RCAAP Repository

Impacto da depressão do cuidador principal informal na qualidade dos cuidados prestados no domicílio ao doente oncológico em fase paliativa

Introdução Com o crescente envelhecimento da população, é cada vez mais importante refletir acerca da qualidade dos cuidados prestados aos doentes pelos seus cuidadores principais. Na maior parte dos casos, o cuidador principal é um membro da família que tem de assumir sozinho as diferentes tarefas que o acto de cuidar exige. Pretende-se verificar através do presente trabalho se existe um impacto significativo da depressão e ansiedade do cuidador principal na qualidade dos cuidados informais prestados ao doente em fase paliativa no domicílio. Métodos Foi conduzido um estudo quantitativo, analítico, transversal e observacional, no qual num período de 6 meses foram preenchidos vários questionários (questionário de dados sociodemográficos e clínicos de doentes e cuidadores, escala HADS do cuidador, escala QASCI-VR do cuidador, escala EQ-5D-3L do cuidador e questionário de avaliação subjetiva da qualidade dos cuidados prestados no domicílio pelo cuidador principal ao doente) pelos cuidadores dos doentes e pelos seus médicos assistentes nas Consulta de Cuidados Paliativos de um Centro Hospitalar e de um Centro de Saúde. Resultados Participaram 137 cuidadores de 137 doentes. A prevalência de depressão nos cuidadores foi de 46,4%, e a prevalência de ansiedade foi de 60,6%. Foi constatada uma correlação entre a depressão no cuidador e os cuidados de baixa frequência a nível das atividades instrumentais da vida diária e do auxílio nas dificuldades funcionais de auto-cuidado, existindo uma associação marginalmente significativa com a baixa frequência de cuidados emocionais ao doente. Foi ainda observada uma correlação entre a ansiedade e os cuidados de alta frequência a nível do auxílio nas dificuldades funcionais de auto-cuidado. Apesar das limitações do estudo, os resultados obtidos traduzem a suscetibilidade que apresentam os cuidadores deste tipo de doentes para desenvolver depressão, o que acarreta um decréscimo na qualidade do suporte fornecido por eles aos doentes oncológicos em fase paliativa. São múltiplos os fatores que influenciam o desenvolvimento da depressão no cuidador, incluindo a falta dos apoios suficientes a nível social ou económico. Torna-se necessário virar o foco aos cuidadores, sendo o dever de todo prestador de cuidados de saúde o desenvolvimento de medidas direcionadas não só à habilitação técnica mas também ao aprimoramento da resposta que o sistema de saúde fornece às necessidades psicológicas, sociais e espirituais dos cuidadores, através da identificação precoce daqueles em situação de risco para o desenvolvimento de depressão e ansiedade, assim como o acompanhamento adequado daqueles com estas perturbações do humor, visando em último termo contribuir para a melhor gestão dos cuidados destes e dos doentes a seu cargo.

Year

2020

Creators

Muñoz Romero, Rafael

Cuidados paliativos : avaliação do conhecimento dos médicos de família

Enquadramento: Os Cuidados Paliativos (CP) assumem um papel cada vez mais importante no plano geral da saúde. A nível nacional, verifica-se uma escassez de evidência acerca do que sabem os profissionais de saúde sobre CP, em que medida isso pode influenciar a prática dos mesmos e que necessidades formativas existem realmente. Objetivos: Este estudo pretende avaliar o conhecimento dos médicos e internos de Medicina Geral e Familiar (MGF) sobre CP bem como os fatores que os condicionam, de forma a identificar necessidades formativas na área. Para além disso, propõe identificar a perceção dos médicos quanto ao seu conhecimento e ao seu papel em CP. Desenho do estudo: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo, observacional e transversal. Amostra: Amostra não probabilística e de conveniência, constituída por 80 médicos e internos de MGF a exercer funções nas diversas unidades funcionais do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Sintra. (População de 219 médicos de MGF dos quais 60 eram internos da especialidade) Materiais e métodos: Foi desenvolvido um questionário online específico relativo ao conhecimento geral sobre CP e onde também se pediu aos participantes que avaliassem o seu conhecimento e a importância do seu papel em CP. A compreensão do questionário foi avaliada com a realização de um pré-teste a 20 médicos de família. Através de uma análise descritiva e inferencial procurou-se avaliar a existência de correlações entre as variáveis usadas. Resultados: A maioria dos participantes era do sexo feminino (80,0%), com idade média de 39,0 anos, sem formação ou experiência profissional em CP, classificando o papel da MGF como muito ou extremamente importante. A média de respostas corretas foi elevada (85,58%), sobretudo nas seguintes áreas: Filosofia dos CP; Abordagem da Dor e Comunicação. Por outro lado, as áreas com menor percentagem de respostas certas foram referentes a Sintomas Respiratórios e Vias de Administração de Fármacos. A formação, a experiência em CP e a autoavaliação do conhecimento mostraram estar significativamente relacionadas com o nível de conhecimento, ao contrário da idade que se correlacionou de forma negativa. O género, a experiencia médica geral, o tipo de unidade de saúde e o tipo de contacto com os CP não mostraram diferenças significativas. Conclusões: Apesar de reconhecido um bom nível de conhecimento em CP, foram identificadas necessidades formativas específicas. Este facto torna imperativo o desenho de um plano formativo contínuo e adaptado aos médicos de família do ACES Sintra por forma a proporcionar-lhes os conhecimentos e as competências em CP necessários à prestação de melhores cuidados à população que servem.

