Repositório RCAAP
Resultados da cardiomioplastia no tratamento da cardiomiopatia dilatada
A cardiomioplastia tem sido proposta como uma alternativa ao transplante cardíaco no tratamento das cardiomiopatias isquémicas ou dilatadas. No período de maio de 1988 a outubro de 1990, 16 pacientes portadores de cardiomiopatia dilatada foram submetidos à cardiomioplastia no Instituto do Coração. Dez pacientes estavam em classe funcional III e seis em classe IV. Não houve óbitos no período de pós-operatório imediato. O tempo médio de seguimento foi de 16,9 ± 2,5 meses e a sobrevida atuarial foi 74% no 1º ano e 64,8% no 2º ano após a cardiomioplastia, sendo influenciada pela má evolução dos pacientes operados com diâmetro de ventrículo esquerdo maior do que 80 mm. Esses valores foram superiores, contudo, à sobrevida de um e dois anos de 39,5 e 29,6%, respectivamente, apresentada pelo grupo controle de 20 pacientes mantidos clinicamente (p = 0,06). Cinco dos 11 pacientes em seguimento após a cardiomioplastia, retornaram à classe funcional I e seis estão em classe II. Aos seis meses de pós-operatório, foi documentada a elevação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo de 20,1 ± 3,8 para 26 ± 7,8% pelo estudo radioisotópico (p < 0,01), sendo que esse parâmetro se alterou principalmente em pacientes com menor dilatação da câmara ventricular esquerda. A Doppler-ecocardiografia mostrou que o encurtamento segmentar do ventrículo esquerdo se elevou de 12 ± 3,1 para 17,8 ± 2,3% (p < 0,01), enquanto que o volume sistólico aumentou de 23,6 ± 5,2 para 32,3 ± 7,9 ml (p < 0,01). Elevações semelhantes do índice sistólico, associados à queda da pressão em território pulmonar, foram também observadas pelo cateterismo cardíaco. O estudo ergoespirométrico documentou o aumento do consumo máximo de oxigênio de 14,9 ± 3,9 para 18,2 ± 3,4 ml/kg/min (p < 0,05). Um ano e aos 18 meses após a operação, as alterações decorrentes da cardiomioplastia permaneceram essencialmente as mesmas. Em conclusão, a cardiomioplastia melhora a função ventricular esquerda, reverte o quadro congestivo e melhora a sobrevida de pacientes portadores de cardiomiopatia dilatada. Fatores como a existência de grande cardiomegalia podem, contudo, influenciar a evolução tardia dos pacientes submetidos a este procedimento.
2022-12-06T14:00:36Z
Moreira,Luiz Felipe P Stolf,Noedir A. G Bocchi,Edimar A Seferian Jr,Pedro Pêgo-Fernandes,Paulo M Pereira-Barreto,Antônio Carlos Abensur,Henry Meneghetti,José C Jatene,Adib D
Estudo prospectivo e randomizado entre cardioplegia sangüínea com reperfusão quente (37ºC) e o pinçamento intermitente da aorta na revascularização do miocárdio
No Instituto do Coração, foi realizado um estudo prospectivo e randomizado entre a utilização de cardioplegia sangüínea com reperfusão aquecida e enriquecida com aspartate e glutamato e o pinçamento intermitente da aorta na revascularização do miocárdio. Sessenta pacientes foram operados, sendo 30 com cardioplegia (Grupo C) e 30 com pinçamento intermitente da aorta (Grupo P). Não houve diferenças quanto aos antecedentes patológicos e as condiçõs clínicas pré-operatórias. Quinze pacientes estavam em classe funcional III ou IV (Angina) no grupo C e 20 no grupo P. Seis pacientes apresentavam aneurisma do ventrículo esquerdo, três em cada grupo, e nove pacientes eram reoperações. No grupo C foi realizada uma média de 2,93 enxertos por paciente e no grupo P de 3,13. O tempo de circulação extracorpórea no grupo P foi de 85 ± 23 min e no grupo C de 100 ± 2 8 min (p < 0,05). O tempo total de pinçamento da aorta no grupo P foi e 44,3 ± 14,8 min e no grupo C de 62,8 = 24,5 min (p < 0,01). O tempo médio por anastomose no