RCAAP Repository

Anestesia subdural após punção peridural: relato de dois casos

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Anestesias condutivas peridurais são realizadas amplamente no nosso meio. A anestesia subdural acidental após punção peridural é uma complicação rara. O objetivo deste relato é descrever dois casos de injeção subdural que coincidentemente ocorreram de forma consecutiva realizadas pelo mesmo anestesiologista. RELATO DOS CASOS: Caso 1: Paciente do sexo masculino, 41 anos, estado físico ASA I, a realizar procedimento cirúrgico de retirada de cálculo renal. Optou-se por anestesia peridural. Após 30 minutos do início da anestesia, o paciente mantinha-se comunicativo mas sonolento com SpO2 de 100%, quando lentamente começou a apresentar diminuição da SpO2 chegando a 80%. Apresentava-se inconsciente com apnéia e anisocoria. A partir deste momento foi levantada hipótese diagnóstica de anestesia subdural acidental. O paciente foi então intubado e mantido em ventilação controlada mecânica. Terminada a cirurgia, foi encaminhado para a sala de recuperação, recebendo alta após 6 horas, sem nenhuma alteração clínico-neurológica. Caso 2: Paciente do sexo feminino, 82 anos, estado físico ASA II, programado para procedimento cirúrgico de fixação de fratura transtrocanteriana. Optou-se por anestesia peridural contínua. Assim como no caso anterior, após 30 minutos, a paciente começou a apresentar diminuição da SpO2 para 90%. Mostrava-se inconsciente e com anisocoria; entretanto, sem apnéia. Optou-se por manter a paciente sob vigilância constante, não sendo necessária intubação. A hipótese diagnóstica aventada também neste caso foi de anestesia subdural acidental. Terminada a cirurgia, a paciente foi encaminhada à sala de recuperação pós-anestésica, tendo alta após 4 horas, sem nenhuma alteração clínico-neurológica. CONCLUSÕES: Anestesia subdural acidental é uma complicação extremamente rara. A hipótese diagnóstica de anestesia subdural acidental, nestes casos, limitou-se aos dados clínicos. As complicações do bloqueio subdural podem ser das mais variadas, mas na sua grande maioria são de fácil resolução, desde que sejam diagnosticadas e tratadas rapidamente.

Year

2003

Creators

Vásquez,Carlos Escobar Tomita,Tomio Bedin,Antonio Castro,Renato Almeida Couto de

Desflurano: propriedades físico-químicas, farmacologia e uso clínico

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Seguindo o desenvolvimento da química nuclear com a síntese dos halogenados desde a década de 50 no século passado, vários agentes foram ensaiados clinicamente e alguns tiveram grande aplicação prática. A busca pelo agente ideal continua. Atualmente estão em uso clínico o halotano, enflurano, isoflurano, sevoflurano e desflurano. Todos apresentam vantagens e desvantagens. O desflurano é o mais recente destes agentes. O objetivo deste trabalho é descrever as propriedades físico-químicas e farmacológicas do desflurano e relatar a aplicação clínica obtida com o uso deste novo agente. CONTEÚDO: As propriedades físico-químicas e as características farmacocinéticas e farmacodinâmicas são determinantes do uso clínico do desflurano. Tendo ponto de ebulição baixo, volatiliza facilmente nas temperaturas das salas de operação, e sua CAM elevada requer que seja administrado em concentrações altas. Então, é recomendável o uso de fluxo baixo de gás fresco e vaporizador especial para que sua aplicabilidade clínica seja economicamente viável. Além disto, o uso de um agente coadjuvante, como o óxido nitroso, reduz sua CAM e possibilita ser usado em menores concentrações. Sua farmacocinética permite indução e regressão rápida, salientando-se também que tem molécula muito estável, sendo pouquíssimo metabolizado, oferecendo grande tolerabilidade para o organismo humano. Suas repercussões farmacodinâmicas são doses-dependentes, semelhantes aos demais agentes inalatórios potentes. CONCLUSÕES: O desflurano representa uma etapa a mais na evolução para se chegar ao anestésico ideal. Suas propriedades físico-químicas lhe conferem características farmacocinéticas bastante desejáveis, que propiciam indução (progressão) e regressão rápidas e também metabolização mínima com a mais baixa toxicidade orgânica entre os anestésicos halogenados, e forte estabilidade molecular, inclusive na presença de absorventes de dióxido de carbono. Tomando-se as devidas precauções quanto à vaporização, armazenamento e consumo, o desflurano pode ser usado inclusive em larga escala, sendo economicamente viável.