Year

2020

Creators

Runa, Daniela de Carvalho

Prevalência de sintomas e qualidade de vida em doentes com VIH/SIDA

Introdução A avaliação da qualidade de vida (QDV) na infeção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é fundamental para compreender a forma como vive uma pessoa com o seu diagnóstico. Com o avanço da ciência médica, deu-se um aumento da esperança de vida das pessoas que vivem com VIH e/ou Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (SIDA), contudo maior tempo de vida não é sinónimo de qualidade e atendendo às suas especificidades, esta doença traz repercussões ao nível da QDV dos seus portadores. O presente estudo pretende analisar a prevalência e a intensidade de sintomas apresentados pelos doentes com VIH/SIDA e perceber a afetação na sua QDV. Métodos Foram inquiridos 100 doentes com VIH/SIDA de Fevereiro de 2018 a Março de 2019, seguidos numa consulta externa de Infecciologia. Para obter uma avaliação multidimensional dos doentes foram usados os seguintes instrumentos: ESAS-r (Escala de Avaliação de Sintomas de Edmonton); EQ-5D (medição da QDV relacionada com a saúde) e Termómetro de Emoções. Resultados Os resultados obtidos indicam que 56% dos participantes eram do sexo feminino, 46% solteiro, casado/junto 37%, 10% divorciado/separado e 7% viúvo, a nível de escolaridade 2% referem ser analfabetos, 36% com escolaridade ao nível do ensino básico, 42% ao nível do secundário, 9% com ensino médio e 11% com ensino superior e 54% com rendimento mensal inferior a 500€. Os sintomas presentes com uma intensidade mais elevada são o cansaço (21%) e a ansiedade (20%). Dos inquiridos, 10% referem que a sua QDV é prejudicada de forma grave pela sua ansiedade/depressão e 6% por dor/mal-estar. O estado emocional mais referido com uma percentagem de 28% foi a revolta. Com o estudo podemos concluir uma correlação entre a idade e a dor, os resultados mostram que quanto mais velhos os participantes maiores são os valores de sintoma dor (r = .24; p = .016); mais afetada será a QDV em fatores como a mobilidade (r = .37; p < .001), dor/mal-estar e menos a sonolência (r = -.34; p = .001). Quanto maior o tempo de exposição ao VIH menor é a mobilidade. O estudo mostra que a comorbilidade, VIH, correlaciona-se positivamente e de forma estatisticamente significativa com os sintomas dor, apetite e depressão, com os fatores de QDV mobilidade, atividades habituais, dor/mal-estar, ansiedade e depressão e com todos os estados emocionais. Conclusões Os dados permitem concluir que existe um cluster de sintomas e que o cansaço, a sonolência são comuns nas pessoas inquiridas mas também a ansiedade, bem-estar, depressão e apetite têm impacto na afetação da QDV de cada um e, em suma, da união de esforços e conhecimentos das diferentes especialidades, Infeciologia, Cuidados Paliativos e outras, o doente e a sua família beneficiam não só do tratamento da doença como do alívio de sintomas com consequente melhoria da QDV e do modo como é vivida a doença.

Year

2020

Creators

Figueiredo, Sara Carlos de

Terapêutica nutricional e alterações da permeabilidade intestinal em indivíduos com doença inflamatória intestinal

Introdução: As doenças Inflamatórias Intestinais (DII) caracterizam-se por um processo inflamatório crónico que afeta a estrutura da barreira intestinal. A evidência recente sugere que determinados compostos alimentares podem influenciar de forma benéfica ou prejudicial a integridade da barreira intestinal e, consequentemente, a permeabilidade da mesma. Estudos recentes têm colocado a zonulina sérica como um marcador da permeabilidade intestinal (PI) com elevado potencial de uso clínico. Objetivo: Estudar o efeito da ingestão de componentes alimentares na PI e nos marcadores inflamatórios em indivíduos com DII, bem como, a adesão destes indivíduos ao plano alimentar instituído. Metodologia: Este estudo clínico randomizado simples, contemplou 53 indivíduos. Destes 53, 28 não apresentavam diagnóstico de DII e 25 apresentavam diagnóstico de DII. Tanto os participantes com DII bem como os participantes sem DII, após sorteio aleatório, cumpriram um plano alimentar durante 2 meses, que, conforme o grupo a que foram alocados (com ou sem intervenção), implicava um determinado grau de restrição e inclusão de nutrientes específicos. No momento inicial do estudo e após 2 meses, houve avaliação da composição corporal, parâmetros bioquímicos, nomeadamente da zonulina para medir a PI, hábitos alimentares e sintomatologia gastrointestinal. Resultados: No momento inicial do estudo os indivíduos com DII não apresentaram valores de zonulina significativamente superiores aos valores dos indivíduos sem DII. No momento final do estudo, verificaram-se diferenças significativas nos dados antropométricos mas não se verificaram diferenças significativas nos parâmetros bioquímicos nem na sintomatologia gastrointestinal. A satisfação relativamente aos planos alimentares foi elevada mas apenas 59,2% dos participantes cumpriu mais de 50% das indicações do plano alimentar instituído. Conclusão: O benefício da inclusão e exclusão a curto prazo de determinados compostos alimentares foi inconclusivo. Não se verificaram diferenças significativas ao nível da PI, dos parâmetros inflamatórios nem da sintomatologia gastrointestinal. É necessário confirmar a fiabilidade da zonulina sérica como marcador da PI. São necessários mais estudos com amostras maiores, realizados em ambiente mais controlado e com marcadores da PI fiáveis. O acompanhamento nutricional dos indivíduos com DII deve fazer parte da abordagem multidisciplinar destas patologias.

Year

2020

Creators

Lacerda, Joana de Henriques Lebre Franco

Role of S100B in EAE pathogenesis

Multiple Sclerosis (MS) is a complex chronic autoimmune disease of the central nervous system (CNS). It is the second most common cause of non-traumatic neurological, physical and cognitive disability in young adults, affecting 2.5 million people worldwide. It is characterized by the appearance of lesions on CNS resulting from the demyelination that occurs due to auto-reactive immune cell infiltration. This activation leads to inflammation, destruction of myelin sheaths with axonal degeneration and gliosis. Recently, the calcium-binding protein, S100B, has been emerging as an important inflammatory marker in neurodegenerative and neuroinflammatory disorders as MS. Indeed our group showed that this protein was present in the cerebrospinal fluid (CSF) and serum of MS patients and, recently, that increased levels were directly correlated with demyelination and inflammatory processes, using an ex vivo demyelinating model. Moreover, its inhibition with a S100B-binding drug in this demyelinating model showed that S100B may be a promising therapeutic target in MS. Following studies showed that the S100B-RAGE axis is overexpressed in the in vivo model of MS, the experimental autoimmune encephalomyelitis (EAE), indicating this as a good model for S100B modulation. So, here, we aimed to understand whether the targeting of S100B, using the specific small molecule pentamidine, could modulate and even, ameliorate MS-like pathogenesis in the EAE model. First, we observed the positive effects of pentamidine in decreasing disease severity and motor deficits in the treated animals, by ameliorating their clinical score and improving recovery. Moreover, regarding CNS pathogenesis, when evaluating the mice’s spinal cord sections, the treatment with pentamidine attenuated the appearance of demyelinated lesions, either in the peak or chronic disease phase, and also of cell infiltration at chronic stages. Further, pentamidine also prevented mature oligodendrocyte (OLs) loss and enhanced oligodendrogenesis which seemed to favour remyelination. As expected EAE-induced animals treated with pentamidine show decreased astroglial reactivity alongside with S100B expression. On the other hand, pentamidine had an enhancing effect in the microglial recruitment, mainly to the demyelinated lesion. At the peripheric level, pentamidine was also able to decrease serum EAE-induced inflammatory cytokines at chronic disease stage. Altogether our results, highlight the involvement of S100B in MS pathology. Moreover, they also suggest a neuroprotective, modulatory role of the S100B-binding drug, pentamidine, which prevented most of the detrimental effects caused by toxic levels of S100B, upon EAE induction. We can conclude that S100B inhibition may be a new therapeutic strategy not only to reduce CNS damage but also to improve recovery.

