RCAAP Repository
Repensando a historicidade discursiva no exame das trajetórias políticas de dois líderes nacionalistas da Colômbia
O trabalho parte do exame de textos literários e biográficos que evocam aspectos das trajetórias do general Rafael Uribe Uribe (1859-1914) e do líder político Jorge Eliecer Gaitán (1898-1948). Gabriel García Márquez (1928-) se inspirou em Uribe para a criação do protagonista do romance "Cem Anos de Solidão". Márquez iniciou sua carreira de escritor em 1948, ano da morte de Gaitán. O assassinato desse líder resultou na chamada 'Violência', catalisada com a impossibilidade, no campo político colombiano, de transformação social de 'baixo para cima', proposta por Gaitán. É interessante considerar, na historicidade de mitos e práticas da cultura política colombiana, as circunstâncias singulares dos assassinatos desses dois líderes.
2010
Faulhaber,Priscila
Heloisa Alberto Torres e o inquérito nacional sobre ciências naturais e antropológicas, 1946
O objetivo do trabalho é analisar um documento elaborado pela então diretora do Museu Nacional do Rio de Janeiro, Heloisa Alberto Torres (1895-1977), que propôs fazer um estudo sobre o estado das ciências naturais e da antropologia com a finalidade de reestruturar a pesquisa científica em função do desenvolvimento econômico, político e social do Brasil. O documento foi enviado ao reitor da Universidade do Brasil, Pedro Calmon (1902-1985), em 1946, ao fim do Estado Novo e da Segunda Guerra Mundial, quando a diretora foi reempossada no cargo que exercia desde 1938. De acordo com o documento, o papel político das ciências naturais e da antropologia deveria ser exercido nos marcos teóricos da Ecologia, que se chocavam, no entanto, com as demandas políticas de exploração desmedida dos recursos naturais. As ideias da diretora do Museu Nacional acabaram por se limitar a projetos institucionais, levados a efeito pela política internacional de cooperação científica, que facilitou a circulação dos cientistas e beneficiou a pesquisa com financiamento interno e externo.
2010
Domingues,Heloisa Maria Bertol
A Amazônia indígena de George Catlin: imagens e relatos de viagem desconhecidos
Este artigo apresenta e discute, pela primeira vez com vistas à etnologia e à etno-história do Brasil, as narrativas de viagem e os trabalhos do pintor norte-americano George Catlin (1796-1872) na Amazônia, em 1852, e a contribuição de suas memórias e pinturas para o conhecimento de grupos indígenas da época. Catlin ficara famoso, nos Estados Unidos, pelas centenas de retratos e imagens de aldeias indígenas do seu país, mas as suas viagens e trabalhos na América do Sul nunca receberam a mesma atenção; nos estudos brasileiros sobre artistas e naturalistas viajantes do século XIX ele não é sequer mencionado. Além da tradução de trechos relevantes das suas memórias de viagem, algumas de suas muitas pinturas de índios e paisagens amazônicas são aqui reproduzidas.
2010
Porro,Antonio
Passagens do livro "Itinerário para Párocos de Índios", de Peña Montenegro (1668), em um confessionário jesuítico setecentista da Amazônia
A proposta do artigo é transcrever e analisar um trecho final de um confessionário manuscrito anônimo em circulação em missões do Pará em 1751. O confessionário foi escrito em tupi, mas a conclusão do documento está em português. O missionário se dirige a outros confessores relatando as dificuldades encontradas na confissão dos índios e propondo soluções para salvar a consciência dos religiosos. A influência intelectual do autor do confessionário foi o livro do arcebispo de Quito, Alonso de la Peña Montenegro, autor de "Itinerário para Párocos de Índios", publicado em 1668. O manuscrito pertence ao acervo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. A transcrição está acompanhada de notas com remissões ao livro do arcebispo de Quito.
