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Novas territorialidades na Amazônia: desafio às políticas públicas

O ensaio apresenta os conceitos de territorialidade e gestão do território, propondo estudos que aprofundem o conhecimento sobre o processo de transformação territorial contemporâneo na Amazônia, questionando o planejamento governamental com base no conceito de macrorregião e argumentando a respeito da necessidade de serem formuladas políticas públicas para escalas geográficas adequadas aos processos sociais territorializados. No caso da Amazônia, as políticas e o planejamento governamental devem levar em consideração dois vetores de transformação regional, que expressam a estrutura transicional do Estado e do território contemporâneos, o vetor tecno-industrial e o vetor tecno-ecológico.

Mercado e produção de terras na Amazônia: avaliação referida a trajetórias tecnológicas

A dinâmica da economia rural na Amazônia tem sido observada por meio do fenômeno do desmatamento e avaliada basicamente pelos riscos ambientais e pelas desigualdades distributivas a isso associadas. Este artigo indica possibilidades de mudanças, ao tempo que demonstra os obstáculos a superar. Partindo da observação da economia agrária da região como totalidade em movimento, situa os fundamentos dessa evolução em seis trajetórias tecnológicas, explicitando as assimetrias de capacidade demonstradas entre elas no contexto de suas relações com as instituições presentes. Entre estas, dispensará foco especial nas mediações que garantem a produção e o mercado de terras.

Arranjos comunitários, sistemas produtivos e aportes de ciência e tecnologia no uso da terra e de recursos florestais na Amazônia

O foco principal deste trabalho é o exame de algumas das tendências atuais que estão promovendo mudanças significativas nos padrões de uso econômico dos produtos florestais amazônicos. Em termos gerais, essas novas tendências expressam, sob diversos modos, um amplo processo de modernização das atividades produtivas, no qual comunidades organizadas da região estão se estruturando segundo vetores desencadeados pelo impulso de cadeias produtivas complexas e suas respectivas redes. Por outro lado, elas também expressam a ampliação e a crescente sofisticação dos mercados de consumo para os produtos naturais em geral, os produtos florestais em particular e, especialmente, para aqueles da biodiversidade amazônica. Finalmente, esses sistemas produtivos emergentes passaram a contar com um aliado poderoso nos últimos anos, representado por sua crescente interação com as atividades de Ciência e Tecnologia (C&T) e de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), cujos resultados já podem ser observados em diversas experiências em curso, tais como ganhos de qualidade, de produtividade, de escala, de competitividade e, como consequência principal, a conquista de novos mercados de consumo.

Territórios amazônicos de reforma agrária e de conservação da natureza

O artigo discute a relação entre os pequenos produtores e o Estado, na Amazônia brasileira, por meio de algumas situações que se configuraram desde meados do século XX, em diferentes conjunturas e em função de diferentes políticas governamentais de ordenação territorial. Recupera o fato de que, nos anos 1970 e 1980, o Estado negou sistematicamente as formas tradicionais de apropriação do espaço adotadas pelas comunidades de pequenos produtores e homogeneizou a forma de domínio sobre a terra através do conceito legal de propriedade privada, visando à integração da região à economia nacional por meio das grandes empresas. Reflete sobre os efeitos da democratização do país e da difusão das políticas ambientais, nas décadas seguintes, quando os movimentos sociais de pequenos produtores se aliaram aos ambientalistas e se fortaleceram politicamente, e os projetos de desenvolvimento sustentável passaram a disputar espaço como os projetos desenvolvimentistas. Por meio do processo de criação de duas unidades de proteção ambiental, que envolveu pequenos produtores e agências governamentais de reforma agrária e meio ambiente, no curso médio do rio Juruá, no estado do Amazonas, pergunta-se em que medida foram alteradas, nas últimas décadas, as relações entre o Estado e os pequenos produtores na região.

Year

2010

Creators

Esterci,Neide Schweickardt,Kátia Helena Serafina Cruz

Recursos naturais, espaço social e estratégias de vida em assentamentos da reforma agrária na Amazônia brasileira (Sudeste Paraense)

Em torno de 38% de todas as famílias assentadas pela reforma agrária no Brasil encontram-se na Amazônia. Como problema, revela-se que muitos dos assentados não se encaixam dentro do público alvo da reforma agrária e que mais de 50% dos lotes concedidos pela reforma agrária já foram comercializados pelos assentados - antes de receberem a titulação do lote. Este artigo tem como pano de fundo uma pesquisa de campo realizada no Sudeste Paraense com o intuito de investigar as estratégias de vida dos assentados da reforma agrária e a relação entre os assentados e o Projeto de Assentamento (PA), entendendo-o como espaço social e como espaço de recursos naturais importantes. As perguntas desta contribuição são: quais as estratégias de vida dos assentados? Elas são sustentáveis? Quais as razões para o abandono e a comercialização dos lotes? Qual a relação dos assentados com os recursos naturais e o espaço social do PA? Qual o papel das políticas públicas? As questões em torno do bem coletivo e da gestão coletiva desses bens revelam-se de grande importância para responder as questões da pesquisa. Tanto a organização social dos assentados quanto as garantias institucionais dadas pelo Estado apresentam-se como os eixos centrais da nossa indagação.

