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PREPARAÇÃO E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL EM CENÁRIOS DE EMERGÊNCIA SANITÁRIA: FRAGILIDADES ANUNCIADAS NUM CONTEXTO DE ECONOMIA GLOBAL
No presente texto, o autor apresenta um conjunto de dados históricos que documentam a progressiva unificação microbiana do mundo à medida que a agricultura, o comercio e a tecnologia de transporte nos tornaram mais próximos. Nas últimas décadas, fundamentalmente através da intensificação do processo de globalização e de hiperconetividade de pessoas e bens, a frequência de surtos pandémicos tem crescido significativamente, obrigando à revisão do Regulamento Sanitário Internacional (2005) e à adoção de compromisso internacionais de preparação em saúde global, cujos níveis de alerta ainda são escassas em diversas partes do globo. Partindo das lições aprendidas com as mais recentes epidemias de ébola, discutem-se as fragilidades encontradas ao nível local e regional, bem como o modelo de atuação de atores internacionais relevantes. A eclosão da atual pandemia gerada pelo SARS-CoV2, pela rapidez de propagação e pela sua extensão, obriga-nos a refletir para além dos dados epidemiológicos básicos, propondo-se uma leitura geográfica, analisando o contexto de interdependência gerado globalização dos transportes e pela segmentação das cadeias de produção abruptamente interrompidas com a emergência da epidemia. As consequências futuras a retirar deste cenário disruptivo ainda são incertas, mas algumas evidencias sugerem que este tipo de acontecimentos poderá ter algum potencial para acelerar processo de mudança no contexto da globalização das trocas.
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DE COVID-19 NA MESORREGIÃO SUL/SUDOESTE DE MINAS GERAIS
A pandemia de COVID-19 apresenta desafios significativos para o Brasil. O conhecimento geográfico pode contribuir para compreender a dinâmica de distribuição dessa doença e assim compor mecanismos de seu enfrentamento. A partir do recorte da mesorregião sul/sudoeste de Minas Gerais, analisou-se como o novo coronavírus se disseminou nesses municípios, quais os principais nexos geográficos e os riscos. Para isso, analisou-se geograficamente um conjunto de informações como hierarquia urbana, população total e proporção de idosos, casos confirmados e mortes em decorrência da doença, e o papel das vias de transporte. Como conclusão, aponta-se para o destacado papel da estruturação da rede urbana e dos eixos rodoviários na disseminação da COVID-19 no sul de Minas Gerais. Elabora-se também a hipótese a ser verificada por pesquisas posteriores de que os estabelecimentos que margeiam as rodovias (postos de gasolina, conveniência, restaurantes, borracheiros, etc) sejam eixos de disseminação da doença. É proposto ao poder público a manutenção do isolamento social e a instalação de postos de controle nas entradas rodoviárias dos municípios, visando a medição de temperatura e orientação dos cidadãos.
2020
Teixeira, Sérgio Henrique de Oliveira Souza, André Lopes de
FASE INICIAL DA PANDEMIA DA COVID-19 EM MATO GROSSO: DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E AVALIAÇÃO
Este estudo visa a apresentar a situação da fase inicial da pandemia da COVID-19 em Mato Grosso e avaliar a atuação do poder público. Trata-se de estudo retrospectivo descritivo em que são utilizados dados secundários obtidos em diversas fontes oficiais. Mato Grosso apresentava até o início do mês de maio de 2020 ritmo lento de crescimento do número de casos da COVID-19. A doença se concentrava nas cidades-polo e com pouca dispersão para as cidades vizinhas. O estado apresenta razoável estrutura hospitalar, porém com graves discrepâncias regionais. O conhecimento sobre a disseminação da COVID-19 mostra que as medidas de isolamento e distanciamento social foram importantes para frear o rápido crescimento da pandemia e que outras estratégias de combate à pandemia devem estar apoiadas em pesquisas acadêmicas e científicas e em levantamentos, análises e planos de atuação dos governos com a participação de atores sociais e da população. Acreditamos que, com a flexibilização das medidas de isolamento e intensificação dos fluxos entre as cidades do estado, a rede urbana terá papel fundamental na difusão espacial da doença e disseminação do vírus. Dessa maneira, as teorias e técnicas geográficas de análise urbano-regional serão imprescindíveis para melhor entendimento e elaboração de estratégias para contenção da COVID-19.
