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Entre o mito e a história: o padre que nasceu índio e a história de Oriximiná
O padre José Nicolino de Sousa é considerado o fundador do município de Oriximiná, no Pará. Entretanto, ele é cultuado sempre na condição de padre civilizador, sendo sua ascendência indígena quase nunca lembrada ou conhecida. Baseado em documentos do século XIX, tais como notícias de jornais, manuscritos e o diário deixado pelo religioso, este trabalho analisa a experiência histórica e a memória acerca de José Nicolino de Sousa, confrontando os mitos que se criaram em torno dele com o que revelam os documentos históricos. Concluiu-se que o povoado que deu origem a Oriximiná surgiu muito antes da viagem fundadora atribuída ao padre, sendo possível criar uma narrativa histórica mais inclusiva acerca da região, envolvendo sujeitos até então silenciados.
2022-12-06T13:14:02Z
Henrique,Márcio Couto
Conhecimento ecológico tradicional da comunidade de Limpo Grande sobre a vegetação, Várzea Grande, Mato Grosso, Brasil
O estudo foi conduzido na comunidade de Limpo Grande, localizada a 23 km do município de Várzea Grande, Mato Grosso. Para verificar a possibilidade de os informantes organizarem o conhecimento ecológico tradicional da vegetação de acordo com uso o trabalho, buscou-se os seguintes objetivos: i) conhecer as espécies de cada domínio cultural indicado pelos informantes; ii) verificar a existência de consenso cultural para cada domínio cultural; iii) analisar a similaridade das espécies dos domínios culturais. Utilizou-se entrevista estruturada para obtenção dos dados da lista livre e dados socioeconômicos. A lista livre foi analisada por meio do índice de Smith, consenso cultural e escalonamento multidimensional. Os informantes definiram três domínios culturais com base no uso da vegetação: plantas (utilizadas para o cultivo), mato (vegetação nativa que apresenta diversos usos) e plantas medicinais (utilizadas para tratamento de enfermidades). O domínio cultural de plantas foi representado por 107 espécies; mato, por 96; e plantas medicinais, por 99 espécies. Para os três domínios, pode-se verificar a existência de consenso cultural. Verificou-se baixa similaridade entre as espécies dos domínios. Os critérios utilizados pelas comunidades tradicionais para uso e manejo da vegetação podem contribuir para elaboração de políticas públicas destinadas à conservação da biodiversidade ecológica e cultural.
2022-12-06T13:14:02Z
Morais,Rodrigo Ferreira de Serrano,Cintia Silva Morais,Fernando Ferreira de
A “Flora Fluminensis” de frei Vellozo: uma abordagem interdisciplinar
O artigo analisa a obra de Frei Vellozo (1741-1811) intitulada “Flora Fluminensis”, com interpretações dos campos disciplinares da botânica e da história. No período de 1783 a 1790, a equipe liderada por Frei Vellozo percorreu o território do Rio de Janeiro com objetivo de produzir um levantamento detalhado das plantas. Passados 39 anos, o trabalho de Vellozo foi publicado com 1.639 descrições de plantas em latim e 11 volumes in-folio de ilustrações botânicas. Trata-se de uma obra que tem relevância científica, sobretudo se comparada com outros livros e compêndios produzidos na mesma época na Europa. Com o fim de esclarecer as principais características de tal processo de produção e qualidade científica da obra, é feita uma interpretação com foco no modo de como a botânica era realizada no final do século XVIII.
