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A ALOPECIA AREATA E SUA RELAÇÃO COM A GEOGRAFIA E A PROMOÇÃO DA SAÚDE
A Alopecia Areata (AA) caracteriza-se pela perda súbita dos pelos do corpo, em especial da cabeça, essa falta de pelos se apresentam em formas arredondadas ou ovais. Esta doença é considerada como auto-imune pelos médicos, portanto, mais relacionada à genética, poderia ser associada à Geografia e à Promoção da Saúde? A partir desses questionamentos este trabalho tem como objetivo discutir a relação da Alopecia Areata com a Geografia e a Promoção da Saúde. Os procedimentos metodológicos foram: a) levantamento bibliográfico; b) estabelecimento de relações entre a morbidade e conceitos relacionados à Geografia e; c) associação do entendimento do campo da saúde e geográfico em busca da Promoção da Saúde. Os principais resultados foram: a) A Teoria da História Natural das Doenças e o entendimento da multiescalaridade foram de grande importância para entender de forma mais ampla a AA; b) O estresse é o elemento-chave desta morbidade, devido ser tanto o fator que faz a doença se instalar quanto uma das principais morbidades consequentes; c) O nível do lugar é o que mais interfere na AA. Enfim, este estudo trouxe apenas algumas conexões e sugestões gerais para enfrentamento desta morbidade, havendo muito a ser estudado.
A GEOGRAFIA DO CÂNCER DE MAMA NO NORTE DE MINAS GERAIS: DO DIREITO AO ACESSO À SAÚDE
O câncer de mama é a principal causa de morte em mulheres por câncer, provavelmente porque o diagnóstico ainda é realizado tardiamente. Fato que se agrava quando se trata de regiões onde os baixos indicadores sociais e as iniquidades em saúde se constituem como barreiras no acesso dos usuários aos serviços desse setor, como ocorre no Norte de Minas Gerais. Nesse contexto, esta pesquisa objetivou analisar a dinâmica do câncer de mama na Região Ampliada de Saúde Norte de Minas Gerais, verificando as condições de acesso da população afetada pela doença aos serviços de saúde. Os procedimentos metodológicos utilizados consistiram em pesquisa bibliográfica e documental, mapeamentos, registros iconográficos, visitas técnicas nas unidades de assistência oncológica da região para coleta de dados, observação in loco, aplicação de questionários à mulheres em tratamento para o câncer de mama e entrevistas com profissionais de saúde que atuam no setor oncológico. Em relação ao acesso aos serviços de saúde, percebe-se que os baixos indicadores sociais e as grandes distâncias percorridas pelos doentes em busca de tratamento, aliados à falta de informação, tem contribuído para agravar o quadro da doença na região. Apesar da existência de políticas públicas de saúde para o controle, prevenção e diagnóstico precoce da doença no Brasil, estas não são totalmente eficazes, havendo a necessidade de ampliação das ações e programas de prevenção e rastreamento precoce e de divulgação das informações sobre a importância destas práticas.
2017
Oliveira Alves, Mônica Muniz Magalhães, Sandra Célia
A INSERÇÃO DAS REGIÕES DE SAÚDE NA REDE URBANA: UM ESTUDO DA DINÂMICA SOCIOECONÔMICA PAULISTA (2002 e 2012)
Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo apresentar a dinâmica socioeconômica das Regiões de Saúde do estado de São Paulo segundo sua inserção na rede urbana paulista. Método: Para isso foram analisadas as distribuições do Produto Interno Bruto (PIB) e da população, nos anos de 2002 e 2012, segundo as 63 Regiões de Saúde paulistas, classificadas em quatro categorias de condição de urbanização (Baixa urbanização, Média urbanização, Alta urbanização e Metropolitana) e a inserção dos municípios na Rede Urbana, sem considerar a capital do estado. Resultado: A análise dos dois anos, 2002 e 2012, permite inferir que não está ocorrendo uma desconcentração, nem produtiva nem populacional, no território estadual, mas sim, em alguma medida, um deslocamento da população e da atividade econômica para alguns centros urbanos circunscritos às regiões. Esse fato corrobora a ideia do comportamento inercial no desenho da rede urbana, que faz com que alguns lugares sejam privilegiados, ao longo do tempo, como espaços de atração de investimentos, sobretudo daqueles relacionados com atividades estratégicas e de maior valor agregado. Conclusão: O reconhecimento dessas dinâmicas socioeconômicas nas Regiões de Saúde, que são recortes regionais construídos intencionalmente pela política de saúde pública nacional para promover a regionalização do SUS, pode contribuir para que o planejamento das ações e serviços de saúde pública se contraponha à lógica de concentração territorial que, no processo histórico brasileiro, gerou desequilíbrios regionais e centros urbanos de crescimento desordenado.
