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Uso da soma cumulativa dos desvios para avaliação da proficiência no ensino do bloqueio subaracnóideo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Medidas objetivas de desempenho são necessárias para o ensino de técnicas anestésicas. Este estudo teve por objetivos aplicar e descrever o método da soma cumulativa dos desvios para a construção de curvas de aprendizado da punção subaracnóidea. MÉTODO: O sucesso da punção subaracnóidea na primeira tentativa, no primeiro espaço abordado, e o sucesso da anestesia de 275 bloqueios subaracnóideos realizados por médicos em especialização (ME) durante os primeiros seis meses de treinamento foram utilizados para a construção de curvas de aprendizado, utilizando o método das somas cumulativas de desvios. As taxas aceitáveis de falha foram derivadas de uma amostra de 264 bloqueios subaracnóideos realizados por anestesiologistas. O número necessário de bloqueios para se obter proficiência foi calculado, para cada ME, para cada atributo. RESULTADOS: Houve uma grande variabilidade em relação ao número de bloqueios necessários para se atingir a proficiência, dependendo do atributo e do ME. Contudo, a maioria dos ME atingiu proficiência para os atributos de sucesso durante a primeira tentativa ou no primeiro espaço inter-espinhoso abordado, após 50 bloqueios. Uma taxa de sucesso da anestesia de 90% foi obtida por todos os ME após 30 bloqueios. CONCLUSÕES: O método da soma cumulativa de desvios pode ser utilizado para medir objetivamente o desempenho de médicos em especialização, durante a fase de aprendizado de anestesia subaracnóidea. Um número mínimo de 50 bloqueios é necessário para se obter proficiência em identificar o espaço subaracnóideo.
2001
Oliveira Filho,Getúlio Rodrigues de Pederneiras,Sérgio Galluf Garcia,Jorge Hamilton Soares
Dificuldade de intubação traqueal em paciente com craniossinostose: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Existem formas complexas de craniossinostose acompanhadas de malformações da face e das vias aéreas, que podem levar a dificuldade de intubação traqueal (IOT). O objetivo deste relato é apresentar um caso de intubação traqueal difícil, em criança submetida à cirurgia para correção da craniossinostose. RELATO DO CASO: Criança com 57 dias, 3700 gramas, perímetro cefálico 39 cm, ASA II, com craniossinostose, retrognatia, macroglosia e exoftalmo bilateral, dificuldade inspiratória e retração intercostal leve. Após decúbito dorsal, coxim sob os ombros, pré-oxigenação e infusão de propofol (10 mg) e succinilcolina (5 mg), realizou-se laringoscopia (lâmina nº 1 reta), sem visualização da epiglote. Foi feita ventilação assistida seguida de novas tentativas (4) de IOT, sem sucesso. Optou-se pela ventilação espontânea assistida e IOT, novamente sem sucesso. Pela capnografia não havia CO2 exalado. Com auxílio de fibroscópio intubou-se a traquéia, porém a sonda era estreita e foi trocada por outra com balonete. A SpO2 era de 98%, porém com instabilidades, ás vezes com 60%. A P ET CO2 apresentava hipocapnia com morfologia irregular. À ausculta mostrava ventilação pulmonar bilateral, porém com entrada de ar no estômago. Suspeitou-se de fístula tráqueo-esofágica traumática. Com endoscopia esofágica constatou-se que a sonda de intubação estava no esôfago; como o balonete foi insuflado na cavidade oral posterior, que estava edemaciada, impedia o vazamento de gás. O volume corrente ventilava o estômago e os pulmões simultaneamente. A sonda foi introduzida corretamente na traquéia com fibroscópio e realizou-se a cirurgia. CONCLUSÕES: É necessário distinguir craniossinostose simples daquelas acompanhadas de malformações faciais e de vias aéreas. É fundamental que se tenha equipamentos adequados para IOT e além da monitorização básica, a capnografia é de grande valor na confirmação da intubação traqueal.
2001
Gifoni,Cláudia Luisa Nascimento,Henrique S Mizumoto,Nelson
Anticoagulantes e bloqueios espinhais
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Com o uso de anticoagulantes para tromboprofilaxia, a incidência de hematomas em anestesias espinhais aumentou. O objetivo desta revisão é verificar a ocorrência de casos de hematomas espinhais e sua correlação com o uso de drogas utilizadas na tromboprofilaxia. CONTEÚDO: São feitas algumas considerações clínicas e farmacológicas sobre as drogas utilizadas em tromboprofilaxia (cumarínicos, aspirina e heparina). São ressaltados os fatores de risco, particularmente aos relatos de casos de pacientes que desenvolveram hematoma peridural decorrente do uso simultâneo de heparina de baixo peso molecular e anestesia peridural. CONCLUSÕES: Existe importante associação entre hematoma peridural e distúrbios hemorrágicos, principalmente em pacientes em tratamento com anticoagulantes. O reconhecimento do aumento do risco da associação da anestesia peridural, da anestesia subaracnóidea, a continuada vigilância e a educação são fundamentais para evitar futuros casos.