2020
de Lima, Diogo Marcelo Delben Ferreira Silva, Marcia Alves Soares da Santos, Emerson Soares dos
MODELAGEM AMBIENTAL PARA COVID-19 (SARS-COV-2) EM SISTEMAS DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO COMO INSTRUMENTO AUXILIAR NAS AÇÕES DE SAÚDE PÚBLICA
Diante da ocorrência de RNA do SARS-CoV-2 em fezes de pacientes infectados, este artigo apresenta informações acerca das vantagens do uso de modelagem ambiental de sistemas de esgotamento sanitário para o diagnóstico coletivo da COVID-19, especialmente no Brasil. A revisão da literatura foi conduzida, principalmente, em bases de dados científicas eletrônicas, nacionais e internacionais. Apesar de, até o momento, poucos estudos indicarem o potencial de contaminação do SARS-CoV-2 pelo esgoto sanitário, as análises realizadas direcionam para que esta proposição seja considerada nas ações de vigilância à saúde. A abordagem da Epidemiologia de Esgotos tem sido utilizada com sucesso em alguns países para rastrear e fornecer alertas precoces de surtos de vírus. No Brasil, considerando o aumento de casos da COVID-19, as restrições da testagem em massa e as condições fragilizadas do saneamento, focar na vigilância dos sistemas de esgotamento sanitário poderá auxiliar as ações adotadas pelo Sistema Único de Saúde e demais setores no enfrentamento da pandemia. Assim, o emprego da modelagem é oportuno para simular e conhecer a extensão da contaminação da população pela COVID-19, bem como o espalhamento da doença em determinada região, constituindo alternativa complementar aos procedimentos de triagem clínica, visando a auxiliar na promoção da saúde pública.
2020
Soares, Alexandra Fátima Saraiva Nunes, Bárbara Caroline Ricci Costa, Flávia Cristina Rodrigues Silva, Luís Fernando de Morais Souza, Luís Paulo Souza e
DIFUSÃO ESPACIAL DA COVID-19 NO ESPÍRITO SANTO: UMA ABORDAGEM INICIAL
Compreender a difusão espacial da COVID-19 no território do Espírito Santo se faz necessário para pensar as estruturas de saúde e as redes de serviços que serão mobilizadas para o enfrentamento da doença. Assim com os fluxos que percorrem o estado e estruturam em rede de municípios. A partir dos dados disponíveis no Painel COVID-19 do Estado do Espírito Santo, elaboramos uma análise em duas escalas, uma regional e uma do espaço urbano, para compreender a difusão espacial e a distribuição dessa doença. Foram elaborados mapas de difusão espacial e sobreposto às informações espaciais da doença. Verificamos que a difusão se inicia pela Região Metropolitana da Grande Vitória - RMGV e se difunde na rede urbana, mobilizando as capitais regionais mais distantes além dos municípios contíguos. O processo de interiorização em curso é observado, mas ainda há uma grande concentração dos casos na RMGV. Na escala do espaço urbano verificamos o processo de periferização com um aumento de letalidade nas áreas mais periféricas.