2010
Barros,Maria Cândida Drumond Mendes Fonseca,Vitor Manoel Marques da
Desenvolvimento, políticas sociais e acesso à Justiça para os povos indígenas americanos
No summary/description provided
2010
Silva,Nathália Thaís Cosmo da Doula,Sheila Maria
A construção da identidade nacional (1920 e 1940): entre práticas e projetos
No summary/description provided
2010
Heizer,Alda
Cultura material: a dimensão concreta das relações sociais
Ao investigar a emergência, a manutenção e a transformação de sistemas socioculturais, a arqueologia trabalha basicamente com três dimensões fortemente interrelacionadas: espaço, tempo e forma. A última é a que vem sendo alvo da maior diversidade de olhares ao longo da construção da arqueologia como um campo disciplinar. Neste artigo, são apresentadas as concepções sobre a natureza da cultura material desenvolvidas pelas diferentes vertentes do pensamento arqueológico. Entendida equivocadamente até a década de 1980 como uma dimensão não problemática, um reflexo passivo do comportamento humano, vem sendo demonstrado, desde então, seu caráter ativo e transformador nas estratégias de negociação social, o que faz dela a dimensão concreta das relações no interior da sociedade.
2011
Lima,Tania Andrade
Armas, beleza, computadores: a cultura material em algumas observações introdutórias
A partir de dois artefatos e um conceito bastante associado a artefatos, o artigo busca apresentar a disciplina 'cultura material'. A discussão é estruturada a partir do ponto de vista de alguns autores. Após uma contextualização histórica, a cultura material é apresentada não apenas como o conjunto de coisas e contextos materiais de que se serve o homem na sua vida social, mas, principalmente, como a dimensão marcada pela expansão das capacidades do corpo e da mente para as sociedades. O uso do termo 'cultura' ao longo do texto pressupõe a mediação de significados e valores. São apresentados os conceitos básicos que, na perspectiva do texto, permitem melhor compreensão da disciplina: sentido, corporalidade e analogia, como estruturadores da discussão e da abordagem científica do tema.
2011
Bittencourt,José Neves
Os próximos passos... aperfeiçoar a prospecção arqueológica e abrir a caixa do passado
O artigo trata das características do patrimônio arqueológico brasileiro e põe em foco a sua monumentalidade, grandiosidade, magnificência, além de seu aspecto extraordinário, com vistas a auxiliar na sua preservação. Discute, ainda, a pertinência de se estabelecer uma agenda especialmente voltada para os sítios de baixa visibilidade arqueológica, para que a disciplina construa interpretações que contemplem a diversidade de assentamentos e testemunhos de diferentes segmentos sociais.
2011
Oliveira,Maria Dulce Barcellos Gaspar de
"As moedas dos índios": um estudo de caso sobre os significados do patrimônio arqueológico para os moradores da Vila de Joanes, ilha de Marajó, Brasil
O artigo apresenta os resultados iniciais do projeto de Arqueologia Pública conduzido pela autora em Joanes - uma pequena vila de pescadores na ilha de Marajó, estado do Pará, Brasil -, considerando as ruínas de um sítio histórico (PA-JO-46) associado a uma missão religiosa instalada na vila por volta da segunda metade do século XVII. As reflexões sobre as percepções das comunidades locais acerca do sítio sublinham o entendimento da lógica subjacente ao ato de colecionar artefatos - prática local comum - e à formação de pequenas 'coleções domésticas'. Meu argumento é de que o colecionamento, nesses contextos, não pode ser classificado como ato de destruição, mas como uma forma singular de fruição do passado e do patrimônio. Acredito que essa discussão contribua para a compreensão das relações entre comunidades de pequena escala e o patrimônio arqueológico na Amazônia.
2011
Bezerra,Marcia
Para além dos cacos: a Arqueologia Histórica a partir de três superartefatos (estudo de caso de três igrejas jesuíticas)
O artigo traça um modelo de ocupação jesuítica portuguesa no litoral brasileiro, a partir dos resultados de três projetos de pesquisa em igrejas (Nossa Senhora da Assunção, em Anchieta, Espírito Santo; Reis Magos, em Serra, Espírito Santo; e São Lourenço dos Índios, em Niterói, Rio de Janeiro). Em sua análise, parte da ideia de que as edificações - estejam elas íntegras ou nos variados estágios possíveis de arruinamento - devem ser entendidas como artefatos (ou superartefatos), construídos pelo homem tanto quanto a cultura material móvel fragmentada. Considera esses superartefatos como inseridos num dado tempo e espaço, estando, portanto, carregados de valores e simbolismos. São, nesta medida, produtos e produtores de relações sociais, relações estas que devem ser desveladas e compreendidas, enriquecendo os resultados da pesquisa e da história do bem, sob uma ótica necessariamente interdisciplinar. A partir dessa abordagem, o texto apresenta uma análise da espacialidade dessas igrejas, relacionando-a com as mudanças ocorridas na liturgia religiosa e com as intencionalidades presentes no projeto jesuítico.
