RCAAP Repository
Comparação fitossociológica entre duas amostragens numa área de clareira em anos consecutivos, Estação Biológica de Caratinga, MG
A Estação Biológica de Caratinga encontra-se dentro do domínio Atlântico, sob um clima sazonal com uma estação úmida e quente (outubro-março) e outra seca e fria (abril-setembro). O solo é do tipo Latossolo Vermelho-Amarelo álico. A clareira em estudo localiza-se em topo de morro, possuindo pequenas árvores esparsas, grande quantidade de "touceiras" mortas de Pteridium aquilinum, plantas herbáceas, jovens e plântulas de espécies arbóreas. Esta área foi alterada por fogo e plantio de café há pouco mais de 30 anos. Foram amostrados 500 m² mapeando-se e anotando-se altura e circunferência de todos os indivíduos. Realizaram-se 2 amostragens com o mesmo método, a primeira em outubro de 1989 e a segunda em outubro de 1990. Verificou-se pouca variação na densidade (657 e 668 indivíduos, respectivamente) e na composição em espécies. Mabea fistulifera (maior densidade em ambas as amostragens), Bauhinia fusco-nervis, Inga sp e uma espécie não identificada de gramínea tiveram a densidade aumentada, enquanto Pteridium aquilinum (a segunda de maior densidade), Ferdinandusa cf. ruggeoides e Vismia sp, tiveram-na reduzida. A presença de "touceiras" mortas de P. aquilinum, de indivíduos jovens de espécie arbóreas comuns às matas ao redor e a existência de áreas vizinhas ocupadas exclusivamente por populações de P. aquilinum sugerem que a clareira em estudo encontra-se em estágio intermediário entre o declínio da população de P. aquilinum e a ocupação da área pelas espécies de mata.
1993
Silva,Leonardo Vianna da Costa e
Flavonóides de quatro espécies de Paepalanthus Ruhl. (Eriocaulaceae)
Flavonóides de quatro espécies de Paepalanthus (P. bifrons, P. hilairei, P. planifolius e P. robustus) foram isolados e identificados. Três espécies apresentaram flavonóis 6-oxigenados, uma características que ocorre também em Eriocaulon. No entanto, P. hilairei contém flavonas, um caráter observado em espécies de Leiothrix e Syngonanthus. Esses resultados (ainda que preliminares) revelam uma heterogeneidade química em Paepalanthus, em comparação a outros gêneros de Eriocaulaceae.
1993
Mayworm,Marco A. S Salatino,Antonio
Quimiotaxonomia da superordem Zingiberiflorae (sensu Dahlgren) I: flavonóides como marcadores quimiossistemáticos
A análise das características flavonoídicas da ordem Zingiberales (superordem Zingiberiflorae, Monocotyledonae) reforçou a separação das suas famílias em dois grupos: grupo I (Strelitziaceae, Heliconiaceae, Musaceae e Lowiaceae) e grupo II (Zingiberaceae, Costaceae, Marantaceae e Cannaceae). Baseado nos dados químicos e morfológicos sugeriu-se um esquema que caracteriza os diferentes estádios de avanço evolutivo dessas famílias.
1993
Pugialli,Helena Regina Lima Kaplan,Maria Auxiliadora C Gottlieb,Otto R
Alternativa técnica no tratamento endovascular dos aneurismas da artéria poplítea
O aneurisma de artéria poplítea é relativamente raro, porém representa cerca de 85% de todos os aneurismas arteriais periféricos. Apresenta-se geralmente com um quadro de complicação isquêmica e elevado risco de perda do membro acometido. Em função disso, preconiza-se seu tratamento eletivo, atualmente realizado com resultados satisfatórios pela técnica endovascular. Relatamos nossa experiência com a utilização do stent de nitinol auto-expansível revestido com PTFEe - Fluency (Bard, Alemanha), reforçado internamente com o stent de nitinol auto-expansível Zilver (Cook, EUA) no tratamento de um aneurisma de artéria poplítea.