2020
Catao, Rafael de Castro Ribeiro, Flora Antonia Soares Veltem, Cheylla da Penha Carli de Castro Freitas, Marcone Henrique de Chrisóstomo, Felipe Cunha
COVID-19, REGIÕES DE SAÚDE E OS DESAFIOS DO PLANEJAMENTO TERRITORIAL NO BRASIL
Este artigo tem como objetivo central discutir os desafios do planejamento territorial para o enfrentamento da pandemia da COVID-19 no Brasil a partir do resultado da análise da demanda do Consórcio de Desenvolvimento do Vale do Rio Grande (CODEVAR). Composto por 25 municípios com cidades de médio e pequeno porte no oeste do Estado de São Paulo, a preocupação dos gestores municipais do CODEVAR era o detalhamento do planejamento da cobertura hospitalar para os casos mais graves de COVID-19 na região, em especial os leitos de UTI destinados aos pacientes com necessidade de respiradores. Ainda que os municípios do CODEVAR procurem atuar em conjunto, constatou-se que eles são pertencentes à diferentes pactuações de saúde. Assim, o presente estudo demonstra a necessidade de aprofundamento de pesquisas acerca da regionalização em saúde. Para isso, o objetivo principal do trabalho é demonstrar as dificuldades encontradas para o planejamento territorial neste momento pandêmico e de emergência em saúde pública. Foram produzidos mapas temáticos para visualização e compreensão da pactuação de saúde na região consorciada, utilizando-se da análise cartográfica da sobreposição de diferentes recortes regionais e da análise da distribuição dos equipamentos existentes. Diante da dificuldade para obter os dados regionais, o estudo aponta a necessidade de maior detalhamento do marco regulatório da regionalização da saúde no Brasil, considerando a contribuição conceitual da Geografia.
2020
Guimarães, Raul Borges Simon, Carolina Russo Lima, João Pedro Pereira Caetano de
AVANÇO DA COVID-19 NO ESTADO DA PARAÍBA E PERFIL DOS PACIENTES QUE FORAM A ÓBITO NOS PRIMEIROS QUARENTA E CINCO DIAS DE CASOS REGISTRADOS
A velocidade da expansão espaço-temporal da Covid-19 nos cinco continentes será considerado como marco da ruptura da atual lógica global/capitalista, haja vista as consequências socioeconômicas que serão deixadas em todos os países. No caso do Brasil a situação torna-se ainda mais complicada devido aos embates políticos entre o Governo Federal e os Governos Estaduais cujo resultado torna imprevisível qualquer precisão quanto ao controle da doença e redução da letalidade a exemplo dos casos evidenciados nos primeiros 45 dias de registros oficiais da Covid-19 no Estado da Paraíba. Desta forma, este artigo busca analisar o avanço da Covid-19 no estado da Paraíba e o perfil dos pacientes que foram a óbito nos primeiros quarenta e cinco dias de casos registrados. Para esta pesquisa foram realizadas as seguintes etapas: a) levantamento de referências; b) levantamento documental; c) levantamento de dados estatísticos; d) espacialização dos casos da Covid-19 no estado da Paraíba. Como resultados principais, percebeu-se que o avanço da Covid-19 no Estado da Paraíba ocorreu inicialmente seguindo o curso das principais rodovias do estado, chegando aos municípios de maior centralidade, e desses para municípios de menor; com exceção dos casos importados. Os dados de mortalidade apontam para uma maior vulnerabilidade de pessoas a partir de quarenta anos, se agravando para pacientes com mais de sessenta anos. Entre as comorbidades mais significativas que levam a óbito parece até o momento ser: a diabetes, a hipertensão e cardiopatias em geral. As fontes de dados, indicadores e variáveis estão disponíveis em vários endereços eletrônicos, sendo necessário o esforço da sistematização em trabalhos futuros.