pinçamento intermitente foi de 8,6 ± 2,2 min. A avaliação hemodinâmica feita com oito horas de pós-operatório revelou um índice cardíaco de 3,21 ± 0,74 l/min.m² no grupo P e de 3,42 ± 0,91 no grupo C (NS). O índice de trabalho ventricular direito foi de 4,56 ± 2,3 g.M/m² no grupo P e de 5,41 ± 3,17 no grupo C (NS). No grupo P, o índice de trabalho ventricular esquerdo foi de 30,2 ± 10,8 g.M/m² e no grupo C, de 33,4 ± 4,11 (NS). O pico de liberação enzimática (CKMB) foi de 30,7 ± 12,8 Ul para o grupo P e de 25 ± 10 para o grupo C (NS). Houve dois (3,3%) óbitos, um no grupo com cardioplegia e outro no grupo com pinçamento intermitente da aorta. Em conclusão, não houve diferenças significativas nos dois grupos quanto a evolução hemodinâmica pós-operatória, alterações enzimáticas, morbidade e mortalidade hospitalar. Na cirurgia de revascularização do miocárdio, o pinçamento intermitente da aorta e a cardiopleia sangüínea com reperfusão aquecida e enriquecida com aspartato e glutamato foram métodos equivalentes.
2022-12-06T14:00:36Z
Gerola,Luís Roberto Oliveira,Sérgio Almeida de Dallan,Luís Alberto Moreira,Luiz Felipe P Delgado,Patrício Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Assistência circulatória com bomba centrífuga no choque cardiogênico após cirurgia com extracorpórea
No período de abril a dezembro de 1990, quatro pacientes foram submetidos a utilização de bomba centrífuga, para suporte circulatório. Em todos, foi colocado previamente balão intra-aórtico e feito uso maciço de drogas vasoativas. A primeira paciente apresentava aneurisma de ventrículo esquerdo, com fração de ejeção de 16% no pré-operatório. Após correção do aneurisma, não se conseguiu retirá-la de extracorpórea pelos métodos convencionais. Optou-se, então, pelo uso de assistência ventricular esquerda, que foi mantida por 48 horas. Teve boa evolução, estando, atualmente, no 11º mês de pós-operatório em classe funcional II. O segundo caso foi de paciente submetido a revascularização do miocárdio e troca valvar mitral. No 2? dia de pós-operatório, apresentou oclusão de ponte de safena para descendente anterior, com infarto e parada cardíaca. Massageado, reaberto e recolocado em circulação extracorpórea, não saiu de "bomba". O ventrículo esquerdo apresentava infarto anterior extenso, sendo colocado em assistência ventricular esquerd como "ponte" para transplante. Após cinco dias de assistência, sem se conseguir doador, apresentou óbito por embolia pulmonar. O terceiro caso foi de paciente com má função ventricular esquerda, submetido a revascularização do miocárdio. Também não se conseguiu retirar de circulação extracorpórea. Foi colocado em assistência ventricular esquerda por 32 horas, quando se conseguiu retirar a bomba centrífuga. Esse paciente apresentou distúrbios severos de coagulação. Apesar de estável hemodinamicamente, houve piora progressiva da função pulmonar, com óbito no 4º dia de pós-operatório. O quarto caso foi de paciente submetido a correção de aneurisma de ventrículo esquerdo e revascularização do miocárdio. Não se conseguiu retirar de circulação extracorpórea, e optado por assistência ventricular esquerda com bomba centrífuga. Apresentou melhora progressiva de função ventricular, sendo possível a retirada da bomba centrífuga após 60 horas. O paciente faleceu no 35º dia de pós-operatório por complicações respiratórias. Acreditamos que a utilização com maior freqüência e mais precocemente de assistência circulatória, permitirá uma redução da mortalidade global. O uso de ecocardiograma intra-esofágico nos nossos quatro pacientes foi útil na avaliação da evolução da função ventricular, fornecendo subsídios para retirada ou não da assistência.
