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CAPM condicional com aprendizagem aplicado ao mercado brasileiro de ações
Modelos de precificação de ativos representam uma das áreas mais discutidas e pesquisadas em finanças. São amplamente utilizados de forma teórica e prática na área de investimentos para modelar e prever o risco e o retorno de títulos e de carteiras, bem como em finanças corporativas para estimar o custo de capital e ranquear projetos de investimento. Eles fornecem uma medida útil de risco que ajuda gerentes e investidores a determinar o retorno requerido ao colocarem seu dinheiro em risco. O objetivo deste trabalho é analisar o desempenho do modelo CAPM condicional com aprendizagem proposto por Adrian e Franzoni (2009) quando aplicado às séries de retornos das ações mais líquidas do mercado brasileiro no período de 1987 a 2010. Adrian e Franzoni (2009), em seu artigo, complementaram a literatura do CAPM condicional ao modelarem um novo tipo de variação temporal nos betas condicionais. Nesse ambiente, os investidores formam expectativas sobre o nível de longo prazo dos fatores de risco com base nos retornos realizados de variáveis exógenas. Como consequência direta dessa hipótese, os betas condicionais são modelados por meio do filtro de Kalman. Utilizando dados de 25 carteiras classificadas por tamanho e pelo índice valor contábil-valor de mercado, os autores concluíram que o CAPM condicional com aprendizagem é capaz de reduzir substancialmente os erros de apreçamento quando comparado ao CAPM em sua versão original. Dessa forma, contribuímos para a literatura de precificação de ativos, na medida em que avaliamos se esse modelo é capaz de reduzir os erros de apreçamento em relação à versão original do modelo CAPM, quando aplicado a dados de ativos individuais brasileiros. Os resultados deste artigo evidenciam uma redução nos erros de precificação do CAPM condicional com aprendizagem em relação ao CAPM em sua versão original. Dessa forma, tais resultados empíricos sugerem que a aprendizagem sobre os betas deve ser levada em consideração na estimação do CAPM incondicional e condicional.
2022-12-06T14:07:23Z
Mazzeu,João Henrique Gonçalves Costa Junior,Newton Carneiro Affonso da Santos,André Alves Portela
Incerteza, racionalidade limitada e comportamento oportunista: um estudo na indústria brasileira
A proposta deste estudo foi entender o comportamento oportunista a partir dos conceitos incerteza, racionalidade limitada e especificidade de ativos. Para tal, um modelo teórico foi proposto e testado, em que se operacionalizou a especificidade segundo os ativos dedicados, os ativos físicos e os ativos humanos, em conformidade com os trabalhos Anderson e Schmittlein (1984), Carson, Madhok e Wu (2006) e Skarmeas, Katsikeas e Schlegelmilch (2002), ancorados na teoria dos custos de transação (TCT). O comportamento oportunista foi operacionalizado a partir dos indicadores propostos por Carson, Madhok e Wu (2006). A racionalidade limitada foi estudada na perspectiva de Simon (1957, 1980), e a operacionalização do constructo incerteza se amparou nos trabalhos de Knight (2002), Duncan (1972), Gordon e Narayanan (1984), Milliken (1987) e Milliken (1990). Os dados coletados junto a 111 gestores da indústria de transformação no Brasil, selecionados na base da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram submetidos à modelagem por equações estruturais. Os resultados apontam que a racionalidade limitada e a especificidade dos ativos influenciam positivamente o comportamento oportunista dos agentes econômicos, confirmando os argumentos da teoria dos custos de transação, ou seja, quanto maior a especificidade dos ativos, menores as possibilidades de reaproveitamento do investimento, tornando a continuidade do relacionamento valiosa e alvo potencial de ações oportunistas. Os resultados também confirmaram a multidimensionalidade do constructo incerteza, reforçando os argumentos teóricos da perspectiva da incerteza da informação. Tal constatação, aliada às definições de Simon (1957, 1980), possibilitou a operacionalização do constructo racionalidade limitada a partir da incerteza de efeito e da incerteza de resposta, bem como a constatação da importância dessa premissa na explicação da existência dos custos de transação. Nesse sentido, os resultados abrem um leque de possibilidades e contribuem significativamente para o avanço dos estudos empíricos no campo da TCT.
