RCAAP Repository
Doença veno-linfática: alterações linfocintilográficas nas úlceras venosas
Contexto: O sistema linfático tem papel relevante em qualquer tipo de edema periférico. Atualmente, a linfocintilografia é considerada o principal exame para diagnóstico da doença linfática das extremidades. Embora haja associação entre edema linfático e úlcera de estase venosa crônica, a fisiopatologia dessas alterações permanece indefinida. Objetivo: Verificar as alterações linfocintilográficas qualitativas que ocorrem em pacientes portadores de úlceras de estase dos membros inferiores. Métodos: Quarenta pacientes portadores de úlcera de estase venosa crônica ou cicatriz unilateral foram submetidos a linfocintilografia de ambos os membros inferiores. Foram estudados 25 mulheres e 15 homens, com média de idade de 53,7 anos (28 a 79 anos) e tempo médio de úlcera de 71,5 meses (3 a 240 meses). Foram comparados qualitativamente os parâmetros linfocintilográficos dos membros inferiores, previamente classificados em três grupos de acordo com a classificação clínica, etiológica, anatômica e patológica (CEAP): I, membros sem sinais clínicos de doença venosa ou com telangiectasias e veias reticulares (classes 0 e 1); II, membros inferiores com veias varicosas, edema e/ou alterações de pele e subcutâneo (classes 2, 3 e 4); III, membros inferiores com úlcera e/ou cicatriz (classes 5 e 6). Resultados: Quando foi comparada a presença de alterações linfocintilográficas dos membros com úlcera ou cicatriz (grupo III - classes 5 e 6) com as dos membros sem úlcera (grupos I e II - classes 0, 1, 2, 3 e 4), houve diferença significativa (p < 0,001). Estratificando os membros inferiores de acordo com a classificação CEAP, também foi observada diferença estatisticamente significante (p < 0,001), sendo as alterações linfocintilográficas presentes em 72,5% no grupo III (classes 5 e 6), 30,8% no grupo II (classes 2, 3 e 4) e 7,1% no grupo III (classes 0 e 1). Em relação aos parâmetros analisados na linfocintilografia, ocorreu diferença significativa entre o grupo III e os outros grupos quanto à retenção de radiofármaco, adenomegalia inguinal e refluxo dérmico. Não houve significância nos parâmetros linfonodo poplíteo e circulação colateral. Conclusão: Considerando os resultados, conclui-se que quanto mais grave a estase venosa crônica, maiores serão as alterações linfocintilográficas observadas, corroborando a associação entre doença venosa e linfática e entre linfedema secundário e estase venosa crônica.
2009
Silva,José Humberto Perez,Maria del Carmen Janeiro Barros Jr.,Newton de Castiglioni,Mário Luiz Vieira Novo,Neil Ferreira Miranda Jr.,Fausto
Revascularização endovascular infrainguinal: fatores determinantes para a perviedade
Contexto: A terapia endovascular tem avançado muito como tratamento para a doença arterial oclusiva infrainguinal, principalmente com o desenvolvimento dos materiais e dos stents autoexpansíveis de nitinol. Objetivo: Avaliar os resultados e os fatores determinantes da angioplastia fêmoro-poplítea em pacientes portadores de isquemia de membros inferiores. Métodos: Foram tratados, através de angioplastia com ou sem stent, 114 pacientes, e acompanhados por um período médio de 12 meses. A média de idade foi de 66 anos; 53% eram do sexo feminino; 23,7% eram portadores de claudicação incapacitante; 8,8%, de dor isquêmica de repouso; e 67,5%, de lesão trófica. As lesões foram classificadas segundo o TransAtlantic Inter-Society Consensus II em A (53%), B (34%), C (5%) e D (9%). Resultados: A análise angiográfica do leito distal mostrou uma média de 1,4±1,0 artérias infrapoplíteas pérvias. O sucesso inicial foi de 97%. No seguimento de 1, 6, 12 e 24 meses, a perviedade primária foi de 94, 78, 48 e 31%, e a primária assistida, de 94, 84, 73 e 61%, respectivamente (p = 0,005). O leito distal pobre e a presença de diabetes melito foram associados a uma menor perviedade primária (p = 0,01), enquanto a extensão da lesão não influenciou os resultados. As taxas de salvamento de membro em 6, 12 e 24 meses foram de 95, 90 e 90%, respectivamente. Conclusões: A extensão das lesões tratadas não foi um fator determinante em nossa casuística para o menor sucesso da angioplastia, o que pode sugerir que as indicações para o tratamento endovascular possam ser ampliadas para pacientes com lesões TransAtlantic Inter-Society Consensus II C/D.