2020
Pereira, Martha Priscila Bezerra Sales, Andréa Leandra Porto Souza Júnior, Xisto Serafim de Santana de
RODAS DE CONVERSA E FONOAUDIOLOGIA: ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO NAS ALTERAÇÕES DE COMUNICAÇÃO
A concepção da clínica cada vez mais próxima da realidade considerando para tal as variáveis que podem interferir no processo e que não estejam necessariamente no escopo deste tem sido cada vez mais discutido. A metodologia de roda de conversa como forma de empoderamento e capacitação de familiares tem sido descrita como uma estratégia eficaz nessa perspectiva. Objetivo: compreender como a utilização da estratégia da roda de conversa como forma de intervenção junto às famílias de crianças com diagnóstico de alteração de linguagem auxilia no processo de desenvolvimento comunicativo destes indivíduos. O formato de intervenção sem padronização prévia possibilitou que as famílias pudessem elaborar suas dúvidas e angustias, assim como seus anseios e em muitos casos a troca de informações e conhecimento se deu na base dos grupos e não necessariamente com a intervenção do profissional. Método: participaram vinte e dois pais e ou cuidadores de crianças com diagnóstico de alteração de linguagem divididos em dois grupos: Gagueira Desenvolvimental Persistente (GDP) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) em atendimento fonoaudiológico. Resultados: pode-se constatar que os sentimentos e relações quanto o impacto da comunicação são comuns a ambos os grupos. Conclui-se que, em ambos os grupos, os relatos perpassam.
2020
Cardoso, Carla Silva, Michele Batista da Mota, Priscila Cruz Alvarenga, Aline Silva Lara de Rocha, Juliana Fernandes Araújo Fernandes, Fernanda Dreux Miranda
SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA E DIFUSÃO DA COVID-19 PELA REDE URBANA EM MINAS GERAIS, BRASIL
O Estado de Minas Gerais apresenta, diferentemente da maioria dos Estados brasileiros, um patamar de transmissão ainda baixo, porque suas principais cidades, Belo Horizontes, Uberlândia, Juiz de Fora, Contagem, Montes Claros não atingiram ainda o nível de transmissão da doença que pode colocar o Sistema de Saúde Pública em colapso, por falta de leitos de UTI, respiradores e equipamentos de proteção individual para os profissionais de saúde, como já se vê em Manaus, Belém, São Luiz, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. O que se percebe é que, no início, a entrada do novo coronavírus no Estado seguiu o mesmo ocorrido nos demais Estados, desembarcando de avião na capital e nas cidades que tinham maior conectividade com a Europa, principalmente com a Itália, que era o epicentro da pandemia mundial nos meses de fevereiro e março de 2020. No início, a pandemia no Estado se manteve em níveis baixos porque as medidas de isolamento social foram suficientes para achatar a curva de transmissão. Mas, logo veio o crescimento da curva e o número de casos cresceu, porque o isolamento social foi enfraquecido pelos decretos municipais que flexibilizavam a quarentena e abria o comércio, mandando as pessoas para a rua. O momento agora é de apreensão, com o número de casos e óbitos por Covid-19 crescendo na capital e nas cidades médias polos regionais. No memento, o novo coronavírus está viajando de ônibus e de carro, das cidades polos regionais para as pequenas cidades do interior. A intensificação da transmissão nessas cidades pode ser catastrófica, porque nelas só tem a atenção básica à saúde, conforme diretrizes do SUS e elas se valem do sistema hospitalar de atenção secundária e terciária das cidades médias, que já estão chegando no limite de sua capacidade de leitos de UTI. Este trabalho tem por objetivo avaliar a situação epidemiológica e a Covid-19 no Estado de Minas Gerais, considerando a sua difusão pela rede urbana do Estado, a partir das cidades polos regionais.