2022-12-06T14:00:36Z
Pêgo-Fernandes,Paulo M Moreira,Luiz Felipe P Stolf,Noedir A. G Oliveira,Sérgio Almeida de Moraes,Álvaro V Auler Júnior,José Otávio C Jatene,Adib D
Correção da geometria do ventrículo esquerdo com prótese semi-rígida de pericárdio bovino
Os aneurismas ventriculares são graves complicações dos infartos miocárdicos, levando a diminuição da função ventricular e elevação da morbi-mortalidade. A correção cirúrgica proposta por COOLEY, em 1958, mudou a evolução desta complicação. JATENE, em 1985, contribuiu mundialmente com a Reconstrução Geométrica do Ventrículo Esquerdo, mostrando resultados funcionais superiores e baixa mortalidade. Modificando a técnica de reconstrução geomética, utilizamos uma prótese semi-rígida de pericárdio bovino duplo com anel de implantação de Dacron, do qual se projeta uma aba, também de pericárdio bovino. Apresentada com diâmetros de 19 a 27 mm, conta com um aro radiopaco para identificação radiológica. Abrindo-se o aneurisma, a área de transição entre o tecido contrátil e a zona fibrótica é delimitada. São passados pontos separados em U invertido de poliéster 2-0 com almofadas de Teflon em toda a circunferência de transição. Com medidor próprio, avalia-se o colo original a partir do qual o aneurisma se dilatou, estabelecendo-se o diâmetro adequado da prótese. Então os pontos são passados no anel de Dacron, reduzindo o colo do aneurisma ao diâmetro do anel, dando ao ventrículo a sua forma original, sem perda de tecido nobre. A sutura contínua da aba de pericárdio bovino, que se projeta do anel, com o tecido fibroso restante complementa a hemostasia. De 16 pacientes submetidos a técnica, 11 foram estudados através da "Definição das 100 Cordas de Encurtamento". A média da fração de ejeção (Dodge/Kennedy n = 0,55 a 0,81) pré-operatória foi de 0,37 e de 0,53 no pós-operatório, aumentando em 43% a função ventricular, com boa evolução clínica pós-operatória.
2022-12-06T14:00:36Z
Braile,Domingo M Mustafá,Ricardo M Santos,José Luiz Verde dos Ardito,Roberto V Zaiantchick,Marcos Coelho,Wilson Miguel C Garzon,Sérgio Aloísio C
Tratamento cirúrgico dos aneurismas de ventrículo esquerdo com reconstrução geométrica: aspectos cirúrgicos e resultados imediatos
Os resultados imediatos de 79 pacientes operados num período de sete anos para tratamento cirúrgico de aneurisma de ventrículo esquerdo com a técnica de reconstrução geométrica circular são analisados. A indicação cirúrgica mais freqüente foi a insuficiência cardíaca congestiva (78,4%), isolada (25,3%) ou associada à insuficiência coronária (53,1%). Sessenta (76%) pacientes estavam em classe funcional III e 10 (12,6%) em classe funcional IV. Cinqüenta e oito (73,4%) pacientes foram submetidos à revascularização do miocárdio concomitantemente. A mortalidade hospitalar foi de 5,1% e teve incidência maior nos pacientes com idade acima de 60 (12%) anos, em classe funcional IV (20%), com má função ventricular (FE < 0,30 - 20% e PDfVE > 25 - 14%) e lesões coronárias triarteriais (10%). Estes fatores também estiveram associados a complicações cardíacas com baixo débito e uso de BIA. Outros fatores de risco citados na literatura são discutidos. Os resultados imediatos desse estudo e os resultados imediatos e tardios de outros em que a técnica usada foi semelhante são melhores que os obtidos com outros tipos de correção e sugerem ser este o procedimento de escolha para o tratamento dessa afecção.