A TRAJETÓRIA DA EPIDEMIA DE AIDS NAS MULHERES RESIDENTES NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, DE 1983 A 2012
Objetivo: O presente trabalho pretende, por meio de técnicas de geoprocessamento e de análise espacial, descrever a trajetória da epidemia de Aids nas mulheres com 13 anos de idade ou mais residentes no município de São Paulo (MSP), no período de janeiro de 1983 a junho de 2012. Método: Inicialmente foi realizada a geocodificação dos casos de Aids em mulheres, notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), com 95,2% de taxa de geocodificação (20.566 do total de 21.599 casos). A seguir, os casos foram distribuídos segundo as unidades de agregação "áreas de Ponderação". Foi empregado o programa SaTScan para a detecção dos aglomerados geográficos de taxas elevadas de Aids em mulheres, por meio das técnicas de análise de varredura espacial, espaço-temporal e de variação espacial nas tendências temporais, utilizando um modelo discreto baseado na distribuição de Poisson. Resultados: Na análise de varredura espacial, observou-se maior concentração de taxas elevadas da doença na região Norte do município de São Paulo; na análise espaço-temporal, diversos aglomerados foram encontrados, não poupando nenhuma região do município. A técnica de variação espacial das tendências temporais denotou uma tendência de periferização da epidemia no município de São Paulo. Conclusão: Cabe ao SUS o papel de promover políticas públicas de saúde específicas para as mulheres, com priorização daquelas que vivem em áreas com maior exclusão social. A redução das desigualdades sociais e o incentivo à equidade entre os gêneros poderão refletir no fortalecimento da autonomia econômica, cultural, emocional e social da mulher.
2017
Guedes Pellini, Alessandra Cristina Figueiredo Cavalin, Roberta Amorozo Francisco, Marcela Chiaravalloti Neto, Francisco Trevisan Zanetta, Dirce Maria
A (IN)ACESSIBILIDADE AOS SERVIÇOS DE SAÚDE EM DOURADOS - MS: O CASO DOS MORADORES DO LOTEAMENTO DIOCLÉCIO ARTUZI I E II
Aquiescer-se com a realidade socioespacial das cidades na atualidade tem se tornado um exercício cada vez mais inverossímil, devido a banalização da pobreza e das desigualdades alentadas por políticas públicas reversas, cuja implementação visaria equiparar as desigualdades, mas resulta em profundas contradições que agudizam os processos excludentes nas cidades brasileiras. Duas das maiores preocupações da população brasileira habitante da antítese do meio urbano é o "sonho" - que na verdade é um direito - à casa própria e o acesso aos serviços de saúde. Buscando compreender as contradições das políticas públicas setoriais, habitacionais e de saúde, este artigo faz um recorte dessa realidade, ao enfocar o acesso aos serviços de saúde pública na cidade de Dourados pelos moradores dos loteamentos Dioclécio Artuzi I e II, implementados a partir do Programa Minha Casa Minha Vida, na borda urbana sul da cidade, desprovida das infraestruturas sociais e urbanas. Para tal estudo foram realizadas pesquisas bibliográficas em torno das políticas públicas brasileiras e também a aplicação de questionários em Trabalho de Campo no loteamento. Sabe- se que a situação de acesso aos serviços de saúde pública no país é complexa e enfrenta diversos desafios. Localmente, pode-se afirmar que os moradores dos loteamentos analisados não fogem dessa mesma realidade, concluindo-se a percepção de diversos caminhos para a melhora coletiva do uso de recursos públicos, da administração correta das políticas efetivadas e também a necessidade de mudança na forma de se pensar e viver a Cidade, com políticas públicas integradas e efetivas e não isoladas.
