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ANÁLISE ESPACIAL DA LEISHMANIOSE VISCERAL NO MUNICÍPIO DE PALMAS, TOCANTINS, BRASIL
Este estudo faz uma análise epidemiológica da Leishmaniose Visceral (LV) no município de Palmas-TO, Brasil, na população e no espaço urbano. Realizou-se uma pesquisa epidemiológica do tipo descritiva e quantitativa, a partir dos casos novos humanos autóctones da LV na zona urbana de Palmas, excluindo-se os distritos de Buritirana e Taquaruçú, e registrados no SINAN. Foram analisadas as variáveis inerentes ao indivíduo e ao local de ocorrência do caso, georreferenciando-se os casos positivos, e construindo mapas temáticos a partir da estratificação epidemiológica e de imagens de satélite. Observou-se redução significativa da incidência da doença (χ2 = 96,7; p < 0,0001), passando de 57,65 casos/100.000 habitantes, em 2003, ano de maior dispersão, para 7,84, em 2013, com maior aglomeração na Região Palmas Sul. O maior risco de ser acometido pela doença foi observado nas regiões periféricas da cidade, densamente habitadas por uma população de baixa escolaridade, predominantemente masculina, da cor parda, sendo as crianças menores de 10 anos as mais acometidas. Os resultados demonstraram a natureza endêmica da LV no município, que apresenta um perfil urbano de transmissão, expondo um quadro de vulnerabilidade socioambiental da região.
2017
Botelho Marques Silva, Karolyne Diaz Castro, José Gerley Calabrese, Katia Seibert, Carla Simone Nobre do Nascimento, Guilherme Botelho Mariano, Sandra Maria Silva Figueiredo, Benta Natânia Galdino dos Santos, Márcio
DENGUE NAS AMÉRICAS: DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E CIRCULAÇÃO VIRAL (1995-2014)
A dengue é uma doença que faz vítimas no mundo há muitos anos, porém, nas últimas décadas, ocorreu um aumento significativo de casos reportados nas Américas, sobretudo na América do Sul, apresentando o Brasil como país com mais casos da doença. Seu controle é dificultado, devido os condicionantes ambientais e sociais envolvidos na dinâmica de expansão da doença, apresentando a circulação de quatro sorotipos: DEN-1 ao DEN-4. O objetivo desta pesquisa consistiu em analisar a circulação do vírus nas Américas entre os anos de 1995 e 2014. O método utilizado foi o hipotético indutivo e foram elaborados mapas de circulação do vírus da dengue nas Américas identificando características da soroprevalência da doença, marcada por um período de 5 a 10 anos. É provável que a circulação do vírus da dengue corresponda ao fluxo de pessoas (hospedeiros) entre as fronteiras e fortemente facilitado pelos avanços tecnológicos e de transporte, tornando-se assim, mais um desafio no controle da doença.
2017
Fogaça, Thiago Kich Mendonça, Francisco de Assis
O ISOLAMENTO DOS FILHOS DOS LÃZAROS NO ESPÃRITO SANTO: CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DO EDUCANDÃRIO ALZIRA BLEY (1937-1979)
A hanseníase é uma doença endêmica, de transmissão pelas vias aéreas superiores. Essa doença infecciosa, de 1920 a 1979, eram ameaças à sociedade, cuja solução era o isolamento. Em 1934, Getúlio Vargas lança o plano de combate à doença: construção de leprosários pelo país, que encaminhavam os filhos sadios dos internos aos educandários. Em Cariacica-ES, ocorreu a construção de um leprosário para isolar os doentes e um educandário para acolher os filhos endêmicos. Este estudo visa caracterizar a população do educandário no período do isolamento compulsório (1937-1979), cujas informações provêm de fonte de dados documental e histórica. As informações sobre as 1.547 pessoas compõem um banco de dados, além da digitalização do acervo fotográfico da instituição. Houve entrevistas semiestruturadas com funcionários e ex-internos do educandário, que deram vida e movimento às análises dos gráficos e tabelas. Mediante a investigação, algumas conclusões: cada geração é vítima do conhecimento científico do seu tempo; no período compulsório, a média de internações era de 36,8 crianças por ano; os recém-nascidos eram mais de 300 nesse período; havia predominância masculina na maior parte do período traduzida pela razão de 109,6 homens para cada cem mulheres; o segmento internado era predominantemente de cor branca (59%).
