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Angioplastia subintimal sem o uso de stent em paciente diabético portador de lesão complexa no pé
Pacientes diabéticos portadores de doença ateroesclerótica obliterativa periférica e lesões complexas de partes moles são freqüentemente tratados por amputação primária. Os autores relatam o caso de paciente de 66 anos, sexo feminino, portadora de múltiplas comorbidades, apresentando volumoso abscesso plantar esquerdo e lesão femoral superficial conforme TASC C. Optou-se por realizar revascularização endovascular do membro inferior esquerdo por técnica de angioplastia subintimal sem o emprego de stent ou endoprótese. A abordagem combinada de revascularização endovascular do membro inferior associada a cuidados intensivos com feridas de pés diabéticos deve sempre ser considerada antes da amputação. Assim, sugere-se a técnica de angioplastia subintimal como uma opção em pacientes de elevado risco cirúrgico portadores de feridas complexas nas extremidades.
2008
Massière,Bernardo Pedron,Cleoni von Ristow,Arno Cury,José Mussa Gress,Marcus Vescovi,Alberto Marques,Marcos Areas Medina,Antonio Luiz de
Bilateral popliteal artery entrapment syndrome: case report
Popliteal artery entrapment syndrome occurs due to an extrinsic compression of the popliteal vessels that results in vascular damage. It is one of the most frequent causes of intermittent claudication in young patients. The authors describe a case of bilateral syndrome by anomalous position of the gastrocnemius muscle, with abnormal slip of its medial head (Rich's type III). During the operation the occluded right side was reconstructed by autologous saphenous vein bypass from femoral superficial to peroneal artery and on the left side the slip muscle was transected by posterior approach. Popliteal artery entrapment syndrome should be treated by surgery despite the degree of symptoms. Surgical treatment technique has released the vessel by extracting the muscle that caused entrapment, and reconstructing the narrow lumen bypass grafting.
2008
Oliveira,Fabricio Mascarenhas de Santos,Aline Cristine Barbosa Takito,Alexandre Mitoshi Bolanho,Edgard Costa,Regina de Faria Bittencourt da Fernandes Jr.,Nelson
A importância da embolização pré-operatória no tratamento do tumor do corpo carotídeo: relato de caso e revisão da literatura
Os tumores do corpo carotídeo são neoplasias raras, que se originam dos pequenos órgãos quimio e barorreceptores localizados na adventícia da bifurcação da artéria carótida comum. Constituem-se uma doença de grande interesse para o cirurgião vascular, na medida em que crescem aderidos à adventícia dos vasos que compõem essa bifurcação. Por isso, sua cirurgia requer não só o conhecimento anatômico da região, mas também perfeito reconhecimento das técnicas de reconstrução vascular. Representam um problema especial quanto a seu manejo, devido à sua rica vascularização e intimidade com estruturas nobres da região cervical, como nervos e grandes vasos. Neste caso, apresentamos um homem com um tumor de corpo carotídeo aderido à carótida direita, diagnosticado por punção biópsia e tratado em dois tempos, sendo o primeiro por tratamento endovascular, realizando embolização percutânea do tumor, e, no segundo, a ressecção cirúrgica do mesmo, o que evidencia o tratamento combinado, segundo atual literatura.
2008
Cavalcanti,Luciana Marins Cruz,Cristiano Barbosa Guedes,Alexandre José de Souza Andrade,Gustavo Abath,Carlos Gustavo Coutinho Fernandes,Raquel Aline
Implante de filtro em veia cava inferior dupla: relato de caso e revisão da literatura
Veia cava inferior dupla é uma variação anatômica rara cuja prevalência é de 0,2-3%. O implante de filtro de veia cava, quando indicado em casos com duplicidade da veia cava inferior, pode ser realizado de diferentes formas: em ambas as veias cavas; em uma delas, embolizando a anastomose entre ambas; em somente uma delas; ou por implante supra-renal. Relatamos um caso de trombose venosa profunda no pós-operatório de implante de prótese de quadril com contra-indicação para tratamento anticoagulante e cuja cavografia evidenciou duplicidade de veia cava inferior. O implante de filtro de veia cava inferior realizado em posição supra-renal mostrou-se opção adequada e segura.