2022-12-06T14:00:36Z
Santos,Gilmar Geraldo dos Haddad,Victor L. S Avelar Jr,Silas F Groppo,Antônio Amauri Beyruti,Ricardo Simões,Rosa Maria Stolf,Noedir A. G
A utilização da artéria torácica interna aumenta a mortalidade hospitalar do paciente coronariano idoso revascularizado?
No InCor, foi elaborado um protocolo para avaliar se o emprego da artéria torácica interna alterava a mortalidade hospitalar nos pacientes coronarianos idosos (idade > 70 anos), submetidos a revascularizaçáo isolada, eletiva do miocárdio. No protocolo foram incluídos parâmetros clínicos, hemodinâmicos, radiológicos, operatórios e de pós-operatório. Foram analisados 100 pacientes consecutivos, com observações completas, em estudo prospectivo. A análise estatística foi realizada pelo teste de X² de Pearson. Concluímos que houve diferença estatística entre os grupos comparados e que a mortalidade hospitalar foi maior no grupo de pacientes nos quais se utilizou o enxerto de veia safena autógena. Atribuiu-se ao cirurgião, como triador, a obtenção de tais resultados, utilizando a artéria torácica interna naqueles pacientes em melhor estado geral.
2022-12-06T14:00:36Z
Iglézias,José Carlos R Dallan,Luís Alberto Lourenço Filho,Domingos D Fabri,Hélio Antônio Ramires,Antônio F Luz,Protásio Lemos da Oliveira,Sérgio Almeida de Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D
Tratamento cirúrgico da compressão do esôfago por anomalia do arco aórtico: relato de caso
Paciente adulta, portadora de anomalia vascular congênita do arco aórtico com formação de anel envolvendo traqueia e esôfago, com compressão deste e conseqüente disfagia progressiva. A abordagem cirúrgica foi realizada por toracotomia lateral direita, com ressecção do divertrículo de Kommerell, secção do ligamento arterioso e ligadura simples da artéria subclávia, com regressão total dos sintomas. Não foi observada síndrome de roubo da subclávia ou isquemia do membro superior esquerdo. Os autores discutem o tipo de abordagem e cirurgia para tratamento desta rara anomalia.
2022-12-06T14:00:36Z
Richter,Ivo Magalhães,Hélio Pereira Cortez,Luiz Miguel Gonçalves,Douglas Gonçalves,Marli
Transplante isolado de pulmão: experiência da Escola Paulista de Medicina
Relatam-se dois casos de transplante pulmonar isolado à esquerda, em portadores de fibrose pulmonar, um em paciente do sexo maculino de 50 anos de idade, que se encontra no 8º mês de pós-operatório, livre de complicações, e outro de mulher de 36 anos pesando 45 kg, que recebeu o lobo superior de um doador de 85 kg. Esta manteve, nos três primeiros dias de pós-operatório, boas condições ventilatórias e hemodinâmicas e as radiografias mostraram boa expansão do lobo do doador. Teve quadro provável de rejeição e, a seguir, tamponamento cardíaco inesperado complicado por parada cardíaca, culminando com falência de múltiplos órgãos e óbito no 8º dia. A necropsia revelou integridade das anastomoses e broncopneumonia. Nos dois casos substituiu-se o omento por retalhos pediculados de gordura pericárdica para proteção das anastomoses e, no primeiro caso, empregou-se técnica de telescopagem na anastomose brônquica. Ambos pacientes receberam corticóides desde o início do esquema de imunossupressão, que constou de ciclosporina, prednisona e azatioprina. Concluem os autores que a introdução precoce do corticóide não interferiu na anastomose brônquica em um dos casos e, possivelmente, no outro; a feitura da anastomose brônquica em telescopagem no primeiro caso conferiu bom diâmetro e não mostrou estenose tardia; o enxerto do lobo superior no segundo caso ocupou o hemitórax do receptor e mostrou normalidade funcional até que surgissem complicações cardiovasculares. Sugerem a possibilidade futura do transplante de lobo em pacientes do grupo pediátrico portadores de cardiopatias congênitas com hipertensão pulmonar irreversível, onde a falta de doadores adequados constitui séria limitação.