ASSOCIAÇÕES ENTRE A ZONA DE CONVERGÊNCIA DO ATLÂNTICO SUL E O EL NIÑO E SUA INFLUÊNCIA SOBRE A DISTRIBUIÇÃO ESPAÇOTEMPORAL DA LEPTOSPIROSE EM MINAS GERAIS
O trabalho discute as associações entre a Zona de Convergência do Atlântico Sul e o El Niño - Oscilação Sul - e sua influência no aumento de casos de leptospirose em Minas Gerais (1998-2012). Foram calculados: a frequência mensal desses fenômenos em Dez-Jan-Fev; o coeficiente de correlação de Pearson entre as séries temporais das anomalias mensais da Temperatura da Superfície do Mar nas regiões do Niño 3-4 e Atlântico Tropical Sul; e as anomalias de precipitação no estado de Minas Gerais. Os resultados da análise de frequência revelaram: i) total de 77 episódios, com as maiores frequências ocorrendo em dez e jan (30 episódios/mês) e 17 episódios em fev; ii) os eventos com alta frequência apresentaram 7 episódios nos verões de 2006/2007, 2007/2008, 2010/2011 e 2011/2012; iii) a frequência média variou de 5-6 episódios: 2002/2003 (5), 2003/2004 (5), 2005/2006 (6), 2008/2009 (6), 2009/2010 (5). A análise das séries temporais das anomalias de Temperatura da Superfície do Mar na região do Pacífico Tropical e a Zona de Convergência do Atlântico Sul evidenciou correlação significativa com "lag" de 1 a 2 meses entre as séries e, com relação ao Atlântico, foi observado correlação negativa, ou seja, águas anomalamente frias associadas ao aumento da precipitação.
2018
Suassuna Dutra, Flávia Regina Lacerda Leal de Quadro, Mário Francisco Müller, Gabriela Viviana Valadão, Roberto Célio
ESTUDO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS SURTOS DE DOENÇAS DE TRANSMISSÃO HÍDRICA E ALIMENTAR NO RIO GRANDE DO SUL: uma revisão dos registros no Estado
As doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA) constituem um grande problema de saúde pública mundial, causadoras de inúmeras infecções e intoxicações. Nesse sentido, os dados epidemiológicos de DTHA são extremamente importantes para o estabelecimento das prioridades de saúde pública e alocação de recursos. Deste modo, este estudo objetivou conhecer o perfil epidemiológico dos surtos confirmados de DTHA no Rio Grande do Sul. Para tanto, foram analisados os dados coletados pela Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual em Saúde do Estado, entre 2000 e 2014. Os dados foram compilados em planilhas do Excel para elaboração de gráficos e discussão dos resultados. Até a conclusão deste trabalho foram registrados 1.148 surtos, diagnosticados através de exames microbiológico, bacteriológico, virológico e/ou taxa de ataque. Evidenciou-se que os alimentos a base de ovos possuem maior envolvimento nos surtos confirmados, sendo a Salmonella sp. o agente etiológico de maior incidência. Ao analisar o local de produção dos alimentos, verificou-se que os surtos desencadeiam-se em sua maioria nas residências ou estabelecimentos comerciais, principalmente por matéria-prima sem inspeção, seguido de manutenção inadequada dos alimentos por longos períodos em temperatura ambiente. Desta forma, fica evidente a necessidade de se buscar alternativas para mudança comportamental da população.
2017
Klein, Lilian Rambo Bisognin, Ramiro Pereira Figueiredo, Denise M. S.
