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Terminologias de parentesco dos grupos da família linguística Mondé

Resumo Este artigo apresenta alguns resultados preliminares de estudos acerca da terminologia de parentesco usada pelos grupos indígenas da família linguística Mondé, do tronco Tupi. A investigação é mais detalhada no caso dos Gavião de Rondônia, cuja terminologia de parentesco é descrita e considerada em relação à nominação e ao casamento. São apresentados alguns dados da terminologia de parentesco para os povos Paiter (Suruí de Rondônia), Cinta Larga, Salamãy e Aruá. A terminologia das relações de parentesco básicas dos povos Gavião, Cinta Larga e Paiter é apresentada a fim de se investigar a variação dentro da família. A análise linguística dos termos revela aspectos do pensamento indígena sobre parentesco. Os métodos da linguística diacrônica são utilizados para fornecer evidências sobre a terminologia de parentesco do grupo ancestral, Proto-Mondé, e sobre a evolução dos sistemas terminológicos atuais.

Year

2019

Creators

Felzke,Lediane Fani Moore,Denny

Termos de parentesco nas línguas Tuparí (família Tupí)

Resumo Este artigo analisa os termos de parentesco nas cinco línguas do ramo Tuparí, da família linguística Tupí, em duas abordagens distintas. Inicialmente, o artigo apresenta uma comparação das terminologias de parentesco das línguas Tuparí e reconstrói correlatos no Proto-Tuparí para as principais categorias de parentes consanguíneos e afins. As cinco línguas Tuparí apresentam termos claramente cognatos e reconstruíveis para a protolíngua para as diversas posições de parentesco: avós (FF, FM, MF, MM), pais (M, F), tios (MZ, MB, FZ), irmãos (B, Z), primos (FBS, FBD), filhos (S, D), sobrinhos (BS, BD, ZD, ZS), netos (SS, SD, DS, DD) e afins (W, H, DH). A partir da comparação das terminologias de parentesco nas línguas Tuparí, o artigo discute aspectos da terminologia do sistema de parentesco Tuparí, procurando situá-lo no contexto da teoria amazônica do parentesco pós-1990, tendo como base as representações terminológicas das línguas individuais e as reconstruções postuladas para Proto-Tuparí.

Year

2019

Creators

Nogueira,Antônia Fernanda Souza Galucio,Ana Vilacy Soares-Pinto,Nicole Singerman,Adam Roth

Restructuring of Proto-Omagua-Kukama kin terms

Abstract This article reconstructs the system of kin terms in Proto-Omagua-Kukama (POK), the ancestral language of the Omagua and Kukama-Kukamiria, and compares it to Tupinambá, a former language of the Brazilian Atlantic coast and their closest relative in the Tupí-Guaraní language family. I identify semantic shifts, analogy-based innovations, calques, and borrowings. I suggest that some of these changes are likely due to concomitant changes in pre-POK social structure. The identification of borrowings is potentially fruitful in determining which languages contributed to the setting that gave rise to POK. Detailed study of the evolution of the divergent grammar and lexicon of POK is crucial to understanding this social and linguistic history.

Nota sobre o sistema de parentesco em Proto-Tupí-Guaraní

Resumo Este estudo explora o sistema de terminologia de parentesco da língua Proto-Tupí-Guaraní (PTG) a partir de uma perspectiva interdisciplinar, que soma contribuições da Etnologia, da Linguística Histórica e dos trabalhos etnográficos realizados com povos Tupí-Guaraní. Fazem-se inferências sobre pré-história cultural utilizando métodos filogenéticos comparativos, um conjunto de ferramentas computacionais para explorar mudanças evolutivas em populações relacionadas, aplicados a um banco de dados de termos de parentesco em 24 línguas Tupí-Guaraní. Discute-se a amostra usada no estudo, os procedimentos de codificação adotados para dados tipológicos e os componentes, valores iniciais e premissas do modelo evolutivo. A análise de reconstrução de estados ancestrais baseada no critério de máxima parcimônia reconstrói vários traços tipológicos do sistema de parentesco do PTG, como: fusão e bifurcação na primeira geração ascendente (+1); distinções na terminologia de irmãos baseadas na idade relativa e no sexo do ego; e equação terminológica entre irmãos e primos paralelos. O estudo avalia o estado atual da reconstrução de formas linguísticas para termos de parentesco em PTG e mapeia estas formas no sistema inferido por análise comparativa. Este estudo de comprovação de conceito demonstra a utilidade de análise filogenética para inferir estruturas de sistemas de parentesco em comunidades linguísticas ancestrais.

