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O RETORNO DA CENTRALIDADE DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO: RETROCESSOS RECENTES NA POLÍTICA DE SAÚDE MENTAL
Resumo Objetivou-se compreender a experiência da convivência entre os serviços substitutivos e o hospital psiquiátrico. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa hermenêutica. A pesquisa foi realizada no Nordeste brasileiro. Contemplou dois cenários: Centro de Atenção Psicossocial e Hospital Psiquiátrico. Contou com 14 participantes, dos quais oito trabalhadores do Centro de Atenção Psicossocial e seis trabalhadores de saúde do Hospital Psiquiátrico. Para alcançar as informações, utilizou-se a entrevista em profundidade e a observação sistemática. A coleta ocorreu no período de agosto a outubro de 2017. A análise das entrevistas ocorreu empregando-se a hermenêutica de Paul Ricoeur, por meio das seguintes etapas: transformação dos discursos em textos, leitura exaustiva, análise estrutural, compreensão do texto de forma abrangente, interpretação e análise. Os resultados denotaram que há uma convivência paradoxal entre os serviços de atenção psicossocial e o hospitalar psiquiátrico, mesmo que o serviço hospitalar não seja reconhecido e legitimado como parte da rede de saúde mental.
2022-12-06T13:24:12Z
Sousa,Fernando Sérgio Pereira de Jorge,Maria Salete Bessa
AGENTES DE COMBATE ÀS ENDEMIAS: CONSTRUÇÃO DE IDENTIDADES PROFISSIONAIS NO CONTROLE DA DENGUE
Resumo O estudo aqui apresentado objetivou compreender como são construídas as identidades profissionais do agente de combate às endemias. Esse trabalhador tem papel estratégico na prevenção e no controle das arboviroses como dengue, chikungunya, zika e febre amarela, que constituem problemas graves de saúde pública no Brasil. A pesquisa fundamentou-se nos conceitos de qualificação e identidade profissional, referenciados pela sociologia do trabalho. Tratou-se de um estudo analítico, realizado entre 2014 e 2017, de abordagem qualitativa, realizado a partir de grupos focais, com trinta agentes de combate às endemias de um distrito sanitário de Contagem, Minas Gerais. Os dados foram analisados segundo os pressupostos da análise de conteúdo. A maioria dos agentes era mulher e com ensino médio completo. Os resultados apontaram que há um desconhecimento, por parte dos agentes, sobre o protocolo de execução de suas atividades de trabalho e dos conteúdos técnicos referentes à dengue. O processo ensino-aprendizagem ocorre por meio da oralidade e de processos de trabalho não formais. O não recebimento de crachás apresentou-se como um problema de identidade. Concluiu-se que as identidades profissionais dos agentes foram construídas e reconstruídas sem uma sólida formação profissional e em condições precárias de trabalho. O reconhecimento, como aspecto da identidade, ocorre no plano afetivo e não somente nos processos de trabalho.
2022-12-06T13:24:12Z
Evangelista,Janete Gonçalves Flisch,Tácia Maria Pereira Valente,Polyana Aparecida Pimenta,Denise Nacif
ENTRE AUSÊNCIA DE DOENÇA E CUIDADO POSSÍVEL: A SAÚDE SEGUNDO USUÁRIAS DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA
Resumo O artigo apresenta sentidos que usuárias da Estratégia de Saúde da Família atribuem à saúde e sua relação com o cuidado. Utilizou-se o método qualitativo, tomando-se como referencial teórico as discussões de Canguilhem e Winnicott acerca da noção de saúde, bem como apontamentos sobre medicalização da vida. O trabalho de campo foi desenvolvido por meio de entrevistas em profundidade entre maio e julho de 2015 com usuários da Estratégia de Saúde da Família e tratado pela análise hermenêutica. A saúde, relacionada tanto à ausência de doença e ao completo bem-estar, quanto à disposição para enfrentar os sofrimentos inerentes à vida. Coexistem a confiança incondicional na tecnologia médica e a aposta em modos de cuidado intuitivos ou oriundos de relações sociais. O serviço de saúde contribui com o acesso ao tratamento e, simultaneamente, reforça a aposta na prevenção de todos os infortúnios do corpo, bem como a ideia de que o direito à saúde é correlato à responsabilização individual de mantê-la perfeita. Numa cultura marcada pelo individualismo e competitividade, indivíduos que vivem em contextos de profundas injustiças sociais submetem-se a regras de prevenção do risco de adoecer, mas são restritas suas possibilidades de criação de modos singulares de fruição da vida.
