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Amazônia: paisagem e região na obra de Eidorfe Moreira

Resumo A produção intelectual de Eidorfe Moreira (1912-1989) é marcada por forte influência regionalista. Seu pensamento, avançado para o seu tempo, ocupou-se dos problemas da região amazônica, que nos anos 1950 passava por uma intervenção das políticas de planejamento regional, em uma tentativa de inseri-la na dinâmica da economia nacional. Este texto analisa os conceitos de ‘paisagem’ e ‘região’, ambos discutidos por Eidorfe Moreira, a partir das suas críticas ao modelo de planejamento estatal.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Oliveira Júnior,Antonio de

Eidorfe Moreira e o aspecto insular de Belém

Resumo Eidorfe Moreira (1912-1989) escreveu um dos mais densos capítulos sobre o aspecto insular de Belém do Pará e uma das contribuições mais efetivas para os que pensam e administram essa cidade. Partindo do passado, ancorado no presente e sutil, mas firmemente indicando o seu futuro, a obra deste intelectual marca, com sua força reflexiva, todos aqueles que a ela tiveram acesso. A qualidade da linguagem, em termos de clareza e coesão, tem se traduzido em propostas como a Escola Bosque Prof. Eidorfe Moreira, que leva o seu nome, e desloca os belenenses para os espaços que se articulam com a parte continental do município, tal como guirlandas, como diria ele mesmo, e não como apêndices ou penduricalhos isolados. O objetivo deste ensaio é apresentar a visão integradora de Eidorfe Moreira sobre as ilhas neste território municipal. Tem como base metodológica a leitura e interpretação de textos desse autor e de outros que utilizaram seus escritos para formulações a respeito do mencionado espaço.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Guerra,Gutemberg Armando Diniz

Revisitando o Círio de Nazaré a partir da lente sociológica de Eidorfe Moreira

Resumo O ensaio pretende investigar o olhar sociológico de Eidorfe Moreira (1912-1989) sobre o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, realizado anualmente em Belém do Pará. Em obra sobre o assunto, o autor estabelece diálogos da geografia humana com a sociologia para explicar a paisagem da festa e a participação dos sujeitos nela envolvidos. Considera essa procissão católica no plano da geografia humana, como fenômeno de maior expressão da dinâmica paisagem amazônica. No campo sociológico, analisa o Círio como fato social, ao mesmo tempo em que o considera como culminação de uma transumância, ou seja, como clímax de uma migração periódica de fundo religioso, envolvendo uma fase de peregrinação, com romeiros interioranos a caminho da cidade, e outra fase litúrgica, já no âmbito urbano. Este ensaio parte das categorias teóricas utilizadas por Eidorfe em um período histórico determinado – a década de 1970 – para aplicá-las no tempo presente, com o intuito de detectar a vitalidade de suas reflexões.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Almeida,Ivone Maria Xavier de Amorim

O olhar de Benedito Nunes sobre a obra de Eidorfe Moreira

Resumo Os professores e intelectuais da Amazônia Eidorfe Moreira (1912-1989), mais identificado como geógrafo, e Benedito Nunes (1929-2011), mais relacionado à filosofia e à crítica literária, apesar da diferença de idade, tiveram proficiente aproximação, consequência da dedicação ao magistério, da convivência profissional na Universidade Federal do Pará e na antiga Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, mas sobretudo por um atributo comum: o interesse radical por múltiplas áreas do conhecimento, suas relações e possibilidades de reconstrução crítica do saber. Benedito Nunes, em diferentes momentos de criação da sua vasta obra, faz referências ao pensamento e à ampla produção intelectual de Eidorfe Moreira. Com base nos ensaios de Benedito Nunes, este ensaio pretende interpretar esse olhar do filósofo sobre o geógrafo.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Guimarães,Maria Stella Faciola Pessôa Castro,Edna Maria Ramos de