2008
Ferreira,Marcelo Medeiros,Alexandre Monteiro,Marcelo Lanziotti,Luiz
Contribuição na prevenção da isquemia cerebral pelo cilostazol, um inibidor da fosfodiesterase III: revisão de literatura
Esta revisão bibliográfica objetiva expor estas pesquisas sobre as ações do cilostazol no sistema nervoso central. O cilostazol é uma droga que demonstrou exercer inibição seletiva e potente da fosfodiesterase tipo III, ocasionando o aumento de adenosina cíclica -3',5'-monofosfato nas plaquetas, nas células endoteliais e nas células musculares lisas, sendo classificado como vasodilatador, antiagregante plaquetário e antitrombótico. É o fármaco de primeira escolha na claudicação intermitente devido à doença arterial obstrutiva periférica. Além disso, há evidências de que o cilostazol é eficaz no processo aterosclerótico cerebral, promovendo aumento do fluxo e volume sangüíneos e prevenindo infartos, especialmente lacunares e recorrentes, por diminuir a morte celular devido à apoptose e ao estresse oxidativo nas substâncias branca e parda.
2008
Rosa,Marcelo Pereira da Baroni,Gislaine Verginia Portal,Vera Lúcia
Tratamento endovascular do trauma arterial dos membros
Geralmente o tratamento das lesões arteriais traumáticas é realizado com técnicas tradicionais de revascularização. Cada vez mais, porém, as lesões vasculares podem ser corrigidas com eficiência por meio de procedimentos minimamente invasivos. Nós descrevemos quatro casos de trauma arterial dos membros que foram tratados por técnicas endovasculares num centro de referência. Todos os pacientes evoluíram satisfatoriamente durante o seguimento de 15 meses. Nós sugerimos que o tratamento endovascular é uma alternativa promissora em relação à cirurgia para pacientes selecionados com trauma arterial dos membros.
2008
Medeiros,Charles Angotti Furtado de Hatsumura,Thais Cristina Gusmão,Daniel Rassi Freire,Lucas Marcelo Dias Rocha,Eduardo Faccini Guillaumon,Ana Terezinha
Aneurisma de artéria isquiática persistente: relato de caso
Os autores relatam um caso de aneurisma de artéria isquiática persistente, uma rara doença vascular congênita ocasionada por falha ou no desenvolvimento do sistema femoral ou na involução do tronco vascular primitivo durante o desenvolvimento embriológico. Um paciente de 60 anos, sexo masculino, apresentando massa pulsátil e indolor em região glútea há cerca de quatro meses, sem história prévia de trauma. Através da realização de exames complementares, concluiu-se ser um aneurisma de artéria isquiática persistente incompleta e unilateral, sendo submetido à ligadura proximal e distal da artéria isquiática, sem realização de revascularização arterial.
2008
Brasileiro,José Lacerda Chen,Juliana Santos,Maldonat Azambuja
Diagnóstico e tratamento de aneurisma da artéria isquiática persistente: relato de caso e revisão da literatura
A persistência da artéria isquiática é uma variação anatômica rara cujo curso clínico é potencialmente grave, pois o diagnóstico ocorre quando já estão presentes complicações clínicas. Essas complicações advêm do fato de a parede da artéria isquiática ter uma tendência à degeneração ateromatosa com formação aneurismática, podendo evoluir para uma oclusão ou para um tromboembolismo. Este artigo relata o caso de um paciente do sexo feminino, com queixas de dor intensa secundária a compressão extrínseca do nervo isquiático pela dilatação aneurismática no membro inferior direito e pulsatilidade na nádega ipsilateral, apresentando uma massa hiperpulsátil nessa localização. Foi realizado exame angiográfico, que revelou persistência da artéria isquiática à direita, do tipo completo e com aneurisma. A paciente foi submetida a procedimento cirúrgico, sendo utilizada uma abordagem transglútea, e uma prótese de dácron terminoterminal foi interposta entre os colos proximal e distal do aneurisma. Os aspectos técnicos e revisão da literatura sobre o diagnóstico e a terapêutica dessa variação anatômica são discutidos neste trabalho.
