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A emigração açoriana para o Brasil: ritmos e destinos

<p>Em várias teorias migratórias é destacada a importância das características dos territórios de origem e de destino, facto que respeita a todas as deslocações populacionais, principalmente as de longa distância. Se os aspectos económicos surgem como os factores principais, não devem ser negligenciados outros, que configuram os contextos políticos nacionais e internacionais, principalmente visíveis em certos períodos históricos. É neste quadro conceptual que nos situamos para aqui abordar a emigração açoriana para o Brasil, sublinhando que, na pluralidade açoriana, a ilha surge como a unidade de análise específica, identitária da evolução desta região arquipelágica.</p>

Imigrantes açorianos em São Paulo: tempos, tradições e transformações

<p>Os fenômenos migratórios da contemporaneidade vislumbram o estabelecimento de novos fluxos demográficos, e, apesar das tensões já postas, não se pode prever todo o seu desencadeamento e amplitude, mas projetam-se vetores de deslocamentos e pólos de atração. Como tudo que desempenha a função de revelação dos conflitos e crises, as migrações internacionais também criam oportunidades de reavivar as questões em torno do tema e recuperar sua trajetória na história.</p>

Três mulheres em seus tempos: vivências de portuguesas no Brasil, da colônia aos nossos dias

<p>Após muito tempo de atenção aos destinos coletivos, pode-se afirmar que o indivíduo está novamente presente nas reflexões dos historiadores. Dentro dessa nova preocupação, o gênero biográfico vem ganhando espaço em estudos voltados à restauração do papel dos indivíduos na construção dos laços sociais, trazendo à tona a temporalidade onde se desenrolam as vidas humanas, sem descartar a influência do contexto maior em que os sujeitos estão inseridos.' Faz-se, assim, uma "história pessoal que não tenta substituir outras formas de história ... nem é um substituto para o estudo do comportamento coletivo, instituições e comunidades, mas sim, seu complemento". Diferentemente da biografia tradicional que priorizava demasiadamente o indivíduo, fazendo a história dos grandes vultos, essa nova abordagem busca hoje articular as trajetórias individuais aos contextos nos quais elas se realizaram, como via de mão dupla. Nesse caso, a biografia pode desenvolver, além das interpretações sobre a época em viveu certo personagem, outras perspectivas que mostrem suas experiências particulares, passagens pitorescas de sua vida e, até mesmo, suas emoções e sentimentos mais ocultos.</p>

Imigração portuguesa em São Paulo : memórias, gênero e identidade

<p>Falar da imigração portuguesa constitui "o resultado histórico de um encontro entre o sonho individual e uma atitude coletiva''. Essa frase sintetiza a importância das histórias de vida para entender o conjunto das experiências humanas no processo histórico, ou a articulação existente entre os indivíduos e as transformações sociais. Podese dizer que, se as pressões agem sobre os indivíduos, estes elaboram essas pressões de acordo com sua experiência pessoal, transmitida por gerações através das tradições.</p>

Vila Madalena e a imigração portuguesa: cultura, trabalho, religião e cotidiano

<p>Há milhares de anos, os homens, por razões as mais diversas, vêm se transferindo de um país para outro, ou de uma região para outra. Essa atitude não ocorre de forma isolada, pois os envolvidos nesses deslocamentos buscavam novas oportunidades, por razões de sobrevivência e de trabalho, por razões político-ideológicas, climáticas, sociais, econômicas, ou até por busca de conhecimentos variados. Essas ondas sucessivas de deslocamentos humanos voluntários modificavam rapidamente a demografia dos países. E não podemos deixar de citar, também, os deslocamentos forçados, como os dos africa nos séculos 17, 18 e 19, trazidos para a América como escravos.</p>

Portugueses em Santos (SP) - 1890-1930: cultura arquitetônica e estratégias espaciais

<p>A casa do imigrante português no Brasil é objeto de um estudo proposto juntamente com o arquiteto Victor José Baptista Campos, do corpo técnico do Condephaat (Conselho de Defesa do Património Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), no sentido de investigar, além dos componentes históricos, o programa, o sistema construtivo e o repertório formal que definem esse tipo de arquitetura ou "cultura arquitetônica" desenvolvida no Brasil, comparando-a com a arquitetura popular portuguesa, sobretudo a do Centro Litoral e Madeira.</p>

