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Realidade, ciência e fantasia nas controvérsias sobre o Mapinguari no sudoeste amazônico

Resumo A existência de um monstro conhecido como Mapinguari é amplamente registrada em inúmeras localidades na Amazônia. Os Karitiana, povo de língua Arikém (Tupí) que habita o estado de Rondônia, também discorrem sobre o Mapinguari – termo com o qual eles nomeiam, em português, o monstro que, na sua língua, chamam Owojo ou Kida harara –, relatando terríveis encontros com a criatura nas matas regionais. Nesse sentido, se o Mapinguari vem sendo tratado pela literatura como exemplo de crença ou de folclore, para os Karitiana não parece haver dúvidas sobre sua realidade – ou seja, não parece se tratar de uma crença, mas de um dado deste mundo indígena –, o que pode ser apreendido facilmente nos efeitos que a presença do ‘bicho’ (kida) – modo como os Karitiana conceituam os seres perigosos das matas – têm no cotidiano indígena, incluindo as formas pelas quais este grupo indígena ocupa e explora seu território. Soma-se a esta controvérsia a sugestão, por parte de alguns pesquisadores, de que o Mapinguari pode ser o que restou das preguiças gigantes, animais considerados extintos, mas que alguns julgam ainda habitar certos recônditos amazônicos. É sobre este diálogo entre crenças folclóricas, ontologias indígenas e hipóteses científicas que este trabalho se debruça.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Velden,Felipe Ferreira Vander

Do avortado ao comprado: práticas alimentares e a segurança alimentar da comunidade quilombola do baixo Acaraqui, Abaetetuba, Pará

Resumo Este trabalho apresenta a análise e compreensão das diferentes estratégias de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) desenvolvidas pelas famílias da Comunidade Quilombola do baixo Acaraqui, Abaetetuba, Pará. A comunidade enfrenta mudanças em suas práticas alimentares, devido à redução dos recursos naturais (animais de caça, peixes e camarões), à diminuição das áreas para produção agrícola e ao aumento do valor comercial da produção. Utilizando uma abordagem qualitativa e os procedimentos de observação participante, entrevista semiestruturada, registro fotográfico, listagem livre e oficinas sobre hábitos alimentares, buscou-se obter informações que permitissem uma compreensão das práticas produtivas e alimentares localmente desenvolvidas. Observou-se maior especificação da produção, diminuindo a diversidade das espécies cultivadas e reduzindo a autossuficiência das famílias; aumento da importância do extrativismo do açaí como fator econômico gerador de renda; substituição de produtos naturais (sucos, chás) por produtos industrializados (café, refrigerante); aumento do poder aquisitivo, estimulado pelo comércio e pelos benefícios sociais recebidos (bolsa família, aposentadoria e seguro defeso). Essa realidade tem influenciado as práticas produtivas e alimentares das famílias, interferindo nas decisões produtivas e na aquisição dos alimentos, tornando-as cada vez mais dependentes do comércio e da geração de renda para garantir a SAN das famílias quilombolas.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Nascimento,Elcio Costa do Guerra,Gutemberg Armando Diniz

Os padrões de sepultamento do sítio arqueológico Lapa do Santo (Holoceno Inicial, Brasil)

Resumo No Brasil, esqueletos humanos do início do Holoceno são raros, impedindo um estudo detalhado das práticas funerárias desse período. O sítio arqueológico Lapa do Santo é uma exceção. Entre 2001 e 2009, foram exumados 26 sepultamentos do Holoceno Inicial, que são aqui descritos e distribuídos em sete padrões distintos. A inumação dos mortos na Lapa do Santo tem início entre 10300-10600 cal AP, com enterros simples e articulados (Padrão 1). Entre 9400-9600 cal AP, as práticas funerárias caracterizavam-se pela manipulação perimortem e o subsequente enterro dos ossos desarticulados de múltiplos indivíduos (Padrão 2). Entre 8200-8600 cal AP, esqueletos desarticulados de um único indivíduo, cujos ossos longos comumente apresentam fraturas perimortem, eram depositados em covas circulares (Padrão 3). Os demais padrões incluem esqueletos cujos membros foram removidos (Padrão 4), enterro de esqueleto completo desarticulado na forma de feixe (Padrão 5), cremação (Padrão 6) e enterro em cova circular, recoberto por blocos de arenito (Padrão 7). Caracteriza uma diversidade de sepultamentos desconhecida para o Holoceno Inicial, que contrasta com a homogeneidade tecnofuncional e de hábitos alimentares atribuída a esses grupos. Indica também constantes transformações ao longo do tempo, contradizendo a visão de que esses grupos seriam avessos a inovações culturais.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Strauss,André