2022-12-06T14:00:36Z
Succi,José Ernesto Forte,Vicente Perfeito,João Alessio B. T Beppu,Osvaldo S Martinez,José Antônio B Buffolo,Ênio Leão,Luiz Eduardo V Santos,Manuel Lopes
Hipertrofia septal assimétrica: técnica de correção e análise da evolução pós-operatória
A hipertrofia septal assimétrica (HSA), ou estenose subaórtica dinâmica é doença que apresenta características peculiares relacionadas tanto ao diagnóstico quanto à técnica cirúrgica empregada para o seu tratamento. De setembro de 83 a setembro de 89, 16 pacientes consecutivos (10 homens) com idades de sete meses a 66 anos (30,87 ± 22,42) foram submetidos a tratamento cirúrgico. Este consistiu, fundamentalmente, da não abordagem do septo interventricular e sim da ressecçáo muscular realizada na região da via de saída do ventrículo esquerdo, parede anterior entre os seios aórticos coronarianos direito e esquerdo. Esta miectomia, profunda e extensa foi realizada isoladamente em dez pacientes e nos outros seis associada a outros procedimentos: ligadura de canal arterial e ressecção de anel subaórtico fibroso em dois; descalcificação de valva aórtica (VAo) em um; ressecção de banda muscular em ventrículo direito em um: ressecção de vegetação de VAo em um; fechamento de CIV com plastia de VAo em um. Em todos os casos foram feitas medidas intra-operatórias das pressões do VE e aorta após desconexão da circulação extracorpórea. Não houve nenhum óbito imediato neste grupo de pacientes. Houve um (6,2%) óbito tardio, um anos após, não relacionado à doença. Com relação a distúrbios na condução atrioventricular, houve um (6,2%) bloqueio A-V total, com implante de marcapasso definitivo. Houve dois (12,5%) bloqueios de ramo esquerdo, e três (18,7%) bloqueios divisionais ântero-superiores, sem alterações nos demais pacientes. Em um peíodo de 19 a 90 meses (56,00 ± 23,72), 14 (87,5%) pacientes encontram-se assintomáticos.
2022-12-06T14:00:36Z
Jatene,Fábio B Jatene,Marcelo B Auler Júnior,José Otávio C Silva,Marluce de Oliveira e Pileggi,Fúlvio Barbero-Marcial,Miguel Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D
Revascularização cirúrgica do miocárdio sem utilização do circuito extracorpóreo em pacientes com infarto agudo do miocárdio tratados previamente com estreptoquinase intravenosa
A utilização de agentes trombolíticos nas primeiras horas do infarto agudo do miocárdio tem sido aceita como um dos principais métodos de limitar-se a extensão do infarto. Entretanto, a persistência de estenose residual necessita de método complementar de revascularização. Em nosso Serviço, temos realizado a revascularização cirúrgica do miocárdio sem a utilização do circuito extracorpóreo de modo eletivo, com bons resultados. Utilizamos o método em 25 pacientes com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio tratados dentro de seis horas do início dos sintomas com estreptoquinase intravenosa e um a 21 dias após (média de oito dias) a revascularização cirúrgica sem a utilização do circuito extracorpóreo. A média de idade do grupo foi de 53,8 anos, sendo a média da fração de ejeção medida pelo método de Dodge de 60%; dez pacientees eram uniarteriais, 14 biarteriais e um triarterial, em 15 pacientes, o infarto localizava-se em parede anterior e em dez em parede posterior. Oito pacientes receberam uma ponte e 17, duas pontes. Em 15 casos utilizou-se a artéria torácica interna. A mortalidade hospitalar foi 0% e em nenhum caso houve necessidade de reoperação por sangramento. A revascularização cirúrgica do miocárdio sem a utilização do circuito extracorpóreo é, pois, uma opção tática que pode ser utilizada em alguns pacientes com esse tipo de doença, com excelentes resultados em termos de morbidade e mortalidade hospitalares.