2008
Nunes,Marco Antonio Prado Ribeiro,Roberto Maurício Ferreira Aragão,José Aderval Reis,Francisco Prado Feitosa,Vera Lúcia Correa
Avaliação e tratamento fisioterápico na doença arterial obstrutiva periférica de membro superior: um estudo de caso
O objetivo deste artigo é apresentar um estudo de caso em que se propõe um protocolo de avaliação e intervenção para uma paciente com claudicação de membro superior. Descrição do caso: mulher de 50 anos com 4 meses de evolução de quadro de obstrução de artéria braquial esquerda pós-cateterismo. Na avaliação com Doppler contínuo, observou-se presença de som monofásico em artérias radial e ulnar. No teste do cicloergômetro, a dor isquêmica iniciou aos 2 minutos e 30 segundos e atingiu o ponto máximo aos 9 minutos e 26 segundos. Foi realizado tratamento em cicloergômetro três vezes por semana durante 8 semanas. Após o tratamento, o tempo de teste em cicloergômetro aumentou: dor inicial aos 5 minutos e 7 segundos e máxima aos 18 minutos. A paciente relatou desaparecimento da cianose e melhora na realização de atividades de vida diária. O protocolo de avaliação proposto envolvendo medidas objetivas (cicloergômetro) e subjetivas (questionário SF-36 traduzido e validado em português) foi bem tolerado, tendo sido capaz de detectar alterações no estado funcional da paciente. As alterações detectadas no tempo de surgimento de dor inicial e de dor máxima podem ter acontecido de modo espontâneo, mas não se pode descartar que a intervenção possa, potencialmente, ser benéfica para indivíduos com claudicação de membros superiores. Os resultados observados neste estudo de caso avalizam futuros estudos envolvendo maior número de participantes.
2008
Pereira,Danielle Aparecida Gomes Custódio,Marcelle Xavier Carvalho,João Paulo Ferreira de Carvalho,André Maurício Borges de Cunha-Filho,Inácio Teixeira da
Dor pélvica crônica: o papel da síndrome do quebra-nozes
A dor pélvica crônica é um problema subdiagnosticado e relativamente comum nas mulheres. Alguns autores evidenciaram prevalência de até 15% entre mulheres de 18 a 50 anos, com repercussões sobre a qualidade de vida e sobre a economia. Dentre as causas de dor pélvica crônica, destaca-se a síndrome de congestão venosa pélvica, com quadro clínico caracterizado por diversos graus de dor, disúria, hematúria, dismenorréia, dispareunia e congestão vulvar, que pode ser acompanhado de varizes vulvares, descrito em 1949 por Taylor. Relatamos o caso de uma paciente portadora de dor pélvica crônica, na qual se diagnosticou o pinçamento da veia renal esquerda entre a aorta e a artéria mesentérica superior, com conseqüente quadro de hipertensão do plexo gonadal esquerdo, varizes pélvicas e sintomas de congestão pélvica. O tratamento realizado constou de embolização das varizes pélvicas, por método minimamente invasivo endovascular, com sucesso técnico e resolução dos sintomas em menos de 24 h.
2008
Ferreira,Marcelo Lanziotti,Luiz Abuhadba,Giafar Monteiro,Marcelo Capotorto,Luis Spicacci,José Luiz
Internal thoracic vein draining into the extrapericardial part of the superior vena cava: a case report
The internal thoracic veins are venae comitantes of each internal thoracic artery draining the territory supplied by it and usually unite opposite the third costal cartilage. This single vein enters the corresponding brachiocephalic vein. We present a variation of right internal mammary vein draining into superior vena cava in a 45-year-old male cadaver. Likely development and clinical significance of the vein are discussed.
