RCAAP Repository
O muiraquitã da estearia da Boca do Rio, Santa Helena, Maranhão: estudo arqueológico, mineralógico e simbólico
Resumo O muiraquitã é um artefato arqueológico raro e característico das sociedades pré-coloniais do baixo Amazonas e de área circum-caribenha. Foi confeccionado por meio de diversos tipos de minerais, sendo os mais conhecidos os de pedra verde, sobretudo a nefrita. Embora sua função ainda seja desconhecida, a literatura etnográfica e arqueológica sugere que estes objetos conotavam símbolos de poder, haja vista a ampla rede de circulação em que estavam inseridos. Este artigo descreve um muiraquitã encontrado na estearia da Boca do Rio, região das estearias maranhenses. As análises foram feitas por MicroRaman, com auxílio do equipamento de bancada BWTEK, da GemExpert, difração de raios X (DRX), evidenciando que o artefato foi confeccionado em tremolita/actinolita, um mineral inexistente no Maranhão. Propõe-se uma possibilidade acerca da cadeia operatória do artefato e analisam-se as possíveis redes regionais de interação comercial e simbólica nas quais este muiraquitã esteve envolvido.
2017
Navarro,Alexandre Guida Costa,Marcondes Lima da Silva,Abrahão Sanderson Nunes Fernandes Angélica,Rômulo Simões Rodrigues,Suyanne Santos Gouveia Neto,João Costa
Na sombra das pedras grandes: as indústrias líticas das ocupações pré-coloniais recentes da região de Diamantina, Minas Gerais, Brasil
Resumo As ocupações pré-coloniais do Holoceno Superior da região de Diamantina (na serra do Espinhaço, no Centro-Norte de Minas Gerais) são representadas por diversificada indústria lítica em variados sítios com abrigos. Neste artigo, busca-se construir um entendimento articulado, sistêmico, de um conjunto de sítios dessa área, a partir da disponibilidade de matérias-primas, das morfologias e das implantações dos sítios, da variabilidade artefatual presente neles e da associação deste aspecto com outros vestígios e estruturas. Para isso, articulam-se os conceitos de cadeia operatória e organização tecnológica com reflexões sobre o uso e a atribuição de sentido aos lugares. O estudo toma por objeto coleções geradas por um conjunto de intervenções realizadas em dez sítios, incluindo sondagens, escavações e diferentes métodos de coleta de superfície. Centrada nas indústrias líticas, a análise procura articulá-las a outros elementos das ocupações indígenas pré-coloniais recentes.
2017
Isnardis,Andrei
História das pesquisas bioarqueológicas em Lagoa Santa, Minas Gerais, Brasil
Resumo A região de Lagoa Santa, Minas Gerais, apresenta uma história de pesquisas que cruza as fronteiras disciplinares da antropologia, arqueologia e biologia. Neste artigo, traçamos um panorama dos debates que permeiam 180 anos de pesquisa na região. As primeiras intervenções na área foram realizadas pelo naturalista Peter Lund, no século XIX. Desde então, intervenções nacionais, como as do Museu Nacional do Rio de Janeiro, e internacionais, como as das missões Americana e Francesa, aconteceram na região. Enfatizamos neste artigo o impacto produzido na pesquisa local pelas mudanças teóricas e pela intensidade de diálogo entre as disciplinas envolvidas. Por fim, destacamos a importância de manter as pesquisas na região centradas em questões científicas interdisciplinares.
2017
Da-Gloria,Pedro Neves,Walter Alves Hubbe,Mark
Museu da Maré: entre educação, memórias e identidades
Resumo Entrelaçando memória, espaços educativos não formais e identidade, a análise da dimensão educativa do Museu da Maré, no Rio de Janeiro, revela a possibilidade de fortalecimento identitário de grupos populares através da valorização e da ressignificação da história, bem como da construção das memórias locais. O Museu da Maré gera visões ‘de nós e dos outros’, estabelecendo um jogo sutil e constante entre identidades e alteridades em suas memórias construídas e em histórias narradas em um museu contra-hegemônico, segundo conceito de Boaventura de Souza Santos.
