RCAAP Repository

Museus, ciência e tecnologia

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Year

2011

Creators

Melo,Diogo Jorge de Ferreira,Luzia Gomes

Plantas da medicina popular de São Luís, Brasil

O saber medicinal tradicional é essencial para resolver problemas de saúde e para mitigar dores, nos países da América Latina. Há mais de uma década, o Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), em Portugal, vem pesquisando espécies vegetais usadas por cidadãos de baixa renda, assim como por adeptos da fitoterapia. Em 2010, extraiu-se uma amostra na cidade de São Luís, no Brasil. O principal objetivo do trabalho de campo era o de estabelecer comparações entre os gêneros usados pelos informantes brasileiros, assim como entre os povos latino-americanos, sob a hipótese de que a sua localização geográfica e a história da colonização explicavam aplicações terapêuticas similares. Os resultados obtidos confirmaram que as espécies nativas da América dominam as preferências, para vasta gama de enfermidades crônicas e problemas de saúde.

Látex de amapá (Parahancornia fasciculata (Poir) Benoist, Apocynaceae): remédio e renda na floresta e na cidade

O estudo abordou a cadeia de produção e de comercialização e os aspectos do consumo do látex medicinal de amapá amargoso (Parahancornia fasciculata) em Belém e Ponta de Pedras, no Pará. Nosso objetivo foi investigar diversos aspectos do manejo e uso desse produto, revelando a sua importância na vida de seus produtores e consumidores. Foram utilizados a abordagem da 'cadeia de produção ao consumo' e métodos qualitativos e quantitativos de pesquisa, incluindo pesquisa de mercado, entrevistas com extrativistas, comerciantes e consumidores, oficinas, turnês guiadas e inventário florestal. Os oito mil litros de látex de amapá comercializados anualmente na região de Belém beneficiam, principalmente, consumidores de baixa renda, que têm tradição secular do uso desse látex. A renda obtida com esse produto representa 42% da renda total dos extrativistas com produtos florestais não madeireiros. A grande abundância da espécie e a distribuição diamétrica das árvores indicam possibilidade de regeneração natural. A melhoria na técnica de extração do látex realizada por alguns extrativistas revela que eles têm conhecimento da anatomia da árvore. A tradição de uso e manejo do látex e as características ecológicas da espécie sugerem grande potencial para programas de produção sustentável.

Year

2011

Creators

Silva,Murilo da Serra Fantini,Alfredo Celso Shanley,Patricia

Caracterização da atividade pesqueira em Vila do Conde (Barcarena, Pará), no estuário amazônico

A região de Vila do Conde é um importante pólo industrial no sul da baía de Marajó. Apesar da importância da pesca e da vulnerabilidade da região em relação ao impacto ambiental, não há nenhum estudo aprofundado sobre a pesca e a ictiofauna na área. Com o objetivo de descrever a atividade pesqueira na região, desembarques pesqueiros foram acompanhados na praia do Conde, de dezembro de 2005 a novembro de 2006. O índice de abundância relativa, captura por unidade de esforço (CPUE em kg/viagem), foi utilizado para identificar períodos, espécies e frotas mais relevantes da atividade pesqueira. Foram cadastradas 43 embarcações pesqueiras, sendo dominantes os barcos de pequeno porte. A principal arte de captura utilizada pela frota foi o espinhel. As principais espécies comerciais identificadas foram Brachyplatystoma rousseauxii (dourada), Plagioscion squamosissimus (pescada-branca), Pellona flavipinnis e P. castelnaeana (sarda) e B. filamentosum (filhote). As embarcações capturaram, em média, 19 kg/viagem. A produtividade entre as motorizadas foi superior ao registrado pelas não motorizadas. Foram observados dois picos de produção, em janeiro e em setembro/outubro. A receita bruta oriunda da comercialização do pescado ultrapassou os R$ 100.000,00, sendo os barcos de pequeno porte responsáveis por 36% da captura total.

Year

2011

Creators

Paz,Alexsandra Câmara Frédou,Flavia Lucena Frédou,Thierry

Falência é fracasso? O caso da Associação dos Produtores Alternativos de Ouro Preto do Oeste, Rondônia, Brasil

O artigo examina a falência da Associação dos Produtores Alternativos (APA) de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia, buscando identificar elementos estruturantes e explicativos das relações entre atores locais e evidenciando seus próprios quadros interpretativos. A partir de um breve histórico da implantação do Projeto Integrado de Colonização (PIC) Ouro Preto do Oeste, são destacadas a origem social dos colonos, sua cultura política e o tipo de capital social construído nos assentamentos. Por outro lado, apresenta-se a lógica das instituições envolvidas no desenvolvimento desse projeto. As relações entre os diversos atores institucionais são apresentadas como uma rede multiconectada, unindo os níveis local, regional, nacional e internacional. A análise mostra o descompasso entre a visão econômica das instituições de apoio, voltadas para a produção, e as aspirações dos produtores da APA. Ao final, concluímos que a falência pode estar associada a dois fatores interligados: a 'desconfiança' dos produtores da APA em relação aos órgãos de apoio à agricultura familiar (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e a ausência dos governos estadual e municipal no grupo de atores do sistema de redes multiconectadas, no qual poderiam ter desempenhado um papel de mediadores entre aquelas diferentes aspirações. Finalmente, a questão colocada relativiza a noção de 'fracasso' associada à falência.