Year

2020

Creators

Soromenho, Beatriz dos Santos Pinto

A perceção do cuidador informal sobre a hospitalização de familiares com cancro

Enquadramento: Os doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos continuam a ser internados em serviços cirúrgicos, onde os enfermeiros estão preparados para cuidar do doente cirúrgico e não para atender as suas necessidades específicas e as da sua família. Consideramos a família numa perspetiva sistémica, experienciando uma série de dificuldades, necessidades e sentimentos face à doença incurável do seu familiar, tendo a mesma uma papel fundamental nos cuidados que lhe presta. Habitualmente, tende a subvalorizar as suas necessidades biológicas e psicossociais, que se traduzem num desgaste físico e psicológico associado ao cuidado do doente. Assim, emerge a necessidade de mudança, em que a família deve ser envolvida nos cuidados e também ser considerada como unidade recetora de cuidados, sendo, pois, pertinente que os enfermeiros foquem os seus cuidados no doente-família, de modo estruturado e orientado para a resolução de problemas do sistema familiar. Objetivos: Compreender a perceção dos cuidadores familiares sobre as intervenções do enfermeiro no cuidar do doente oncológico com necessidades de cuidados paliativos; descrever as perceções dos familiares relativamente ao apoio e à disponibilidade dos enfermeiros. Método: Estudo qualitativo, com recurso a uma entrevista semiestruturada, aplicada a 10 familiares de doentes oncológicos com necessidade de cuidados paliativos, internados num serviço cirúrgico. Os resultados da mesma foram analisados através da análise de conteúdo. Resultados: Os familiares entrevistados consideram que a dinâmica hospitalar é centrada no curar e que não foram cuidados pelos enfermeiros, não existindo, assim, interesse pelo seu processo experiencial e vivencial. Identificámos lacunas a vários níveis, desde os cuidados à boca, que não são prestados pela maioria dos enfermeiros, aos posicionamentos do doente, onde os familiares mostraram muitas dificuldades. Quase todos são unânimes em afirmar que os enfermeiros não se mostraram disponíveis para atender as suas dúvidas e necessidades psicossociais e informacionais, nem para os envolver nos cuidados, justificando que tal acontece por sobrecarga de trabalho, ou como estratégia deliberada, uma vez que a comunicação também foi ineficaz. No discurso dos familiares evidenciou-se a necessidade de apoio e de orientação que não tiveram por parte dos enfermeiros. Conclusão: A doença oncológica é uma doença do sistema familiar e a sua gestão afeta todos os membros, sobretudo os que coabitam e cuidam do doente. Identificámos fatores facilitadores e dificultadores percecionados pelos familiares aquando do internamento do seu familiar. Pensamos que os resultados deste estudo indicam ser necessária uma mudança na prática de enfermagem, quer em termos de relação de ajuda, quer no próprio cuidar em enfermagem, tendo sempre presente que a família também deve ser cuidada, e apontam para a necessidade de formação contínua em Cuidados Paliativos, de modo a dotar os enfermeiros com conhecimentos e capacidades para um cuidado holístico aos doentes e suas famílias.

Year

2020

Creators

Ferreira, Noélia dos Santos

A limitação do esforço terapêutico na demência avançada : existe um filtro paliativo?

Introdução: A demência é uma doença progressiva e incurável cuja prevalência e custos de saúde associados aumentarão inevitavelmente nas próximas décadas. Há necessidade de mudança de paradigmas no tratamento de doentes que dela sofrem e de conscencialização da sua fase avançada como merecedora de uma abordagem especializada centrada no conforto. Objetivos: Analisar a abordagem de intercorrências em internamento hospitalar de doentes com demência avançada no seu último ano de vida, enquadrando medidas assumidas como filtro paliativo – preferência por vias de administração de fármacos menos invasivas, aposta num bom controlo sintomático, evição de medidas de alimentação e hidratação artificiais e referenciação a equipas especializadas de cuidados paliativos. Métodos: Estudo quantitativo, retrospectivo e observacional de doentes com demência em fase avançada, com óbito em 2017, cujas intercorrências no último ano de vida foram abordadas no Centro Hospitalar Barreiro-Montijo. A recolha de dados foi feita através do processo clínico dos doentes e o seu tratamento no software SPSS. Resultados: Foram incluidos 137 doentes. Fatores como a idade ou as comorbilidades dos doentes não influenciaram a decisão de prescrição de medidas mais ou menos invasivas. O tempo de internamento foi influenciado pela aplicação de medidas do filtro paliativo, no entanto, apesar da prescrição de medidas invasivas o prolongar, não teve impacto no tempo de vida após internamento. A assumpção do caso como paliativo pelo corpo clínico implicou alterações nas medidas instituídas, nomeadamente uma menor prescrição de antibioterapia endovenosa e hidratação artificial e uma maior preocupação com a prescrição de analgesia fixa, mas apenas a última medida foi tida em conta em mais de 50% desses casos. Nenhum doente era previamente acompanhado em cuidados paliativos. Conclusão: Os resultados vêm reforçar que é imperativa a análise construtiva das ações instituídas e praticadas e uma revisão completa da abordagem dos doentes com demência avançada.

