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VARIAÇÃO SEMÂNTICO-LEXICAL NO PORTUGUÊS BRASILEIRO: FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS NOS DADOS DO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL – BAHIA E PARANÁ
Esta pesquisa tem por objetivo fornecer um melhor entendimento sobre o Português Brasileiro, limitado às cidades que fazem parte do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) na Bahia e no Paraná. O corpus usado neste estudo é um extrato dos dados do ALiB, relativo aos estados da Bahia e do Paraná e consiste das questões 7, 8, 9 e 10 do Questionário Semântico-Lexical (QSL), que se referem à área semântica fenômenos atmosféricos. Utilizamos o método geolinguístico para a análise espacial dos dados e baseamos nosso estudo em princípios teóricos da Dialetologia e Lexicologia. Examinamos a presença ou ausência de Africanismos, Indigenismos e palavras estrangeiras em ambos os estados. Damos ênfase ao aspecto diatópico. Substantivos, incluindo sintagmas nominais, representam a maioria dos itens lexicais encontrados. Este estudo comparativo em ambos os estados: (i) mostra coincidências em ambas as áreas; (ii) apresenta diferenças.
2022-12-06T15:49:37Z
Oliveira, Genivaldo da Conceição
AS DESIGNAÇÕES PARA “PROSTITUTA” EM TERRAS DO SEM FIM, OBRA DE JORGE AMADO
As obras literárias são verdadeiros repositórios de informações não só de cunho literário mas de variações linguísticas, culturais, sociais e históricas. Neste sentido, trazem em seu bojo não apenas a visão de mundo de seus autores, mas recortes bem detalhados do modus vivendi de um determinado grupo sócio-histórico-cultural. Deste modo, o léxico representa o acervo no qual se depositam todas as manifestações linguísticas, literárias e culturais de uma dada sociedade. Neste sentido, desde que o homem passou a nomear os seres, animados ou inanimados, que os rodeia, o fez a partir dos fluxos sociais, culturais e históricos. No entanto, esse acervo e o modo de ver o mundo variam de língua para língua, de sociedade para sociedade, pois cada grupo tem sua maneira própria de conceber e de se expressar, sendo isso refletido na forma como categoriza as entidades componentes de sua realidade linguística e cultural. Seguindo nessa direção, Jorge Amado, escritor baiano que viveu no período compreendido entre os anos de 1912 a 2001, imprime em seus textos lexias representativas não só do falar baiano, mas da língua portuguesa, mais especificamente da variedade brasileira, as quais contam com teores semânticos bem peculiares. Enveredando pelo estudo do léxico da obra referida, foram encontradas variações lexicais para o termo “prostituta”, constando lexias como “puta”, “mulher dama”, “rameira”, “rapariga”, “mulher da vida”, “mulher fácil”, “mulher de má vida”, “amásia”, as quais revelam algumas das concepções inferidas na sociedade acerca da mulher que usa a sexualidade como instrumento de trabalho para obter o próprio sustento. Destarte, pretende-se com este trabalho apresentar o estudo dessas variações lexicais à luz da Lexicologia, a qual trata da estruturação e organização do léxico de uma dada língua, fazendo os devidos imbricamentos entre língua, literatura, cultura e sociedade.
2022-12-06T15:49:37Z
Queiroz, Rita de Cássia Ribeiro de
O PRONOME VOCÊ E SUA VARIANTE CÊ: UM ESTUDO (SOCIO)FUNCIONAL
No presente artigo, descrevemos o estudo de base sociofuncionalista, desenvolvido a partir de uma amostra composta por dois corpora orais da comunidade de Vitória da Conquista – BA, visando comprovar a variação das formas linguísticas você e cê no referido vernáculo. Para realização desta pesquisa, consideramos oito variáveis independentes, três sociais e cinco linguísticas. Localizamos 405 (quatrocentos e cinco) ocorrências das duas variantes em estudo, sendo 58% delas de você e 42% de cê. Após o tratamento dos dados, o programa GoldVarb selecionou quatro variáveis como mais significativas estatisticamente, a saber: idade, sexo, escolaridade e paralelismo pronominal. Comprovamos a coocorrência das duas formas em foco, confirmando a hipótese geral desse trabalho. Esses resultados obtidos nos levam a considerar que as formas se encontram em variação estável. Além disso, a despeito da forma você ser favorecida pelas mulheres, o que a caracterizaria como de prestígio, não julgamos a forma sincopada cê como estigmatizada, já que os informantes mais escolarizados, por seu turno, favoreceram o seu uso em nossa amostra.