2008
Malgor,Rafael Demarchi Sobreira,Marcone Lima Boaventura,Priscila Nunes Moura,Regina Yoshida,Winston Bonetti
Utilização da veia ilíaca externa recanalizada para implante de cateter de longa permanência para hemodiálise
O uso de cateteres venosos cervicais para hemodiálise leva freqüentemente à oclusão dessas veias. Como alternativa, os acessos venosos femorais são válidos, porém o seu uso também está associado à oclusão dessas veias e a um maior índice de infecção. Vias alternativas são cada vez mais utilizadas na impossibilidade dos acessos previamente mencionados. Descrevemos neste relato de caso uma alternativa para o implante de cateter de longa permanência para hemodiálise usando a veia ilíaca externa recanalizada. Comentamos os detalhes da técnica utilizada, suas vantagens e desvantagens.
2008
Moreira,Ricardo Wagner da Costa Borges,Leonardo Carletto Costa,Kellen Michelle Alves Quinino,Raquel Martins e Serra,Yvis Gadelha Oliveira,Luís Carlos de
Termination of the facial vein into the external jugular vein: an anatomical variation
Different patterns of variations in the venous drainage have been observed in the past. During routine dissection in our Department of Anatomy, an unusual drainage pattern of the veins of the left side of the face of a middle aged cadaver was observed. The facial vein presented a normal course from its origin up to the base of mandible, and then it crossed the base of mandible posteriorly to the facial artery. Thereafter, it joined with the anterior division of retromandibular vein to form the common facial vein, which drained into the external jugular vein directly. Sound anatomic knowledge of the above variation in facial veins is essential to the success of surgical procedures in this region.
2008
D'Silva,Suhani Sumalatha Pulakunta,Thejodhar Potu,Bhagath Kumar
Angioplastia infrapoplítea: quanto mais artérias tratar, melhor?
No summary/description provided
2008
Yoshida,Ricardo de Alvarenga Silva,Carlos Eduardo Cunha da Sobreira,Marcone Lima Yoshida,Winston Bonetti
Apnéia na sala de recuperação pós-anestésica: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A depressão respiratória é uma complicação que pode ocorrer no pós-operatório quando se utilizam opióides na anestesia. O objetivo deste relato é discutir um caso de apnéia em paciente que chegou consciente à sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), após ter sido submetido à tireoidectomia sob anestesia geral com propofol, fentanil e isoflurano. RELATO DO CASO: Paciente do sexo feminino, 50 anos, 60 kg, estado físico ASA I, submetida à tireoidectomia sob anestesia geral induzida com propofol (140 mg), fentanil (350 µg), atracúrio (30 mg) e mantida com isoflurano, duas doses subseqüentes em bolus de atracúrio (10 mg cada) e ventilação controlada mecânica. No final da cirurgia, após antagonização do bloqueio neuromuscular, a paciente foi extubada, obedeceu aos comandos para respirar e colaborou na passagem à maca, sendo transportada para a SRPA, aonde chegou consciente. Minutos após, apresentou apnéia, cianose e inconsciência. Foi realizada ventilação manual com oxigênio a 100% seguida de injeção de naloxona (0,2 mg) por via venosa, havendo retorno da ventilação espontânea e da consciência. CONCLUSÕES: Os cuidados ventilatórios no pós-operatório, durante o transporte, admissão à SRPA e permanência nessa unidade, devem ser contínuos em pacientes que receberam opióides, mesmo demonstrando estar conscientes ao deixarem a sala cirúrgica.