Desafios no manuseio peri-operatório de pacientes obesos mórbidos: como prevenir complicações

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A incidência de Obesidade Mórbida tem aumentado significativamente nas últimas décadas, especialmente nos países desenvolvidos. Os excelentes resultados observados com o tratamento cirúrgico desta condição têm feito ressurgir o interesse no manuseio anestésico deste grupo de pacientes. O objetivo deste estudo foi enfatizar pontos vitais para o anestesiologista que lida com tais pacientes. CONTEÚDO: Distúrbios cardiovasculares, respiratórios, endócrinos e metabólicos são freqüentemente associados à obesidade e podem causar repercussões de significado clínico importantes no período peri-operatório nestes pacientes. Alguns aspectos de interesse prático à anestesia são discutidos nesta revisão. CONCLUSÕES: Além da ênfase dada às complicações mais importantes e mais freqüentemente observadas e de como preveni-las, destacamos também a importância do uso do PEEP e de volumes correntes adequados, recomendando seu uso.

Year

2003

Creators

Auler Junior,José Otávio Costa Giannini,Cindy Galvão Saragiotto,Daniel Fernandes

Disfunção diastólica: sua importância para o anestesiologista

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Até recentemente, a insuficiência cardíaca foi vista como conseqüência primária da perda da capacidade contráctil do coração. Nos últimos anos, após a constatação de que pacientes com sinais e sintomas clássicos de insuficiência cardíaca tinham função sistólica ventricular preservada, grande importância à função diastólica do ventrículo esquerdo vem sendo dada. O aumento da perspectiva de vida da população, a melhoria das técnicas cirúrgicas e anestésicas e a grande incidência dos seus fatores predisponentes fazem com que, cada vez mais, pacientes com disfunção ou insuficiência diastólica apresentem-se para procedimentos anestésicos. Este artigo tem como objetivo rever a definição, causas, prevalência, diagnóstico, tratamento da disfunção diastólica, além da abordagem anestésica dos pacientes que a apresentam. CONTEÚDO: Revisão sobre a função diastólica do ventrículo esquerdo e implicações da disfunção diastólica para o anestesiologista. CONCLUSÕES: Não há benefício comprovado de uma técnica anestésica sobre outra. Os principais objetivos anestésicos visam à manutenção da volemia e do ritmo sinusal, além de evitar taquicardia, hipertensão arterial e isquemia miocárdica. As drogas mais freqüentemente usadas com esses objetivos são os beta-bloqueadores.

Year

2003

Creators

Cruvinel,Marcos Guilherme Cunha Castro,Carlos Henrique Viana de

Estamos preparados para diagnosticar e conduzir um episódio de hipertermia maligna?

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A Hipertermia Maligna é doença rara e potencialmente fatal associada à exposição a agentes halogenados e succinilcolina. A mortalidade e morbidade resultante pode ser reduzida pelo diagnóstico precoce e tratamento específico, o que inclui o dantrolene sódico. A população brasileira é de aproximadamente 160 milhões de habitantes assistidos por mais de 6000 anestesiologistas. Na última década, sobretudo, considerável atenção foi dada à esta doença, disto resultando especialistas melhor informados e mais hospitais aparelhados para trata-la. Este estudo visa avaliar o nível atual de informação acerca da Hipertermia Maligna entre os anestesiologistas brasileiros, de sorte a orientar novas iniciativas voltadas para o controle desta afecção. MÉTODO: Vinte questões sobre diagnóstico, prevenção e tratamento da Hipertermia Maligna foram enviadas aos 6164 membros da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). RESULTADOS: Seiscentos e quarenta e seis anestesiologistas (10,4%) responderam às questões. Foram obtidas mais de 90% das respostas corretas sobre diagnóstico e tratamento. Por outro lado, aproximadamente 50% das respostas sobre indicação da biópsia muscular e farmacologia do dantrolene estavam erradas. CONCLUSÕES: Os resultados acima refletem nível satisfatório de informação sobre este assunto, indicando alguns relevantes aspectos da doença que merecem atenção adicional. O número de respostas é significativo para avaliação do grau de conhecimento sobre este assunto, mas denota insuficiente motivação. Destes achados conclui-se ser necessário ampliar os esforços de educação continuada, contemplando todo os diferentes tópicos deste importante tema da Anestesiologia.

