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A Procissão de Cinza e a Ordem Terceira de São Francisco do Porto: análise de um esquema devocional

<p>A Venerável Ordem Terceira de São Francisco do Porto organizava anualmente uma das procissões penitenciais mais importantes realizadas na cidade. Com efeito, a chamada “imposição das cinzas” no mundo católico dá início à Quaresma, período de preparação interior que conduz a uma reflexão sobre a nossa condição humana na sua efemeridade terrena em contraposição à promessa de uma vida eterna apontada pela Ressurreição de Cristo. Vocacionada desde sempre para a prática da penitência, da pobreza e do amor ao próximo apontada por Cristo, e seguido mimeticamente em toda a sua plenitude por São Francisco, a Ordem Franciscana através do seu ramo laico, vai desempenhar um papel de suma importância na sociedade da época com a organização da Procissão de Cinza. Os exemplos que iremos analisar neste nosso trabalho vão revelar-nos esquemas devocionais extraordinariamente sugestivos apresentados aos fiéis, ao longo do percurso, constituindo a sucessão de andores uma série de propostas edificantes de vivências cristãs.</p>

Itinerários estéticos das Ordens Terceiras do Alto-Minho

<p>A existência das Ordens Terceiras Franciscanas remonta ao tempo de Francisco de Assis e foram reguladas em 1221 por Honório III. A regra sofrerá alterações e ampliações como a que ocorre em 1289, com Nicolau IV. Nesta ampliação da primeira regra define-se a dimensão assistencial destas irmandades – assistir os leprosos, em albergarias e asilos. Em 1495, é-lhes concedida a prerrogativa de procederem aos enterramentos dos seus irmãos; em 1516, passam a poder usar hábito sem prévia licença episcopal. A bula Inter Caetera expedida por Leão X em 1521 determina uma nova regra na qual as Ordens Terceiras ou irmandades da Penitência ficam debaixo da tutela dos frades menores e com uma Província específica. Trento apoiará estas organizações, como aliás fará com as todas as confrarias, criando por via destas, uma rede estruturada para propagação de uma nova moral religiosa.</p>

Entre Portugal e a Galiza (Sécs. XI a XVII). Um olhar peninsular sobre uma região histórica

<p>Esta obra, debruçando-se materialmente sobre a história portuguesa, é no entanto, formalmente, uma obra sobre transferências culturais. Não sendo, portanto, uma História de Portugal, integrou-se num projeto transnacional que pretendeu analisar e comparar as regiões históricas da Europa. O grupo português – ciente de que Portugal tinha tido origem numa região muito antiga da Península Ibérica, cujas raízes remontavam à época romana, e que no século XII tinha iniciado um processo de afirmação autónoma – orientou uma parte significativa dos seus trabalhos para o estudo das relações entre transferências culturais e as historiografias nacionais, portuguesa e espanhola, tanto na sua vertente galega como castelhana.</p> <p><strong>Nota:</strong><span style="background-color: #ececec; font-size: 12.8000001907349px;"> </span><em>Por questões de direitos de publicação, apenas disponiblizamos as primeiras páginas da obra, que pode ser adquirida em livrarias ou consultada na Biblioteca do CEPESE.</em></p>

Year

2014

Creators

María Gloria de Antnio Rubio Filomena Lopes de Barros Inés Calderón Medina Pedro Cardim Marta Cendón Fernández Ana María Carballeira Devasa André Costa Leonor Freire Costa Paula Pinto Costa Mafalda Soares da Cunha José Domingues João Paulo Martins Ferreira Luís Adão da Fonseca Judite Goncalves de Freitas Carlos Andrés González-Paz Ana Isabel López Salazar Filipe Alves Moreira Cesar Oliveira Serrano Pablo Otero Pineyro Maseda Eduardo Pardo de Guevara y Valdés Maria Cristina Pimenta Manuel Recuero Astray Paz Romero Portilla Maria de Lurdes Rosa Lúcia Rosas José Augusto de Sotomayor-Pizarro Ana Maria Monteiro Sousa Antonio Terrasa Lozano Rosario Valdés Blanco-Rajoy António Pestana de Vasconcelos Ângela Barreto Xavier

The Name of the Game; or What’s in a Name: Teaching, Research and Critical Agendas in the “Internationalization” of “Portuguese Historiography”

