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Mapeamento da vegetação e do uso do solo no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO A região de Cabo Frio é reconhecida como um importante centro de diversidade vegetal (CDVCF) da Região Neotropical, devido à presença de diversos taxa endêmicos e comunidades vegetais singulares, o que pode ser relacionado tanto ao clima relativamente seco quanto à heterogeneidade do ambiente físico. Embora diversos estudos realizados na região tenham produzido informações importantes sobre a estrutura e composição florística de algumas comunidades vegetais, existe ainda uma considerável lacuna na classificação e definição dos tipos de vegetação bem como de sua distribuição espacial. Este trabalho tem como objetivo analisar e descrever os tipos de vegetação da região e sua relação com o ambiente físico, através do mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo, baseado na análise integrada de imagens de satélite, fotografias aéreas, mapas temáticos e dados pontuais provenientes de levantamentos estruturais e florísticos e trabalhos de campo, com apoio do processamento digital de imagens e de sistema de informações geográficas. Os resultados são apresentados acompanhados de um mapa da vegetação e uso do solo da área do CDVCF, que poderá ser utilizado como base para novos estudos florísticos e ecológicos, para estudos da dinâmica da paisagem e para apoio ao planejamento ambiental e a conservação da biodiversidade da região.
2009
Bohrer,Claudio Belmonte de Athayde Dantas,Heloisa Guinle Ribeiro Cronemberger,Felipe Mendes Vicens,Raul Sanchez Andrade,Sandra Fernandes de
Mapeamento da vegetação e da paisagem do município de Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO O município de Armação dos Búzios, que faz parte do Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio, é caracterizado por uma grande variação de fisionomias vegetais, relacionadas à sua fisiografia e ao clima da região. Nos últimos quarenta anos o crescimento urbano vem reduzindo e fragmentando a sua cobertura vegetal natural. O objetivo deste estudo é fornecer informações sobre a extensão, distribuição e estado de conservação dos remanescentes de vegetação natural do município, através da elaboração de um mapa de vegetação e uso do solo, baseado na interpretação de fotografias aéreas, com o auxílio de mapas temáticos (geologia, solo e relevo) digitais, e trabalhos de campo, com coleta de material botânico, posteriormente identificado em herbário.
2009
Dantas,Heloisa Guinle Ribeiro Lima,Haroldo Cavalcante de Bohrer,Claudio Belmonte de Athayde
Algas marinhas bentônicas daregião de Cabo Frio e arredores: síntese do conhecimento
RESUMO Nas últimas décadas, foram realizados diversos estudos sobre as algas marinhas bentônicas da região de Cabo Frio (RCF), entretanto essa informação está dispersa em publicações avulsas, dissertações e teses. Neste contexto, o objetivo deste trabalho é realizar a revisão da literatura sobre as algas marinhas bentônicas da RCF e fornecer uma listagem detalhada dos táxons com uma análise da composição florística e distribuição geográfica desta importante região do litoral brasileiro. Foram listados 339 táxons infragenéricos, distribuídos em 76 Chlorophyta, 60 Ochrophyta e 203 Rhodophyta. Os municípios com maior número de táxons foram os de Armação dos Búzios (212) e Arraial do Cabo (207). Ao comparar os 339 táxons encontrados com os registrados para o litoral brasileiro, 20 apresentam distribuição geográfica restrita a RCF e 8 possuem afinidade com águas frias. As espéciesPseudolithoderma moreirae Yoneshigue & Boudouresque e Gracilaria yoneshigueana Gurgel, Fredericq & J. Norris são endêmicas da RCF. A partir dos dados reunidos que indicam a elevada riqueza e a presença de elevado número de espécies com distribuição discontínua e restrita, podese afirmar que a RCF é uma das mais importantes áreas da diversidade de algas do Brasil.