2017
Araújo,Helena Maria Marques
A saga de Payaré Akrãtikatêjê frente ao Estado brasileiro no contexto da construção da hidrelétrica de Tucuruí
Resumo Este texto é fruto de pesquisa realizada durante o ano de 2011, construída com base na metodologia de história de vida, por via – principalmente – da história oral. O resultado desta pesquisa foi o meu trabalho de conclusão de curso de graduação, finalizado no mesmo ano, revisitado agora para contar a história de Payaré. Cacique Akrãtikatêjê, ele travou uma batalha judicial, por mais de trinta anos, contra o Estado brasileiro, para ver reparado um erro histórico da justiça brasileira, que negou a identidade indígena a ele e ao seu povo no contexto da construção da hidrelétrica de Tucuruí. Com a construção da barragem da hidrelétrica, as terras do povo Akrãtikatêjê foram inundadas, iniciando-se a saga de Payaré para garantir os direitos de sobrevivência de seu povo.
2017
Guimarães,Mariana Teixeira
Amazônia... A ira dos poderosos. Ricardo Smith, 2016
No summary/description provided
2017
Jacinto,Felipe
História e saliva, ou como a história ambiental nos reconduz ao mundo
No summary/description provided
2017
Cabral,Diogo de Carvalho
Para além de Santarém: os vasos de gargalo na bacia do rio Trombetas
Resumo As cerâmicas Konduri (XI-XV AD) e Santarém (XIII-XVI AD), pertencentes à Tradição Inciso Ponteada, são encontradas em áreas vizinhas ao baixo Amazonas. Uma das vasilhas mais emblemáticas da cerâmica Santarém são os vasos de gargalo, caracterizados pela presença de um gargalo constrito com flange, base em pedestal e bojo lobado, geralmente com dois pares de apliques formando eixos de simetrias perpendiculares. No presente estudo, a proposição de que esse grupo de vasos ocorria exclusivamente associado à cerâmica Santarém será reavaliada. A partir da análise de dezenas de vasos de gargalo Santarém, foi possível identificar elementos diagnósticos capazes de ser reconhecidos em fragmentos isolados. A análise de coleções cerâmicas oriundas de contextos Konduri, por sua vez, permitiu isolar mais de uma centena de casos com atributos diagnósticos. A revisão da literatura confirma a presença desses fragmentos em coleções que não puderam ser diretamente observadas. Os vasos de gargalo associados à cerâmica Konduri apresentam padrões incisos e aplicados particulares, sem equivalentes nos vasos Santarém. O compartilhamento de um tipo cerâmico tão distinto em escala regional reforça as sugestões encontradas nos estudos etno-históricos e arqueológicos sobre a existência de interações sociais entre os coletivos produtores das cerâmicas Santarém e Konduri.
2018
Alves,Marcony Lopes
As mulheres novo-hispanas do Convento da Encarnação (Cidade do México) por meio das suas contas de vidro
Resumo Este trabalho trata sobre a importância simbólica das contas de vidro na Nova Espanha, território do império espanhol na América do Norte até o istmo de Panamá e Filipinas. Nesta ocasião, apresenta-se a coleção arqueológica do antigo Convento da Encarnação, situado em plena Cidade do México. A intenção é refletir sobre o papel desses materiais na construção social de uns corpos de mulheres que aí viveram entre o século XVI e o início do século XIX. Ao mesmo tempo, debatem-se questões teórico-metodológicas enfrentadas pela arqueologia para abordar este tipo de contexto.
2018
Torres,Andreia Martins
Os processos da paisagem pastoril: caracterizando lugar e movimento
Resumo O movimento cotidiano dos pastores faz com que entrem em contato com o meio à volta e produzam inscrições culturais nessa paisagem apreendida. Assim, lugares e caminhos passam a ser marcos de prerrogativas espaciais e de memórias. Este artigo tem como objetivo levantar aspectos relacionados às estratégias de mobilidade e relacioná-las à paisagem de um grupo de pastores do vale de Santa María, na porção noroeste da Argentina. A partir de uma abordagem etnoarqueológica, pretende-se compreender como a persistência de vida pastoril contextualiza uma paisagem viva, carregada de significado e de elementos identitários. Busca-se também, a partir da noção de paisagem, trabalhar os conceitos de lugar e de movimento, a fim de demonstrar como o processo de apreensão das paisagens é fluído e constantemente internalizado a partir das classificações particulares dos grupos.