2022-12-06T15:49:37Z
Rocha, Warley José Campos Santos, Lorenna OIiveira dos Sousa, Valéria Viana
VARIAÇÃO NÓS E A GENTE NA FALA CULTA DA CIDADE DE MACEIÓ/AL
Analisamos a variação nós e a gente na posição de sujeito na fala culta da cidade de Maceió. Para tanto, seguimos os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação e Mudança (LABOV, 2008 [1972]) e utilizamos o programa GOLDVARB X para a análise estatística dos dados. De acordo com os resultados obtidos, verificamos que a gente é variante preferida, sendo essa variação condicionada pelas variáveis paralelismo formal, preenchimento do sujeito e faixa etária, com o pronome a gente sendo mais frequente nos seguintes contextos: a gente antecedido por a gente, expressão plena do sujeito e falantes mais jovens, caracterizando-se como um processo de mudança linguística.
2022-12-06T15:49:37Z
Vitório, Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar
TOPICALIZAÇÃO DO SUJEITO EM PERSPECTIVA VARIACIONISTA
Neste artigo, analisamos, com base em postulados da Sociolinguística Variacionista, usos de topicalização ou não do sujeito. A investigação valeu-se do banco de dados NURC-RJ e considerou a atuação dos fatores extensão do sujeito, animacidade, definitude, estatuto informacional e tipo de inquérito, mediante análise estatística no programa GOLDVARB. Os resultados referentes a 853 dados mostraram somente 6,7% de construções de tópico-sujeito, condicionadas, estatisticamente, apenas pelos fatores sujeito extenso (peso relativo 0,735) e mais animado (peso relativo 0,712).
2022-12-06T15:49:37Z
Coan, Márluce Cavalcante, Sávio André de Souza Peixoto, Karla Maria Marques Silva, Meire Celedônio da Albuquerque, Micheline Guelry Silva
INVESTIGANDO A SELEÇÃO ESTATÍSTICA DE VARIÁVEIS SOCIAIS: UMA ANÁLISE DO USO VARIÁVEL DO PRESENTE DO MODO SUBJUNTIVO EM AMOSTRAS DE FALA DE FLORIANÓPOLIS/SC E LAGES/SC
Com o objetivo de investigar a correlação entre as variáveis sociais escolaridade e sexo e o uso variável do presente do modo subjuntivo em amostras de fala de Florianópolis/SC e de Lages/SC, estendemos a discussão para a interpretação de cruzamentos dessas duas variáveis associadas à variável linguística projeção temporal. A metodologia aplicada à investigação dos dados permitiu ressignificar a importância das variáveis sociais em análise.
2022-12-06T15:49:37Z
Pimpão, Tatiana Schwochow
O LUGAR DA COGNIÇÃO (OU DA LEITURA?) E O PAPEL DO CÉREBRO (OU DO LEITOR?): REFLEXÕES EM SALA DE AULA
Neste artigo, faço um balanço crítico das discussões e reflexões surgidas durante a disciplina “Aspectos metacognitivos e sociocognitivos da leitura e da escrita”, ministrada no segundo semestre de 2015, no contexto do Mestrado Profissional em Letras (Profletras) no campus de Itabaiana da Universidade Federal de Sergipe. Os questionamentos surgidos em sala de aula proporcionaram um debate fecundo sobre as relações entre educação e conhecimento humano, às expensas, talvez, do fiel cumprimento de nosso plano de curso. Duas questões em particular – o papel do cérebro nos processos de aprendizagem e leitura e a definição de cognição – geraram a maioria das discussões, que procuro, neste artigo, reproduzir e comentar. Ainda que os debates tenham tido um caráter coletivo, envolvendo toda a classe, o modo que escolhi para abordá-los e as opiniões e argumentos desenvolvidos no presente texto são de minha inteira responsabilidade.
2022-12-06T15:49:37Z
Vianna, Beto
ESTUDO SOCIOTERMINOLÓGICO DA VARIAÇÃO/MUDANÇA EM MANUSCRITOS MILITARES DOS SÉCULOS XVIII E XIX
Este artigo apresenta uma pesquisa de cunho variacionista da linguagem de especialidade militar. Os corpora são dois manuais manuscritos, setecentista e oitocentista- respectivamente, de tática de infantaria. Nosso objetivo principal consistiu em analisar as variantes coocorrentes de registro do campo nocional acessórios de recursos humanos, com base no aporte teórico da socioterminologia (FAULSTICH, 2001) em diálogo com a sociolinguística variacionista (LABOV, 2008; ECKERT, 2004). A partir do tratamento quantitativo e qualitativo dos dados, explicamos as diferenças de frequência dos termos a partir da noção de estilo e da visão socioterminológica de viés tipológico-funcional da linguagem de especialidade militar.
