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A burguesia perante a morte. Um momento de afirmação da diferença

<p>Em grande número de países ocidentais o início do século XIX é marcado pelo progressivo domínio da burguesia nos sectores político, administrativo, intelectual e económico. A superioridade deixara de assentar no sangue e iniciara-se a construção da igualdade assente no êxito, corolário da capacidade individual, sem desprezo pelo legado familiar. A sociedade burguesa, aberta mas hierarquiza da, excluía os mais fracos aqueles que considerava destituídos, procurando distinguir-se deles na vida e na morte.</p>

Reflexões em torno de um estudo urbano (o centro da cidade do Porto no 1.º terço do século XIX)

<p>A reflexão aqui apresentada tem por base o percurso científico efectuado pela autora deste artigo, no decurso da preparação das suas dissertações de mestrado e de doutoramento, ambas sobre temáticas urbanas. Surgem estas informações no contexto da prossecução, a nível do investimento científico-académico pessoal, das linhas de investigação que o Cepfam (Centro de Estudos da População e Família) tem abertas, sobre População portuguesa-História e prospectiva, Família e espaços de socialização, Estruturas económicas e industrialização.</p>

Os expostos de Barcelos em finais do Antigo Regime

<p>O tratamento dos expostos do concelho de Barcelos só é possível fazer-se a partir da publicação da Ordem Circular da Intendência Geral da Policia, de 1.º de Maio de 1783, e a consequente criação das casas da Roda. Só a partir desta data, é que temos no Arquivo Municipal de Barcelos as fontes manuscritas capazes de responderem à maioria das perguntas que se formulam, quando se aborda este assunto.</p>

População e família em Ponta Delgada na segunda metade de setecentos: a freguesia de São Pedro

<p>O presente estudo tem como principal objectivo apresentar alguns resultados da investigação que estamos a empreender sobre a dinâmica populacional e social do arquipélago dos Açores durante o Antigo Regime, neste caso com especial incidência no conhecimento da evolução da população micaelense na segunda metade do século XVIII e, em particular, de Ponta Delgada. Neste sentido, introduzimos também uma análise da estrutura familiar, de uma freguesia de cariz urbano – São Pedro de Ponta Delgada –, por nos parecer constituir uma condicionante da própria evolução natural da população.</p>

A cidade do Porto na 1.ª metade do século XIX: população e urbanismo

<p>O século XIX é uma época de crescimento urbano intenso, pelo menos na Europa, assumindo-se a cidade como um mercado de trabalho que atrai todas as franjas sociais. Ocorrem trocas de população entre o centro e a periferia, tocando a mobilidade em todos os grupos sociais. Este movimento é, regra geral, mais intenso na segunda metade do século XIX, do que na primeira (embora o urbanismo inglês tenha características mais precoces), mas já se vai fazendo sentir, por então.</p>

A população da cidade de S. Martinho de Penafiel nos séculos XVII e XIX (1700-1807)

<p>Esta cidade foi designada, até ao ano de 1770, por S. Martinho de Arrifa na de Sousa. Está situada, geograficamente, como refere António de Almeida, "no Reino de Portugal e na Província de Entre Douro e Minho passando pello meio della humadas estradas mais frequentadas do Reino qual a que da Cidade do Porto sahe para a maior parte da Província de Traz-os-Montes bem como para a Beira Alta por Lamego".</p>

A população portuguesa nos séculos XIX e XX. O acentuar das assimetrias de crescimento regional

<p>Vários estudos têm procura do traçar as grandes linhas de evolução demográfica da população portuguesa nos últimos dois séculos. Porém, apesar da relativa abundância de dados, a dispersão e diversidade dos mesmos, aliada a níveis de qualidade diversos, dificultam a tarefa do investigador, sobretudo quando pretende efectuar comparações num espaço temporal alargado. Em relação à 1.ª metade do século XIX ele é confronta do com o problema de controlar a informação e torná-la compatível, por forma a conseguir uma análise que, privilegiando a longa duração, permita a desejada visão de conjunto das características demográficas da população sem esquecer as especificidades locais.</p>