2022-12-06T14:07:23Z
Silva,Adilson Aderito da Brito,Eliane Pereira Zamith
Divisão do trabalho social e arranjos produtivos locais: reflexos econômicos de efeitos morais de redes interorganizacionais
Este artigo utiliza um recorte teórico que evidencia fatos sociais, especificamente da divisão do trabalho social, que atuam diretamente na eficiência de organizações, por meio da coesão e da solidariedade. Entretanto, essa leitura da realidade socioeconômica não vem sendo utilizada em sua plenitude para a compreensão da imersão social de redes interorganizacionais territorializadas, ou seja, de arranjos produtivos locais. Pode-se perceber que uma das principais características competitivas, denominadas atuais dentro do discurso empresarial e até mesmo de políticas de desenvolvimento econômico, é a necessidade de as empresas atuarem de forma conjunta e associada em determinados territórios, sejam estes distritos industriais, regiões, municípios ou cidades. Portanto, a aglomeração é uma possibilidade concreta para o desenvolvimento empresarial a partir de estruturas organizacionais baseadas na associação, complementariedade, compartilhamento, troca e ajuda mútua, que têm como referência as redes, que também compõem a estrutura social de mercados e reforçam a discussão sociológica de que a competição também gera a solidariedade. As ações econômicas individuais não estão livres de pressões estruturais e suscetíveis de ser interpretadas dentro da lógica puramente aditiva e mecânica da agregação. As pressões estruturais que pesam sobre a ação econômica não se reduzem às necessidades inscritas, em dado momento do tempo, nas disponibilidades econômicas imediatas ou na instabilidade das interações. Os interesses econômicos de mercado estão, para a nova sociologia, econômica imersos em redes pessoais e de grupos sociais. O mercado, portanto, não se constitui de organizações isoladas, como nos modelos de concorrência perfeita da ciência econômica, mas de aglomerados organizacionais que formam uma estrutura social.
2022-12-06T14:07:23Z
Silva,Gustavo Melo Neves,Jorge Alexandre Barbosa
A interface entre valores humanos e mudança organizacional: evidências de uma operação de aquisição
Este artigo apresenta uma discussão sobre os valores humanos a partir de uma situação de abrupta mudança organizacional gerada por uma operação de aquisição. O objetivo desta pesquisa teórico-empírica foi compreender como os funcionários que vivenciaram a operação de aquisição da instituição financeira em que trabalhavam conseguiram lidar com essa situação a partir dos valores humanos. A pesquisa é qualitativa, descritiva, de corte temporal seccional com perspectiva longitudinal. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e interpretados pela técnica da análise de conteúdo. A lente teórica deste estudo se sustentou no modelo de Rohan (2000), sobre o sistema de valores pessoais, o qual traz como inovação a ideia de que os valores têm mais do que um papel na sobrevivência dos indivíduos por serem, conforme denomina a autora, guias para a melhor forma possível de viver. Os resultados nos levam a concluir que, embora haja divergências nos sistemas de valor pessoal e de prioridade social dos entrevistados, ou seja, no modo como eles encaram e guiam seus comportamentos e atitudes diante de uma mesma situação, eles encontraram a melhor forma possível de viver perante a operação de aquisição, na medida em que conseguiram respeitar e preservar seus valores pessoais para se adaptarem às novas circunstâncias de trabalho, sem que isso lhes representasse sofrimento. Essa interface entre os valores humanos dos entrevistados e a mudança organizacional por eles vivenciada ressalta, portanto, aspectos que vão além da adaptação dos indivíduos para sobrevivência e para a participação em uma sociedade. Ao mesmo tempo, mostra que a complexa formação de um grupo pode conter sistemas de priorização de valores pessoais e sociais diversos em diálogo, sem com isso implicar homogeneidade para lidar com uma mesma situação. Essa compreensão justifica, finalmente, o motivo pelo qual os funcionários, ao preservarem os seus valores, desenvolveram novas atitudes e comportamentos que lhes deram condições de permanecer trabalhando na instituição adquirente, pois, ao fornecerem diferentes significados à situação vivenciada, experimentaram novas formas de pensar e sentir o seu fazer.