2017
Martins de Araújo Irabi, Matheus Maluf Lemes Ferreira, Nágela Bergamin Vieira, Alexandre
ANÁLISE GEOESPACIAL DOS CASOS DE DENGUE E SUA RELAÇÃO COM FATORES SOCIOAMBIENTAIS EM BAYEUX - PB
O estudo teve como objetivo analisar a relação entre a ocorrência de casos de dengue e fatores socioambientais, além disso, buscou-se analisar o comportamento espacial da dengue entre 2011 e 2014 no espaço urbano de Bayeux. Como base metodológica, foi utilizado o coeficiente de Pearso (r) para analisar a correlação entre casos de dengue e fatores socioambientais, e o estimador Kernel para análise geoespacial dos casos de dengue. Também utilizou-se técnicas de SIG para representação cartográfica e como instrumento de gestão em saúde pública. Para efetivação do estudo foram obtidos dados de variáveis climatológicas no ICEA, socioeconômicas no IBGE e epidemiológicas na Secretaria Municipal de Saúde de Bayeux, registradas no Sinan. Os fatores socioambientais que mais se correlacionaram com os casos de dengue foram: umidade do ar, precipitação, moradores em domicílios particular permanente e pessoas responsáveis com rendimento nominal mensal até 3 salários mínimos. Os meses entre abril e agosto apresentaram 348 (76%) casos de dengue e os maiores valores de precipitação e umidade do ar. O bairro Imaculada apresentou a maior densidade Kernel e a maior quantidade de casos de dengue (17,5%), esse bairro também apresentou seu ambiente urbano vulnerável à dengue devido ao descarte inadequado de resíduos sólidos. Ambientes urbanos fragilizados devido ao descarte inadequado de lixo, bairros desassistidos pelos órgãos públicos, com maior adensamento populacional e com elevado número de pessoas vivendo na faixa de renda mais baixa, aliados às circunstâncias climáticas, tornaram-se os principais responsáveis à ocorrência da dengue em Bayeux.
APLICAÇÃO DA ANÁLISE MULTICRITÉRIO PARA ESPACIALIZAÇÃO DE CONDICIONANTES DE FOCOS DE AEDES AEGYPTI EM CURITIBA/PR
Entendendo as características ambientais como condicionantes ou limitantes a proliferação de determinadas patologias, entre elas a dengue, esse trabalho, inserido dentro do projeto "Clima Urbano e Dengue nas cidades brasileiras", teve como objetivo especializar as condições socioespaciais favoráveis a ocorrência de focos de dengue em Curitiba-PR. Apesar da cidade não apresentar comportamento epidêmico, casos autóctones foram registrados nos últimos anos. Alguns cenários de mudanças climáticas apontam que a ampliação da faixa de temperatura tropical levaria  a ampliação da área de habitat do Aedes Aegypti, atingindo cidades como Curitiba. Para a construção do mapa, foi utilizado o método da análise multicritério e síntese cartográfica (SAMPAIO, 2012). Com base em dados retirados do Censo de 2010, foi produzido um índice de vulnerabilidade a ocorrência de focos de dengue na escala espacial do setor censitário. Com isso pode-se identificar quais áreas dentro do recorte municipal carecem de mais atenção quanto a dengue, ainda se situações com maior risco climático se efetuarem futuramente.