2020
Lima, Samuel do Carmo Fonseca, Elivelton da Silva Santos, Flávia de Oliveira
ANÁLISE SÓCIO-ESPACIAL DAS DOENÇAS RELACIONADAS AO SANEAMENTO AMBIENTAL NOS MUNICÍPIOS FLUMINENSES
A distribuição desigual da infraestrutura de saneamento nos municípios brasileiros propicia que a proliferação de determinadas doenças atinja grupos populacionais de forma diferente. Esse trabalho objetiva analisar as relações entre as condições sanitárias e a saúde ambiental no estado do Rio de Janeiro, no período de 2007 a 2014. Para isso foram utilizados indicadores de saneamento do Censo Demográfico de 2010 relacionados às condições de infraestrutura dos domicílios particulares permanentes atendidos por abastecimento de água, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Dados sobre as doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado, como a dengue e a hepatite, foram obtidos no DATASUS. Foram aplicadas técnicas de geoprocessamento, de estatística descritiva e de análise multivariada. Observou-se que a dengue apresentou número de ocorrências mais elevado em relação à hepatite, no entanto a primeira apresentou oscilação interanual dos números de casos, enquanto as ocorrências da hepatite exibiram tendência de crescimento no período estudado. A dengue e a hepatite apresentaram maior correlação com a renda média domiciliar mensal, enquanto a hepatite revelou também correlação com os domicílios particulares permanentes com fossa séptica. Por fim, conclui-se que, com os procedimentos metodológicos aqui utilizados, foi possível compreender a distribuição espacial das doenças e seu relacionamento com os indicadores sócios sanitários. Desta forma, podem auxiliar no mapeamento dos riscos e, assim, na adoção de políticas públicas de saúde.
2020
Gonçalves Arouca, Maria Clara Celia Mercedes Strauch, Julia Nunes Francisco , Cristiane
DESCRIÇÃO DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA COVID-19 NA REGIÃO SUL DO BRASIL
Objetivos: Descrever o perfil epidemiológico da COVID-19 na Região Sul do Brasil, a partir do seu primeiro caso até o dia 06 de maio de 2020, e verificar como os indicadores brasileiros estão se comportando em relação às metas da OMS para sua prevenção. Método: Estudo transversal, descritivo, retrospectivo e quantitativo. Utilizaram-se porcentagem de cura, coeficiente de detecção de novos casos diagnosticados, de prevalência, de detecção e a taxa de expansão territorial. Fez-se uso de estatística descritiva e análise comparativa entre os estados da Região Sul do Brasil. Resultados: A COVID-19 teve seu início nas capitais dos estados, expandindo-se pelas suas principais rodovias. A projeção de casos da doença foi maior em Santa Catarina (1.209 casos), Paraná (1.140 casos), e menor no Rio Grande do Sul (1.096 casos). Conclusão: Há permanente expansão de casos da COVID-19 na Região Sul, sendo fundamental a manutenção das metas de prevenção da OMS pela população.
2020
Lopes, Luis Felipe Dias Faria, Rivaldo Mauro de Lima, Mauren Pimentel Kirchhof, Raquel Soares Almeida, Damiana Machado de Moura, Gilnei Luiz de
PANDEMIA E TERRITÓRIO: RITMO DE DIFUSÃO DA COVID-19 ENTRE MUNICÍPIOS BRASILEIROS DE 25 DE FEVEREIRO A 11 DE MAIO DE 2020 DE ACORDO COM FATORES DE PROXIMIDADE SOCIAL EXTRAMUNICIPAL
Diante da gravidade da pandemia de COVID-19 e da consequente necessidade de medidas sobre o padrão de difusão territorial da doença para balizamento de tomadas de decisão, o trabalho tem o objetivo de identificar de que forma fatores de proximidade social extramunicipal condicionam o grau de exposição das populações nos diferentes municípios brasileiros ao risco de contaminação por SARS-CoV-2. Para tanto, foram analisados dados referentes a hierarquia urbano-regional, concentração populacional, volume de riqueza, integração territorial por trânsito de bens e pessoas, bem como graus de relevância de turismo, comparando-os com as notificações realizadas entre 25 de fevereiro e 11 de maio de 2020. Os indicadores selecionados, com exceção do PIB per capita, apresentam relação clara com padrões temporais de exposição à introdução do vírus na população dos municípios brasileiros. Observa-se uma lógica topológica de difusão, em que, a despeito da distância, os municípios primeiramente afetados são aqueles com os mais altos graus de proximidade social extramunicipal, sendo seguidos por aqueles em seu entorno imediato. O trabalho contribui com a discussão sobre o padrão de difusão da COVID-19 ao apontar indicadores e limiares que delimitam classes de municípios com distintos graus de exposição ao risco ao longo do tempo.