2022-12-06T13:14:02Z
Bediaga,Begonha Lima,Haroldo Cavalcante de
Plantas medicinais consumidas em Cochim, no século XVI e na atualidade
O objetivo primacial desta pesquisa é investigar como solucionam os habitantes de Cochim, na Índia, seus problemas de saúde, quando não podem aceder aos sistemas convencionais ou quando optam por aceder a sistemas alternativos, na modernidade. O objetivo específico da pesquisa é compilar as espécies vegetais de uso terapêutico no século XVI e compará-las com as atuais. A flora indiana, em particular as especiarias, tem fascinado a humanidade desde o início dos tempos. Em 1498, os portugueses descobriram o caminho marítimo para a Índia e, durante os dois séculos seguintes, o pequeno país europeu dominou o comércio mundial com o oriente. Seguindo a rota das especiarias, o Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) organizou, recentemente, uma missão científica a Kerala, a fim de investigar os frutos, os legumes, os condimentos, os tubérculos e as plantas medicinais cultivadas em jardins e pátios traseiros, vendidos em mercados e feiras, e recomendados pela medicina Ayurvédica, na cidade de Cochim. O ponto de partida foi a leitura de quatro manuscritos do século XVI que enumeravam as plantas aromáticas, condimentares e medicinais da Índia renascentista. Os resultados demonstram que um número substancial de plantas colhidas durante a missão do IICT, em 2013, já era usado na Índia, no século XVI.
2022-12-06T13:14:02Z
Madaleno,Isabel Maria
Estudos comparativos sobre Apurinã baseados em documentos antigos
O presente trabalho é resultado de uma pesquisa comparativa dos dados da língua Apurinã (Aruák), falada pelo povo Apurinã no sudeste do estado do Amazonas, e com base em dados dessa mesma língua registrados em documentos antigos. A ideia é que, após a etapa de reconstrução interna dessa língua, poderemos reconstruir formas lexicais antigas e depois compará-las a formas cognatas presentes em línguas próximas de Apurinã, neste caso, Piro e Iñapari. Tivemos como principais objetivos: (i) contribuir para a descrição da língua, especialmente em relação ao desenvolvimento dos principais traços ‘dialetais’; e (ii) contribuir para estudos histórico-comparativos aruák, que partem de uma abordagem bottom-up. A aplicabilidade do método histórico-comparativo, principalmente, reconstrução interna, permite determinar a presença de formas lexicais em documentos antigos, os quais corresponderiam a variantes distintas presentes nas variedades atuais do Apurinã moderno. A determinação da presença de tais variações nos permitirá identificar formas mais antigas entre as variantes que existem atualmente na língua. A partir desse conhecimento, poderemos construir hipóteses sobre o desenvolvimento dessa variedade lexical e postular qual entre elas é a mais antiga. Os resultados, portanto, contribuem para o conhecimento do passado da língua e do povo Apurinã e para estudos histórico-comparativos da família aruák.
2022-12-06T13:14:02Z
Facundes,Sidi Neves,Alana Samara Melo Lima-Padovani,Bruna Fernanda de
Observações sobre os correlatos acústicos do acento em Apurinã (Aruák): estudo de um caso
O presente artigo investiga a duração como possível correlato acústico do acento em Apurinã, levando-se em consideração as hipóteses levantadas por outros autores. Neste trabalho, investiga-se a duração de vogais em sílabas acentuadas, com acento secundário e sem acento, posto ser um possível correlato acústico que marca o acento em Apurinã, como sugerem outros trabalhos e estudos que afirmam ser esse um correlato recorrente nas línguas do mundo. O objetivo é verificar essas hipóteses, revendo os trabalhos anteriores sobre a língua e analisando novos dados, de modo a produzir resultados com base em informações independentes daquelas investigadas até então. Os resultados sugerem uma correlação apenas entre duração e acento primário e levantam questões sobre a sua natureza fonética, assim como uma questão relevante para a fonologia teórica sobre sílabas com vogais nasais que se comportam como sílabas pesadas ou bimoraicas.