Year

2019

Creators

Birchall,Joshua Oliveira,Luis Henrique Jordan,Fiona M.

Termos de parentesco: primeiras reconstruções em Proto-Arara-Ikpeng

Resumo Sobre a classificação genética da família linguística Karíb, Meira e Franchetto (2005) propõem que o ramo pekodiano é formado pelas línguas Bakairi, Arara e Ikpeng, sendo que estas duas últimas estão no limite do que pode ser considerado como dialetos de uma mesma língua. Por sua vez, os falantes de Arara e Ikpeng alegam ser parentes próximos e relatam um nível razoável de inteligibilidade: conseguem, em geral, conversar com sucesso, embora encontrem, às vezes, dificuldades de compreensão. Para o referido estudo, os autores utilizaram dados lexicais provenientes apenas das línguas Bakairi e Ikpeng, pressupondo esta última como codialeto de Arara. O presente artigo busca realizar um estudo comparativo entre Arara e Ikpeng, utilizando, para isso, termos de parentesco. Para uma compreensão holística das semelhanças e diferenças entre essas duas línguas, buscamos realizar análises tanto do ponto de vista linguístico – comparando as formas dos termos de parentesco – quanto antropológico, cotejando os sistemas apontados por etnografias existentes. Os dados linguísticos, por sua vez, são provenientes de trabalhos de campo realizados nas comunidades Arara e Ikpeng por Ana Carolina Ferreira Alves (nos anos de 2014 a 2017) e por Angela Fabíola Alves Chagas (em 2012), respectivamente.

Year

2019

Creators

Ferreira-Alves,Ana Carolina Chagas,Angela Fabíola Alves Barbosa,Leonard Jéferson Grala

Kin terms in Karitiana and how they may contribute to the reconstruction of Proto-Tupian kin terminology

Abstract This paper reports a case study that discusses issues related to the reconstruction of kinship terminology in Proto-Tupi, based on previous work by Araújo and Storto (2002) on the Arikém and Juruna subfamilies. It also presents the remaining kin terminology of the Karitiana language (Arikém branch or subfamily) which was not discussed in the case study. Comparing Karitiana (Landin, 1989) and Juruna (Lima, 1995) kin terminology, Araújo and Storto (2002) have shown that some cognates can be found in the two languages and proposed that they reconstruct in Proto-Tupi. These authors claim that these reconstructed items indicate the following hypotheses: (1) the speakers of Proto-Tupi (4500 BP) had a Dravidian kinship system; (2) the speakers of Proto-Tupi had a kinship and naming system in which ego was equated with the paternal grandparent of the same sex as ego. Besides the 11 cognates discussed by Araújo and Storto (2002), we discuss the remaining 19 kin terms that form the Karitiana kinship system according to Landin (1989).

Kin on the Wing: patterns in residence, mobility, and alliance for Ache hunter-gatherers

Abstract This paper provides a structural and historical overview of the kinship of a group of Tupi-Guarani-speaking hunter-gatherers, the Ache (Guayaki) of eastern Paraguay. I begin by considering the distinguishing features of Ache kin terminology, describing its characteristic tension between the dimensions of generation and crossness, before considering arguments for historical transformations offered for similar cases in lowland South America. The Ache case shows that the “Hawaiianization” of terms in ego’s generation does not necessarily entail an inward-looking endogamy, as some anthropologists (Dole, 1969; Wagley, 1977) have argued. By describing the network of Ache foraging bands as a residence-based form of kin organization, I show that “Hawaiianization” is not only perfectly compatible with the creation of alliances over considerable distances (Asch, 1998; Ives, 1998; Hornborg, 1998), but that “Hawaiianization” and distant marriage actually work together in the production of band alliances. At various points I highlight semantic, ethnographic, and historical data which, despite lying outside the scope of the phylogenetic analysis undertaken in other contributions to this issue, may nonetheless bear on some of its claims.