2022-12-06T13:24:12Z
Miranda,Lilian Silva,Luciana Janeiro Souza,Yasmim Furtado de
AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE TRABALHO ENTRE EQUIPES DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE UM MUNICÍPIO DE MINAS GERAIS, BRASIL
Resumo Este estudo teve como objetivo avaliar a organização do processo de trabalho entre equipes de saúde da família de um município de Minas Gerais (MG), Brasil. Pesquisa quantitativa, transversal, analítica, desenvolvida em 2014. Investigaram-se formulários da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica de 73 equipes. Foram considerados 14 itens da subdimensão organização do processo de trabalho, avaliados com valores entre zero e 10 pontos, referindo-se à total inadequação ou adequação da equipe ao padrão avaliado. As equipes foram classificadas do padrão ‘muito insatisfatório’ ao ‘muito satisfatório’. Efetuaram-se análises estatísticas com nível de significância p<0,05. Classificaram-se 86,3% nos padrões muito satisfatório/satisfatório, mas 13,7% foram regular/muito insatisfatório. Três itens ‒ ‘Território definido, vínculo com a população e responsabilização pela resolução das necessidades de saúde’; ‘Coordenação do cuidado’ e ‘Monitoramento das solicitações de exames’ ‒ apresentaram desempenho inadequado. As equipes da zona urbana foram melhor avaliadas. O maior número de profissionais da odontologia foi correlacionado à maior pontuação. Atenção especial deve ser dada àquelas equipes com baixa pontuação. Melhor organização do processo de trabalho deve ser fortalecida, visando aprimorar a performance no cuidado à saúde da comunidade.
2022-12-06T13:24:12Z
Lima,Cássio de Almeida Moreira,Kênia Souto Costa,Gustavo Silva Maia,Rayane Soares Pinto,Mânia de Quadros Coelho Vieira,Maria Aparecida Costa,Simone de Melo
O CUIDADO PARA PESSOAS COM HIV/AIDS SOB A ÓTICA DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
Resumo Este estudo buscou investigar a experiência de atuação dos agentes comunitários de saúde em relação aos indivíduos que vivem com HIV/Aids em áreas de risco social. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, realizada no ano de 2015 com agentes comunitários atuantes em município de médio porte do estado de São Paulo, Brasil. A produção das narrativas foi realizada pelo método do grupo focal, interpretadas e analisadas por meio da análise temática de conteúdo. O preconceito apresentou-se como a principal causa das dificuldades de atuação dos agentes; porém, a criação do vínculo com os usuários, aliada à conquista da confiança, foi a principal potencialidade nas ações desses profissionais. Torna-se essencial o rompimento da barreira gerada pelo preconceito para uma efetiva atuação dos agentes comunitários de saúde nos territórios, para que possam colaborar com o acolhimento desses usuários e com a redução dos efeitos da vulnerabilidade existente.