<p>After Rui Santos’s commendably heroic attempt to move the discussion onto the surer footed ground of facts and figures, my contribution may well strike a little like a spanner thrown into the works. But like Schaub and Ramada Curto I think that a biographical note of contextualization is here pertinent and like Costa Pinto, though somewhat more indulgently, I find anecdotal remarks from the field uniquely telling. Moreover, and to introduce a pedantic note all of my own, I am not convinced that either of the terms “Portuguese historiography” or “internationalization”, upon which the discussion centres, are being used with anything like a clear or unproblematic sense. Indeed, reading the meaning of internationalization oppositionally, off the multitude of sins that in the various contributions is described as the condition of its lack, internationalization seems at times to mean little more than publishing in English and at others nothing other than professionalism, scholarship, accountability and standards. Portuguese historiography, in turn, appears to range in meaning from historical research and writing authored by historians in Portuguese institutions, historical research on Portugal (wherever and whoever by), through to an almost hegemonic reading of world history as Portuguese history (I am uneasy, for example, with Jorge Pedreira’s reference to Alpers’ work as concerned with the ‘history of Portugal and her empire’. Unlike, say, David Birmingham and others of his generation who did come to write on the history of Portugal from an engagement with Portuguese Africa and the colonial wars, Alper’s engagement with the Portuguese colonial context in Mozambique is incidental to his study of African history in the East African and Indian Ocean context. This is a distinction that, it seems to me, is worth making).</p>

Portuguese Research Institutions in History

<p>The growth in historical research in Portugal over the last two decades is largely due to the conditions provided by public agencies and private bodies with direct responsibility for the funding of projects, programmes and research institutes.</p>

The Role of Interpreters, or Linguas, in the Portuguese Empire During the 16th Century

<p>This article analyses the different categories of interpreters (lingoas), the forms of their recruitment and the strategies of their use in the Portuguese Empire in Asia in the first half of the sixteenth century. The interpreters were as good as adventurers, convicts and natives, captives, renegades and converted slaves recruited during expeditions and military operations. Besides the social-economical status of these interpreters the article highlights the case of the territory of Macao where the necessity to answer to imperial bureaucracy determines the creation of a corps of interpreters (jurubaças) and perfectly organised family dynasties of "lingoas".</p>

Dicionário de Relações Internacionais (3.ª edição)

<p>A terceira edição deste dicionário, entretanto sujeito a uma rigorosa revisão de conteúdos e substancialmente aumentado, destina-se, antes de tudo, a servir de instrumento de base para os alunos universitários de Relações Internacionais, o que não impede, longe disso, que seja também uma obra de consulta para todos aqueles que se preocupam com as Relações Internacionais Contemporâneas, com a Política Internacional, com a Globalização, com as profundas transformações/ruturas que se fazem sentir nesta viragem do século XX para o século XXI, enfim para todos aqueles que procuram compreender a realidade internacional e as grande tendências do mundo em que vivemos.</p> <p><strong>Nota:</strong><span style="background-color: #ececec; font-size: 12.8000001907349px;"> </span><em>Por questões de direitos de publicação, apenas disponiblizamos as primeiras páginas da obra, que pode ser adquirida em livrarias ou consultada na Biblioteca do CEPESE.</em></p>

Year

2014

Creators

Ana Cristina Almas Bruno Rodrigues Diogo Ferreira Fernando de Sousa Cristina de Abreu Isabel Babo Lança Jerónimo Molina Cano João Amorim Esteves José Caramelo Gomes José Pedro Fernandes Lorenzo Lopéz Trigal Manuel Monteiro Maria Cristina Seia Maria Raquel Freire Micaela Pinho Paula Barros Paula Duarte Lopes Paula Santos Paulo Amorim Pedro Mendes Ricardo Rocha Rui Marrana Susana Ferreira Teresa Cierco Williams da Silva Gonçalves

Alves, Jorge Santos. Fernão Mendes Pinto and the “Peregrinação”.

<p>I should like to begin by stressing that in writing these lines we are paying homage to the greatest philological monument ever erected in honor of the Peregrinação. Now that such an “epistemological leap” has been made, I can say that this valuable and wise work promises to breathe a new lease of life into an area that—because of Portuguese traditions—is subject to regular commemoration.</p>

Inquisitorial Punishments in Lisbon and Évora

<p>São analisadas as punições recebidas por mais de 8.000 pessoas condenadas pela Inquisição Portuguesa entre 1636 e 1778. O encarceramento era, de longe, a punição mais comum, representando mais de dois terços de todas as sentenças. Cerca de seis por cento dos condenados foram executados. O exílio e as galés eram castigos comuns que asseguravam as necessidades do Estado, bem como as dos inquisidores. Figuras religiosas receberam punições sistematicamente diferentes para os mesmos "defeitos" de sodomia e apostasia. As punições aos cristãos-novos eram diferentes das que os cristãos-velhos recebiam; os cristãos-novos eram geralmente condenados à morte ou presos, enquanto os cristãos-velhos eram mais frequentemente exilados, açoitados e enviados para as galés.</p>