Arte rupestre na província de Misiones/Argentina: o sítio Campo Yabebirí

Resumo Neste trabalho documentamos as gravuras do sítio Campo Yabebirí, localizado na margem direita do rio homônimo, no Departamento de São Inácio, província de Misiones (Argentina). O conjunto constitui, até o momento, o único registro publicado de gravuras rupestres existentes nesta província, cujos desenhos se constituem em círculos e linhas estilisticamente vinculados com outros conjuntos descritos especialmente no sul do Brasil.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Loponte,Daniel Carbonera,Mirian

Ler e copiar, ouvir e registrar: um dicionário jesuítico como instrumento de aprendizado da língua geral na amazônia setecentista

Resumo Este artigo tem como objetivo entender como um dicionário, escrito por um jesuíta alemão no século XVIII, foi utilizado como instrumento de aprendizado da língua geral na Amazônia. O documento analisado é entendido como parte da política linguística jesuítica, a partir da qual o aprendizado de línguas era de fundamental importância para a ação missionária. O conceito de mediação cultural será apropriado, pois o dicionário é interpretado como um instrumento linguístico essencial para o missionário, como mediador, aprender o idioma indígena e realizar seu trabalho de conversão. Primeiramente, buscou-se delinear, em linhas gerais, como se formou a política jesuítica de línguas na América portuguesa. Em seguida, foi realizada uma contextualização histórica do manuscrito. Por fim, foram analisados indícios encontrados nos verbetes que elucidam o processo de confecção do dicionário, a trajetória missionária do autor e seu aprendizado da língua geral.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Prudente,Gabriel de Cássio Pinheiro

Objetos indígenas para o mercado: produção, intercâmbio, comércio e suas transformações. Experiências Ka’apor e Mebêngôkre-Kayapó

Resumo Para muitos povos indígenas da Amazônia, a comercialização de objetos da sua cultura material se apresenta como uma importante possibilidade de geração de renda. Especialistas na arte e muitas famílias das aldeias dedicam parte do seu tempo a elaborar objetos especificamente para este fim. São diversas as práticas e os significados envolvidos na produção e no intercâmbio (monetário ou não) desses objetos. Ao mesmo tempo, são constantes as demandas de articulação ao mercado em nível regional e nacional, encontrando-se ainda muitas dificuldades para abrir espaço à produção artesanal indígena. Considerando os contextos etnográficos dos povos indígenas Ka’apor (Terra Indígena Alto Turiaçú, Maranhão) e Mebêngôkre-Kayapó (Terras Indígenas Las Casas e Kayapó, Pará), discutem-se os processos de produção, intercâmbio e comercialização de objetos indígenas e a relação com a lógica do mercado. Examinam-se também as interpretações e os posicionamentos indígenas sobre esses aspectos e os possíveis efeitos dos aspectos jurídicos que se propõem a revalorizar e proteger os conhecimentos e o patrimônio indígena e o meio ambiente provedor das matérias-primas, considerando os impactos sobre as próprias iniciativas indígenas no momento de se inserir nos mercados.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Garcés,Claudia Leonor López Pérez,Sol Elizabeth González Silva,Juliano Almeida da Araújo,Marluce Oliveira de Coelho-Ferreira,Márlia

Gentrificação e resistência popular nas feiras e portos públicos da Estrada Nova em Belém (PA)

Resumo Este artigo considera a resistência popular nas feiras e portos públicos da Estrada Nova, atual av. Bernardo Sayão. Interpreta a ocupação da parte sul da orla de Belém, analisada em termos da produção social do espaço urbano. A resistência popular busca manter os portos públicos da Palha e do Açaí como lugar de trocas econômicas e culturais múltiplas, contra a intenção do poder público municipal de ‘gentrificar’ ou enobrecer essa margem urbana da cidade, removendo os atuais usuários, mediante o projeto denominado Portal da Amazônia. A resistência de feirantes, trabalhadores e moradores contrapõe a metáfora ‘janelas para o rio’, que funciona como uma espécie de pensamento único na cidade, com outra metáfora, a de ‘portas para o rio’, que diz respeito à necessidade de ir e vir dos ribeirinhos, que reivindicam seu direito à cidade. O movimento de pessoas e mercadorias nos portos e redondezas configura um espaço de economia e vida popular em Belém. Esse movimento proporciona identidade aos bairros do Jurunas, Condor e Guamá e condiz com preceitos urbanísticos recomendados por autores como Jane Jacobs e Marshall Berman, que valorizam a vida cotidiana da rua. O projeto avança de forma obscura, sem qualquer critério de diálogo e transparência.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Silva,Jakson Silva da Peixoto,Rodrigo Corrêa Diniz