2022-12-06T13:14:02Z
Santos,Benedito de Sales Facundes,Sidi
O gosto pela autoridade e a autoridade do gosto: as apropriações culturais nas ‘artes primeiras’
Os atores responsáveis por introduzir as ‘artes primeiras’ nos museus e no mercado do Ocidente não são, com efeito, os mesmos que as produziram e, com frequência, não falam em nome dos interesses de seus produtores. Na presente análise, investigou-se a primeira exposição do Musée du Quai Branly, inaugurada no ano 2000, em uma ala do Musée du Louvre, em Paris. Na apresentação desses objetos nesse novo contexto, Jacques Kerchache, o principal idealizador do projeto, não deu espaço para visões dissonantes sobre as obras selecionadas. São visíveis, na exposição do Louvre, algumas das mais evidentes contradições sobre as ‘artes primeiras’. Os critérios que presidem a musealização das esculturas primitivas expostas mostraram a impossibilidade de se isolar, no seio dessa estética particular, a conotação antropológica. O artigo aqui proposto não tem como objetivo discutir a inspiração dos primeiros criadores desses objetos no momento em que conceberam e realizaram a sua obra, mas busca questionar se as suas intenções podem ser descartadas impunemente em função da musealização desses objetos no contexto europeu, entendendo como se dá esse processo segundo uma perspectiva sociológica.
2022-12-06T13:14:02Z
Soares,Bruno César Brulon
Origins and demographic dynamics of Tupí expansion: a genetic tale
Abstract: Tupí linguistic groups display a wide geographical dispersion in South America, probably originated, as pointed by linguistic, from Madeira-Guaporé Region (MGR) in Brazil. The present study reviewed genetic data on Tupians for autosomal and uniparental (Y-chromosome and mtDNA) markers, using it to evaluate Tupians geographic origin as well as the demographic dynamics of their dispersion from a genetic point of view. Comparison of genetic variability and mtDNA haplogroups D frequencies suggests a scenario where MGR is the Tupí homeland. The relationship between five estimators of genetic variability (Thetas-S, -Pi, -m2, -H and -k) shows that Tupí groups from MGR and non-MGR experienced different patterns of demographic dynamics, with an ancient Tupí expansion in MGR, followed by dispersion to other South America regions, probably associated to depopulation/founder effect events. Furthermore, other recent depopulation events could also be detected in both regions. Finally, the dispersion seems to be related to patrilocality, as suggested by comparison of uniparental markers genetic differentiation. This genetic model of dispersion dynamics may have an important impact in the interpretation of archeological and linguistic data, allowing to test if female associated technologies, like ceramic, are more extensively shared between dispersed populations than those which are not female-exclusive.
2022-12-06T13:14:02Z
Santos,Eduardo José Melo dos Silva,Andréa Luciana Soares da Ewerton,Paloma Daguer Takeshita,Louise Yukari Maia,Maria Helena Thomaz
Genealogical relations and lexical distances within the Tupian linguistic family
Abstract: In this paper we present the first results of the application of computational methods, inspired by the ideas in McMahon & McMahon (2005), to a dataset collected from languages of every branch of the Tupian family (including all living non-Tupí-Guaraní languages) in order to produce a classification of the family based on lexical distance. We used both a Swadesh list (with historically stabler terms) and a list of animal and plant names for results comparison. In addition, we also selected more (HiHi) and less (LoLo) stable terms from the Swadesh list to form sublists for indepedent treatment. We compared the resulting NeighborNet networks and neighbor-joining cladograms and drew conclusions about their significance for the current understanding of the classification of Tupian languages. One important result is the lack of support for the currently discussed idea of an Eastern-Western division within Tupí.
