Repositório RCAAP

Entre a máquina e a preguiça: o paradoxo de Macunaíma

“Não sou futurista” – declarou Mário de Andrade em 1922, embora reconhecendo pontos de contato entre suas ideias e o movimento fundado por Marinetti. Seis anos mais tarde, ao publicar Macunaíma, tal ambivalência se evidencia ainda mais: se o livro realiza uma candente crítica da noção europeia de progresso, ele também se vale do operador simbólico da máquina de forma inusitada. Ao incessante movimento dos maquinismos modernos se opõe a indolência do personagem-título, o qual afirma o tempo todo sua vocação para a preguiça. Mais que a refutação de uma das principais tópicas do Futurismo, porém, a inclinação do protagonista ao ócio, supõe uma produtividade paradoxal. A rigor, Macunaíma pode ser pensado como uma verdadeira “máquina de preguiça”.

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2022-12-06T14:18:53Z

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Moraes, Eliane Roberert

Eça de Queiroz sob a óptica machadiana

Constantino Paleólogo, no livro Eça de Queiroz e Machado de Assis, focaliza a ilegitimidade da filiação de Eça. Segundo alguns estudiosos este fato marcou intensamente o escritor, e Paleólogo diz que “o fio condutor da criação literária de Eça está no impulso do incesto”, embora ele tenha finalmente conseguido libertar-se. Focalizando Crítica Literária de Machado de Assis, vai-se refletir sobre o artigo “O primo Basílio”. Para Machado, O primo Basílio, apesar de algumas restrições, é que se constatou como a verdadeira estreia de Eça no romance. Reconhecendo em Eça um verdadeiro homem de letras, por sua própria condição de crítico e admirador, procura ser justo quando focaliza “as doutrinas e práticas, do ponto de vista do romance realista”.

O exemplo do Brasil no crepúsculo da monarquia portuguesa

Em 1889, no mês seguinte à subida de D. Carlos I ao trono português, ocorre a implantação da República no Brasil pela via armada, que se torna um exemplo dicotómico e maniqueísta para políticos e autores monárquicos e republicanos em Portugal: para Oliveira Martins e Eça de Queiroz, partidários de um cesarismo monárquico, a imitação deste ato violento será a concretização da anarquia, uma vez que, com o regime republicano em vigor, dar-se-á o descalabro social; para Sampaio Bruno e Abel Botelho, adeptos confessos da via revolucionária, esta é a única forma de ultrapassar a presente crise e de salvar uma nação que se afunda com a continuidade da monarquia constitucional e do desleixo governativo dos principais partidos políticos e dos representantes da dinastia de Bragança.

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Gomes, António Martins

Hibridismos culturais e identidade intelectual nos romances de Miguel Gullander e Faiza Hayat

O presente ensaio divide-se em duas etapas: a primeira discorre sobre as chamadas teorias pós-coloniais, discutindo acerca dos seus efeitos no campo da literatura, recorrendo aos estudiosos Homi Bhabha, Edward Said, Stuart Hall e Boaventura de Sousa Santos. A segunda traz algumas categorias como a de hibridismo para interpretar duas narrativas de língua portuguesa da atualidade: Perdido de volta, do escritor luso-escandinavo Miguel Gullander e O evangelho segundo a serpente, da jovem escritora luso-goesa Faiza Hayat. Em termos gerais, os livros mencionados abordam, entre outros aspectos, o deslocamento das personagens, desencadeando relações de interculturalidade em travessias transcontinentais. A variedade de identidades geográficas e culturais é uma das características dos textos estudados.

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Fornos, José Luís Giovanoni

Nas pausas do verso: a trama dos acontecimentos e seus intervalos na poesia de Sophia Andresen

Este estudo examina as formas pelas quais a poesia de Sophia Andresen procede à renovação do repertório de imagens vinculado às navegações e aos descobrimentos. A análise demonstra que a dissociação de tais imagens de qualquer fim utilitário ou meramente pragmático instaura, na obra da autora, uma série de pausas que libertam as ações ligadas às cenas pregressa e contemporânea de sua eficácia funcional.