AVALIAÇÃO GEOQUÃMICA AMBIENTAL DO GARIMPO AREINHA: ESTUDO DA CONCENTRAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE METAIS PESADOS NOS SEDIMENTOS E OS DANOS À SAÚDE HUMANA
O garimpo denominado Areinha está inserido na bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha, cujas águas drenam áreas de garimpos que influenciam diretamente na qualidade do recurso hídrico. A área de pesquisa possui uma extensão de aproximadamente 9 km, área que está sob os cuidados da COOPERGADI. A pesquisa analisa os parâmetros para os metais Cu, Ni, Pb e Zn, analisando a concentração e a posterior comparação com a legislação do CONAMA 344/2004, visando inferir um alerta sob os riscos à saúde que da exposição direta a esses metais pode causar na população. Foram coletados 13 pontos, analisados sobre a técnica da espectrometria de absorção atômica por chama (FAAS). Para o Cu, o Ponto 3 Extra, ultrapassa o Nível 1, e o Ponto 1 Extra, excede do Nível 2. Para o Ni, o Ponto 3 Extra, ultrapassa o Nível 1. Para o Pb, seis pontos estão entre o Nível 1 (35,0 mg/kg) e o Nível 2 (91,3 mg/kg), e um ponto ultrapassa o Nível 2. Para o Zn nenhum dos treze pontos violou a legislação vigente. A modificação nas atividades de garimpo, de manuais para mecanizadas, intensificou o impacto ambiental negativo nessa região, devido a necessidade de removerem grandes quantidades de sedimentos para a extração do ouro e diamante.
2017
Dias Araújo, Amanda de Oliveira Freitas, Mariana do Carmo Moura, Lúcio Baggio Filho, Hernando Passos Cambraia, Rosana
CONSIDERAÇÕES SOBRE INTOXICAÇÃO HUMANA POR AGROTÓXICOS NO CENTRO-OESTE BRASILEIRO, NO PERÍODO DE 2008 A 2013
A produção agrícola brasileira, de forma geral, após a Revolução Verde, passou a inserir com maior frequência o uso de agrotóxicos no processo produtivo, tendo como justificativas o controle bioquímico de pragas e o aumento da produtividade. Nesse contexto, a população residente nos espaços rurais e periurbanos passou a ter contato com maiores volumes dessas substâncias químicas. A manipulação inadequada dessas substâncias causa intoxicação em diferentes escalas e pode levar a óbito. Assim, o objetivo desta pesquisa é analisar a espacialidade da intoxicação por agrotóxicos na região Centro-Oeste brasileira, região característica de produção agrícola. Foram coletados dados secundários em bases governamentais para os triênios 2008-2010 e 2011-2013. Esses dados foram tabulados, cartografados e analisados, ou seja, além da revisão de literatura, foi realizada uma análise comparativa espaço-temporal. Também foi utilizada a correlação de Pearson para as variáveis áreas produtivas e número de intoxicados. Os resultados indicam que a intoxicação por agrotóxico ocorre principalmente no bioma Cerrado, em regiões específicas dos respectivos nos estados da federação.
2017
Jorge Ulisses Saraiva Farinha, Maycon Mario Bernardo, Luciana Virginia Archanjo da Mota, Adeir
DINÂMICA ESPACIAL DE NASCIDOS VIVOS E ÓBITOS INFANTIS NAS REGIÕES DE SAÚDE DO DISTRITO FEDERAL EM 2012
A saúde tem uma forte relação com a renda, isto é, as desigualdades sociais são inerentes às condições de vida dos indivíduos, dado os riscos e recursos que podem também ser distribuídos de forma desproporcional devido a posições ocupadas por estes na sociedade. Em detrimento disso, indicadores são analisados para fornecer subsídio para a tomada de decisão nas ações de cunho sanitário e na formulação de políticas públicas, uma vez que estas podem gerar implicações no que diz respeito à sua implantação. A pesquisa desenvolvida tem como objetivo analisar o comportamento dos fluxos de nascimentos e óbitos infantis estabelecidos no Distrito Federal e mapear a migração pendular das mães, através de ferramentas geoespaciais. Em escala nacional, observou-se uma redução da fecundidade, embora a taxa de mortalidade ainda tenha se mantido alta. Em consonância, houve aumento da renda e diminuição da taxa de analfabetismo. Já no DF, encontrou-se o melhor IDH do país, embora o maior índice de Gini, como efeito, menores taxas de fecundidade e de mortalidade infantil, e maiores de desigualdade de renda. O que possibilitou a inferência de duas realidades em seu contexto. De um lado, um cenário de desenvolvimento de uma população específica e por conseguinte, melhor situação de saúde. Do outro, uma insuficiência nos serviços de assistência materna, resultando em deslocamentos e evidenciando as assimetrias em saúde no DF, determinadas pela estrutura da sociedade na qual se inserem.
