RCAAP Repository
Vestígios de milenarismo em Alcobaça?
O Códice Alcobacense 164 da Biblioteca Nacional de Lisboa consta na realidade de dois documentos, escritos por mão diferente, com numeração independente. O primeiro, de 25 fólios, é um Antifonário da Missa, contendo as principais festas do ano, dos fins do séc. XIII. O segundo, com 7 fólios apenas, contém um Hinário e Antifonário do Ofício para a Hora de Tércia, uma ladainha (fól. 5 v.), algumas orações de preparação para a comunhão, formulários de aspersão da água lustral aos domingos, uma colecta sálmica (fól. 7 v.: Hec oratio debet dici post septem psalmos) e uma fórmula de absolvição sacramental (Talis absolutio debet fieri a confessore, super sibi confitentem), com que termina. Este manuscrito é já do séc. XIV.
2022-11-18T14:15:59Z
Bragança, Joaquim de Oliveira
O «Ordo Missae» de Reichenau
O manuscrito latino 18005 da Biblioteca Nacional de Paris tem sido estudado várias vezes já em todos os seus aspectos: paleo-gráfico, artístico e litúrgico. Os especialistas estão de acordo em datá-lo dos princípios do séc. XI. E segundo Leroquais, o último que dele fez uma análise pormenorizada, este códice foi copiado no célebre mosteiro de Reichenau, do lago Constança, a seguir utilizado em Trèves, uma vez que nele o calendário não corresponde ao santoral, mas é o desta cidade, mais concretamente ainda, segundo tudo parece indicar, o do mosteiro de S. Maximino de Trèves. A sua decoração tem lugar de relevo na história da arte, pelas belas pinturas, de página inteira, sobre os principais mistérios da vida de Cristo celebrados na Liturgia, como Natal, Epifania, Purificação, Ressurreição, Ascensão e Pentecostes.
2022-11-18T14:15:59Z
Bragança, Joaquim de Oliveira
Portez les fardeaux les uns des autres: exégèse augustinienne de Gal. 6,2
Dans le «miroir» scripturaire qu'il rédigea à la fin de sa vie pour la formation morale des chrétiens, Augustin a pris soin de recueillir les parties parénétiques des Epîtres de saint Paul. Le florilège extrait de l'Epître aux Galates se termine par la citation intégrale de Gal. 6, 1-10. Or ce recueil reflète avec exactitude le volume que l'on pourrait reconstituer si l'on groupait les prédications de saint Augustin qui prennent pour thème l'Epître aux Galates. Nous nous proposons ici de prouver cette constatation dans le cas du verset Gal. 6,2: «Portez les fardeaux les uns des autres, et vous accomplirez ainsi la loi du Christ».
2022-11-18T14:15:59Z
La Bonnardière, Anne-Marie
Ocultamento do Ser do Eu em David Hume
This short essay deals with the concealment of the being of Self in David Hume's philosophy. The process of this concealment began in late Scholasticism and attained thematic expression with John Locke's thought; for him ideas were the only object of the understanding and the concept of substance was destitute of ontological content. Thenceforth British philosophical thought was faced with two main problems: the origin of ideas, and their logical meaning. Berkley pronounced ideas to be perfectly inert and therefore quite different from Self as an active thing which thinks, wills and perceives. David Hume, again following Locke's line of thought, considered perceptions to be the only real entities, and divided them into impressions and ideas. Supposing impressions to be the primary data for human understanding, from which in turn ideas are derived, he was led to expect that amongst these impressions should be found one giving rise to the idea of Self. But, if Self is supposed to be invariably the same throughout the course of human life, and yet no single impression exists in that manner, the idea of Self must be considered an illusion. David Hume's main task was then to explain how, from unstable and ever changing impressions, such an illusive idea as Self arises, characterized by continuous perfect identity. He resolved the problem, in this case as with all ideas of substances, by demonstrating the natural human propensity to consider things, related by resemblance and causality, as if they were one and the same. Thus he came to the conclusion that «all the nice and subtle questions concerning personal identity ... are to be regarded rather as gramatical than as philosophical difficulties». In the end, however, when reviewing his assertions concerning personal identity, he was distressed to find himself in such a labyrinth that he confessed he neither knew how to correct his former opinions, nor how to render them consistent. This ontological blindness has remained a characteristic bias of British thought, still perceptible in the writings of Bertrand Russell.