2009
Brasileiro,Poliana S. Yoneshigue-Valentin,Yocie Bahia,Ricardo da G. Reis,Renata P. Amado Filho,Gilberto Menezes
Área de Proteção Ambiental de Massambaba, Rio de Janeiro: caracterização fitofisionômica e florística
RESUMO A Área de Proteção Ambiental (APA) de Massambaba, criada em 1986 e administrada pela FEEMA, abrange 76,3 km2 de restingas, lagoas e morros baixos. Está situada nos municípios de Saquarema, Araruama e Arraial do Cabo, em uma área de restinga constituída por um sistema de dois cordões arenosos, coberto em parte por um campo de dunas. A região de Cabo Frio possui um clima sui generis para o litoral sudeste, com menos de 900 mm anuais de pluviosidade. A diversidade florística desta região é a mais alta do litoral, constituindo um dos 14 Centros de Diversidade Vegetal no Brasil. São descritas 10 formações vegetais e 664 espécies de plantas vasculares distribuídas em 118 famílias. As famílias mais ricas em espécies são Leguminosae e Myrtaceae. Das formas de vida, as mais abundantes são as ervas (30%), seguido pelos arbustos (23%), árvores (21%), lianas (19%), epífitas (6%) e parasitas/saprófitas (1%). Esta unidade de conservação abriga diversas espécies ameaçadas de extinção.
2009
Araujo,Dorothy Sue Dunn de Sá,Cyl Farney Catarino de Fontella-Pereira,Jorge Garcia,Daniele Souza Ferreira,Margot Valle Paixão,Renata Jacomo Schneider,Silvana Marafon Fonseca-Kruel,Viviane Stern
Vegetação vascular litorânea da Lagoa de Jacarepiá, Saquarema, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO Esse trabalho referese ao levantamento florístico realizado na região litorânea da Lagoa de Jacarepiá, localizada no município de Saquarema, RJ. Essa área alagada representa um importante compartimento lagunar ocupado por vegetação sujeita a inundações permanentes ou temporárias. As plantas adaptadas a esse tipo de ambiente são denominadas macrófitas aquáticas e têm um papel relevante na dinâmica ecológica desse ecossistema. Plantas férteis foram coletadas, herborizadas e identificadas através da metodologia tradicional. As exsicatas foram depositadas nos Herbários RFA e RFFP. Foram registradas 101 espécies vasculares, sendo 93 espécies pertencentes a 78 gêneros e 40 famílias de Magnoliophyta e 8 espécies de Pteridophyta com 7 gêneros e 5 famílias. Destacam-se as famílias Cyperaceae (16 spp.), Asteraceae (13 spp.), Leguminosae (8 spp.), Poaceae (6 spp.) e Rubiaceae (5 spp.), correspondendo a 47,5% das espécies levantadas. A vegetação apresenta uma fitofisionomia dominada por Cladium jamaicense Crantz. Apenas 43,6% das espécies são exclusivamente macrófitas aquáticas. A forma biológica predominante é a anfíbia (48%), seguida de tolerante (30%), emergentes (15%), flutuantes fixas (4%), flutuantes livres (3%) e submersa livre (1%).
2009
Barros,Ana Angélica Monteiro de
Riqueza e distribuição geográfica de espécies arbóreas da família Leguminosae e implicações para conservação no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO Leguminosae apresenta cerca de 727 gêneros e 19.325 espécies distribuídas pelo mundo, sendo uma das principais famílias na composição da flora arbórea de ambientes estacionais. A região de Cabo Frio é o principal núcleo de florestas secas do estado do Rio de Janeiro e por possuir elevada diversidade e endemismo é um dos seis centros de diversidade indicados para a Mata Atlântica. Com o objetivo de conhecer a diversidade de Leguminosae arbóreas no Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio (CDVCF) e seus padrões de distribuição geográfica foram registrados 81 táxons e reconhecido seis padrões de distribuição. Baseado nos endemismos e em análises de composição de algumas áreas do CDVCF, foi possível indicar os remanescentes de florestas sobre Tabuleiro nas proximidades da Praia da Gorda, Armação dos Búzios e dos morrotes mamelonares dos municípios de Araruama, Iguaba, Saquarema e São Pedro da Aldeia como prioritários para a conservação.