2009
Nasser,Felipe Silva,Seleno Glauber de Jesus Biagioni,Rodrigo Bruno Campos,Roberta Cristina de Almeida Burihan,Marcelo Calil Inoguti,Rhumi Moraes,Melissa Andreia de Barros,Orlando da Costa Ingrund,José Carlos Neser,Adnan
Endovascular treatment of abdominal aortic aneurysms in high-surgical-risk patients
Background: Following the publication of a prospective randomized trial (Endovascular Aneurysm Repair Trial 2 - EVAR2) that questioned the benefits of endovascular repair of abdominal aortic aneurysms (AAA) in high-surgical-risk patients, we decided to analyze our initial and long-term results with endovascular AAA repair in this patient population. Objective: To evaluate the operative mortality, long-term survival, frequency of secondary operations, outcome of the aneurysm sac, primary and secondary patency rates, and rupture rate after aortic stent-graft placement in high-surgical-risk patients. Methods: From April 2002 to February 2008, 40 high-surgical and anesthetic risk patients with an AAA managed by a bifurcated aortic endograft were entered in a prospective registry. Data concerning diagnosis, operative risk, treatment and follow-up were analyzed in all patients Results: Twenty-four Excluder® and 16 Zenith® stent-grafts were successfully implanted. Thirty patients (75%) were classed ASA III and 10 (25%) were ASA IV. Mean aneurysm diameter was 64 mm. Operative mortality was 2.5%. Two patients required reintervention during the mean follow-up of 28.5 months. Survival rate at 3 years was 95%. There were four endoleaks, one case of endotension, and one endograft limb occlusion. Primary and secondary patency rates at 3 years were 97.5 and 100%, respectively. There were no ruptures. Conclusions: Initial and long-term results with endovascular treatment of AAA in high-surgical-risk patients were satisfactory, and appear to justify such approach for this patient population.
2009
Mendonça,Célio Teixeira Moreira,Ricardo Cesar Rocha Carvalho,Cláudio Augusto de Moreira,Bárbara D´Agnoluzzo Weingärtner,Janaína Shiomi,Alexandre Y.
Mobilização precoce na fase aguda da trombose venosa profunda de membros inferiores
O tratamento convencional da trombose venosa profunda na fase aguda consiste em restrição ao leito. Porém, estudos recentes contestam essa abordagem terapêutica, enfatizando que a mobilização precoce propicia resultados clínicos favoráveis. O objetivo deste estudo foi pesquisar em literatura científica, principalmente ensaios clínicos controlados, sobre a mobilização precoce de pacientes portadores de trombose venosa profunda de membros inferiores na fase aguda. Utilizou-se como estratégia de pesquisa o site PubMed para a busca de estudos relacionados à mobilização precoce, deambulação e trombose venosa profunda na fase aguda. Os artigos consultados abrangeram o período de 1992 a 2007. Em todos os estudos, a mobilização precoce esteve associada à heparina de baixo peso molecular e a terapia de compressão. Estudos avaliados nesta revisão têm demonstrado os benefícios na redução da dor e edema, com melhora da qualidade de vida, pela estratégia terapêutica de mobilização precoce em combinação com anticoagulação e compressão da perna na trombose venosa profunda, sem que ocorra maior risco de desfechos relevantes, como embolia pulmonar e morte.
2009
Penha,Geane de Souza Damiano,Ana Paula Carvalho,Tales de Lain,Vinícius Serafim,João Daniel
Aneurisma de artéria renal em rim transplantado: reparo ex vivo e reimplante do enxerto
Aneurisma verdadeiro de artéria renal em rim transplantado é ocorrência rara. As possibilidades de tratamento dependem do tamanho, da localização do aneurisma e da clínica apresentada pelo paciente. Descreve-se um caso de aneurisma gigante de artéria renal em rim transplantado que recebeu tratamento ex vivo e reimplante na fossa ilíaca direita. Detalhes do procedimento cirúrgico são descritos.
