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Cosmologia dionisíaca

Resumo:Destaca-se na filosofia nietzschiana a importância do conceito de força proveniente da física para a construção de um dos seus principais conceitos: a vontade de potência. O conceito de força, que Nietzsche buscou na mecânica clássica, quase desaparece na física do século XX com a teoria quântica de campos e a teoria da relatividade geral. Ainda é possível, na ciência de hoje, o mundo nietzschiano como forças em disputa, uma cosmologia dionisíaca?

Fisiopsicologia e naturalização do conhecimento em Nietzsche

Resumo:A reflexão de Nietzsche acerca do conhecimento é inseparável do contexto positivista das universidades alemães na segunda metade do século XIX. Deste modo, Nietzsche assimila uma forte tendência naturalista, que lhe fornece argumentos contra a interpretação metafísico-racionalista do conhecimento. O presente artigo visa a analisar aspectos do desdobramento desses pressupostos no que diz respeito à consideração do conhecimento efetuada por ele, que o afastam tanto do idealismo como do reducionismo naturalista.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Barros,Roberto de Almeida Pereira de

Nietzsche e Strindberg: o encontro de duas almas à parte

Resumo:Este artigo visa a destacar o interesse filosófico da correspondência entre Nietzsche e Strindberg. Os seus percursos se entrecruzam graças a uma comunhão de opiniões sobre assuntos essencialmente polêmicos: dessa forma, eles questionam os ideais modernos de emancipação feminina. Para mostrar o sentido deste combate delicado, examinamos a controvérsia que Strindberg trava contra uma peça de Ibsen, Uma casa de boneca. Com esta análise, é-nos possível avançar uma interpretação de uma grande tragédia de Strindberg (Pai), de conceber nitidamente o alcance propriamente nietzschiano dela e de mostrar enfim os limites da convergência intelectual dos dois homens.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Attali,Patrick

Resenha

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2022-12-06T13:20:35Z

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Pimenta,Olímpio

Resenha

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Descrição comparativa versus Fundamentação: o quinto capítulo de Para Além de Bem e Mal: "Contribuição à história natural da moral"

Resumo Para além de bem e mal, sobretudo o quinto livro, é um texto chave no que diz respeito ao programa nietzschiano de uma "história natural da moral". Em oposição ao projeto de fundamentação da moral que caracterizou a suposta ciência da moral até então, Nietzsche propõe ali, por um lado, um trabalho de reunião de material etnográfico e histórico, realizado a partir de uma análise comparativa das diversas morais, e, por outro, a elaboração de uma tipologia da moral capaz de nos revelar as configurações mais assíduas e recorrentes nos diversos sistemas morais. O que norteia esse programa de renovação da ciência da moral é a ideia de que é preciso retraduzir o homem de volta à natureza, de modo que as diversas configurações morais, heterogêneas e historicamente situadas, poderiam ser interpretadas psicologicamente: elas são uma semiótica dos afetos. Nesse sentido, aspectos psicológicos e histórico-naturais convergem em torno de um tema central: a moral do rebanho e os instintos que nela se expressam. A essa moral Nietzsche contrapõe seu problemático projeto de disciplinação e cultivo de um tipo superior.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Brusotti,Marco

Ressentimento, poder e valor

Resumo Examino duas interpretações recentes do ressentimento - aquela que o vê como uma forma maliciosa de inveja e aquela que o vê como uma incitação para encontrar alguém que possa ser censurado pelo próprio sofrimento -, e ao mesmo tempo argumento que estas interpretações fracassam tanto na identificação do que seja o caráter distintivo do ressentimento quanto na tentativa de fornecer uma interpretação convincente do processo de reavaliação desencadeado por ele. Proponho que o ressentimento deve ser concebido como uma expressão da vontade de potência e procuro esboçar uma análise dessa motivação como um desejo por agência efetiva. Concluo mostrando como essa compreensão do ressentimento é particularmente apropriada ao contexto de desfazimento dos valores do agente.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Reginster,Bernard