On the kings of Portugal, or how an image of a far-away region came to be established in Holland

<p>No final do século XIV, foram desenvolvidos esforços no sentido de melhorar as relações entre Portugal e a Holanda, nomeadamente comerciais. Nessa altura, Portugal certamente não era um território desconhecido para os habitantes da Holanda, como se comprova pelo facto de uma vila holandesa usar o nome e as armas inspiradas nos de Portugal. No entanto, uma imagem clara, que poderia servir propósitos politicos, não chega a existir. Ela aparece num poema holandês, escrito á volta de 1390, no qual se enaltece o restablecimento das virtudes reais em Portugal.</p>

Mazumdar, Shaswati. Insurgent Sepoys. Europe views the Revolt of 1857

<p>As happens with so many other conflicts in history, the event that is the central subject of this book—an Indian armed resistance against British dominion—has been named in many different ways depending on the perspective of who is naming it. In terms of the most traditional British historiography, which began to reflect on the event as soon as it happened, this was the Indian “mutiny” of 1857. However, within the most critical and recent bibliography it has multiplied its terminology: the word “Mutiny” is still used, but so is “Uprising”, “Rebellion” or “Revolt”. This last word—“revolt”—was the one chosen for the title of this book, one that concentrates on the ways in which this event was perceived and written about in different European countries. By choosing this word and not others, the editor is undoubtedly engaging with recent debates on this central event of Indian history and the history of Indo-British relationships while assuming the subversive and widespread impact of this episode.</p>

Cartografias do exílio. O imigrante espanhol no movimento massivo e o Brasil como destino, 1880/1930

<p>Quando iniciamos a investigação acerca do imigrante espanhol, há décadas atrás, pretendíamos recuperar aspectos que pudessem singularizar esse contingente que, apesar de ser considerado a terceira maior corrente a desembarcar no Brasil no período da imigração em massa, mantinha-se silenciado pela historiografia.</p> <p>De fato, ofuscado pelo italiano, de inegável superioridade numérica, o imigrante espanhol, cujos números, baseados nas estatísticas locais, atingiram meio milhão de indivíduos, ingressados especial mente na primeira vintena dos Novecentos, permanecia como coadjuvante, como personagem de uma história de reticências.</p>

A emigração do distrito do Porto para o Brasil durante a I República Portuguesa (1910-1926)

<p>O presente trabalho inscreve-se no âmbito do projeto de investigação Emigração de Portugal para o Brasil. Dinâmicas Demográficas e Discurso Político, que o CEPESE tem desenvolvido nos últimos anos, e constitui o resultado de uma investigação realizada sobre a emigração feita a partir do distrito do Porto p ara o Brasil durante a r República Portuguesa, isto é, entre os anos de 1910 e 1926. Para tal, recolhemos e tratamos os dados que constam dos livros de registos e dos processos de passaportes produzidos pelo Governo Civil do Porto e que se encontram depositados no Arquivo Distrital do Porto. Porém, uma vez que o regime republicano foi implantado em outubro de 1910 e terminou em maio de 1926, optámos por considerar na nossa análise os dados referentes aos passaportes emitidos entre 1 de Janeiro de 1911 e 3 1 de dezembro de 1926.</p>

Um boletim da emigração portuguesa - O Correio (1972-1974)

<p>Durante o período salazarista, as políticas emigratórias portuguesas procuraram controlar as saídas legais p ara o estrangeiro. No período da "Primavera Marcelista", aparece-nos um novo discurso político, que virá regular e reorganizar a questão da emigração, valorizando as políticas sociais de apoio ao emigrante Este trabalho, realizado no âmbito do projeto de investigação do CEPESE, sobre a emigração portuguesa para o Brasil, pretende analisar o Boletim Informativo O Correio - de 1972 a 1974 - enquanto instrumento de comunicação entre o Secretariado Nacional da Emigração e as comunidades emigrantes portuguesas no Mundo e insere-se no projeto do doutoramento A emigração portuguesa durante o Estado Novo através da legislação e circulares do governo (1948 -1974), que estamos a desenvolver.</p>

Os efetivos migratórios registados pelo governo civil do Porto para o Brasil (1852-1854)