2001
Chaves,Itagyba Martins Miranda Chaves,Leandro Fellet Miranda
Bloqueio do plexo braquial por via infraclavicular: abordagem ântero-posterior
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O bloqueio do plexo braquial é a técnica preferida pelos anestesiologistas para cirurgias nos membros superiores. Embora o acesso infraclavicular seja menos utilizado, ele pode oferecer algumas vantagens. O objetivo deste estudo prospectivo é mostrar os resultados observados em 50 pacientes submetidos a bloqueio do plexo braquial pela via infraclavicular, usando estimulador de nervo periférico e abordagem ântero-posterior. MÉTODO: Cinqüenta pacientes, com idades entre 17 e 87 anos, estado físico ASA I e II, escalados para cirurgias ortopédicas da extremidade superior foram anestesiados com bloqueio do plexo braquial pela via infraclavicular. Todos os bloqueios foram realizados com estimulador de nervo periférico, a partir de 1 mA. Quando se obtinha uma adequada contração muscular na mão, no antebraço ou músculos do braço, a amperagem era diminuída até desaparecimento da resposta. Se a resposta desaparecesse com estímulo superior a 0,6 mA, a agulha poderia ser movimentada a procura de melhor resposta. Se a resposta não desaparecesse com estímulo menor que 0,5 mA, injetavam-se 50 ml de lidocaína a 1,6% com epinefrina 1:200.000. Foram avaliados o tempo de latência, duração da cirurgia, tolerância ao uso do torniquete, duração dos bloqueios sensitivo e motor, complicações e efeitos adversos. RESULTADOS: O bloqueio foi efetivo em 94% dos pacientes, o tempo médio da latência foi de 8,78 min, a duração média da cirurgia foi de 65,52 min e a tolerância ao torniquete foi observada em todos os pacientes. A média de duração do bloqueio sensitivo foi de 195,56 min e do bloqueio motor de 198,86 min. Ocorreu uma punção vascular. Não foram observados sinais e sintomas clínicos de toxicidade do anestésico local ou do vasoconstritor. Nenhum paciente apresentou efeitos adversos do bloqueio. CONCLUSÕES: O bloqueio infraclavicular do plexo braquial proporciona uma anestesia efetiva para cirurgias dos membros superiores. Acreditamos que a técnica utilizando o estimulador de nervos periféricos proporciona um alto índice de sucesso e demonstrou ser segura. Não foi observado nenhum caso de pneumotórax ou qualquer outro tipo de complicação. A solução do anestésico utilizada proporcionou uma anestesia adequada e segura.
2001
Imbelloni,Luiz Eduardo Beato,Lúcia Gouveia,M. A
Bloqueio do plexo braquial por via axilar com neuroestimulador: verificação da latência e da eficácia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O bloqueio do plexo braquial por via axilar, embora bastante difundido por ter menor incidência de complicações, apresenta três inconvenientes que limitam seu uso: índice de falhas, latência longa e restrição a cirurgias de antebraço e mão. O objetivo deste estudo foi verificar o tempo de latência e a eficácia do bloqueio do plexo braquial por via axilar empregando-se um estimulador de nervo. MÉTODO: Participaram do estudo, aberto, prospectivo, 38 pacientes, estado físico ASA I, II e III, com idades entre 13 e 74 anos, submetidos a cirurgia de membro superior. Na sala de operação, após monitorização, venóclise, sedação com 1 a 3 mg de midazolam por via venosa, os pacientes foram submetidos ao bloqueio do plexo braquial por via axilar, após emprego de estimulador de nervo, com amperagens decrescentes a partir de 0,9 mA e injetando-se o anestésico local, após obtenção de resposta motora dos dedos da mão, com menor amperagem. Foram observadas as latências sensitiva e motora, a eficácia e falhas sensitiva e motora, parciais ou totais, e efeitos colaterais. RESULTADOS: As latências sensitiva e motora foram, respectivamente, 5,2 + 3,8 e 4,6 + 3,3 minutos. As falhas parciais sensitivas foram em número de seis, as motoras dez e completas duas, enquanto que em vinte casos não ocorreram falhas. Apenas em dois casos foi necessário converter para anestesia geral. CONCLUSÕES: Concluímos que, nas condições deste estudo, o uso do estimulador de nervo mostrou-se útil para a realização do bloqueio, sendo que, na maioria dos casos, não foi necessário estímulo maior que 0,3 mA.
