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Habilidades do desenvolvimento em crianças com hipotireoidismo congênito: enfoque na comunicação
TEMA: o hipotireoidismo congênito pode acarretar alterações no desenvolvimento global infantil. OBJETIVO: traçar o perfil do desenvolvimento em crianças com hipotireoidismo congênito, enfocando a comunicação, e verificar influências da história clínica no perfil traçado. MÉTODO: foram avaliadas, por meio da Early Language Milestone Scale (ELM) e do Inventário Portage Operacionalizado (IPO), 35 crianças de 2 a 36 meses com hipotireoidismo congênito detectado na triagem neonatal, que realizavam tratamento com reposição hormonal há pelo menos um mês. A história clínica foi obtida por meio de entrevista com familiares e análise de prontuário. RESULTADOS: na ELM, onze crianças apresentaram desempenho alterado na função auditiva expressiva, duas na visual e uma na auditiva receptiva. No IPO, sete crianças apresentaram desempenho alterado na área da linguagem, cinco na cognitiva, quatro nas áreas motora e social e três na de autocuidados. Não houve correlação entre os resultados e a história clínica. CONCLUSÃO: a maioria das crianças apresentou desempenho adequado para as habilidades avaliadas. Paras as crianças com desempenho alterado, observou-se maior déficit na área de linguagem, nos aspectos expressivos, e na área cognitiva. Não ficou comprovada a influência da história clínica no perfil do desenvolvimento. Observou-se, entretanto, tendência para desempenho adequado nas habilidades avaliadas entre as crianças que realizaram a triagem neonatal, receberam o diagnóstico e o tratamento para o hipotireoidismo congênito mais precocemente e que receberam dosagem mais elevada de levotiroxina no início do tratamento. Ressaltase a importância do acompanhamento fonoaudiológico longitudinal do desenvolvimento da comunicação nessa população.
2008
Gejão,Mariana Germano Lamônica,Dionísia Aparecida Cusin
Programa de remediação fonológica em escolares com dislexia do desenvolvimento
TEMA: programa de remediação fonológica na dislexia do desenvolvimento. OBJETIVOS: verificar a eficácia do programa de remediação fonológica em escolares com dislexia do desenvolvimento. Dentre os objetivos específicos, o estudo visou comparar o desempenho cognitivo-lingüístico de escolares com dislexia do desenvolvimento com escolares bons leitores; comparar os achados dos procedimentos de avaliação utilizados na pré e pós-testagem em escolares com dislexia submetidos e não submetidos ao programa, e comparar os achados do programa de remediação fonológica em escolares com dislexia e escolares bons leitores submetidos ao programa de remediação. MÉTODO: participaram deste estudo 24 escolares, sendo o grupo I (GI) subdivido em: GIe composto por seis escolares com dislexia do desenvolvimento submetidos ao programa, e GIc, composto por seis escolares com dislexia do desenvolvimento não submetidos ao programa. O grupo II (GII), subdividido em GIIe, composto por seis escolares bons leitores submetidos à remediação e GIIc, composto por seis escolares bons leitores não submetidos à remediação. Foi realizado programa de remediação fonológica (Gonzalez e Rosquete, 2002) em três etapas: pré-testagem, treino, pós-testagem. RESULTADOS: os resultados deste estudo revelaram que o GI apresentou desempenho inferior em habilidade fonológica, de leitura e escrita do que o GII em situação de pré-testagem. Entretanto, o GIe apresentou desempenho semelhante ao GII em situação de pós-testagem, evidenciando a eficácia do programa de remediação com habilidades fonológicas em escolares com dislexia do desenvolvimento. CONCLUSÃO: o estudo evidenciou a eficácia do treinamento com as habilidades fonológicas para os escolares com dislexia.