Year

2020

Creators

Negrão, Ana Rita Gameiro dos Santos Marques

Caracterização genómica de Streptococcus dysgalactiae subsp. equisimilis responsável por infeção invasiva no Homem

Streptococcus dysgalactiae subsp. equisimilis (SDSE) é uma espécie de estreptococos beta-hemolíticos, dos grupos C ou G de Lancefield, de importância crescente como agente patogénico humano, principalmente em doentes idosos e com comorbidades. SDSE é agente etiológico de várias infeções da pele e tecidos moles, faringo-amigdalite e infeções mais graves, como bacteriemia, fasceíte necrotizante ou a síndrome do choque tóxico estreptocócico (STSS). O objetivo deste estudo foi a definição das linhagens clonais de SDSE predominantes em infeção invasiva em Portugal, com ênfase na identificação de fatores que possam influenciar a prevalência e a virulência dessas linhagens. Neste sentido, uma coleção de 316 estirpes SDSE de infeções invasivas no Homem, isoladas entre 2011 a 2017 em Portugal, foram caraterizadas através de métodos fenotípicos – determinação do grupo de Lancefield e suscetibilidade a antimicrobianos – e genotípicos – tipagem do gene emm e sequenciação de alto débito. Esta última foi usada para determinar perfis alélicos de “multilocus sequence type” (MLST) convencional e “core genome” (cgMLST), fatores de virulência e determinantes de resistência. As infeções invasivas por SDSE em Portugal afetaram maioritariamente doentes idosos (média de 69,5 anos) do sexo masculino (58,2%). A maioria das estirpes pertencia ao grupo G de Lancefield (n=226, 71,5%), seguido dos grupos C 89 (n=89, 28,2%) e L (n=1, 0,3%). A tipagem do gene emm e a análise por MLST evidenciaram uma elevada diversidade genética das estirpes, com 25 tipos emm e 76 tipos de sequência (STs) definidos por MLST. Os STs foram agrupados em 16 complexos clonais (CCs), dos quais CC17 (n=101, 32,0%), CC20 (n=78, 24,7%) e CC29 (n=56, 17,7%) se destacaram como os mais frequentes. Enquanto os CC17 e CC29 incluíam estirpes do grupo G de Lancefield com vários tipos emm, o complexo clonal CC20 era composto por estirpes exclusivamente do grupo C de Lancefield e maioritariamente do tipo emm stG62647, o mais frequente (26,6%) do estudo. A análise por cgMLST confirmou estes três CCs como as três principais linhagens clonais entre as estirpes de SDSE responsáveis por infeção invasiva em Portugal. A pesquisa de genes associados à virulência nos genomas de SDSE mostrou que os genes emm, fbp54, hasC, gapC e o operão da SLS estavam presentes em todas as estirpes e os genes lmb, ska, slo e nga na grande maioria. O gene speG foi o único gene de exotoxinas pirogénicas detetado, estando presente em 177 (56,0%) estirpes e apresentando uma distribuição clonal. Entre os sistemas reguladores identificados, covRS e fasCAX estavam presentes em todas as estirpes, enquanto o sil tinha uma presença variável, estando ausente nos dois principais CCs identificados, CC17 e CC20. As estirpes invasivas de SDSE apresentaram resistência à eritromicina (30,1%), tetraciclina (16,1%), clindamicina (8,2%), levofloxacina (3,8%) e aminoglicosídeos (3,2%). A maioria das estirpes resistentes à eritromicina apresentava um fenótipo iMLSB conferido pelo gene ermA e estava associada às estirpes do CC17 (p<0,001). Observou-se uma redução da taxa de resistência à tetraciclina ao longo do tempo (p=0,01), a qual foi maioritariamente conferida pelo gene tetM e associada a CC15 (p<0,001), A análise genómica das estirpes de SDSE demonstrou uma diversidade genética considerável das estirpes causadoras de infeção invasiva em Portugal, em que um número limitado de linhagens clonais altamente prevalentes na população se destacam. Diferenças na distribuição de genes associados à virulência e nos reguladores desses genes foram detetados entre linhagens clonais. Entre as principais linhagens clonais identificadas, algumas apresentavam resistências expressivas aos antimicrobianos, justificando a sua monitorização futura.

Year

2020

Creators

Castro, Ana Carolina Santos Rodrigues de

Avaliação da incorporação de levofloxacina em partículas de um biomaterial ortopédico para tratamento da osteomielite

A osteomielite consiste num processo inflamatório associado à destruição óssea, causado por microrganismos infecciosos. O seu tratamento envolve debridamento cirúrgico, remoção dos corpos estranhos e ainda antibioterapia. A necessidade de se atingirem concentrações parentéricas elevadas de antibióticos para que a terapêutica seja efectiva no tecido ósseo, assim como a duração prolongada do tratamento pode conduzir à toxicidade sistémica induzida pelo antibiótico. Este facto vem sublinhar a importância do desenvolvimento de sistemas de drug delivery, de forma a que a libertação dos fármacos no local pretendido, seja feita de modo controlado e por períodos de tempo mais longos. O poli(metilmetacrilato) (PMMA), tratando-se de um polímero biocompatível com valor reconhecido no âmbito das artroplastias, foi considerado como sistema de transporte para a libertação controlada de um antibiótico: a levofloxacina (LEV). O referido antibiótico é uma fluoroquinolona de 3ª geração geralmente utilizada contra Staphylococcus aureus, um dos agentes patogénicos frequentemente associados à osteomielite. Objectivos: 1) Incorporação de LEV em partículas de PMMA; 2) Comparação das características das partículas obtidas por diferentes métodos. Métodos: 1) As partículas de PMMA foram preparadas pelo método da dupla emulsão a/o/a com evaporação do solvente (DESE), quer pela via convencional quer por downscale. Foram avaliados diversos parâmetros como sejam a morfologia, o rendimento de produção, o tamanho, a eficiência de encapsulação (EE), o drug loading (DL), o potencial zeta (PZ) e o perfil de libertação in vitro. Resultados: 1) As partículas apresentaram superfície esférica e regular e tamanhos na gama do micrómetro (µm). Obtiveram-se melhores resultados quer de DL quer de EE, pelo método convencional. Os ensaios de libertação in vitro revelaram concentrações inferiores ao da MIC50 para S. aureus durante toda a duração do ensaio. 2) As partículas produzidas pelo método convencional destacaram-se especialmente das produzidas por downscale no que diz respeito aos seus tamanhos e à dispersão da população. Conclusões: Os valores alcançados revelaram que tanto para o método convencional como para o de downscale é necessário levar a cabo algumas alterações na formulação de forma a melhorar a encapsulação da LEV, a distribuição do tamanho das partículas (essencialmente a nível do downscale) e também os perfis de libertação in vitro.