Socioeconomia e saúde dos pescadores de Mytella falcata da Lagoa Mundaú, Maceió-AL

Resumo Trata-se de estudo visando caracterizar a socioeconomia dos pescadores de sururu na Lagoa Mundaú; e diagnosticar suas percepções sobre saúde. Para isto, foram entrevistados 39 pescadores utilizando-se um questionário semi-estruturado. Sexo masculino, baixa escolaridade e renda máxima de um salário mínimo são características da maior parte destes pescadores. Cerca de 50% habitam residências improvisadas e sem saneamento básico (61,54%) e mais de 67% já se afastou do trabalho por doença ou acidente. Constatou-se que a pesca do sururu tem seus fatores de risco e agravos à saúde acentuados pela ação antrópica sobre o ambiente lagunar e pela ineficiência atemporal do Estado em agir no ordenamento do espaço urbano e na implementação do saneamento básico.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Tamano,Luana Tieko Omena Araujo,Daniel de Magalhães Lima,Beethoven Brandão Correia de Silva,Francisca Noelma Freitas da Silva,Joseane da

Análise socioeconômica e esforço de pesca na captura do caranguejo-uçá – Ucides cordatus (Crustacea: Ucididae) – na Reserva Extrativista Maracanã – costa amazônica do Brasil

Resumo Este artigo avalia social e economicamente a captura de caranguejo-uçá em Maracanã-PA. As informações foram adquiridas através de entrevistas semiestruturadas, conversas informais e acompanhamento da pescaria do caranguejo. Dos dados coletados foi feita uma análise estatística descritiva, utilizando a média como medida da tendência central e o coeficiente de variação foi empregado como medida de heterogeneidade dentro de cada variável amostrada. A renda total anual e o esforço de pesca dos caranguejeiros profissionais foram calculados. Cerca de 20% dos 5.000 usuários da Reserva Extrativista Maracanã trabalha com a captura do caranguejo. A CPUE variou de 20 a 400 caranguejos por homem-dia, com média de 92,2 (±39,2). Todos os pescadores entrevistados utilizam como técnica de pesca o método tradicional do braço (“braceamento”) combinado com o uso do gancho, empregado como instrumento prolongador do braço na captura. O esforço de pesca aumentou continuamente no período de 1995 a 2007, correspondendo a 68,93%, passando de 42.172 para 71.240 homens-dia.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Freitas,Ádria de Carvalho Furtado Júnior,Ivan Tavares,Márcia Cristina da Silva Borcem,Elielma Ribeiro

Los museos de arte como mecanismos de inclusión y exclusión social en el arte y en la sociedad: un estudio de caso en Chile

Resumen Este artículo busca delinear un marco teórico sociológico que otorgue sentido al modo en que los museos de arte responden a problemas de acceso y de inclusión social. Para ello asume la teoría de la diferenciación y la exclusión social desarrollada por Niklas Luhmann en el marco más general de su teoría de sistemas sociales. Se analizó el caso de un museo artístico ubicado en Chile, basándose en la realización de entrevistas en profundidad a personas ubicadas en las distintas posiciones de la organización. Confirmando estudios previos realizados por Paul J. DiMaggio, se observa que un museo de artes en Chile, ha generado coaliciones organizacionales internas, cada una de las cuales da sentido a los públicos del museo de un modo distinto. Usando la teoría de sistemas sociales, estas coaliciones son explicadas por alusión a tres aspectos de un sistema social del arte: a) cómo genera una memoria propia, b) cómo define condiciones de participación, y c) cómo se ve afectado por problemas de exclusión social característicos de una sociedad funcionalmente diferenciada. Tales coaliciones difieren entre sí respecto a los “esquemas de atribución causal” que adoptan para explicar la cantidad de público que el museo recibe.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Valenzuela,Fernando A. Espinosa,Alejandro Madero-Cabib,Ignacio Moyano,Camila Ortiz,Francisca