2022-12-06T14:07:23Z
Adler,Claudia Segadilha Silva,André Luis
O sentido do trabalho para pessoas com deficiência
Esta pesquisa tem o objetivo de analisar o sentido do trabalho para as pessoas com deficiência (PcD). Optou-se por adotar a perspectiva da psicologia social para compreender a produção de sentidos relacionados ao trabalho devido à sua relação com a produção da subjetividade dos sujeitos. A dimensão do trabalho como realidade social, como bem afirma Dejours (2004), é essencial à atividade humana, contribuindo para a satisfação de necessidades não apenas econômicas, mas também psicológicas e sociais. Para as PcD, o estudo dessa atribuição de sentidos se torna instigante, visto que o trabalho tem sido considerado uma importante via de inclusão social dessas pessoas na sociedade. Para o desenvolvimento da pesquisa qualitativa que deu origem a este artigo, optou-se pela aplicação do método de análise das práticas discursivas, cujos pressupostos ontológicos e epistemológicos estão ancorados na abordagem sociocontrucionista descrita por Spink (2004). Adotou-se a pesquisa qualitativa para a compreensão da produção de sentidos, com a análise das práticas discursas. O construcionismo social foi utilizado como método da pesquisa. Foram realizadas entrevistas em profundidade com pessoas com deficiência inseridas no mercado de trabalho escolhidas por meio da técnica bola de neve. Para o procedimento, realizou-se uma adaptação do recurso dos mapas de associação de ideias utilizados por Spink (1999). A análise dos resultados permitiu a elaboração das categorias que revelam os sentidos do trabalho para as pessoas com deficiência, entre as quais se destacam o trabalho como meio de sobrevivência, a necessidade de ser útil à sociedade, de garantia da independência financeira e pessoal. Observou-se, nas produções discursivas, a centralidade do trabalho na vida de todos eles, estando, para alguns, mais relacionado à sobrevivência e, para outros, à inserção social. As vivências no trabalho estão relacionadas ao sentimento de capacidade e utilidade para com a sociedade. Este trabalho permitiu compreender que as regularidades encontradas nos repertórios discursivos remetem o sentido do trabalho para o exercício pleno de cidadania.
2022-12-06T14:07:23Z
Lima,Michelle Pinto de Tavares,Nathália Vasconcelos Brito,Mozar José Cappelle,Mônica Carvalho Alves
Uma análise das formas de remuneração dos sócios por meio do planejamento tributário
A redução dos custos de empresas por meio de planejamento tributário é tópico recorrente tanto na pesquisa acadêmica como na prática empresarial. Este trabalho tem como objetivo estudar as formas de remuneração de sócios de empresas que pagam imposto de renda pelo lucro real, a saber: distribuição de lucros, juros sobre capital próprio e pagamento de pró-labore. Ênfase especial foi dada ao pagamento de pró-labore, modelado por meio da matemática atuarial, de forma a incorporar o efeito intertemporal do benefício previdenciário a que o sócio tem direito, no cálculo das alíquotas efetivas das formas de remuneração. A alíquota efetiva é definida como a razão entre o valor efetivamente pago ao ente público e o valor originalmente disponível à tributação. A alíquota efetiva deve ser considerada pelo seu valor presente atuarial devido ao fato de que alguns tributos têm efeitos intertemporais de pagamentos, recebimentos e restituições no fluxo de caixa do ente pessoa física ou jurídica. Denomina-se valor presente atuarial porque, além da taxa de desconto financeiro que representa o custo de oportunidade de um segundo melhor investimento, considerou-se, pelo fato de o foco do planejamento tributário estar na riqueza da pessoa física, a probabilidade de o indivíduo receber o valor no futuro. Em outras palavras, deve-se considerar a probabilidade de o indivíduo estar vivo no instante em que terá direito ao recebimento dos valores. Como resultado, observou-se que a inclusão do desconto atuarial nas opções de remuneração dos sócios altera significativamente o que pode ser considerado como forma de remuneração mais econômica, ou então menos custosa. Ao contrário do que se poderia inferir, os juros sobre capital próprio podem não ser a forma de remuneração mais barata da empresa (com 15% de alíquota efetiva), mas sim pequenos valores de pagamento de pró-labore (que apresentam valores de até 8,61% de alíquota efetiva).
2022-12-06T14:07:23Z
Gouveia,Fernando Henrique Câmara Afonso,Luís Eduardo
A estratégia de diversificação e performance: o caso das companhias abertas no Brasil
Esta pesquisa analisa a relação entre diversificação e performance de empresas de capital aberto no Brasil, no período de 2001 a 2005, considerando distintas estratégias de diversificação de produtos. Compôs a amostra um total de 168 empresas brasileiras com informações sobre diversificação no Relatório de Informação Anual (IAN), as quais são enviadas anualmente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As empresas foram divididas em três grupos de acordo com suas estratégias de diversificação: produto único, moderadamente diversificadas e altamente diversificadas. Utilizaram-se duas técnicas estatísticas: regressão múltipla e análise de variância (Anova). Na primeira técnica, de regressão múltipla, foram gerados três modelos estatísticos (com três regressões cada um, uma para cada medida de performance utilizada): estratégia de produto único com moderadamente e altamente diversificado (modelo I), produto único versus moderadamente diversificado (modelo II) e negócio único versus altamente diversificado (modelo III), a fim de verificar a influência da diversificação de produtos (Diver) na performance dos diferentes grupos de empresas. A análise de variância foi conduzida para verificar as diferenças de médias entre distintos grupos de empresas. Em todos os modelos da regressão, a variável (Diver) não apresentou significância estatística, porém indicou retornos menores com a diversificação. Em todos os modelos, a variável END foi negativa e estatisticamente significativa a 5% quando utilizado como medida de performance o ROA. Já as variáveis Cresv e TAM foram positivas e estatisticamente significativas em todos os modelos. A variável Risco foi positiva e significante estatisticamente quando relacionada à medida de performance Roaop, em todos os modelos. Quanto à Anova, os grupos estratégicos não apresentaram diferenças significativas em nenhuma das variáveis estudadas, entretanto a rentabilidade operacional das firmas com estratégias de produtos altamente diversificadas foi superior em relação àquelas com estratégia de produtos menos diversificada. O indicador de endividamento foi menor no grupo moderadamente diversificado.