Year

2011

Creators

Conniot, João Miguel de Oliveira

A utilização da pergunta da dignidade em doentes com necessidades paliativas seguidos em cuidados de saúde primários : um estudo piloto

Enquadramento teórico: A Pergunta da Dignidade (PD) é uma ferramenta clínica desenvolvida com o intuito de reforçar o sentido de dignidade e personhood, promovendo a prestação de cuidados centrados na pessoa doente e não nas suas doenças. Após responderem à PD, é criado um resumo com a informação fornecida por cada doente, podendo depois este ser incluído no seu processo clínico. Objectivos: Este estudo tem como objectivo primário estudar a aceitação e viabilidade da PD em doentes com necessidades paliativas identificadas, seguidos em Cuidados de Saúde Primários (CSP), utilizando um questionário de feedback pós-PD; e como objectivos secundários avaliar o sentido de dignidade dos doentes e averiguar se a resposta à PD modifica o seu sentido de dignidade, utilizando a Escala da Dignidade (EDig). Desenho de estudo: Trata-se de um estudo piloto quantitativo, exploratório, transversal, observacional e descritivo. Amostra: Amostra não probabilística e de conveniência, constituída por 20 doentes com necessidades paliativas identificadas, pertencentes à Unidade de Saúde Familiar Travessa da Saúde - ACeS Loures Odivelas. Materiais e Métodos: No primeiro momento de investigação (T1) aplicou-se a PD e a EDig. Na segunda entrevista (T3) - realizada no período máximo de 15 dias após T1-, procedeu-se à apresentação do resumo final resultante da PD (criado em T2), aplicando-se novamente a EDig e, por fim, o questionário de feedback pós-PD (cada item avaliado através de escala do tipo de Likert de 1 “discordo completamente” a 7 “concordo completamente”). O score total e as diferenças entre cada pergunta da EDig foram calculadas, entre o T1 e T3. Resultados: Foram incluídos 20 participantes, 75% dos quais eram do sexo masculino; a idade média foi de 70 anos (intervalo 56-91 anos). Os pacientes entrevistados consideraram o resumo preciso, claro e completo. Todos os participantes recomendariam a PD a outros doentes e gostariam que fosse disponibilizado o resumo no seu processo clínico. Os participantes sentiram que o resumo da PD aumentava o seu sentido de dignidade (6,4; DP=0,68) e consideraram importante que o seu Médico de Família e Enfermeiro de Família tivessem acesso a esta informação (6,4; DP=0,99) e que esta poderia afetar o modo como os profissionais de saúde os veêm e cuidam. (6,9; DP=0,31), conhecendo os seus valores de vida (6,9; DP=0,37), preocupações e preferências (7,0; DP=0,22) e principais áreas de sofrimento (6,5; DP=0,69). A PD levou em média sete minutos a ser respondida e o resumo dez minutos a ser elaborado. A amostra apresentava um intacto sentido de dignidade já que, em T1, a soma (DP) do score total da EDig foi de 59,7 (13,719), sendo que apenas valores ≥75 nesta escala são representativos de sofrimento global relacionado com o sentido de dignidade. Conclusões: Os resultados mostram que a PD é bem aceite e viável para ser usada em pacientes com necessidades paliativas no contexto de CSP e parece ser uma ferramenta promissora a ser implementada. A PD pode melhorar a relação médico/doente, permitindo uma nova prespectiva de como os profissionais de saúde compreendem e lidam com a pessoa doente no contexto clinico.