2018
Acha,Milena
A cosmografia Munduruku em movimento: saúde, território e estratégias de sobrevivência na Amazônia brasileira
Resumo Neste artigo, examina-se a perspectiva do povo Munduruku sobre o meio ambiente, bem como a relação do conhecimento e da práxis deste povo em relação à prevenção e à resolução de problemas de saúde. A ocupação do território, o uso de recursos disponíveis e a vida social implicam efeitos sobre os corpos Munduruku, na medida em que a manutenção dos laços sociais e a proteção do ambiente são consideradas por eles como condições necessárias para a reprodução da coletividade. A partir de uma perspectiva particular aos Munduruku sobre como funciona o cosmo e sobre a eficácia das práticas de autoatenção, necessárias à reprodução biossocial individual e coletiva, evidencia-se, neste artigo, a relação intrínseca entre ambiente e saúde, evocando a articulação entre as dimensões pragmáticas, sociais, ontológicas e políticas das estratégias de sobrevivência coletiva e de manutenção do território, desenvolvidas pelos Munduruku frente aos desafios, às lutas e às ameaças emergentes das situações cosmopolíticas e interétnicas. Por fim, argumenta-se que a política brasileira sobre os povos indígenas é contraditória, pois, por um lado, investe grandes recursos na assistência à saúde e, por outro, ignora os conhecimentos tradicionais sobre saúde e ambiente, de modo que a política de desenvolvimento econômico atua contra as necessidades plenas de bem-estar.
2018
Scopel,Daniel Dias-Scopel,Raquel Langdon,Esther Jean
Festas de santo, território e alianças políticas entre comunidades quilombolas de Salvaterra, Marajó, Pará, Brasil
Resumo O artigo trata das festas em homenagem aos santos padroeiros e de devoção, realizadas por moradores de quinze comunidades quilombolas, localizadas no município de Salvaterra, na ilha do Marajó, estado do Pará, Brasil. A análise toma como centrais o conceito de território e a noção de dádiva, para compreender os processos de construção de alianças políticas, envolvendo moradores das comunidades quilombolas Salvá, Mangueiras, Caldeirão, Bairro Alto, Pau Furado, Bacabal, Santa Luzia, Providência, Deus Ajude, São Benedito da Ponta, Siricari, Boa Vista, Paixão, União/Campina e Rosário. O estudo mostra, com base em pesquisa etnográfica, que as festas em homenagem aos santos realizadas nesses locais contribuem para a construção e a reafirmação de alianças políticas, bem como para estabelecer uma ligação entre os territórios, ao enlaçar e envolver as comunidades em um grande circuito de festas, que extrapola as fronteiras dos territórios comunitários. As festas de santo, portanto, são eventos que permitem a reafirmação do sentido de pertencimento a uma comunidade e a um território, reforçando a disposição de lutar pela garantia de direitos territoriais perante o Estado.
2018
Lima Filho,Petrônio Medeiros Cardoso,Luis Fernando Cardoso e Alencar,Edna
Ciclos econômicos do extrativismo na Amazônia na visão dos viajantes naturalistas
Resumo Este artigo discute alguns ciclos econômicos do extrativismo na Amazônia, a partir das observações de naturalistas viajantes ao longo dos séculos. Embora estivessem engajados na coleta de material da flora e da fauna da região, os naturalistas fizeram importantes observações sobre as transformações socioeconômicas que ocorreram na região movidas por tais atividades extrativistas. As atividades extrativistas discutidas aqui são as drogas do sertão, dando maior atenção à coleta do cacau, à exploração de tartarugas e à extração de látex para a produção de borracha. A análise é baseada em relatos específicos dos naturalistas sobre a exploração de recursos naturais que caracterizaram períodos de expansão e de declínio da economia extrativista na região. Esse recorte proporcionou agrupar os relatos que tratam de temas comuns, criando uma percepção temporal dos principais recursos explorados segundo a visão dos viajantes naturalistas. De forma geral, seus relatos raramente são mencionados por autores que discutem a economia extrativista da Amazônia atualmente.