2022-12-06T13:24:12Z
Garbin,Cléa Adas Saliba Sandre,Amanda Santos de Rovida,Tânia Adas Saliba Pacheco,Karina Tonini dos Santos Pacheco Filho,Antonio Carlos Garbin,Artênio José Ísper
PROCESSOS DE APRENDIZAGEM DE ADULTOS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE
Resumo O estudo tem por objetivo problematizar os processos de aprendizagem de adultos trabalhadores na educação profissional em saúde. Considerando-se que a formação do trabalhador da saúde deve ampliar o horizonte dos alunos para além da biomedicina, tomam-se como referência os estudos de Kastrup sobre cognição inventiva. Estes estudos nos ajudam a pensar uma formação distinta daquela centrada em conteúdos e técnicas. A pesquisa foi desenvolvida com base em análise de documentos produzidos por alunos e professores do Curso de Técnico de Agente Comunitário de Saúde no Rio de Janeiro em 2017. Também são analisadas entrevistas com alunos. As análises mostraram como diferentes estratégias pedagógicas favoreceram a formação de sujeitos-trabalhadores sensíveis e comprometidos com a construção de práticas de saúde que não se constituem apenas no saber biomédico. Percebeu-se que o trabalho realizado possibilitou que os alunos problematizassem as relações entre educação, cultura e saúde, e, com isso, colocassem em questão suas práticas de saúde já naturalizadas. Estas experiências criaram a possibilidade de os alunos ‘não serem mais os mesmos’ e se fortalecerem na construção de um Sistema Único de Saúde e uma sociedade diversos.
2022-12-06T13:24:12Z
Lopes,Marcia Cavalcanti Raposo Morel,Cristina Massadar
O PROCESSO DE TRABALHO DO NÚCLEO AMPLIADO DE SAÚDE DA FAMÍLIA E ATENÇÃO BÁSICA
Resumo O crescimento da implantação do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica na Paraíba e sua influência na melhoria da qualidade da assistência das equipes de atenção primária torna relevante conhecer a organização do processo de trabalho destes núcleos. O estudo analisou ações de planejamento, oferta de formação inicial e de educação permanente e integração com as equipes apoiadas. Metodologicamente é descritivo, quantitativo, de recorte transversal. Os dados foram obtidos do módulo IV do 2º ciclo de avaliação externa do Programa de Melhoria e Acesso da Qualidade da Atenção Básica. O mapa coroplético foi construído em TabWin e a análise descritiva realizada no IBM SPSS Statistics 20.0. Quanto à oferta de formação inicial e educação permanente para o Núcleo, notou-se que as equipes que receberam a primeira (50%) tiveram maior frequência de oferta da segunda (74,1%), e estavam localizadas em municípios de maior porte. A formação inicial teve como atividades mais frequentes as oficinas de capacitação/reunião informativa (20,7%) e curso introdutório (20,7%). Há uma fragilidade nos registros e na execução do planejamento sistematizado, principalmente no monitoramento e avaliação das ações. A integração entre as equipes Núcleo de Apoio à Saúde da Família e as equipes de referência é frágil e foge do pressuposto conceitual do apoio matricial.
2022-12-06T13:24:12Z
Silva,Isabelle Cristina Borba da Silva,Laís Alves Bernadino da Valença,Ana Maria Gondim Sampaio,Juliana
CARTOGRAFIAS DO ENVELHECIMENTO EM CONTEXTO RURAL: NOTAS SOBRE RAÇA/ETNIA, GÊNERO, CLASSE E ESCOLARIDADE
Resumo Este artigo tem como objetivo descrever e analisar as condições sociais gerais referentes à raça/etnia, gênero, classe e escolaridade, numa amostra de 500 sujeitos (n = 250 homens; n = 250 mulheres), com 60 anos e mais, usuários do Sistema Único de Saúde e residentes na zona rural de uma cidade de porte médio, no interior do estado de São Paulo, Brasil, 2015-2016. O desenho é de natureza mista, agrupando técnicas quantitativas e qualitativas, a fim de descrever e analisar interseccionalmente as categorias selecionadas. Para a coleta de dados, foi utilizado um questionário estruturado, com questões fechadas, sobre aspectos sociodemográficos. Com auxílio do software IBM-SPSS (versão 20.0), foi produzido um banco de dados com informações descritivas e específicas. Os resultados obtidos corroboram desigualdades em termos de gênero e raça/etnia, ao passo que as mulheres autodeclaradas pretas são mais vulneráveis do ponto de vista econômico e de escolaridade, em relação às mulheres autodeclaradas brancas e aos homens autodeclarados brancos ou pretos na mesma faixa-etária. Os dados permitem, por fim, contrapor a tese de que a Constituição de 1988 e suas políticas adjacentes teriam provocado um corte nas desigualdades em termos geracionais.
