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Os sete pecados capitais e os processos de culpabilização em manuais de devoção do século XVIII
Neste artigo, analisamos o manual de devoção Mestre da vida que ensina a viver e morrer santamente, escrito pelo dominicano português João Franco, em 1731, a partir das representações dos pecados capitais que apresenta, das recomendações que faz para combatê-los e dos "remédios" que propõe para a salvação das almas. A análise considera, ainda, as estratégias discursivas empregadas pelo célebre pregador para promover a interiorização da culpa e o arrependimento nos leitores católicos. Com o intuito de evidenciar a circulação e a difusão de percepções sobre pecado e culpa e, sobretudo, sobre a salvação das almas na primeira metade do século XVIII, as orientações divulgadas no Mestre da vida são cotejadas com as imagens sobre as penas que os pecadores sofreriam no inferno, que ilustram a obra Desengano dos pecadores, escrita em 1724, pelo padre jesuíta Alexandre Perier.
2022-12-06T14:11:41Z
Fleck,Eliane Cristina Deckmann Dillmann,Mauro
Grupos intermédios em Portugal (1600-1850): uma aproximação ao vocabulário social
O presente estudo pretende contribuir para lançar a discussão em torno daquilo que, no período moderno, se entendia por camadas intermédias. Para conhecer as visões sociais no período de referência (1600-1850) foram usadas fontes heterogêneas. O objetivo central é sublinhar, por um lado, a multiplicidade dos esquemas de representação social e a coexistência de taxinomias e, por outro, provar que, apesar de estranhas ao discurso legal e ao enquadramento normativo, a noção de mediania e as visões da sociedade que a incluem estão difundidas em Portugal no período em análise.
2022-12-06T14:11:41Z
Durães,Andreia
"Meninos eu vi": Jota Efegê e a história da música popular
A recente produção do conhecimento histórico em torno da música popular no Brasil é tributária de uma geração de memorialistas, cronistas e jornalistas cujas obras começaram a aparecer nas décadas de 1960-1970. Esse conjunto permaneceu até o final do século XX como o principal acervo da memória e da história da música popular. O jornalista e cronista carioca Jota Efegê (1902-1997) foi um dos protagonistas desse processo. Sua trajetória de vida foi importante na constituição de certa memória e algumas de suas obras ocuparam lugar de destaque na produção de uma historiografia da música popular. Este artigo tem como objetivo examinar de modo crítico aspectos deste conjunto para compreender melhor o papel de Jota Efegê na construção de uma narrativa historiográfica que se estabilizou e se "naturalizou" com o tempo como a "história da música popular brasileira".
2022-12-06T14:11:41Z
Moraes,José Geraldo Vinci de
Registros privados de uma vida pública: o diário íntimo de Altino Arantes
O artigo tem por objetivo apresentar as possibilidades de pesquisa contidas no diário íntimo de Altino Arantes, governador do Estado de São Paulo (1916-1920). Trata-se de uma fonte praticamente inédita guardada no Arquivo do Estado de São Paulo, que nessa análise contempla os conflitos da oligarquia paulista no alvorecer da República.
2022-12-06T14:11:41Z
Pereira,Robson Mendonça Magalhães,Sonia Maria de
"Monarquia mais dilatada que se viu no mundo": considerações sobre dimensão de domínios e imaginação política em frontispícios no império espanhol
Segundo o autor seiscentista Sebastian Covarrubias Orozco, o ato de representar era fazer presente alguma coisa usando palavras ou figuras. Tal processo, afirma, era essencial para fixar algo na imaginação. Partindo da análise de gravuras em frontispícios e outras imagens, este artigo traça considerações acerca da relação entre imaginação política e dimensão do domínio espanhol. O debate sobre representação figurativa contribui para o entendimento da cultura política na Época Moderna ao propor reflexão sobre as relações entre os espaços constituintes de um império ultramarino.