2001
Chaves,Itagyba Martins Miranda Chaves,Leandro Fellet Miranda Dias,Clodoaldo Lopes
Quimioterapia e anestesia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A quimioterapia é um dos principais tipos de tratamento oferecido a pacientes com câncer, mas ainda causam importantes efeitos colaterais, reversíveis ou não. Para os anestesiologistas, conhecer estas drogas, complicações e interações medicamentosas, é de importância capital em cirurgias com pacientes em tratamento de neoplasias. CONTEÚDO: Nesta revisão apresentam-se os diferentes tipos de quimioterápicos atualmente utilizados, a classificação farmacológica, repercussões orgânicas, interações com outras substâncias, e a conduta anestésica mais apropriada frente a elas, objetivando reduzir a morbi-mortalidade perioperatória nestes pacientes. CONCLUSÕES: O conhecimento, pelo anestesiologista, das formas de tratamento, das características farmacológicas destas substâncias, seus efeitos adversos, lesões estruturais e possíveis interações medicamentosas por elas geradas e potencializadas pelas várias técnicas anestésicas hoje empregadas, pode certamente reduzir a morbi-mortalidade peri-operatória destes pacientes.
2001
Lacerda,Márcio Augusto
Agonistas α2 -adrenérgicos: perspectiva atual
No summary/description provided
2001
Nociti,José Roberto
Influência do óxido nitroso na velocidade de indução e de recuperação do halotano e do sevoflurano em pacientes pediátricos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A utilização de múltiplos de CAM, não comparáveis, do sevoflurano e do halotano, além da diferente contribuição do N2O na CAM destes dois agentes, em pacientes pediátricos, são os fatores citados para explicar igual velocidade de indução e de recuperação destes agentes com diferentes solubilidades sangüíneas. O objetivo deste trabalho foi avaliar o tempo de indução através de múltiplos da CAM e a recuperação da anestesia mantida com concentração expirada fixa de 1 CAM de halotano ou sevoflurano, associados ou não ao N2O, em crianças sob anestesia peridural sacra. MÉTODO: Foram estudadas 63 crianças divididas em 4 grupos de acordo com o agente inalatório utilizado para indução e manutenção da anestesia: Grupo 1: Halotano; Grupo 2: Halotano + N2O; Grupo 3: Sevoflurano; Grupo 4: Sevoflurano + N2O. Todas foram submetidas à peridural sacra. A indução sob máscara foi iniciada com 1 CAM do halogenado e incrementos de 0,5 CAM a cada 3 movimentos respiratórios até atingir 3 CAM, no máximo. Foram analisados os seguintes parâmetros: freqüência cardíaca, pressão arterial sistólica e diastólica, fração expirada dos agentes inalatórios e os tempos de indução, de emergência e de resposta a comandos. RESULTADOS: Os tempos cirúrgicos não mostraram diferença significativa entre os grupos. Os tempos para perda do reflexo ciliar, para o término da indução, de emergência e orientação dos grupos 1 e 2 foram maiores que dos grupos 3 e 4, sem diferença entre os grupos 1 e 2 e entre os grupos 3 e 4. A freqüência cardíaca e as pressões arteriais sistólica e diastólica não diferiram entre os grupos, nos diferentes tempos considerados. CONCLUSÕES: Nesta faixa etária, com a técnica anestésica empregada, os tempos de indução e de recuperação da anestesia foram diferentes entre os grupos do halotano e do sevoflurano, mas não apresentaram diferença com a associação de óxido nitroso.
2001
Tardelli,Maria Angela Iwata,Nilza Mieko Amaral,José Luiz Gomes do Ferreira,Roberto Manara Victório Rocha,Luciano Borges
Efeitos da analgesia do sufentanil por via subaracnóidea e bupivacaína a 0,25% por via peridural sobre as concentrações plasmáticas de ocitocina e cortisol em gestantes em trabalho de parto
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O sufentanil por via subaracnóidea promove analgesia do trabalho de parto comparável à peridural com anestésicos locais. As duas técnicas diminuem alguns parâmetros da resposta neuroendócrina à dor do parto, e ambas podem atenuar a liberação reflexa de ocitocina em animais. O objetivo deste estudo foi comparar os efeitos das duas técnicas nas concentrações plasmáticas de ocitocina (CPO) e cortisol (CPC) durante o trabalho de parto. MÉTODO: Trinta parturientes com 4 - 7 cm de dilatação foram arroladas neste estudo de forma aleatória e encoberta. No grupo S receberam sufentanil (10 mg) por via subaracnóidea e no grupo B receberam bupivacaína a 0,25% por via peridural. A analgesia foi medida usando Escala Analógica Visual e amostras sangüíneas de ocitocina e cortisol foram obtidas antes, 30 e 60 minutos após a administração das drogas. As CPO e CPC foram determinadas através da técnica de radioimunoensaio. RESULTADOS: A analgesia no grupo S foi mais intensa aos 30 minutos. As CPO e CPC nos dois grupos foram semelhantes antes da analgesia. No grupo S, houve diminuição significativa da CPO aos 60 minutos e CPC aos 30 e 60 minutos, enquanto no grupo B, CPO e CPC permaneceram estáveis durante todo o estudo. CONCLUSÕES: Nas condições deste estudo, a analgesia peridural com bupivacaína esteve associada à manutenção das concentrações plasmáticas de cortisol e ocitocina. Contrariamente, a analgesia promovida pelo sufentanil, por via subaracnóidea, foi mais intensa e produziu diminuição nas concentrações destes hormônios.