2009
Busato,Cesar Roberto Utrabo,Carlos Alberto de Lima Sousa,Wilson Freire de Gomes,Ricardo Zanetti Hosoume,Joel Kengi Hoeldtke,Eliziane Brandão,Rafael Inácio Costa,Dieyson Martins de Melo
Comparação entre a semiologia clínica e a ultrassonografia vascular em doenças venosas do membro inferior
No summary/description provided
2009
Chagas,Carlos Alberto Araujo
Resistência tensional do pericárdio bovino fixado em glutaraldeído comparada com a da veia safena magna
CONTEXTO: O uso do pericárdio bovino como remendo na endarterectomia de carótida é uma alternativa à veia safena magna. As vantagens do pericárdio incluem facilidade de obtenção, menor tempo operatório e principalmente menor índice de ruptura. OBJETIVO: Avaliar a resistência tensional do pericárdio bovino tratado com glutaraldeído e compará-la com a da veia safena magna. MÉTODOS: Os remendos de pericárdio bovino (grupo I, n = 20) e de veia safena magna (grupo II, n = 20) foram recortados em dimensões iguais (50 x 5 mm) e preparados de modo habitual a sua utilização. Os grupos foram submetidos a ensaio de tração e comparados em relação a força de ruptura, força máxima e tensão de ruptura utilizando-se o teste t de Student. A correlação da espessura do remendo com a força de ruptura também foi analisada utilizando-se o coeficiente de correlação linear de Pearson. RESULTADOS: Os parâmetros força de ruptura e força máxima foram significativamente maiores no grupo dos remendos de pericárdio bovino: 1,97 versus 1,36 kgf (p = 0,001230) e 2,27 versus 1,51 kgf (p = 0,0001087), respectivamente. A tensão de ruptura média para o material pericárdio bovino também foi maior (193,99±43,05 versus 49,19±22,96 kgf/cm², p = 7,603e-16) do que na veia safena. A correlação entre a espessura e a força de ruptura foi considerada moderada (r = 0,5032993) para o pericárdio bovino e baixa (r = 0,3062166) para o grupo da veia safena. CONCLUSÃO: Os autores concluem que a resistência do pericárdio bovino à ruptura foi considerada adequada neste estudo, e é significativamente maior que a da veia safena magna, retirada da região da coxa. Além disso, a espessura do remendo em ambos os grupos não apresenta boa correlação com sua resistência a ruptura.
2009
Miyamotto,Marcio Del Valle,Carlos Eduardo Moreira,Ricardo Cesar Rocha Timi,Jorge R. Ribas
Análise espectral segmentar no seguimento de pacientes revascularizados
CONTEXTO: Pacientes tratados por revascularização arterial (enxertos e angioplastias) nos membros inferiores acometidos por doença arterial oclusiva periférica foram seguidos por até 2 anos pós-tratamento usando ultrassom vascular (análise espectral segmentar, AES). OBJETIVO: Demonstrar que a AES pode ser utilizada no seguimento dos pacientes tratados por doença arterial oclusiva periférica. MÉTODOS: As medidas de AES realizadas foram: velocidade sistólica de pico, índice de pulsatilidade e forma da onda de velocidade de fluxo. Essas foram comparadas em cada paciente no pré e pós-tratamento (com intervalos de 3 meses) para diagnóstico de perviedade. RESULTADOS: Medidas realizadas no pós-operatório nas artérias imediatamente distais aos segmentos tratados mostraram aumento consistente de velocidade sistólica de pico e índice de pulsatilidade com mudanças na forma da onda de velocidade de fluxo de unifásica para bi ou trifásica. A velocidade sistólica de pico e o índice de pulsatilidade aumentaram respectivamente em 92,26 e 98,2% (tratamentos no segmento aorto-ilíaco), em 112,83 e 62,39% (tratamentos no segmento fêmoro-poplíteo) e em 149,08 e 28,8% (tratamentos no segmento poplíteo-tibial). Tais mudanças nos padrões de velocidade de fluxo ocorreram em todos os pacientes e permaneceram quase inalteradas enquanto os tratamentos estivessem pérvios. Quando ocorria falência nos tratamentos (oclusões ou estenoses hemodinamicamente significantes), os parâmetros caíam a níveis similares aos de antes do tratamento. Se a falência do tratamento era corrigida por nova revascularização (enxerto ou angioplastia), os parâmetros de AES voltavam a se comportar como após o tratamento inicial. CONCLUSÃO: A AES pode ser usada no seguimento dos pacientes com revascularização dos membros devido a doença arterial oclusiva periférica, demonstrando tanto a perviedade quanto a falência do tratamento.