A “educação na reconstrução da pátria” e a imagem do indígena

Resumo O artigo busca entender as similaridades entre os pensamentos presentes no projeto educacional proposto por José Veríssimo em 1890; nas propostas surgidas na seção de etnografia do 1o Congresso Brasileiro de Geografia, realizado no Rio de Janeiro em 1909; e na fundação do Serviço de Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais (SPILTN), em 1910. A análise de A educação nacional (1906 [1890]), de Veríssimo, das atas do 1º Congresso Brasileiro de Geografia, assim como das propostas do SPILTN, indica a recorrência do pensamento sobre permeabilidade do indígena à “civilização” por meio da educação, visando a transformação da identidade étnica do indígena a partir da assimilação dos hábitos e valores da sociedade dita civilizada. Destarte, a partir do exame desses documentos, percebe-se como as concepções de civilização, raça, educação, urbanidade e nação articularam-se em seus discursos na busca de uma identidade nacional e influíram na construção da imagem interdita do indígena. A conclusão é que a inserção do indígena no corpo nacional por meio da educação era admitida, desde que ele se despojasse de sua identidade étnica. Uma atitude que deveria representar respeito ao indígena, como homem, revela-se assim uma forma de desrespeito.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Castilho,Mariana Moreno

Mobilidades geográfico-profissionais de duas gerações de agricultores familiares assentados na Amazônia oriental

Resumo A mobilidade social de agricultores familiares em áreas de frentes pioneiras da Amazônia, durante muitos anos, esteve associada à migração geográfica, em busca de uma terra para trabalhar. O afastamento cada vez mais importante das terras, a modernização do comportamento dos jovens e o aumento do nível médio de estudo implicaram mudanças importantes nestas estratégias, uma vez que os agricultores preferem atingir a mobilidade social por meio dos estudos escolares e da migração para a cidade. Se esses dados são conhecidos, a quantificação do fenômeno (em particular, com questionários biográficos) no caso de três assentamentos da Amazônia oriental e a diferenciação interna ao grupo dos agricultores (segundo o tipo de família e o lugar de moradia) constituem as principais inovações deste artigo.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Sartre,Xavier Arnauld de Marin,Joel Orlando Bevilaqua Assis,William Santos de Lopes,Raquel da Silva Veiga,Iran

Saberes e práticas locais dos produtores de guaraná (Paullinia cupana Kunth var. sorbilis) do médio Amazonas: duas organizações locais frente à inovação

Resumo O guaraná (Paullinia cupana Kunth var. sorbilis) é uma planta nativa da Amazônia, conhecida mundialmente por suas propriedades estimulantes. Desde 1974, um processo de modernização dos sistemas de cultivo vem sendo difundido na região por agroindústria monopolista e por empresa de pesquisa agropecuária. Isso se traduziu na difusão de pacotes tecnológicos modernizantes, visando ao aumento da produtividade agrícola. Manejada e consumida originalmente pelos indígenas Sateré-Mawé, o produto vem perdendo vínculo com seu território de origem, o que estimulou, a partir dos anos 1990, a busca por alternativas de valorização da procedência e do modo de produção de base familiar e agroecológica. A pesquisa, realizada com produtores de duas organizações locais do baixo Amazonas, buscou revelar suas inciativas de reterritorialização da produção, suas práticas de manejo e conservação in situ da planta, e suas reações à difusão de formas inovadoras de produção e de inserção no mercado. Partindo-se da hipótese da existência de uma dinâmica funcional diferente em cada organização, identificamos que as relações dos produtores com o mercado, com a proteção do conhecimento tradicional e com a própria planta evoluíram em trajetórias sócio-históricas distintas, as quais resultaram em diferentes sistemas de referências socioculturais, ecológicas e tecnológicas.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Tricaud,Solène Pinton,Florence Pereira,Henrique dos Santos