2008
Salgado,Cíntia Alves Capellini,Simone Aparecida
O uso de habilidades comunicativas verbais para aumento da extensão de enunciados no autismo de alto funcionamento e na S índrome de Asperger
TEMA: o autismo de alto funcionamento (AAF) e a síndrome de Asperger (SA) são transtornos globais do desenvolvimento que apresentam alterações nas habilidades comunicativas e sociais. OBJETIVO: o objetivo desta pesquisa foi promover o aumento da extensão média dos enunciados (EME) produzidos por indivíduos com AAF e SA por meio de estratégias que utilizavam habilidades comunicativas verbais (HCV). MÉTODO: participaram deste estudo três indivíduos com AAF ou SA do gênero masculino, com doze anos. Os dados foram coletados mediante gravações em vídeo de sessões estruturadas de interação verbal entre cada participante e a pesquisadora durante oito meses. Foi utilizado um delineamento experimental de linha de base múltipla cruzando com sujeitos, composto por duas fases: linha de base (LB) e intervenção (I). Na LB, ocorreram situações espontâneas de interação adulto e cada participante. Na primeira fase da I, inicialmente foram realizadas sessões duas vezes por semana e só se passava para a realização de sessões semanais após o indivíduo alcançar o objetivo de aumentar a EME. Houve a diminuição gradual do número de sessões, para que não houvesse queda no desempenho. As estratégias aplicadas foram divididas em blocos atividades com conversa espontânea; atividades que envolvessem dificuldades específicas de linguagem; jogos de regras; solicitações de relatos de histórias ou acontecimentos e atividades metalingüísticas. RESULTADOS: os resultados demostraram que a utilização de HCV foi efetiva para promover o aumento da EME. CONCLUSÃO: ficam sugestões para outras pesquisas que investiguem a manutenção dos resultados obtidos em outros ambientes e em interação com vários interlocutores.
2008
Lopes-Herrera,Simone Aparecida Almeida,Maria Amélia
Avaliação comportamental do processamento auditivo em indivíduos gagos
TEMA: a avaliação comportamental do processamento auditivo (PA) permite pesquisar os processos neuroaudiológicos envolvidos no processamento da fluência. OBJETIVO: descrever os resultados da avaliação comportamental do PA em indivíduos gagos e comparar o grau de alteração da desordem do PA com o grau de gravidade da gagueira. MÉTODOS: 56 indivíduos, 49 do gênero masculino e 7 do gênero feminino, com idades entre 4 e 34 anos, encaminhados do ambulatório de avaliação fonoaudiológica da UNIFESP para avaliação comportamental do PA. Todos os pacientes foram submetidos à avaliação de audição, fala e linguagem. A disfluência foi classificada segundo o protocolo de Riley (1994), o qual prevê os seguintes graus de gravidade da gagueira: muito leve, leve, moderado, severo e muito severo. Os testes para avaliação do PA foram selecionados e analisados de acordo com a idade do paciente e a proposta de Pereira & Schochat (1997). RESULTADOS: observamos prevalência da gagueira de grau leve na faixa etária de 4-7 anos e 12-34 anos de idade, e moderada nos indivíduos de 8-11 anos de idade. Dos 56 indivíduos avaliados 92,85% apresentaram alteração do PA. Os processos gnósicos mais prejudicados foram não verbal e decodificação. Não foram observadas diferenças estatisticamente significantes considerando os resultados da avaliação do processamento auditivo e o grau de gravidade da gagueira em nenhuma das faixas etárias avaliadas. CONCLUSÕES: a avaliação do PA mostrou-se comprometida em grande parte da amostra em todas as faixas etárias estudadas sem no entanto, correlação com o grau de gravidade da gagueira.