Revisión de los estudios sobre la migración portuguesa en Espana

<p>Si la migración con destino al exterior ha sido una constante en la historia de los pueblos ibéricos, en la última década el fenómeno se ha traducido en el predomínio de la inmigración de extranjeros en la balanza migratoria de Espana y de Portugal: de países expulsares en gran medida, con varias millones de nacionales residentes en el exterior en ambos casos, se ha pasado a países con atracción de personas extranjeras, (se estima en una cifra cercana al millón de extranjeros residentes entre los dos Estados), por lo que por primera vez en la etapa contemporánea el saldo migratorio es positivo a nível dei territorio nacional. Fenómeno éste de cierta notabilidad por los flujos de personas originarias especialmente de fuera del ámbito europeo, que atane en un proceso paralelo además a otros países mediterráneos como ltalia y Grecia.</p>

Os Franciscanos no Mundo Português II. As Veneráveis Ordens Terceiras de São Francisco

<p>Esta obra, que conta com a colaboração de mais de vinte investigadores portugueses, brasileiros e espanhóis, analisa o impacto das Ordens Terceiras no desenvolvimento urbano das cidades onde se inscrevem; estabelece paralelismos entre as construções erguidas por iniciativa dos Irmãos Terceiros, não só a nível das opções arquitetónicas, mas também nos revestimentos dos interiores das igrejas; analisa o contributo dos artistas e artífices portugueses que, em terras do Brasil, produziram exemplares artísticos que levavam consigo no saber-fazer quotidiano da sua terra natal, reproduzindo padrões estéticos que, ainda hoje, são o testemunho de um Portugal já mergulhado no nosso passado desaparecido ou adulterado; e debruça-se sobre o significado da Procissão de Cinzas no contexto da época, sob o ponto de vista religioso e social.</p>

Year

2013

Creators

Alberto Darias Príncipe Anna Maria Monteiro de Carvalho César Augusto Tovar Silva Eugênio de Ávila Lins Janaina de Moura Ramalho Araújo Ayres Joaquim Jaime Barros Ferreira-Alves Leonardo Etero Luís Alexandre Rodrigues Luiz Gustavo Gavião Magno Mello Manuel Engrácia Antunes Marcelo Almeida Oliveira Maria Berthilde Moura Filha Ivan Cavalcanti Filho M. Carmen Folgar de la Calle Enrique Fernández Castiñeiras Eduarda Marques Mozart Alberto Bonazzi da Costa Natália Marinho Ferreira-Alves Paula Cardona

La Orden Tercera como motor de la expansión urbana y la renovación de Santa Cruz de Tenerife

<p>El crecimiento de una ciudad tiene múltiples motivos, uno de ellos puede ser el sentido corporativo de un sector de esta población. En el caso de Santa Cruz de Tenerife esa cohesión fue lo que dio pie a la creación del primer barrio ajeno al núcleo fundacional, El Toscal, cuya idiosincrasia partió del sentimiento comunitario aglutinado a través de la Venerable Orden Tercera Franciscana.</p>

A pintura do forro da igreja de São Francisco da Penitência do Rio de Janeiro: contribuições para sua análise iconográfica

<p>No ano de 1732, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência do Rio de Janeiro firmou contrato com o pintor português Caetano da Costa Coelho para a realização da pintura do teto na “melhor perspetiva” e dos oito painéis de sua capela-mor. Em 1736, concluídas as obras, o pintor foi novamente contratado, dessa vez para “fazer a pintura do corpo da capela do arco para baixo de melhor perspetiva, diversidade e perfeição, imitando a que vem de dentro da capela-mor”. A empreitada ficaria concluída em 1743.</p> <p>Considerada a mais antiga pintura de forro em perspetiva ilusionista da América portuguesa, a produção de Caetano da Costa Coelho para a igreja da Penitência do Rio de Janeiro é obra complexa, de grande erudição e de difícil interpretação iconográfica. O presente trabalho pretende refletir sobre os estudos até então realizados sobre a obra, bem como propor novas reflexões para a mesma.</p>

O trabalho do Mestre Carpinteiro Gabriel Ribeiro na Ordem Terceira de São Francisco de Salvador