2022-12-06T13:24:12Z
Ferreira,João Paulo Leeson,George Melhado,Vivian Ramos
EVOLUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E EXPANSÃO DOS CURSOS DE MEDICINA NO BRASIL (1808-2018)
Resumo O estudo identificou o padrão de evolução, distribuição e expansão dos cursos de medicina no Brasil e descreveu os processos governamentais relacionados à ampliação da oferta de vagas. Trata-se de estudo descritivo, baseado em dados disponíveis no sistema do Ministério da Educação sobre escolas médicas. Com as informações sobre os cursos, desde os primeiros implantados, estabelecem-se seis períodos de governo para análise: de 1808 a 1963 (monarquia e governos republicanos iniciais), de 1964 a 1988 (governos militares - José Sarney), de 1989 a 1994 (Fernando Collor - Itamar Franco), de 1995 a 2002 (Fernando Henrique Cardoso), de 2003 a 2010 (Lula) e 2011 a 2018 (Dilma Rousseff - Michel Temer). Observou-se relevante expansão de escolas a partir dos governos militares, com pico em 2014 (Dilma Rousseff), frente à implementação do Programa Mais Médicos. Ao longo dos períodos analisados, o ensino médico tornou-se progressivamente privatizado e parcialmente deslocado para as Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e para cidades de médio e pequeno portes populacionais no interior dos estados. Os resultados apontam que a combinação de gestão governamental das políticas de saúde e educação e de desenvolvimento socioeconômico influenciaram a expansão dos cursos de medicina e as marcadas diferenças intra e interregionais.
2022-12-06T13:24:12Z
Oliveira,Bruno Luciano Carneiro Alves de Lima,Sara Fiterman Pereira,Marina Uchoa Lopes Pereira Júnior,Gerson Alves
POR UMA SOCIOLOGIA DO CUIDADO: REFLEXÕES PARA ALÉM DO CAMPO DA SAÚDE
Resumo Embora a pesquisa sobre o cuidado esteja predominantemente associada ao campo da saúde, os estudos sociológicos ressaltam que os elementos que o influenciam não se restringem a ele, na medida em que é a expressão de apoio social intenso e atributo fundamental para a manutenção da vida coletiva. Objetivou-se hipervisibilizar a dimensão sociológica do cuidado para problematizar sua transposição como fator necessário à vida social para uma ação técnica de saúde. Realizou-se uma revisão sistemática de literatura, entre 2003 e 2013, na Biblioteca Virtual em Saúde, PubMed, Scopus, Embase, Web of Science, Francis (Ovid), ProQuest Central, Academic Search Premier (EBSCOhost), Jstor e Sage, com o unitermo cuidado e variantes. De 262 artigos identificados, foram selecionados 15 sobre as dimensões sociais do cuidado. Observou-se que o cuidado aludiu à solidariedade e qualidade da interação entre sujeitos nas microrrelações e nas macroestruturas, diferenciando-se de sua aplicação técnica/tecnológica em saúde; e também que é mais abrangente defini-lo sociologicamente do que pela especificidade de um ato, pois inclui dimensões de solidariedade, respeito, zelo e ajuda mútua para a conservação da vida. Concluiu-se que uma abordagem sociológica do cuidado é necessária, contribuindo inclusive para o campo da saúde.