Year

2003

Creators

Simões,Claudia Marquez Koishi,Giovanna Negrisoli Rozatti,Marcelo Amaral,José Luiz Gomes do

O Conhecimento de diferenças raciais pode evitar reações idiossincrásicas na anestesia?

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: No campo da variabilidade inter-étnica da resposta de drogas anestésicas e adjuvantes existem várias questões sem resposta. Estamos na iminência de sermos capazes de identificar diferenças raciais herdadas que podem prever a resposta de cada paciente aos anestésicos pelo atual desenvolvimento farmacogenético. CONTEÚDO: O conhecimento de fatores inter-étnicos que alteram a resposta à droga permitirá ao anestesiologista evitar reações idiossincrásicas: (1) Branco caucasiano - aumento do efeito diurético da dopamina; apnéia prolongada após succinilcolina ou mivacúrio; arritmias cardíacas após uso de halotano e catecolaminas na síndrome de Riley-Day; ataques agudos de porfiria após tiopental. (2) Negro americano: diferentes abordagens terapêuticas, hipertensão arterial essencial advêm da pior resposta aos anti-hipertensivos de IECA, inibidores do AT1, bloqueadores beta e à clonidina, contrastando com a melhor resposta anti-hipertensiva dos diuréticos, antagonistas de canais de cálcio e clarvedilol; ação vasodilatadora atenuada do isoproterenol (beta2) e uma maior resposta vasodilatadora à nitroglicerina sublingual; menor ação fibrinolítica do t-PA; recuperação mais lenta da anestesia venosa pela associação de remifentanil e propofol; menor glicuronidação do paracetamol e menos analgesia da codeína nos fracos metabolizadores (CYP2D6); a melanina retarda o início da analgesia epidérmica do creme anestésico EMLA; menor midríase pela adrenalina; maior broncoespasmo à metacolina em crianças asmáticas; deficit da G-6-PD nas hemácias eleva o risco de hemólise a drogas oxidativas (10% da população negra). (3) Asiáticos: alterações cinéticas tóxicas da meperidina e codeína; maior duração da ansiólise do diazepam; espasmo coronariano pela injeção de metilergonovina no pós-parto; inter-relação do receptor GABA, das desidrogenases e do comportamento de beber nipônico, contribui para sua maior sensibilidade etanólica. Isoenzimas do citocromo P450 apresentam polimorfismo genético no metabolismo de neuropsicotrópicos e a lenta acetilação da N-acetiltransferase na população equatorial (95%) aumenta a toxicidade de isoniazida e hidralazina. CONCLUSÕES: A presente revisão pretende dar algumas respostas específicas na área da idiossincrasia anestésica relacionada ao efeito da etnicidade sobre a farmacocinética, a farmacodinâmica das drogas e a segurança do paciente cirúrgico, objetivando otimizar uma neuropsicofarmacologia mais individualizada.

Year

2003

Creators

Vale,Nilton Bezerra do Delfino,José Vale,Lúcio Flávio Bezerra do

Aspectos éticos da experimentação animal

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O tema abordado é de suma importância, pois almeja-se que o ser humano atinja seu bem-estar físico, mental, social e espiritual, sem esquecer os sagrados direitos de todos os animais. A maioria dos códigos internacionais que tratam das normas de pesquisa na área da saúde cita que a pesquisa desenvolvida em seres humanos deve estar fundamentada na experimentação prévia realizada em animais, em laboratórios ou em outros fatos científicos. O presente artigo tem por objetivo explanar os aspectos éticos da experimentação animal. CONTEÚDO: Os autores revêem os conceitos de dissertação e tese, tese experimental, ensaio experimental ou experiência piloto e de biotério. A seguir fazem uma retrospectiva histórica acerca da primeira tentativa para se estabelecer normas em relação à pesquisa experimental, ocorrida em meados do século XIX em Londres. É ressaltado que alguns critérios definidos àquela época persistem até o presente. A primeira comissão de ética em pesquisa animal foi criada na Suécia em 1979, e a seguir nos EUA em 1984. No Brasil, os comitês de ética em pesquisa animal foram constituídos a partir da década de noventa. Desde maio de 1979 existe a Lei Federal 6638 que estabelece normas para a prática didático-científica da vivissecção de animais. Essa lei, entretanto, ainda aguarda regulamentação. Além dela, tramitam no Congresso Nacional alguns anteprojetos dispondo sobre o uso de animais para atividades de ensino e pesquisa. Finalmente, são apresentadas na íntegra as normas adotadas pelo Colégio Brasileiro de Experimentação Animal e a Declaração Universal dos Direitos dos Animais. CONCLUSÕES: Os docentes, pós-graduandos, residentes e graduandos de uma Faculdade de Medicina, envolvidos em pesquisas realizadas em animais, devem conhecer os princípios éticos que visam proteger os animais selecionados para a realização de um trabalho científico.