2018
Gomes,Carlos Valério Aguiar
Pioneiros e fazendeiros de São Paulo: a história ambiental e a obra de Pierre Monbeig
Resumo O geógrafo francês Pierre Monbeig integrou o grupo que, no início da década de 1930, chegou ao Brasil para compor um dos primeiros núcleos de docentes da Universidade de São Paulo. Este artigo apresenta uma reflexão sobre a sua obra “Pioneiros e fazendeiros de São Paulo” (1984b), à luz da história ambiental, compreendendo a importância da pesquisa de Monbeig para os estudos dedicados às relações entre o homem e o meio ambiente no contexto da expansão econômica paulista, nas primeiras décadas do século XX. Mesmo após a sua volta à França, em meados da década de 1940, Pierre Monbeig continuou em contato com seus alunos e orientandos no Brasil, produzindo obras fundamentais sobre o país que nunca saiu de seu horizonte intelectual.
2018
Mahl,Marcelo Lapuente
O incentivo à pesca comercial de Arapaima gigas (pirarucu) do rio Araguaia (Brasil central) na revista “A Informação Goyana” (1917-1935)
Resumo Entre os anos de 1917 e 1935, a revista “A Informação Goyana” publicou, de forma esporádica, diversas fotos de espécimes de Arapaima gigas (pirarucu) capturados no rio Araguaia. O presente artigo segue as interconexões formadas pelo registro fotográfico dessa espécie e pela sua exposição na referida revista, objetivando analisar os esforços de integração do estado de Goiás ao Brasil, via desenvolvimento de uma indústria pesqueira ainda inexistente neste estado. Esse esforço coincide com a emergência de um debate, em nível nacional, sobre o incentivo à pesca e à formação de um mercado interno do pirarucu como forma de diminuir as importações do bacalhau. Essas imagens serviam para exaltar a biodiversidade de animais aquáticos que habitavam os rios de Goiás, o tamanho e o peso dos pirarucus da bacia do Araguaia e o potencial de sua pesca em larga escala para o desenvolvimento econômico do estado.
2018
Vital,André Vasques Tejerina-Garro,Francisco Leonardo
O sertão virou rio e o rio virou sertão: um cineasta alemão e o Cinema Novo brasileiro
Resumo O cineasta alemão Werner Herzog (1942) realizou filmagens na Amazônia durante os anos 1970 em busca de paisagens antes nunca vistas, direcionando seu foco para as ‘margens da civilização’, conforme prescrevera anos antes o diretor brasileiro Glauber Rocha, um dos ícones do Cinema Novo brasileiro. Buscaremos analisar, neste artigo, as marcas do ‘cinemanovismo’ na obra de Herzog e a forma como esse diálogo contribuiu para a construção do seu ‘olhar’, percebendo de que maneira a estética ‘glauberiana’ foi assimilada por um grupo de realizadores alemães ligados ao que ficou conhecido por Novo Cinema alemão.
2018
Reis,Renan Nascimento
First grammatical encoding of Japanese Politeness (17th century)
Abstract We analyze the description of the polite language in the early 17th century Japanese grammars, mainly the ‘large’ grammar (1604–1608) by the missionaries João Rodrigues ‘Tçuzu’ [the interpreter], S.J. (1562–1633), and the Japanese grammar (1632) by Diego Collado, O.P. (late 16th century–1638). Over 350 years of the Pragmatics established as a linguistic domain, one of the first Japanese dictionaries (1603–1604) introduced the designation of honorific particles and honored verbs. Rodrigues developed this terminology considerably, having analyzed accurately social and linguistic relationships and ways of Japanese reverence and politeness. He proposed an innovative linguistic terminology, inexistent in former European grammars and dictionaries, of which a part was followed by Collado: honorific and humble or humiliative particles, honored and humble verbs, honorable or honorific and low pronouns. Rodrigues also paid special attention to the women’s specific forms of address, describing their own ‘particles’. To sum up, the earlier 17th century Japanese grammars described pioneeringly what nowadays has been called as the Politeness Principle of Japanese or the honorific language of Japanese, termed as Keigo (respect language) or, academically, Taigū Hyōgen (treatment expressions).