2009
Ribeiro,Robson Daumas Lima,Haroldo Cavalcante de
Fitossociologia do componente arbustivo-arbóreo de florestas semidecíduas costeiras da região de Emerenças, Área de Proteção Ambiental do Pau Brasil, Armação dos Búzios, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO O município de Armação dos Búzios, RJ, faz parte da região de Cabo Frio, considerada um dos 14 Centros de Diversidade Vegetal do Brasil. Para a caracterização da composição florística e estrutura do componente arbustivoarbóreo (DAP > 5 cm) de florestas sobre maciços litorâneos deste município, foram implantados cinco blocos de cinco parcelas de 10 x 20 m, distribuídos em diferentes encostas (total de 0,5 ha). Foram amostrados 1193 indivíduos, 98 espécies e 36 famílias. Myrtaceae e Fabaceae (20 e 11 espécies) destacaram-se em riqueza e Euphorbiaceae, em número de indivíduos (39% do total). As espécies mais importantes foram Pachystroma longifolium (VI = 31,9), Sebastiania nervosa (30,6), Chrysophyllum lucentifolium (11,3), Machaerium pedicellatum (10,5), Guapira opposita (9,9), Philyra brasiliensis (9,9), Capparis flexuosa (9,1), Lonchocarpus virgilioides (8,2), Syagrus romanzoffiana (7,6) e Acosmium lentiscifolium (7,5). O índice de Shannon (H') foi de 3,60 nat.ind.-1 e a equabilidade (J') foi de 0,79. A distribuição espacial das espécies parece estar condicionada às características ecológicas de cada encosta, como resultado de sua orientação. As florestas estudadas apresentaram, em geral, similaridade (Jaccard) muito baixa com outras florestas fluminenses.
2009
Kurtz,Bruno Coutinho Sá,Cyl Farney Catarino de Silva,Daniele Oliveira da
Estrutura e florística de uma floresta de restinga em Ipitangas, Saquarema, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO A restinga de Ipitangas abriga um dos últimos remanescentes de floresta de restinga livre de inundação entre Marambaia e Cabo Frio. A estrutura desta floresta foi estudada utilizando o método de ponto quadrante central utilizandose dois critérios: DAP ≥ 5 e DAS ≥ 5. Foram encontradas 108 espécies distribuídas em 34 famílias, sendo Myrtaceae, Leguminosae e Sapotaceae as mais ricas. As espécies Algernonia obovata, Pterocarpus rohrii, Pseudopiptadenia contorta, Guapira opposita, Alseis involuta, Simaba cuneata, Astronium graveolens, Eriotheca pentaphylla e Ocotea complicata prevalecem entre as dez de maior valor de importância tanto na análise a partir do DAP como do DAS. Pouteria grandiflora destaca-se como uma espécie com elevada proporção de indivíduos com troncos múltiplos, tanto em relação ao DAP quanto ao DAS, enquanto Algernonia obovata e Pterocarpus rohrii apresentam destacadas proporções quando se consideram as medidas de DAS. As dominâncias totais obtidas a partir do DAP (23,3 m2/ha) e do DAS (39,2 m2/ha) são influenciadas principalmente pela forma dos troncos e das raízes tabulares de algumas espécies e pelos troncos múltiplos. A floresta de restinga em Ipitangas apresentou maior similaridade florística com áreas do Centro de Diversidade Vegetal de Cabo Frio e do Espírito Santo do que com as restingas de São Paulo e do litoral sul do Brasil.