The hierosolymitain origin of the catechetical rites in the armenian liturgy
O presente trabalho pretende demonstrar que a rubrica introdutória do ritual arménio do baptismo tem uma origem hierosolimitana. Para tanto comparo o texto original com os temas das leituras catequéticas que se encontram no Leccionário Arménio e com os assuntos tratados por São Cirilo de Jerusalém na suas Catequeses. Tal comparação permite descobrir que a rubrica baptismal é mais antiga do que os outros dois documentos. Esta conclusão está baseada, por um lado no esquema de catequeses que a rubrica propõe, o qual só pode ser anterior ao das leituras catequéticas e das correspondentes instruções cirilianas: a rubrica ordena-se segundo um equema de história de salvação enquanto que os outros documentos seguem a ordem do símbolo da fé; além de que outros pormenores supõem, na rubrica, uma menor evolução teológica. Por outro lado a organização litúrgica que tal rubrica supõe só pode ter existido nos fins do século III — princípios do IV. E tal organização era particular à igreja de Jerusalém. Daí a minha conclusão de que esta rubrica viu a luz do dia em Jerusalém donde teria transitado para a Arménia por ocasião das grandes traduções do século de ouro, o século V.
2022-11-18T14:15:59Z
Lages, Mário Ferreira
A Bíblia no «Leal Conselheiro»
Dom Duarte não ensinou a nossa língua apenas a reflectir: ele ensinou-a a ler as Escrituras, e nela vazou, da melhor maneira, muitas páginas dos Livros Santos. O tradutor alcobacense das Colações de João CASSIANO entendeu que devia abrir o II Volume com a transcrição do cap. XCIV do Leal Conselheiro «De que guisa se deve leer per os livros dos avangelhos...». Transformou porém o conselho do Rei numa ordem: «Em esta maneira leede per os livros dos avangelhos...».
2022-11-18T14:15:59Z
Castro, Joaquim Mendes de
Teologia moral em renovação
Neste trabalho, assinalámos como tarefas actuais e urgentes da Teologia Moral a fidelidade ao espírito e às orientações conciliares, o serviço da pessoa em toda a sua dignidade humana e cristã, o apreço das situações concretas como outras tantas horas de graça e de salvação na vida do homem, a solicitude ecuménica no estudo dos problemas morais que surgem como obstáculos no caminho para a unidade dos cristãos, o sentido verdadeiramente comunitário nas múltiplas expressões da socialização hodierna, e a criteriosa análise do fenómeno da secularização, a fim de que os processos de afirmação do homem se mantenham na linha da fidelidade a Deus.
2022-11-18T14:15:59Z
Silva, António Pereira da
A apologia «Suscipe confessionem meam»
As apologias desapareceram todas da liturgia actual, e ninguém pensa em ressuscitá-las, como ninguém pensa em voltar ao passado. Elas são o símbolo duma época e o reflexo de certa corrente de espiritualidade. Contêm todavia uma lição que nos parece ainda actual: do ponto de vista eucológico e literário, a simplicidade e a inspiração bíblica, que caracterizam toda a eucologia medieval; do ponto de vista espiritual, a humildade, a consciência nítida do pecado e da fragilidade humana, de par com uma total confiança na misericórdia de Deus.