DAS BRIGADAS SANITÁRIAS AOS AGENTES DE CONTROLE DE ENDEMIAS: O PROCESSO DE FORMAÇÃO E OS TRABALHOS DE CAMPO
O objetivo deste artigo é transitar por parte da história da saúde pública no Brasil, com ênfase nas ações sobre o território, especialmente no que tange à relação ambiente/saúde. Procuramos investigar, de forma resumida, como se deram as várias transformações ocasionadas pelos trabalhos de campo realizados pelo setor de vigilância em saúde e controle de endemias, em um recorte temporal que basicamente se estendeu por todo o século XX até os dias atuais. Para construção do texto, realizou-se uma revisão de literatura e uma análise documental, a partir dos manuais e instruções normativas que orientam as ações de campo na saúde. Para discutir os resultados, o artigo está dividido em três partes. Num primeiro momento, realizamos um breve histórico dos trabalhos de campo desenvolvidos pela vigilância em saúde e controle de endemias, evidenciando que embora os riscos e doenças fossem diferentes, as metodologias de trabalho de campo permaneceram muito semelhantes ao longo do tempo. Numa segunda etapa, discutimos a formação e atuação dos agentes de controle de endemias, por acreditar que o processo formativo que vigorou ao longo do século XX exerce, até hoje, forte influência nas ações de vigilância. Por fim, debatemos os manuais de treinamento e orientações para o trabalho de campo, a fim de evidenciar possíveis heranças e rupturas ao longo do tempo nas ações vivenciadas no território.
PARCERIA DE DESENVOLVIMENTO PRODUTIVO DA VACINA INFLUENZA NO INSTITUTO BUTANTAN: ANÁLISE DA ORIGEM DA INFRAESTRUTURA BIOTECNOLÓGICA E DOS COMPONENTES
O vírus da gripe afeta anualmente cerca de 10% da população mundial, causando enormes perdas. O Instituto Butantan e a Sanofi Pasteur possuem um contrato de transferência de tecnologia para capacitar a instituição brasileira a produzir a vacina. A origem geográfica da infraestrutura biotecnológica e dos insumos usados na produção da vacina influenza no Instituto Butantan foi investigada e o grau de independência tecnológica dessa parceria de desenvolvimento produtivo (PDP) foi analisado. Um inventário dos componentes do processo produtivo foi realizado e seus dados foram agrupados em: objetos, fabricantes e aplicações. Mapas temáticos foram utilizados para ilustrar os padrões espaciais dos países envolvidos. Os resultados indicam que 13 países estão envolvidos no processo, que possui 200 objetos, 63 fabricantes e 66 aplicações. O Brasil participa com 42,5% dos objetos, 36,5% dos fabricantes e 22,7% das aplicações. Dentre os países envolvidos, destaca-se a significativa participação dos EUA e dos países da Europa, particularmente Alemanha e Suíça.
2017
Nascimento, Leonardo Ferraro Queiroz Filho, Alfredo Pereira de
CONDICIONANTES SOCIOAMBIENTAIS DO MODELO (RE)PRODUTIVO DA ESQUISTOSSOMOSE NA REGIÃO ENDÊMICA DO MUNICÍPIO DE ARACAJU/SE
Este artigo tem como objetivo analisar a distribuição espacial da esquistossomose no município de Aracaju (SE) no período de 2005 a 2014, buscando identificar o modelo (re)produtivo da doença a partir dos condicionantes socioambientais e espaciais. Trata-se de estudo ecológico descritivo, baseado na pesquisa bibliográfica e documental. Neste período, foram registrados 8.662 casos da endemia no município. A Subzona Periférica Sul, que abrange os bairros Santa Maria, São Conrado e Zona de Expansão, apresentou a maior incidência de esquistossomose, sendo que os dois primeiros bairros apresentam a mais baixa renda média da cidade e precariedade no sistema de saneamento básico, com focos de ocorrência da Biomphalaria glabrata. Ainda contribuem para a (re)produção da esquistossomose: elevado índice de casos não tratados (55%); pouco efetivo técnico para a busca ativa; ausência de ações permanentes em educação em saúde; ausência de ações intersetoriais visando elevar a qualidade ambiental e de vida sobretudo na periferia da cidade.