2022-12-06T14:07:23Z
Grzebieluckas,Cleci Marcon,Rosilene Alberton,Anete
Impacto informacional das reuniões públicas Apimec: um estudo de evento
Este trabalho mensurou o impacto informacional, medido pelo retorno anormal do preço das ações de companhias abertas brasileiras, ocasionado pelas apresentações gerenciais em reuniões públicas organizadas pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec). Utilizando a metodologia de estudo de evento, foram analisados os retornos anormais das ações de 160 empresas que realizaram 739 reuniões entre 2005 e 2009. Os resultados encontrados sugerem que, em média, as informações geradas nesses eventos acarretaram retornos anormais pequenos no período analisado. Tal achado pode ser fruto tanto do baixo impacto informacional desses eventos quanto da possível dificuldade dos participantes das reuniões de perceberem essas informações como relevantes. A principal contribuição desta pesquisa é demonstrar que as reuniões Apimec constituem um momento em que as relações da empresa com os investidores e analistas podem ser iniciadas e fortalecidas, mas em que informações novas não são apresentadas. Essa constatação demonstra que a condução das reuniões pelas companhias está em conformidade com as recomendações dos órgãos reguladores brasileiros, as quais indicam que nas reuniões públicas devem ser comentadas apenas informações previamente divulgadas. Outros meios de divulgação de informações, como fatos relevantes, comunicados ao mercado, teleconferências, entre outros, podem ser tão eficientes na distribuição ampla e simultânea de informações aos diversos agentes do mercado, que resta para as reuniões realmente o papel de oportunizar um maior conhecimento e compreensão da empresa pelo mercado e do mercado pela empresa. Essa construção de compreensão mútua pode trazer valor nas relações das companhias com os investidores no longo prazo, mas não acarretam, em média, impactos informacionais de curto prazo.
2022-12-06T14:07:23Z
Reiteri,Nayana Procianoy,Jairo Laser
A practice turn e o movimento social da estratégia como prática: está completa essa virada?
Em 2006, Richard Whittington, o principal autor da corrente de pesquisa denominada estratégia como prática (strategy as practice), publicou o artigo "Completing the practice turn in strategy research". Nesse trabalho foi apresentada uma estrutura de análise que, pretensamente, completaria a virada da prática nessa área de pesquisa ao considerar diferentes níveis da prática (micro e macro). Entretanto, críticas foram e continuam sendo dirigidas aos estudos realizados sob essa perspectiva, o que evidencia a necessidade de avaliar como está se dando a practice turn nos estudos sobre estratégia. Assim, o objetivo no presente artigo foi analisar a virada da prática nos estudos sobre estratégia, tanto no que concerne às principais características quanto à finalização desse ciclo, ao tomar essa abordagem como um movimento social. Na escolha do método, optou-se pela pesquisa não reativa de documentos existentes (dados secundários) (NEUMAN, 1997). A partir desse método, foram selecionados os principais periódicos da área de administração e estratégia de acordo com o Journal Citation Reports, observando aqueles com maior fator de impacto. Com a amostra de 59 artigos, o movimento social da strategy as practice foi analisado à luz dos três momentos sugeridos por Hambrick e Chen (2008): diferenciação, mobilização e construção de legitimidade. Os resultados permitem concluir: 1. a virada da prática no campo da estratégia consiste em relacionar a corporeidade dos atores sociais, seus objetos e formas de uso, seus conhecimentos, habilidades, estados de emoção e motivações centralmente à prática; 2. essa virada está concentrada, em termos relacionais, nos pesquisadores R. Whittington e P. Jarzabkowski, com trabalhos predominantemente orientados e presos ao velho vocabulário da sociologia da regulação; 3. no que concerne à consecução ou finalização da virada da prática, como foi pretensamente estabelecido por Whittington (2006), conclui-se que a virada da prática nos estudos sobre estratégia não está completa, na medida em que examina as práticas relativamente num vácuo organizacional. Logo, é preciso recuperar a organização no estudo da prática, redefinindo o próprio termo "organização" nesse movimento social.