2009
Sá,Cyl Farney Catarino de Araujo,Dorothy Sue Dunn de
Epífitas da floresta seca da Reserva Ecológica Estadual de Jacarepiá, sudeste do Brasil: relações com a comunidade arbórea
RESUMO Investigamos a vegetação arbórea e a comunidade epífita da floresta seca para responder às seguintes perguntas: i) como a abundância e riqueza de epífitas ocorrem sobre os indivíduos das espécies arbóreas? ii) a abundância de forófitos depende do número de indivíduos das espécies arbóreas? iii) a abundância e riqueza de epífitas dependem do número e tamanho dos forófitos? iv) espécies arbóreas são selecionadas por espécies epifíticas? Nesta floresta, as espécies arbóreas mais abundantes é que hospedam a maioria das epífitas. Quatorze espécies arbóreas foram especialmente propensas a apresentar muitos grupos epifíticos e nove propícias a possuir várias espécies de epífitas mas não em alta abundância. O número de indivíduos arbóreos foi um bom parâmetro para estimar a abundância de forófitos e seu número foi considerado um bom parâmetro para estimar a riqueza de epífitas a ocorrerem nesta floresta seca. Quatro espécies arbóreas foram especialmente preferidas pelas duas espécies epífitas de maior abundância e freqüência na área, onde ocorreram com alta abundância. Entretanto, não houve seletividade de nenhuma espécie arbórea por epífitas raras que ocorreram na área.
2009
Fontoura,Talita Rocca,Marcia Alexandra Schilling,Ana Cristina Reinert,Fernanda
Quantitative ethnobotany of a restinga forest fragment in Rio de Janeiro, Brazil
ABSTRACT An ethnobotanical study was carried out in the local fishing community of Arraial do Cabo Municipality, starting with an inventory of a restinga forest remnant adjacent to the community being studied. Using quantitative ethnobotany methodology allied with ecological parameters (frequency, density, dominance and their relative values, importance value index), we sampled 296 individuals and identified 41 species in 26 families and 36 genera. The highest use value (U.V.) was attributed to Schinus terebinthifolius Raddi. Based on these data we interviewed local fishermen regarding useful species. We used structured interviews and quantitative analysis based on informant consensus. The 22 different types of usage mentioned were placed in five categories: food, medicine, technology, construction and firewood. Selective extraction of wood for construction, firewood and boat repair were the most important use values, involving 46% of the species, 57% of the families and 80% of the individuals.
2009
Fonseca-Kruel,Viviane Stern da Araujo,Dorothy Sue Dunn de Sá,Cyl Farney Catarino de Peixoto,Ariane Luna
A utilização de plantas pelos pescadores, coletores e caçadores pré-históricos da restinga de Saquarema, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO Este estudo apresenta alguns resultados das pesquisas arqueológicas e interdisciplinares desenvolvidas em sítios arqueológicos tipo "sambaqui", localizados no município de Saquarema, estado do Rio de Janeiro. Enfatizando na análise a utilização de plantas silvestres pelos pescadores, coletores e caçadores pré-históricos da área de restinga situada entre a lagoa de Saquarema e o oceano Atlântico, observou-se que a coleta vegetal seria bem intensa tanto para fins alimentares quanto econômicos. Correlacionando tipos de cobertura vegetal (botânica) e unidades de paisagens (geologia), foi possível compor o quadro paisagístico contemporâneo às ocupações humanas. As análises antropológicas foram de fundamental importância. A pesquisa cobre um período de tempo que vai de 4520 ± 190 a 1790 ± 50 anos A.P.