2022-12-06T15:49:37Z
Marengo, Sandro Marcío Drumond Alves Cambraia, César Nardelli
Apresentação
No summary/description provided
2022-12-06T15:49:37Z
Chamorro, Antonio Chicharro Ramalho, Christina
SISTEMA LITERÁRIO E CAMPO DE PRODUÇÃO CULTURAL: OS ENTORNOS DE CANDIDO E BOURDIEU
O objetivo do presente trabalho é tecer comparações entre o “sistema literário”, de A. Candido, e o “campo literário”, de P. Bourdieu, no que diz respeito ao surgimento de ambos os conceitos nos contextos istoriográficos das literaturas brasileira e francesa. Ambas as contribuições conceituais, portanto, guardam ensinamentos internos e externos para uma compreensão de como a História e a Literatura se aproximam e se tocam: em Candido, o “sistema” relaciona-se ao contexto estritamente histórico da segunda metade do século XVIII como um dos “momentos decisivos” na Formação da Literatura Brasileira; em Bourdieu, o “campo” é exposto e ganha sua autonomização na metade do século XIX, segundo As regras da arte. As conclusões deixam claro que apesar de os conceitos se irmanarem, as realidades francesa e brasileira sempre foram (e ainda são) irremediavelmente dissimilares e, por não operarem na mesma faixa, mesmo as suas mais visíveis semelhanças não podem ser totalmente levadas em conta.
2022-12-06T15:49:37Z
Frota, Wander Nunes
CASA-GRANDE & SENZALA: A ESCRITA LITERÁRIA DO SOCIÓLOGO QUE DISSEMINOU UM MITO NOS ANOS 1930
Argumenta-se a favor da literariedade presente em Casa grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal, uma obra consagrada como um estudo socioantropológico. Questionado pela historiografia, o texto pode ser considerado como a narrativa de um mito. Polemizamos a atribuição à referida obra, de Gilberto Freyre, publicada em 1933, como precursora do enunciado da democracia racial. Trata-se de uma narrativa que engendrou um imaginário e compartilhou do mesmo lugar de memória de cânones literários que lhe foram contemporâneos, modificando o paradigma acerca das alteridades que formam a Nação Brasileira, embora não tenha incluído políticas afirmativas.
2022-12-06T15:49:37Z
Santos, Camilla Ramos dos Rocha, Marlúcia Mendes da Carvalho, Isaías Francisco de
A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO POLÍTICO FEMININO EM A CANDIDATA DE VERA DUARTE
Expõe-se como a literatura, a partir da experiência humana, foi utilizada pela autora Vera Duarte, como suporte no percurso de construção do espaço público na escrita da protagonista de A candidata (2012), a fim de viabilizar a emancipação desta personagem, que se tornou a primeira mulher candidata à Presidência de seu país, Cabo Verde. Assim, faz-se necessário compreender a discussão da trajetória política de gênero e as implicações que dificultam ações concretas na construção de uma democracia efetivamente paritária. Toma-se como base teórica para realização das discussões no campo literário: Todorov (2014) e Simone C. Gomes (2008) e no campo feminista, pesquisadoras como: Judith Butler (2003), Amélia Valcárcel (2012), entre outras.
2022-12-06T15:49:37Z
Santiago, Denise Sacramento, Sandra Maria Pereira do
DO JORNAL PARA O ROMANCE: A HISTÓRIA DE UM ASSASSINATO EM O RETRATO, DE ERICO VERISSIMO
O assassinato do senador Pinheiro Machado provocou comoção nacional e foi fartamente explorado pela imprensa de todo o país em 1915. Na contexto histórico de O retrato, segunda parte da trilogia O tempo e o vento, o escritor Erico Verissimo recupera no universo da fictícia cidade de Santa Fé o perfil do político e a repercussão de sua morte. Para produzir um efeito de verdade nos fatos que envolvem o crime, o autor recorre ao conteúdo dos jornais da época, incrementando a narrativa com detalhes reportados pelos jornalistas. Neste artigo analisamos as implicações das notícias de jornal na representação de um evento histórico concreto.
