permitiu atribuir a estação ao Mesolítico Final, conclusão de grande interesse, no quadro dos conhecimentos actuais sobre a ocupação mesolítica da orla costeira da Estremadura. Assim, considerou-se como plenamente justificada a re-publicação da estação da Amieira, no volume de Homenagem a O. da Veiga Ferreira, que, como é sabido, tanto se distinguiu no estudo do Mesolítico Final do território português.

Year

2008

Creators

Carvalho, António Faustino de Cardoso, João Luís

Álvaro de Campos – himself Álvaro de Campos – himself

Álvaro de Campos’s work came to violently shake modernism, either the Portuguese or the European kind; his intellectual and artistic trajectory has influenced countless creators and thinkers, cementing him as wholesomely important to Portuguese Thought, and the Portuguese Soul as a concrete unit. In this work we aim, not just observe Álvaro de Campos in his entirety - whatever such a totality that is -, building ideas and concepts about its three essential phases, but also to seize  synoptic vision that the work contains, in the three complete articles, each one on each phase-slice of Alma de Campos: a first of profound decay, centered around the Opiary; a second, grand and ingenious, modernist-futurist, in the Ode Triunfal; and the last one, twilight, of authentic becoming, at the Tobacaria. We pursue a Cosmo vision, a style –a personality similar to itself and dissimilar to Pessoa's. This also means that we refer to Campos himself, inwardly, and not to Campos when ruminated in the idea of ​​Pessoa; We are interested in the Unique-Fields.

Year

2022

Creators

Rodrigues , João Bartolomeu Ribeiro, André Magalhães, Cristiana Rodrigues , Sofia Nunes, António