2003
Rezende,Joel Massari
Anestesia para septoplastia e turbinectomia em paciente portador de doença de von Willebrand: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Embora a doença de von Willebrand seja o mais comum dos distúrbios hemorrágicos hereditários, as publicações nacionais, relacionando esta doença e a prática anestésica, são escassas. O objetivo deste relato é apresentar um caso de anestesia geral para septoplastia e turbinectomia em paciente portador de doença de von Willebrand - Tipo I, tratado profilaticamente com desmopressina (1-deamino-8-D-arginina vasopressina, DDAVP) nos períodos pré e pós-operatório. RELATO DO CASO: Paciente com 19 anos, sexo feminino, 58 kg, portadora de hipotiroidismo, controlado com L-tiroxina (75 mg), e de doença de von Willebrand, que se manifestou há três anos, após extração dentária dos sisos, com sangramento persistente no período pós-operatório. Com o objetivo de se evitar novos episódios hemorrágicos nos períodos per e pós-operatório da cirurgia de septoplastia e turbinectomia a que foi submetida, a paciente foi tratada profilaticamente com desmopressina (0,3 µg.kg-1). A indução anestésica foi realizada com midazolam (2,5 mg), fentanil (150 µg), droperidol (2,5 mg), lidocaína (60 mg), atracúrio (30 mg) e metoprolol (4 mg), seguida de intubação traqueal e ventilação sob pressão positiva intermitente. A manutenção da anestesia foi realizada com mistura de oxigênio e óxido nitroso a 50% e sevoflurano a 2%. Esta técnica proporcionou um bom controle da freqüência cardíaca e dos níveis pressóricos durante a cirurgia. A paciente permaneceu com tampão nasal por 24 horas e, quando este foi retirado, não houve sangramento. A paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte ao da cirurgia, sem intercorrências. Não houve episódio hemorrágico no período pós-operatório imediato ou tardio. CONCLUSÕES: O tratamento profilático com DDAVP associado à técnica anestésica utilizada nesse caso, mostrou-se eficaz no controle do sangramento per e pós-operatório.
2003
Abreu,Múcio Paranhos de Porto,André de Moraes Minari,Alexandre Leite Caseli,Henrique Gonçalves
Transplante renal em paciente pediátrico com associação de Vater: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A associação de Vater é uma alteração politópica que inclui várias má-formações, sendo a hipoplasia radial a alteração mais freqüentemente encontrada ao nascimento. O objetivo deste relato é apresentar caso de associação de Vater em criança submetida a transplante renal. RELATO DO CASO: Paciente do sexo masculino, 11 anos, 23 kg, Hbs positivo submetido a esofagostomia com 30 horas de vida. Desde os 7 anos realiza hemodiálise, atualmente através de cateter atrial, por falta de outras vias de acesso. Submetido aos 11 anos a transplante renal com doador cadáver, sem intercorrências. Diurese adequada ao término das anastomoses vasculares. Drenagem de hematoma da fossa ilíaca D no primeiro dia de pós-operatório. Alta 21 dias após o transplante com função renal normal. CONCLUSÕES: A associação de Vater é uma ocorrência extremamente rara e complexa e o presente relato prende-se à realização, pela primeira vez, de transplante renal com doador cadáver em criança portadora desse defeito congênito, cujo resultado foi inteiramente satisfatório.
2003
Costa,Antonio Paulo Nogueira Bello,Carmem Narvaes
Anestesia em paciente com Distrofia Muscular de Duchenne: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A distrofia muscular de Duchenne é uma afecção recessiva ligada ao cromossomo X, geralmente diagnosticada na infância, acentuando-se progressivamente até agravar a função respiratória. O objetivo deste relato é apresentar um caso de um paciente com distrofia muscular de Duchenne diagnosticada há 2 anos, submetido à postectomia, sob anestesia geral com cetamina S. RELATO DO CASO: Paciente com 9 anos de idade com Distrofia Muscular de Duchenne diagnosticada há 2 anos, submetido à anestesia geral com levo-cetamina (1,5 mg.kg-1), por via venosa, sob ventilação espontânea assistida manualmente por sistema de Baraka (Mapleson A) e bloqueio peniano com bupivacaína a 0,5% (25 mg). Foram usados monitores de pressão arterial não invasiva, oximetria de pulso, cardioscopia e temperatura esofagiana. No decorrer da cirurgia, o caso evoluiu sem intercorrências, sendo que no período pós-operatório o paciente apresentou alguns episódios de vômitos sem outras alterações significativas. Permaneceu internado por 24 horas, tendo alta hospitalar assintomático. CONCLUSÕES: A avaliação pré-anestésica cuidadosa, o uso de monitorização adequada e medicações que não predisponham o aparecimento de complicações tornam seguro o procedimento em pacientes portadores de Distrofia Muscular de Duchenne e seu pós-operatório.