Obscure cognates and lexical reconstruction: notes on the diachrony of the Xinguan Arawak languages

Abstract The present paper discusses evidence supporting the claim that the common Xinguan Arawak noun for ‘hand’, *wɨʂɨku, is a shared lexical innovation of this subgroup and that, in addition, a formation for ‘finger’ derived from a nominal compound with the roots for ‘hand’ and ‘head’, *kapɨ-tɨwɨ, sets Waurá, Mehinaku and Kustenaú apart from other languages of the family, including Yawalapiti. The reconstructed Proto-Arawak etymon for ‘hand’, *kʰapɨ, is preserved in the Xinguan Arawak languages only in the form of obscure cognates, instantiating interesting developments in lexical semantics as well as a relatively uncommon sound change in Yawalapiti. The discussion incorporates and addresses the historical linguistic significance of the earliest documentation of the Xinguan Arawak languages, the material gathered by Karl von den Steinen in 1887-1888. The analyses and data discussed highlight serious shortcomings in some of the reconstructed forms and diachronic developments advanced by Payne (1991), such as the postulation of a shift *a > ɨ in Waurá and the reconstruction of syllable-final *h for the Proto-Arawak language, one of the most controversial aspects of his comparative study.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Carvalho,Fernando O. de

Eidorfe Moreira e os sermões de Vieira na Belém Seiscentista

Resumo O universo intelectual de Eidorfe Moreira (1912-1989) abrigou as mais diferentes manifestações do pensamento. Tendo a Amazônia marcado profundamente a sua obra, Eidorfe Moreira, um discípulo da Geografia Cultural, construiu campos de leitura bem ilustrativos de sua formação, em que o binômio Geografia/História Cultural norteou o principal de seus trabalhos. A passagem do Padre Antônio Vieira (1608-1697) por Belém despertou-lhe o interesse, sobretudo os sermões que pregou na matriz da cidade. Eidorfe Moreira valeu-se de autores como João Lúcio de Azevedo, Raymond Cantel e João Francisco Lisboa para arguir a parenética – e a política – nos sermões de Vieira.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Coelho,Geraldo Mártires

Uma tradução do clássico de DeBoer e Lathrap: “O fazer e o quebrar da cerâmica Shipibo-Conibo”

Resumo DeBoer e Lathrap discutem a indústria cerâmica dos Shipibo-Conibo do leste peruano, documentando a passagem de objetos gerados pelo seu sistema comportamental atual até sua incorporação ao registro arqueológico. Descrevem a procura por matéria-prima, a manufatura das vasilhas e sua distribuição dentro das habitações, assim como as funções primárias e secundárias das vasilhas e os padrões de descarte da cerâmica. Embora a classificação cerâmica não seja o principal objetivo dos autores, o texto fornece informações úteis sobre a taxonomia dos Shipibo-Conibo (em especial quanto à sua função) e sobre as variações produzidas pelas diferentes oleiras. Ao focar nas variações de uso e na longevidade dos vasilhames, como nos processos que transformam objetos cerâmicos em artefatos arqueológicos, o artigo contribui para uma crescente literatura voltada a iluminar os processos de formação do registro arqueológico, que tem implicações sobre a formulação do planejamento de estratégias de amostragem na Arqueologia (texto introdutório de Carol Kramer para a versão publicada em 1979).