Year

2020

Creators

Caldas, Mafalda Ferreira Rodrigues Neto Filipe Lemos

Characterization of a novel mouse model for neurodegeneration

Doenças neurodegenerativas são enfermidades devastadoras, responsáveis pela perda de células do sistema nervoso central. Este grupo de doenças crónicas e progressivas que afetam competências cognitivas e motoras têm vindo a tornar-se cada vez mais predominantes, afetando a capacidade das pessoas em atender às suas necessidades básicas e, finalmente, resultando na sua morte. Os efeitos debilitantes e letais destes distúrbios realçam a necessidade de tratamentos eficazes, no entanto, até ao momento nenhuma cura se encontra disponível. Ao longo das últimas décadas, foi estabelecido que o misfolding, agregação e acumulação de proteínas ricas em estrutura beta, semelhantes a amiloides, são os eventos críticos comuns às doenças neurodegenerativas. Como consequência da sua conformação patológica, estes agregados semelhantes a amiloides exercem efeitos tóxicos denominados de efeitos de ganho de função tóxica. Apesar desse conhecimento, os complexos mecanismos moleculares que ligam estes eventos à morte celular e à neurodegeneração permanecem maioritariamente desconhecidos. Por essa razão, os objetivos desta tese consistiram em estudar os efeitos do ganho de função tóxica induzido pela agregação. Para garantir o sucesso na prossecução destes objetivos, durante o trabalho desenvolvido nesta tese, nós utilizámos uma proteína artificial, sem qualquer função biológica, que foi criada de modo a formar estruturas ricas em folhas beta, denominada β23. Adicionalmente, o trabalho experimental foi dividido em duas secções: i) caracterização histológica e comportamental de um novo modelo induzível de rato transgénico; ii) análise in vitro dos efeitos de β23 na viabilidade celular e no transporte núcleo-citoplasmático. De forma a estudar os efeitos da agregação de proteínas ricas em folhas-β, foi gerada uma linha de ratos transgénicos, a partir do cruzamento de duas linhas transgénicas já existentes, a linha TRE3G:mycβ23-FRT-IRES-FRT-mCherry e a linha NEFH:tTa. A primeira linha tinha já sido criada no nosso laboratório e consiste numa sequência de β23 ligada ao marcador myc e separada da sequência da proteína fluorescente mCherry por uma sequência IRES. Por sua vez, esta sequência IRES encontra-se flanqueada por duas sequências de reconhecimento de flipase. A transcrição deste construct encontrava-se depois sob o controlo de um promotor sensível a tetraciclina, o que tornou possível regular a transcrição dos genes a jusante do promotor. Como foi utilizado um promotor Tet-off, o promotor encontrava-se sempre ativo, exceto na presença de tetraciclina ou um dos seus análogos. No entanto, estes ratos transgénicos não expressavam os genes sob o controlo do promotor, uma vez que para isso acontecer ativadores transcricionais de tetraciclina (tTa) precisavam de se ligar ao promotor. Para promover a expressão de β23, esta linha transgénica foi cruzada com uma outra linha, a NEFH:tTa. Nesta segunda linha, tTa era expresso em neurónios, sob o controlo do promotor do gene que codifica para a proteína da cadeia pesada de neurofilamentos. Desta forma, ratos transgénicos resultantes do cruzamento destas duas linhas que possuíam ambos transgenes, denominados ratos duplo-transgénicos, expressavam a proteína β23 no sistema nervoso central. Ratos que só possuíam um dos transgenes (ratos transgénicos), ou ratos não transgénicos, não expressavam a proteína β23. Desta forma, ratos transgénicos e ratos não transgénicos foram utilizados como controlos. Surpreendentemente, antes de começar a caracterização, foi descoberto que ratos duplo-transgénicos que expressavam β23 estavam a morrer antes de nascer. De forma a contornar este resultado e proceder com a caracterização, foi inibida a expressão de β23 durante o desenvolvimento embrionário, através da administração de doxiciclina (análogo da tetraciclina) aos progenitores, a partir do momento em que estes foram colocados juntos. Após o nascimento dos ratos, o tratamento de doxiciclina era continuado até estes atingirem as 3 semanas de idade. A morte perinatal de ratos que expressavam β23 indicava que o ganho de função tóxica induzido pela agregação desempenhava uma função crucial na indução da letalidade embrionária. Após terem sido obtidos ratos viáveis, começámos por confirmar que β23 era expressa especificamente no sistema nervoso central dos ratos duplo-transgénicos, mas não em ratos que só possuíssem um dos transgenes ou em ratos não transgénicos. β23 começou a ser expressa entre as 7 e as 12 semanas de idade (4 a 9 semanas depois de ser retirada a doxiciclina) e enquanto que no cérebro de ratos com 12 semanas de idade, a expressão de β23 estava confinada ao córtex, na medula espinhal de ratos com a mesma idade esta expressão aparentava ser muito mais generalizada. A expressão de β23 deu origem à formação de agregados citoplasmáticos, neuríticos e, em particular, perinucleares. A presença destes agregados em torno da membrana nuclear foram sugestivos de que interferências com o transporte núcleo-citoplasmático poderiam estar envolvidas na citotoxicidade induzida pela agregação. De forma a averiguar se a expressão de β23 tinha algum impacto a nível do sistema nervoso central, foram analisados os cérebros e as medulas espinhais de ratos duplo-transgénicos e dos controlos transgénicos e não transgénicos. A nível macroscópico foi detetado que os cérebros dos ratos duplo-transgénicos eram mais leves, e consequentemente menores, que os cérebros dos controlos. No entanto, a nível microscópico não foram encontradas diferenças no número de neurónios maturos numa das regiões do córtex na qual foi detetada expressão de β23, entre os duplo-transgénicos e controlos. Nas medulas espinhais, foi observado que ratos duplo-transgénicos tinham menos neurónios motores nos cornos ventrais de secções cervicais e lombares, quando comparados com os controlos. De seguida, foi investigado se a expressão β23 e as alterações estruturais observadas tinham algum impacto comportamental. Para tal, foram avaliadas três componentes motoras (força dos membros, coordenação motora e locomoção) e duas componentes sensoriais (perceção sensorial leve e nocicepção) às 12 e 24 semanas de idade. Às 12 semanas de idade, os ratos duplo-transgénicos só tiveram um desempenho significativamente pior que os controlos em um dos testes de força. No entanto, a condição motora deteriorou-se ao longo do tempo e às 24 semanas de idade, os ratos duplo-transgénicos tiveram um desempenho significativamente inferior em testes das três componentes motoras, quando comparados com os controlos. A nível sensorial, embora tenha sido detetada uma tendência que se manteve ao logo do tempo para os duplo-transgénicos terem uma pior performance nos testes de perceção sensorial leve, quando comparados com a performance dos controlos, as diferenças observadas não foram significativas. Nos testes de nocicepção não foi detetada qualquer diferença entre os grupos de ratos, quer às 12 ou às 24 semanas de idade. Assim, expressão de β23 no sistema nervoso central dos ratos duplo-transgénicos deu origem ao desenvolvimento de um fenótipo motor progressivo. Por último, de modo a avaliar se lesões no transporte núcleo-citoplasmático estavam envolvidas na morte neuronal, foram investigados os efeitos das proteínas em folha beta na viabilidade neuronal, na importação núcleo-citoplasmática e na exportação núcleo-citoplasmática, em neurónios de rato em cultura. Embora não tenham sido encontradas diferenças na importação núcleo-citoplasmática, foi detetada uma correlação entre o declínio temporal da exportação núcleo-citoplasmática e o declínio temporal da viabilidade celular. De acordo com os dados obtidos, danos na maquinaria do transporte núcleo-citoplasmático pode ser um dos mecanismos através do qual agregados proteicos exercem uma função tóxica. Concluindo, os nossos resultados sugerem que o ganho de função tóxica, induzido pela agregação de proteínas, é suficiente para afetar processos essenciais para a viabilidade da célula e levar ao desenvolvimento de um fenótipo motor. Adicionalmente, estes resultados corroboram o uso de proteínas artificiais como um recurso poderoso no estudo do ganho de função tóxica e, possivelmente, como uma ferramenta importante para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para combater a neurodegeneração.

Year

2020

Creators

Padilha, Miguel da Silva

Género e papéis no trabalho em equipa

A realidade das organizações da atualidade assenta em modelos organizacionais que primam pela construção, formação e desenvolvimento de equipas de trabalho, uma vez que as organizações que se destacam e sobrevivem num mercado altamente competitivo e mutável são aquelas que apostam nas pessoas e no desenvolvimento e retenção dos seus talentos. O trabalho em equipa permite a troca dinâmica de conhecimentos e de sinergias que contribuem para o sucesso organizacional Camara, Guerra & Rodrigues, 2016 & Ferreira, Neves, & Caetano, 2011;). O objetivo deste estudo é contribuir para um melhor conhecimento dos papéis que cada um dos géneros tem tendência para adotar nas equipas de trabalho e analisar se há diferenças significativas nos oito tipos de papéis em equipa propostos por Belbin (1983), nomeadamente, os papéis de Dinamizador(a), Implementador(a), Finalizador(a), Coordenador(a), Harmonizador(a), Coletor(a) de Recursos; Gerador(a) de Ideias e Avaliador(a) Analítico(a), e quais são estas diferenças entre os géneros na adoção de determinado papel em equipa. Os resultados foram obtidos a partir da resposta dada pelos participantes ao questionário de personalidade profissional OPQ32r, desenvolvido no sentido de descrever um conjunto de preferências e tendências comportamentais em contexto de trabalho. Os resultados apresentam diferenças significativas em cinco dos oito papéis do trabalho em equipa. Os resultados médios dos participantes do género masculino revelam uma tendência estatisticamente significativa para a adoção do papel em equipa de Avaliador(a) Analítico(a), enquanto que os resultados médios das participantes do género feminino revelam uma tendência estatisticamente significativa para a adoção dos papéis em equipa de Coletor(a) de Recursos, Harmonizador(a), Finalizador(a) e Implementador(a).