2001
Stocche,Renato Mestriner Garcia,Luiz Vicente Klamt,Jyrson Guilherme
Fatores de previsão de hipotensão arterial precoce em anestesia subaracnóidea
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A identificação de fatores de previsão de hipotensão arterial durante bloqueios subaracnóideos pode interferir na escolha da técnica ou na utilização de medidas preventivas. Este estudo avaliou fatores pré-anestésicos como previsores independentes de hipotensão arterial durante bloqueio subaracnóideo. MÉTODO: Foram estudados 76 pacientes de ambos os sexos, submetidos à anestesia subaracnóidea com bupivacaína 0,5% hiperbárica. Foram coletados: idade, sexo, peso, altura, índice de massa corporal, história de hipertensão arterial, uso de drogas anti-hipertensivas, medicação pré-anestésica, pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) no braço e no tornozelo, freqüência cardíaca (FC), pressão de pulso arterial, índice de sobrecarga vascular, índice tornozelo/braço de PAS, doses de bupivacaína, nível superior do bloqueio sensitivo, e a menor PAS, medida a intervalos de 2,5 minutos até o vigésimo minuto. Oxigênio a 3 L.min-1 foi administrado, segundo sorteio. Hipotensão arterial foi definida como redução da PAS a valores inferiores a 80% do nível pré-anestésico ou PAS menor que 90 mmHg. Foi utilizada regressão logística para identificar as variáveis associadas com a ocorrência de hipotensão arterial. RESULTADOS: Foram fatores de previsão de hipotensão arterial: idade maior que 45 anos, sexo feminino e nível superior do bloqueio sensitivo acima de T7. CONCLUSÕES: Foram identificados fatores de previsão independentes de redução tensional sistólica acima de 20% dos valores pré-anestésicos: a idade acima de 45 anos, o sexo feminino e o nível superior do bloqueio sensitivo acima de T7.
2001
Oliveira Filho,Getúlio Rodrigues de Garcia,Jorge Hamilton Soares Goldschimidt,Ranulfo Dal Mago,Adilson José Cordeiro,Marcos Aguiar Ceccato,Felipe
Gradiente SpO2 - SaO2 durante ventilação mecânica em anestesia e terapia intensiva
JUSTIFICATIVAS E OBJETIVOS: A saturação periférica da oxihemoglobina (SpO2) é freqüentemente utilizada para guiar alterações do regime ventilatório. Valores de SpO2 iguais ou superiores a 96% são necessários para garantir saturação arterial da oxihemoglobina (SaO2) superiores a 90%, em pacientes de terapia intensiva. Este estudo teve por objetivo determinar concordância entre valores de SpO2 e SaO2 e delimitar a menor SpO2 associada a valores de SaO2 iguais ou superiores a 90%. MÉTODO: Foram incluídos prospectivamente 120 pacientes adultos, de ambos os sexos, submetidos à anestesia geral com ventilação mecânica ou em tratamento intensivo. Amostras de sangue arterial foram coletadas por punção arterial ou por aspiração de linha arterial, utilizando técnica anaeróbia, em seringas heparinizadas. As amostras foram analisadas imediatamente após a coleta. A SpO2 foi medida por oxímetro de pulso durante a coleta, no indicador da mão contra-lateral, utilizando a onda dicrótica de pulso arterial como parâmetro de adequação. RESULTADOS: Foram analisadas 228 amostras. A diferença entre os valores de SpO2 e SaO2 variou entre -7,10% e 15,20%, sendo a diferença média igual a -0,20% ± 2,02%. SpO2-SaO2 maiores que 4,04% (dois desvios padrão da diferença) ocorreram em 4,72% das amostras. A determinação gráfica da SpO2, mínima para garantir a SaO2 acima de 90%, mostrou que somente valores de SpO2 iguais ou superiores a 99% não se associaram à ocorrência de nenhum valor de SaO2 inferior a 90%. CONCLUSÕES: Embora a diferença entre os valores de SpO2 e SaO2 tenham se localizado entre mais e menos 5% em 97% dos pares analisados, somente valores acima de 99% excluíram pacientes com SaO2 menor que 90%.