2009
Kneip,Lina Maria
Population structure and one-year dynamics of the endangered tropical tree species Caesalpinia echinata Lam. (Brazilian red-wood): the potential importance of small fragments for conservation
ABSTRACT Caesalpinia echinata Lam. an endangered species, occurs in forest fragments of the Cabo Frio region, in Rio de Janeiro, Brazil. Data from four sub-populations were used to describe local population patterns and one-year dynamics. In each subpopulation, 0.1 ha-plots were set up and all C. echinata trees were mapped, and diameter and height were measured. The fragments sampled had different sizes and were subjected to various degrees of man-made disturbance, representing a succession gradient from an earlier (small fragment) to a later stage (large fragment). We compared the sub-populations as regards density, size structure, spatial distribution, germination and mortality, to identify short-term responses to mechanical injuries (broken stems, sand burial and man-made cuts). Matrix analysis considering the four C. echinata sub-populations together showed a slight tendency for population expansion (λ = 1.0211) if injury patterns do not lead to habitat extinction. On the other hand, sub-populations showed aggregated distribution patterns, particularly at forest edges. Diameter size structure varied from a reversed-J pattern, i.e. seedling abundance in the small fragment (more impacted sub-population) to a uniform plant distribution of size classes in the large one (less impacted sub-population). The sub-population in the smallest fragment showed the highest birth and mortality, in contrast to reduced demographic variation in the largest fragment. Moreover, the smallest fragment also showed the largest seedling stand density and biomass. These data indicate the potential importance of small fragments for the conservation of the Brazilian red-wood.
2009
Rodrigues,Pablo José Francisco Pena Abreu,Rodolfo Cesar Real de Barcellos,Eduardo M. B. Lima,Haroldo Cavalcante de Scarano,Fabio Rubio
Plant morpho-physiological variation under distinct environmental extremes in restinga vegetation
ABSTRACT This paper is a synthesis of over ten years of research on inter- and intra-population variation in morphophysiology of six plant species at the Jacarepiá restinga: the shrubs Alchornea triplinervia, Andira legalis, Clusia fluminensis and Myrsine parvifolia, the bromeliad Aechmea maasii (formerly identified as Aechmea bromeliifolia, now recognized as a species only found in Central Brazil) and the geophyte palm Allagoptera arenaria. Individual shape, stature and growth, leaf anatomy, photoinhibition, and carbon, nitrogen and water use were the main parameters studied. The isolated study of intra-specific variation in one or a few of the above-mentioned traits often does not allow a distinction between acclimation and stress symptoms. Thus, we used an approach that integrated morphology, anatomy, physiology and also population parameters. Variation in morphological, anatomical and physiological traits was found for the majority of these species, and often indicated great acclimation capacity to distinct environmental extremes. This acclimation capacity may be partly responsible for the broad colonization success of extreme habitats in restingas, by species often originating in mesic forest environments. This phenomenon is an additional element to be accounted for as an important component of the high biodiversity of the Atlantic forest complex. Finally, we discuss implications for biodiversity conservation of intra-specific variation at the population level.
2009
Scarano,Fabio Rubio Barros,Cláudia Franca Loh,Roberta Kuan Tchuen Mattos,Eduardo Arcoverde de Wendt,Tânia
Classificação das fitofisionomias da América do Sul cisandina tropical e subtropical: proposta de um novo sistema - prático e flexível - ou uma injeção a mais de caos?
RESUMO O presente trabalho propõe um novo sistema de nomenclatura e classificação fisionômico-ecológica para a vegetação da América do Sul tropical e subtropical a leste dos Andes. A formulação do sistema procura desempenhar o papel de ferramenta da linguagem técnica e científica, mas também resistiu a trazer mais uma visão pessoal sobre as variações da vegetação. Desta maneira, o foco foi para a comunicação pela via da articulação prática e flexível de um conjunto de símbolos. Esta abordagem contrasta com aquelas que associam a precisão da linguagem a uma série de definições rígidas. Por outro lado, a formulação procurou também evitar excessos de liberdade para não perder o alvo prático em meio à anarquia. Foi por esse motivo que a proposta utilizou como ponto de partida o sistema mais familiar ao meio acadêmico: a classificação do IBGE para a vegetação brasileira. Entre as propostas de melhoria destacam-se as possibilidades de combinar símbolos para atender a uma ampla variação da escala espacial e respectivos níveis de detalhamento e de escolher apenas os símbolos com maior poder de descrição em cada caso.
2009
Oliveira-Filho,Ary T.