Year

2020

Creators

Miranda, Patrícia Luege Neves e Sousa

Depressividade e traços borderline na população geral adulta

O presente estudo investiga na população geral adulta, a relação entre os traços borderline e a temática da depressividade, tendo em conta a relevância destes traços na sociedade atual. Os objetivos são: (1) Analisar as diferenças entre um grupo com traços borderline e um grupo normativo quanto à personalidade depressiva e depressividade; (2) Explorar quais os itens e fatores depressivos do ITD-R que distinguem o grupo com traços borderline do grupo normativo; (3) Explorar quais as dimensões da personalidade do Modelo dos Cinco Fatores que predizem os fatores e o resultado total da personalidade depressiva do ITD-R, no grupo com traços borderline e no grupo normativo. São utilizados dois questionários de autorrelato: NEO-FFI (NEO-Five Factor Inventory) e o ITD-R (Inventário de Traços Depressivos). Os grupos são constituídos por participantes da população geral adulta, com idade igual ou superior a 18 anos. 59 participantes no grupo com traços borderline (M= 36.25 anos; DP= 14.33 anos) e 97 participantes no grupo normativo (M= 36.25 anos; DP= 12.31 anos). O grupo com traços borderline apresenta resultados médios superiores no resultado total e em todos os fatores do ITDR. Os itens preditores do grupo com traços borderline descrevem sentimentos de desadequação (ITD-R 8; B= .49), maior frequência de sentimentos de abatimento (ITDR 13; B= .58) e facilidade na recusa de pedidos exteriores (ITD-R 22; B= -.71). Os fatores Depressão de Fracasso (B= .16) e Depressão Perfecionista (B= -.25) são discriminantes do grupo com traços borderline. O Neuroticismo é preditor do resultado total e de todos os fatores do ITD-R em ambos os grupos. Os modelos apresentam preditores específicos para o grupo com traços borderline, sob a presença de traços como a Amabilidade e a Extroversão. No grupo normativo, a Abertura à Experiência é preponderante na predição do resultado total e de todos os fatores do ITD-R, exceto para a Depressão Inibida. A depressividade do grupo com traços borderline surge como específica e distinta do grupo normativo. O estudo da configuração depressiva borderline irá permitir uma resposta mais adequada no contexto da intervenção psicológica.

Year

2020

Creators

Arranhado, Miguel Cunha

A atitude de resposta no MMPI-2 : o underreport e a avaliação das perturbações da personalidade

O impacto do underreport de sintomas e dificuldades psicológicas na avaliação psicológica tem sido alvo de vários estudos, nomeadamente no âmbito do MMPI-2. No entanto, o interesse tem recaído sobretudo nas escalas clínicas e poucos examinaram em profundidade o impacto do underreport nas medidas de personalidade. Por outro lado, os critérios de identificação de underreport têm, não só variado entre investigações, como privilegiado escalas de validade consideradas isoladamente. Este estudo tem, assim, por objetivo considerar a potencialidade de novos indicadores de underreport e o seu impacto deste na avaliação das alterações da personalidade. Para tal, foram comparadas as respostas ao MMPI-2 de amostras de participantes avaliados em diferentes contextos nos quais são expectáveis atitudes de resposta bem diferenciadas: indivíduos em contexto de seleção profissional (N= 344) terão maior motivação para underreport, uma vez que revelar dificuldades psicológicas pode ter implicações diretas na vida laboral; indivíduos da comunidade e sem queixa clínica (N = 339) não terão motivação para se envolverem em underreport; e indivíduos com queixa clínica (N = 695) em que também não se espera uma motivação especifica para underreport, pois tal colocaria em risco a ajuda clínica. Os resultados indicam que os participantes da amostra organizacional têm resultados significativamente mais elevados nos indicadores de underreport que as restantes amostras. Paralelamente, os mesmos participantes apresentam valores significativamente mais baixos tanto nas medidas de personalidade como nas clínicas. Verifica-se ainda uma associação, de magnitude similar, dos indicadores de validade com os de perturbação da personalidade e de perturbação clínica. Tal sugere que as perturbações da personalidade serão tão passíveis de serem distorcidas por uma atitude de underreport como as clínicas. Adicionalmente, o conjunto de escalas LKS evidenciou-se como o indicador que melhor diferencia a amostra organizacional das restantes amostras e que indica prevalências de underreport próximas das reportadas na literatura, o que sugere ser o mais robusto indicador de underreport. Os resultados são discutidos tendo por referência dados empíricos atuais neste âmbito e a possibilidade de considerar tendências de underreport específicas, nomeadamente ao nível da desejabilidade social e da defensividade.

Year

2020

Creators

Reis, Pilar Sobral Farrajota Simões dos

Efeito de incongruência e correlações ilusórias em entitatividade : fundamentos básicos da formação de impressões grupais

A hipótese de que a identidade de lugar (IL) pode ser entendida pelos mesmos princípios definidos pela identidade social (IS) tem sido confirmada consecutivamente através da replicação dos componentes típicos da última em contextos de IL. Um destes componentes diz respeito à perceção de entitatividade através de fotografias de bairros e consequentes inferências psicossociais das características dos habitantes dos mesmos. A presente investigação traz uma nova perspetiva na compreensão destes resultados ao explorar a identidade de lugar como alvo de mecanismos sociocognitivos básicos, como o efeito de incongruência e correlações ilusórias baseadas na expectativa no contexto da identidade de lugar. Foram realizados dois estudos. Num primeiro foi demonstrada a influência da indução de comportamentos incongruentes com as expectativas nos julgamentos das características dos bairros e dos seus habitantes. Num segundo, demonstrou-se a formação de correlações ilusórias através da apresentação de nomes de bairros conhecidos pelos participantes juntamente com comportamentos típicos ou não típicos de membros desses bairros. Globalmente, estes resultados demonstram que as expectativas têm um papel essencial no processamento de informação sobre bairros e consequentemente nos seus julgamentos sobre os seus habitantes. Esta conclusão é particularmente interessante uma vez que a perceção social é feita puramente com base em objetos, i.e., casas e ruas, o que não é previsto pelos princípios de Cognição Social. Esta e outras implicações são discutidas.