Nietzsche e Paul Rée: Acerca da existência de impulsos altruístas

Resumo Investigaremos a discordância entre Nietzsche e Paul Rée no que tange à existência de impulsos altruístas no ser humano. Paul Rée, em A origem dos sentimentos morais (der Ursprung der moralischen Empfindugen), afirma existirem no homem tanto impulsos egoístas quanto altruístas. A partir da teoria da evolução de Darwin, ele desenvolve uma psicologia moral evolucionista, enfatizando o caráter naturalista das atitudes altruístas. Analisaremos as críticas de Nietzsche ao modo altruísta de valorar, desde Humano, demasiado humano, tendo em vista a discussão que ele trava com Paul Rée acerca do estatuto do hábito, dos costumes e dos motivos das ações. O novo modo de considerar o prazer, especialmente na intensificação do sentimento de poder, marca uma nova orientação acerca da origem e desenvolvimento dos sentimentos morais, em que o egoísmo ocupa um lugar central.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Araldi,Clademir Luís

Lutas por reconhecimento e vontade de poder: uma afinidade entre Hegel e Nietzsche?

Resumo O artigo é uma tentativa de explorar a hipótese controversa de que possa haver uma profunda afinidade - até agora não identificada - entre a concepção de "luta por reconhecimento" [Kampf um Anerkennung] em Hegel e a concepção da dinâmica da "vontade de poder" [Wille zur Macht] em Nietzsche. Esta hipótese diz respeito ao modo como a luta e a dominação estão implícitas na noção hegeliana de reconhecimento, isto é: diz respeito à dinâmica intersubjetiva das formas falhadas de reconhecimento. A luta e a dominação (bem como a violência) são conceitos fundamentais na concepção do reconhecimento em Hegel - mas, ainda assim, conceitos meramente operacionais na obra de Hegel, enquanto em Nietzsche se tornam temáticos, porque o conceito de "poder" se torna temático. O que o artigo procura mostrar é que a hipótese nietzschiana da "vontade de poder" é relevante no debate contemporâneo sobre "reconhecimento e poder" porque permite uma descrição adequada das dinâmicas intersubjetivas em que o reconhecimento recíproco não é alcançado e o que subsiste nelas são relações de luta e dominação, ou seja, vontade de poder qua vontade de dominação. Mas isso só é assim porque a hipótese nietzschiana da "vontade de poder" implica uma "doutrina dos afetos" e, por isso, uma concepção de "poder" [Macht] em termos de "ação à distância", i.e. de influência intersubjetiva mediada por percepções, interpretações e perspectivas. Esta concepção de "poder" implica atribuir ao desejo e à vontade humanas uma natureza "recognitiva", e está longe de implicar a dissolução das relações de poder em processos transsubjetivos de dominação. Daí a afinidade entre Hegel e Nietzsche que o artigo procura evidenciar.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Constâncio,João

Nietzsche e o Valor: Florescimento e Excelência

Resumo Florescimento e excelência são dois ideais que ocupam um lugar central no perfeccionismo de Nietzsche. Este artigo procura oferecer uma interpretação original acerca do que está envolvido nestes termos, de como eles se diferenciam e se conectam, desenvolvendo assim um quadro axiológico que confira sentido a esse conjunto. Uma sugestão adicional é de que o modelo subjacente de valor que emerge a partir desta interpretação - com efeito, um modelo de uma vida boa - seja interessante e atrativo por si só, e que, portanto, possa ter um apelo filosófico mais amplo.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Robertson,Simon