2022-12-06T14:11:41Z
Souza,Jorge Victor de Araújo
O trabalho perante a lei: os mineiros de carvão na Justiça do Trabalho em São Jerônimo, RS (1946-1954)
O artigo apresenta uma análise de 5.708 processos trabalhistas envolvendo mineiros de carvão do Rio Grande do Sul entre 1946 e 1954, nos primeiros anos após a implantação de uma Junta de Conciliação e Julgamento no município de São Jerônimo, polo produtor do minério na época. São analisados a iniciativa das ações, seus resultados, bem como as principais demandas dos operários no Judiciário trabalhista. O estudo revela uma superioridade numérica das reclamatórias propostas pelas empresas mineradoras contra os trabalhadores, bem como dos resultados favoráveis a elas, enquanto os acordos são os resultados mais significativos dos processos movidos pelos operários. Quase a metade das ações de iniciativa dos trabalhadores reivindica o pagamento do descanso semanal remunerado, o que indica que a lei que criava esse direito, de 1949, não era cumprida.
2022-12-06T14:11:41Z
Speranza,Clarice Gontarski
O pecado do historiador: para uma leitura d'A Feiticeira, de Jules Michelet
Desde sua publicação, em 1862, a recepção de A Feiticeira foi marcada pela perplexidade diante da maneira como seu autor, Jules Michelet, integrou o mito à narrativa histórica. Esse procedimento, que inspirou uma fortuna crítica disposta a ler tal obra mais sob a ótica literária do que como trabalho de história, tende a distorcer os objetivos e propósitos visados pelo historiador. Este artigo visa apresentar uma interpretação para as heterodoxias narrativas de Michelet como o resultado de uma reflexão eminentemente historiográfica. Para isso, sustento que a compreensão do papel central do mito, tal como mobilizado em A Feiticeira, apoia-se na constituição de um "método histórico", cujo estabelecimento e fundamentação são diretamente derivados da leitura e da tradução que Michelet propôs para a obra do filósofo napolitano Giambattista Vico, em particular, a Ciência nova.
2022-12-06T14:11:41Z
Teixeira,Maria Juliana Gambogi
Corpus shakespeariano e reformas religiosas inglesas: um estudo de caso - O mercador de Veneza
Os estudos pós-revisionistas sobre reformas religiosas inglesas têm focado as novas possibilidades de interpretação dos loci sociais, culturais e políticos de negociação da matéria religiosa na literatura e história da Inglaterra Reformada, evitando abordagens polarizadas whiggistas e revisionistas a respeito da história literária das reformas inglesas. Nesse sentido, este artigo aborda a materialidade textual do in-quarto de 1600 (Q1) de O mercador de Veneza como um evento que localiza negociações e expectativas culturais e políticas a respeito da conformação à religião oficial na Inglaterra elisabetana. Este artigo analisa especificamente a presença dos recursos retóricos no Q1 que figuram as ameaças 'puritanas' e 'papistas' à realeza sagrada, incluindo o estudo do uso dos temas da iconoclastia do mérito, da melancolia, da amiticia e da caritas na caracterização dos personagens principais.
2022-12-06T14:11:41Z
Vianna,Alexander Martins
"Você é um ambientalista ou trabalha para se sustentar?": trabalho e natureza
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2022-12-06T14:11:41Z
White,Richard
A dupla face da liberdade: o liberto na sociedade romana
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2022-12-06T14:11:41Z
Joly,Fábio Duarte
O renascimento sobre o cadafalso
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2022-12-06T14:11:41Z
Júnior,Luiz César de Sá
O Canadá visto de cá
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2022-12-06T14:11:41Z
Martinez,Paulo Henrique
O avesso das negativas
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2022-12-06T14:11:41Z
Rodrigues,Lidiane S.
Em meio à neblina: considerações sobre uma mentalidade burguesa
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2022-12-06T14:11:41Z
Freitas,Renata Dal Sasso
Quando plagiar é escrever a história: Alphonse de Beauchamp entre a historiografia antiga e moderna
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2022-12-06T14:11:41Z
Varella,Flávia
Lembranças do golpe - 1964
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2022-12-06T14:11:41Z
Araujo,Maria Paula Nascimento
Jihad na África Ocidental durante a "Era das Revoluções": em direção a um diálogo com Eric Hobsbawm e Eugene Genovese
Este artigo trata das relações entre movimentos sociais e políticos ocorridos na África Ocidental em fins do século XVIII e início do século XIX, em especial o jihad sudanês, e os processos de transformação global do Ocidente nesse mesmo período. Abre-se um diálogo com os trabalhos de Erick Hobsbawm e Eugene Genovese, analisando criticamente suas abordagens sobre a influência das sociedades do oeste africano nos eventos que têm lugar no mundo atlântico durante a chamada "era das revoluções". O artigo discute, ainda, a perspectiva a partir da qual vêm sendo estudadas as rebeliões escravas nas Américas, que pouco considera o contexto africano e ressalta apenas as influências das mudanças revolucionárias na Europa Ocidental. Nesse sentido, também questiona a historiografia que analisa o surgimento do "Atlântico Negro", a qual não atribui a devida importância aos determinantes originados no interior da África, fundamentais nesse processo.