<p>Os estudos sobre a igreja Ordem Terceira de São Francisco de Salvador sempre abordam o projeto do mestre carpinteiro Gabriel Ribeiro para o frontispício do templo, ficando relegada a conceção espacial e demais elementos arquitéctónicos que o autor concebeu para o referido templo. Os documentos apontam para diversas condicionantes que foram estabelecidas para a elaboração do projeto, principalmente aquelas advindas dos frades franciscanos doadores do terreno onde ocorreu a construção. O estudo a ser apresentado busca identificar as diversas demandas advindas dos agentes envolvidos na encomenda do projeto, ao tempo em que aprofunda o perfil profissional do Mestre Gabriel Ribeiro com a intenção de compreender e revelar mais alguns aspetos artísticos da capela da Ordem Terceira de São Francisco de Salvador.</p>

As Pinturas de Forro dos Altares do Transepto da Igreja de São Francisco de Assis de Salvador: uma outra espacialidade

<p>A Igreja de São Francisco de Assis de Salvador, Bahia, possui um dos conjuntos mais notáveis de decoração interna barroca. Em se tratando dos forros, enquanto na capela-mor o forro abobadado é recoberto por riquíssima talha dourada formando padrões geométricos, na nave o forro é artesoado, suntuosamente decorado com pinturas emolduradas por talha dourada em formatos diversos (octogonais, quadrangulares e estrelas de oito pontas).</p> <p>Entretanto, nas abóbadas de berço dos altares do transepto, o tratamento compositivo/espacial difere dos demais devido ao suporte ser inteiramente pintado segundo a técnica da perspetiva ilusionista (que amplia os espaços), acentuando certa verticalidade à medida que as linhas de força apontam para um ponto de fuga central, simulando a presença de uma cúpula e conferindo ao suporte bidimensional uma “falsa” terceira dimensão, um engano dos olhos – pelo jogo dos contrastes e da presença dos elementos arquitetónicos.</p>

O medalhão de Aleijadinho da igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto

<p>O ensaio discorre sobre o medalhão de São Francisco de Assis da igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto realizado pelo escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, com o enfoque na discussão da conceção do espaço pelo artista, nas possíveis fontes de referência que o mestre observou e também na relação que possui tal medalhão com o desenho da fachada da igreja de São Francisco de Assis de São João d’El Rei.</p> <p>Na primeira parte, é traçada uma descrição do processo histórico que levou à sua execução, sendo levantadas algumas teorias a respeito das possíveis fontes inspiradoras do escultor.</p> <p>Na segunda parte, são abordados os aspetos da construção do relevo diante da tradição, assim como os aspetos quanto à leitura visual da obra, tendo em vista sua relação com o espaço da arquitetura que a cerca.</p> <p>Na última parte, são apontadas algumas questões iconográficas e suas finalidades para a comunicação, como conteúdo pedagógico, através da utilização muito elaborada dos elementos simbólicos por Aleijadinho e da composição da obra, ou seja, sua conceção do espaço.</p>

A ação dos padres de Brancanes em Vinhais. O Seminário da Senhora da Encarnação e constituição da Venerável Ordem Terceira da Penitência

<p>Em outubro de 1751, na vila de Vinhais demarcava-se o sítio para a edificação do Seminário de Nossa Senhora da Encarnação que viria a ser governado por missionários apostólicos oriundos do Convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes.</p> <p>Ao mesmo tempo que pregavam as missões em Trás-os-Montes, estes padres franciscanos difundiam os princípios que levariam à constituição da Venerável Ordem Terceira da Penitência. Realizando a primeira sessão oficial em 7 de novembro de 1762, esta irmandade, enquanto tratava de matérias espirituais e de auxílio aos desvalidos, lançava a construção da sua casa de despacho e da sua igreja num momento em que os formulários do rococó, sobretudo nas estruturas retabulares da igreja, não só adelgaçavam as formas como lhes imprimiam um inusitado dinamismo.</p>

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência do Rio de Janeiro: a iconografia e o esplendor como poéticas do barroco joanino