2022-12-06T13:14:02Z
Galucio,Ana Vilacy Meira,Sérgio Birchall,Joshua Moore,Denny Gabas Júnior,Nilson Drude,Sebastian Storto,Luciana Picanço,Gessiane Rodrigues,Carmen Reis
A summary reconstruction of proto-maweti-guarani segmental phonology
Abstract: This paper presents a succinct reconstruction of the segmental phonology of Proto-Maweti-Guarani, the hypothetical protolanguage from which modern Mawe, Aweti and the Tupi-Guarani branches of the Tupi linguistic family have evolved. Based on about 300 cognate sets from the authors' field data (for Mawe and Aweti) and from Mello's reconstruction (2000) for Proto-Tupi-Guarani (with additional information from other works; and with a few changes concerning certain doubtful features, such as the status of stem-final lenis consonants *r and *ß, and the distinction of *c and *č ), the consonants and vowels of Proto-Maweti-Guarani were reconstructed with the help of the traditional historical-comparative method. The development of the reconstructed segments is then traced from the protolanguage to each of the modern branches. A comparison with other claims made about Proto-Maweti-Guarani is given in the conclusion.
2022-12-06T13:14:02Z
Meira,Sérgio Drude,Sebastian
Subordination strategies in Tupian languages
Abstract: Assessing the internal coherence and constituency of language families often centers either around comparing certain form-meaning correspondences, or around identifying the presence or absence of linguistic features across the members of the family. The former approach is generally restricted to the lexicon. The latter approach focuses mostly on structural characteristics of language. In this paper we present an alternative approach to comparing grammatical systems between languages within a language family, which aims at bringing these two approaches and their results closer to each other. We look at subordination strategies in a sample of Tupian languages, taking constructions as the basic unit of comparison, treating them as form-meaning correspondences. The Tupian family offers an especially intriguing case for studying subordination strategies in the South American context, given its enormous geographical spread and the variety of contact situations involving its member languages. Major patterns of subordination strategies can be discerned across the family, e.g. strategies involving nominalization, verbal incorporation and other subtypes of verbal serialization, but there is also a great degree of variability between the different languages. By mapping the structural diversity onto the known genealogy and geographic distribution, we hope to shed more light on the history of the Tupian family and on the diffusability of subordination strategies.
2022-12-06T13:14:02Z
Gijn,Rik van Galucio,Ana Vilacy Nogueira,Antonia Fernanda
A comparison of verbal person marking across Tupian languages
Abstract: This paper explores the diachrony of the verbal person marking system across the large and structurally diverse Tupian language family. I argue that the historical development of these different patterns are best informed by analyzing their synchronic distributions with regard to the current evolutionary hypotheses on the family. I apply a parsimony reconstruction model across the topology of two different classifications and compare the results with what is known from traditional historical linguistic work. This study is able to provide support for previous claims about the family and also generates a number of additional hypotheses about the intermediate stages of development of these patterns.
2022-12-06T13:14:02Z
Birchall,Joshua
When "You" and "I" mess around with the hierarchy: a comparative study of Tupi-Guarani hierarchical indexing systems
Abstract: This paper deals with the person indexing system of Tupi-Guarani languages. Past literature has claimed that the relative position of the arguments of a transitive verb on a supposed person hierarchy 1 > 2 > 3 determines what argument is marked on the verb and how. It is also commonly believed that the morphosyntax of individual Tupi-Guarani languages is very comparable. This paper surveys in detail the encoding of arguments on transitive verbs in 28 Tupi-Guarani languages. It shows that the prior assumptions about indexing in Tupi-Guarani languages either do not hold strongly, or need to be stated in more nuanced ways. The study also shows that these languages are not as similar morphosyntactically as is often assumed. Importantly, they display a great variation in the domain of local configurations (i.e., when the two speech act participants interact), the arguments of which are often encoded in a non-transparent manner. This leads us to reject the 1 > 2 hierarchy as operative in governing indexing in all languages of the group.