2022-12-06T14:07:23Z
Maciel,Cristiano de Oliveira Augusto,Paulo Otávio Mussi
Desempenho produtivo como fator moderador da estratégia e capabilidade
Partindo da premissa básica de que em uma cadeia de suprimentos há inúmeras relações de causa e efeito entre eventos com potencial de determinar a diferenciação entre empresas concorrentes, este estudo deposita seu foco na busca pela identificação de uma correlação entre o desempenho produtivo de uma empresa e sua capabilidade. Recorreu-se, inicialmente, a fontes bibliográficas, em que se identificou que capabilidade e competência são termos usados de modo intercambiável. Se no passado se referiam primariamente a tecnologias de produção e habilidades dos trabalhadores da empresa, abrangem, na atualidade, o comportamento de negócios em termos de eficácia no serviço prestado, responsividade e tempo do ciclo de entrega. Assim, empresas estabelecem estratégias para obter capabilidade. No plano empírico, realizou-se um estudo de natureza exploratória do tipo descritivo, com o objetivo de avaliar a relação entre as dimensões de estratégia e capabilidade e o impacto moderador do desempenho produtivo nessa relação. Os dados, coletados em 90 empresas do ramo metal-mecânico e tratados com a utilização de técnicas de estatística descritiva e multivariada, revelam que há correlação positiva entre estratégia e capabilidade com magnitude que possibilita a interpretação de que o desempenho produtivo pode ter atuado como moderador nesse resultado. Devido ao caráter transversal da pesquisa, com uma amostra fixa de empresas do ramo metal-mecânico de portes diferentes e contextos variados, e dados coletados em uma única vez, a compreensão das correlações encontradas foi limitada. Recomenda-se, assim, a aplicação de uma nova pesquisa longitudinal, com foco em um número menor de empresas durante períodos prolongados, de modo a observar os processos de mudanças em contextos mais amplos, identificar relações de causa e efeito e produzir resultados acadêmicos e científicos mais significativos.
2022-12-06T14:07:23Z
Moori,Roberto Giro Nafal,Kalid Ali Caldeira,Adilson
Estratégia como contexto interfirma - uma análise a partir da imersão social e da teoria institucional no setor de carcinicultura norte-rio-grandense
Apesar de Baum e Dutton (1996) terem chamado atenção há mais de uma década para a imersão da estratégia, os trabalhos sobre estratégia mantêm-se mais influenciados pelos teóricos da economia do que pelos teóricos da sociologia. A concepção atomizada revela-se tanto no nível de análise como no conceito de ambiente. Oliver (1996) afirma que teóricos de estratégia explicam as vantagens diferenciadas das firmas e sua capacidade de obtenção de lucro a partir das ineficiências de mercado. Explicações da ineficiência dos mercados e da heterogeneidade das firmas centram-se exclusivamente nas características da firma e dos mercados. Este artigo vai ao encontro do argumento desses autores de que diferenças sustentáveis da firma e retornos acima do normal não são somente uma função da sua capacidade e das características da indústria e do mercado. A imersão das organizações e dos mercados em um contexto institucional tem um profundo impacto sobre o seu desempenho. Este artigo enfatiza a estratégia como contexto interfirma, combinando a perspectiva da imersão social e a teoria institucional para uma análise do setor de carcinicultura norte-rio-grandense. Consiste em um estudo qualitativo, histórico, baseado na análise de documentos e na análise de entrevistas realizadas com dirigentes empresariais e de associações do setor. O objetivo foi evidenciar como a estratégia adotada pelas organizações do setor pode ser explicada pela dinâmica do contexto social. Assim, desenvolveu-se uma análise que combina os impedimentos institucionais e econômicos para a eficiência dos mercados para explicar a estratégia adotada. Para isso, realizou-se uma reconstrução histórica da sua formação, evidenciando os principais momentos e fatos, bem como o papel assumido pelos diferentes atores. Os resultados indicaram que abordagens dominantes no estudo da estratégia como economic costs theory (ECT), RBV e posicionamento estratégico, pelo caráter descontextualizado, não são suficientes para explicar a postura estratégica das empresas, sendo necessário combiná-las com perspectivas que levem em consideração a natureza socialmente construída dos processos organizacionais e seu caráter, muitas vezes, não reflexivo.