Year

2003

Creators

Schnaider,Taylor Brandão Souza,Cláudio de

Bases teóricas para a implementação do aprendizado orientado por problemas na residência médica em anestesiologia

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O Aprendizado Orientado por Problemas (AOP) é um método de ensino cujo objetivo primário é a acumulação de conceitos médicos no contexto de problemas clínicos, que tem sido largamente empregado na graduação médica desde os anos sessenta. O AOP é baseado na teoria do processamento de informação, segundo a qual, a aquisição de novos conhecimentos é facilitada pela ativação de conhecimentos preexistentes sobre o assunto, pela similaridade entre os contextos de aprendizado e aplicação do conhecimento e pela elaboração da informação. Outras teorias têm sido utilizadas para justificar o uso do método AOP no ensino de estudantes de Medicina e em outras áreas. O método AOP utiliza os conceitos aplicados ao aprendizado de adultos, os quais se aplicam aos episódios de aprendizado de médicos. CONTEÚDO: Este artigo descreve o método AOP, suas bases teóricas e psicológicas, o papel de instrutores e estudantes no processo e sugestões quanto à sua implementação. CONCLUSÕES: Comparado ao ensino tradicional, o AOP tem como principais vantagens a maior satisfação dos estudantes e instrutores, a maior diversificação das fontes de consulta e busca de conhecimento e o maior tempo despendido no estudo individual. Uma vez que o método não apresenta desvantagens, comparado ao método tradicional, ele pode ser considerado uma alternativa válida para o ensino da Anestesiologia na Residência Médica.

Year

2003

Creators

Oliveira Filho,Getúlio Rodrigues de

Eletroencefalograma processado em crianças anestesiadas com sevoflurano. É possível?

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: O índice bispectral (BIS) tem sido indicado como um substrato importante na mensuração do efeito hipnótico de drogas anestésicas. No entanto, existem apenas dados limitados do uso do EEG em crianças durante anestesia. O objetivo deste estudo é avaliar, em crianças, as mudanças no BIS, SEF95%, amplitude relativa na banda de freqüência delta (d%) e taxa de supressão de surtos (TS), correlacionando com variáveis farmacodinâmicas do sevoflurano (CE e CE/CAM), comparando-as com o adulto. MÉTODO: Participaram do estudo, 100 pacientes de ambos os sexos, com idades entre 0 e 40 anos, estado físico ASA I e II. Todos os pacientes foram induzidos com sevoflurano, sendo utilizado bloqueador neuromuscular quando o BIS atingiu 30, sendo estratificados em 5 grupos: GI (20) - idade entre 0 e 6 meses; GII (20) - idade > 6 meses até 2 anos; GIII (20) - idade > 2 anos até 12 anos; GIV (20) - idade > 12 anos até 18 anos e GV (20) - idade > 18 anos até 40 anos. Em cada grupo, 5 momentos foram avaliados: M1 (alerta); M2 (BIS 60); M3 (BIS 50); M4 (BIS 40) e M5 (despertar), sendo, em todos os momentos, anotados os seguintes parâmetros: PAS, PAD, FC, BIS, SEF95%, d%, taxa de supressão de surtos, CE e CE/CAM. RESULTADOS: Os valores de BIS e SEF95% apresentaram correlação direta com a CE/CAM do sevoflurano a valores de BIS de 40, 50, 60 e despertar, respeitando-se a CAM para idade p > 0,05). A d%, no GI, apresentou valores superiores a todos os outros grupos, nos cinco momentos (p < 0,05). CONCLUSÕES: O BIS e SEF95% podem ser utilizados na monitorização da profundidade da anestesia com sevoflurano em crianças de 0 a 12 anos observando-se os mesmos parâmetros sugeridos para adultos. O mesmo não acontece com a d%, a qual mostrou variações dependentes, provavelmente, da maturação cerebral.