2008
Vollala,Venkata Ramana Pamidi,Narendra Potu,Bhagath Kumar
Surgical importance of variant hepatic blood vessels: a case report
This report describes a variation in blood vessels of the liver and abnormal entry of hepatic arteries into the liver found during routine dissection in an approximately 43-year-old male cadaver. An accessory hepatic artery arose from the superior mesenteric artery and entered the liver at the porta hepatis, whereas the proper hepatic artery was seen entering the left liver lobe at the fissure for ligamentum venosum. Clinical implications of such variation are discussed in the article.
2008
Pulakunta,Thejodhar Potu,Bhagath Kumar Gorantla,Vasavi Rakesh Vollala,Venkata Ramana Thomas,Jency
Endovascular treatment of aortic arch aneurysms
BACKGROUND: Endovascular approach to the aortic arch is an appealing solution for selected patients. OBJECTIVE: To compare the technical and clinical success recorded in the different anatomical settings of endografting for aortic arch disease. METHODS: Between June 1999 and October 2006, among 178 patients treated at our institution for thoracic aorta disease with a stent-graft, the aortic arch was involved in 64 cases. According to the classification proposed by Ishimaru, aortic zone 0 was involved in 14 cases, zone 1 in 12 cases and zone 2 in 38 cases. A hybrid surgical procedure of supra-aortic debranching and revascularization was performed in 37 cases. RESULTS: Zone 0. Proximal neck length: 44±6 mm. Initial clinical success was 78.6%: two deaths (stroke), one type Ia endoleak. At a mean follow-up of 16.4±11 months the midterm clinical success was 85.7%. Zone 1. Proximal neck length: 28±5 mm. Initial clinical success was 66.7%: 0 deaths, four type Ia endoleaks. At a mean follow-up of 16.9±17.2 months the midterm clinical success was 75.0%. Zone 2. Proximal neck length: 30±5 mm. Initial clinical success was 84.2%: two deaths (one cardiac arrest, one multiorgan embolization), three type Ia endoleaks, one case of open conversion. Two cases of delayed transitory paraparesis/paraplegia were observed. At a mean follow-up of 28.0±17.2 months the midterm clinical success was 89.5%. CONCLUSIONS: This study and a literature review demonstrated that hybrid procedure for aortic arch pathology is feasible in selected patients at high risk for conventional surgery. Our experience is still limited by the relatively small sample size. We propose to reserve zone 1 for patients unfit for sternotomy or in cases with aortic neck length > 30 mm following left common carotid artery debranching. We recommend to perform complete aortic rerouting of the aortic arch in cases with lesser comorbidities and shorter aortic neck.
2008
Chiesa,Roberto Melissano,Germano Tshomba,Yamume Civilini,Efrem Marone,Enrico Maria Bertoglio,Luca Calliari,Fabio Massimo Di Bernardo,Bruno
Tratamento endovascular da estenose da artéria renal em rim único
CONTEXTO: O tratamento endovascular da doença renal hipertensiva, em doentes com rim único, conseqüente à estenose de artéria renal, mostrou ser efetivo na prevenção da falência do órgão, sua função e controle da hipertensão. Quando indicado após avaliação criteriosa, tanto bioquímica como por imagens e sinais do doente, o tratamento endovascular apresenta benefícios clínicos de forma efetiva e pouco invasiva. OBJETIVO: Estudar a doença hipertensiva renovascular e avaliar a eficácia do tratamento endovascular no controle da hipertensão arterial sistêmica e da insuficiência renal secundárias à estenose da artéria renal e como medida de prevenção de falência renal em doentes com rim único funcionante. MÉTODO: Estudo realizado com protocolo de atendimento previamente elaborado, no Centro de Referência de Alta Complexidade em Cirurgia Endovascular do Hospital de Clínicas da Universidade de Campinas, de abril de 1997 a junho de 2005, em 10 doentes com diagnóstico de estenose da artéria renal em rim único funcionante, submetidos ao tratamento endovascular. Foi avaliada a melhora da hipertensão e função renal através de seguimento clínico e laboratorial com medidas de pressão arterial, dosagens séricas de uréia, creatinina e clearance. Exames pelo eco-color-Doppler foram realizados no pós-operatório de 30 dias, 3 meses, 6 meses e anualmente; no caso de haver alguma dúvida na obtenção de imagens ou sinais, foi realizada a aortografia e arteriografia seletiva renal. Nesta casuística, 90% dos doentes apresentavam hipertensão arterial, 70% eram tabagistas, 40%, hiperlipidêmicos, 30% apresentavam doença oclusiva cerebral extracraniana, 60%, obstrução arterial crônica nos membros inferiores, e 20%, diabetes melito. RESULTADOS: O sucesso inicial foi de 100%. O seguimento médio foi de 40 meses. Houve controle da pressão arterial em 90%, diminuição significativa dos níveis de uréia e creatinina após procedimento e piora do quadro de hipertensão em 10%. CONCLUSÃO: O tratamento endovascular da estenose da artéria renal é uma técnica que apresenta benefícios clínicos no controle da hipertensão arterial, preserva a função renal e desacelera a progressão da insuficiência renal crônica de origem renovascular, porém sem melhora desta.