Notas sobre duas terminologias de parentesco Caribe no norte amazônico: Katwena-Tunayana e Waiwai

Resumo Este artigo apresenta uma descrição da terminologia de parentesco katwena-tunayana, língua caribe do norte amazônico, com base em pesquisa de doutorado realizada na bacia do rio Trombetas, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, no noroeste do estado do Pará. Mais precisamente, a pesquisa foca aldeias distribuídas no alto curso do Trombetas e nos rios Mapuera e Turuni, seus afluentes ocidentais. A terminologia é tomada em conjunto com as atitudes de parentesco e relacionada a dados sobre o parentesco waiwai praticado na mesma região, obtidos diretamente em campo e por meio de consulta a trabalhos publicados por autores que pesquisaram com os Waiwai em outros contextos. O objetivo é fornecer um panorama inicial do parentesco katwena-tunayana, explorando relações com a etnonímia e também o contraste com o parentesco waiwai.

A economia invisível do babaçu e sua importância para meios de vida em comunidades agroextrativistas

Resumo A amêndoa de babaçu (Attalea speciosa Mart. ex Spreng) é um dos principais produtos da extração vegetal no Brasil. As florestas secundárias formadas por babaçuais localizam-se na transição entre Amazônia, Cerrado e Nordeste semiárido, área onde reside um dos mais expressivos contingentes do campesinato no país. Apesar da disponibilidade de dados sobre a produção comercial de amêndoas, uma ampla gama de produtos derivados do babaçu é ignorada pelos levantamentos oficiais da produção extrativa. Para suprir essa lacuna, este trabalho examinou a importância econômica de produtos derivados da palmeira de babaçu em 200 comunidades agroextrativistas no vale do rio Mearim, no Maranhão, a principal região produtora. Projeções feitas a partir de diagnósticos socioeconômicos aplicados em 2017 a mais de mil domicílios em 18 municípios do Médio Mearim indicam que a valoração monetária de toda a produção de derivados de babaçu obtida apenas nesse território alcançaria cerca de R$ 100 milhões, valor três vezes superior em relação ao que foi divulgado apenas para as amêndoas. Compreender os detalhes da importância econômica dos produtos do babaçu é condição necessária para delinear instrumentos não apenas para o fortalecimento desta economia, como também para reforçar a conservação dos babaçuais e proporcionar melhores condições de vida para as comunidades agroextrativistas.

Patrimônios indígenas nos 80 anos do Museu das Missões: etno-história e etnomuseologia aplicada à imaginária missional

Resumo Ao questionar o paradigma jesuítico fundante no Museu das Missões, a presente análise discute o não lugar indígena na exposição de longa duração lotada no pavilhão Lúcio Costa, de modo que se possa pensar aquele acervo como integrante dos patrimônios indígenas nacionais. Para tal, a partir de abordagem etno-histórica e etnomuseológica interessada na democratização de acervos, o estudo analisa a produção, a forma, o conteúdo e o consumo da imaginária missional ao tempo das missões indígeno-jesuíticas. Ao fim, levantam-se possibilidades sobre as implicações que esta abordagem pode trazer ao Museu das Missões, a partir das comemorações dos 80 anos desta instituição, propondo uma ressignificação de seu acervo e um redimensionamento da relação estabelecida com a população Mbyá Guarani contemporânea.

Amazonian dark earths in the fertile floodplains of the Amazon River, Brazil: an example of non-intentional formation of anthropic soils in the Central Amazon region

ABSTRACT Amazonian dark earths (ADEs) are fertile soils created by pre-Columbian Amerindian societies of the Amazon Basin. However, it is still not clear whether these soils were produced intentionally to improve infertile Amazonian upland soils or if they resulted from the accumulation of organic matter from sedentary settlements. This study characterizes the ADEs found in the naturally fertile alluvial floodplains of the Amazon River in the Central Brazilian Amazon according to total, exchangeable, and available contents of elements and organic carbon in soil profiles. ADEs contained higher levels of available elements and total P, Ca, Zn, and Cu. High total Cr, Ni, Co, and V content in these soils indicate that mafic minerals contributed to their composition, while higher contents of P, Zn, Ba, and Sr indicate anthropic enrichment. The presence of ADEs in floodplain areas strongly indicates non-intentional anthropic fertilization of the alluvial soils, which naturally contain levels of P, Ca, Zn, and Cu higher than those needed to cultivate common plants. The presence of archaeological sites in the floodplains also shows that pre-Columbian populations lived in these regions as well as on bluffs above the Amazon River.