2003
Tonelli,Deoclécio Pinho,Iglair Sacco,Paula de Camargo Neves Vianna,Eduardo Piccinini Vasconcellos,José Correia de Souza,Raquel Vasconcelos de Umakoshi,Sidney
O paciente com infecção de vias aéreas superiores. Quando anestesiar?
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Anestesiar, com segurança, a criança com infecção de vias aéreas superiores (IVAS) constitui um dos grandes desafios do anestesiologista. A finalidade deste artigo é discutir a validade de anestesiar e quando anestesiar a criança com IVAS. CONTEÚDO: Estão ressaltados a importância da história clínica na investigação pré-operatória, os fatores que contribuem para o aparecimento de complicações no per e no pós-operatório, assim como o tipo de cirurgia e a técnica anestésica que favorecem estas complicações. CONCLUSÕES: O conhecimento das alterações no trato respiratório que acontecem após IVAS, da importância da avaliação correta da gravidade dos sintomas, dos fatores que podem contribuir para o aparecimento de complicações e da melhor técnica anestésica possibilita a seleção de pacientes com menor risco de desenvolver complicações no período per-operatório.
2003
Ganem,Eliana Marisa Módolo,Norma Sueli Pinheiro Castiglia,Yara Marcondes Machado
Anestesia na população negra
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Percentual significativo dos 12 milhões de negros americanos pode apresentar modificações fisiológicas, fisiopatológicas e farmacológicas capazes de modificar o bom desenvolvimento do ato anestésico; a população brasileira que se considera afro-descendente (40%) pode também apresentá-las por causa da mesma origem étnica e geográfica. O objetivo desta revisão é reavaliar o viés da diferença racial em eventuais mudanças no efeito das drogas anestésicas e adjuvantes no ato anestésico. CONTEÚDO: A análise dos estudos fisiopatológicos inerentes à histórica migração do gene africano em relação aos caucasianos mostra significativas diferenças raciais entre o negro americano ou africano, sugerindo uma estreita interface entre a genética e o ambiente, capaz de modificar o procedimento anestésico. As condições sócio-econômicas desfavoráveis da população negra das Américas como resultado de 400 anos de história de escravidão continuam sempre a influenciar na preservação de diferenças culturais e fisiológicas, além da cor da pele: disfunções de sistemas orgânicos estão relacionados com o SNC, SCV, respiratório e renal. No entanto, modificações de efeito de drogas anestésicas e seus adjuvantes, como diminuição do efeito analgésico local do creme anestésico EMLA, aumento do efeito hipnótico do propofol e da toxicidade do paracetamol, menor efeito anti-hipertensivo das drogas que reduzem renina (IECA, bloqueadores beta2 e de AT1), menor ação dos vasodilatadores beta2 e menor fibrinólise do t-PA podem afetar a conduta pré e pós-anestésica, sobretudo em pacientes negros hipertensos, renais, asmáticos ou com acidente vascular cerebral. CONCLUSÕES: Resposta a drogas pode variar entre diferentes populações devido a fatores biológicos (idade, sexo, doença), genéticos, culturais e ambientais. O fator demográfico raça deve ser valorizado na visita ou consulta pré-anestésica para assegurar a profilaxia de reações idiossincrásicas peri-operatórias e salvaguardar o êxito do ato anestésico-cirúrgico.