2011
Najjar,Rosana
Origem e dispersão dos Tupiguarani: o que diz a morfologia craniana?
A origem e a dispersão dos povos Tupiguarani têm sido intensamente debatidas entre arqueólogos e linguistas nas últimas cinco décadas. Em resumo, pode-se dizer que a ideia de que esses povos, que ocuparam grande parte do território brasileiro e parte da Bolívia, do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, tiveram sua etnogênese na Amazônia e dali partiram para o leste e para o sul, por volta de 2.500 anos antes do presente, é bastante aceita entre os especialistas, embora uma dispersão no sentido oposto, isto é, do sul para o norte, com origem na bacia do Tietê-Paraná, não seja completamente descartada. Entre os arqueólogos que consideram a Amazônia como berço desses povos, alguns acreditam que esse surgimento se deu na Amazônia central. Outros acreditam que a etnogênese Tupiguarani ocorreu no sudoeste da Amazônia, onde hoje se concentra a maior diversidade linguística do tronco Tupi. Neste trabalho, a morfologia de 19 crânios associados à cerâmica Tupiguarani ou etnograficamente classificados como tais foram comparados a várias séries cranianas pré-históricas e etnográficas brasileiras por meio de estatísticas multivariadas. Duas técnicas multivariadas foram empregadas: Análise de Componentes Principais, aplicada sobre os centróides de cada série, e Distâncias de Mahalanobis, aplicadas aos dados individuais. Os resultados obtidos sugerem uma origem amazônica para os povos Tupiguarani, sobretudo pela forte associação encontrada entre crânios Tupi e Guarani do sudeste e do sul brasileiro e dos Tupi do norte do Brasil, com os espécimes provenientes da ilha de Marajó incluídos no estudo.
2011
Neves,Walter Alves Bernardo,Danilo Vicensotto Okumura,Mercedes Almeida,Tatiana Ferreira de Strauss,André Menezes
Félix de Azara, crítico de Buffon
En sus "Apuntamientos para la Historia Natural de los Cuadrúpedos del Paraguay y Río de la Plata", de 1802, Félix de Azara (1742-1821) no sólo corrigió la identificación y descripción de muchas especies sudamericanas hechas por Buffon; él también desarrolló argumentos contrarios a la tesis de Buffon según la cual el clima sudamericano estimulaba la degeneración de los seres vivos. Pero además de eso, Azara también esbozó una explicación del surgimiento de variedades al interior de una especies que, en lugar de apelar a los efectos directos del clima y la alimentación, recurría al surgimiento de variaciones hereditarias fortuitas. Esta última teoría era una conjetura alternativa a la teoría de la degeneración propuesta por Buffon y retomada, aunque de un modo atenuado, por la mayor parte de los naturalistas anteriores a Darwin.
2011
Caponi,Gustavo
Entre tradições e modernidade: conhecimento ecológico local, conflitos de pesca e manejo pesqueiro no rio Negro, Brasil
O artigo faz uma análise antropológica da pesca artesanal no rio Negro, Amazônia brasileira, com relação às regras costumeiras versus externas determinadas por instituições governamentais. Os dados de campo foram obtidos a partir de entrevistas não estruturadas com pescadores, lideranças locais e pesquisa documental. Os pontos de pesca e as toponímias foram georreferenciados com ajuda de informantes-chave, entre 2005 e 2006. Foram citados 120 pontos de pesca, utilizados por 67 pescadores entrevistados. O aumento da pesca esportiva e comercial tem intensificado os conflitos pelo acesso aos recursos pesqueiros, sendo percebido como uma ameaça de colapso dos estoques naturais de pescado no rio Negro.