Year

2003

Creators

Nunes,Rogean Rodrigues Cavalcante,Sara Lúcia Gemal,Alberto Esteves Amorim,Domingos Gerson de Sabóia

Raquianestesia para cesariana com bupivacaína a 0,5% isobárica associada ao fentanil e morfina: estudo prospectivo com diferentes volumes

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A raquianestesia para cesariana foi descrita poucos anos após o primeiro relato de Bier em 1898 e nos últimos 5 anos ela se tornou método de escolha em nosso hospital. O objetivo deste estudo prospectivo em cesariana é avaliar o uso da bupivacaína a 0,5% isobárica, administrada com as parturientes em decúbito lateral, após injeção de fentanil e morfina, e correlacionar com a incidência de complicações hemodinâmicas e dispersão cefálica com diferentes volumes. MÉTODO: Cem pacientes submetidas à raquianestesia para cesariana eletiva foram aleatoriamente separadas em três grupos que receberam: 4 ml (20 mg), 3 ml (15 mg) e 2,5 ml (12,5 mg) de bupivacaína a 0,5% isobárica acrescida de 25 µg de fentanil e 50 µg de morfina injetadas antes do anestésico. Foram avaliados e comparados os seguintes parâmetros: latência da analgesia, bloqueio motor, dispersão cefálica da analgesia, alterações cardiovasculares e incidência de náuseas e vômitos. RESULTADOS: Os três volumes de bupivacaína a 0,5% isobárica produziram efeitos comparáveis. O tempo de latência foi maior com a menor dose. Não foram observadas diferenças na dispersão cefálica, no número de pacientes que tiveram níveis cervicais, nas alterações cardiovasculares e na incidência de cefaléia pós-punção. O nível máximo da analgesia foi T4 (amplitude: T3-T6) com 4 ml, T4 (amplitude: T4-T11) com 3 ml e T4 (amplitude: T4-T8) com 2,5 ml. Nenhuma paciente necessitou de efedrina para tratar hipotensão arterial. O bloqueio motor não foi completo em todas as pacientes. Uma paciente desenvolveu cefaléia pós-punção. CONCLUSÕES: O resultado deste estudo confirma que a bupivacaína a 0,5% isobárica injetada após administração, em seringas separadas de fentanil e morfina, e em decúbito lateral nos volumes de 2,5, 3 e 4 ml proporciona uma rápida e efetiva anestesia para cesariana.

Year

2003

Creators

Imbelloni,Luiz Eduardo Vieira,Eneida Maria Rocha,Ana Gouveia,Marildo Assunção Cordeiro,José Antônio

Estudo Comparativo entre a bupivacaína a 0,5% e a mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25) a 0,5% em anestesia peridural em pacientes submetidos a cirurgia ortopédica de membros inferiores

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Com a finalidade de encontrar uma droga mais segura que a bupivacaína, vários estudos em animais foram realizados com seus isômeros. Este estudo tem como objetivo avaliar a eficácia da mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25) a 0,5% comparada a bupivacaína a 0,5% na anestesia peridural em pacientes submetidos à cirurgia ortopédica de membros inferiores. MÉTODO: Participaram deste estudo, aleatório e duplamente encoberto, 38 pacientes, com idades entre 17 e 69 anos, estado físico ASA I e II, submetidos à cirurgia ortopédica de membros inferiores, distribuídos em dois grupos: Grupo B, que recebeu 30 ml de uma solução de bupivacaína a 0,5%, e Grupo MEB, que recebeu 30 ml de uma solução da mistura enantiomérica de bupivacaína (S75-R25) a 0,5%. Foram investigadas as características motoras e sensoriais do bloqueio anestésico, bem como a incidência de efeitos colaterais. RESULTADOS: Houve diferença significativa em relação ao peso no grupo MEB. Os parâmetros hemodinâmicos foram semelhantes entre os grupos. Não houve diferença significativa em relação ao tempo necessário para atingir a maior intensidade de bloqueio motor e a altura do bloqueio sensitivo. O tempo de regressão do bloqueio motor foi semelhante entre os dois grupos. A intensidade do bloqueio motor na escala de Bromage 2 foi maior no grupo MEB. CONCLUSÕES: Foram observados adequados bloqueios motor e sensitivo para a realização da cirurgia em ambos os grupos, com poucos efeitos colaterais, sugerindo que as soluções são seguras na anestesia peridural para cirurgia ortopédica.

Year

2003

Creators

Tanaka,Pedro Paulo Souza,Ronie Oliveira de Salvalaggio,Matheus Felipe de Oliveira Tanaka,Maria Aparecida de Almeida

É realmente necessário o uso do estimulador de nervo periférico no bloqueio do nervo femoral?