2018
Fernandes,Gonçalo Assunção,Carlos
Resultados preliminares da pesquisa no sambaqui sob rocha Casa de Pedra, São Francisco do Sul, Santa Catarina, Brasil
Resumo A baía da Babitonga possui um patrimônio arqueológico riquíssimo, constituído por um conjunto numeroso de sambaquis, relacionados a pescadores-caçadores-coletores pré-coloniais. O projeto em desenvolvimento volta-se para um sambaqui localizado sob uma gruta no litoral leste de São Francisco do Sul, Santa Catarina, Brasil: o sambaqui sob rocha Casa de Pedra. O sítio apresenta camada arqueológica de 38 cm de espessura e área de 27 m2, e vem sendo escavado desde 2015, com rebaixamento em níveis artificiais de 5 cm de profundidade, em 30 setores de 1 x 1 m. A matriz é composta predominantemente por fragmentos ósseos de ictiofauna e por material conquiológico. Foram encontrados ossos humanos esparsos, alguns queimados, nas primeiras camadas. Osso humano e conchas a 3 cm e 20-25 cm de profundidade apresentaram datação de 4.460 ± 30 e 5.470 ± 30 anos AP, respectivamente. Porém, datações do sedimento da base do sítio apresentaram 4.330 ± 700 e 5.670 ± 850 anos AP, levando-nos a questionar a origem da matriz arqueológica e a sua posição em contexto temporal. Nas paredes internas da gruta, verificaram-se pinturas rupestres, que, após resultados mais concretos, poderão ser o primeiro registro no estado deste tipo de manifestação associada a sambaquis.
2018
Bandeira,Dione da Rocha Alves,Maria Cristina Almeida,Graciele Tules de Sá,Júlio Cesar de Ferreira,Jéssica Vieira,Celso Voos Amaral,Vitor Marilone Cidral da Costa do Bartz,Magda Carrion Melo Jr.,João Carlos Ferreira de
‘Passaporte para a floresta’: a regulação do extrativismo de balata na Floresta Estadual do Paru, estado do Pará, Brasil
Resumo Este artigo reflete sobre as formas de organização de um grupo de extrativistas em vista da implementação de um termo de uso como forma de regulamentar o extrativismo de balata (Manilkara bidentata) na Floresta Estadual (FLOTA) do Paru, no Pará. Trata-se de reflexões construídas no âmbito de projetos de pesquisa e de extensão universitária, que, por meio da observação participante, têm propiciado contatos regulares com os sujeitos envolvidos no caso. O local de estudo é o município de Monte Alegre, em cujo território a FLOTA Paru abriga sete unidades de manejo florestal, destinadas a concessões florestais, nos moldes da lei de gestão de florestas públicas. É também com base nesta lei, e no decreto que regulamenta seus dispositivos que o termo de uso foi apresentado pelo Estado aos balateiros como condição para a continuidade de seu ofício tradicional dentro da referida Unidade de Conservação. A implementação desse instrumento, contudo, depara-se com desafios e questões que sugerem a sua inadequação às características socioculturais do grupo interessado, no que se refere às relações mantidas por este grupo com o Estado.
2018
Carvalho,Luciana Gonçalves de Souza,Brenda Rúbia Gonçalves Cunha,Ana Paula Araújo
Las estaciones sarrapieras: los Mapoyo y las economías extractivas del Orinoco Medio, Venezuela
Resumen Durante el período de afianzamiento de las economías extractivas en la Amazonía (1870-1960), la región del Orinoco Medio en Venezuela experimentó la explosión comercial de la sarrapia (Dipteryx odorata), semilla aromática utilizada en la industria de la perfumería. La mercantilización de este y otros productos forestales en dicha región marcaría la entrada de numerosas comunidades indígenas a un nuevo régimen de contacto con el capitalismo global. No obstante, los detalles acerca de las dinámicas de la explotación sarrapiera y su importancia en la historia de las poblaciones locales permanecen relativamente desconocidos. En este artículo examinamos el papel de las estaciones sarrapieras en la obtención de trabajo y materias primas para la empresa extractivista. A través del uso de evidencia etnográfica e histórica, analizamos el rol de las estaciones sarrapieras en la historia cultural y la economía política del Orinoco Medio. La información derivada de entrevistas y documentos sobre el grupo indígena Mapoyo nos sirve de base para analizar temas como movilización de trabajo, relaciones de intercambio y nuevos hábitos de consumo establecidos en torno a la recolección de sarrapia.
2018
Torrealba,Gabriel Scaramelli,Franz G.