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2022-12-06T13:14:02Z

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Almeida,Fernando Ozorio de Rocha,Bruna

Pesca do apaiari, Astronotus ocellatus (Agassiz, 1831), e perfil socioeconômico dos pescadores artesanais de uma região da Amazônia brasileira

Resumo A pesca artesanal é uma importante atividade econômica e de subsistência para as populações tradicionais da região amazônica. O objetivo deste estudo foi caracterizar a pesca do apaiari, Astronotus ocellatus (Agassiz, 1831), e o perfil socioeconômico dos pescadores artesanais da região dos lagos de Pracuúba, Amapá. De maio a agosto de 2011, foram realizadas entrevistas, através de formulários padronizados, com pescadores selecionados por meio do método ‘bola de neve’, com idade acima de 18 anos. Dos 68 pescadores selecionados, 55 eram do sexo masculino e 13 do feminino. A partir dos resultados, observou-se que os pescadores possuem um amplo conhecimento da atividade na região, incluindo a pesca do apaiari. Tanto a vida social quanto a econômica desta população dependem totalmente da pesca artesanal.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Daaddy,Márcia Dayane Vilhena Santos,Cesar Brandão,Rúbia Maielli Lima Amanajás,Renan Diego Ribeiro,Ana Beatriz Nunes

Perspectivas do trabalho feminino na pesca artesanal: particularidades da comunidade Ilha do Beto, Sergipe, Brasil

Resumo A participação feminina na atividade pesqueira representa uma alternativa de subsistência, fonte de trabalho e renda para inúmeras famílias em todo o país. Todavia, a atuação da mulher neste universo ocorre, com algumas exceções, num contexto de invisibilidade e desvalorização do seu trabalho, entendido, muitas vezes, como extensão das tarefas domésticas, e não como pesca propriamente. Contrariando este contexto, destaca-se um grupo de pescadoras da comunidade Ilha do Beto, localizada no município de Itaporanga D’Ajuda, Sergipe, Brasil. O presente trabalho é um estudo de caso e tem por finalidade revelar as distintas atribuições dessas mulheres e as características de sua atuação na pesca artesanal. Para alcançar o objetivo proposto, a metodologia utilizada fundamenta-se na abordagem qualitativa. Foram também adicionados à estrutura metodológica pressupostos da história oral e aspectos da abordagem etnográfica. A elaboração deste estudo permitiu apreender que o papel desempenhado por essas pescadoras na aludida comunidade assume uma conotação diferenciada, uma vez que a importância do seu trabalho é reconhecida e assumida por elas. Ademais, foram observadas outras surpreendentes características peculiares ao grupo, tais como dependência masculina em relação à mulher para realização da atividade pesqueira; inexistência de atribuições ocupacionais distintas entre os gêneros, constatadas a partir da presença da mulher nas embarcações, desempenhando funções também no mar, entre outras.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Martins,Mary Lourdes Santana Alvim,Ronaldo Gomes

Pescados, pescarias e pescadores: notas etnográficas sobre processos ecossociais

Resumo Este escrito focaliza três conceitos êmicos (pescados, pescarias e pescadores), importantes para a compreensão do trabalho pesqueiro artesanal em duas praias pernambucanas no Nordeste brasileiro: São José da Coroa Grande e Carne de Vaca. Por meio de pesquisa etnográfica de cunho comparativo, discuto as aludidas categorias enquanto processos ecossociais, apoiando-me nas noções de produção e de reprodução social de Godelier e Lukács. Assim, processos ecossociais são entendidos como um irrevogável metabolismo do pescador com a natureza, cujo trabalho torna-se condição sine qua non da produção e reprodução social da pesca artesanal enquanto categoria constitutiva e constituída das formas de ser e das determinações de existência socioeconômica, culturais e ecológicas. Além disso, os processos ecossociais são mediações societárias vinculadas a determinados tempos históricos, condições ambientais encontradas, particularidades locais e suas interações com a totalidade social, a exemplo do que se apresenta nas distintas pescarias (jangadas, caícos e botes) e maneiras de ser pescador nas praias de São José da Coroa Grande e Carne de Vaca.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Ramalho,Cristiano Wellington Noberto

Fronteira agrícola na Amazônia contemporânea: repensando o paradigma a partir da mobilidade da população de Santarém-PA