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Vários são os métodos de localização do nervo femoral no espaço perivascular na região inguinal sendo o mais comum o do estimulador de nervo periférico. O objetivo deste estudo foi o de avaliar a necessidade do bloqueio do nervo femoral com o método do estimulador de nervo periférico, comparando-o com o método da perda de resistência tanto pela técnica de injeção única como pela técnica com catéteres. MÉTODO: Foram realizados 60 bloqueios do nervo femoral divididos em quatro grupos homogêneos (GA, GB, GC e GD). Trinta bloqueios representaram dois grupos pela técnica de injeção única, quinze com agulha descartável 21G (GA) e quinze com agulha isolada adaptada ao estimulador de nervo periférico (GC) e os restantes trinta bloqueios divididos em quinze bloqueios com cateter venoso (GB) e quinze com cateter longo Contiplex® (GD). Todos os bloqueios do nervo femoral foram realizados no espaço perivascular inguinal. O espaço perifemoral foi identificado após a segunda perda de resistência ao ar (fascia ilíaca) (GA e GC), e com 0,3 a 0,4 mA com o estimulador de nervo periférico (GB e GD). Foram avaliados os seguintes parâmetros: tempo para a realização do bloqueio; presença ou ausência de parestesias ou disestesias; dificuldade de punção e falhas. RESULTADOS: Não foram relatadas parestesias nem disestesias. Duas falhas resultaram no grupo A (p < 0,26), no mesmo paciente e duas dificuldades de punção devido aos recentes e vários bloqueios no local. Não houve diferenças significativas quanto à eficácia entre o método da perda de resistência com o do estimulador de nervo periférico. O tempo despendido pelo método do estimulador de nervo periférico foi maior (p < 0,001). CONCLUSÕES: Embora o uso do estimulador de nervo periférico seja o mais utilizado no bloqueio do nervo femoral na região inguinal, neste estudo, o método da perda de resistência mostrou-se uma alternativa bastante eficaz e viável.

Estudo comparativo dos bloqueios intercostal e interpleural para analgesia pós-operatória em colecistectomias abertas

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A analgesia no pós-operatório é desejada pelos pacientes e tem sido praticada pela maioria dos anestesiologistas. Além dos opióides, os anestésicos locais têm sido utilizados nos bloqueios periféricos e centrais para se obter a analgesia pós-operatória. O objetivo deste estudo foi comparar duas técnicas de bloqueio dos nervos intercostais para analgesia pós-operatória em colecistectomias abertas. MÉTODO: Sessenta pacientes foram submetidos a colecistectomias abertas com incisão subcostal e receberam bloqueio intercostal (Grupo IC, n=30) ou bloqueio interpleural (Grupo IP, n=30), ambos com 100 mg de bupivacaína a 0,5% com adrenalina, para analgesia pós-operatória. Foram avaliados os tempos de analgesia e as queixas relatadas pelos pacientes. RESULTADOS: A qualidade da analgesia foi considerada boa para ambas as técnicas. A duração média de analgesia foi de 505 minutos no grupo IP e 620 minutos no grupo IC, não havendo diferença estatística entre eles. Náuseas, vômitos e dor abdominal leve foram as queixas pós-operatórias mais freqüentes. Não se constatou qualquer complicação pós-operatória associada exclusivamente aos bloqueios, assim como não foi evidenciado nenhum caso de pneumotórax. CONCLUSÕES: Concluiu-se que as técnicas promoveram analgesia satisfatória após colecistectomia, sendo que o bloqueio interpleural apresentou maior facilidade de execução.

Year

2003

Creators

Vieira,Antonio Mauro Schnaider,Taylor Brandão Brandão,Antonio Carlos Aguiar Campos Neto,João Pires

Efeitos da administração subaracnóidea de grandes volumes de lidocaína a 2% e ropivacaína a 1% sobre a medula espinhal e as meninges: estudo experimental em cães