O colyseu: arena de touros e toureiros do além-mar - Belém do Pará (1894-1900)

<p>Em 1900, os intelectuais mais ilustres da cidade de Belém do Pará são convidados a escrever para um ''Álbum Comemorativo" intitulado O Pará - 1900, num balanço das diversas áreas do conhecimento, como a geografia, as ciências da natureza, a meteorologia e a climatologia médicas, os estudos sobre mortalidade e natalidade, a higiene, a patologia médica, a etnografia, a história e a imprensa no Pará. O propósito dessa brochura encomendada pelo governador do Pará, dr. José Paes de Carvalho era comemorar os quatrocentos anos da descoberta do Brasil como também propagandear as benesses da região, e em especial do estado do Pará, num esforço para demonstrar que era possível construir uma "civilização" nos trópicos.</p>

A sociedade portuguesa em Curitiba: um projeto identitário (1878-1900)

<p>A experiência da imigração leva o indivíduo a ter um novo olhar sobre o outro, a posicionar-se diante do desconhecido, a perceber diferenças e semelhanças, enfim, a estabelecer relações que se constroem com base na alteridade. Assim, refletir sobre o fenômeno social da imigração e as implicações que dele decorrem remete a outro conceito, o de identidade social, cuja produção se dá invariavelmente no campo das relações de poder.</p>

Imigração: identidade e integração, 1903-1916

<p>Nas primeiras décadas do século 20, alguns intelectuais, fazendo aquilo que era o seu ofício, ou seja, pensar a realidade e tentar racionalizá-la, buscavam explicar o grau de desenvolvimento de nossa sociedade em comparação com outras, principalmente a norte-americana, já então hegemónica, afirmando que o brasileiro era caracteristicamente insolidário. Esse era o caso de Alberto Torres, Manoel Bonfim, Nestor Duarte, Sérgio Buarque de Holanda e Oliveira Viana, este último o que mais se dedicou a defender essa tese.</p>

O imigrante e a imigração portuguesa no acervo da Justiça Federal do Rio de Janeiro (1890-1930)

<p>Em finais do século XIX e início do XX, o Brasil foi pólo de atração de imigrantes. Em&nbsp;especial, as cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro acolheram estas levas de estrangeiros pela&nbsp;riqueza de suas vidas política, cultural, social e econômica. As diferentes correntes migratórias&nbsp;de São Paulo atraíram estudiosos, mas poucos se interessaram pela pesquisa sobre imigração&nbsp;para o Rio de Janeiro, sobretudo porque a maior leva migratória foi de lusitanos, cuja presença&nbsp;foi naturalizada pela nossa colonização. Nos limites deste artigo, mostraremos como aspectos da&nbsp;vida do imigrante português podem ser abordados a partir dos processos que dispomos no&nbsp;Arquivo da Justiça Federal – 2.ª Seção, situado no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.</p>

Imigrantes portugueses em São Paulo e a educação em Portugal nos inícios do século XX

<p>Focalizamos nossa atenção na imigração portuguesa, ainda pouco estudada no contexto metropolitano&nbsp;de São Paulo, visando apreender as representações de integrantes de famílias de imigrantes&nbsp;sobre seus cotidianos, as vivências e estratégias que desenvolveram no contexto da pluralidade<br /> de grupos sociais e das transformações ocorrentes nesta cidade; também conhecer as&nbsp;instituições ligadas aos mesmos, sua estrutura e funcionamento. Tratamos de modo especial das&nbsp;relações estabelecidas no campo educacional, evidenciando como havia simultaneamente uma&nbsp;preocupação dos imigrantes com a melhoria da educação em Portugal, assim como uma inserção&nbsp;no campo educacional paulista.</p>

Monumentos à imigração: as sedes das associações portuguesas no Rio de Janeiro no início do século XX