2022-12-06T14:07:23Z
Lopes,Fernando Dias Baldi,Mariana
Introdução ao Fórum Temático Sustentabilidade nas Escolas de Administração: tensões e desafios
No summary/description provided
2022-12-06T14:07:23Z
Godoy,Arilda Schmidt Brunstein,Janette Fischer,Tânia Maria Diederichs
Caminhos e desafios para a inserção da sustentabilidade socioambiental na formação do administrador brasileiro
As características da sustentabilidade socioambiental têm um efeito profundo no modo como as instituições acadêmicas devem gerar conhecimento para incluí-la nos seus objetivos, pois, dentre os papéis da academia, destaca-se a geração de pesquisa interdisciplinar e de conhecimento científico, baseada na resolução de problemas na sociedade. Neste ensaio argumenta-se que as instituições brasileiras de ensino que formam administradores necessitam ampliar a base epistemológica atual para serem capazes de resolver, de modo mais completo, as questões relacionadas à sustentabilidade socioambiental. Dessa forma, o objetivo é de refletir sobre o processo para a geração de arranjos de conhecimentos voltados à inserção da sustentabilidade socioambiental nos cursos de Administração brasileiros, procurando avançar em relação às pesquisas já desenvolvidas sobre o tema, tendo-as como base. Foram analisados artigos da literatura nacional e internacional que tratam do tema, buscando identificar a situação atual da inserção da sustentabilidade na formação dos administradores. O escopo teórico que embasa este artigo está focado no pensamento complexo, conforme a visão de Edgar Morin. Assim, este artigo busca relacionar as ideias sobre complexidade com proposições de autores que visualizam as relações entre as estruturas e os processos, visando propor bases para a construção de arranjos no conhecimento para a sustentabilidade, com características pluralistas e reflexivas, para os cursos brasileiros de administração. A contribuição que se espera com este artigo para a prática da administração é fornecer um ponto inicial de reflexão, necessitando, para sua continuidade, buscar com os diferentes atores, que pensam e executam o ensino e a pesquisa em administração, percepções e conhecimentos sobre a construção deste caminho em direção à inserção da sustentabilidade socioambiental na formação dos administradores brasileiros, de forma plural e reflexiva. Como implicações sociais deste trabalho e seus impactos na sociedade, espera-se propor diferentes caminhos para atender os problemas complexos da realidade, relacionando-se com um mundo dinâmico e interdependente, gerando um conhecimento plural, que se harmonize com as complexas mudanças que estão ocorrendo neste mundo.
2022-12-06T14:07:23Z
Venzke,Cláudio Senna Nascimento,Luis Felipe Machado do
Ensino e pesquisa em gestão ambiental nos programas brasileiros de pós-graduação em administração
No Brasil, a educação ambiental tornou-se obrigatória em todos os níveis de ensino apenas a partir de 1999, com a lei nº 9.795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). A área de administração ficou um tanto alheia a esse movimento, talvez pela dificuldade de gestores perceberem que negócios verdes podem ser lucrativos. Só ao compreender que sustentabilidade traz também inovação, é que se verifica que a preservação ambiental e a produtividade empresarial devem andar por caminhos confluentes. Este trabalho visa verificar se tal convergência tem sido sustentada pelo ensino e pela pesquisa em administração, levantando o panorama atual da pós-graduação em administração no que se refere à gestão ambiental. Concluiu-se que, dos grupos de pesquisa registrados no diretório de grupos de pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq - na área de administração, 25% abordam tópicos ligados à Gestão Ambiental, sendo que 93% desses grupos se iniciaram após 2002, ano em que regulamentada a lei nº 9.795/1999, ficando clara a importância de ações concretas do setor governamental para promover a educação ambiental. Pesquisando-se as grades curriculares das Instituições de Ensino Superior (IES) com programas de mestrado e/ou doutorado reconhecidos/recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), observou-se que 51% desses cursos apresentam tópicos relacionados à gestão ambiental e apenas 6% apresentam alguma das ferramentas a ela associadas. Vinte e cinco porcento desses programas não têm nem grupos de pesquisa nem disciplinas que abordem tópicos de gestão ambiental, salientando a necessidade de novos esforços em nível governamental, talvez na forma de avaliação das IES, para que a administração melhor contribua para a disseminação da sustentabilidade nos setores produtivos. Finalmente, observou-se que, do total de artigos publicados no período 2006-2012 nos seis principais periódicos nacionais da área de administração, 6,2% trataram temas de gestão ambiental. Isso representa evolução em relação aos 2,3% obtidos por Jabbour, Santos e Barbieri (2008) em pesquisa relativa ao período 1996-2005, porém corrobora, com os demais resultados desta pesquisa, que a produção científica nacional de administração em gestão ambiental, embora em expansão, ainda é incipiente.