2022-11-18T14:15:59Z
Bragança, Joaquim de Oliveira
Sur les sens de «eisdem muneribus declaratur» dans la prière sur les offrandes de la messe de l'Épiphanie
La question que nous nous proposons d'examiner est aussi ancienne que les manuscrits qui nous transmettent l'oraison sur les offrandes de la messe de l'Épiphanie: quelques unes de leurs variantes semblent indiquer en effet que ce texte n'a pas été toujours parfaitement compris par les copistes. Aussi le textus receptus hérite-t-il les ambiguïtés de la tradition manuscrite. Et un auteur moderne de dire: cette prière est «d'une construction logique et grammaticale si subtile»
2022-11-18T14:15:59Z
Lages, Mário Ferreira
Schopenhauer e o estatuto do conhecer
La présente note a pour but de montrer, à propos de l'analyse du thème de la connaissance chez Schopenhauer, le besoin où l'on est de transcender ce niveau même du connaître représentatif pour pouvoir vraiment fonder une ontologie. En effet, ne nous donnant que des «objets», la connaissance transcendentale ne nous met en rapport qu'avec une région limitée du réel, laissant de côté, comme in-connus, soit le propre fondement matériel du connaître, soit la réalité qui se donne sous le mode de la «subjectivité».
2022-11-18T14:15:59Z
Moura, José Barata
VI Congresso Internacional de Estudios Patristicos
1. Los Congresos Internacionales de Estudios Patrísticos.2. Organización dei Congreso.3. Los congresistas.4. La Asociación Internacional de Estudios Patrísticos.
2022-11-18T14:15:59Z
Aldama, José A. de
O missal votivo de Santa Cruz de Coimbra
Não pretendemos fazer aqui a análise interna do conteúdo litúrgico do missal votivo de Santa Cruz de Coimbra, mas tão sòmente dá-lo a conhecer, e deste modo fornecer um instrumento de trabalho aos especialistas da matéria.
2022-11-18T14:15:59Z
Bragança, Joaquim de Oliveira
O Salmo 126 e o terceiro êxodo
No séc. XVI os judeus da Penínsuia viveram momentos de grande agitação e expectativa, as quais tinham raízes no magistério de Isaac Abravanel e na actividade de José Nassi, ambos figuras notáveis da comunidade israelita em Portugal. O primeiro gozou de grande influência no ânimo de D. Afonso V e nalguns nobres da Corte, nomeadamente o duque de Bragança; mas veio a cair em desgraça no tempo de D. João II, suspeito de cumplicidade na conjura contra o rei. Fugindo ao braço justiceiro do monarca, exilou-se para Espanha e mais tarde para Itália, tendo-se fixado em Veneza, onde faleceu em 1508. Antes, porém, vivera 8 anos em Nápoles, os mais fecundos do seu labor de exegeta de invulgares recursos.
2022-11-18T14:15:59Z
Castro, Joaquim Mendes de
Orientations récentes de l'Université catholique
I. Les paradoxes de l'Université catholique.II. Le passé met en relief les mutations actuelles.1) Un regard sur le passé;2) Les mutations actuelles.III. Les Universités catholiques définissent leur identité:1) L'idéal de l'Université catholique;2) Traits caractéristiques de l'Université catholique;3) Rapports de l'Université catholique avec les autorités de l'Eglise.IV. Conclusions et perspectives d'avenir.