2009
Morais Filho,Domingos de Thomazinho,Fernando Motta,Fernando Perozin,Igor Schincariol Sardinha,Wander Eduardo Silvestre,José Manuel da Silva Palma,Oswaldo Oliveira,Rodrigo Gomes de
Comparação dos fatores de risco para amputações maiores e menores em pacientes diabéticos de um Programa de Saúde da Família
CONTEXTO: Dentre as maiores causas de internamento hospitalar em pacientes com diabetes melito tipos 1 e 2 estão as complicações do pé diabético, principalmente pelas sequelas, muitas vezes incapacitantes, destacando-se as amputações de membros inferiores. A insuficiência vascular periférica ocorre mais precocemente nesses pacientes. A coexistência de neuropatia, isquemia e imunodeficiência favorece o desenvolvimento de infecções nos membros inferiores, que, se não tratadas adequadamente, podem levar a amputações e até à morte. OBJETIVOS: Comparar os fatores de risco para amputações maiores e menores em pacientes diabéticos de um Programa de Saúde da Família do CAIC Virgem dos Pobres III, em Maceió, AL. MÉTODOS: Foram examinados 93 pacientes com o diagnóstico de diabetes melito, sendo avaliada a realização ou não de amputações de membros inferiores. As variáveis analisadas foram: sexo, idade, tipo do diabetes, pressão arterial, amputação prévia (se maior ou menor), alterações dermatológicas, alterações de pulsos arteriais pedioso e tibial posterior, deformidades e neuropatia, e foram classificadas de acordo com a classificação de Wagner e de Texas. RESULTADOS: Todos os pacientes eram diabéticos tipo 2. Verificou-se que 4,30% dos pacientes evoluíram para amputação de membros inferiores. Não se observou variação significativa da hipertensão, deformidades e neuropatia em relação ao grupo de pacientes que foram amputados. Entretanto, a ausência de detecção dos pulsos distais dos membros inferiores revelou-se bastante significativa com relação ao desfecho de amputação. CONCLUSÃO: Deve-se proporcionar aos diabéticos um atendimento ambulatorial adequado para que seja possível prevenir ou minimizar tais complicações.
2009
Assumpção,Elvira Cancio Pitta,Guilherme Benjamin Macedo,Carolina Lisboa de Mendonça,Gustavo Borges de Albuquerque,Larissa Christyne Araújo de Lyra,Lívia Cavalcanti Braga de Timbó,Raquel Menezes Buarque,Ticiana Leal Leite
Resultados da cirurgia do aneurisma da aorta abdominal em pacientes jovens
CONTEXTO: A presença de aneurisma da aorta abdominal (AAA) é rara em pacientes jovens. OBJETIVO: Avaliar os resultados da cirurgia do AAA em pacientes com idade < 50 anos. MÉTODOS: De junho de 1979 a janeiro de 2008, 946 pacientes foram operados eletivamente do AAA infrarrenal pelo primeiro autor. Desses, 13 pacientes (1,4%) tinham idade < 50 anos no momento da cirurgia. Foram analisadas as características demográficas e cirúrgicas bem como os resultados precoces e tardios da cirurgia nesses pacientes. RESULTADOS: A média de idade foi 46±3,4 anos (variando de 43 a 50 anos), sendo a maioria homens (76,9%), hipertensos (76,9%) e tabagistas (61,5%). Não ocorreu nenhum óbito perioperatório, e a morbidade cirúrgica atingiu dois pacientes (15,4%) (um paciente com infecção respiratória e outro com angina instável). O seguimento mediano foi de 85,5 meses, ocorrendo dois óbitos devido a cardiopatia isquêmica em um paciente e acidente vascular cerebral em outro, durante o seguimento. CONCLUSÃO: A cirurgia do AAA é um procedimento seguro com bons resultados a longo prazo, pois, em nosso estudo, apresentou mortalidade perioperatória nula e boa sobrevida a longo prazo.