2020
Pereira, Augusto dos Santos Paula, Caroline Busatta Vaz de Noronha, Lucia de Paula , Eduardo Vedor de
BENEFÍCIOS DOS ALIMENTOS FUNCIONAIS NO CONTROLE E TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS (DM) - REVISÃO DE LITERATURA
Diabetes Mellitus (DM) is a disease caused by deficiency in the action or production of insulin in the pancreas, reaching more than 300 million people worldwide. It is believed that the cases exceed in 2035, more than 19.2 million people only in Brazil. In this context, it is known that feeding is a primary factor for the treatment of DM, and that, along with periodic medications and physical activities, will determine the control and a good quality of life for diabetic individuals. Thus, it is believed that functional foods perform metabolic actions in the body, being responsible for assisting in this control, mainly in the decrease of glucose in the bloodstream. Therefore, this study aims to evaluate the benefits of functional foods in the control and treatment of Diabetes Mellitus (DM). A literature review was developed, starting in May 2017 and finished in November 2017, using as keywords: "Diabetes", "Functional Foods" and "Treatment". The benefits of functional foods in DM control and treatment are linked to reduced glucose absorption, insulin resistance, destruction of beta cells in the pancreas, contributing directly to the maintenance of glycemia through the functional compounds found in various foods such as oats, oilseeds, probiotics, polyunsaturated fats (Omega 3) and soy. The Biologist plays a fundamental role in the research related to this subject, being a professional of prominence, being able to contribute actively to the growth of science. Keywords: Diabetes. Functional Foods. Treatment.
2021
Conceição, Isabela Silva Peres da Borges, Ana Carolina Lacerda
ANÁLISE DA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA E HUMANA NO MUNICÍPIO DE CLÁUDIO, MACRORREGIONAL DE SAÚDE OESTE DE MINAS GERAIS, BRASIL
A Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil preconizam a importância de avaliar a ocorrência de doenças negligenciadas, entre elas as Leishmanioses, em regiões consideradas indenes, pois a identificação precoce de áreas de ocorrência dessas enfermidades favorece a implementação de medidas preventivas de forma mais eficaz. Objetivo: Determinar a prevalência de leishmaniose visceral (LV) canina, a frequência de LV humana e identificar espécies de Leishmania circulantes na cidade de Cláudio, região Centro Oeste de Minas Gerais. Método: Foi realizado inquérito sorológico amostral canino na área urbana do município utilizando dois testes imunológicos (imunocromatografia rápida, ensaio imunoenzimático), e diagnóstico sorológico em humanos por três testes (imunocromatografia rápida, ensaio imunoenzimático, imunofluorescência indireta) em residentes de casas com cães parasitados e/ou onde foram capturados Lutzomyia longipalpis, inseto vetor de Leishmania infantum. Resultados: Dos 430 cães examinados, cinco foram sororreagentes nos dois testes imunológicos, com prevalência de 1,2% (IC95%: 0,4%–2,7%). Nas amostras de medula óssea, baço e linfonodos dos cães sororreagentes, foram identificadas formas amastigotas e através do diagnóstico molecular constatou a presença de L. infantum, parasito causador da leishmaniose visceral. Na pesquisa da Leishmaniose visceral humana foram avaliados 74 indivíduos, não sendo identificado nenhum com sorologia positiva. Conclusão: É muito importante a implantação de estratégias de prevenção e controle da leishmaniose visceral canina no município, evitando a propagação da parasitose entre a população canina e consequentemente a transmissão para população humana, pois essas enfermidades estão em franca expansão na região Centro Oeste de Minas Gerais, e em humanos pode levar ao óbito se não diagnosticada e tratada precocemente.