2022-12-06T13:24:12Z
Contatore,Octávio Augusto Malfitano,Ana Paula Serrata Barros,Nelson Filice de
ATENDIMENTO INTEGRAL E COMUNITÁRIO EM SAÚDE MENTAL: AVANÇOS E DESAFIOS DA REFORMA PSIQUIÁTRICA
Resumo Objetivou-se caracterizar e analisar a organização dos processos de trabalho em serviços de saúde mental no município de Campina Grande, Paraíba, Brasil. Trata-se de um estudo quantitativo, retrospectivo e documental, realizado entre julho e agosto de 2014. Coletaram-se os dados a partir de formulário baseado em instrumento validado para o estudo, considerando uma amostra de 402 prontuários. Para o processamento das análises estatísticas, utilizou-se o SPSS, versão 17.0. Observou-se um perfil de usuários predominantemente composto por mulheres na faixa etária adulta, com diagnóstico clínico de esquizofrenia, associado a outros diagnósticos clínicos. Quanto às internações em hospitais psiquiátricos antes e após o ingresso no serviço, notou-se redução estatisticamente significante. Como importante avanço, evidenciaram-se os elevados registros de oficinas realizadas. Como principal limitação do estudo, apontam-se falhas nos registros dos prontuários, mas que não os tornam menores ou irrelevantes. Reforça-se que o atendimento integral e de base comunitária ao usuário com transtorno mental e sua família, condizente com os preceitos reformistas, requer, entre outros, maiores investimentos na infraestrutura dos serviços, equipamentos e tecnologias, apoio institucional, capacitação e comprometimento da gestão nos processos de educação permanente.
2022-12-06T13:24:12Z
Clementino,Francisco de Sales Miranda,Francisco Arnoldo Nunes de Pessoa Júnior,João Mário Marcolino,Emanuella de Castro Silva Júnior,José Antônio da Brandão,Gisetti Corina Gomes
O PET-SAÚDE COMO NORTEADOR DA FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Resumo A saúde de qualidade e de acesso universal é um direito que deve ser garantido por políticas públicas, financiamento compatível e pela adequada formação dos profissionais de saúde. Uma das estratégias identificadas para alcançar esse desafio é o Programa de Educação para o Trabalho em Saúde, que visa promover a interação ativa de alunos e professores com os serviços de saúde. O objetivo deste estudo foi comparar, por meio dos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes dos cursos de Enfermagem de 2013, o desempenho dos que participaram com o daqueles que não fizeram parte do referido Programa. Trata-se de estudo observacional, de corte transversal analítico, que analisou o desempenho pelas médias ponderadas em formação geral, formação profissional e em Saúde Coletiva. A pesquisa analisou o desempenho pelas médias ponderadas em formação geral, formação profissional e saúde coletiva. A amostra do estudo consistiu de 30.289 estudantes, dos quais 876 vinculados ao Programa de Educação para o Trabalho em Saúde. Os alunos envolvidos com o Programa tiveram um desempenho superior em todos os segmentos, com diferença estatisticamente significativa (p <0,001) em comparação com aqueles que não participaram. Os resultados indicam que o Programa em questão tem potência para compreender a necessidade da formação no Sistema Único de Saúde, ao envolver conhecimentos de Saúde Coletiva e da área profissional, e deve ser elemento norteador da construção dos currículos dos cursos de Enfermagem.
2022-12-06T13:24:12Z
Noro,Luiz Roberto Augusto Moya,José Luis Medina
A LITERATURA SOBRE METODOLOGIAS ATIVAS EM EDUCAÇÃO MÉDICA NO BRASIL: NOTAS PARA UMA REFLEXÃO CRÍTICA
Resumo Este trabalho parte da emergência de escolas médicas que fundamentam seus currículos nas metodologias ativas. Teve como objetivo realizar um mapeamento na Revista Brasileira de Educação Médica com base na produção científica sobre conexões entre formação médica e metodologias ativas. O levantamento bibliográfico incluiu 53 artigos, agrupados em quatro categorias de análise: análise comparativa entre modelos curriculares fundamentados no método tradicional e nas metodologias ativas; avaliação da mudança curricular baseada no uso das metodologias ativas; avaliação do desempenho discente com uso das metodologias ativas; e capacitação docente no contexto das metodologias ativas. Esses resultados apontam as metodologias ativas como propostas que podem dar respostas aos anseios de mudança curricular dos cursos de medicina no Brasil, ainda que não exista um consenso em relação à efe-tividade do seu uso nessa área. Todavia, um olhar mais detalhado sobre esses resultados nos permitiu concluir que esse processo, quando baseado apenas na mudança do método de ensino, pode apresenta lacunas e mostra não ser suficiente para mudança do perfil do egresso em medicina. Desse modo, recomendamos serem realizadas mais pesquisas nesse campo para melhor compreender os usos das metodologias ativas nas dinâmicas curriculares que fundamentam a educação médica no Brasil.