2022-12-06T14:00:36Z
Vega,Hermínio Leão,Luiz Eduardo V Fonseca,José Honório de Almeida Palma da Gomes,Walter José Silva,Lélio Alves Branco,João Nelson Rodrigues Maluf,Miguel Angel Ribeiro,Expedito E Buffolo,Ênio
Estudo das artérias coronárias no coração transplantado
No período de junho de 1984 a dezembro de 1990,16 pacientes portadores de insuficiência cardíaca terminal foram submetidos a transplante cardíaco ortotópico. A idade variou de dez dias a 54 anos, sendo 14 pacientes do sexo masculino e dois do sexo feminino. Desse grupo, seis (37,5%) pacientes foram estudados anualmente através de cinecoronarioventriculografia, para avaliação do padrão evolutivo coronário, por período de dois a seis anos de evolução. A idade dos doadores foi de 18 mais ou menos três anos. Em quatro dos seis pacientes pôde-se fazer estudo comparativo com a cinecoronarioventriculografia do doador, realizada por ocasião da avaliação pré-operatória. A análise morfométrica comparativa, em exames seriados, não mostrou lesões proximais ou distais na rede coronária em nenhum dos pacientes da série. A função ventricular foi normal, embora fossem identificados em todos os pacientes graus variáveis de hipertrofia de ventrículo esquerdo. Conclusões: 1) A doença coronária, embora freqüente em corações transplatados, não foi verificada na presente série. 2) A idade precoce dos doadores pode ter sido fator decisivo, assim como o emprego do esquema tríplice para o controle da rejeição. 3) A cinecoronarioventriculografia tem importância no seguimento dos pacientes transplantados, podendo orientar na indicação de novo transplante cardíaco ou angioplastia transluminal percutânea.
2022-12-06T14:00:36Z
Nesralla,Ivo A Sant'Anna,João Ricardo Prates,Paulo Roberto Lucchese,Fernando A Kalil,Renato A. K Pereira,Edemar M Costa,Altamiro R Rossi,Martinez Moraes,Cláudio Santos,Marisa F Souza,Blau F
Pseudo-aneurisma femoral micótico após onze anos de cateterismo
Relatamos o caso incomum de um alpinista de 52 anos que apresentava dor e edema em sua coxa direita, o que revelou ser um pseudoaneurisma micótico roto, sem histórico de trauma recente ou outra causa aparente. O paciente relatou uma história de infarto do miocárdio onze anos antes, com a realização de dois cateterismos femorais para cineangiocoronariografia. Ele negou qualquer episódio de febre ou diagnóstico de bacteremia naquele momento ou mais tarde, como também outra queixa durante esses onze anos. A raridade do caso, a aparência dessa complicação extremamente tardia, juntamente com o tipo de atividade esportiva do paciente sugeriram-nos publicar o caso.
2022-12-06T14:00:36Z
Barros,Marcello Barbosa Almazán,Arturo Lozano,Francisco S.
Fístula aorta-ventrículo direito: uma complicação inesperada da endocardite bacteriana
No summary/description provided
2022-12-06T14:00:36Z
Carvalho,Gustavo Bestetti,Reinaldo B. Godoy,Moacir Cury,Patrícia Leme Neto,Antônio C.