2001
Helayel,Pablo Escovedo Oliveira Filho,Getúlio R de Marcon,Lúcia Pederneiras,Flávio Hülse Nicolodi,Marcos Antônio Pederneiras,Sérgio Galluf
Avaliação das respostas dos músculos orbicular ocular, adutor do polegar e flexor do hálux à estimulação com a seqüência de quatro estímulos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O advento de drogas bloqueadoras neuromusculares foi um grande marco na Anestesiologia. Entretanto, um dos problemas do uso desses fármacos é a possibilidade de curarização residual no pós-operatório. O objetivo deste estudo foi avaliar as respostas de três músculos à estimulação com seqüência de quatro estímulos durante a instalação e a regressão do relaxamento muscular induzido pelo rocurônio. MÉTODO: Participaram do estudo 30 pacientes do sexo feminino, com idades entre 20 e 40 anos, estado físico ASA I, submetidos à anestesia geral. Na sala de operação, todas receberam alfentanil 10 mg.kg-1 i.v. e, em seguida, foram determinadas as respostas supramaximais dos músculos orbicular ocular, adutor do polegar e flexor do hálux com acelerometria. A indução constou de propofol 3,5 mg.kg-1 i.v. e alfentanil 50 mg.kg-1 i.v. Todas receberam rocurônio 0,6 mg.kg-1 i.v. e sevoflurano para a manutenção da anestesia. Foram avaliadas as respostas musculares à estimulação com a seqüência de quatro estímulos a cada 14 segundos, durante instalação e na recuperação T4/T1 de 0,25, 0,50, 0,75 e 0,90. A intubação foi realizada no momento de relaxamento mais rápido nos músculos estudados e avaliada por escala proposta. RESULTADOS: O início de ação nos músculos orbicular ocular, adutor do polegar e flexor do hálux foi respectivamente 64,8, 131,3 e 196,1 segundos (média). A recuperação até T4/T1 0,9 foi de 59,1, 96,4, 65,4 minutos (média) para os mesmos músculos respectivamente. As condições de intubação traqueal foram consideradas como clinicamente excelentes. CONCLUSÕES: Os resultados mostram que se pode conseguir condições satisfatórias de intubação traqueal com início de ação baseado na resposta à neuroestimulação do músculo orbicular ocular. Entretanto, durante a recuperação do bloqueio, o que proporciona maior margem de segurança é a monitorização do músculo adutor do polegar.
2001
Nunes,Rogean Rodrigues
Incidência de isquemia miocárdica no pós-operatório de pacientes submetidos à cirurgia para correção de aneurisma de aorta abdominal: estudo retrospectivo
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Muitos pacientes submetidos à cirurgia para correção de aneurisma de aorta abdominal apresentam doença coronariana, podendo evoluir com complicações cardíacas perioperatórias. A grande dificuldade é avaliar, no pré-operatório, o risco de complicações cardíacas isquêmicas que ocorrem no período pós-operatório de modo confiável. O objetivo deste estudo foi verificar a incidência de isquemia cardíaca pós-operatória em pacientes submetidos à correção de aneurisma da aorta abdominal, sua correlação com o índice de risco cardíaco de Goldman modificado, com alterações no teste do tálio-dipiridamol e os fatores de risco nessa população. MÉTODO: Foram analisados retrospectivamente 65 pacientes submetidos à correção de aneurisma da aorta abdominal e a incidência dos fatores de risco como tabagismo, insuficiência coronariana, hipertensão arterial sistêmica e Diabetes mellitus. Foi analisada a correlação entre a insuficiência coronariana no pré-operatório, o índice de Goldman modificado e as complicações isquêmicas pós-operatórias. Foi avaliada a correlação do teste tálio-dipiridamol pré-operatório e eventos isquêmicos no pós-operatório. RESULTADOS: Cerca de 80% dos pacientes apresentavam antecedente de tabagismo, 55% de hipertensão arterial, 8% de Diabetes mellitus, 25% de insuficiência coronariana. Entre os pacientes com insuficiência coronariana, cinco possuíam angina pré-operatória e apresentaram uma incidência de 40% de isquemia miocárdica no pós-operatório, sendo a incidência de infarto agudo do miocárdio de 6,2%. No nosso estudo, 14% dos pacientes Goldman modificado II e 33% dos pacientes Goldman modificado III apresentaram isquemia miocárdica pós-operatória. Dezesseis pacientes (24%) foram submetidos ao tálio dipiridamol no pré-operatório, sendo que 10 (62%) apresentaram defeitos de captação cintilográfica. O valor preditivo positivo do exame foi de 20% para isquemia miocárdica pós-operatória, com valor preditivo negativo de 83% e sensibilidade de 66%. CONCLUSÕES: A incidência de complicações cardíacas de acordo com o índice de Goldman modificado não foi compatível com o risco teórico desse índice. Os pacientes com angina no período pré-operatório apresentaram alta porcentagem (40%) de isquemia no pós-operatório, sendo que o valor do tálio-dipiridamol como teste preditivo de complicações isquêmicas foi baixo.