2022-12-06T13:24:12Z
França Junior,Raimundo Rodrigues de Maknamara,Marlécio
PROGRAMA MAIS MÉDICOS E DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS: AVANÇOS E FORTALECIMENTO DO SISTEMA DE SAÚDE
Resumo Há iniciativas, em diversos países, de adequar a formação médica às necessidades dos sistemas de saúde. No Brasil, o Programa Mais Médicos introduziu as modificações mais recentes estabelecendo um novo marco regulatório na formação médica exposto nas novas Diretrizes Curriculares Nacionais, enfatizando o desenvolvimento de capacidades profissionais na atenção básica. Neste estudo, buscou-se analisar as representações sociais de estudantes de medicina sobre o trabalho na atenção básica no contexto de implantação das referidas diretrizes. Para tanto, 149 estudantes de medicina de cursos públicos ‘tradicionais’ e ‘novos’ da Região Nordeste responderam a um questionário sociodemográfico e a um roteiro de evocação livre no segundo semestre de 2017. Os resultados demonstram um perfil de estudantes correspondente à ‘primeira geração universitária’ nas escolas ‘novas’. Nestas escolas, as representações sociais dos estudantes de medicina são mais condizentes com as novas diretrizes, com destaque para a evocação de termos como ‘vínculo’, ‘responsabilidade’ e ‘comunidade’. Nas escolas ‘tradicionais’, os termos mais destacados foram ‘desvalorizado’ e ‘precariedade’, sugerindo uma vivência insuficiente destes estudantes na atenção básica. Espera-se que as experiências inovadoras analisadas possam ser multiplicadas e aprofundadas na radicalidade necessária para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde em uma formação de acordo com as necessidades sociais.
2022-12-06T13:24:12Z
Oliveira,Felipe Proenço de Santos,Leonor Maria Pacheco Shimizu,Helena Eri
PROJOVEM URBANO: A PRECARIZAÇÃO MASCARADA SOB O SIGNO DA FORMAÇÃO INICIAL PARA O TRABALHO SIMPLES
Resumo A primeira década do século XXI é particularmente importante para a educação brasileira por registrar o crescimento das políticas de governo direcionadas aos jovens e adultos trabalhadores. Especificamente, após a criação do Programa Nacional de Inclusão de Jovens (2005), a relação entre as políticas de governo e a educação profissional tornam-se parte da promessa integradora da educação hegemônica para a redução das desigualdades sociais. Nessa direção, o Projovem Urbano passa a instituir, em suas práticas pedagógicas, a formação inicial em um arco de ocupações para que os trabalhadores consigam responder às demandas da reestruturação produtiva, reduzindo, assim, a crise do desemprego. O objetivo deste estudo foi apreender a realidade concreta sobre a formação inicial para o trabalho, com base em um quadro categorial, composto por algumas experiências do Projovem Urbano. O resultado da pesquisa aponta na direção de que o signo da formação inicial tem servido para mascarar a precarização da qualificação profissional para o trabalho simples.