2003
Vale,Nilton Bezerra do Delfino,José
Avaliação hemodinâmica e metabólica da infusão contínua de dexmedetomidina e de remifentanil em colecistectomia videolaparoscópica: estudo comparativo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A dexmedetomidina tem sido utilizada para sedação e como coadjuvante em anestesia geral. O objetivo deste estudo foi avaliar a resposta cardiovascular e simpático-adrenal à intubação traqueal e à insuflação do pneumoperitônio, comparando-a ao remifentanil durante anestesia com sevoflurano para colecistectomia videolaparoscópica. MÉTODO: Foram incluídos no estudo 42 pacientes, estado físico ASA I ou II, com idades entre 25 e 55 anos, distribuídos aleatoriamente em dois grupos: GI e GII. A indução da anestesia foi realizada com infusão contínua de 1 µg.kg-1 de dexmedetomidina (GI) ou remifentanil (GII), durante 10 minutos, seguido de propofol e cisatracúrio. A manutenção da anestesia foi realizada com a infusão contínua de 0,7 µg.kg-1.h-1 de dexmedetomidina ou 0,5 µg.kg-1.h-1 de remifentanil e concentrações variadas de sevoflurano. Foram anotadas a PAS, PAD e FC nos momentos: M1 - antes do início da infusão inicial da droga; M2 - após término da infusão inicial da droga; M3 - após a intubação orotraqueal; M4 - antes do início do pneumoperitônio; M5 - após o pneumoperitônio; M6 - cinco minutos após desinsuflado o pneumoperitônio, M7 - após extubação traqueal. Em M4, M5 e M6 foram dosadas adrenalina e noradrenalina. A concentração expirada (CE) do sevoflurano, a relação CE/CAM, consumo de sevoflurano foram registrados em M4, M5 e M6. RESULTADOS: Variações na PAS e PAD foram maiores no grupo da dexmedetomidina em M4 a M5. A FC e os níveis de adrenalina e noradrenalina não apresentaram diferença entre os grupos. A CE do sevoflurano foi maior em M4 e M6 no GI, assim como a CE/CAM. No GI, o consumo de sevoflurano foi maior e observou-se uma tendência para menor consumo de analgésicos e antieméticos. CONCLUSÕES: Nas condições deste estudo, a dexmedetomidina inibiu a liberação de catecolaminas durante a intubação orotraqueal e o pneumoperitônio, porém, não impediu o aumento da pressão arterial em resposta à insuflação peritoneal.
2003
Chaves,Thatiany Pereira Gomes,Josenília Maria Alves Pereira,Francisco Elano Carvalho Cavalcante,Sara Lúcia Leitão,Ilse M. Tigre de Arruda Monte,Hipólito Sousa Escalante,Rodrigo Dornfeld
Efeitos da associação entre pequenas doses subaracnóideas de morfina e cetoprofeno venoso e oral em pacientes submetidas à cesariana
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Pequenas doses subaracnóideas de morfina são eficazes em reduzir a dor pós-operatória de pacientes submetidas à cesariana, com menor incidência de efeitos colaterais. O objetivo desta pesquisa foi avaliar a qualidade da analgesia pós-operatória e a ocorrência de efeitos colaterais em pacientes submetidas a cesarianas, sob anestesia subaracnóidea com bupivacaína hiperbárica e morfina nas doses de 0,05 mg e 0,1 mg, associadas ao cetoprofeno pelas vias venosa e oral. MÉTODO: Participaram do estudo 60 gestantes de termo, estado físico ASA I e II, que foram submetidas à cesariana eletiva. As pacientes foram divididas em dois grupos: grupo 1 - morfina 0,1 mg, grupo 2 - 0,05 mg, associada a 15 mg de bupivacaína hiperbárica. Todas receberam cetoprofeno (100 mg) por via venosa no per-operatório e por via oral a cada 8 horas no primeiro dia de pós-operatório. As pacientes foram avaliadas 6, 12 e 24 horas após o término da cirurgia, com relação à intensidade da dor e presença de efeitos colaterais (sedação, prurido, náusea e vômito). A presença destes últimos também foi avaliada no per-operatório. RESULTADOS: Ambos os grupos foram idênticos quanto aos dados antropométricos e à duração da cirurgia e da anestesia. Também foram homogêneos com relação à intensidade da dor pós-operatória e à presença de prurido, sedação, náusea e vômito. CONCLUSÕES: A morfina, nas doses de 0,05 mg e 0,1 mg administradas no espaço subaracnóideo, associada ao cetoprofeno pelas vias venosa e oral, apresentou a mesma qualidade de analgesia pós-operatória e determinou a mesma ocorrência de efeitos colaterais.