2011
Silva,Andréa Leme da
Viver, aprender e trabalhar: habitus e socialização de crianças em uma comunidade de pescadores da Amazônia
O texto tem por objeto de análise a comunidade rural Matá, localizada no baixo Amazonas, Pará, a aproximadamente 55 km da cidade de Óbidos. É uma abordagem etnográfica do cotidiano dos moradores, especialmente em suas atividades na pesca, focalizando, mais precisamente, a participação das crianças. Tomamos como referência o conceito de habitus, desenvolvido por Pierre Bourdieu, para demonstrar que as atividades desenvolvidas pelas crianças e pelos jovens dessa comunidade na pesca não têm o caráter aviltante, que geralmente está associado à ideia de trabalho infantil; ao contrário, a inserção das crianças no trabalho funciona como uma estratégia de socialização e de autorreprodução, indispensável para o fortalecimento dos laços familiares, para a construção da distinção entre a fase adulta e a meninice e para a aprendizagem das técnicas de lidar com os ecossistemas dos quais fazem parte.
2011
Cardoso,Luis Fernando Cardoso e Souza,Jaime Luiz Cunha de
Saber local e medicina popular: a etnobotânica em Cuiabá, Mato Grosso, Brasil
O estudo foi realizado na comunidade Bom Jardim, em Cuiabá, Mato Grosso, com o objetivo de resgatar o conhecimento que as pessoas possuem das plantas como remédio, o quanto as utilizam e a finalidade do uso. Aplicou-se o pré-teste, entrevistas semiestruturadas e observação direta, abordando o uso, a preparação da planta e a indicação das mesmas. A coleta dos dados ocorreu de março de 2008 a julho de 2009. O material botânico encontra-se no Herbário Central da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Dos entrevistados, 45% não apresentam escolaridade, numa faixa etária de 20 a 89 anos de idade. Os entrevistados citaram 86 espécies, distribuídas em 45 famílias, sendo Fabaceae, Mimosaceae e Caesalpiniaceae as mais expressivas. A maioria das espécies apresenta hábito arbóreo, seguido de herbáceo e arbustivo. A folha é a parte mais utilizada e o principal modo de preparo é o chá. A população demonstrou ter conhecimento e fazer uso das plantas locais e revelou um largo consumo na categoria de uso medicinal. O cuidado com a biodiversidade vegetal e o processo de conservação ficaram evidentes na fala e no manejo que as pessoas dispensam nas atividades do cotidiano.
2011
Pasa,Maria Corette
Festa de santo na cidade: notas sobre uma pesquisa etnográfica na periferia de Belém, Pará, Brasil
O artigo faz alguns paralelos entre estudos que tratam da dimensão lúdica da religiosidade popular na Amazônia e os resultados de uma pesquisa etnográfica sobre uma festa de santo padroeiro em uma feira de bairro na Belém contemporânea. São observados elementos externos ao ritual religioso, como divulgação propagandística, trocas econômicas e usos políticos, que atuam como transformadores do sentido da devoção religiosa. Demonstra-se, com isso, a dinamicidade da reprodução da religiosidade popular, considerando a diversidade de manifestações festivas em diferentes realidades socioespaciais amazônicas. Devoção religiosa e 'razão prática' estão imbricadas no processo de modificação do evento pesquisado. Isto se revela pela complexidade das trocas sociais exercidas em uma festa de santo padroeiro na escala de uma grande cidade.
2011
Costa,Antonio Maurício Dias da
A contribuição de Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011) à História da Ciência
O texto faz uma descrição e breve análise da obra historiográfica do herpetólogo brasileiro Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011), pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. Apresenta os trabalhos publicados, sobretudo na área de história da ciência, cujos principais objetos de estudo foram a instituição à qual pertencia e os cientistas que viveram na Amazônia. Inclui uma lista com a obra completa de Cunha dedicada ao tema, construída ao longo de quase 50 anos.
2011
Sanjad,Nelson
A contribuição de Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011) à Herpetologia
O texto faz breve descrição da obra herpetológica de Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011), pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, Brasil. Destaca sua formação intelectual, os principais trabalhos, a organização da coleção herpetológica do Museu Goeldi e a criação do Setor de Herpetologia da instituição. Também destaca as espécies descritas por Cunha e colaboradores.
2011
Avila-Pires,Teresa Cristina
Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011) em uma perspectiva internacional
O texto apresenta memórias pessoais de 45 anos de contato com o herpetólogo brasileiro Osvaldo Rodrigues da Cunha (1928-2011), recentemente falecido. São mencionadas algumas discordâncias científicas sobre a sinonimização de taxa. É destacado o importante papel de Cunha como fundador dos estudos sobre répteis amazônicos no Brasil, assim como seu papel na organização de uma grande coleção herpetológica no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, Brasil.
2011
Hoogmoed,Marinus Steven