Taufe und Formulierung des Glaubens
O tema «baptismo e formulação da fé» põe-se de modo diferente, conforme se considera a partir da teologia moderna ou da antiga. Na teologia moderna desapareceu quase totalmente, enquanto nos primeiros séculos da Igreja encontrava no contexto do baptismo o seu lugar privilegiado. No esquema da doutrina sacramentária, dominante desde a Idade Média, o tema da fé poderia ser tratado a propósito da questão da forma sacramental e do sujeito do sacramento. De facto assim sucede, mas tem apenas uma existência estranhamente atrofiada. A fé exige-se como pressuposição do baptismo: não para a validade, mas apenas para a liceidade, como uma entre outras condições. Entende-se a fé no sentido de adesão a um conjunto de verdades e não de modo amplo, como aliás ainda sucedia em Trento (cfr. DS 1526). Nesta redução da fé, na sua relegação para o acto preparatório da justificação e do baptismo, como se concebe a importância da fé e da formulação da fé? Um documento da Congregação da Propaganda Fide de 1703 traz alguma luz: proíbe que, mesmo em perigo de morte, se baptize quem não conhece os mistérios necessários para a salvação (cfr. Heb 11,6) e requere para o caso normal, fora de perigo de morte, entre outros conhecimentos, o do símbolo da fé. A enumeração dos diversos elementos mostra a ligação com o catecumenato antigo e assim com o contexto do baptismo e da formulação da fé; ao mesmo tempo, torna-se clara a ponte entre o rito da administração do sacramento e a formulação da fé. Tudo isto representa, porém, um atrofiamento. O aspecto teológico-dogmático fica descrito, mas não é tudo, pois a fé emerge ainda, lateralmente, no quadro do rito litúrgico. Na liturgia do baptismo, conforme o previsto no ritual romano até agora, a fé entra em cena três vezes: na recitação do símbolo, no interrogatório correspondente à renuncia a Satanás, na fórmula sacramental. O símbolo representa o resto que permanece da traditio e redditio symboli. O interrogatório, que como pactio positiva exprime a aliança da fé, transmite um texto mais arcaico que o textus receptus do Símbolo dos Apóstolos e, juntamente com a mersio, constitui o cerne de todas as antigas formas baptismais. Desde a Idade Média, foi, no entanto, retraído para o catecumenato, para a «preparação da justificação». A fórmula sacramental, originalmente «breve fórmula de fé» (cfr. Mt 28,19), transformou-se em uma simples forma de administração que, em unidade com o acto da aspersão da água, representa o mínimo das condições exigidas para a validade do baptismo. O tema «baptismo e formulação da fé» ficou, portanto, quase sem lugar. Realmente, tanto o conceito da fé como o do baptismo isolam-se e, por isso, a sua relação passa a ser problema. Esta evolução produziu no campo católico uma doutrinalização da fé. Em consequência disso, as formulações da fé ganham um carácter mais teorético. Assim, onde hoje se põe de novo a questão dos símbolos, aparecem fórmulas breves que, na verdade, são recapitulações abstractas de uma teologia (cfr. as tentativas de K. Rahner) e denotam falta de sentido para o significado original das fórmulas de fé. Lutero opôs-se, decididamente, a uma tal doutrinalização e procurou dar, de novo, à fé o seu carácter pessoal. Não foi recuperado, porém, esse contexto original da fé que se manifesta através do seu enquadramento primitivo no interrogatório do baptismo. Sobretudo, continuou a diminuir a possibilidade de compreender o sentido dos sacramentos. O conhecimento da relação entre baptismo e formulação da fé na Igreja antiga oferece um contributo decisivo para sair do impasse em que caiu a questão «baptismo e fé». Os rituais do baptismo mais antigos não conhecem uma fórmula baptismal no sentido hodierno, mas, em vez disso, o interroga-tório