2008
Guillaumon,Ana Terezinha Rocha,Eduardo Faccini Medeiros,Charles Angotti Furtado de
Confiabilidade de testes de caminhada em pacientes claudicantes: estudo piloto
CONTEXTO: Uma vez que a obstrução arterial periférica pode se apresentar de maneira difusa, com clínica diversa e com resultados de intervenção variados, é fundamental que a avaliação dos pacientes com doença arterial obstrutiva periférica seja feita com instrumentos que possam apresentar dados objetivos e reprodutíveis. OBJETIVO: Investigar e contrastar a confiabilidade do teste de caminhada de 6 minutos (T6M) com teste de deslocamento bidirecional progressivo (TDBP) em indivíduos claudicantes portadores de doença arterial obstrutiva periférica. MÉTODOS: Quatorze pacientes em estágio II de Fontaine participaram deste estudo piloto. Onze pacientes realizaram ambos os testes e três realizaram apenas T6M. Após familiarização, os pacientes foram avaliados em duas ocasiões distintas com intervalo máximo de 1 semana entre si. O coeficiente de correlação de intraclasse (ICC2,1) foi utilizado para avaliação da reprodutibilidade teste-reteste. RESULTADOS: A média da distância máxima de caminhada no teste e no reteste no T6M foi de 397,04±120,74 e 408,6±153,64 metros (p = 0,58), respectivamente, com ICC = 0,87 (p = 0,00005); já no TDBP, a média foi de 345±145,75 metros e, no reteste, de 345,91±127,97 (p = 0,92), com ICC = 0,99 (p = 0,00005). O tempo médio para surgimento da dor inicial, em segundos, com o T6M, foi de 172,25±88,23 (teste) e 148,58±70,36 (reteste) (p = 0,13), com ICC = 0,81 (p = 0,0004). No TDBP, o tempo médio foi de 282±141,90 (teste) e 267,14±150,58 (reteste) (p = 0,55), com ICC = 0,91 (p = 0,0008). CONCLUSÃO: Ambos os testes de caminhada são confiáveis e úteis para avaliação clínico-funcional desses pacientes. O TDBP, entretanto, gerou índices de confiabilidade mais elevados, podendo ser melhor opção para avaliação da performance desses indivíduos.