Resumo Processos demográficos na Amazônia permanecem explicados a partir da dinâmica da fronteira agrícola, um referencial aplicado à conjuntura da década de 1970. Buscando verificar sua capacidade de refletir a contemporaneidade da região, o trabalho apresenta um estudo sobre a mobilidade populacional em Santarém, um caso pertinente pela complexidade da configuração rural e recente inserção do agronegócio. Dados dos Censos Demográficos do IBGE e entrevistas em 311 propriedades rurais familiares foram usados para múltiplas análises migratórias. O resultado destacou a relevância da circulação interna na dinâmica do município, além de revelar que o meio rural é mais estável e menos impactado pela migração do que o urbano. Ao contrário do que a reflexão sobre fronteira usualmente preconiza, o êxodo rural teve baixo impacto no volume populacional e suas análises apontaram para novas tendências na composição de quem os realiza. A verificação de categorias de mobilidade latentes na bibliografia reforçou que a fronteira é plural e que seu referencial teórico é capaz de explicar somente parte das transformações rurais. A reconfiguração do meio rural só será amplamente compreendida quando contemplada a mobilidade intra-rural e a imigração rural, que tem na sua essência as relações de família, a identidade com rural e a dissolução da dicotomia rural-urbana.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Côrtes,Julia Corrêa D’Antona,Álvaro de Oliveira

Agriculture itinérante sur brûlis (AIB) et plantes cultivées sur le haut Maroni: étude comparée chez les Aluku et les Wayana en Guyane française

Résumé Vers la fin du 18e siècle, les Noirs marrons Aluku, descendants d’esclaves rebelles fuyant les plantations hollandaises et les Amérindiens Wayana, arrivant du Brésil, où ils fuyaient les chasseurs d’esclaves, se sont rencontrés sur le haut Maroni, en Guyane française. Ce partage d’un même lieu de vie a été l’occasion d’échanger un grand nombre de techniques, notamment en ce qui concerne l’agriculture itinérante sur brûlis, et les plantes cultivées. Toutefois notre étude montre que le culte des ancêtres chez les Noirs marrons a modifié leur cycle cultural (via la culture du riz), influençant ainsi leur gestion de l’environnement. De même la nature et la diversité des plantes cultivées diffèrent sensiblement en fonction des usages traditionnels et habitudes culinaires des deux sociétés. Les Aluku ont sélectionné de nombreuses espèces et variétés de plantes qui leur sont propres et sont liées à leurs racines africaines. Les Amérindiens cultivent des plantes spécifiques utiles au chamanisme (tabac) et à leur artisanat traditionnel. De plus, leur perception de la nature implique des pratiques cultuelles différentes notamment avant le défrichage. Cette étude illustre l’influence de la diversité culturelle sur la gestion de l’agrobiodiversité et, de manière plus générale, sur l’adaptation de l’homme à son environnement.

Mobilidade, subsistência e apropriação do ambiente: contribuições da zooarqueologia sobre o Sambaqui do Bacanga, São Luís, Maranhão

Resumo Os padrões humanos de subsistência e/ou mobilidade podem estar refletidos no registro zooarqueológico dos sambaquis de manguezais estuarinos e outros ecótonos litorâneos. Em um domínio biogeográfico, tal como o manguezal e seus ecótonos associados, a disponibilidade de grande parte dos recursos animais pode aumentar em função da sazonalidade e do ciclo de vida dos seres vivos, e tornar-se mais acessível dentro de uma área de captação de recursos. Assim, o registro dos sambaquis, caracterizados por uma grande quantidade de restos de moluscos e peixes, em relação a outros táxons, pode indicar tanto um viés tafonômico, quanto questões relacionadas ao cálculo da biomassa em laboratório e/ou variações na subsistência humana em função das modificações da paisagem no ciclo anual. Este trabalho tem por objetivo contemplar as questões e as hipóteses sobre os padrões de mobilidade atrelados aos modelos de subsistência e à apropriação do ambiente por sociedades humanas pretéritas, nos Sambaquis do litoral maranhense, com especial ênfase ao sambaqui do Bacanga, inserido em um contexto de manguezal estuarino. Até o momento, foi possível concluir que não houve variações taxonômicas significativas ao longo dos estratos arqueológicos.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Bandeira,Arkley Marques Chahud,Artur Ferreira,Isabela Cristina Padovani Pacheco,Mírian Liza Alves Forancelli

Adornos corporais em Carajás: a produção de contas líticas em uma perspectiva regional