<p>Os estudos sobre os locais de residência e trabalho dos imigrantes portugueses no Rio de&nbsp;Janeiro demarcam sua inscrição no espaço urbano, vinculando-os a determinados bairros e possibilitando&nbsp;perceber sua expansão a par da mobilidade social do grupo. O presente trabalho relaciona&nbsp;um conjunto de sedes de associações beneficentes, de auxílio mútuo, culturais, recreativas ou políticas&nbsp;portuguesas no início do séc. XX. Alocalização dessas instituições em espaços nobres da cidade,&nbsp;assim como suas configurações arquitetônicas esmeradas e monumentais são analisadas como&nbsp;estratégias desse grupo nacional para alcançar maior visibilidade no todo social em que se insere.</p>

O Brasileiro no teatro musicado português – duas operetas paradigmáticas

<p>Este estudo analisa duas operetas escritas no Porto e de assinalável sucesso popular – O Brasileiro&nbsp;Pancrácio (1893) e Os Poveiros (1921) – cujos protagonistas representam dois tipos de&nbsp;brasileiro de torna-viagem com inevitáveis similitudes mas de índole distinta. O primeiro persevera&nbsp;no estereótipo veiculado pela literatura portuguesa oitocentista: originário do Minho,&nbsp;humilde, com pouca instrução mas honesto, regressa rico na meia-idade após prolongado período&nbsp;de emigração, investindo o seu dinheiro na terra natal em benfeitorias diversas, pelo que é recompensado&nbsp;com os inevitáveis títulos honoríficos. A segunda personagem representa um tipo de&nbsp;retorno diverso: regressa ainda jovem por razões patrióticas, isto é, recusou a nacionalização&nbsp;brasileira que a lei exigia e prefere o repatriamento com honra mas sem dinheiro; assume foros&nbsp;de herói nacional que coloca o orgulho de ser português à frente de qualquer ambição material.&nbsp;Duas personagens de brasileiros distintos mas simultaneamente idênticas: ambas idolatradas&nbsp;no regresso a casa, uma porque representa a possibilidade de investimento e progresso, a outra&nbsp;porque, em tempos de crise nacional, representa a esperança na regeneração da pátria, mesmo&nbsp;abatida.</p>

Portugueses do Norte de Portugal com destino ao Brasil (1805-1832)

<p>Em trabalho já publicado, com o título A Companhia do Alto Douro e a emissão de passaportes&nbsp;para o Brasil, tivemos oportunidade de chamar a atenção para os portugueses do Norte de&nbsp;Portugal que, entre 1805 e 1832, saíram para o Brasil, até 1822 como “passageiros”, no quadro&nbsp;do império colonial, e a partir de então, como emigrantes. Com este trabalho, damos agora a&nbsp;conhecer os nomes desses portugueses que, pelas mais variadas razões, pretenderam deslocar-se&nbsp;para o Brasil, a maior parte deles porque já tinha família a viver naquele território, mas também&nbsp;porque eram pobres e não tinham meios de subsistência em Portugal, sobretudo após as invasões&nbsp;francesas (1807-1811).</p>

A presença portuguesa no Rio de Janeiro segundo os censos de 1872, 1890, 1906 e 1920 dos números às trajetórias de vida

<p>A imigração de massa iniciada nos anos 1870 e adensada nos 1890 representou, no Rio de&nbsp;Janeiro, a consolidação da presença portuguesa na cidade, com a consagração dos fluxos orientados&nbsp;do norte de Portugal. Esses fluxos acompanharam os capítulos finais do processo de transição&nbsp;para o trabalho livre e a expressiva urbanização que resultou do desenvolvimento da&nbsp;lavoura cafeeira. Dedicados ao comércio varejista, os imigrantes portugueses acompanharam a&nbsp;expansão da malha urbana, podendo ser localizados nas diversas freguesias sub-urbanas. Utilizando&nbsp;os resultados dos censos de 1890 e 1920 como fontes privilegiadas, o trabalho pretende&nbsp;não só mapear a presença portuguesa nos diversos rincões do espaço urbano quanto discutir&nbsp;como esta presença se fez marcante em determinados setores do mercado de trabalho da cidade.</p>

O tesouro medieval da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal – uma herança preservada