2017
Carvalho, Márcia Eliane Silva Mendonça, Francisco de Assis
MULTIVARIATE GEOVISUALIZATION OF DENGUE, ZIKA AND CHIKUNGUNYA CASES IN BRAZIL: A DIDACTIC EXPERIENCE
In recent decades, the Aedes aegypti mosquito, the vector of dengue, Zika, chikungunya and other diseases, has become an increasing concern in Brazil and other tropical countries. However, the spatial distribution of these diseases in Brazil is not homogeneous, implying that there are distinct risk levels and various guiding strategies for fighting these diseases. This paper presents a didactic exploratory multivariate spatial data analysis of dengue, Zika and chikungunya cases in Brazil in 2016 in the context of an undergraduate course. The students elaborated, interpreted and discussed multivariate maps using techniques such as proportional symbols, hachure density, bivariate and trivariate choropleth composition, contiguous cartograms, conditional maps and matrices of maps and graphs. The students investigated the various interpretative possibilities based on the intrinsic and extrinsic combinations of multivariate geovisualizations. Through their interpretations of the spatial representations, the students were able to identify that the states of Rio Grande do Norte, Paraíba and Alagoas are experiencing the most critical situations for these three diseases, while the state of Minas Gerais has a serious situation only for dengue. In contrast, the maps clearly revealed that the states of Rio Grande do Sul, Santa Catarina and the Northern Region of the country experienced fewer cases of the diseases. It can be concluded that the undergraduate course improved the students' abilities to build and interpret spatial representations using geotechnologies.
2017
Vasconcelos, Vitor Vieira Pinho, Carolina Moutinho de Duque
EQUIDADE NO USO DE SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS ENTRE ADOLESCENTES BRASILEIROS: UMA ANÁLISE MULTINÍVEL
O estudo teve por objetivoavaliar se o uso dos serviços odontológicos no SUS entre adolescentes brasileiros favorece a equidade. Foram utilizados dados de 4654 adolescentes (15-19 anos) participantes do levantamento SB Brasil 2010 e dados contextuais relativos à municípios. A variável dependente foi o tipo de serviço odontológico utilizado (SUS/ Outros serviços). Regressão logística multinível foi realizada. A prevalência do uso dos serviços odontológicos no SUS foi de 46,8%. O uso do SUS mostrou-se associado aos determinantes contextuais IDHM e média de escovação dental, e aos fatores individuais anos de estudo, renda, cor da pele, tempo e motivo do uso, presença de dentes cariados, presença de dentes perdidos, satisfação com dentes e boca e avaliação da consulta. Condições mais vulneráveis foram associadas ao maior uso no SUS. Assim, a equidade vem sendo alcançada no uso de serviços odontológicos no SUS.