Year

2020

Creators

Teixeira, Raquel

Non-invasive wearable seizure detection using long–short-term memory networks with transfer learning

Objective. The detection of seizures using wearable devices would improve epilepsy management, but reliable detection of seizures in an ambulatory environment remains challenging, and current studies lack concurrent validation of seizures using electroencephalography (EEG) data. Approach. An adaptively trained long–short-term memory deep neural network was developed and trained using a modest number of seizure data sets from wrist-worn devices. Transfer learning was used to adapt a classifier that was initially trained on intracranial electroencephalography (iEEG) signals to facilitate classification of non-EEG physiological datasets comprising accelerometry, blood volume pulse, skin electrodermal activity, heart rate, and temperature signals. The algorithm’s performance was assessed with and without pre-training on iEEG signals and transfer learning. To assess the performance of the seizure detection classifier using long-term ambulatory data, wearable devices were used for multiple months with an implanted neurostimulator capable of recording iEEG signals, which provided independent electrographic seizure detections that were reviewed by a board-certified epileptologist. Main results. For 19 motor seizures from 10 in-hospital patients, the algorithm yielded a mean area under curve (AUC), a sensitivity, and an false alarm rate per day (FAR/day) of 0.98, 0.93, and 2.3, respectively. Additionally, for eight seizures with probable motor semiology from two ambulatory patients, the classifier achieved a mean AUC of 0.97 and an FAR of 2.45 events/day at a sensitivity of 0.9. For all seizure types in the ambulatory setting, the classifier had a mean AUC of 0.82 with a sensitivity of 0.47 and an FAR of 7.2 events/day. Significance. The performance of the algorithm was evaluated using motor and non-motor seizures during in-hospital and ambulatory use. The classifier was able to detect multiple types of motor and non-motor seizures, but performed significantly better on motor seizures.

Year

2021

Creators

Nasseri, Mona Pal Attia, Tal Joseph, Boney Gregg, Nicholas M. Nurse, Ewan S. Viana, Pedro Schulze-Bonhage, Andreas Dümpelmann, Matthias Worrell, Gregory Freestone, Dean R. Richardson, Mark P. Brinkmann, Benjamin H.

Cerebral venous thrombosis in Sub-Saharan Africa : a systematic review

Background: The clinical epidemiology of cerebral venous thrombosis (CVT) in Sub-Saharan Africa is unknown. Such information may be relevant for service planning, prevention and for adapting existing CVT management guidelines to that zone of the World. Aims: Systematic review to describe the demography, associated conditions, clinical and neuroimaging features, treatment and outcome of CVT in Sub-Saharan Africa. Summary of review: We searched MEDLINE, Cochrane Database of Systematic Reviews, clinicaltrials.gov and reference lists of included studies for studies reporting original data on CVT in sub-Saharan Africa. We included 20 observational studies describing 287 CVT patients, 11 case reports (13 patients) and 9 case series (274 patients). All studies had a high risk of bias. In case series 58.6 % of the patients were female, the most common associated condition was infection (63.1%), followed by oral contraceptives (7.3%), pregnancy/puerperium (6.2 %), and prothrombotic conditions (2.2%). CT was the most common method to diagnose CVT (85%). Ninety-nine percent (101/102) of patients reported in case series after the year 2000 were anticoagulated. In case series, 21/210 with information (10 %) patients died in the acute phase, while 60/129 with information (46.5%) recovered without sequels. Conclusions: The low number of reported CVT cases from Sub-Saharan Africa suggests that CVT is either infrequent, not diagnosed or not reported. Infection is the most common risk factor. Most CVT cases were confirmed by CT alone. Almost all patients reported after year 2000 received anticoagulation. Death rate was higher than in high income countries.

Year

2021

Creators

Baduro, Yanina Ferro, José

Exercise intensity in patients with cardiovascular diseases : systematic review with meta-analysis

Exercise-induced improvements in the VO2peak of cardiac rehabilitation participants are well documented. However, optimal exercise intensity remains doubtful. This study aimed to identify the optimal exercise intensity and program length to improve VO2peak in patients with cardiovascular diseases (CVDs) following cardiac rehabilitation. Randomized controlled trials (RCTs) included a control group and at least one exercise group. RCTs assessed cardiorespiratory fitness (CRF) changes resulting from exercise interventions and reported exercise intensity, risk ratio, and confidence intervals (CIs). The primary outcome was CRF (VO2peak or VO2 at anaerobic threshold). Two hundred and twenty-one studies were found from the initial search (CENTRAL, MEDLINE, CINAHL and SPORTDiscus). Following inclusion criteria, 16 RCTs were considered. Meta-regression analyses revealed that VO2peak significantly increased in all intensity categories. Moderate-intensity interventions were associated with a moderate increase in relative VO2peak (SMD = 0.71 mL-kg-1-min-1; 95% CI = [0.27-1.15]; p = 0.001) with moderate heterogeneity (I2 = 45%). Moderate-to-vigorous-intensity and vigorous-intensity interventions were associated with a large increase in relative VO2peak (SMD = 1.84 mL-kg-1-min-1; 95% CI = [1.18-2.50], p < 0.001 and SMD = 1.80 mL-kg-1-min-1; 95% CI = [0.82-2.78] p = 0.001, respectively), and were also highly heterogeneous with I2 values of 91% and 95% (p < 0.001), respectively. Moderate-to-vigorous and vigorous-intensity interventions, conducted for 6-12 weeks, were more effective at improving CVD patients' CRF.

Year

2021

Creators

Gonçalves, Catarina Raimundo, Armando Abreu, Ana Bravo, Jorge

O que pensam da terapia pessoas que nunca foram ao psicólogo? Um estudo sobre crenças e reciprocidade

Segundo a Organização Mundial de Saúde quatro das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo são devido a perturbações mentais ou comportamentais. Em Portugal 1/5 dos seus habitantes sofre de uma perturbação psiquiátrica. Com a saúde mental a aparecer como uma necessidade, o presente estudo tem como objetivo identificar crenças, expectativas, fatores de motivação e de retração relativamente à terapia e à relação terapêutica em indivíduos que nunca tiveram contacto com um contexto terapêutico. Foram feitas entrevistas semiestruturadas, aplicadas a 8 participantes (4 do sexo masculino, 4 do sexo feminino), com uma média de idades de 37 anos e posteriormente foi realizada uma análise temática com recurso ao programa NVivo12. Os resultados sugerem que, embora haja um reconhecimento crescente pelo trabalho do psicólogo, existe ainda um grande espaço entre as perceções (aquilo que julgam ser a terapia) e as preferências (aquilo que gostavam que fosse) dos participantes desta investigação, os quais tendem a considerar a terapia como uma opção pouco viável para dar resposta a possíveis necessidades futuras.

Year

2020

Creators

Madeira, Sara Garcês