<p>A Santa Casa da Misericórdia de Setúbal é proprietária de três peças de ourivesaria gótica de grande interesse artístico e histórico que pertenceram à Confraria e Hospital de Nossa Senhora da Anunciada e que se encontram actualmente em depósito e expostas no Museu de Setúbal / Convento de Jesus. Ao longo de quase quatro séculos, os irmãos da Confraria lutaram pela sua afirmação e autonomia local, procurando impedir a anexação do seu hospital pela Misericórdia da Setúbal, o que veio, de facto, a verificar-se, em 1869. A história desta resistência afectou, necessariamente, o destino do seu rico tesouro e explica, talvez em parte, a sobrevivência destes três objectos sacros de grande significado social, económico e simbólico: uma cruz de prata e cristal da rocha oferecida pelo rei D. João II com o seu estojo de couro, um rico cálice de prata dourado e um relicário mandado fazer, de acordo com a tradição, por D. Manuel I, irmão da Confraria, que expõe uma relíquia do Santo Lenho e a pequena imagem de Nossa Senhora com o Menino, na qual radicam as origens lendárias da cidade: a estatueta de madeira recolhida por uma pobre mulher numa praia do Troino que, prodigiosamente, escapou ao fogo da lareira de uma humilde casa deste lugarejo. A primeira associação confraternal de Setúbal nasceu a partir de um milagre e, estas três peças que lhe pertenceram, materializam e perpetuam a memória do seu magnífico passado.</p>

Maestros y talleres portugueses en el Hospital Real de Santiago de Compostela

<p>Esta comunicación pretende aproximarnos a un capítulo concreto de la historia del arte, aquella en la que el Hospital Real de Santiago de Compostela se convierte en el núcleo artístico de referencia en el Noroeste Peninsular, y en el centro de experimentación para los talleres de artistas portugueses y españoles que colaboran en la construcción y decoración de este emblemático edificio, originándose así un intercambio de ideas, formas y sensibilidades entre Galicia y Norte de Portugal en la Edad Moderna.</p>

O tema da Misericórdia nas pinturas da Santa Casa do Rio de Janeiro no período colonial

<p>Este trabalho destaca o tema de Nossa Senhora da Misericórdia através da análise das pinturas pertencentes à Santa Casa do Rio de Janeiro, com enfoque no período colonial. Privilegiando uma abordagem crítica da História da Arte, aquela que a integra no campo sociocultural, procura esclarecer de que modo a arte vai reflectir a política de instituição das Santas Casas da Misericórdia em Portugal e no Brasil, relacionando devoção, assistencialismo e poder.</p>

A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro e sua importância no contexto luso-brasileiro

<p>As Santas Casas de Misericórdia em Portugal e no mundo português cuja actuação, especialmente a partir do século XVII, inegavelmente participou do fortalecimento da administração portuguesa nas terras do Reino. Considerações em especial, referentes à Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, uma das mais importantes do Brasil, cuja história se confunde com o desenvolvimento e a história da cidade, em especial quando passou de simples cidade litorânea a capital do Vice-Reino, por sua localização estratégica enquanto porto escoador das riquezas da região das Minas Gerais, antecedendo o seu papel de capital do Reino Unido ao de Portugal e Algarves, resultante do ato de elevação do Brasil a tal condição, por razões políticas já conhecidas. Nesse contexto, assiste-se a transformação da sociedade local, no seio da qual evoluiu rapidamente uma burguesia formada especialmente por comerciantes esclarecidos e enriquecidos, que viriam a desempenhar um papel muito importante na administração das Ordens Terceiras instaladas na cidade. A memória desses personagens se perpetua na Galeria de Retratos da Santa Casa do Rio de Janeiro, colecção extremamente importante, que chama a atenção pelas características observadas como obras de arte e como testemunhas de uma época, cujo contexto remete a um ciclo de grande importância na história da cidade do Rio de Janeiro.</p>

El rostro del Buen Samaritano. Obras de misericordia e iconografía asistencial en torno a los caminos de Santiago

<p>La peregrinación guarda una estrecha relación con las obras de misericordia y, en especial, con la caridad. La iconografía vinculada con la peregrinación permite descubrir los lazos que unen arte, devoción y mentalidad en relación con las obras de caridad. Desde la Edad Media al siglo XVIII se analizará como la identificación del peregrino, pobre y enfermo son una constante.</p>