<p>O facto de apenas existirem estatísticas oficiais quanto ao volume dos efetivos migratórios portugueses posteriores a 1855, tem desincentivado o estudo da emigração portuguesa para o Brasil nos anos anteriores a esta data, originando uma importante lacuna no estudo deste fenómeno. Com efeito, as migrações constituem um dos mais interessantes fenómenos das relações internacionais, antecedendo até o conceito de Estado e mesmo o de Civilização. O período em análise, compreendido entre os anos de 1852 e 1854, é marcado por fortes alterações internas em Portugal, quer a nível político, quer no plano económico: pela 'Regeneração' e pelo 'Fontismo' (política de fomento de Fontes Pereira de Melo). São iniciados os primeiros trabalhos para a construção das vias férreas; a modernização da agricultura; a desvinculação da propriedade e a extinção dos pastos comuns; o lançamento do ensino técnico e profissional, a partir de 1852-1853; a emergência de um processo de industrialização moderno; o desenvolvimento do associativismo; a proliferação das sociedades anónimas; o triunfo da estatística; a reforma do sistema de pesos e medidas; a unificação do sistema bancário; ou seja, todo um conjunto de fatores, mecanismos e instrumentos de mudança e inovação técnica, acompanhados de uma transformação social, política e das mentalidades, que marcaram definitivamente a rutura com o passado, anunciando e alicerçando, de modo irreversível, o Portugal do presente. E, paralelamente, a emigração durante estes anos, e seguintes, não deixará de crescer, a demonstrar que, apesar de um inegável crescimento económico, Portugal não dispunha de condições para fixar toda a sua população.</p>

Casamentos de portugueses no arquivo da Paróquia Coração de Maria em Santos, no bairro de Vila Mathias (1915-1920)

<p>A partir da segunda metade do século XIX, a economia do café dirige os destinos do Brasil, trazendo a riqueza ao país, principalmente no território da província e depois estado de São Paulo, que começava a sair de séculos de estagnação, pelo pequeno ciclo da cana-de-açúcar, no século X I X . Inúmeras levas de emigrantes chegaram ao Brasil em várias regiões, por vários motivos, e apadrinhados por política governamental.</p>

O historiador luso-brasileiro João Lúcio de Azevedo (1855-1933)

<p>João Lúcio de Azevedo formou-se em Comércio pelo Instituto Industrial e Comercial de Lisboa em 1872, no ano seguinte emigrou para o Brasil, mais precisamente para o Pará, onde viveu por 27 anos. Veio, inicialmente, para trabalhar na empresa de exploração de borracha e navegação fluvial do tio, mas seu primeiro emprego foi na Livraria Tavares Cardoso, da qual tornou-se proprietário alguns anos mais tarde. Somente em 1885 assumiu os negócios da família, já casado com a prima Ana da Conceição Botelho. Nesse mesmo ano, naturalizou-se brasileiro.</p>

Ramon de Baños, o início do cinema na Amazônia

<p>Durante o VII seminário internacional sobre a (E)migração Portuguesa para O Brasil apresentaram-se comunicações sobre tipos de emigrantes que chegaram ao Brasil. D e diferentes classes sociais eles viajavam nos mesmos barcos ocupando classes de acomodações distintas. Alguns deles, no caso de meninos órfãos ou sem recursos, chegavam a ser "vendidos como escravos" em portos do Brasil.</p> <p>Outros, por outro lado, chegavam de primeira classe com documentos prontos e dinheiro para investir ou começar uma nova vida como fazendeiros ou como comerciantes, ou ainda para ocupar cargos seguindo seus ofícios. O nosso personagem pertence a este último grupo mais privilegiado que foi ao Brasil a "hacer las Americas”.</p>

Portugueses, italianos e franceses nos círculos artísticos de Belém do Pará (1880-1920)

<p>Nos fins do século XIX, a elite intelectual paraense e os apreciadores das artes viam na pintura, em especial no retrato, uma espécie da narrativa visual enunciadora de civilidade. O gênero do retrato, associado à pintura de história e às paisagens rurais e urbanas invadiu e movimentou um novo mercado das artes, universo crescente na sociedade da borracha. Artistas-viajantes, muitas vezes migrantes, especialmente italianos e franceses, trouxeram a Belém, mais do que suas famílias, um novo modo de vida e, ao mesmo tempo, atuaram como mediadores no exercício intelectual de exploração dos limites do olhar. Cenas e horizontes inventados pelos traços da pintura, lugares contrastantes com a realidade vivida, capazes de reter a contemplação dos expectadores eram buscados pelos compradores de telas e retratos. Um projeto de arte republicana se desenhou em diálogo com os projetos políticos do risorgimento e da Unificação Italiana (1870), da Terceira República Francesa (1870) e com o republicanismo português (1876).</p>

Portugueses no universo do trabalho manauara (1880-1920)

<p>Podemos rastrear e mensurar a presença e influência portuguesa no Amazonas a partir de diversas dimensões seja no debate acerca da arquitetura urbana; seja na introdução de hábitos e valores que ganhavam com insistência espaço nos códigos de posturas; seja nos álbuns anuais, na escrita dos memorialistas, nos discursos das autoridades ou ainda nos inúmeros periódicos que veicularam na cidade de Manaus.</p>