2003
Ganem,Eliana Marisa Módolo,Norma Sueli Pinheiro Ferrari,Fábio Cordon,Francisco Carlos Obata Koguti,Edgar Shiguero Castiglia,Yara Marcondes Machado
Comparação entre ventilação controlada a volume e a pressão no tratamento da hipoxemia no período pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Ventilação controlada à pressão tem sido utilizada como modalidade ventilatória de eleição em pacientes que desenvolvem hipoxemia importante no período pós-operatório de cirurgia de revascularização do miocárdio. Contudo não existem estudos mostrando que a ventilação controlada à pressão é mais efetiva na reversão da hipoxemia pós-operatória que ventilação controlada a volume. O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos de ventilação controlada à pressão e ventilação controlada a volume sobre a oxigenação sistêmica em pacientes que desenvolvem hipoxemia caracterizada por uma relação PaO2/FiO2 menor que 200 no período pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca. MÉTODO: Sessenta e um pacientes com relação PaO2/FiO2 menor que 200 foram alocados em um grupo submetido à ventilação controlada a pressão e outro a volume. O volume corrente, a freqüência respiratória, a relação inspiração/ expiração e a pressão positiva ao final da expiração foram as mesmas no dois grupos. Após a admissão na UTI e após períodos de 1 ou 2 horas de ventilação mecânica, a relação PaO2/FiO2 e o shunt pulmonar foram quantificados. RESULTADOS: Houve um aumento significativo na relação PaO2/FiO2 e uma diminuição significativa no shunt pulmonar após 1 ou 2 horas de ventilação mecânica; contudo não foram observadas diferenças entre as modalidades ventilatórias. CONCLUSÕES: As modalidades ventilatórias controladas a volume e pressão foram igualmente eficientes no tratamento da hipoxemia observada em pacientes no pós-operatório imediato de cirurgia de revascularização do miocárdio, mostrando que o padrão de administração do fluxo inspiratório é pouco relevante para o tratamento da hipoxemia pós-operatória.
2003
Castellana,Fábio Bonini Malbouisson,Luiz Marcelo Sá Carmona,Maria José Carvalho Lopes,Célia Regina Auler Júnior,José Otávio Costa
Bloqueio extraconal para facectomia com implante de lente intra-ocular: influência da via de acesso (superior ou inferior) na qualidade da anestesia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Nas intervenções cirúrgicas para oftalmologia não se encontrou técnica de anestesia totalmente segura, a introdução da anestesia extraconal fez aumentar as indicações de cirurgias oculares com bloqueio, já que a incidência de complicações graves é menor, fato já descrito por Hay, em 1991. Os bloqueios extraconais podem ser realizados por várias vias de acesso, entre elas a superior e a inferior. O objetivo deste estudo foi avaliar qual via de acesso (superior ou inferior) promove bloqueio anestésico de melhor qualidade. MÉTODO: Foram incluídos neste estudo 164 pacientes, de ambos os sexos, com idades entre 23 e 92 anos, estado físico ASA I a IV, índice cardíaco 1 e 2 de Goldman, com indicação de facectomia com implante de lente intra-ocular. Os pacientes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos de 82, de acordo com a via de acesso primária do bloqueio extraconal: grupo ES (extraconal superior) e EI (extraconal inferior). A qualidade do bloqueio foi avaliada pelo aparecimento da dor no per-operatório, manutenção de movimentação das pálpebras ou do globo ocular, persistência do reflexo de Bell, número de bloqueios realizados para a obtenção de condições cirúrgicas e avaliação do bloqueio pelo cirurgião. RESULTADOS: A via de acesso superior apresentou maior incidência de acinesia de pálpebras (via superior - 56,1%; via inferior - 36,6%) do músculo reto superior (via superior - 93,9%; via inferior - 65,9%), assim como menor necessidade de bloqueios complementares (via superior - 29,3%; via inferior - 42,7%). A via de acesso inferior apresentou maior acinesia do músculo reto inferior (via superior - 72%; via inferior - 84,1%) sem diferença estatística. CONCLUSÕES: Nas condições deste estudo a via extraconal superior demonstrou ser superior em relação à via extraconal inferior, como via de acesso primária para bloqueio locorregional para cirurgia de facectomia com implante de lente intra-ocular.