Interações entre evolução sedimentar e ocupação humana pré-histórica na costa centro-sul de Santa Catarina, Brasil

Desde o começo da ocupação humana no litoral centro-sul de Santa Catarina, Brasil, a articulação entre processos naturais e antrópicos modelou uma paisagem fortemente domesticada, marcada pela construção massiva de concheiros de dimensões monumentais e pela permanência milenar. Na planície costeira entre Passagem da Barra (município de Laguna) e lago Figueirinha (município de Jaguaruna), 76 sambaquis foram mapeados, dos quais 48 possuem datação. O levantamento sistemático de sítios e datações permitiu identificar padrões de distribuição espacial nos sambaquis da região, quanto a contexto sedimentar da época de construção, estratigrafia e idade. Desse modo, reconheceram-se nos sítios da região: cinco contextos geológico-geomorfológicos de localização; três padrões estratigráficos; e quatro fases de ocupação sambaquieira baseadas na quantidade de sítios e no tipo de padrão construtivo dominante. O modelo integrado de evolução sedimentar e distribuição tempo-espacial de sambaquis indica que estes sítios eram construídos em áreas já emersas e pouco alagáveis, e que sítios interiores, afastados dos corpos lagunares, podem não se ter preservado ou não estarem expostos devido ao processo de assoreamento contínuo que caracterizou a região após a máxima transgressão holocênica. O cruzamento de dados aqui proposto evidencia a importância de abordagens integradas entre arqueologia e geociências no estudo da evolução das paisagens.

Year

2010

Creators

Giannini,Paulo César Fonseca Villagran,Ximena Suarez Fornari,Milene Nascimento Junior,Daniel Rodrigues do Menezes,Priscila Melo Leal Tanaka,Ana Paula Burgoa Assunção,Danilo Chagas DeBlasis,Paulo Amaral,Paula Garcia Carvalho do

Arte e simbolismo xamânico na Amazônia

Os chamados ídolos de pedra amazônicos, apesar de conhecidos há mais de cem anos, constituem uma categoria de artefatos indígenas sem contexto arqueológico, histórico ou etnográfico. Este artigo apresenta uma primeira análise formal das peças conhecidas e algumas hipóteses sobre a sua função e finalidade. O estilo, os motivos simbólicos e o detalhe funcional de pares de furos idênticos em todos os exemplares sugerem que eles eram parte do instrumental usado nos rituais xamânicos de inalação do paricá e de outras substâncias alucinógenas.

Erwin Heinrich Frank: o antropólogo alemão que escolheu a Amazônia para viver

Nota biográfica sobre Erwin Heinrich Frank (1950-2008), antropólogo alemão que trabalhou no Peru, Equador e Brasil. Neste último país, Frank foi professor na Universidade Federal do Pará e na Universidade Federal de Roraima. Escrita pela esposa do cientista, a nota apresenta elementos da formação, do trabalho de campo e da obra do antropólogo, incluindo o projeto de pesquisa que deu origem ao texto inédito publicado neste mesmo número da revista, sobre a etnografia de Theodor Koch-Grünberg.

Objetos, imagens e sons: a etnografia de Theodor Koch-Grünberg (1872-1924)

O texto caracteriza teórica e metodologicamente a etnografia de Theodor Koch-Grünberg (1872-1924), antropólogo alemão que fez quatro visitas ao Brasil entre 1896 e 1924 e que se notabilizou pelos trabalhos escritos sobre os índios dos rios Negro e Branco, pelas coleções etnográficas e pelos registros sonoros, fotográficos e cinematográficos realizados em suas expedições. O autor relaciona esses registros documentais com o projeto etnográfico do antropólogo, vinculado à Völkerkunde alemã.

Making "Uirapuru": a musical quest in the Brazilian Rain Forest

Sixty years ago the author, an Israeli film student at the University of California, Los Angeles, set out to make a film based on a Brazilian Indian legend which had been set to music by Heitor Villa-Lobos (1887-1959). Filming was carried out among Urubú-Ka'apor Indians in the state of Maranhão. In Belém, capital of Pará, he was joined by German anthropologist Peter Paul Hilbert (1914-1989) of the Goeldi Museum on an adventurous and creative expedition, culminating in a prize-winning art-documentary film and a life-long friendship between the two.

História, ciência, natureza

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Year

2010

Creators

Maio,Marcos Chor Figueirôa,Sílvia Fernanda de Mendonça