2001
Cicarelli,Domingos Dias Marumo,Cristina Keiko Esteves,Ricardo Gonçalves
Pneumoencéfalo após anestesia peridural: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O bloqueio peridural constitui técnica utilizada para alívio da dor durante o trabalho de parto. Apesar das vantagens, não é isenta de complicações, como, por exemplo, o pneumoencéfalo. O objetivo deste relato é apresentar um caso de pneumoencéfalo iatrogênico, diagnosticado após bloqueio peridural, com punção acidental de duramáter. RELATO DO CASO: Paciente de 16 anos, estado físico ASA I, sem antecedentes anestésicos, submetida a bloqueio peridural contínuo para analgesia de parto. Após várias tentativas de punções no espaço L3-L4, ocorreu punção acidental de duramáter. Optou-se por nova punção peridural em L2-L3, sem sucesso. Foi tentada outra punção em L3-L4, e após identificação do espaço peridural empregando-se a técnica da perda da resistência com ar, injetou-se o anestésico local e fentanil, seguido de passagem do cateter. Após 20 minutos da instalação do bloqueio, ocorreu sofrimento fetal, com indicação de cesariana, sendo administrada dose complementar de anestésico local pelo cateter. A paciente permaneceu hemodinamicamente estável e consciente durante a cirurgia, com lenta recuperação do bloqueio motor (14 h). No pós-operatório, apresentou dois episódios de crise convulsiva, com intervalo de 12 horas entre eles, que reverteram espontaneamente. A avaliação neurológica era normal e a tomografia computadorizada revelou imagem com densidade de ar compatível com pneumoencéfalo. A paciente teve alta três dias após, sem seqüelas. CONCLUSÕES: O caso confirma a possibilidade de se causar pneumoencéfalo iatrogênico durante a realização de bloqueio peridural, empregando-se a técnica da perda de resistência ao ar para a identificação do espaço peridural. Na presença de sinais e sintomas de irritação meníngea, a tomografia computadorizada é o meio diagnóstico recomendado para o diagnóstico diferencial entre pneumoencéfalo e as demais causas.
2001
Braga,Angélica de Fátima de Assunção Braga,Franklin Sarmento da Silva Potério,Glória Maria Braga Cremonesi,Eugesse David,Luiz Humberto Schimidtt,Rogério
Anestesia combinada e extubação precoce em paciente com persistência do canal arterial: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O canal arterial é uma estrutura que integra a circulação fetal. Fatores como prematuridade, hipóxia, acidose e sepse contribuem para a sua patência. O objetivo deste relato é demonstrar a utilização da anestesia combinada em cirurgia para correção da persistência do canal arterial. RELATO DO CASO: Paciente masculino, 14 meses, 11 kg,estado físico ASA II com infecções respiratórias de repetição, foi submetido à correção cirúrgica de PCA. Utilizou-se midazolam (0,5 mg.kg-1) por via oral, no pré-anestésico, seguido de indução inalatória com halotano 1-2%. A hidratação foi feita com solução de Ringer com lactato (8 ml.kg-1.h-1). Após intubação orotraqueal foi iniciada ventilação mecânica em sistema circular pediátrico com reabsorvedor de CO2. Procedeu-se bloqueio peridural torácico no espaço T1-T2 com injeção única de bupivacaína a 0,125% com adrenalina 1:800.000 no volume de 0,5 ml.kg-1. A manutenção foi feita com halotano (0,5-0,6 CAM). O procedimento cirúrgico durou 70 minutos e foi feito por toracotomia látero-posterior com boa estabilidade cardiovascular. A criança foi extubada na sala cirúrgica e encaminhada para SRPA em boas condições. CONCLUSÕES: A técnica de anestesia combinada em anestesia pediátrica promove melhora na qualidade da analgesia per e pós-operatória. O bloqueio peridural torácico, com indicação criteriosa, pode ser utilizado com bons resultados.