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A injeção de grandes volumes de anestésico local no espaço subaracnóideo, após punção dural acidental, é complicação da anestesia peridural. O objetivo desta pesquisa foi investigar as possíveis alterações clínicas e histológicas desencadeadas por grandes volumes de lidocaína a 2% e ropivacaína a 1%, simulando injeção subaracnóidea acidental, em cães. MÉTODO: Vinte e um cães foram distribuídos aleatoriamente em 3 grupos, que receberam por via subaracnóidea: G1 - cloreto de sódio a 0,9%; G2 - lidocaína a 2% e G3 - ropivacaína a 1%. A punção subaracnóidea foi realizada no espaço intervertebral L6-L7. O volume de anestésico local administrado foi de 1 ml para cada 10 cm de distância entre a protuberância occipital e o espaço lombossacral (5 - 6,6 ml). Após 72 horas de observação clínica os animais foram sacrificados e foi removida a porção lombossacral da medula para exame histológico, por microscopia óptica. RESULTADOS: Nenhum animal do G1 apresentou alterações clínicas ou histológicas da medula espinhal. Foram observados dois casos de necrose do tecido nervoso em G2, porém mudanças clínicas, em somente um desses cães e em outros dois animais que não apresentaram alterações histológicas. Foi encontrada necrose focal do tecido nervoso medular em um animal de G3. Todos os animais de G3 permaneceram clinicamente normais. CONCLUSÕES: Conclui-se que grandes volumes de lidocaína a 2% determinaram alterações clínicas e histológicas mais intensas que os de ropivacaína a 1%.

Year

2003

Creators

Ganem,Eliana Marisa Vianna,Pedro Thadeu Galvão Marques,Mariângela Castiglia,Yara Marcondes Machado Vane,Luiz Antonio

Variação da pressão sistólica como indicadora precoce de hipovolemia e guia de reposição volêmica com solução hiperosmótica e hiperoncótica no cão

JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Estudos introduziram novo método para avaliação da pré-carga, baseado na análise da variação da pressão sistólica (VPS) durante ventilação artificial. O objetivo desta pesquisa é avaliar se a VPS e sua derivada delta down (ddown) são indicadoras precoces de hipovolemia e guias de reposição volêmica com solução hiperosmótica e hiperoncótica. MÉTODO: Doze cães foram submetidos a sangramentos parciais de 5% da volemia até se atingir 20% da volemia (14 ml.kg-1). Antes (controle) e após cada sangramento foram realizadas análises hemodinâmicas, respiratórias e sangüíneas. Após, os cães foram submetidos à reposição com solução de NaCl a 7,5% em dextran 70 a 3,75% (SHD) (4 ml.kg-1) e novas análises dos atributos estudados foram realizadas aos 5 e 30 minutos após a reposição. RESULTADOS: A pressão arterial média diminuiu durante o sangramento e aumentou após a reposição, sem retornar aos valores do controle. As pressões da artéria pulmonar e do átrio direito (PAD) diminuíram antes e aumentaram após a reposição para valores semelhantes aos do controle. A pressão da artéria pulmonar ocluída (PAPO) diminuiu após o primeiro sangramento e manteve-se em valores abaixo aos do controle, mesmo após a reposição. O índice cardíaco não se alterou, mas aumentou após a reposição, para valores superiores aos do controle. O índice sistólico (IS) diminuiu antes e aumentou após a reposição, em níveis superiores aos do controle. Os índices de resistência vascular sistêmica (IRVS) e pulmonar (IRVP) não se alteraram antes, mas diminuíram após a reposição, com o IRVS em níveis inferiores aos do controle, e o IRVP em níveis semelhantes aos do controle. Os índices de trabalho sistólico dos ventrículos direito (ITSVD) e esquerdo (ITSVE) diminuíram durante o sangramento, mas aumentaram após a reposição, com o ITSVD em níveis superiores aos do controle e o ITSVE em níveis semelhantes aos do controle. A VPS e ddown aumentaram progressivamente durante o sangramento e diminuíram após a reposição, mas mantendo-se em valores superiores aos do controle. As maiores correlações de VPS e ddown foram com IS, PAPO, PAD e ITSVE. CONCLUSÕES: No cão, nas condições empregadas, a VPS e sua derivada ddown são indicadoras precoces de hipovolemia e guias sensíveis de reposição volêmica com SHD.

Year

2003

Creators

Paiva Filho,Odilar de Braz,José Reinaldo Cerqueira Silva,Fredson de Paula e Pedro,Tiago Otávio Nascimento Júnior,Paulo do

Desenvolvimento morfo-anatômico do fruto de Dalbergia nigra (Vell.) Fr. All. (Leg. - Papilionoideae)

Detalhes morfológicos e anatômicos dos frutos de Dalbergia nigra (Veil.) Fr. All. foram descritos e ilustrados em vários estágios de desenvolvimento.