2022-12-06T13:14:02Z
Rose,Françoise
Lexicología y fonología históricas del Aché
En este artículo se identifican unos 200 lexemas del aché (familia Tupí-Guaraní) con sus cognados en 20 de las demás lenguas de la familia. Este rastreo lexicológico no sólo muestra que la base del léxico aché es fundamentalmente tupí-guaraní (TG) - hasta ahora no se encontraron elementos de otra lengua no TG - sino que permite también elaborar aspectos de la fonología histórica del aché. Comparando la fonología del aché con la de las demás lenguas TG, se ve que las lenguas más cercanasson el mbyá y el xetá. Resulta de la comparación lexicológica y fonológica que el aché probablemente ha tenido en la historia de su formación contactos con varias lenguas TG como son el grupo siriono-yuki de Bolivia, el mbyá y/o xetá, el guaraní clásico y, en la actualidad, el guaraní paraguayo moderno.
2022-12-06T13:14:02Z
Dietrich,Wolf
The rise of number agreement in Nheengatu
Abstract: Number agreement systems often present traces of older elements common to different languages of the same family; thus, their emergence is difficult to reconstruct. One possible origin of such systems is the grammaticalization of plural words into bound morphemes, which, as a result of a long process, develop into agreement markers and may become obligatory. Various investigations have provided evidence for this hypothesis. However, the complete process of change from a system with no number as grammatical category into a number agreement system in a single language has not been documented. This paper analyses documents covering different stages of the development of the Nheengatu language from Tupinambá in order to observe how the number agreement system emerged in modern Nheengatu. By doing so, this paper supports the idea that grammaticalization may have occurred rapidly in intense contact situations.
2022-12-06T13:14:02Z
Cruz,Aline da
News on the Jorá (Tupí-Guaraní): sociolinguistics, description, and classification
With 45 languages, the Tupí family is one of South America's largest families. However, several gaps still remain. Some languages are already extinct and there are others for which data can no longer be collected. The situation of Jorá has reached this point. This article aims to summarize all data concerning the Jorá people and their language, parts of which were collected by the anthropologists Hanke (1959) and Béghin (1980) and other parts by the authors. On the basis of sparse data from several sources of differing reliability we attempt to classify the Jorá language using the phoneme inventory, grammatical evidence and lexical comparison. Jorá is classified as Tupí-Guaraní, closely related to Siriono and Yuki.
2022-12-06T13:14:02Z
Danielsen,Swintha Gasparini,Noé
Cartografia social e organização política das comunidades remanescentes de quilombos de Salvaterra, Marajó, Pará, Brasil
Resumo: As demandas das comunidades negras rurais, antes de 1988, estavam diluídas na agenda de lutas de categorias como a de trabalhadores rurais. Com a promulgação da Constituição, a emergência do termo "comunidade remanescentes de quilombos" faz também emergir uma pauta específica. Nesse quadro, o papel dos cientistas sociais na produção de laudos técnicos periciais e de trabalhos acadêmicos tornou-se um ponto central na discussão das percepções sobre o "quilombo". A partir disso, analisamos a relação entre os pesquisadores do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA) e as comunidades quilombolas de Salvaterra, Ilha do Marajó, Pará, participantes das oficinas de produção de mapas que geraram um fascículo intitulado: Quilombolas da Ilha de Marajó: Pará. Objetivamos investigar, a partir de levantamento de dados e de pesquisa de campo, como as relações entre os atores da cartografia converteram-se em ferramentas políticas na luta por direitos socioterritoriais das comunidades quilombolas. Apontamos que as relações sociais entre PNCSA e quilombolas configuram-se, de um lado, como formas de contestação das formas históricas de desrespeito e injustiça e como instrumento de politização do movimento quilombola e, de outro, como afirmação e consolidação acadêmica da prática de pesquisa do Projeto.