2008
Andrade,Adriana Neves de Gil,Daniela Schiefer,Ana Maria Pereira,Liliane Desgualdo
Estudo da audição de músicos de rock and roll
TEMA: o rock and roll tem como uma de suas principais características os níveis sonoros elevados. Diversos estudos já constataram que estes níveis variam de 100 a 115dB (A), alcançando picos de 150dB (A). OBJETIVO: estudar a audição de músicos de rock and roll, analisando os resultados da avaliação audiológica e investigar a influência da variável tempo de exposição à música amplificada na audição. MÉTODO: foi aplicado um questionário em 23 músicos (46 orelhas), e os mesmos foram avaliados por meio da audiometria tonal, audiometria vocal, medidas de imitância acústica e emissões otoacústicas (evocadas por estímulo transiente - EOAT e produto de distorção - EOAPD). RESULTADOS: com relação ao tempo de exposição à música, foram encontrados valores próximos do limite de aceitação (tendendo a ser significantes), nas freqüências de 0,5 e 6kHz, na audiometria tonal. Também foi encontrada diferença estatisticamente significante na freqüência de 2kHz, no teste de EOAT e diferença estatisticamente significante nas freqüências de 0,75, 1, 4 e 6kHz, no teste de EOAPD. CONCLUSÕES: os resultados mostraram que apesar de não ocorrer perda auditiva na população estudada, já existe alteração no registro das EOA, o que sugere alteração da função coclear. Com relação ao tempo de exposição, os resultados demonstraram que os músicos com carreira superior a dez anos apresentaram diferença estatisticamente significante comparados aos que estão expostos a menos tempo.
2008
Maia,Juliana Rollo Fernandes Russo,Ieda Chaves Pacheco
Caracterização das alterações de linguagem em crianças com histórico de intoxicação por chumbo
TEMA: a intoxicação por chumbo pode causar deficiências neuropsicológicas, que incluem a linguagem, devido aos danos provocados no desenvolvimento do SNC. OBJETIVO: verificar a ocorrência de alterações de linguagem em crianças com histórico de intoxicação por chumbo e a correlação entre o índice de chumbo sangüíneo e as alterações de linguagem apresentadas pelas crianças. MÉTODO: avaliação da linguagem de 20 crianças em idade pré-escolar, com índice de chumbo sangüíneo acima de 10 µg/dl. RESULTADOS: 13 crianças apresentaram distúrbio de linguagem envolvendo somente a Fonologia ou mais de um subsistema lingüístico. A análise estatistica revelou não existir correlação entre a gravidade das alterações e os índices de chumbo apresentado. CONCLUSÃO: a ocorrência de crianças com distúrbio de linguagem aponta a contaminação por chumbo como um fator de risco para as alterações apresentadas, mesmo tendo sido encontrados outros fatores que levem à defasagem no desenvolvimento da linguagem e ausência de correlação entre as referidas variavéis.
2008
Gahyva,Dáphine Luciana Costa Crenitte,Patrícia de Abreu Pinheiro Caldana,Magali de Lourdes Hage,Simone Rocha de Vasconcellos
Mudanças em comportamentos relacionados com o uso da voz após intervenção fonoaudiológica junto a educadoras de creche
TEMA: programas preventivos têm sido indicados para diminuir a ocorrência de fatores de risco para alteração de voz em professores, mas poucos estudos têm enfocado sua eficácia. OBJETIVO: avaliar mudanças em comportamentos considerados na literatura especializada como negativos para a voz, ao longo de programa de intervenção fonoaudiológica oferecido a educadoras. MÉTODO: estudo experimental onde foi desenvolvido programa teórico-prático abordando uso vocal profissional junto a 26 educadoras de duas creches paulistas. Ocorreram cinco encontros mensais num total de doze horas. Durante o programa foram abordadas questões sobre comportamentos negativos para o uso vocal. As educadoras preencheram, em quatro encontros, protocolo que possibilitou analisar a freqüência em que apresentaram esses comportamentos. Após, foram construídos escores que possibilitaram comparar esses achados ao longo do programa, com uso dos testes de Wilcoxon e Qui-quadrado de tendência linear. RESULTADOS: observouse diminuição gradativa no uso da voz fora do trabalho, no falar muito grave ou agudo e no comer em excesso antes de dormir. Houve aumento da ocorrência de tosse na terceira aplicação do protocolo. Quanto às médias gerais mensais, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas ao se comparar as quatro aplicações. O escore médio geral foi 11,75, considerado moderadamente abusivo. CONCLUSÃO: as mudanças observadas ao longo do programa foram interessantes, mas muito restritas, levando à reflexão sobre o alcance deste tipo de prática e o quanto mudanças mais amplas não dependem apenas de pequenas mudanças individuais, o que em geral é preconizado. Ações que envolvam exclusivamente informações sobre bem estar vocal devem ser revistas.