2018
Oliveira, Renata Francine Haikal, Desirée Sant´Ana Carreiro, Danilo Lima Silveira, Marise Fagundes Lima Martins, Andréa Maria Eleutério de Barros
ANÁLISE E ESPACIALIZAÇÃO DA INCIDÊNCIA DE DENGUE NA MICRORREGIÃO GEOGRÁFICA DE ANÃPOLIS-GO, PERÍODO DE 2010-2016
A dengue é concebida como um dos principais desafios da saúde pública mundial. Objetivou-se analisar a incidência da dengue na microrregião geográfica de Anápolis, Estado de Goiás, Brasil; para o período que compreende os anos entre 2010 e 2016. Realizou-se uma pesquisa observacional, quantitativa, descritiva e exploratória. Foram obtidos dados junto à Superintendência de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde do Governo do Estado de Goiás - SES-GO, ligada também ao Banco de Dados do Sistema Único de Saúde - DATASUS. Os dados compreendem as manifestações clínicas da dengue registradas no CID-10, sendo elas: Dengue Clássica, Febre Hemorrágica de Dengue e Dengue com Complicações. O coeficiente de incidência de dengue para os municípios foi calculado, permitindo a estratificação em classes de frequência, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde - OMS, adicionando-se uma categoria, relativa às "altíssimas incidências". A Microrregião de Anápolis chegou a apresentar 17.400 casos no ano de 2016. Os resultados demonstraram que a dengue se comportou de maneiras distintas entre os anos de 2010 e 2016. Durante todo o período analisado, os dados acusam situação epidêmica, isto é, com coeficientes muito acima dos limites considerados dentro do padrão de controle e/ou normalidade da OMS. A análise da situação da dengue na Microrregião de Anápolis revela um grave problema de saúde pública para a grande maioria dos municípios presentes na área de estudo, o que demonstra a importância da observação pelos gestores de saúde de que os altíssimos índices registrados endossam a necessidade de reavaliar políticas e métodos de controle da doença e do vetor.
2017
Nascimento, Fernando Honorato Pedroso, Leonardo Batista
CARACTERIZAÇÃO DA ESQUITOSSOMOSE MANSÔNICA E SEUS VETORES EM ÁREAS DE FOCO NO ESTADO DE SERGIPE, NORDESTE DO BRASIL
A esquistossomose é uma enfermidade parasitária causada por platelmintos do gênero Schistosoma que estão presentes nas veias mesentéricas dos hospedeiros definitivos. Trata-se de uma doença de distribuição mundial considerada um grande problema de saúde pública. Devido à importância da doença, objetivou-se caracterizar os casos de esquistossomose e seus vetores em áreas de foco no estado de Sergipe, Nordeste do Brasil. Para tanto, coletou-se dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde de seis municípios do estado de Sergipe entre Janeiro de 2001 e Fevereiro de 2015, confirmando os casos através de exame coproparasitológico. Dos 1.366.903 exames realizados, 10,29 % foram positivos para presença de ovos de S. mansoni. Sendo, 80,71% eram dos municípios localizados no Leste e 19,29% no Agreste Sergipano, apresentando uma média de 9.380 casos/ano. Com base nos resultados, conclui-se que houve um aumento no número de ocorrências no estado de Sergipe nos últimos 10 anos, sendo a esquistossomose mansônica e seus vetores um grande problema atual de saúde pública, principalmente nos municípios localizados em áreas que circundam a faixa litorânea do estado. Além disso, demonstra que as medidas profiláticas adotadas no Estado não estão sendo eficazes para o controle desta enfermidade parasitária.
2018
Lima, Victor Fernando Santana López, Irma Yaneth Torres Bezerra, Taynar Lima Lima, Bruno Natan Santana Santos, Joanna Kayone Santana dos Ramos, Ingrid Carla do Nascimento Cruz, Nadine Louise Nicolau da
LEVANTAMENTO DE RATOS, MORCEGOS, POMBOS E COBRAS PELO SETOR DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL DO MUNICÍPIO DE DIVINÓPOLIS - MG
Alterações no ambiente provocadas pela urbanização podem favorecer o estabelecimento e proliferação de animais sinantrópicos. Estes podem ocasionar uma série de problemas sociais, econômicos e de saúde pública. Este estudo teve como objetivo analisar as notificações recebidas pelo Setor de Vigilância Ambiental no município de Divinópolis - MG, nos anos de 2011 a 2013, no que se refere a ratos, morcegos, pombos e cobras. No período avaliado foram registradas 1.261 notificações, sendo 1.107 (87,7%) relacionadas à ocorrência de ratos, 69 (5,5%) de morcegos, 64 (5,1%) de pombos e 21 (1,7%) de cobras. De modo geral, verificou-se um maior número de registros para as áreas centrais do município, com exceção dos morcegos e cobras. Os resultados evidenciam a relevância do problema especialmente no que se refere aos riscos à saúde da população, principalmente em função das doenças que podem ser transmitidas por ratos, pombos e morcegos.