Year

2019

Creators

Macedo,Rodrigo Santana Teixeira,Wenceslau Geraldes Lima,Hedinaldo Narciso Souza,Adriana Costa Gil de Silva,Francisco Weliton Rocha Encinas,Omar Cubas Neves,Eduardo Góes

A floresta é o domus: a importância das evidências arqueobotânicas e arqueológicas das ocupações humanas amazônicas na transição Pleistoceno/Holoceno

Resumo Este artigo discute o papel que as antigas ocupações exerceram na constituição do que se considera como floresta amazônica, tendo como base dados arqueológicos e arqueobotânicos da transição Pleistoceno/Holoceno e partindo das relações entre humanos e ambientes (destacando eixos de heterogeneidade). A ocupação de lugares estratégicos da paisagem, a alteração permanente da composição do ambiente e o manejo de uma gama variada de plantas, principalmente de palmeiras, levam a pensar que alguns conceitos sobre mobilidade e incipiência cultural de grupos humanos antigos carecem de revisão. Com proposta de estabelecer diálogo entre informações de trabalhos ecológicos, botânicos, biogeográficos, etnográficos e arqueológicos, procuramos demonstrar que o retorno para lugares promovidos é uma estratégia de ocupação que remonta às ocupações mais antigas. Destacando as plantas como marcadores importantes, apresentamos uma proposta de conceito de inclusão para situar o planejamento dos usos de recursos diversificados e suas modificações do/no ambiente, transformando estes em lugares persistentes.

Year

2019

Creators

Shock,Myrtle Pearl Moraes,Claide de Paula

O Holoceno inferior e a antropogênese amazônica na longa história indígena da Amazônia oriental (Carajás, Pará, Brasil)

Resumo Segundo estudos recentes, a influência indígena sobre a floresta amazônica foi intensa, diversificada e teve início com a chegada do Homem na região, nos primórdios do Holoceno inferior. Nesta história de longa duração, no entanto, a seleção cultural de espécies úteis promovidas não foi uma via de mão única. Ela impactou a seleção natural, quando muitas espécies foram distribuídas geograficamente pelas sociedades humanas, resultando em um importante capital para as gerações futuras. Por outro lado, essas mesmas sociedades tiveram suas escolhas, suas técnicas e seus costumes influenciados pelas espécies selecionadas. Isso quer dizer que durante a acumulação desse capital ocorreu uma inter-relação entre a cultura e a natureza, de modo que ambas se desenvolveram e/ou evoluíram conjuntamente. Em Carajás, no Pará, temos evidênciasde que, além da inter-relação Homem/natureza, cujos efeitos podem ser notados muito além dos espaços arqueológicos circunscritos pela mera distribuição da cultura material, as sociedades pioneiras que lá viveram foram capazes de transformar os ambientes explorados em paisagens domesticadas, ricas em recursos, o que ocorreu segundo uma alteridade social de longa persistência, com diferentes períodos de desenvolvimento cultural, favorecendo o surgimento de processos históricos contíguos, mas diferentes, que foram territorialmente amplos e cada vez mais complexos.

Year

2019

Creators

Magalhães,Marcos Pereira Lima,Pedro Glécio Costa Santos,Ronize da Silva Maia,Renata Rodrigues Schmidt,Morgan Barbosa,Carlos Augusto Palheta Fonseca,João Aires da

A cronologia das pinturas rupestres da Caverna da Pedra Pintada, Monte Alegre, Pará: revisão histórica e novos dados

Resumo O artigo apresenta uma síntese das diversas teorias sobre a cronologia das pinturas rupestres de Monte Alegre, assim como as características formais dos temas presentes no sítio Caverna da Pedra Pintada, a fim de identificar diferenças de estilos e, com isso, propor diferentes momentos na execução das pinturas. Para ajudar na contextualização das pinturas rupestres deste sítio, foram realizadas, em 2014, escavações próximo a uma das paredes com pinturas na caverna. Umconjunto de datações, associado a uma série de evidências materiais oriundas da escavação – tais como corantes, artefatos e fogueiras, além de manchas de fuligem sobre pinturas –, oferece possibilidades para ajudar na contextualização daatividade gráfica rupestre neste sítio.