2003
Lahoz,Daniel Espada Espada,Eloisa Bonetti Carvalho,José Carlos Almeida
Clonidina por via venosa na técnica de hipotensão arterial induzida para timpanoplastias
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A hipotensão arterial induzida é uma técnica eficaz para diminuir o sangramento durante atos cirúrgicos. A clonidina é um a2-agonista de ação central que já se mostrou segura em anestesia. O objetivo deste estudo foi verificar a eficiência da clonidina por via venosa como droga principal na hipotensão arterial controlada. MÉTODO: Participaram do estudo prospectivo e duplamente encoberto, 36 pacientes de ambos os sexos, estado físico ASA I e II, divididos aleatoriamente em três grupos de 12 pacientes que receberam medicação pré-anestésica: clonidina 3 µg.kg-1 (C3), clonidina 5 µg.kg-1 (C5) ou solução fisiológica a 0,9% (Controle) 15 minutos antes da indução anestésica. A manutenção anestésica foi feita com isoflurano até a concentração máxima de 2%. Foram anotados a PA e a FC antes, com 1 e 5 minutos após a indução e a cada 5 minutos de anestesia. Pacientes há mais de 15 minutos recebendo isoflurano a 2% e que não apresentaram PAS menor que 80 mmHg receberam nitroprussiato de sódio para indução da hipotensão arterial. RESULTADOS: Três pacientes (25%) no grupo C3 , um (8%) no grupo C5 e oito (66%) no grupo controle necessitaram de nitroprussiato de sódio. A dose total de nitroprussiato para se induzir hipotensão arterial no grupo controle foi maior do que nos grupos C3 e C5 (p < 0,01). A incidência de complicações foi semelhante nos três grupos. CONCLUSÕES: A clonidina por via venosa pode levar à hipotensão arterial induzida em cirurgias de timpanoplastias utilizando-se técnica de anestesia balanceada com concentração de isoflurano limitada em 2%. Nas condições deste estudo, a clonidina não influenciou a qualidade anestésica e o tempo de despertar.
2003
Stocche,Renato Mestriner Garcia,Luiz Vicente Reis,Marlene Paulino dos Miranda Junior,Oswaldo
Efeitos do halotano, isoflurano e sevoflurano nas respostas cardiovasculares ao pinçamento aórtico infra-renal: estudo experimental em cães
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O pinçamento infra-renal da aorta abdominal pode produzir alterações hemodinâmicas. O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos do halotano, isoflurano e sevoflurano sobre a função cardiovascular, em cães submetidos à pinçamento aórtico infra-renal. MÉTODO: O estudo aleatório foi realizado em 30 cães, distribuídos em três grupos, de acordo com o anestésico halogenado utilizado durante a anestesia, em concentrações equipotentes de 0,75 CAM: GH (n=10) - halotano a 0,67%; GI (n=10) - isoflurano a 0,96%; e GS (n=10) - sevoflurano a 1,8%. Em todos os animais foi realizada ligadura infra-renal da aorta, por período de 30 min. Os atributos hemodinâmicos foram estudados nos momentos: C (Controle), Ao15 e Ao30, respectivamente após 15 e 30 minutos do pinçamento aórtico, e DAo e DAo15, respectivamente, imediatamente e após 15 min do despinçamento aórtico. RESULTADOS: Durante o pinçamento aórtico houve, em todos os grupos, aumento das pressões arterial média e do átrio direito, e dos índices cardíaco, sistólico e de trabalho sistólico dos ventrículos direito e esquerdo. A pressão da artéria pulmonar aumentou em GI e GS e a pressão pulmonar ocluída em GH e GI. Após o despinçamento aórtico, houve normalização dos atributos que haviam se elevado, com exceção dos índices cardíaco e sistólico, que continuaram elevados, acompanhados de diminuição do índice de resistência vascular sistêmica. Não houve diferença significante entre os grupos em relação aos atributos estudados, com exceção da freqüência cardíaca que foi sempre menor em GH, em relação aos demais grupos, durante o pinçamento e despinçamento aórtico. CONCLUSÕES: No cão, nas condições experimentais empregadas, a inalação do halotano, isoflurano e sevoflurano em concentrações equipotentes (0,75 CAM) não atenua as respostas cardiovasculares ao pinçamento aórtico infra-renal.
2003
Bisinotto,Flora Margarida Barra Braz,José Reinaldo Cerqueira