2017
Bahia Bezerra, Amarílis Rodrigues Freire, Krishna Mara da Costa Gurgel, Helen Massa Ramalho, Walter
DOENÇAS E AGRAVOS NO CONTEXTO DAS GRANDES INUNDAÇÕES GRADUAIS NO ESTADO DO AMAZONAS - BRASIL
Esse trabalho apresenta o comportamento de doenças e agravos e possível nexo de causalidade com o regime hídrico no estado do Amazonas. Considerando que os rios amazonenses alcançam todo ano suas cotas fluviométricas de inundação no primeiro semestre, o estudo feito a partir de uma série histórica de 2005 a 2016, tem como objetivo identificar os municípios mais vulneráveis ao aumento da incidência de casos notificados de doenças e agravos associados às grandes inundações graduais. A proposta metodológica para identificar o padrão de comportamento das doenças e agravos consiste em analisar os dados por quadriênios obtidos no Sistema Nacional de Agravos Notificados (SINAN) e Sistema de Vigilância Epidemiológica (SIVEP Malária) de leptospirose, de doenças diarreicas agudas, de malária e de acidentes por animais peçonhentos. Foi utilizado o software MapInfo 12 para elaboração dos mapas de incidências das doenças e agravos. Os resultados obtidos demonstram que leptospirose e acidentes por animais peçonhentos possuem incidência com maior número de casos no primeiro semestre, associados, portanto, com o período das inundações graduais. As doenças diarréicas apesarem de terem um comportamento parecido nos dois semestres do ano, apresentaram mais casos no segundo semestre com tendência de diminuição. A malária apresentou maior incidência no segundo semestre. Conclui-se que a baixa incidência de leptospirose pode está relacionada com subnotificações. A malária apesar de não ser uma doença diretamente associada com inundações, merece ser analisada, pois as populações em área de alta incidência podem migrar para outras áreas e contribuir para a difusão da doença.
2017
Ferreira de Souza, Renato Lopes do Nascimento, Sigride
GEOGRAFIA DA SAÚDE: CONTEXTO DAS DOENÇAS DE VEICULAÇÃO HÍDRICA NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO BOA HORA, MUNICÍPIO DE URBANO SANTOS, MA
Este artigo apresenta os resultados da análise da relação entre o ambiente e a saúde da população da bacia hidrográfica do rio Boa Hora, município de Urbano Santos, Maranhão. Conhecer profundamente os usuários de uma bacia hidrográfica e como eles se relacionam com ela, torna-se imprescindível para que a mesma tenha um desenvolvimento adequado e equilibrado. Para isso, foram analisadas as condições hídricas e sócio-ambientais das localidades e identificadas as políticas públicas de saneamento básico implantadas na área averiguando a situação das doenças de veiculação hídrica nos centros de saúde locais. O objetivo da pesquisa foi identificar as doenças de veiculação hídrica que foram mais expressivas na bacia do rio Boa Hora, a partir da base de dados coletados nos questionários bem como uma breve discussão sobre a Geografia da Saúde. Foram aplicados trinta questionários semi-estruturados nos locais de coleta e realizado uma  revisão bibliográfica por meio de livros, periódicos, revistas especializadas a cerca da temática que envolve os aspectos sócio-econômicos e ambientais da área de estudo. Os resultados evidenciam a estreita ligação entre o ambiente e a saúde, e mostram como a ausência ou inadequação dos sistemas de esgotamento sanitário, torna o ambiente insalubre e aumenta os riscos da população contrair as doenças de veiculação hídrica.