Resumo O sítio arqueológico MMA-02, encontrado na Serra dos Carajás, Pará, e associado à variante amazônica da tradição Tupiguarani era um local especializado na produção de adornos corporais em uma matéria prima lítica, a caulinita silicificada. Principalmente, contas discoides estariam sendo produzidas, o que está evidente na predominância de suas pré-formas e restos brutos de debitagem. Para o presente artigo, foi feita a análise tecnológica de uma amostra do material, centrada no estudo da cadeia operatória das contas, com o objetivo de acessar as escolhas feitas por aqueles que frequentaram o sítio: quais as técnicas utilizadas e como se encadeavam em sucessivas operações no trabalho do material. Ao mesmo tempo, procuramos entender o sítio, tanto dentro do padrão observado para as ocupações Tupiguarani no sudeste amazônico, quanto no contexto mais amplo da região amazônica durante a Nossa Era, na qual a referência à circulação de adornos corporais é uma constante.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Falci,Catarina Guzzo Rodet,Maria Jacqueline

Belém e o mundo natural: olhares de viajantes sobre plantas e animais na urbe amazônica (1840-1860)

Resumo Conhecida por diversos viajantes durante a primeira metade do século XIX, a cidade de Belém não representou somente um lugar de estadia ou ‘porta de entrada’ para a realização de pesquisas e observações no mundo natural amazônico. Muitos estudiosos, seduzidos pela fauna e pela flora existentes no ambiente interno e nas cercanias da capital do Grão-Pará, também se preocuparam em descrever aspectos da natureza presentes no respectivo núcleo urbano ou em suas proximidades. A partir desses pressupostos e por acreditar que os espaços social e urbano não podem ser dissociados do natural, desenvolve-se neste artigo uma reflexão sobre as experiências de alguns estrangeiros, envolvidos na descrição de plantas e de animais na cidade do Pará.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Lima,Luciano Demetrius Barbosa

Memória social e patrimônio cultural: a transmissão de práticas científicas em um herbário brasileiro

Resumo O artigo explora o papel do Herbário ICN, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na transmissão de práticas científicas próprias à área da botânica, tomando por orientação os conceitos de memória social e patrimônio cultural. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar, pautada por observação participante e entrevistas, resultando em como se dá o fazer ciência e a divisão do trabalho por meio do Herbário, bem como o seu papel como laboratório e espaço de consulta e referência. Como conclusão, sugere-se que Herbário ICN é o nódulo de um sistema de objetos e práticas que garante a continuidade de modos de fazer e saberes científicos nas ciências da vida. Seu valor de patrimônio científico não se restringe, portanto, aos aspectos materiais de sua coleção.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Piccinini,Sonia Maria Graeff,Lucas Mangan,Patrícia Kayser Vargas

Segregação racial na orla de Belém: os portos públicos da Estrada Nova e o Ver-o-Peso

Resumo Em Belém, intervenções urbanísticas na orla da cidade, conduzidas pela prefeitura com recursos do Banco Mundial, projetam a requalificação dos espaços públicos no sentido de transformá-los em ambientes de consumo. Gentrificação é o caso, e significa retirar pessoas e com elas sociabilidades que dão identidade aos lugares. Os portos da Palha e do Açaí e o Ver-o-Peso são espaços públicos de grande relevância para a cidade e, principalmente, para a população de pretos e pardos, os negros e os indígenas mestiços que transitam e fazem transitar mercadorias entre as ilhas e o continente. Milhares de pessoas cruzam rotineiramente entre esses lugares no continente e as várias ilhas do outro lado do rio. Contudo, quem promove as intervenções urbanísticas quer remover a vida popular dos seus lugares. Como se costuma dizer, a pobreza tem cor. Eles resistem à remoção, mas a questão racial não está posta nesses lugares. Reconhece-se a segregação social, entretanto ela não é vista também como racial. A gramática racial não está presente na resistência contra os projetos excludentes. Somadas aos interesses de classe, a dimensão cultural e a luta pelo reconhecimento racial acrescentariam um conteúdo significativo na capacidade de resistência e insurgência dessas populações. O presente artigo levanta essa questão.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Peixoto,Rodrigo Corrêa Diniz Silva,Jakson Silva da

Pedra do Peixe: redes sociais na circulação do pescado do Ver-o-Peso para a cidade de Belém do Pará