2009
Bonamigo,Telmo P. Lucas,Márcio Luís Pereira,Lígia Caon
A diferença na qualidade de vida de pacientes com doença venosa crônica leve e grave
CONTEXTO: A doença venosa crônica atinge os indivíduos em sua fase mais produtiva da vida, acarretando dor, perda de mobilidade e afastamento de atividades, podendo interferir diretamente na qualidade de vida. Seus sintomas clínicos decorrem de um estado de hipertensão venosa, causada por refluxo e/ou obstrução venosa. OBJETIVO: Determinar a diferença na qualidade de vida de pacientes com doença venosa crônica leve e grave. MÉTODOS: Foi realizado estudo transversal analítico comparativo na unidade de saúde durante 8 meses. A amostra foi calculada em 88 pacientes e dividida em dois grupos: Grupo A (CEAP clínico 1, 2 e 3) e Grupo B (CEAP clínico 4, 5 e 6). Foi usado o questionário genérico Medical Outcomes Study - 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36). A análise estatística para verificar se havia diferença foi através do teste t de Student, com intervalo de confiança de 95% e p < 0,05. RESULTADOS: Foram analisados 88 indivíduos, sendo 47 no grupo A e 41 no grupo B. Do total, 87,5% (77) eram mulheres. Com relação à idade, 34% (30) tinham entre 30 e 40 anos. As alterações subcutâneas (CEAP clínico 4) foram os sintomas mais presentes, em 28,4%. Com exceção do domínio estado geral da saúde, todos os outros mostraram que o grupo B apresentava escores inferiores quando comparado ao grupo A. CONCLUSÕES: A qualidade de vida dos pacientes com doença venosa crônica leve e grave é diferente, apresentando-se mais afetada de acordo com a gravidade.
2009
Santos,Raymundo Fagner Farias Novais dos Porfírio,Gustavo José Martiniano Pitta,Guilherme Benjamin Brandão
Modelos animais de aneurisma de aorta
Os modelos experimentais em animais vêm sendo utilizados em cirurgia vascular há décadas. O desenvolvimento de novas técnicas para tratamento endovascular dos aneurismas requer a criação de bons modelos experimentais para testar esses dispositivos e estudar seu impacto sobre a progressão da doença. Este artigo tem por objetivo revisar os modelos de aneurisma arterial descritos atualmente. Entre os diversos modelos descritos, nenhum reúne todas as características de um modelo ideal de aneurisma. Os modelos em animais de grande porte são adequados para treino, estudo de alterações em parâmetros fisiológicos durante e após a liberação dos dispositivos e integração do mesmo à parede do vaso. Algumas desvantagens significantes incluem dificuldade do manejo, alto custo, difícil manutenção e regulamentações legais, dificultando a disponibilidade de diversas espécies animais. Modelos em animais menores, como os coelhos e camundongos, embora sejam menos caros e de fácil obtenção, não são adequados para estudos de técnicas endovasculares pelas pequenas dimensões de seus vasos. Nenhum modelo descrito até o momento consegue reproduzir todas as características dos aneurismas observados em humanos. Modelos disponíveis são descritos nesta revisão, e suas vantagens e desvantagens são discutidas.
2009
Argenta,Rodrigo Pereira,Adamastor Humberto
Correlação entre concentração liquórica e efeitos colaterais após injeção de morfina por via subaracnóidea em ratos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A morfina por via subaracnóidea promove bom efeito analgésico, mas não é isenta de efeito colateral. O objetivo deste estudo foi verificar se há correlação entre a concentração de morfina no líquor e os efeitos colaterais após injeção de morfina por via subaracnóidea. MÉTODO: Foram estudados 28 ratos, em quatro grupos, 24 horas após a colocação de cateter subaracnóideo via cisterna magna. Os grupos G1, G2, G3 e G4 receberam respectivamente 0,1; 0,3; 0,5 e 1 µg de morfina em 10 µl de solução fisiológica a 0,9%. Foram coletadas amostras de líquor e anotados os efeitos colaterais nos momentos M15, M30, M60, M120 e M180 minutos após a injeção. RESULTADOS: Os efeitos colaterais observados foram tremor mandibular, agitação, prurido, ausência de diurese, sedação e alteração respiratória. Houve maior incidência de efeitos colaterais nas avaliações precoces, diminuindo progressivamente com o tempo. As concentrações médias de morfina no líquor no G1 variou de 72,84 a 1,13 pg; no G2, de 114,26 a 5,68 pg; no G3, de 151,18 a 13,62 pg; e no G4, de 561,37 a 18,61 pg. CONCLUSÕES: Não houve correlação entre concentração de morfina no líquor e efeitos colaterais.