2001
Gouvêa,Paulo Antônio de Mattos Bernardes,Cassiano Franco
Emprego da ventilação mecânica com pressão controlada em circuito circular de anestesia para pacientes de baixo peso: estudo experimental
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A anestesia com baixo fluxo, em pacientes pediátricos, requer equipamentos adequados, no entanto, os disponíveis no mercado são de alto custo, o que limita o seu uso. Este estudo avaliou a anestesia com baixo fluxo em coelhos, empregando circuito fechado, modo de pressão controlada em novo ventilador pediátrico para anestesia (VPL-5000A-Vent-Logos). MÉTODO: Dez coelhos foram distribuídos aleatoriamente, sendo que o grupo I foi submetido à pressão de 15 cmH2O e o grupo II à de 20 cmH2O. A anestesia foi realizada com xilazina (10 mg.kg-1) e cetamina (25 mg.kg-1) associados, por via muscular, seguida de manutenção com isoflurano, após intubação orotraqueal. Após 20 minutos, administrou-se pancurônio (0,1 mg.kg-1) por via venosa e a ventilação controlada foi iniciada. Os parâmetros ajustados no ventilador foram: FR 30 mpm, freqüência I:E 1:2,5 e tempo de inspiração 0,6 segundo, além das pressões de plateau. O fluxo de gases frescos empregado foi 300 ml (total). Os parâmetros foram coletados a cada 20 minutos durante uma hora. Os dados obtidos foram submetidos à análise estatística de variância para medidas repetidas (p < 0,05). RESULTADOS: O CO2 reinalado diminuiu significativamente no grupo II, de 15 mmHg, durante a ventilação espontânea, para um valor médio de 2,4 mmHg, durante a ventilação controlada. No grupo I, diminuiu de 19,2 mmHg (inicial) para 3,6 mmHg. Comparando-se os dois grupos, diferenças significativas foram encontradas em relação ao pH venoso, PaCO2, PvO2 e discreta diferença entre a PAM e PAD. O grupo de 15 cmH2O apresentou importante acidose respiratória, enquanto o de 20 cmH2O obteve valores normais de pH e PaCO2. Uma vez que os valores de volume expirado entre os grupos foram semelhantes, tais diferenças entre pH e gases sangüíneos apresentados pelos grupos podem estar relacionadas aos baixos níveis de pH observados no grupo I. Verificou-se consumo médio de 2 ml de isoflurano por animal durante os 120 minutos de estudo. CONCLUSÕES: Com equipamento adequado é possível empregar anestesia de baixo fluxo, ventilação com pressão controlada e circuito fechado em pacientes com peso muito baixo.
2001
Fantoni,Denise Tabacchi Mastrocinque,Sandra Cortopassi,Silvia Renata Gaido Migliatti,Elton R Auler Junior,José Otávio Costa
Betanecol no tratamento da retenção urinária provocada pela morfina subaracnóidea
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A morfina tem sido utilizada nos bloqueios subaracnóideos para analgesia pós-operatória graças ao seu potencial analgésico prolongado e intenso. Porém, seus efeitos colaterais muitas vezes restringem seu uso. A retenção urinária é um deles. O objetivo deste estudo foi avaliar o emprego do betanecol para tratamento da retenção urinária causada pela morfina subaracnóidea, evitando assim a cateterização vesical do paciente. MÉTODO: De quarenta e sete pacientes que foram submetidos a procedimentos cirúrgicos com técnica anestésica de bloqueios subaracnóideos nas clínicas cirúrgicas e obstétricas com administração de morfina na dose de 0,1 mg, 26 pacientes apresentaram retenção urinária (55,3%). Quando o tratamento clássico (estimulação miccional e compressas locais) não evoluiu com sucesso, foram utilizadas doses fracionadas de 12,5 mg de betanecol, por via oral a cada hora, totalizando 50 mg em 4 horas. Após esse período sem resposta adequada ou se o paciente apresentasse incômodo vesical intenso antes de completar a última dose da medicação, seria feita cateterização vesical ou o uso de naloxona, classificando o método como ineficaz nesses casos. RESULTADOS: Nos pacientes que apresentaram retenção urinária, o tratamento conservador não obteve sucesso. Porém administrando-se betanecol de acordo com a padronização das doses nesse estudo, o mesmo foi eficaz em 14 pacientes (53,8%). CONCLUSÕES: O betanecol pode ser um bom coadjuvante no tratamento da retenção urinária provocada pela morfina subaracnóidea.