Nietzsche e a sociofisiologia do eu

Resumo Este artigo examina as considerações de Nietzsche acerca das fontes sociais e históricas do eu como um contra-argumento à concepção liberal de indivíduo. Defendo que Nietzsche oferece não apenas uma crítica contundente à concepção associal e previamente individuada de pessoa, à qual se conecta a noção liberal de liberdade (compreendida como o direito individual de escolha de sua própria concepção de bem), como ainda um contra-conceito alternativo de pessoa e de soberania. Seus argumentos visam mostrar, em sua dimensão crítica, que o indivíduo ou pessoa é inseparável de seus objetivos ou valores, que são socialmente constituídos, e que nossa capacidade como indivíduos, especialmente para a agência soberana, é o produto de uma longa história e pré-história social. Em sua dimensão construtiva, encontramos em Nietzsche a contra alegação de que a manutenção e o cultivo de nossas capacidades (para reflexão e agência soberanas) são dependentes de relações de um antagonismo ponderado entre nós mesmos enquanto indivíduos, ou antes: como dividua. Esses argumentos serão desenvolvidos no que se segue em consonância com quatro principais linhas de pensamento: sobre as origens sociais e o caráter da (auto) consciência (§I); sobre a (pré) história e a constituição social de nossa capacidade como indivíduos soberanos [sovereign] (§II); sobre as origens sociais do fenômeno moral (como internalização de normas comuns) (§III); e sobre a destruição fisiológica do sujeito moral substancial, seguida da reconstrução fisiológica (§IV).

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2022-12-06T13:20:35Z

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Siemens,Herman

Nossas virtudes: sobre o capítulo 7 de Para além de bem e mal

Resumo Qual é a mensagem do sétimo capítulo de Para Além de Bem e Mal, intitulado 'Nossas Virtudes'? Inicialmente apresento uma análise da estrutura do capítulo (que parece ser o capítulo central da segunda metade do livro). Constata-se por meio desta análise que as seções 214 e 227 ocupam um lugar especial no capítulo. Uma análise detida destas duas seções sugere que neste capítulo o leitor é introduzido em uma condição tipicamente nietzschiana: o questionamento crítico da moralidade torna-se autorreferencial: aquele que questiona torna questionável o seu próprio questionamento. O mesmo procedimento adotado na seção 1 do primeiro capítulo em relação à filosofia e à vontade de verdade (tanto a vontade de verdade tradicional quanto a "nossa" própria) é adotado agora na segunda metade do livro em relação à "honestidade" ou "probidade" [Redlichkeit] e aplicado à moralidade (tanto a tradicional quanto a "nossa" virtude moral). O que no início parecia ser uma apresentação da virtude moral do espírito livre se revela agora como uma "autossupressão" da moralidade. Esta interpretação recebe uma elaboração e confirmação adicionais pela luz que ela permite lançar sobre as seções supostamente antifeministas que encerram o capítulo.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Tongeren,Paul van

Nietzsche e "Hitler"

Resumo Este artigo trata dos limites do imoralismo de Nietzsche, tomando como fio condutor a figura do heroi do mal. Defende-se a tese de que há um limite para esse imoralismo, na medida em que algumas questões devem permanecer na esfera de um tratamento moral, no sentido ligeiramente pejorativo que o termo recebeu entre os críticos da moralidade.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Nehamas,Alexander

Nietzsche entre a Pólis Grega e o Terceiro Reich Alemão

Resumo O objetivo deste ensaio é o de analisar a interpretação que Nietzsche faz da política grega antiga e as suas implicações na crítica que ele remete à cultura moderna. Críticas essas que, muita das vezes, comprometem a sua filosofia com formas de pensamentos protofacistas. Para tal tarefa, privilegiamos, sobretudo, os estudos de juventude, nos quais, o filósofo trata da política entre os gregos, mas sem negligenciar passagens, em textos, de outras fases, quando forem relevantes para a nossa análise.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Julião,José Nicolao

Lessing, um espírito livre. Sobre o aforismo 103 de O Andarilho e sua Sombra

Resumo Este artigo tem como objetivo analisar o aforismo 103 de O Andarilho e sua sombra, intitulado "Lessing", com a finalidade de mostrar a confrontação de Nietzsche com o pensamento do grande ensaísta, poeta e dramaturgo, considerado o criador do teatro moderno alemão. Esta confrontação tem como ponto de partida no aforismo acima referido a questão do "estilo", o que dá a oportunidade para refletirmos acerca desta questão em Nietzsche, neste momento importante de sua obra, momento de viragem, como sabemos, em especial a partir de três outros "personagens" importantes para a discussão deste tema: Schopenhauer, Wagner e a cultura francesa.