Avaliação da função autonômica na cardiomiopatia hipertrófica
OBJETIVO: Avaliar a função autonômica na cardiomiopatia hipertrófica (CMH) através da variabilidade da freqüência cardíaca (VFC) e correlacioná-la com dados ecocardiográficos. MÉTODOS: Foram estudados 2 grupos pareados por sexo, idade e freqüência cardíaca: A) 10 pacientes com CMH septal (70% não obstrutiva); B) 10 voluntários saudáveis. A VFC foi analisada durante quatro estágios sucessivos: repouso, respiração controlada, teste de inclinação e respiração controlada associada ao teste de inclinação. Compararam-se as médias das variáveis entre os grupos, intragrupos durante os estágios, e no grupo A, correlacionando com as medidas ecocardiográficas (septo interventricular e diâmetro atrial esquerdo). RESULTADOS: Não observamos diferença na VFC entre os grupos nos 3 primeiros estágios. No 4º estágio, constatamos que medidas de atividade vagal apresentaram valores maiores no grupo A [logaritmo da raiz média quadrática das diferenças entre intervalos RR (LogRMSSD) - 1,35±0,14 vs 1,17±0,16; p=0,019; logaritmo do componente alta freqüência (LogAF)-4,89±0,22 vs 4,62±0,26; p=0,032]. Durante os estágios, também verificamos que medidas vagais [proporção de pares de intervalos RR consecutivos cuja diferença > 50ms (pNN50) e LogAF] apresentaram menor redução durante o 3º estágio no grupo A, e o LogAF, um aumento no último estágio (p=0,027), indicando marcante atividade parassimpática neste grupo. A análise da VFC do grupo A não revelou diferença entre pacientes com maior hipertrofia ou diâmetro atrial. CONCLUSÃO: 1) ocorreu predomínio parassimpático durante estimulação autonômica nos pacientes com CMH; 2) não encontramos correlação entre VFC e as medidas ecocardiográficas analisadas.
2022-12-06T14:00:36Z
Bittencourt,Marcelo Imbroinise Benchimol-Barbosa,P. R. Drumond Neto,Cantídio Bedirian,Ricardo Barbosa,Eduardo Corrêa Brasil,Flavia Bomfim,Alfredo de Souza Albanesi Filho,Francisco Manes
Viabilidade miocárdica na lesão uniarterial: papel da ecocardiografia de estresse com dobutamina
OBJETIVO: Estudar um grupo de pacientes com lesão significativa em apenas uma artéria coronária e demonstrar se a ecocardiografia de estresse com dobutamina (EED) tem boa sensibilidade e especificidade na avaliação de viabilidade miocárdica nesse grupo de pacientes. MÉTODOS: Foram estudados 20 pacientes submetidos a angioplastia coronariana transluminal percutânea (ATC). Esse grupo foi avaliado 2 a 7 (3,65 ± 1,69) dias antes do procedimento, e 2 a 5 (4 ± 0,80) dias depois, realizando-se EED. Para a determinação de viabilidade miocárdica foi utilizado ecocardiograma bidimensional três meses após o procedimento. Doze pacientes foram submetidos a ATC de artéria descendente anterior (DA), 7 de artéria coronária direita (CD) e 1 de circunflexa (CX). Apenas um procedimento (CD) não obteve pleno êxito. RESULTADOS: Dos 340 segmentos estudados, 99 (29,18%) demonstraram alterações contráteis, sendo 63 hipocinéticos (63,4%), 28 acinéticos (28,28%) e 8 discinéticos (8,08%). Quanto aos segmentos envolvidos, obtivemos sensibilidade de 92,59%, especificidade de 84,45%, acurácia de 88,88% para o exame EED. O único caso de ATC de CX demonstrou sensibilidade de 100%; para DA, sensibilidade de 88,58%, especificidade de 95% e acurácia de 90,91%. Para segmentos da CD, sensibilidade de 91,30%, especificidade de 83,33% e acurácia de 88,71%. Todos os segmentos discinéticos eram inviáveis. Dos 63 hipocinéticos, a EED previu recuperação em 91,48%. CONCLUSÃO: A EED é útil na avaliação de viabilidade miocárdica em pacientes com lesão significativa de apenas uma artéria.