2020
Lamounier, Viviane Valadares Lopes, Valeriana Valadares Gama-Melo, Marcella Oliveira Teixeira Neto, Rafael Gonçalves Barbosa, José Ronaldo Fontes, Gilberto
ANÁLISE BIVARIADA, MULTIVARIADA E ESPACIAL DA OCORRÊNCIA DO SARS-CoV-2 NOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL
O estudo teve como objetivo realizar classificação e análise de um grupo de variáveis independentes – gênero (masculino e feminino), população residente (% da população com ≥ 65 anos), saúde (número de estabelecimentos) – associadas à variável dependente número de casos confirmados, para definição da similaridade dos municípios piauienses em relação à ocorrência do SARS-CoV-2. O estudo constitui uma pesquisa descritiva quanto a seu objetivo e empregou técnicas estatísticas para manuseio das informações referentes às variáveis elencadas, obtidas via banco de dados do IBGE e SESAPI. Os dados apontaram que no período de 18 de março a 05 de junho haviam 7.105 casos confirmados e 224 óbitos causados por SARS-CoV-2 no Piauí. A análise estatística apontou que o coeficiente de determinação se mostrou ótimo, pois apresentou valores acima de 0,9 em todos os casos, cuja variável mais fortemente correlacionada aos casos confirmados de covid-19 foi a população do sexo feminino, com coeficiente de correlação de 0,9913. A análise de agrupamentos apontou que nos clusters 1 agrupam-se municípios de pequeno porte, menor contingente populacional e menor quantitativo de estabelecimentos de saúde, enquanto nos clusters 5 ficou apenas o município de Teresina, capital do estado, que apresenta maior contingente populacional e número de estabelecimentos de saúde total.
2020
dos Santos, Francílio de Amorim Silveira Mendes, Lúcia Maria
VULNERABILIDADE E INCIDÊNCIA DA COVID-19 NO NORDESTE DO BRASIL ATRAVÉS DA ANÁLISE DE CLUSTER
A COVID-19 tornou-se uma epidemia em proporção global. A maior susceptibilidade de disseminação da doença e da mortalidade relaciona-se a fatores sociodemográficos e a morbidades crônicas subjacentes. A doença tem apresentado grande impacto social e econômico, afetando diretamente à saúde das pessoas e, consequentemente, o mundo do trabalho. Objetivou-se criar perfis de vulnerabilidade demográfica e de morbidade à incidência da COVID-19 para os municípios do Nordeste do Brasil (NEB). Os dados são do IBGE e do Ministério da saúde, e as variáveis são: densidade demográfica, taxa de urbanização, percentual de idosos acima de 60 anos e internações hospitalares de 2015 a 2019 – Tuberculose, AIDS, Diabetes, Obesidade e Asma. Utilizou-se a análise de cluster, com objetivo de identificar padrões de similaridade entre os municípios do NEB. A vulnerabilidade é apresentada em quatro clusters: baixa, moderada, alta e crítica. Observou-se uma heterogeneidade na distribuição dos clusters com alta e crítica vulnerabilidades nas capitais, exceto Aracaju (SE). A maioria dos municípios polos de cada estado apresentou vulnerabilidade moderada. A “vulnerabilidade crítica” apresentou alta densidade demográfica, alta taxa de urbanização, alto percentual de idosos acima de 60 anos e alto número de internações de pessoas com asma, obesidades, AIDS, tuberculose e diabetes. A “vulnerabilidade baixa” foi constituída, em sua maioria, por municípios com baixa densidade demográfica, baixa urbanização e baixo número de internações correspondentes às doenças selecionadas, sendo o percentual de idosos acima de 60 anos o segundo maior. Os resultados poderão contribuir para refletir sobre políticas públicas de combate a surtos e de proteção social.