2017
Soares Conceição, Franceleide Ribeiro Rodrigues, Zulimar Márita
GEOPROCESSAMENTO APLICADO À EPIDEMIOLOGIA DA LEISHMANIOSE VISCERAL
Desde 2002 a cidade de Campo Grande-MS entrou no ciclo de urbanização da leishmaniose visceral humana (LVA) e canina. Com o objetivo de incrementar as estratégias de controle da doença, realizou-se a análise da incidência da LV nos bairros de Campo Grande nos anos de 2007 a 2011 utilizando ferramentas de análise espacial. Para a construção do indicador foram utilizados os dados de incidência absoluta do DATASUS e da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, e dados populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Para a determinação da relação espacial entre bairros e das áreas de vulnerabilidade para LVA foi construído um sistema de informação geográfica utilizando as incidências relativas por bairro/ano. De 2007 a 2011, foram notificados 632 casos de LV, com média de 126,4 casos/ano. A incidência/10.000hab variou de zero a 11,2 e apenas 13,5% (10/74) dos bairros não apresentaram casos. Dos 74 bairros, oito foram classificados como áreas de maiores incidências, variando de 6,1/10.000 hab. a 11,22/10.000 habitantes, e cinco destes são vizinhos a bairros de incidência nula e/ou baixa, demonstrando que a utilização de métodos descritivos associados ao geoprocessamento auxilia no planejamento de ações de controle da doença em nossa realidade.
2017
Trindade Azevedo Marques, Natália Machado Neres Gonçalves, Vitória Barbosa de Almeida, Cristiane Luiza Franco, Marina Arena Galhardo, Juliana
MENTIRAS COM MAPAS NA GEOGRAFIA DA SAÚDE: MÉTODOS DE CLASSIFICAÇÃO E O CASO DA BASE DE DADOS DE LVA DO SINAN E DO CVE
A cartografia pode ser um instrumento valioso ou perigoso em pesquisas e no processo de tomada de decisões. Um mapa pode localizar, informar, monitorar e subsidiar a análise, para citar algumas funções. Contudo, pode também confundir, enganar, dissimular ou desinformar. Ao cartografar, erros e/ou mentiras ocorrem involuntariamente ou intencionalmente. Diante disso, o objetivo deste artigo é debater a mentira com mapas na Geografia da saúde, demonstrando como bases de dados, técnicas e metodologias podem mentir. Foram utilizadas as bases de dados de casos de leishmaniose visceral americana (LVA) no estado de São Paulo, Brasil, do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) e do CVE (Centro de Vigilância Epidemiológica). Estes dados foram georreferenciados e foi aplicado técnicas de análise espacial. Elaboramos mapas diferentes de acordo com a origem dos dados. Também apresentamos três métodos distintos para classificação na produção de mapas coropléticos em séries temporais, demonstrando como o fenômeno aparece de forma diferenciada em cada um deles. Não é nosso objetivo apontar o melhor método, mas destacar as especificidades, vantagens e limitações de cada um, sendo função do pesquisador adequar as necessidades e o processo de mapeamento às características de cada do fenômeno ou problema em estudo. No cartografar, o ato de mentir é, muitas vezes, inevitável. Não obstante, o mapeador precisa estabelecer aproximações melhores possíveis da realidade, o que exige bom senso e compreensão do problema analisado. Propomos uma leitura crítica em que o mapeador deve conhecer o fenômeno de estudo e ter critério científico, cartográfico e estatístico.
2017
Sayuri Silvestre Matsumoto, Patricia de Castro Catão, Rafael Borges Guimarães, Raul
PARTICIPAÇÃO SOCIAL E DESEMPENHO DO SISTEMA DE SAÚDE: RELEXÕES SOBRE UBERLÂNDIA E JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS, BRASIL
Este texto tem como objetivo apresentar algumas reflexões sobre os possíveis nexos entre participação da sociedade e o desempenho do Sistema Único de Saúde, tomando como referência empírica os municípios de Uberlândia e Juiz de Fora. Utiliza-se da pesquisa documental, com enfoque quantitativo, com dados socioeconômicos do IBGE, banco de dados do Ministério da Saúde (DATASUS),  indicadores do índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS), e dados do Sistema  de Acompanhamento dos Conselhos de Saúde. Os conselhos de saúde deveriam/poderia ter um papel importante na mudança do modelo de atenção de atenção à saúde que ainda destina a maior parte de seus recursos para a média e alta complexidade, influenciado de forma mais incisiva as políticas de saúde, tendo em vista que o orçamento para o setor é definido no âmbito dos conselhos municipais. Assim sendo, pode-se inferir que os conselhos municipais apresentaram um papel limitado na formulação das políticas de saúde.