em que o símbolo se divide em três perguntas cuja tríplice resposta, ligada do lado do baptizando com o acto da tríplice imersão, constitui, ao mesmo tempo, a forma de administração do baptismo. Com base neste dado, pode estabelecer-se a seguinte tese: a formulação da fé em símbolos tem o seu lugar originário, primàriamente, no contexto do baptismo; a fórmula provém e permanece relacionada com o acontecimento do baptismo, a partir do qual deve, portanto, ser compreendida. Esta tese precisa de ser ainda diferenciada. Na realidade, o fenómeno complexo do baptismo, segundo os seus diferentes momentos sucessivos, ajudou a formar dois tipos de confissões de fé: o catecumenato levou aos sumários de doutrina, à «regula»; a administração do baptismo ao símbolo (profissões «declaratórias» e «interrogatórias»). Os dois tipos correspondem às diferentes tarefas e funções de que nasceram e exprimem também diferentes níveis da realização da fé: o grau da didascália e o do acto da pactio. Não está ainda, apesar do estudo de A. Stenzel, suficientemente esclarecido o processo histórico da separação do símbolo e da fórmula baptismal, com o consequente desvio do símbolo para a liturgia da preparação. Antes de uma tal confusão e separação existia uma relação estreita entre fórmula de fé e sacramento. Para a compreender deve ter-se em consideração todo o complexo do baptismo com os diferentes graus do catecumenato que, iniciado por mestres privados, assume cada vez mais carácter oficial à medida que a Igreja entra gradualmente no desenrolar do acontecimento. O termo final do processo é a noite baptismal, o não e o sim, o banho da água e a unção. O acontecimento do baptismo exprime, portanto, a convicção de que a fé é uma decisão pessoal do homem, mas, para além disso, também um encontro, um ser-aceite e um deixar-se-aceitar pela comunidade dos crentes. A fé não esgota a sua plenitude em uma decisão privada de conversão, mas só se torna ela mesma quando é testemunhada no sim público da profissão e acolhida pela comunidade dos crentes. Assim o acto de fé não pode realizar-se a não ser publicamente diante da Igreja e deixando-se assumir na dualidade de pergunta e de resposta, de modo a permitir a sua união com o único sujeito do Credo: a Mater Ecclesia. No duplo aspecto de aceitar e deixar-se-aceitar está incluído o facto de a Igreja, no acto da aceitação, saber e confessar que não age independente-mente, por si só, mas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; portanto, que a sua aceitação está envolvida pelo seu próprio deixar-se-aceitar e ser-aceite. Desta tríplice demarcação testemunha o sacramento que assim não está ao lado do acto de fé, mas é a sua dimensão eclesial e ao mesmo tempo a dimensão teológica do eclesial. Isto significa para a presente questão que a fé remete para a profissão, a profissão para a comunidade, a comunidade para a liturgia: neste círculo da forma verdadeira e plena do sacramento do baptismo tem a formulação da fé o seu lugar originário e central.
2022-11-18T14:15:59Z
Ratzinger, Joseph
Problemas actuais sobre a Eucaristia
Um dos problemas mais candentes da vida actual da Igreja concentra-se no tema da presença eucarística. O caso suscita discussões, estabelece confrontos, provoca, com maior ou menor firmeza, actos oficias do Magistério. Sem querer entrar no âmago do problema, nem dar a estas páginas a pretensão de estudo completo e exaustivo, limitar-me-ei a um trabalho de fácil cicerone: introduzir o leitor pela porta da questão e, com simples palavras, de natureza preambular, oferecer-lhe uma rápida amostra sobre a panorâmica de conjunto do tema em causa, traçar as feições características da ideologia em batalha, e ainda, de modo particular, a diferença de nível em que os contendores se situam.