2008
Simões-Zenari,Marcia Latorre,Maria do Rosário Dias de Oliveira
Atividades de fala e não-fala em gagueira: estudo preliminar
TEMA: gagueira. OBJETIVO: comparar a ativação muscular em indivíduos fluentes e gagos durante tarefas de fala e não-fala. MÉTODO: seis adultos foram divididos em dois grupos: G1 - três indivíduos fluentes; G2 - três indivíduos com gagueira. A atividade muscular (eletromiografia de superfície) foi captada por eletrodos fixados em quatro regiões. Situações testadas: tensão muscular de repouso, tempo de reação da fala; atividade não verbal e atividade verbal. RESULTADOS: não houve significância estatística entre os grupos para a tensão de repouso; G2 apresentou tempo de reação de fala mais longo; G2 apresentou atividade muscular durante a tarefa não verbal semelhante a observada durante o repouso; a atividade muscular de G1 e G2 durante a tarefa verbal foi similar. CONCLUSÃO: estes resultados sugerem que G2 apresenta um pobre controle temporal para a coordenação dos processos motores.
2008
Andrade,Claudia Regina Furquim de Sassi,Fernanda Chiarion Juste,Fabiola Staróbole Meira,Maria Isis Marinho
Avaliação das habilidades de metarrepresentação em crianças de sete a oito anos
TEMA: Teoria da Mente. OBJETIVO: o objetivo deste estudo foi verificar os aspectos metarrepresentacionais em crianças de 7 a 8 anos e investigar as relações entre linguagem e Teoria da Mente. MÉTODO: participaram da pesquisa 100 crianças - 50 meninos e 50 meninas - com idades entre 7:2 e 8:11, divididas em quatro grupos: crianças de sete anos sem alterações comunicativas (Grupo1), compostas por 37 sujeitos; crianças de sete anos com atraso fonológico (Grupo 2), composto por 13 sujeitos; crianças de oito anos sem alterações comunicativas (Grupo 3), composto por 46 sujeitos; e, crianças de oito anos com atraso fonológico (Grupo 4), composto por 4 sujeitos. Todos os sujeitos são alunos de uma escola municipal localizada na região metropolitana de São Paulo e passaram por triagens de fala, linguagem e audição, além da avaliação da metarrepresentação, que é composta por quatro testes. Utilizou-se para a avaliação da metarrepresentação a prova de Teoria da Mente proposta por Fernandes (2002) e adaptada por Mecca (2005). RESULTADOS: entre os sujeitos de sete anos, 88% passaram na avaliação da metarrepresentação. Entre os sujeitos de oito anos, este índice foi de 92%. Não foram encontradas diferenças significantes por sexo, idade ou grupo. CONCLUSÃO: em torno dos sete anos de idade a grande maioria das crianças adquiriu a Teoria da Mente, embora esta aquisição possa se estender além desta. A forma de interação e a presença de elementos abstratos durante a conversação podem influenciar o desempenho das crianças nas tarefas de Teoria da Mente.