Primeira referência de plantas gametofíticas em Spermothamnion nonatoi (Ceramiales, Rhodophyta)
RESUMO Durante estudo sobre as rodofíceas do litoral do estado da Bahia foram encontrados exemplares gametofíticos e esporofíticos de Spermothamnion nonatoi A.B. Joly. O material estudado é proveniente de diferentes coletas realizadas no médio e infralitoral. Apesar da espécie ter sido citada para várias regiões do litoral brasileiro, somente plantas inférteis ou esporofíticas haviam sido encontradas. Este trabalho apresenta descrição e ilustrações das estruturas masculinas e femininas da espécie.
2009
Nunes,José Marcos de Castro Guimarães,Silvia Maria Pita de Beauclair
Composição florística da floresta ciliar do rio Mandassaia, Parque Nacional da Chapada Diamantina, Bahia, Brasil
RESUMO Realizou-se o levantamento das angiospermas presentes em um trecho de floresta ciliar, adjacente ao rio Mandassaia (12º33'S e 41º25'W), pertencente à bacia Santo Antônio e situado no município de Lençóis, Bahia. O objetivo foi conhecer sua flora e verificar o papel da altitude e distância geográfica em sua composição, comparando os resultados com levantamentos de matas ciliares previamente realizados na referida bacia. Foram registradas 116 espécies distribuídas em 96 gêneros e 51 famílias, sendo Melastomataceae, Fabaceae, Orchidaceae, Asteraceae, Myrtaceae, Euphorbiaceae e Apocynaceae, as famílias de maior riqueza. Os resultados da análise de similaridade florística, baseada no componente arbóreo, entre a floresta ciliar do rio Mandassaia e as demais florestas ciliares estudadas na bacia Santo Antônio indicaram que distância geográfica foi o fator mais importante, uma vez que as áreas mais próximas tiveram valores de similaridade semelhantes, independente de sua altitude. Como espécies indicadoras de florestas ciliares da bacia Santo Antônio, na borda oriental da Chapada Diamantina, destacam-se Alchornea triplinervia, Clusia nemorosa, Simarouba amara, Tapirira guianensis e Vochysia pyramidalis.
2009
Ribeiro-Filho,Alexandre Antunes Funch,Ligia Silveira Rodal,Maria Jesus Nogueira
Comunidades lenhosas no cerrado sentido restrito em duas posições topográficas na Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília, DF, Brasil
RESUMO A topografia afeta o regime hídrico e propriedades edáficas determinantes da vegetação do cerrado. Este estudo avaliou a distribuição espacial de árvores do cerrado sensu stricto em duas posições topográficas, interflúvio (I) e vale (V) na Estação Ecológica do Jardim Botânico de Brasília. No total 15 parcelas, 20x50m cada, foram locadas, 10 no cerrado I e cinco no cerrado V, para amostrar árvores, DB≥ 5cm. O número(30cm) de árvores por parcela serviu para a classificação por TWINSPAN. A comparação da densidade e área basal de espécies preferenciais aos cerrados I e V em 18 localidades elegeu aquelas potencialmente indicadoras de condições ambiente no Brasil central. A topografia contribuiu para diferenças florísticas e estruturais nas comunidades I e V. Para o interflúvio foram indicadoras Blepharocalyx salicifolius, Dalbergia miscolobium, Miconia ferruginata, M. pohliana, Piptocarpha rotundifolia, Ouratea hexasperma, Pterodon pubescens, Qualea parviflora e Sclerolobium paniculatum em Latossolos. Byrsonima coccolobifolia, Caryocar brasiliense e Erythroxylum suberosum em Latossolos, solos Litólicos ou arenosos. Pouteria ramiflora em Latossolos e Neossolos Quatzarênicos. Para o vale e Cambissolos foram indicadoras Dimorphandra mollis, Eremanthus glomerulatus, Eriotheca pubescens, Guapira noxia, Plenckia populnea, Qualea multiflora e Symplocos rhamnifolia. As espécies Byrsonima verbascifolia, Kielmeyera coriacea, Qualea grandiflora, Stryphnodendron adstringens e Schefflera macrocarpa foram generalistas.