2004
Silva,Neuzimar de Souza Freire Sakata,Rioko Kimiko Issy,Adriana Machado
Efeitos observados com diferentes doses de morfina subaracnóidea em ratos
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A morfina por via espinhal promove bom efeito analgésico, mas não é isenta de efeito colateral. O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos observados com diferentes doses de morfina por via subaracnóidea. MÉTODO: Foram estudados cinco grupos de sete ratos, 24 horas após colocação de cateter subaracnóideo via cisterna magna sob anestesia com cetamina e xilazina por via muscular. O G1 recebeu 10 µl de solução fisiológica; os grupos G2, G3, G4, e G5 receberam respectivamente 0,1; 0,3; 0,5 e 1 µg de morfina em 10 µl de solução fisiológica. Os animais foram submetidos ao teste de imersão da cauda em água quente no M0 (antes da injeção), e M15, M30, M60, M120 e M180 minutos após injeção. RESULTADOS: Foi observada analgesia nos grupos que receberam morfina, em diversos momentos, quando comparados com o grupo controle e com o tempo antes da injeção de morfina. No G1 houve fraqueza das patas em 4 animais. Agitação ocorreu em M15 no G2 e em M15 e M30 no G3. Tremor mandibular foi observado em M5, M15, M30 e M60 no G2; no G3 foi observado em M5 e M15; no G4, em M5 e no G5, em M5. Prurido foi observado em M5, M15, M30 e M60 no G2; em M5, M15, M30, M60 e M120 no G3; em M5, M15, M30, M60, e M120 no G4; em M5, M15, M30, M60, e M120 no G5. Ausência de diurese ocorreu em M60 no G2; no M15, M30, M60 e M120 no G3; no M60 e M120 no G4; e no M30 e M60 no G5. Sedação ocorreu em M15, M30 e M60 nos grupos 2, 3 e 4; e em M15, M30, M60 e M120 no G5. Alteração respiratória foi observada em M15, M30, M60 no G2; em M15, M30 e M60 no G3; em M15 e M30 nos grupos 4 e 5. CONCLUSÕES: Neste estudo, todas as doses de morfina subaracnóideas administradas provocaram efeitos colaterais; e doses menores que 1 µg promoveram analgesia de curta duração.
2004
Silva,Neuzimar de Souza Freire Sakata,Rioko Kimiko Issy,Adriana Machado
Analgesia de parto em paciente portadora de deficiência de proteína S: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Na deficiência de proteína S, uma glicoproteína com atividade anticoagulante, o risco de eventos tromboembólicos está aumentado. O objetivo deste relato é abordar o manuseio anestésico em paciente obstétrica portadora desta deficiência. RELATO DO CASO: Paciente com deficiência de proteína S, com 25 semanas de gestação, apresentou os seguintes resultados de exames: INR = 0,9, TTPA = 32 s (controle 25,6), proteína S = 35% (normal = 70% a 130%). Nos dois últimos trimestres de gravidez, fez uso de até 12000 U de heparina, cada 8 horas. Com 38 semanas, foi internada em trabalho de parto. Decorridas 8 horas da interrupção da heparina, já com TTPA 25,8 s (controle 27,8 s), realizou-se anestesia peridural injetando-se 6 ml de bupivacaína a 0,2% e fentanil (20 µg), seguido de infusão contínua. O tempo de infusão foi de 5 horas com dose total de 40 mg de bupivacaína. Não houve intercorrências e, 1 hora após a retirada do cateter, foi reiniciada heparina, por via subcutânea, 10.000 UI, a cada 12 horas. A mãe e o recém-nascido evoluíram bem, recebendo alta no terceiro dia do pós-parto. CONCLUSÕES: Grávidas com deficiência de proteína S devem receber anticoagulantes com o objetivo de manter o TTPA 2 vezes o valor controle. A heparina, por não atravessar a barreira placentária, é o anticoagulante de eleição em obstetrícia. O bloqueio pode ser realizado respeitando um tempo mínimo entre 4 a 6 horas entre a última dose de heparina e a realização da punção lombar, desde que os exames apresentem parâmetros de normalidade. Entretanto, nestes casos, a analgesia peridural pode auxiliar na profilaxia de eventos tromboembólicos.
2004
Stocche,Renato Mestriner Garcia,Luis Vicente Reis,Marlene Paulino dos Klamt,Jyrson Guilherme
Gabapentina no tratamento da dor decorrente de cistos perineurais sacrais: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: Os cistos perineurais podem gerar dor com características neuropáticas de difícil controle. Os anticonvulsivantes são medicações utilizados para tratamento de dores com essas características. O objetivo deste relato é mostrar um caso com total remissão da dor com uso de gabapentina após o insucesso no tratamento com todas as outras alternativas terapêuticas utilizadas. RELATO DE CASO: Paciente de 67 anos, diabética, com queixa de dor lombossacra há dois meses, com as seguintes características: diária, em pontada e queimação, de intensidade leve a moderada e com irradiação para região posterior da coxa. Piorava com o movimento e com a posição ortostática. Há seis meses havia tido um episódio semelhante de dor, que melhorou com o uso de corticoesteróides. A ressonância nuclear magnética da coluna lombossacra mostrava lesões císticas perineurais sacrais em S1, S2 e S3 com diâmetro de 2,5 a 4 cm, comprimindo o saco dural associado à erosão óssea. Foi introduzida a gabapentina em doses progressivas até 900 mg/dia, com alívio completo do quadro álgico. CONCLUSÕES: A dor neuropática provocada pelo cisto de Tarlov pode ser controlada de maneira adequada com gabapentina.