2008
Carvalho,Luciana Regina de Lima Mecca,Fabiola Ferrer del Nero Lichtig,Ida
Influência da velocidade articulatória e da intensidade na inteligibilidade de fala
TEMA: existem evidências de que as pistas contextuais intrínsecas aos estímulos de fala elevam os escores de inteligibilidade, entretanto, a influência de pistas dependentes do sinal acústico, como a velocidade e a intensidade com as quais os diferentes estímulos são produzidos, são pouco conhecidas. OBJETIVO: investigar se a redução da velocidade articulatória e o acréscimo da intensidade da fala, em diferentes tipos de estímulos, influenciariam os escores de inteligibilidade. MÉTODO: participaram do estudo 30 falantes e 60 ouvintes, todos sem distúrbios da comunicação. Os falantes foram gravados durante a repetição de três listas de estímulos (frases, palavras e pseudopalavras). As médias da velocidade articulatória (sílabas por segundo) e da intensidade da fala (decibel) foram calculadas por falante, para cada lista. A inteligibilidade foi mensurada pelo método de transcrição ortográfica das amostras pelos ouvintes, sendo os escores calculados em percentagem de palavras corretamente transcritas. RESULTADOS: diferenças estatisticamente significantes da velocidade articulatória foram encontradas entre os três tipos de estímulos, contudo, os estímulos produzidos com menor velocidade (pseudopalavras seguidas pelas palavras) não conduziram a escores superiores de inteligibilidade. Em relação à intensidade, apenas as pseudopalavras apresentaram valores estatisticamente superiores aos demais estímulos, porém este acréscimo também não elevou os escores de inteligibilidade da fala. CONCLUSÃO: nem a redução da velocidade articulatória nem o acréscimo da intensidade da fala influenciaram os escores de inteligibilidade dos sujeitos avaliados, sinalizando que as pistas contextuais exercem mais efeito sobre a inteligibilidade da fala que as informações independentes do sinal acústico.
2008
Barreto,Simone dos Santos Ortiz,Karin Zazo
Narração de histórias por crianças com distúrbio específico de linguagem
TEMA: as habilidades narrativas podem fornecer ricas informações sobre as competências lingüísticas, cognitivas e sociais das crianças com desenvolvimento típico e com DEL (Distúrbio Específico de Linguagem). Crianças com DEL apresentam déficits na elaboração do discurso, que geralmente são confusos e repetitivos. Além disso, há dificuldades na organização textual, compreensão da temporalidade, relações de causa e efeito e desenvolvimento de conhecimento estrutural necessária para a compreensão da informação. OBJETIVO: caracterizar a narração de histórias por crianças com DEL com relação ao tipo e conteúdo do discurso e comparar o desempenho destes sujeitos com seus pares cronológicos em desenvolvimento típico. MÉTODO: participaram deste estudo dois grupos: Grupo Controle (GC), sem alterações de linguagem, composto por 24 sujeitos e Grupo Pesquisa (GP), com diagnóstico de DEL, composto por 8 sujeitos. Para eliciar as narrativas foi utilizada uma série de 15 histórias, representadas por figuras, compostas por quatro cenas cada. Essas seqüências foram criadas e classificadas em mecânicas, comportamentais e intencionais, segundo as relações envolvidas entre as personagens. RESULTADOS: As crianças com DEL apresentam narrativas mais rudimentares se compararmos a seus pares cronológicos com desenvolvimento típico de linguagem independente do tipo de história fornecida. Além disso, as crianças com DEL apresentaram percepção dos estados mentais semelhante às crianças com desenvolvimento normal. CONCLUSÕES: estes resultados indicam que, independente do tipo de história fornecida, a dificuldade destas crianças está na utilização da língua, ou seja, nas habilidades lingüísticas necessárias na narração de histórias e não na percepção dos estados mentais dos personagens.
2008
Befi-Lopes,Débora Maria Bento,Ana Carolina Paiva Perissinoto,Jacy
Presbivertigem como causa de tontura no idoso
INTRODUÇÃO: tontura é queixa freqüente na população geriátrica e interfere na qualidade de vida desses indivíduos. OBJETIVO: descrever as causas de tontura, correlacionar sintomas e alterações na prova calórica e verificar o impacto da presbivertigem como fator primário de tontura em população de idosos. MÉTODO: revisão do prontuário de 132 pacientes com mais de 60 anos e distúrbio do equilíbrio corporal, atendidos no ambulatório de Otoneurologia do Hospital das Clínicas da UFMG, no período de 1998 a 2007. As variáveis analisadas foram: dados epidemiológicos, história clínica, doenças associadas e resultado da prova calórica. Casos de vertigem de posição e suspeita de lesão central foram excluídos da análise. RESULTADOS: A amostra constou de 120 pacientes. A idade média foi de 70 anos, sendo 87 (71%) mulheres. Dentre os tipos de tontura, vertigem de alguns minutos de duração e freqüência diária foi mais freqüente. Em relação ao resultado da prova calórica, exame normal foi observado em 73% e, dentre os resultados alterados, hiporreflexia bilateral (presbivertigem) foi observada em 8%. Correlacionando-se com o tipo de tontura, hiporreflexia bilateral associou-se com instabilidade postural (p = 0,006; IC = 2 - 419). CONCLUSÃO: tontura no idoso tem causa multifatorial. Perda da função vestibular periférica pode estar relacionada à presbivertigem e deve ser considerada em pessoas idosas com desequilíbrio. Distúrbios metabólicos, psíquicos, disautonômicos, ortopédicos, visuais e de propriocepção podem ser causa de tontura em idosos com exame vestibular normal.