2008
Cunha-Filho,Inácio Teixeira da Pereira,Danielle Aparecida Gomes Carvalho,André Maurício Borges de Campedeli,Leilane Soares,Michelle Freitas,Joyce de Sousa
Estudo comparativo da evolução e sobrevida de pacientes com claudicação intermitente, com ou sem limitação para exercícios, acompanhados em ambulatório específico
CONTEXTO: Os fatores de risco para doença aterosclerótica, que influenciam na evolução natural dessa doença, estão bem estabelecidos, assim como o benefício do programa de exercícios para pacientes claudicantes. Entretanto, faltam informações sobre a relação entres limitações clínicas e fatores de risco, com desempenho do programa de caminhadas e suas implicações na evolução e mortalidade destes pacientes. OBJETIVO: Comparar, ao longo do tempo, a distância de claudicação e sobrevida de pacientes claudicantes em ambulatório específico, com ou sem limitação para exercícios. MÉTODOS: Foi feito um estudo tipo coorte retrospectivo de 185 pacientes e 469 retornos correspondentes, no período de 1999 a 2005, avaliando-se dados demográficos, distância média de claudicação (CI) e óbito. Os dados foram analisados nos programas Epi Info, versão 3.2, e SAS, versão 8.2. RESULTADOS: A idade média foi de 60,9±11,1 anos, sendo 61,1% do sexo masculino e 38,9% do sexo feminino. Oitenta e sete por cento eram brancos, e 13%, não-brancos. Os fatores de risco associados foram: hipertensão (69,7%), tabagismo (44,3%), dislipidemia (32,4%) e diabetes (28,6%). Nos claudicantes para menos de 500 m, a CI inicial em esteira foi de 154,0±107,6 m, e a CI final, de 199,8±120,5 m. Cerca de 45% dos pacientes tinham alguma limitação clínica para realizar o programa de exercícios preconizado, como: angina (26,0%), acidente vascular cerebral (4,3%), artropatia (3,8%), amputação menor ou maior com prótese (2,1%) ou doença pulmonar obstrutiva crônica (1,6%). Cerca de 11,4% dos pacientes tinham infarto do miocárdio prévio, e 5,4% deles usavam cardiotônico. O tempo de seguimento médio foi de 16,0±14,4 meses. A distância média de CI referida pelos pacientes aumentou 100% (de 418,47 m para 817,74 m) ao longo de 2 anos, nos grupos não-limitante (p < 0,001) e não-tabagista (p < 0,001). A sobrevida dos claudicantes foi significativamente menor no grupo com limitação. A análise de regressão logística mostrou que a limitação para realização de exercícios, isoladamente, influenciou significativamente na mortalidade (p < 0,001). CONCLUSÃO: A realização correta e regular dos exercícios e o abandono do fumo melhoram a distância de claudicação, além de reduzir a mortalidade nesses casos, seja por meio de efeitos positivos próprios do exercício, seja por meio de controle dos fatores de risco e de seus efeitos adversos.
2008
Yoshida,Ricardo de Alvarenga Matida,Caroline Kazue Sobreira,Marcone Lima Gianini,Mariângela Moura,Regina Almeida Rollo,Hamilton Yoshida,Winston Bonetti Maffei,Francisco Humberto de Abreu
Arterite de Takayasu: aspectos clínicos e terapêuticos em 36 pacientes
CONTEXTO: A arterite de Takayasu é uma vasculite crônica, geralmente com diagnóstico tardio devido à pouca especificidade dos sintomas durante a fase inicial do acometimento vascular. A terapêutica de eleição é o uso de imunossupressores. O procedimento cirúrgico, quando necessário, é sempre evitado na fase aguda. OBJETIVO: Descrever alterações clínicas, laboratoriais e vasculares de arterite de Takayasu no período de 1977 a 2006. MÉTODO: A amostra compreendeu 36 pacientes - 10 brancos, 35 mulheres, idade média de 31,7 anos (±13,7), com prevalência significante na quarta década (p < 0,005). Evolução de 3 anos e período até o diagnóstico de 7,9 anos. Velocidade de hemossedimentação (VHS) e proteína C reativa (PCR) avaliaram atividade da doença, e o duplex scan aferiu a espessura médio- intimal da artéria carótida. RESULTADOS: Hipertensão arterial sistêmica e claudicação de membros superiores e inferiores foram ressaltados em 85,2, 69,5 e 30,5%, respectivamente. O resultado da VHS foi > 60 mm em 50% da amostra (p < 0,005). PCR mg/dL foi realizado em 18, variando de 0,4-25 na admissão para 0,11-1,9 na evolução. Doença auto-imune, tuberculose e HIV correlacionaram-se em 19,4, 8,3 e 2,7%, respectivamente. Lesões aórticas foram significativas em 22% (quatro oclusões, dois aneurismas infra-renais, um torácico). Em 19,4%, foram acometidas artérias renais e subclávias uma oclusão bilateral de carótidas, e em 25% os membros inferiores. A espessura médio-intimal da carótida comum foi estratificada em: > 3 mm, < 3 e > 1,7, < 1,7 e > 1,2 e < 1,2 mm, representando 41,6, 19,4, 8,37 e 30,50%, respectivamente (p < 0,005). Glicocorticóides foram utilizados em 61,1%, azatioprina em 16.6%, e associada a ciclofosfamida em 8,3%. Procedimento cirúrgico ou endovascular foi realizado em 30,5% com dois óbitos por complicações cardiovasculares. CONCLUSÕES: A VHS, PCR, e a espessura médio-intimal nas carótidas são importantes marcadores de acompanhamento da arterite de Takayasu. O período entre os sintomas e o diagnóstico deve ser abreviado, com redução da morbimortalidade.