2004
Magalhães,Elza Mascarenhas,Ana Márcia Kraychete,Durval Campos Sakata,Rioko Kimiko
Abscesso peridural após analgesia controlada pelo paciente por via peridural: relato de caso
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A analgesia peridural é freqüentemente utilizada para o controle da dor pós-operatória ou para tratamento da dor crônica em pacientes oncológicos. No entanto, não está isenta de complicações. Neste caso, relatamos a ocorrência de abscesso peridural em paciente jovem, hígida, que foi submetida a analgesia peridural em bomba de infusão controlada pela paciente, que apresentou abscesso peridural, sendo necessária descompressão cirúrgica. RELATO DO CASO: Paciente do sexo feminino, 24 anos, 56 kg, 1,65 m, estado físico ASA I, com história de lombalgia e dificuldade de flexão da coxa esquerda, foi submetida à cirurgia para liberação da musculatura posterior do quadril. Três dias após a alta hospitalar retornou ao hospital queixando-se de dor no local da incisão cirúrgica e durante a realização dos exercícios fisioterápicos. Foi internada e programada analgesia controlada pelo paciente (ACP) por via peridural, para possibilitar o tratamento fisioterápico. No centro cirúrgico foi feita sedação por via venosa com midazolam (2,5 mg) e fentanil (25 µg), anti-sepsia da pele e realizada punção peridural no espaço L3-L4. Após dose teste foram injetados ropivacaína a 0,75% (75 mg) e fentanil (100 µg) e passado cateter peridural em sentido cefálico, sem intercorrências. Foi instalada bomba de ACP contendo solução fisiológica a 0,9% (85 ml), bupivacaína a 0,5% (25 mg) e fentanil (500 µg), programada com fluxo constante de 4 ml.h-1 e bolus de 2 ml a cada 20 minutos. No 3º dia a paciente relatou incômodo no local da inserção do cateter, sendo o mesmo retirado. Havia discreta hiperemia no local. Após vinte e dois dias, a paciente retornou ao hospital com dor de grande intensidade na região lombossacra com irradiação para os membros inferiores e limitação dos movimentos. Não havia deficit neurológico ou sinais flogísticos no local da punção ou na ferida operatória. Foi feita hipótese de abscesso peridural e a ressonância nuclear magnética confirmou a presença do mesmo em L3-L4 (2 x 3 cm), realizada laminectomia, a cultura do material mostrou tratar-se de staphilococcus aureus. A paciente evoluiu bem, sem seqüela neurológica. CONCLUSÕES: A analgesia peridural, muitas vezes utilizada para o controle da dor pós-operatória ou da dor crônica, embora muito efetiva, não está livre de complicações, ainda que raras, como o abscesso peridural.
2004
Abreu,Múcio Paranhos de Deda,Roberto de Góis Cangiani,Luis Henrique Aquino,Hernando Mauro Diógenes Ortiz,Jair
Hemodiluição normovolêmica aguda em crianças submetidas a artrodese de coluna vertebral pela via posterior
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A hemodiluição normovolêmica aguda (HNA) é um método de transfusão autóloga simples e de baixo custo. O objetivo deste estudo foi verificar se a HNA pode reduzir a necessidade de sangue homólogo em crianças submetidas à artrodese da coluna vertebral pela via posterior e avaliar as complicações decorrentes da hemodiluição nesse tipo de paciente. MÉTODO: Participaram do estudo 25 crianças, estado físico ASA I e II, submetidas a artrodese de coluna pela via posterior, e que receberam HNA (grupo H). Foram registrados os valores do hematócrito no início e fim da cirurgia, na alta da terapia intensiva e do hospital, o percentual de crianças que recebeu transfusão homóloga durante e após a cirurgia e as complicações ocorridas no intra e no pós-operatório. Os dados do grupo H foram comparados com outro grupo de crianças submetidas ao mesmo tipo de cirurgia, mesma técnica anestésica, porém sem HNA (grupo S). RESULTADOS: As medianas de idade e peso dos dois grupos H e S foram respectivamente 13 e 12 anos e 41,5 e 34 kg. Foram retirados 523 ml de sangue