2008
Felipe,Lilian Cunha,Luciana Cristina Matos Cunha,Fabiana Carla Matos Cintra,Marco Túlio Gualberto Gonçalves,Denise Utsch
A resposta auditiva de estado estável na avaliação auditiva: aplicação clínica
TEMA: a resposta auditiva de estado estável (RAEE) é um procedimento eletrofisiológico que permite avaliar ao mesmo tempo os limiares auditivos de várias freqüências em ambas às orelhas, reduzindo assim o tempo de teste, e permite estimular até níveis próximos a 125dB HL, caracterizando assim a audição residual. OBJETIVO: verificar a aplicabilidade da RAEE para determinar os limiares auditivos nos diferentes graus de perda auditiva neurossensorial coclear. MÉTODO: foram avaliados 48 indivíduos com idade entre sete e trinta anos e diferentes graus de perdas auditivas. A Audiometria Tonal Liminar (ATL) e a RAEE foram avaliadas nas seguintes freqüências portadoras, 0,5; 1; 2 e 4k Hz. As freqüências portadoras na RAEE foram moduladas em amplitude e freqüência, com estimulação múltipla e dicótica nas perdas auditivas de grau leve e moderado. Estimulação simples foi utilizada nos outros graus de perdas auditivas. RESULTADOS: houve associação significante (p < 0,01) entre os limiares obtidos na ATL e RAEE para todas as freqüências testadas, principalmente para perdas auditivas de grau profundo. Contudo em alguns pacientes o grau da perda auditiva pode ser super-estimado. CONCLUSÃO: a RAEE pode ser utilizada para predizer os limiares auditivos da ATL, porém não deve ser analisada de forma isolada, mas de forma complementar a avaliação audiológica comportamental.
2008
Duarte,Josilene Luciene Alvarenga,Kátia de Freitas Garcia,Tatiana Manfrini Costa Filho,Orozimbo Alves Lins,Otávio G
Relações entre a Autistic Behavior Checklist (ABC) e o perfil funcional da comunicação no espectro autístico
TEMA: as alterações de comunicação e linguagem têm sido propostas como um dos três elementos fundamentais para a caracterização e o diagnóstico dos distúrbios globais do desenvolvimento (DGD). A Autistic Behavior Checklist (ABC) tem sido utilizada em diversas pesquisas, pois possibilita uma aplicação simples, que pode ser realizada a partir de amostras filmadas de comportamento, entrevistas com pais ou terapeutas, e pode ser utilizada por profissionais das áreas da saúde e da educação. OBJETIVO: a proposta deste estudo envolve a verificação das correlações entre o perfil funcional da comunicação e as diferentes pontuações na ABC. O objetivo geral desta pesquisa é identificar a possibilidade de contribuição da avaliação fonoaudiológica de crianças e adolescentes incluídos no espectro autístico a partir da verificação de relações entre seu desempenho comunicativo e a pontuação obtida na ABC. MÉTODO: foram sujeitos desta pesquisa 117 crianças e adolescentes, entre 2 e 16 anos de idade, já atendidos ou em atendimento no Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Distúrbios Psiquiátricos da Infância do Curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da USP. RESULTADOS: indicaram a existência de correlações negativas entre a pontuação na ABC e a interatividade e complexidade da comunicação. As poucas correlações entre a sub-escala de linguagem e os outros dados sugerem a dissociação entre a descrição propiciada pela ABC e os critérios sugeridos pelo DSM-IV e pela CID-10 para o diagnóstico de autismo. CONCLUSÃO: a busca de critérios objetivos para a determinação de sub-grupos no espectro autístico permanece um desafio.