2022-12-06T14:11:41Z
Lovejoy,Paul E.
Há duzentos anos: a revolta escrava de 1814 na Bahia
As rebeliões escravas que ocorreram na Bahia na primeira metade do século XIX tiveram significativa participação de africanos escravizados trazidos do Sudão Central, região que desde o começo do Oitocentos se tornara cenário de conflitos políticos de base religiosa, iniciados com o jihad de 1804 liderado por Usuman dan Fodio. Milhares de vítimas dessas guerras abasteceram embarcações negreiras que deixavam a Costa da Mina com destino à Bahia. Foram africanos trazidos dessa região, sobretudo haussás adeptos de vários tipos de devoção islâmica, os protagonistas de diversas conspirações e revoltas entre 1807 e 1816, a mais séria das quais aconteceu em fevereiro de 1814, e envolveu escravos de Salvador e subúrbios litorâneos. Esta revolta é aqui analisada com base no acórdão de sentença dos réus e outros documentos. O artigo discute o papel da religião (Islã), da identidade étnica (haussá) e de outras experiências africanas em ambos os lados do Atlântico, quanto a liderança, organização, mobilização, táticas e objetivos da revolta.
2022-12-06T14:11:41Z
Reis,João José
Baleias e ecologistas na Paraíba: uma história do fortalecimento do movimento ambientalista e o debate sobre a crise da economia baleeira (1970-1980)
A atividade baleeira perdurou por quase quatro séculos no Brasil (1603-1987), tendo sido encerrada no país depois de 384 anos de vigência. O governo José Sarney (1985-1990), pressionado por organismos de proteção ambiental e pela opinião pública, proibiu definitivamente a caça por meio da Lei Federal no 7.643, em dezembro de 1987. A lei motivou questionamentos e debates em nível local e nacional em razão de eventuais prejuízos que o fim da atividade baleeira traria para a economia do município de Lucena e para o estado da Paraíba. Este artigo deseja lançar interrogações sobre a crise da atividade baleeira no Brasil, analisando os debates que ocorreram entre biólogos, políticos, ambientalistas e trabalhadores da indústria baleeira localizada no município de Lucena. Para tanto, recorrerá tanto à bibliografia disponível sobre o tema quanto aos jornais do período, principalmente os jornais paraibanos publicados na década de 1980.
2022-12-06T14:11:41Z
Duarte Filho,Francisco Henrique Aguiar,José Otávio
"E o conhecimento da viveza (...) o habilitou para aquele lugar": Duarte Ribeiro de Machado de secretário de embaixada a enviado extraordinário na restauração portuguesa
Neste artigo, analisamos a trajetória de Duarte Ribeiro de Macedo (1610-1680) que, inicialmente, assumiu a função de secretário de embaixada para, posteriormente, chefiar uma missão em Paris como embaixador extraordinário. Os relatos por ele redigidos e emitidos para a Coroa portuguesa revelam um outro lado da vida diplomática daquele período. As dificuldades financeiras enfrentadas por Duarte Ribeiro de Macedo na sua manutenção na corte parisiense foram frequentemente motivos de queixa junto ao rei. Além disso, o embaixador revelou-se como um atento observador do modus vivendi da Corte francesa. Estar numa corte estrangeira exigiu muito dos representantes diplomáticos portugueses que, mesmo na impossibilidade de se manterem no estrangeiro, sempre tiveram a preocupação de representar a Coroa portuguesa de maneira honrada. Percebe-se que a estadia nas cortes europeias demandava não somente conhecimento político, mas também habilidade para circular nas mais diferentes cortes e conviver com hábitos sociais e culturais bastante distintos.
2022-12-06T14:11:41Z
Pereira,Ana Luiza de Castro