2022-12-06T14:07:23Z
Sinay,Maria Cristina Fogliatti de Dalbem,Marta Correa Loureiro,Ione Andrade Vieira,Jezuel de Menezes
Educação para a sustentabilidade: a construção de caminhos no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS)
Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) foram recentemente criados no Brasil. Eles têm como objetivo suprir a demanda de mão de obra técnica qualificada, que tem aumentado no país, e agregar qualidade aos currículos, buscando integrar conhecimentos básicos e técnicos e preparar os estudantes para a vida e para o exercício da cidadania. Sendo assim, demonstram em seus documentos ter preocupação com questões ligadas ao desenvolvimento sustentável. Alguns estudos têm apontado a importância da inserção de debates sobre a educação para a sustentabilidade nas instituições de ensino e também nos cursos da área de gestão. Deste modo, o presente estudo tem por objetivo identificar como questões relacionadas ao assunto estão sendo tratadas nos IFs brasileiros, especialmente no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS). Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter exploratório, delineado por um escopo descritivo, para verificar como a sustentabilidade tem sido abordada nos cursos do IFRS relacionados ao eixo tecnológico gestão e negócios. Para definição dos cursos, utilizou-se como referência o Catálogo Nacional de Cursos Superiores em Tecnologia e o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do Ministério da Educação. Observou-se que, apesar do IFRS apresentar em seus documentos uma preocupação com o assunto, não existe uma política institucional que integre as ações relativas à sustentabilidade na organização em geral, sendo que a introdução do tema nos cursos acontece de formas diversas, por iniciativa de alguns professores. Contudo, projetos que buscam a inserção da sustentabilidade em cursos da área de gestão e negócios já podem ser verificados, como os que estão sendo desenvolvidos nos campi Canoas e Osório, que também são apresentados no presente trabalho. É importante salientar que os projetos encontram-se em fase de implementação, o que impossibilita uma avaliação com relação aos seus resultados. Entretanto, estes podem servir de base para ações que podem ocorrer na instituição e de modelo para outros níveis e instituições de ensino.
2022-12-06T14:07:23Z
Palma,Lisiane Celia Alves,Nilo Barcelos Silva,Tânia Nunes da
Desafios (e dilemas) para inserir "Sustentabilidade" nos currículos de administração: um estudo de caso
Apesar de quase três décadas de intensos debates em torno da temática sustentabilidade, permanecem uma série de indefinições sobre este tema, o que desperta indagações sobre suas delimitações, seus traços definidores, seu potencial de inovação, sua interdisciplinaridade e capacidade de diálogo de suas interfaces com outros campos de conhecimento e de prática. Nesse contexto, este artigo pretende analisar os desafios (e dilemas) enfrentados por uma Instituição de Ensino Superior para inserção da disciplina "sustentabilidade" no curso de administração. Isto se reflete nas estratégias e práticas tanto no âmbito da gestão empresarial, como no que tange ao projeto pedagógico e às práticas de ensino de aprendizagem utilizadas para a formação de futuros administradores. Assim, a construção do artigo está baseada em pesquisa bibliográfica, documental, entrevistas e na vivência dos autores como docentes no curso de administração, selecionado por conveniência. Organizaram-se os dados e as informações da experiência, por meio de estudo de caso em um contexto de pesquisa exploratória. Diferentes variáveis de inserção da temática de sustentabilidade foram analisadas, envolvendo desde as disciplinas que contemplam o projeto pedagógico e seus conteúdos até a análise das estratégias didático-pedagógicas adotadas. Nesta direção, a experiência analisada revelou que permanecem desafios para a implementação de projetos pedagógicos que privilegiem novos modelos de ensino-aprendizagem e sobretudo exigem novas competências na formação docente. Deste modo, mudanças em direção à sustentabilidade requerem mais do que apenas repensar o conteúdo dos currículos de ensino ou assinar acordos internacionais. Exigem das instituições compromissos mais profundos para se transformarem em comunidades-aprendizes que trabalham em prol da sustentabilidade. A análise aqui empreendida revela que é necessário criar uma agenda institucional em que se busca "aprender para a sustentabilidade" como forma de a IES ensinar, aprender e atuar. Também evidencia que a universidade (em especial as escolas de administração) é um local privilegiado, que pode contribuir para o desenvolvimento de práticas, atitudes e comportamentos inovadores em todos os ambientes onde o futuro administrador possa estar envolvido.