2008
Fernandes,Fernanda Dreux Miranda Miilher,Liliane Perroud
Relação entre desenvolvimento motor corporal e aquisição de habilidades orais
TEMA: a literatura aponta para a influência da postura corporal sobre as habilidades orais em crianças com desenvolvimento sensório-motor alterado. Em crianças normais existem poucos estudos sobre essa relação. OBJETIVO: estudar em crianças a termo a relação entre habilidades motoras e habilidades motoras orais, desde 1 dia de vida até 24 meses de idade. MÉTODO: 42 crianças foram filmadas com 1 dia, 1 mês, 2, 3, 4, 5, 6, 9,12 e 24 meses nas posições supino, prono, sentado e em pé e durante alimentação com amamentação / mamadeira (até 5 meses), uso de colher para alimentação pastosa (3 aos 12 meses), uso de copo para água ou suco (6 aos 24 meses) e alimento sólido (6 aos 24 meses). Estabeleceram-se escores de quantificação para o desenvolvimento corporal e habilidades orais e utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson para o estudo estatístico, adotando-se nível de significância de 5%. RESULTADOS: os resultados do desenvolvimento motor apontaram para semelhança de dados entre supino e prono e sentado e em pé; para as habilidades orais (durante a alimentação com mamadeira/amamentação, colher, copo, mastigação) constatou-se em cada modalidade de alimentação, homogeneidade de aquisição de habilidades para lábios, língua e mandíbula. Houve associação entre habilidades motoras e orais; resultados apontam que o desenvolvimento motor (habilidades motoras) se deu antes das orais desde o 5° ao 24° mês e que as habilidades de mandíbula em copo e colher ocorreram antes das habilidades de lábios e língua. CONCLUSÃO: houve crescente aquisição de habilidades motoras e orais, variabilidade de habilidades em idades entre 3 e 24 meses e associação entre habilidades motoras e orais.
2008
Telles,Mariângela Silva Macedo,Célia Sperandeo
Potencial evocado auditivo de tronco encefálico como auxílio diagnóstico de morte encefálica
TEMA: Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico aplicado em morte encefálica. OBJETIVO: verificar a concordância entre o resultado do Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico e o desfecho do quadro clínico, em pacientes em coma Glasgow 3, por meio da análise do padrão de resposta elétrica do teste. MÉTODO: estudo tipo transversal realizado em 30 pacientes em coma Glasgow 3 submetidos ao Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico e acompanhados quanto ao desfecho clínico após o teste: recuperação ou óbito. O teste seria considerado positivo para morte encefálica ao registrar com reprodutibilidade ausência de todas as ondas ou presença de apenas a onda I, e considerado negativo na presença de duas ou mais ondas independentes de suas latências. RESULTADOS: entre os pacientes que apresentaram testes positivos para morte encefálica (86,66%), todos foram a óbito e o único paciente que se recuperou apresentou teste negativo indicando especificidade de 100%. Observou-se consistência interna dos dados, com coeficiente de correlação intraclasse de 0,562 por meio do Teste Alfa de Cronbach e concordância significativa entre o teste e o desfecho clínico por meio do Teste de Concordância de Kappa (K = 0,545; p = 0,015), com intervalo de confiança de 95%. CONCLUSÃO: para o presente estudo o Potencial Evocado Auditivo de Tronco encefálico demonstrou ser um teste altamente específico na predição de óbito em pacientes em coma Glasgow 3, e possibilitou auxiliar o diagnóstico de morte encefálica.