Biofenologia do coentro

Estudou-se a biofenologia do coentro, Coriandrum sativum L., com a finalidade de obter-se informações dos aspectos relativos à fase vegetativa e reprodutiva da cultura, corno também o comportamento desta olerícola em relação às diferentes épocas de plantio. Concluiu-se que, para as condições do Estado do Ceará, onde as temperaturas são mais baixas próximo ao meio do ano e altas no final e início do ano, o fator que mais influencia a biofenologia do coentro, nesta região, é a temperatura.

Year

1992

Creators

Santos,José Higino Ribeiro dos Alves,José Maria Arcanjo

Estudo anátomo-morfológico de dicotiledôneas das dunas de Salvador - Bahia: Borreria cymosa Cham. et Schl. e Chiococca brachiata R. et P. (Rubiaceae)

Prosseguindo as pesquisas sobre a vegetação das Dunas do Abaeté, Salvador, Bahia, apresentam-se as Rubiaceae: Borreria cymosa e Chiococca brachiata. Cortes histológicos à mão livre, com lâminas de barbear, seguindo-se as técnicas de rotina. Estudaram-se as epidermes, mesofilo, nervura central, bordo e pecíolo. Contaram-se os estômatos por área foliar. Folhas dorsiventrais e hipoestomáticas, glabras, cutícula adaxial espessa e brilhante. Numerosas gotas lipídicas, esclereídeos no córtex do pecíolo e nervura central. Borreria: tem epiderme abaxial com paredes fortemente sinuosas e estrias epicuticulares; células incolores, subjacentes à epiderme adaxial; mesofilo com drusas e ráfides de oxolato de cálcio, bainhas de células volumosas envolvendo todos os feixes. Chiococca: epiderme de paredes curvas, cutícula formando "flanges" ao nível da nervura mediana, bordo e pecíolo. Pequenas células cheias de cloroplastos envolvem feixes menores. Clorênquima denso. Conclui-se que as plantas apresentam caracteres de adaptação ao meio xérico. As características anatômicas tanto quanto ao morfológicas individualizam os taxons.

Year

1992

Creators

Gusmão,Elzeni Diladelfo de Souza,José Pereira de Silva,Ivanádia Maria de Santan Silva,Lázaro Benedito da

Canais secretores em Vochysia thyrsoidea Pohl (Vochysiaceae)

Estudou-se a ocorrência de canais secretores de goma nos orgãos vegetativos de Vochysia thyrsoidea Pohl, planta nativa dos cerrados do Brasil Central. Nos estágios iniciais do desenvolvimento, a espécie possui uma tuberosidade formada pelo hipocótilo e pela parte superior da raiz principal. O xilema secundário da parte hipocotilar da tuberosidade apresenta áreas parenquimáticas e canais secretores de goma. Discute-se a possível relação ontogenética entre as áreas parenquimáticas e os canais de goma. Questiona-se a origem traumática dos canais.

Year

1992

Creators

Paviani,Therezinha Isaia Jeronymo,Alessa Senna

Distribuição de metais pesados na vegetação metalófica de Carajás

O presente estudo foi desenvolvido na Serra Norte, que é uma das formadoras do complexo mineral de Carajás, localizada no Município de Paraupebas, Estado do Pará. Foi procedida a determinação de metais pesados em tecido vegetal e solo. As cinco espécies vegetais selecionadas para o estudo foram: Bauhinia pulchella Bentham (Leguminosae Caesalpinioideae) - Cuphea annullata Koehne (Lythraceae) - Ipomoea cavalcantei D. Austin (Convolvulaceae) - Mimosa acutistipula vslt. ferrea Barneby (Leguminosae Mimosoideae) e Callisthene minor Mart. (Vochysiaceae). Os metais analisados foram: Ferro (Fe), Manganês (Mn), Cobre (Cu), Níquel (Ni), Cromo (Cr) e Chumbo (Pb). Os teores de metais trocáveis no solo apresentaram-se semelhantes no início e centro da jazida mineral. As cinco espécies analisadas apresentaram níveis anormais de Fe, Ni e Cr em seus tecidos. Todas as espécies são, portanto, tolerantes aos metais em apreço. Supõem-se que os mesmos estejam interagindo entre si neutralizando mutuamente seus efeitos danosos às plantas. Esta interação é uma forma de tolerância. A espécie Bauhinia pulchella sobressaiu-se das demais na acumulação de Ni, é possível que a concentração de Ni esteja relacionado à condições xerofíticas do ambiente edáfico.