Year

2011

Creators

Kohler,Florent Issberner,Liz Rejane Léna,Philippe Marchand,Guillaume

O sítio Jabuti, em Bragança, Pará, no cenário arqueológico do litoral amazônico

Quarenta anos após a conclusão do Projeto Salgado, no nordeste paraense, arqueólogos retomam pesquisas na região, investigando questões relacionadas a ocupações humanas pré-coloniais do litoral. São apresentados os primeiros resultados da pesquisa no sítio arqueológico Jabuti, localizado no município de Bragança (PA), na Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperuçu. Trata-se de um sítio cerâmico, a céu aberto, do tipo habitação, com manchas de terra preta arqueológica. O material coletado constitui-se, principalmente, de fragmentos de cerâmica, alguns líticos lascados e corantes. A datação única C14 obtida indica que o sítio foi ocupado há pelo menos 2.900 anos BP. Interessante notar que, segundo esta datação, a ocupação ocorreu no segundo momento do modelo estabelecido por Pedro Walfir Martins Souza Filho e colaboradores, em artigo publicado em 2009, sobre a evolução geológica da zona bragantina do litoral do Salgado, ou seja, o sítio estava situado na maior ilha de terra, próximo ao continente. As características observadas no material cerâmico desse sítio remetem à tradição cerâmica Mina. Inicialmente, duas hipóteses são levantadas: 1) a ocorrência de cerâmica Mina neste tipo de sítio arqueológico pode indicar alguma forma de contato entre grupos sambaquieiros e outros grupos ceramistas; ou, ainda, 2) uma mudança na economia e no modo de vida dos grupos sambaquieiros em direção ao cultivo.

Year

2011

Creators

Silveira,Maura Imazio da Oliveira,Elisangela Regina de Kern,Dirse Clara Costa,Marcondes Lima da Rodrigues,Suyanne Flávia Santos

O filósofo e o poeta

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Três vezes Benedito

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Benedito Nunes e reflexões sobre a Amazônia

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Year

2011

Creators

Guimarães,Maria Stella Faciola Pessôa Castro,Edna Maria Ramos de

Cultura material e patrimônio da ciência e tecnologia

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Year

2011

Creators

Melo,Diogo Jorge de Cavulla,Rondelly Soares

Carta do editor

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Memória social da Guerrilha do Araguaia e da guerra que veio depois

A Guerrilha do Araguaia teve lugar nas regiões sudeste do Pará e norte do então estado de Goiás (atual Tocantins), também abrangendo terras do Maranhão, na área conhecida como 'Bico do Papagaio'. Ocorreu entre meados dos anos 1960, quando os primeiros militantes do Partido Comunista do Brasil chegaram à região, e 1974, quando os últimos guerrilheiros foram caçados e abatidos por militares, treinados para combater a guerrilha e determinados a não fazer prisioneiros. Execuções, eliminação de vestígios e tortura estão nos relatos colhidos, assim como na literatura existente sobre a guerrilha. As prováveis operações de 'limpeza' teriam sido realizadas de diversas maneiras, a confiar nos relatos colhidos pela ouvidoria do Grupo de Trabalho Tocantins, criado pelo Ministério da Defesa para cumprir sentença da Justiça Federal. Além de reaver a memória sobre a guerrilha, a partir de narrativas de quem viveu a experiência, é importante jogar luz sobre o que popularmente se conhece como a 'segunda guerra'. Na região, os governos da Ditadura Militar (1964-1985) montaram um intenso sistema de repressão e controle político, e um modelo de ocupação pela pecuária que devastou as florestas, de forma que, quando falamos da guerrilha, precisamos também falar da guerra que veio depois.

Clevelândia, Oiapoque: cartografias e heterotopias na década de 1920

Apesar da área de fronteira do rio Oiapoque, no Amapá, ter sido integrada à soberania brasileira no ano de 1900, a efetiva colonização brasileira daquela área limítrofe somente ocorreu na década de 1920. A estratégia do governo federal foi implantar uma colônia agrícola projetada: Clevelândia. Essa colônia agrícola transformou-se em uma colônia penal entre 1924 e 1927, o que fez com que seu experimento fracassasse. O povoamento dirigiu-se, então, à antiga vila vizinha de Martinica, uma comunidade de negros e ribeirinhos, chamada depois de Oiapoque. Este artigo apresenta as relações humanas e sociais estabelecidas nesses lugares em três tempos distintos: o da colônia agrícola, o da colônia penal e o da nova comunidade. As fontes documentais existentes foram usadas para refazer mapas datados desses lugares. A partir dessa 'cartografia', pretende-se compreender como se criaram relações entre os indivíduos que, por razões diversas, transitaram nesse espaço naquele período. Apesar de haver uma hierarquização oficial do espaço, a prática vivida pelos indivíduos o reinventou, criando relações sociais não pensadas pelos modos dominantes do poder, as 'heterotopias'.

Da certificação para as concessões florestais: organizações não governamentais, empresas e a construção de um novo quadro institucional para o desenvolvimento da exploração florestal na Amazônia brasileira

O artigo discute o processo de construção da certificação florestal na Amazônia brasileira, destacando sua importância para a construção de um novo quadro de suporte à produção madeireira nessa região. Nele, sustentamos que um dos principais resultados da promoção da certificação florestal do Forest Stewardship Council (FSC) na Amazônia foi a constituição de uma aliança entre representantes de organizações não governamentais, ecologistas, segmentos do empresariado florestal e membros da burocracia estatal para a promoção da exploração madeireira baseada no manejo florestal. Nessa perspectiva, os resultados produzidos pela certificação devem ser compreendidos como parte de um processo de promoção das políticas de acesso ao recurso florestal, como são os casos da aprovação da Lei de Gestão das Florestas Públicas e da criação de organizações estatais destinadas ao fomento da produção madeireira na Amazônia.