Year

2019

Creators

Pereira,Edithe da Silva Moraes,Claide de Paula

Manifestações simbólicas em Santa Elina, Mato Grosso, Brasil: representações rupestres, objetos e adornos desde o Pleistoceno ao Holoceno recente

Resumo Santa Elina, na Serra das Araras, no Mato Grosso, oferece uma notável composição de dois conjuntos arqueológicos excepcionais: a) um dispositivo parietal de um milhar de pinturas, adaptando-se estreitamente à morfologia do abrigo que se encontra ao pé de uma falésia calcária; b) um conjunto de ocupações distribuídas em duas sequências estratigráficas, uma indo até o Pleistoceno há 27.000 anos, a outra constituída de uma densa sucessão de ocupações durante o Holoceno, datadas entre 11.000 e 2.000 anos. Os primeiros habitantes do sítio conviveram com e caçaram uma espécie de megafauna, tornada fóssil no início do Holoceno: o Glossotherium lettsomi. Três adornos feitos nos ossículos do animal são provas de sua importância para os caçadores. A utilização intensiva pelos habitantes de pigmentos minerais, principalmente vermelhos (hematitas) e a de vegetais (madeira, fibras e folhas), caracteriza as ocupações que se seguem: particularmente, ‘pavimentações’ feitas de blocos manchados de vermelho, ou ornamentos corporais trançados. Os conjuntos líticos, principalmente feitos de calcário local, duro e fácil de lascar, são bem presentes em todas as ocupações. Os utensílios com reentrância dominam durante o Pleistoceno. É um dos mais antigos sítios da América do Sul, mostrando a intensidade de povoamentos pré-históricos no centro do continente.

Year

2019

Creators

Vialou,Agueda Vilhena Vialou,Denis

A Serra da Capivara e os primeiros povoamentos sul-americanos: uma revisão bibliográfica

Resumo A área da Serra da Capivara (Piauí, Brasil) é famosa na comunidade arqueológica internacional, principalmente pela polêmica ao redor do sítio Pedra Furada e de suas datas do Pleistoceno superior, fazendo dele um dos sítios mais antigosdas Américas. Os dados oriundos deste sítio contribuem indiscutivelmente nas discussões e nos conhecimentos sobre os processos de povoamento do continente. Por outro lado, a concentração das atenções sobre ele e sobre os debatesprovocados ofuscaram numerosas pesquisas nesse local que forneceram uma impressionante quantidade de dados sobre as primeiras ocupações humanas nas mais variadas áreas de conhecimento. No presente artigo, a partir de umarevisão bibliográfica, sintetizamos os resultados dessas pesquisas quanto aos contextos e aos comportamentos dos grupos humanos que ocuparam a região durante o final do Pleistoceno superior e o Holoceno inicial. Mostramos, assim, comoa pré-história da Serra da Capivara dialoga com os grandes temas sobre o povoamento do continente americano e traz uma contribuição relevante sobre essas questões, nas escalas macrorregionais e continentais

Semelhanças, diferenças e rede de relações na transição Pleistoceno-Holoceno e no Holoceno inicial, no Brasil Central

Resumo A proposta do presente artigo é explorar algumas das semelhanças e das dessemelhanças entre as ocupações centrobrasileiras da transição Pleistoceno-Holoceno e do Holoceno inicial e discutir nossa compreensão acerca dessas similaridades e diferenças, perguntando sobre as bases teóricas que dão e que poderiam dar sustentação a essa compreensão. O período enfocado é a faixa cronológica entre 11.000 e 9.000 anos antes do presente. São consideradosaqui diversos aspectos apresentados pelas pesquisadoras e pelos pesquisadores para as regiões da Serra da Capivara (no sudeste do Piauí), de Serranópolis (sudoeste de Goiás), do extremo norte de Minas Gerais (Vale do Peruaçu e regiãode Montalvânia) e do médio Tocantins (região do Vale do Rio Lajeado, da serra homônima e de arredores), áreas entre as quais parece haver, nesse período, significativas semelhanças, combinadas a diferenças. Após reunir alguns elementossobre essas áreas, com base na bibliografia disponível, teço comparações entre elas, considerando, sobretudo, os modos de relação com as rochas lascadas, os papéis dos sítios e o modo de estruturação do território. Ao final, compartilhoreflexões sobre os recursos teóricos com que usualmente comparamos contextos na Arqueologia brasileira, tentando ser sugestivo sobre outras possibilidades de repertório para fazê-lo.