2022-12-06T14:07:23Z
Gonçalves-Dias,Sylmara Lopes Francelino Herrera,Carolina Bohórquez Cruz,Myrt Thânia de Souza
Um espelho, um reflexo! A Educação para a Sustentabilidade como subsídio para uma tomada de decisão consciente do administrador
Mudar comportamentos com base na conscientização é um fator essencial para mudar os padrões de produção e consumo vigentes. Para que uma nova visão possa emergir é necessário que haja um processo de mudança na responsabilidade tanto de produtores quanto de consumidores. Nessa perspectiva, a educação surge como agente de transformação, ao sensibilizar e estimular o indivíduo a exercer seu papel de consumidor-cidadão. Considerando que as mudanças também estão presentes no ambiente empresarial, parte-se do pressuposto que a Educação para a Sustentabilidade (EpS) nos cursos de graduação em administração atua como subsídio para uma tomada de decisão consciente por parte do futuro gestor. Tomar decisões, ou seja, fazer escolhas levando em conta os preceitos da sustentabilidade requer a formação de profissionais críticos e reflexivos. Deste modo, o presente estudo tem como objetivo compreender como a EpS pode contribuir para um processo de tomada de decisão consciente com alunos de administração na cidade de Recife-PE. A abordagem metodológica adotada foi quantitativa, e inicialmente identificou-se o comportamento de consumo consciente dos alunos. Assim, apesar da identificação de uma tendência positiva para uma consciência, entende-se que um trabalho de sensibilização e incentivo em relação a um comportamento mais ético e responsável deve ser realizado por meio da intensificação da EpS no curso de administração. Além disso, identificou-se que se deve buscar a construção de um círculo virtuoso recursivo, o qual deve orientar a tomada de decisão do nível individual ao coletivo. As discussões sugerem a possibilidade de atuação da EpS como espelho para que novos comportamentos e ações sejam incorporadas na formação desse futuro gestor e que os reflexos dessa nova visão possam ser disseminados como compromisso por uma sociedade mais sustentável. Com isso, a contribuição do estudo está em alinhar a ideia de consciência à tomada de decisão, com base na Educação para a Sustentabilidade.
2022-12-06T14:07:23Z
Silva,Minelle Enéas da Czykiel,Renata Figueiró,Paola Schmitt Santos,Wagner Soares Fernandes dos Galvão,Ulysses Paiola
Valores pessoais e gestão socioambiental: um estudo com estudantes de administração
Este estudo buscou compreender as avaliações dos estudantes dos cursos de administração a respeito da gestão socioambiental nas dimensões de importância do conhecimento na área, importância da prática na área, e intenções futuras de envolvimento com a área e a sua relação com valores pessoais (as dimensões selecionadas foram conservadorismo antropocêntrico, e percepção de dominação sobre a natureza). As proposições iniciais são de que haveria uma relação negativa entre as dimensões de valores pessoais com a avaliação da importância e das intenções de envolvimento com a gestão socioambiental. Foi feito um estudo de campo, com dados coletados com 193 estudantes de graduação em administração de Instituições de Ensino Superior dos estados do Ceará, Paraíba e Rio de Janeiro. Inicialmente, realizou-se a verificação das propriedades psicométricas das escalas utilizadas, por meio da análise fatorial exploratória (Afe) e da aferição do Alfa de Cronbach para verificar a sua confiabilidade. Para a análise das proposições, foram verificadas as estatísticas descritivas (médias e desvios) em relação à avaliação que os entrevistados fizeram a respeito das dimensões estudadas. Posteriormente, as duas proposições foram testadas por meio de procedimentos de análise bivariada (correlações de Pearson e Spearman). Além disso, verificou-se a diferença entre as médias por gênero e por tipo de instituição por meio da análise de Variância (Anova). Pelos resultados das análises, verificou-se a existência de uma relação negativa entre o conservadorismo antropocêntrico e a avaliação pelos estudantes do curso de administração a respeito da importância da gestão socioambiental no curso, e também com o seu interesse de envolvimento com a área no futuro. No entanto, e contrariando as expectativas, as avaliações dos interesses não têm qualquer relação com a percepção e domínio humano sobre a natureza. Em relação ao gênero e ao tipo de instituição, houve diferenças significativas apenas nas dimensões de avaliação da gestão socioambiental com as mulheres e os alunos de instituições privadas demonstrando maior valorização dessa área. Não houve diferenças significativas nas dimensões de valores pessoais. Os resultados encontrados trazem avanços no entendimento dos fatores que influenciam o interesse dos futuros administradores em relação à gestão socioambiental.
2022-12-06T14:07:23Z
Costa,Francisco José da Ramos,Roberto Rodrigues Ramos,Ingrid Mazza Matos Oliveira,Leonel Gois Lima