2018
Fonseca, Alysson Rodrigo Rocha, Bruna Fonseca Pereira, Márcio Henrique Silva, Daniel Almeida Sousa, Fabrízio Furtado
ANÁLISE DA OCORRÊNCIA DOS CASOS DE DENGUE E SUA RELAÇÃO COM AS CONDIÇÕES SOCIOAMBIENTAIS EM ESPAÇOS URBANOS: OS CASOS DE JOÃO PESSOA, CABEDELO E BAYEUX, NO ESTADO DA PARAÍBA - BRASIL
Este estudo teve como objetivo analisar a distribuição espacial dos casos de dengue nos espaços urbanos dos municípios de João Pessoa, Cabedelo e Bayeux, associando os ambientes urbanos com as áreas de maior ocorrência dessa doença. Os casos confirmados de dengue foram obtidos nas Secretarias Municipais de Saúde de João Pessoa, Cabedelo e Bayeux, através do Sistema de Informação de Agravos e Notificações (SINAN), referente aos casos registrados entre 2011 e 2014. Os resultados da análise de ocorrência dos casos foram produzidos a partir de técnicas de geoprocessamento e interpolação espacial (Kernel), além de trabalhos de campo nos locais de maior concentração de dengue. Os bairros com maiores quantidades de casos em João Pessoa foram: São José, Mandacarú, Jaguaribe e Grotão. Os bairros com mais notificações em Cabedelo foram: Centro, Recanto do Poço, Renascer e Parque Esperança. No município de Bayeux, a área com a maior ocorrência de dengue foi no bairro Imaculada. Em todos esses bairros foi percebida uma grande quantidade de resíduos sólidos expostos, que servem de criadouros para o mosquito Aedes Aegypti, além da baixa atuação dos serviços de limpeza urbana. Esses fatos tornaram-se as principais evidências do problema de saúde pública, na área de estudo, relacionado à dengue.
2018
Américo Pereira de Almeida, Caio Marques da Silva, Richarde
FATORES ASSOCIADOS À INCAPACIDADE FÍSICA DE CASOS NOVOS DE HANSENÃASE EM PAÇO DO LUMIAR-MA, 2006-2015
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa importante, principalmente pelo seu alto poder incapacitante. Se não diagnosticada e tratada oportunamente, o paciente pode evoluir com diferentes tipos e graus de incapacidades físicas. O objetivo desse estudo foi analisar os fatores associados a incapacidade física em casos novos de hanseníase notificados em Paço do Lumiar-MA, no período de 2006-2015. Foram analisados 189 casos registrados no banco do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A análise estatística foi realizada no software R 3.3.1. Na análise bivariada, observou-se associação estatisticamente significativa entre escolaridade (p=0,024) e classificação operacional (p=0,026) com incapacidade física no diagnóstico. O modelo de regressão logística múltipla mostra que o risco do indivíduo ter incapacidade física no diagnóstico está relacionado com faixa etária de 15 anos ou mais (OR: 4,84; IC95%: 1,26-25,62), raça/cor branca (OR: 3,08; IC95%: 1,36-7,32) e preta (OR: 2,87; IC95%: 1,04-8,01), analfabeto (OR: 7,39; IC95%: 1,75-39,09), procedência urbana (OR: 4,76; IC95%: 1,28-19,59) e classificação operacional multibacilar (OR: 4,38; IC95%: 2,02-10,08) têm maior probabilidade de apresentarem algum grau de incapacidade física no diagnóstico. Os resultados contribuem para dar subsídio aos projetos dos gestores e formuladores de políticas de saúde para inovação e reorganização dos sistemas de saúde no enfretamento desse agravo.