Guaraná, a máquina do tempo dos Sateré-Mawé

Resumo Mais que um produto agrícola, o guaraná é o passado, o presente e o futuro do povo junto ao qual foi encontrado pelos missionários jesuítas que fizeram o primeiro registro histórico de sua ocorrência na região interfluvial Madeira-Tapajós, na segunda metade do século XVII. Constitui, desde então, o marcador étnico por excelência do povo Sateré-Mawé. Além de estar no centro das explicações sobre a sua origem e organização social, o guaraná fez dos Sateré-Mawé o primeiro povo indígena brasileiro na história com um produto próprio, transformado e sistematicamente comercializado, em tempos coloniais e do Império. No Brasil republicano, da virada do milênio, é um dos primeiros que aparece associado aos conceitos e práticas mais avançados na perspectiva dos paradigmas pós-modernos da sustentabilidade, da produção orgânica certificada, do comércio justo e solidário e do desenvolvimento ecossustentável. E o faz sempre investido de uma notável potência de agregação social: originalmente, no seio de uma sociedade tradicionalmente segmentada e, na contemporaneidade, ocupando papel destacado em movimentos colaborativos interinstitucionais nacionais e internacionais. Para os Sateré-Mawé, o seu Waraná nativo é memória e promessa de navegação segura ao longo do tempo. Este artigo se propõe apresentar e discutir como isso vem sendo possível.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Figueroa,Alba Lucy Giraldo

Socialidade e diversidade de pequis (Caryocar brasiliense, Caryocaraceae) entre os Kuikuro do alto rio Xingu (Brasil)

Resumo Este artigo versa sobre aspectos socioculturais do cultivo de pequi (Caryocar brasiliense) entre os Kuikuro do alto Xingu, para os quais esta espécie possui alto valor simbólico e alimentar. O cultivo de pequi é uma prática compartilhada entre os nove povos indígenas que compõem uma sociedade pluriétnica e multilinguística na região dos formadores do Rio Xingu, da qual os Kuikuro fazem parte. A despeito da grande importância desta espécie entre os povos da região, sua diversidade morfológica nunca foi devidamente investigada em pesquisa acadêmica. Nosso objetivo é apresentar e analisar os aspectos socioculturais envolvidos no cultivo de pequi que incidem sobre a diversidade varietal da espécie, aqui tomada como a diversidade percebida e nomeada pelos Kuikuro. O estudo foi realizado na aldeia Kuikuro de Ipatse entre 2002 e 2003 (Fausto) e 2010 e 2012 (Smith), por meio de entrevistas e registro audiovisual das atividades de colheita e processamento dos frutos. Observamos que os conhecimentos e práticas de seleção e cultivo de sementes de pequi favorecem sua diversidade intraespecífica nos pequizais cultivados. As análises aqui apresentadas contribuem para demonstrar a impossibilidade de dissociar patrimônio cultural e genético no contexto dos sistemas agrícolas amazônicos.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Smith,Maira Fausto,Carlos