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Barbosa, Márcia Helena Saldanha

Entre o viver da personagem, o seu outro e o narrar do narrador: a construção do sujeito em O conquistador, de Almeida Faria

Em O conquistador, de Almeida Faria é possível discutir a identidade do sujeito revelada através da escrita, uma vez que as narrativas autobiográficas ficcionais são marcadas pela emergência do sujeito identificado enquanto sujeito no mundo. Nesse sentido, o sujeito emerge a partir do voltar-se sobre si mesmo e do despertar da consciência e, configurado na e pela narrativa, funciona ao mesmo tempo como orientador e juiz de si e de suas ações.

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Remédios, Maria Luíza Ritzel

Óscar Ribas e as Literaturas da Noite: a exímia arte de Sunguilar

A importância de Óscar Ribas na recolha da tradição oral angolana. As literaturas da noite e o narrador oral, exímio na arte de contar estórias à volta das fogueiras. Tendo conseguido documentar, de forma estética, diversas tradições orais de Angola, esse escritor se mantém sempre vivo, como marco fundador do sistema literário angolano.

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Secco, Carmen Lucia Tindó Ribeiro

Os da minha rua: A infância como “ponto cardeal eternamente possível”

Análise da infância como cronotopo, no sentido temático que lhe dá Mikhail Bakhtin, em Os da minha rua, do escritor angolano Ondjaki, bem como na perspectiva fenomenológica de Gaston Bachelard, que a coloca como potência, repertório de imagens e memórias a alimentar a produtividade poética nos devaneios voltados para esse passado e, nesse sentido, lugar de novas possibilidades do vivido.

As “pessoas” na obra de Antônio Torres

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Ventura, Susana Ramos

David

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Editorial

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Moreira, Maria Eunice Chaves, Vania Pinheiro

A repercussão nos jornais de livros simbolistas de 1899

Em 1899, a inovação na poesia brasileira era representada pelo movimento simbolista, cujo principal expoente, Cruz e Sousa, morrera no ano anterior. Sem seu líder, os simbolistas perderam energia e encerraram-se na sua torre de marfim. Os parnasianos, por outro lado, continuaram contando com o respeito público e o apoio irrestrito dos críticos de jornal. Os jornais, a propósito, divulgavam com destaque e regularidade a poesia de Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Luís Murat e Raimundo Correia, entre outros parnasianos. Para bem compreender o curioso fenômeno da modesta repercussão do simbolismo no Brasil, pode-se investigar como foram recebidos pela imprensa periódica determinados livros: Evocações, de Cruz e Sousa, Cruz e Sousa, de Nestor Vítor, Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara ardente, de Alphonsus de Guimaraens, e Terra dolorosa, de Oliveira Gomes. Em uma primeira etapa de pesquisa mais abrangente, examinaram-se as coleções dos periódicos Cidade do Rio, Gazeta de Notícias e A Notícia em busca de notícias, resenhas e análises críticas dos livros citados.

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Junior, Alvaro Santos Simões

O íntimo e o público na rua

Entendendo que a literatura não só acolhe o movimento da rua, como ela própria faz-se rua em sua contradição entre o aplainamento e a diversidade, busca-se examinar como nesse espaço social e narrativo, inscrevem-se relações assimétricas de poder a fortalecer ou borrar os limites entre o íntimo e o público, entre as subjetividades e as instituições. Para tal, será procedida uma leitura/análise dos livros Os ratos, de Dionélio Machado (1934), Angústia, de Graciliano Ramos (1936); Noite, de Érico Veríssimo (1954), com o objetivo de observar a constituição das personagens em seu trânsito pela cidade/romance.

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Walty, Ivete Lara Camargos

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em Re-Vista, Ensino