2018
Cardoso Portela, Nytale Lindsay Leal de Sousa, Paulo Henrique Leite de Melo, Lúcia Nayara
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS CASOS DE LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO, RJ, ENTRE OS ANOS DE 2011 E 2014
A leishmaniose visceral (LV) é a mais grave forma clínica na apresentação entre as leishmanioses e na América do Sul, o cão (Canis familiaris) apresenta-se como a principal fonte de infecção em um ciclo antropozoonótico. Seu perfil epidemiológico apresentou modificação a partir da década de 80, alterando-se de rural para urbano. No ano de 2011, pode ser evidenciada a emergência urbana da doença na região central da cidade do Rio de Janeiro, com aglomerados de casos caninos, especificamente no bairro do Caju, além de o município apresentar áreas de endemismo histórico na zona oeste. Dessa forma, essa pesquisa visou caracterizar o panorama da leishmaniose visceral canina (LVC) no território, a partir do georreferenciamento dos casos positivos entre os anos de 2011 a 2014, referentes aos resultados laboratoriais dos inquéritos sorológicos caninos realizados pela Unidade Paulo Darcoso Filho (UPDF). O bairro de Campo Grande apresentou o maior número de animais reagentes (n=121) seguido do bairro do Caju (n=95). Considerando-se o número de coletas realizadas, o Caju obteve a maior frequência de animais positivos, com 27,7% (95/374), seguido por Campo Grande com 25.5% (121/1076). Quanto ao uso do solo, o bairro do Caju possui uso predominantemente urbano enquanto que as regiões de transmissão histórica são áreas de floresta e floresta alterada. Os resultados apontam para o alto grau de positividade em um bairro com circulação recente do parasita. Com os dados obtidos, este estudo propõe uma maior sistematização nas coletas pela vigilância epidemiológica do município, priorizando bairros onde há maior número de animais positivos assim como aqueles que apresentem características ambientais semelhantes, de forma a serem áreas de transmissão em potencial.
2018
de Castro, Carla Oliveira Bello de Vasconcelos, Tassia Cristina Caldas dos Santos, Jefferson Pereira Figueiredo, Fabiano Borges
AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DE PRÁTICAS DE ENFERMAGEM NA PERSPECTIVA DE ESTUDANTES DE UM CURSO TÉCNICO
O presente estudo aborda o sistema de avaliação utilizado para checar a aprendizagem de alunos ingressantes em um Curso Técnico em Enfermagem, da rede pública federal de ensino, referente a técnicas básicas na subfunção de práticas integradas I. O interesse por pesquisar este tema teve sua origem em frequentes queixas de estudantes deste curso quanto à insegurança e ao estresse gerado pela ansiedade, provocada pelo medo de errar e de fracassar, levando-os a uma possível reprovação. Diante disso, este estudo teve como objetivos analisar as influências do processo de avaliação dessa subfunção, realizada no ambiente de laboratório, sobre os estudantes do referido curso e quais as implicações dessa modalidade de avaliação em sua formação e motivação para aprender. Contextualizado no âmbito da pesquisa qualitativa, utilizou-se como referencial teórico a análise de conteúdo de Bardin. A amostra foi constituída por 17 estudantes do segundo período do curso, cujo número de participantes foi definido pela saturação nas respostas a um roteiro de entrevista semiestruturado. Os resultados apontam, entre outras questões, a necessidade de formação continuada dos educadores, que possibilite o diálogo permanente e a ressignificação do que seja avaliar.