2022-12-06T13:24:12Z
Gaspar,Leandro
Mercado e formação: uma análise crítica da mercantilização da educação profissional no Brasil
No summary/description provided
2022-12-06T13:24:12Z
Ventura,Jaqueline
Encontros e diálogos entre a saúde e a educação no Brasil
No summary/description provided
2022-12-06T13:24:12Z
Ruela,Helifrancis Condé Groppo
CUIDADO CLÍNICO E SOBREMEDICALIZAÇÃO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Resumo Este ensaio analisa a sobremedicalização (medicalização desnecessária e indesejável) gerada no cuidado médico aos adoecidos na atenção primária à saúde, discute como ocorre e como evitá-la. Articula na análise três grupos de concepções/saberes: concepções de doença (dinâmicas/ontológicas); concepções de causação (ascendente/multidirecional); eixos conceituais estruturantes do saber médico (anatomopatológico, fisiopatológico, semiológico, epidemiológico). A sobremedicalização deriva dos movimentos cognitivos dos profissionais na elaboração diagnóstica e terapêutica. Ela nasce da associação da concepção ontológica de doença com causação ascendente (fluxo causal que vai dos elementos materiais mais simples a dimensões e níveis mais complexos), em articulação com sobrevalorização do eixo anatomopatológico, geradora de excessivas intervenções diagnósticas e farmacoterapêuticas. Para evitar a sobremedicalização, propomos a associação virtuosa da concepção dinâmica de doença, com causação multidirecional e uso equilibrado dos eixos conceituais das doenças. Isso facilita: escuta qualificada; contextualização dos casos; mais criterioso uso de exames complementares; reconhecimento dos limites diagnósticos biomédicos; superação da razão metonímica (que despreza tudo o que não é saber cientificamente consagrado); amplificação da interpretação para além das 'doenças' e dos tratamentos para além dos fármacos/cirurgias, explorando os saberes dos usuários e profissionais, práticas complementares e a devolução de problemas para o manejo autônomo apoiado.
2022-12-06T13:24:12Z
Tesser,Charles Dalcanale
EDUCAÇÃO E SAÚDE NA ESCOLA E A CONTRARREFORMA DO ENSINO MÉDIO: RESISTIR PARA NÃO RETROCEDER
Resumo O artigo analisa o impacto das mudanças em curso, com base na aprovação da lei n. 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, na formação dos jovens, em particular na abordagem da saúde na escola. Debatemos como as alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, introduzidas pela referida lei, poderão afetar a educação em saúde no ambiente escolar, retomando o debate sobre a educação em saúde na escola, a proposição da saúde como tema transversal e a abordagem da saúde nos livros didáticos. A contrarreforma do ensino médio significará, na prática, a flexibilização ou a supressão de conteúdos anteriormente obrigatórios a partir da instauração de itinerários formativos e arranjos curriculares com potencial para subtrair o debate do campo das ciências sociais e humanas, das quais comumente têm-se a expectativa de contribuir para a superação das concepções e práticas estritamente biomédicas do processo saúde-doença. Consideramos que profissionais de saúde, professores, pesquisadores e estudantes devam ampliar esse debate e participar efetivamente da luta pela reversão da contrarreforma tal como aprovada.
2022-12-06T13:24:12Z
Miranda,Daniel Nunes March,Claudia Koifman,Lilian
ANÁLISE DOS DISCURSOS REFERENTES À EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE NO BRASIL (1970 A 2005)
Resumo O objetivo foi analisar o processo de construção da Educação Permanente em Saúde, identificando suas transformações, continuidades e rupturas no contexto sócio-histórico da década de 1970 a 2005. Estudo ancorado no referencial teórico-metodológico da Análise Crítica do Discurso. Com base em entrevistas realizadas com representantes da elaboração e gestão da política da Educação Permanente em Saúde, em diferentes momentos históricos, buscamos compreender o contexto, os textos e os atores sociais que compõem o discurso em cada época. Indicam um processo caracterizado por continuidades e rupturas, influenciado pelas ideologias que marcam variações discursivas em cada momento. Deste modo, os discursos da centralidade do trabalho, com suas demandas de profissionalização, qualificação e capacitação, convivem com os discursos da centralidade do sujeito e com suas necessidades de saber e aprender no e com o cotidiano. Compreende-se que a Educação Permanente em Saúde no Brasil vem sendo reconfigurada sob determinadas influências políticas, ideológicas e epistemológicas.
2022-12-06T13:24:12Z
Silva,Kenia Lara da França,Bruna Dias Marques,Rita de Cássia Matos,Juliana Alves Viana de