2008
Jardim,Mônica Person,Osmar Clayton Rapoport,Priscila Bogar
Modelamento da fluência com o uso da eletromiografia de superfície: estudo piloto
TEMA: utilização de recursos tecnológicos para promoção da fluência. OBJETIVO: verificar a efetividade de um tratamento para gagueira baseado exclusivamente no uso da eletromiografia de superfície (EMGS). MÉTODO: participaram desse estudo quatro adultos gagos de ambos os sexos. A avaliação pré e pós-tratamento consistiu de uma sessão para coleta de amostra de fala, análise da tensão muscular de repouso e do tempo de reação para fala. O tratamento consistiu de 12 sessões de 20 minutos, monitoradas pela EMGS. RESULTADOS: observou-se redução estatisticamente significante das disfluências gagas e comuns. Os demais parâmetros, bem como a variação dos dados eletromiográficos, não apresentaram variação estatisticamente significante. CONCLUSÃO: a EMGS mostrou-se eficaz na redução da gagueira, sem a necessidade de associação com outras técnicas de promoção da fluência.
2008
Andrade,Claudia Regina Furquim de Sassi,Fernanda Chiarion Juste,Fabiola Staróbole Ercolin,Beatriz
Síndrome do aqueduto vestibular alargado: uma causa de disacusia neurossensorial
TEMA: a síndrome do aqueduto vestibular alargado (SAVA) é caracterizada pelo alargamento do aqueduto vestibular associada a disacusia. O grau da perda auditiva é variável, podendo ser flutuante, progressiva ou súbita. Sintomas vestibulares podem estar presentes. O diagnóstico é realizado por exames de imagem. OBJETIVO: relatar um caso de SAVA. MÉTODO: lactente, gênero feminino, realizou tomografia computadorizada de ouvidos e exames de audição. RESULTADO: constatou-se alargamento do aqueduto vestibular maior que 1,5mm de diâmetro e perda auditiva neurossensorial à direita. CONCLUSÃO: com a avaliação auditiva precoce é possível o diagnóstico da disacusia, mesmo em crianças com disacusias unilaterais. Embora a literatura consultada mostre que o diagnóstico da SAVA ocorra tardiamente, no presente caso, o diagnóstico etiológico foi possibilitado pela tomografia computadorizada.
2008
Silva,Daniela Polo Camargo da Montovani,Jair Cortez Oliveira,Danielle Tavares Fioravanti,Marisa Portes Tamashiro,Ivanira Ayako
Desempenho de idosos em um teste de fala na presença de ruído
TEMA: percepção de fala no silêncio e na presença de ruído em idosos. OBJETIVO: caracterizar e comparar as habilidades auditivas de idosos em um teste monótico de percepção de fala, sem e com a presença de ruído competitivo (Índice Perceptual de Reconhecimento de Fala - IPRF e Fala com Ruído - F/R). MÉTODO: foram avaliados 55 sujeitos de ambos os sexos, com idade a partir de 60 anos distribuídos em grupos: Grupo Controle (GC), constituído de idosos sem perda auditiva e Grupo Estudo (GE), constituído de idosos com perda auditiva neurossensorial simétrica. Foi utilizado o Teste de Fala com Ruído, com a apresentação de uma lista de palavras primeiramente sem a presença de ruído e depois na presença de ruído do tipo Speech Noise. RESULTADOS: não houve diferença entre homens e mulheres para os testes IPRF e F/R e correlação da idade somente para o IPRF no GE. Também foi observada diferença significativa no desempenho entre os grupos nos testes IPRF e F/R. Com relação à presença das trocas articulatórias, foi observado que elas ocorreram nos dois grupos estudados, sendo mais freqüente no teste F/R e, principalmente, para o grupo estudo. CONCLUSÃO: a presença do ruído juntamente com os sons de fala é prejudicial para os idosos, independente da presença da perda auditiva, sendo o impacto maior para aqueles que a possuem.
2008
Calais,Lucila Leal Russo,Ieda Chaves Pacheco Borges,Alda Christina Lopes de Carvalho