2017
Lemos Stutz, Beatriz Cafer de Oliveira, Clélia Regina de Sousa Martins, Rosa Maria Fabricio dos Santos, Rosemeire
A ESTIAGEM E AS INTERNAÇÕES POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS EM PORTO VELHO (RO) - PERÍODO 2010 - 2015
As doenças respiratórias representam hoje uma das maiores causas de mortalidade por doenças no Brasil e no mundo. Localizado na porção meridional da Amazônia, o município de Porto Velho fica em uma região com alto índice de pluviosidade, sobretudo durante os meses de novembro a abril, já em junho, julho e agosto ocorre o período mais seco do ano. A baixa umidade relativa do ar e as altas temperaturas dessa época podem provocar consequências sobre a saúde e o bem estar da população. Este trabalho busca compreender a relação entre as internações por doenças respiratórias e o comportamento da temperatura e a umidade relativa do ar em Porto Velho (RO) no período de 2010 a 2015. Os dados meteorológicos utilizados pertencem à rede de observações meteorológicas da Aeronáutica - REDEMET. Já os dados epidemiológicos foram coletados junto ao banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As análises demonstraram que o maior número de internações quase sempre ocorre em março e abril. Esse dado rejeita a hipótese de que o período da estiagem se destacaria no registro de doenças respiratórias na região.
OS CASOS DE HANSENÍASE E A VULNERABILIDADE SOCIAL NO MUNICÍPIO DE NATAL, RN, BRASIL: ANÁLISE DAS OCORRÊNCIAS E DAS ÁREAS DE RISCO À SAÚDE PÚBLICA
O presente trabalho aborda a relação entre os casos registrados de Hanseníase e o cenário social do município de Natal, Estado do Rio Grande do Norte - RN, Brasil destacando as áreas mais vulneráveis e que podem apresentar riscos à saúde pública. Foi feito um recorte temporal de 2010 a 2015 e as ocorrências foram georeferenciadas com a ferramenta Street View, do programa Google Earth, tomando como base o local de moradia do paciente. Foi também analisado o perfil dos pacientes, buscando avaliar qual o maior grupo afetado. Para analisar o cenário social do município foi elaborado um índice de Vulnerabilidade Social, classificando a vulnerabilidade em muito baixa, baixa, média, alta e muito alta. Posteriormente, as ocorrências da doença foram sobrepostas ao cenário social do município e realizou-se uma correlação espacial, com auxílio do SIG ArcGis. Como resultado, foi constatado que o número de casos é mais elevado em setores censitários que apresentam vulnerabilidade social alta ou muito alta, assim como em bairros que possuem maiores quantidades de setores censitários com vulnerabilidade social, igualmente, alta ou muito alta. Logo, em Natal/RN, é possível afirmar que a Hanseníase é uma doença infectocontagiosa que possui íntima relação com a vulnerabilidade social e com as condições de vida da população.
2018
Cruz da Silva, Letícia Queiroz de Almeida, Lutiane
O FENÔMENO DE EXPANSÃO DAS CLÍNICAS MÉDICAS POPULARES: RESSIGNIFICAÇÃO DO BAIRRO CENTRO EM FORTALEZA - CEARÁ
As pesquisas na área da Geografia da Saúde são de ampla relevância para a análise das transformações socioespaciais, motivadas pela dispersão e concentração dos serviços e equipamentos de saúde. Portanto, o presente artigo tem o propósito de analisar as transformações ocorridas no bairro Centro em Fortaleza - Ceará, após a inserção das clínicas médicas populares na década de 1990. Para um melhor entendimento da dinâmica do bairro e das clínicas médicas, foram realizados trabalhos de campo com a aplicação de questionários direcionados aos responsáveis pelas 32 clínicas existentes no local. Foi constatado que a presença das clínicas médicas populares foi responsável por mudanças significativas no Centro. O bairro, que era predominantemente comercial, transformou-se em um polo prestador de serviços da saúde de cunho popular. A permanência das clínicas médicas populares está diretamente vinculada ao interior do Ceará, pois é justamente a população dos municípios do interior do estado a base de sustentação dos estabelecimentos de saúde. De modo geral, observou-se que as clínicas direcionadas à população menos privilegiada economicamente impulsionaram de forma simultânea a ressignificação da Praça do Passeio Público e a valorização da área do entorno, através das novas formas de ação e das mudanças de função do local.
2018
Godoy, Claudiana Viana da Silva, José Borzacchiello