2022-12-06T14:00:36Z
Castier,Márcia Bueno Carrinho,José Raul Alves Carrinho,Márcia Alves Albanesi Filho,Francisco Manes Moraes,Álvaro Villela de Morcerf,Fernando Portugal
Avaliação cardiológica tardia de crianças com insuficiência mitral reumática, submetidas a cirurgia reconstrutora com anel de Gregori
OBJETIVO: Avaliar crianças com insuficiência mitral reumática (IMR) submetidas a cirurgia reconstrutora na valva mitral com implante do anel de Gregori (CRVM), de 1987 a 2003. MÉTODOS: Quarenta e três crianças com IMR, submetidas a CRVM, com idades variando de cinco a doze anos, média de 9,7 ± 2,2 anos, sendo 25 (58,1%) pacientes do sexo feminino. Os pacientes foram avaliados mediante parâmetros clínicos: classe funcional de insuficiência cardíaca, ausculta cardíaca, eletrocardiograma, radiografia de tórax e parâmetros ecocardiográficos. RESULTADOS: Quarenta e três pacientes foram avaliados no préoperatório e, no pós, 31, em virtude de seis óbitos e seis trocas valvares. O seguimento foi de 100%. A classe funcional da insuficiência cardíaca, sopro sistólico mitral, área cardíaca pela radiografia de tórax, sobrecarga ventricular esquerda no eletrocardiograma e o grau de insuficiência mitral pelo ecocardiograma diminuíram significativamente. Após 188 meses a taxa de sobrevida foi de 82% e a de mortalidade anual de 0,38%. Estavam livres de reoperação 31 (72,6%) pacientes, e a taxa de reoperação anual foi de 0,51%. CONCLUSÃO: A CRVM apresenta resultados eficazes no tratamento da IMR em crianças, com melhora significativa na classe funcional, sopro sistólico mitral e grau de insuficiência mitral pelo ecocardiograma.
2022-12-06T14:00:36Z
Machado,Vitor Hugo Soares Gregori Júnior,Francisco
Procedimento combinado entre operação de revascularização do miocárdio e endarterectomia de carótida: análise dos resultados
OBJETIVO: Avaliar os resultados da cirurgia combinada (endarterectomia carotídea e cirurgia de revascularização do miocárdio) em pacientes com doença carotídea e coronária concomitante. MÉTODOS: Os autores revisam 49 trabalhos que descrevem vários aspectos sobre a cirurgia combinada em um total de 4.788 pacientes, analisando eventos precoces no período peri-operatório. RESULTADOS: As taxas globais de acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e mortalidade foram, respectivamente, de 4,3%; 2,2%; e 4,2%. Para os trabalhos mais recentes (entre 1990-2000), a ocorrência de AVC foi significativamente inferior àquela obtida por trabalhos publicados anteriormente (entre 1972-1989) (4,1% x 10,2%; p < 0,05). Neste mesmo levantamento, os índices de AVC pós-operatórios foram maiores nos artigos que continham uma amostra pequena (n < 50) que naqueles trabalhos com uma população maior (n > 100) (7,2% x 3,9%; p < 0,05), denotando o impacto da experiência dos cirurgiões sobre os resultados pós-operatórios. CONCLUSÃO: Em suma, acreditamos que a cirurgia combinada é um procedimento seguro e eficaz quando realizado por cirurgiões experientes e qualificados.
2022-12-06T14:00:36Z
Lucas,Márcio Luís Bonamigo,Telmo Pedro Weber,Elton Luiz Schmidt Lucchese,Fernando Antônio
Hiperplasia supra-renal congênita por deficiência de 11-ß-hidroxilase
Este artigo tem o objetivo de relatar o diagnóstico e a evolução clínica de um paciente de 15 anos portador de uma disfunção congênita da esteroideogênese adrenal, que pode apresentar-se como hipertensão arterial de diagnóstico muitas vezes tardio (adolescência), virilização ou formas perdedoras de sal (nascimento e infância).
2022-12-06T14:00:36Z
Tosatti Júnior,Ramires Souza,Haroldo Silva de Tosatti,Alexandre
Cardiomiopatia restritiva por cisticercose miocárdica
Não há descrição na literatura de comprometimento da função cardíaca associado à cisticercose. Os autores relatam o caso de uma mulher de 46 anos, portadora de cisticercose e insuficiência cardíaca, cujo ecocardiograma é compatível com cardiomiopatia restritiva e o aspecto miocárdico é de microcalcificações, sugerindo infiltração cardíaca pela doença.
2022-12-06T14:00:36Z
Melo,Rodrigo Morel Vieira de Melo Neto,Almiro Vieira de Corrêa,Luís Cláudio L. Melo Filho,Almiro Vieira de
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