Resumo Este artigo tem por objetivo apresentar uma etnografia sobre a rede social envolvida no processo de circulação do pescado que chega diariamente ao mercado do Ver-o-Peso, principal entreposto pesqueiro da região amazônica, e é distribuído por toda a cidade de Belém do Pará. Diariamente, o pescado in natura, capturado e trazido em embarcações pesqueiras, entra na área urbana pela Pedra do Peixe, marco espacial e simbólico do mercado do Ver-o-Peso,no qual é vendido e distribuído na cidade e para outras praças do estado e do país, para chegar aos consumidores finais, que o encontram nas feiras, mercados, supermercados e outros pontos de venda, assim como nos restaurantes diversificados, em forma de pratos regionais preparados para os muitos apreciadores do produto. Essa extensa rede de comercialização do pescado apresenta aspectos econômicos, sociais, culturais, regras, informalidades e conflitos, que fazem com que a circulação do pescado em Belém permaneça, até a atualidade, com muito vigor, tendo a Pedra do Ver-o-Peso como centralidade do seu fluxo cotidiano, através das redes de relações e das práticas socioculturais incorporadas por trabalhadores e fregueses que circulam diariamente por esse espaço central da cidade.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Silva,Luiz de Jesus Dias da Rodrigues,Carmem Izabel

Mulher e mercado: participação e conhecimentos femininos na inserção de novas espécies de pescado no mercado e na dieta alimentar dos pescadores da RESEX Mãe Grande em Curuçá (PA)

Resumo O artigo descreve como o conhecimento tradicional da mulher marisqueira e pescadora de rio e mar, da localidade de Caratateua, RESEX Marinha Mãe Grande de Curuçá (PA), contribui na inserção e comercialização de novas espécies de pescado. O trabalho utiliza metodologia quali-quantitativa e produz dados que apontam para um quadro de escassez dos pescados mais apreciados no mercado local. Apresenta o conhecimento tradicional feminino sobre as espécies-chave que compõem a dieta dos pescadores, sendo esse uma forma de inserção das mulheres no mercado. A coleta dos dados ocorreu no período de março a agosto de 2012. As técnicas metodológicas utilizadas priorizaram um fazer etnográfico, privilegiando o uso de entrevistas semiestruturadas, realizadas com pescadoras/marisqueiras da comunidade, sendo aplicados, ainda, dez questionários às mesmas e nove questionários no mercado do município de Curuçá, junto aos vendedores de pescado. Nas entrevistas, foi possível observar as mudanças ocorridas ao longo dos anos, evidenciando a escassez das espécies tradicionais, tanto na mesa do pescador quanto no mercado consumidor. Os resultados apontam, especialmente, para o papel da mulher na inserção de novas espécies em ambos os espaços, privado e do mercado, já que o conhecimento feminino evidencia uma maior percepção acerca dos recursos naturais disponíveis para consumo.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Palheta,Marllen Karine da Silva Cañete,Voyner Ravena Cardoso,Denise Machado

De Senhora de Nazaré a ‘Nazinha’: singularidades na expressão do afeto à padroeira do Pará

Resumo Este estudo parte do pressuposto de que existe um modo particular de relação devocional do povo paraense com a figura mítica de Maria de Nazaré, mãe de Jesus. ‘Naza’, ‘Nazica’, ‘Nazinha’ são diminutivos do nome original que comunicam o afeto à Santa, contribuindo para o fortalecimento de laços de identidade e pertencimento evidenciados nas festividades em homenagem à padroeira do Estado do Pará, no Norte do Brasil. Essas manifestações marcadas pela informalidade são continuamente mobilizadas por meio de conexões entre linguagem, religiosidade, cultura e mídia. O percurso teórico toma por referência as concepções de Muniz Sodré (2006), que, ao sinalizar para a urgência de novos mecanismos de interpretação para o campo da comunicação, defende a necessidade de se atentar para “a diversidade da natureza das trocas” e seus “poderosos dispositivos do afeto”. Depoimentos coletados em sites, blogues e redes sociais, além de duas letras de músicas e um videoclipe, compõem o conjunto de objetos analisados pelas autoras.

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2022-12-06T13:14:02Z

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Veloso,Maria do Socorro Furtado Pavan,Maria Angela