PRAÇAS COMO ESPAÇOS PARA SAÚDE: O CASO DA PRAÇA NISHINOMIYA (LONDRINA-PARANÁ)
As praças brasileiras passaram por algumas transformações no decorrer dos anos, deixando de ser apenas um espaço de socialização ou transitório, passando a ser um espaço com equipamentos para o lazer, atividades físicas, de recreação infantil e com áreas verdes. Nesse sentido, a pesquisa teve por objetivo avaliar e analisar a Praça Nishinomiya como um espaço livre e público que uma parcela da população londrinense utiliza em busca do lazer e melhoria nas condições de saúde por meio da infraestrutura existente. Para alcançar o objetivo proposto foi utilizada a metodologia indicada por De Angelis (2000) que sugere o uso de dois formulários semiestruturados para uma avaliação qualiquantitativa da praça, assim como a aplicação de questionários com os usuários mediante o método a esmo ou sem norma por não ser possível classificar o universo da pesquisa. Os resultados apontaram para a multifuncionalidade da praça como algo positivo no cotidiano de muitos cidadãos, moradores próximos ao seu entorno ou de outros bairros da cidade. Estes, apesar da distância, se deslocam até ela, principalmente para a prática de exercícios físicos visando a melhoria na qualidade de vida. Apesar da importância desse tipo de espaço público dentro da cidade, não há nenhum serviço de saúde que o utiliza em suas ações de prevenção à saúde. Destaque-se que não foi observada manutenção regular na sua infraestrutura, resultando em uma baixa caminhabilidade devido à precariedade de suas calçadas.
2017
Bertacco da Silva, Lucas Fernando Siqueira de Carvalho, Marcia
RELAÇÕES ENTRE A DINÂMICA AMBIENTAL E A DENGUE NO DISTRITO FEDERAL, BRASIL
A dengue é uma doença viral que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, cuja incidência tem aumentado continuamente no Brasil. Ao investigar a dengue é comum encontrar trabalhos que o relacionem com variáveis climáticas. Entretanto, são poucos os estudos na literatura que tentam relacionar a incidência da dengue com elementos da paisagem, como temperatura da superfície, hipsometria e declividade. Neste contexto, o objetivo desse trabalho é caracterizar a relação espaço-temporal da dengue no Distrito Federal com variáveis ambientais (temperatura, precipitação, temperatura da superfície, hipsometria e declividade) no período de 2007 a 2014. Para a realização deste trabalho foram coletado dados de casos de dengue e de delimitação das áreas de abrangência dos centros de saúde junto a SES-DF, dados demográficos da população junto ao IBGE, limites territoriais do Distrito Federal junto a Codeplan, dados de precipitação e temperatura através de imagens da banda termal do programa LANDSAT e hipsometria e declividade através de imagens do modelo digital do terreno do programa SRTM. Para realizar as análises foram utilizados mapas temáticos de número de casos, taxa de incidência, temperatura da superfície, declividade e hipsometria. Também foram utilizadas técnicas de estatísticas espaciais, índice Global de Moran e índice Local de Moran. As partir das análises foi possível identificar que da série temporal estudada somente os anos de 2010, 2013 e 2014 são epidêmicos. Foi possível identificar padrões de temperatura de forma contínua das áreas de maior incidência, e também indicar a influência da temperatura da superfície desenvolvimento da dengue. Com a hipsometria foi possível identificar possíveis barreiras geográficas de contenção da doença.