2001
Borges,Clóvis José da Silva Araújo,Sávio José Romuando de
Tromboprofilaxia e bloqueio regional
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: No contexto das doenças vasculares periféricas, a doença venosa tromboembólica tem assumido maior importância, à medida em que se apresenta com freqüência e morbi-mortalidade elevadas e, sobretudo, pela possibilidade de alteração de sua evolução quando há reconhecimento e tratamento adequados. O uso cada vez mais freqüente de tromboprofiláticos tornou-se um problema para os anestesiologistas, uma vez que esses agentes têm aumentado a incidência de hematoma espinhal, quando associados a bloqueios regionais. Este trabalho tem o propósito de apresentar aos anestesiologistas, a partir de ampla revisão de literatura, aspectos farmacológicos e bioquímicos dos anticoagulantes mais comumente utilizados e orientações quando houver necessidade de bloqueio regional nos pacientes em esquema de anticoagulação. CONTEÚDO: São apresentadas as características dos diferentes anticoagulantes e implicações no bloqueio regional. No final da descrição de cada fármaco, seguem-se considerações a respeito das recomendações mais importantes. CONCLUSÕES: A realização de bloqueio regional, na vigência de tromboprofilaxia, exige redimensionamento das cautelas, principalmente nos aspectos concernentes à utilização de cateter peridural, punções repetidas e traumáticas; pois, nestes casos, o risco da ocorrência de hematoma espinhal estará aumentado. Adicionalmente, fazem-se necessárias ampla comunicação e preparo das equipes médica e de enfermagem quanto aos pacientes recebendo anticoagulantes, a fim de diminuir os riscos das complicações hemorrágicas. Esses pacientes devem ser monitorizados minuciosamente, a fim de que sejam detectados precocemente sinais incipientes de compressão medular. Se houver suspeita de hematoma espinhal, a confirmação radiográfica deverá ser providenciada imediatamente, devido ao risco de isquemia medular irreversível.
2001
Yamashita,Américo Massafuni Yassuda,Heitor
Questões comentadas da prova escrita do título superior em anestesiologia - 2000 (Questão nº 41)
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2001
Eickhoff,Dante Roberto
Comparação entre bupivacaína racêmica (S50-R50) e mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25), ambas isobáricas, a 0,5% em raquianestesia. Estudo em cirurgias ortopédicas
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A bupivacaína comercialmente utilizada se apresenta como mistura racêmica RS(±)bupivacaína. Embora o enantiômero levógiro S(-), levobupivacaína, seja menos tóxico para o sistema nervoso central e cardiovascular do que a R(+) bupivacaína, sua relativa eficácia ainda não foi determinada na raquianestesia. O objetivo deste estudo foi comparar a mistura enantiomérica de bupivacaína (com 75% de S(-)bupivacaína e 25% de R(+)bupivacaína) - bupi S75-R25 - com a bupivacaína racêmica, na mesma dose e concentração, para raquianestesia em cirurgias ortopédicas de membros inferiores. MÉTODO: Participaram do estudo 120 pacientes com idades entre 16 e 94 anos, estado físico ASA I e II, programados para cirurgias ortopédicas de membros inferiores, sob raquianestesia. Os pacientes foram aleatoriamente separados em dois grupos de 60 pacientes: Grupo S75-R25, que recebeu 3 ml (15 mg) de solução a 0,5% isobárica, que continha mistura de 75% de S(-) bupivacaína e 25% de R(+)bupivacaína e Grupo S50-R50, que recebeu também 3 ml (15 mg) de bupivacaína racêmica 0,5% isobárica. Foram avaliados e comparados os seguintes parâmetros: latência da analgesia, bloqueio motor, duração dos efeitos, dispersão cefálica da analgesia, alterações cardiovasculares e sintomas neurológicos transitórios. RESULTADOS: Ambas as soluções de bupivacaína produziram efeitos comparáveis quando administrados na raquianestesia. Não foi observada diferença no nível superior da analgesia. O bloqueio motor apresentou tempo menor de instalação com a bupivacaína racêmica (S50-R50). Não foi observado bloqueio motor completo em todos os pacientes. A incidência de hipotensão arterial foi a mesma com ambas as soluções. Não ocorreram sintomas neurológicos transitórios. CONCLUSÕES: A mistura enantiomérica de 75% de levobupivacaína com 25% de dextrobupivacaína, a 0,5% isobárica, injetada no espaço subaracnóideo, produz bloqueio sensitivo e motor similar que a mesma dose de bupivacaína racêmica a 0,5% isobárica para cirurgias ortopédicas. A possibilidade de um bloqueio diferencial significativo com a mistura S75-R25 bupivacaína quando comparada com bupivacaína racêmica merece posteriores estudos.
2001
Imbelloni,Luiz Eduardo Beato,Lúcia