O eterno retorno do mesmo, "a concepção básica de Zaratustra"

Resumo No Ecce Homo, Nietzsche afirma que a concepção básica de Assim falava Zaratustra consiste no "pensamento do eterno retorno, essa fórmula suprema de afirmação a que se pode chegar". Tomando como ponto de partida a análise das diferentes partes desse livro, contamos antes de mais nada definir o lugar que o pensamento do eterno retorno nele ocupa. Estabelecendo a relação desse pensamento com a noção de além-do-homem, o conceito de vontade de potência, o projeto de transvaloração de todos os valores e a ideia de amor fati, pretendemos examinar a maneira pela qual Nietzsche o concebe em Assim falava Zaratustra. Queremos, por fim, avaliar em que medida o pensamento do eterno retorno do mesmo consiste na mais alta aceitação do mundo tal como ele é.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Marton,Scarlett

Nietzsche e "o povo mais fatal da história universal"

Resumo O presente artigo busca analisar visão de Nietzsche sobre o judaísmo a partir do enigma do vocábulo "Verhängnis" (fatalidade) e de seu adjetivo derivado: "verhängnisvoll" (fatal). Essas duas palavras são estranhamente traduzidas por "fatalidade" e "funesto" nas diversas edições francesas da Genealogia da moral e de O Anticristo. Por que o pensador do "fatum" teria imprimido à fatalidade a inflexão do funesto quando ele fala dos judeus, levando em consideração que os judeus são, na sua ótica, "a fatalidade da Europa". Essa singular equivocidade introduzida pelos tradutores franceses no texto de Nietzsche não tem sentido de ser, a partir do momento em que pensamos a natureza desse "fatum", dessa necessidade irreversível, introduzida na história pela primeira transvaloração dos valores - que é o advento do judaísmo. Ou então, se há equivocidade, ela é mais complexa do que a simples tradução de "verhängnisvoll" por "funesto" deixa transparecer.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Cohen-Halimi,Michèle

"Also spricht meine Seele". O Zaratustra de Nietzsche no Livro vermelho de Jung: a verdade como vida entre experiência e experimento

Resumo Sabe-se que o encontro com o pensamento de Nietzsche foi realmente crucial para Jung; pode-se provar pelos seminários realizados por ele entre 1934 e 1939 e dedicado à interpretação de Assim falou Zaratustra. Traços da influência deste trabalho estão presentes na estrutura, linguagem, temas e atmosferas do Livro vermelho, bem como referências explícitas ao próprio Nietzsche. Aqui eu gostaria de propor um levantamento preliminar de alguns desses vestígios. Será uma pesquisa muito limitada, a fim de possibilitar reflexões mais amplas. Os vestígios revelam uma afinidade básica entre os textos de Nietzsche e Jung, e confirma um horizonte temático e teórico comum. Acima de tudo, parece-me - e eu vou tentar provar isso - que ambas as obras compartilham uma função semelhante como dispositivos performativas de representação, mas também da produção da verdade e do confronto com ele. Na esteira dessa linha de argumento, vou me concentrar em alguns dos núcleos textuais no Livro vermelho, relacionando com a questão da verdade em Nietzsche. Nas páginas de Ecce homo que são dedicadas a Zaratustra descobrimos, de forma concentrada, questões que, como veremos, serão retomadas e desenvolvidas também no Livro vermelho: Zaratustra é definido como uma "revelação da verdade" expressa por símbolos; uma "investigação sobre a alma", uma obra em que "o que está mais próximo, o que é realmente diário, fala [...] de coisas inéditas". E a personagem Zaratustra como um homem que se "sente a mais elevada espécie de existência" justamente porque tem "acesso a todos as oposições", sem a isso sucumbir; a mais profunda e conciliadora alma, capaz de experimentar o tempo da maneira mais abissal e imanente do eterno retorno; expressão do "conceito de Dioniso", uma visão antiga, porém renovada do divino e do sagrado.