do grupo H, no início da cirurgia, equivalente a 17,1% da volemia, e reinfundida simultaneamente solução de Ringer com lactato, reduzindo o hematócrito para 28,8% ± 3.72%. No final da cirurgia, após a reinfusão do sangue autólogo, hematócrito atingiu o valor médio de 27% no grupo H e 30,4% no grupo S (p = 0,01). Na alta da unidade de terapia intensiva e na alta do hospital, as diferenças entre os hematócritos não eram estatisticamente significativas. Transfusão de sangue homólogo foi utilizada em 28% das crianças do grupo H e 79% do grupo S (p = 0,001). Hipotensão arterial ocorreu em 28% dos pacientes do grupo H e 37,5% do grupo S (p = 0,9). No grupo S, 4 pacientes tiveram complicações infecciosas importantes no pós-operatório. A duração da internação hospitalar nos grupos H e S foram, respectivamente, 7,56 ± 3,203 dias e 9,75 ± 4,245 dias (p = 0,009). O grupo H recebeu 3.948 ± 1.334 ml de Ringer com lactado e o grupo controle 2.234 ± 953 ml (p < 0,0001). CONCLUSÕES: A hemodiluição normovolêmica aguda é um método seguro e capaz de reduzir a necessidade por sangue homólogo em crianças submetidas à artrodese de coluna. Não houve complicações decorrentes da anemia.
2004
Oliveira,Gizelda S de Tenório,Sérgio Bernardo Cumino,Débora O Gomes,Daniela B Garcia Namba,Edson N Maidana,José Luis A Rocha,Luiz Eduardo Munhoz da
Influência da clonidina por via venosa no custo de anestesia com sevoflurano em cirurgias de ouvido médio em regime ambulatorial
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: A clonidina é um agente a2-agonista que diminui o consumo de anestésicos venosos e inalatórios. Este estudo visou avaliar a relação custo-benefício da medicação pré-anestésica com clonidina por via venosa em anestesia geral com sevoflurano em regime ambulatorial. MÉTODO: Trata-se de estudo encoberto, aleatório, controlado com placebo, realizado com pacientes com idade entre 15 e 52 anos. Os pacientes foram divididos em 3 grupos de 15: Grupo S (placebo), Grupo C3 (clonidina 3 µg.kg-1) e Grupo C5 (5 µg.kg-1). A indução anestésica foi feita com sevoflurano, alfentanil (30 µg.kg-1) e pancurônio (0,08 mg.kg-1). Foram anotados a freqüência de complicações, consumo de halogenados, tempo de anestesia, tempo de recuperação fase I e II. A análise de custos considerou gastos diretos e indiretos. RESULTADOS: Não houve diferenças entre os grupos em relação aos dados demográficos, freqüência de complicações e tempo para recuperação anestésica fase I. A recuperação anestésica fase II foi prolongada no grupo C5 (p < 0,05). O consumo de sevoflurano por minuto de cirurgia foi 0.54 ± 0,14 no grupo S e 0,33 ± 0,09 e 0,34 ± 0,13 nos grupos C3 e C5, respectivamente (p < 0,05). Nos grupos que receberam clonidina, o custo foi diminuído em aproximadamente 35%. CONCLUSÕES: A clonidina (3 µg.kg-1) por via venosa diminui o consumo de sevoflurano sem aumentar o tempo de recuperação fase II. A dose de 5 µg.kg-1, apesar de diminuir o consumo de sevoflurano, prolonga a recuperação fase II, não se adequando ao regime ambulatorial.
2004
Stocche,Renato Mestriner Garcia,Luís Vicente Klamt,Jyrson Guilherme Reis,Marlene Paulino dos Gil,Daniela Rocha Mesquita,Karin Luiza Magno
Cirurgia a laser e anestesia
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS: As cirurgias com a utilização do laser apresentam riscos para o paciente e para a equipe médica. O objetivo deste artigo é apresentar noções básicas sobre o laser e regras para aumentar a segurança dos procedimentos com sua utilização. CONTEÚDO: O presente artigo contém noções de física aplicadas ao laser, regras de segurança e a conduta em caso de ocorrência de eventos adversos com a utilização do laser. CONCLUSÕES: Concluímos que, quando manipulado por profissionais treinados, e respeitadas as normas de segurança, o laser é útil e seguro, tanto para o paciente quanto para a equipe médica.
2004
Paiva Filho,Odilar Braz,José Reinaldo Cerqueira