2009
Silva Júnior,Manoel Cláudio da Sarmento,Thaise Rachel
Estrutura do sub-bosque lenhoso em ambientes de borda e interior de dois fragmentos de Floresta Atlântica em Igarassu, Pernambuco, Brasil
RESUMO No intuito de avaliar a fisionomia, estrutura e o efeito de borda de um sub-bosque lenhoso, foram estudados dois remanescentes de Floresta Atlântica em Igarassu, Pernambuco (Mata do Pezinho - MPZ, 27 ha e Mata da BR - MBR, 99 ha). Para tanto, instalaram-se 10 parcelas de 5 × 5 m nas bordas (até 50 m da margem), interior I (50 - 100 m) e interior II (> 300 m) em cada fragmento. Em MPZ, registraram-se 1152 indivíduos e 65 espécies (H' = 3,186 nats/ind.): 36 na borda, 42 e 39, no interior I e II. Entre ambientes, ocorreram diferenças estruturais que individualizaram a borda e poucas diferenças fisionômicas. Em MBR, registraram-se 1405 indivíduos e 67 espécies (H' = 3,068 nats/ind.): 37 na borda, 36 e 48 no interior I e II. Diferenças fisionômicas e estruturais distinguiram, principalmente, as parcelas referentes ao interior II. Floristicamente, os fragmentos tiveram similaridade de 45,5%, sendo estruturalmente distintos: em MPZ, há mais indivíduos típicos de sub-bosque e menos espécies raras; MBR conserva maior riqueza, mais espécies raras e mais indivíduos regenerantes do dossel. Em ambos, há uma diferenciação do ambiente de borda, mais evidente no menor fragmento, e do interior II, principalmente no maior remanescente.
2009
Gomes,Juliana Silva Silva,Ana Carolina Borges Lins e Rodal,Maria Jesus Nogueira Silva,Henrique Costa Hermenegildo da
Amaryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no Nordeste Brasileiro
RESUMO O presente levantamento de Amaryllidaceae s.s. e Alliaceae s.s. no Nordeste do Brasil registrou 22 espécies. Amaryllidaceae está representada por 20 espécies e quatro gêneros: Griffinia (8 spp.), Habranthus (6), Hippeastrum (5) e Hymenocallis (1 spp.); e Alliaceae por duas espécies de Nothoscordum. São apresentadas chaves de identificação, descrições, ilustrações e dados sobre o habitat e distribuição geográfica das espécies no Nordeste.
2009
Alves-Araújo,Anderson Dutilh,Julie Henriette Antoinette Alves,Marccus
Anatomia foliar de halófitas e psamófilas reptantes ocorrentes na Restinga de Ipitangas, Saquarema, Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO O presente trabalho aborda a anatomia foliar de Blutaparon portulacoides (A. St.-Hil.) Mears. (Amaranthaceae), Ipomoea pes-caprae (L.) R. Br. e I. imperati (Vahl) Griseb. (Convolvulaceae), Canavalia rosea (Sw.) DC. e Sophora tomentosa L. (Leguminosae), Sporobolus virginicus (L.) Kunth (Poaceae) e Miegia maritima (Aubl.) Willd. (Cyperaceae). A maioria das espécies investigadas tem folhas suculentas e epiderme uniestratificada coberta por espessa camada cuticular. A densidade de tricomas apresenta-se distinta entre as espécies. Os estômatos ocorrem em uma ou ambas as faces da folha estando as células estomáticas situadas ao mesmo nível ou ligeiramente abaixo das demais. Tecidos aquíferos foram observados em todas as espécies estudadas, assim como cristais, fibras e estruturas secretoras. A estrutura do mesofilo varia entre as espécies, sendo dorsiventral, isobilateral ou Kranz. Em todas as espécies estudadas foram identificados caracteres xeromorfos.
2009
Arruda,Rosani do Carmo de Oliveira Viglio,Natasha Sanfilippo Fontes Barros,Ana Angélica Monteiro de