<p>A igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência do Rio de Janeiro constitui exemplo raro da estética barroca joanina na cidade, esta caracterizada pela sua rica ornamentação interna. Tal raridade poderia ser explicada em parte pela insipiente mão-de-obra local no início do século XVIII, pois as oficinas laicas fluminenses floresceriam somente na segunda metade do mesmo século. A possibilidade dos irmãos terceiros de construir obra de tamanha riqueza vem de sua condição de classe abastada do período, o que colaborou para que eles pudessem contratar artistas portugueses para os trabalhos de pintura, escultura e talha. Entretanto, o ideal de pobreza da família franciscana e a ostentação ornamental da igreja parecem um paradoxo somente resolvido se o sentido original do ornamento for investigado no seu contexto. Assim, a relação entre o encomendante e o artista, a presença impressa dos tratados de construção religiosa influenciados pelo Concílio de Trento e a iconografia como ponto-chave para legitimar o esplendor são as questões essenciais para o entendimento da poética barroca.</p>

Ilusão e engano na decoração do teto da nave da Capela de Ordem Terceira de São Francisco em Ouro Preto (1801): Manuel da Costa Ataíde

<p>Este estudo concentra toda a sua atenção na pintura de falsa arquitetura na Capitania do Ouro entre os séculos XVIII e XIX, contemplando em especial atenção a decoração Barroca e Rococó. Estes espécimes variam desde a pintura em caixotões, a decoração parietal e pintura de falsa arquitetura em variadas formas: muros parapeitos; elementos arquitetónicos maciços; estruturas apoiadas em nuvens circulares e temas iconográficos desenvolvidos em rocalhas no centro do suporte. Em relação à decoração dos tetos é fundamental o conhecimento das técnicas de transposição e a relação com a tratadística coeva. Muitos pintores eram verdadeiros quadraturistas ou cenógrafos especializados na decoração do engano arquitetural. Outro ponto a salientar é a especialização dos trabalhos. Em Minas, como em todo o Brasil colonial, muitos decoradores eram apenas pintores de figuras ou de elementos decorativos, enquanto outros trabalhavam com mais precisão na confeção da estrutura arquitetónica pictórica. Assistimos no universo do Barroco e do Rococó em Minas Gerais uma atuação de pintores desde meados do século XVIII até o primeiro quartel do século XIX numa última expressão com a presença do pintor-decorador Manuel da Costa Ataíde.</p>

Venerada y Ornada: arquitectura y retablos de la capilla de la Orden Tercera de Santiago de Compostela

<p>Se aborda el estudio de la capilla que construye en Santiago de Compostela la Tercera Orden Seglar desde su fundación, analizando sus etapas constructivas, así como su mobiliario, destacando que en ella intervienen los más afamados artistas del barroco gallego.</p>

Rito e Poder: o desfile da procissão das cinzas dos Terceiros seráficos e a enlevação da praça do Recife à categoria de vila

<p>O presente ensaio trata das injunções para a realização da procissão das cinzas da Ordem Terceira franciscana do Recife, em meio aos conflitos políticos que conflagraram a capitania de Pernambuco no início do século XVIII. A movimentação da aparatosa procissão do Recife em 1710, logo após a criação da vila, em cumprimento à carta régia de D. João V, suscitou a reação da “nobreza da terra” de Olinda, golpeada no plano simbólico das representações, em oposição à ascensão dos mercadores do Recife, nas vésperas da chamada “guerra dos mascates”.</p>

A reconstituição dos retábulos da Capela da Venerável Ordem Terceira Franciscana em São Paulo: um partido com base na tradição entre os anos trinta e noventa do século XX

<p>Entre os Estados que erigiram templos religiosos no período colonial brasileiro, São Paulo é um dos que o fizeram de maneira despojada. Em terras paulistas destaca-se a capela da Venerável Ordem Terceira de São Francisco, localizada ao lado da igreja da Primeira Ordem Franciscana, no Largo São Francisco, na cidade de São Paulo. Entre 1784 e 1787, o templo foi remodelado, sendo o novo traço atribuído ao frei-arquiteto António de Sant’Anna Galvão. Após essa ampliação, além de realocar o antigo retábulo-mor, a capela terceira receberia um novo conjunto de retábulos.</p> <p>Entre as décadas de 1930 e 1990, o professor Carlos Teixeira Chaves, do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e seu filho Waldemar Teixeira Chaves, atuaram nesta capela reconstituindo grande parte dos retábulos de altares, relevos parietais, castiçais, etc. O presente artigo apresenta esse templo e as suas obras de talha, assim como enfoca o partido adotado pelos oficiais para a reconstituição desses originais que se encontram entre as mais importantes realizações de talha dourada, no período colonial, em São Paulo.</p>