2022-12-06T13:14:02Z
Bargas,Janine de Kássia Rocha Cardoso,Luís Fernando Cardoso e
Marcadores de estresse ocupacional, atividades cotidianas, ambiente e escolhas culturais: uma discussão sobre estilos de vida diferenciados em três sambaquis do litoral fluminense
Durante décadas a definição de uma unidade antropofísica, baseada principalmente em estudos descritivos e comparativos de morfologia craniana e pós-craniana, norteou o conhecimento sobre a biologia dos grupos sambaquieiros do litoral sul-sudeste do Brasil. Este conceito influenciou também os paradigmas que nortearam a compreensão de aspectos socioculturais desses grupos, tendo como diretriz as perspectivas da Escola Norte Americana. Esta perspectiva generalista, no entanto, vem demonstrando inoperância para elevar o conhecimento sobre os grupos sambaquieiros a um nível mais detalhado, a partir da identificação de particularidades que naturalmente permeiam qualquer sistema sociocultural e são o resultado de escolhas, e não apenas respostas adaptativas. Buscando-se avançar sobre esta perspectiva, este trabalho tem como objetivo conjugar os dados sobre marcadores de estresse ocupacional (osteoartrose, trauma acidental, espondilólise, nódulo de Schmorl e exostose auditiva) já publicados para três sambaquis localizados no estado do Rio de Janeiro, a fim de se verificar a possibilidade de identificar particularidades no estilo de vida destes grupos.
2022-12-06T13:14:02Z
Lessa,Andrea Carvalho,Claudia Rodrigues
Estudios bioarqueológicos en el sitio Los Tres Cerros 1 (Delta Superior del río Paraná, Entre Ríos, Argentina)
Resumen: En este trabajo se presentan los resultados de los estudios bioarqueológicos efectuados en la serie de esqueletos humanos del sitio Los Tres Cerros 1 (departamento de Victoria, Entre Ríos, Argentina), una estructura antropogénica monticular ocupada entre ca. 1227 y 560 años AP por cazadores, recolectores, pescadores y horticultores, asignados a la entidad arqueológica Goya-Malabrigo. Las investigaciones bioarqueológicas se enfocaron en determinar la estructura sexo-etaria de la muestra, estudiar las lesiones óseas y analizar las prácticas mortuorias. De acuerdo a estos estudios, en el sitio se enterraron al menos 16 individuos de distintos grupos etarios y ambos sexos. La variabilidad de modos de disponer a los muertos incluye entierros primarios, secundarios y elementos óseos dispersos. Algunos huesos presentaban termoalteración y ocre sobre la superficie. Se discuten estas evidencias a nivel regional con otros sitios del Delta del Paraná con presencia de esqueletos humanos asignados a la entidad Goya-Malabrigo.
2022-12-06T13:14:02Z
Scabuzzo,Clara Raap,Agustina Ramos van Bonomo,Mariano Politis,Gustavo G.
Com vento a lagoa vira mar: uma etnoarqueologia da pesca no litoral norte do RS
Resumo: Diversas comunidades de pescadores se encontram atualmente distribuídas ao longo do litoral gaúcho, demonstrando que a pesca tradicional-artesanal ainda possui grande importância na região. Entretanto, apesar da riqueza histórica e sociocultural dessas comunidades, praticamente inexistem pesquisas etnoarqueológicas sobre essas populações. Neste caso, entende-se que a etnoarqueologia é um campo de estudo que possibilita a compreensão da materialidade das populações vivas. Busca-se, através desta, o estudo da mobilidade, da sazonalidade e do uso dos espaços de pesca (pesqueiros) nessa comunidade. Para tanto, a sócio-antropologia da pesca fornece o aporte necessário para compreender a dinâmica sociocultural destes grupos. Diante disso, adota-se a proposta de Antonio Carlos Diegues de que a pesca é um elemento de coesão social e que, portanto, constrói sociedades. Entende-se, nesse sentido, que a pesca não se trata apenas de uma questão produtiva, mas também da relação de vida que os pescadores possuem com estes espaços, sendo estes construídos socialmente através do conhecimento tradicional. Por meio das observações de campo realizadas até então, foi possível estabelecer um modelo de utilização dos espaços de pesca (pesqueiros) para a região em dois períodos distintos: a cheia (outono e inverno) e a vazante (primavera e verão).
2022-12-06T13:14:02Z
Silva,Lucas Antonio da