2020
Souza, Marcelo Luis de Amorim Marques, Thiago Valentim Amorim, Maria Marla Paiva de
O EMPRESARIAMENTO ESTATAL, A LÓGICA NEOLIBERAL E O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: OS DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS PARA A GARANTIA DO DIREITO UNIVERSAL À SAÚDE NO BRASIL
O Sistema Único de Saúde (SUS) pode ser considerado um símbolo da luta pela concretização da universalização do direito à saúde, pensando no conjunto da população brasileira. Ainda assim, sua instituição, concomitante à redemocratização e à concretização dos marcos constitucionais de 1988, não significou, necessariamente, o arrefecimento da disputa pela efetivação de um modelo de saúde pública centrada nas necessidades da população. A evolução da racionalidade neoliberal como o centro do pensamento econômico do final do século XX incorporou a consolidação do SUS, uma série de desafios. Pensando nesse contexto, o objetivo deste estudo é buscar, por meio de pontes interdisciplinares construídas entre a Geografia e as ciências da saúde, a compreensão de alguns desses desafios que são lançados ao sistema público de saúde, especialmente ao considerarmos que, entre o período de sua concepção e a efetiva implantação, o Estado brasileiro foi cortado pela lógica neoliberal de administração, gerando impactos em sua organização, gestão e força de trabalho.
2020
Borges, Rodrigo dos Santos Müller, Viviane Gonçalves Jansen
THE RISK OF DYING OF SUICIDE IN BRAZIL: A STUDY CARRIED OUT ACCORDING TO SEX, AGE AND INDIGENOUS ETHNICTIY
Aims: to identify the causes of suicide in the Brazilian municipalities, pointing out biological sex, age and indigenous ethnicity. Methodolgy: it was an ecological study through gathering of data, according to SUS Informatics Department to obtain a number of events related to the willingly occasionated damage and the residing population in the variables of sex, age group between 10 and 29 years old and elderly, and indigenous ethnicity according to the Brazilian municipality, in the period between 2003 and 2012. The Standardized Mortality Ratio (SMR) was used to identify municipalities where the intensity of death by suicide is more significant, compared to all the Brazilian territory. Results: it was observed that in all the analyzed focused data there is a predominancy in the states of Mato Grosso do Sul (MS) and Rio Grande do Sul (RS), with emphasis on suicide among the elderly in RS and of indigenous in MS. Conclusion: this study could find the distribution of the events, which matters significantly to the public health, subsidizing the formulation of hypothesis so that the phenomenon is analyzed in an appropriated way in Brazil, discussing some social and political aggravating prevention factors which are linked to suicide.
2020
Bucci, Maria Elisa Diniz Silva, Luiz Felipe Barbosa, Gabryell Tavares de Araújo, Camila de Fátima Neves de Souza, Ana Caroline Santos, José Bento Souza Vasconcellos dos
GEOGRAFIA A SERVIÇO DA EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA
Editorial
2020
Guimarães, Raul Borges Catão, Rafael de Castro Nossa, Paulo Nuno
AUTISM: FROM RECOGNITION TO MOBILITY THROUGH THE TERRITORY
Autism is still a major puzzle for families, doctors and researchers. Although research on the subject has been since the 1940s, studies on its origin and treatment are inconclusive. The aim of this article was to unite the experience of father and geographic knowledge to question the insertion of autistic people in the territory and at the same time provoke the discovery of new paths for this insertion. This article is methodologically supported in the observation of my son, throughout his nine years of age, data analysis and bibliographic research, producing a bridge between Geography and some studies on Autism Spectrum Disorder - ASD. Even with all efforts, through the issue of laws, governments at all scales have not yet been able to offer the families of autistic people a fair insertion in the territory. It is necessary that the public and private entities that build and are part of the country's infrastructure reduce bureaucracy to provide the mobility of autistic people through the territory.
2021
Cerqueira-Neto, Sebastião Pinheiro Gonçalves Silva, Leonardo Thompson da Mendes, Ricardo Rodrigues Cunha, Ricardo Almeida Oliveira, Jeorge Luís Martins de