2022-12-06T15:49:37Z
Alves, Márcio Miranda
TRAVESSIAS DO “BARCO NEGRO” – O SEQUESTRO DA MÃE NEGRA
Este ensaio pretende discutir a composição do batuque “Mãe Preta”, de Caco Velho (Mateus Nunes) e Piratini (António Amábile), interpretada como fado português por Amália Rodrigues, a partir de poema de David Mourão-Ferreira, no filme “Les Amants du Tâge”. Método: As discussões tiveram como base os estudos realizados por Carlos Sandroni (2001), Nei Lopes (2003), Maurício Barros de Castro e Alexandre Felipe Fiuza sobre as origens do batuque e do samba. Trata-se, portanto, de um estudo comparado entre música e poema, passando também pela questão da autoria. Resultados e conclusões do trabalho: A ditadura salazarista impediu interpretações da música brasileira com a temática da escravidão, o que levou à modificação temática do batuque, substituindo o canto de lamento da escrava pelo lamento de despedida de uma mulher que acompanha, da praia, a partida do seu amado, na composição portuguesa.
2022-12-06T15:49:37Z
Oliva, Osmar Pereira
GILLES DELEUZE E A POTÊNCIA DO PENSAMENTO SUBALTERNO: POR UM ARTE-EDUCADOR MENOR
Trata-se de um mapa das principais noções e operadores da filosofia de Gilles Deleuze, além de uma experimentação teórica articulando alguns desses operadores com a política cultural brasileira contemporânea, inclusive no âmbito da escola. O arte-educador-menor, como um ativista dos signos, é um dos principais resultados e um modo rizomático de situar o filósofo do acontecimento no cerne da cultura subalterna.
2022-12-06T15:49:37Z
Santos, Osmar Moreira dos
ARQUIVOS E INTERTEXTOS CULTURAIS
Este artigo traz uma proposta comparatista da exploração do conceito de intertexto cultural como uma ferramenta de ampliação da interpretação do texto literário a partir da herança teórica dos Estudos Culturais e Pós-coloniais. O intertexto cultural funciona como uma âncora dos processos ideológicos que o texto carrega. Para este trabalho, a intertextualidade pode ser vista como um diálogo ou como um conflito entre estruturas textuais e extratextuais e pode ser usada como uma ferramenta interpretativa. Nesse processo, o intertexto é portador de um trânsito de sentidos e interferências renováveis aos estudos literários, pois reforça a condição do texto como arquivo histórico e estético. Metodologicamente, desenvolve-se a construção do conceito de intertexto cultural por meio das categorias teóricas: intertextualidade, arquivo e hibridismo, respectivamente, propostos por T. Samoyault, J. Derrida e H. Bhabha.
2022-12-06T15:49:37Z
Gomes, Carlos Magno
AUSÊNCIAS E FANTASMAS DA MEMÓRIA EM BAÚ DE OSSOS
Este artigo objetiva examinar histórias de fantasmas compiladas de diferentes relatos por Pedro Nava, em Baú de Ossos (1972). O método consiste na distinção entre elementos folclóricos e históricos nessas narrativas, de acordo com os estudos de Câmara Cascudo, Gilberto Freyre, Linda Degh e outros. O propósito é demonstrar que a origem de algumas histórias locais permanece anônima, enquanto outras descrevem experiências pessoais de protagonistas e testemunhas reais. A análise sugere que a natureza complexa e fragmentária das experiências sobrenaturais narradas não se restringe a um espaço significativamente específico.
2022-12-06T15:49:37Z
Gabriel, Maria Alice Ribeiro
O FOLHETO DE CORDEL NA CRÍTICA DE MÁRIO DE ANDRADE
O objetivo deste artigo é descrever o possível processo de crítica literária que o escritor modernista Mário de Andrade desenvolveu diante da produção de folhetos de cordel do Nordeste brasileiro e que se revela em sua diversificada produção, envolvendo suas notas marginais e de pesquisa presentes em folhetos de sua coleção particular, suas crônicas, seus artigos, suas cartas e seus manuscritos da Gramatiquinha da fala brasileira, materiais essenciais para sua avaliação.
2022-12-06T15:49:37Z
Roiphe, Alberto
ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE AS DONZELAS GUERREIRAS DIADORIM E MONJA ALFEREZ
O presente artigo tem por objetivo traçar uma análise do mito da donzela guerreira, em suas manifestações ficcional e real/histórica. Para tanto, a título de exemplo, utilizaremos, no espaço romanesco, a personagem Diadorim, da obra Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, e sob a perspectiva do mundo real apreendido em um dado momento histórico, trabalharemos com a Monja Alferez, de Catalina Erauso.
2022-12-06T15:49:37Z
Batista, Edilene Ribeiro
Expediente
No summary/description provided
2022-12-06T15:49:37Z
Expediente, Expediente