2017
Vidal de Siqueira, Rogerio da Costa Gurgel, Helen Drumond Silveira, Bruna Massa Ramalho, Walter
TERRITORIALIDADE DOS USUÁRIOS DE CRACK EM SITUAÇÃO DE RUA E SUAS REDES DE APOIO SOCIAL NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO
O consumo de substâncias ilícitas é um problema no Brasil com 1 milhão de pessoas afetadas, 366.000 usuários de crack. O "Consultório na Rua" é uma estratégia de saúde pública para o acesso à saúde da população em situação de rua usuária de crack baseada na redução de danos e na territorialização. Nosso objetivo é compreender a relação entre território e a formação de redes sociais de apoio aos usuários de crack em Manguinhos, Rio de Janeiro. É um estudo qualitativo com observação do território (cenas de uso e outros locais), 32 entrevistas (usuários de crack e profissionais de saúde) e 1 grupo focal com usuários de crack. Utilizou-se a construção de mapa mental individual e mapeamento participativo focando as perguntas da pesquisa: Como você percebe o território? Como você usa o território? Houve boa participação dos usuários de crack que se expressaram livremente, levando ao reconhecimento do seu território e territorialidades. Os elementos mapeados foram: locais de abrigo, cenas de uso de crack, local do banho e limpeza, locais onde conseguem recursos para subsistência, etc.) e fluxos (caminhos e rotas). O estudo revelou uma territorialidade instável e mutante marcada pelas incursões policiais, de traficantes e pela violência, obedecendo também aos ritmos do consumo de drogas, com momentos de encontro e de dispersão. Apesar do preconceito os usuários conseguiram criar uma rede de suporte no território e o Consultório na Rua ampliar o acesso à saúde para esta população.
2017
Peiter, Paulo Belmonte, Pilar Teixeira, Mirna Freitas Gomes, Marcelly Lacerda, Alda
TRANSFORMAÇÕES SOCIOESPACIAIS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO ENQUANTO DETERMINANTE SOCIAL DA SAÚDE: NO CONTEXTO DAS LEISHMANIOSES
O presente artigo objetiva evidenciar a relação entre as transformações no espaço geográfico do estado do Rio de Janeiro enquanto determinante social da saúde. Para tal, aponta a relação das transformações ambientais, urbanas e sociais no espaço como elemento importante para a disseminação das leishmanioses no estado. Partindo de investigações anteriormente realizadas em pesquisas de mestrado e doutorado, o artigo traz informações acerca de algumas transformações espaciais no estado do Rio de Janeiro e a relação com a espacialização das leishmanioses. Tomando por base a etiologia das leishmanioses, infere-se que as ações antrópicas associadas ao desmatamento têm forte relação com a incidência de leishmanioses, uma vez que a retirada de mata nativa e posterior alteração dos espaços favorecem a dispersão, invasão e adaptação do vetor às áreas urbanas e periurbanas.
2017
Rufino Amaro, Renata Alexandre Costa, Wagner
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA DENGUE NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO NO PERÍODO DE 2001 A 2012
A dengue é uma doença de transmissão vetorial, causada por quatro vírus: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4. A doença representa um importante desafio para a Saúde Pública mundial, devido seu potencial de transmissão e desenvolvimento de formas graves e letais. O objetivo desta pesquisa foi analisar a distribuição espacial de casos de dengue no estado do Rio de Janeiro, no período de 2001 a 2012 de modo a identificar as regiões com maiores riscos para a ocorrência da doença. Foram empregadas Taxas Brutas e Taxas Suavizadas pelo Método Bayesiano Empírico Local para corrigir as flutuações decorrentes do problema das pequenas áreas. Os dados de notificações de casos de dengue foram obtidos pelo SINAN. Para o cálculo das Taxas Bayesianas, criou-se uma matriz de proximidade com o critério de continuidade. Os mapas das Taxas Brutas indicaram que os municípios com maior número de notificações estão localizados nas regiões Baixadas Litorâneas e Norte Fluminense. As Taxas Suavizadas indicaram que as regiões Noroeste Fluminense e Baixadas Litorâneas possuem os municípios com maior número de notificações. O Estimador Bayesiano Empírico Local reduziu o efeito das flutuações aleatórias. As Taxas Suavizadas identificaram os municípios fluminenses com taxas mais elevadas da doença, estabelecendo as áreas prioritárias para os programas de controle da dengue.
2018
Carvalho, Camila de Oliveira dos Santos Rabello, Renata Gomes Thomé, Sandra Maria