Mundos de roças e florestas

Resumo Pretendo explorar neste artigo as relações entre os domínios da roça (koo) e da floresta (ka’a), importante oposição da cosmologia wajãpi (grupo Tupi que habita o estado do Amapá). Ka’a e koo, contudo, não se constituem como uma oposição fixa, mas antes como posições relacionais que se movem, nas quais a capoeira ocupa um papel fundamental. Algo que é evidenciado tanto numa dinâmica de ocupação territorial - por meio do cultivo de áreas de mata primária e o abandono dos roçados após a colheita -, quanto por meio das relações perspectivistas que movimentam as categorias de roça e floresta, plantas cultivadas e não-cultivadas, através de distintos sujeitos. Nesse contexto, compreender a dinâmica das relações entre floresta e roçado é fundamental para melhor refletir sobre como algumas famílias wajãpi entendem a atividade agrícola. Proponho essa reflexão estabelecendo um diálogo com ecologia histórica que aponta para a existência de florestas antropizadas, contexto em que a agricultura se apresenta como uma atividade central para a produção de biodiversidade.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Oliveira,Joana Cabral de

O mundo da horticultura Ka’apor: práticas, representações e as suas transformações

Resumo Com base em pesquisas etnográficas efetuadas nos últimos anos entre os indígenas Ka’apor das aldeias Xiepihu-rena e Paracui-rena, na Terra Indígena Alto Turiaçu, localizada na Amazônia maranhense (Brasil), o artigo aborda o mundo das representações e práticas hortícolas Ka’apor, considerando aspectos das narrativas orais que contextualizam estes conhecimentos dentro da cosmovisão indígena, as características da horticultura na atualidade em termos da diversidade dos cultivos, assim como as mudanças na organização do trabalho hortícola na conjuntura atual, caraterizada pelos conflitos gerados pela exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Alto Turiaçu e a influência das políticas públicas.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Garcés,Claudia Leonor López

Redes e observatórios da agrobiodiversidade, como e para quem? Uma abordagem exploratória na região de Cruzeiro do Sul, Acre

Resumo A diversidade de plantas cultivadas, selecionadas e conservadas pelos agricultores tradicionais, é de interesse tanto local quanto nacional, além de constituir um patrimônio biológico e cultural. No caso da Amazônia, apesar de atualmente dispormos de uma suma de dados sobre a agrobiodiversidade, a diversidade das opções metodológicas mobilizadas torna difícil uma visão sintética de suas dinâmicas. Para entendê-las, torna-se imprescindível assegurar um monitoramento, em longo prazo, de localidades sentinelas ou observatórios, e construir indicadores a serem compartilhados entre populações locais, pesquisadores e formuladores de políticas públicas. Como exemplo, propomos uma abordagem exploratória da agrobiodiversidade levantada junto a 52 agricultores de duas comunidades da região de Cruzeiro do Sul (Acre), a partir de uma abordagem qualitativa sobre as formas locais de denominação das plantas e quantitativa, fundamentada sobre a medida da riqueza (número de espécies ou variedades presentes). A amplitude da riqueza é de 338 plantas, principalmente variedades locais, levantadas com uma alta frequência de espécies ou de variedades apenas cultivadas por um ou dois agricultores, sua estruturação é marcada pela presença de um modelo aninhado, sendo evidenciado o núcleo de plantas de maior coesão.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Emperaire,Laure Eloy,Ludivine Seixas,Ana Carolina

Crop domestication in the upper Madeira River basin

Abstract Most native Amazonian crops were domesticated in the periphery of the basin. The upper Madeira River basin is an important part of this periphery where several important crops were domesticated and others are suspected to have been domesticated or arrived early. Some of these crops have been reasonably well studied, such as manioc, peanut, peach palm, coca and tobacco, while others are not as well known, such as the hot peppers Capsicum baccatum and C. frutescens, and still others need confirmation, such as cocoyam and annatto. We review the information available for manioc, peach palm, Capsicum, peanut, annatto and cocoyam. The state-of-the-art for Capsicum frutescens, annatto and cocoyam is insufficient to conclude definitively that they were domesticated in the upper Madeira, while all the others have at least one of their origins or centers of diversity in the upper Madeira.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Clement,Charles Roland Rodrigues,Doriane Picanço Alves-Pereira,Alessandro Mühlen,Gilda Santos Cristo-Araújo,Michelly de Moreira,Priscila Ambrósio Lins,Juliana Reis,Vanessa Maciel