2022-11-18T14:15:59Z
Correia, Francisco Carvalho
Isaías 7,14 no texto massorético e no texto grego: a obra de Joachim Becker
In his work, Isaias, the Prophet and his Book (coll. Stuttgarter Bibel Studien n.° 30, Stuttgart, 1968), Joachim Becker maintains that the Proto-Isaias, as it has come down to us in the Hebrew original, is a rereading of the text carried out in exilic and post-exilic times. Its actual message is different from that of the prophet's VIIIth. cent. original. The Author considers Isaias to have been a court prophet, similar, for example, to Nathan. The prophetic words of «judgement» and of national «perdition» are, therefore, the product of an institutional prophecy and of the prophetic service carried out at court. Thus Is. 9,5 would not originally have refered to a physical childbirth, nor to the fulfilment of Is. 7,14, but to the «birth of the king» in accordance with the oriental kingship ideology taken up by Yahwism. Redactional work appears in certain themes and motifs, as for example, the people as object of God's graciousness returning to their land in a new Exodus; the instalment of Yahweh's kingship in Sion; the return from exile seen, in number and power, as a miraculous event. Yahweh's theocracy is clearly accentuated (Is. 24,23; 33,17.22; 52,7). Having studied the text of Is. 7,14 in the light of its surrounding context (Is 4,2; 10,17-19; 11, 10; 28,6), we agree in general outline with J. Bccker, but have many reservations to make on certain exegetical details. Mainly, we would like to underline the originality of the LXX translation in relation to our Hebrew text, for it represents a rereading and an interpretation in a very different historical and theological context. The «rest» theme is now the centre of attraction, for it is considered as being accomplished in the translator's own lifetime. It is a small and poor «rest», living in diaspora and suffering the injustices of the impious classe of its people. These injustices are regarded, in the light of faith, as coming from God's hand to purify it. In the LXX reading of Is. 7,14, the «virgin» is really the new Israel, the holy rest, not clearly distinguishable from her son, Emmanuel. Just as the «daughter of Sion» stands for the city and for its people, so now the «virgin» stands for the holy rest, the new people of God. The «virgin» is a personified reality and not an individual. The name, Emmanuel, can be related to the «new name» mentioned in Is. 65,15, and to the «holy rest» which has God with it (Is. 8,10). If the historical exegesis of the VIIIth. cent. Hebrew original is already different from that of the Masoretic Text of the exilic or post-exilic period, the historical exegesis of the LXX takes a further step forward and in turn actualizes the Masoretic Text taking up its general line of thought, that is, always supposing we agree in outline with J. Becker's exegesis. It is probable the LXX understood the new dimension of their contemporary text (MT) and, therefore, followed the same perspective. In that case no more was done than carry on the hermencutical line already laid down, altering here and there the received text in order to underline further the theological concept of the «rest», «the new people of God», identified as «God-with-us». In this way it is understandable that Is. 7,25 and Is. 7,4 should have been altered by the introduction of new, positive, salvific elements.
2022-11-18T14:15:59Z
Neves, Joaquim Carreira das
Que é a verdade?
A noção de verdade, elaborada por Aristóteles no De Interpretatione e na Metafísica, foi aceite pelo pensamento ocidental e permaneceu indiscusso até à aporetização feita pela fenomenologia de Heidegger. Segundo tal noção, a verdade e a falsidade dão-se sòmente no juizo afirmativo e negativo: quando duas coisas se unem ou se separam predicativamente. Se a união judicativa corresponde a uma união real das coisas representadas nos conceitos, dá-se a verdade; se não, tem-se a falsidade. O mesmo quanto à separação.
Francisco de Távora, gramático e pedagogo do séc. XVI
O nome de Francisco de Távora não figura nas diferentes versões da «Enciclopédia Judaica»: era um renegado, um convertido à Fé de Cristo. Não vem registado nos bons «dicionários bibliográficos»: a publicação dos seus apontamentos escolares em letra de forma destinou-se praticamente ad usum auditorum. Passou despercebido aos eruditos da literatura dos judeus portugueses: a voragem do tempo sorveu quase todos os exemplares da sua pequena gramática.
2022-11-18T14:15:59Z
Castro, Joaquim Mendes de
A Parábola das Virgens na espiritualidade medieval
Um dos mais célebres dramas do teatro religioso medieval é o ludus intitulado Sponsus ou Drama das Virgens Prudentes e das Virgens Loucas, escrito no séc. XI na região de Limoges. Gustave Cohen classifica-o, em razão de certa independência já da celebração litúrgica, nomeadamente pela utilização parcial da língua vernácula, na categoria de semi-litúrgico. Karl Young, tendo em atenção o assunto abordado, coloca-o no grupo, aliás reduzido, dos dramas escatológicos.
2022-11-18T14:15:59Z
Bragança, Joaquim de Oliveira