2008
Panico,Marília Duarte Brandão Spichler,Ethel Stambovsky Rodrigues,Leandro Cordeiro Dias Oliveira,Fernando Buchatsky,Daniel Porto,Carmen Alves,Márcia Ribeiro Spichler,David
Tromboflebite superficial: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento
A tromboflebite superficial de membros inferiores é doença de ocorrência comum, estando associada a diversas condições clínicas e cirúrgicas. Historicamente considerada doença benigna, devido à sua localização superficial e ao fácil diagnóstico, o tratamento foi conservador durante muito tempo, na maioria dos casos. Entretanto, relatos recentes de freqüências altas de complicações tromboembólicas associadas - 22 a 37% para trombose venosa profunda e até 33% para embolia pulmonar - alertaram para a necessidade de abordagens diagnósticas e terapêuticas mais amplas, visando diagnosticar e tratar essas possíveis complicações. A possibilidade da coexistência dessas e de outras desordens sistêmicas (colagenoses, neoplasias, trombofilias) interfere na avaliação e influencia a conduta terapêutica, que pode ser clínica, cirúrgica ou combinada. No entanto, devido à falta de ensaios clínicos controlados e às incertezas quanto a sua história natural, o diagnóstico e o tratamento da tromboflebite superficial continuam indefinidos. Neste trabalho, foi feita uma revisão da literatura analisando-se a epidemiologia, fisiopatologia e estado atual do diagnóstico e tratamento da tromboflebite superficial.
2008
Sobreira,Marcone Lima Yoshida,Winston Bonneti Lastória,Sidnei
Tratamento endovascular híbrido de aneurisma da artéria subclávia associado à síndrome de Marfan: relato de caso
Descreve-se o caso de uma paciente feminina de 46 anos com síndrome de Marfan que foi diagnosticada com aneurisma da artéria subclávia direita após cirurgia aberta para reparo de dissecção aórtica tipo A. A paciente foi tratada por abordagem híbrida, que combinou o implante de uma endoprótese recoberta da artéria inominada para a carótida comum direita com uma ponte carótida para a artéria axilar direita. O pós-operatório transcorreu sem complicações, com a confirmação, por ultra-som, do sucesso da exclusão do aneurisma.
2008
Sacchi,André de Araújo Medeiros,Alzumar Zacarias de Ribeiro Filho,Roberto
Complicações arteriais da síndrome do desfiladeiro torácico
As manifestações clínicas da síndrome do desfiladeiro torácico são predominantemente neurológicas, sendo as complicações arteriais raras, mas potencialmente graves. Entre elas, devemos citar os aneurismas com complicações embólicas e a trombose. Os autores relatam o caso de uma mulher de 37 anos com costela cervical bilateral que apresentou embolia no membro superior direito originada de um aneurisma pós-estenótico da artéria subclávia direita, além de apresentar ectasia da subclávia esquerda também por compressão.
2008
Thomazinho,Fernando Sardinha,Wander Eduardo Silvestre,Jose Manoel da Silva Morais Filho,Domingos de Motta,Fernando