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Caminhos sinuosos até o Nordeste indígena: William Hohenthal Jr., antropólogo norte-americano na década de 1950
Resumo Este artigo é uma contribuição à história da etnologia e à antropologia do conhecimento. Ele analisa parte da trajetória biográfica do antropólogo norte-americano William D. Hohenthal Jr., interessando-se particularmente pelas circunstâncias que levaram este autor a realizar uma pesquisa empírica junto aos povos indígenas do Nordeste do Brasil, na década de 1950. Hohenthal Jr. foi um pioneiro: até então, pouco se sabia sobre esses povos e era comumente aceito que não existiam mais índios nessa região. Ele publicou dados históricos e etnográficos essenciais para gerações de pesquisadores e para os povos de hoje. Uma análise sobre a troca de cartas entre William Hohenthal Jr. e Robert Lowie, principalmente, nos ajuda a entender a elaboração de seu projeto de pesquisa, sob vários pontos de vista inédito. Isso nos permite considerar tal pesquisa realizada sob o ângulo de uma construção minuciosa, de um projeto inovador que foi necessário defender. Hohenthal Jr. preparou essa pesquisa no Nordeste a partir de 1945, passou por mal-entendidos com Lowie, enfrentou a falta de conhecimentos de Wagley na atribuição de uma bolsa, entre muitas outras peripécias.
2022-12-06T13:14:02Z
Menta,Cyril
Desafios das práticas arqueológicas e da preservação: dinâmicas socioculturais sobre e nos entornos dos sítios arqueológicos na Amazônia
Resumo As relações das pessoas com as coisas e os sítios arqueológicos no contexto amazônico é extremamente plural e contextual. A cada comunidade, pesquisadores e pesquisadoras aprendem outras formas de pensar as intrínsecas relações entre passado e presente. O Laboratório de Arqueologia do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá tem primado por uma atuação interdisciplinar para o desenvolvimento de ações e pesquisas com as comunidades ribeirinhas nas áreas de proteção. Neste artigo, abordamos as práticas arqueológicas e a salvaguarda do patrimônio em contextos comunitários. Por meio da arqueologia, da conservação arqueológica e da educação, refletimos sobre nosso papel como profissionais que atuam a partir de diferentes saberes e grupos de interesse, onde valores, significados e resultados são revisitados a todo momento em que novas colaborações são estabelecidas, seja entre pesquisas acadêmicas, seja entre agentes da comunidade. Para isso, discute-se os trabalhos desenvolvidos em Boa Esperança, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, que recebe arqueólogos e arqueólogas desde 2006. Consideramos que a pesquisa se transformou pelo contexto comunitário e pela ampliação do envolvimento de diferentes agentes, reorientando nossas ações em busca de alternativas de médio e longo prazo para a gestão colaborativa e sustentável do patrimônio arqueológico amazônico.
2022-12-06T13:14:02Z
Lima,Marjorie Silva,Maurício André da Lima,Silvia Cunha Cassino,Mariana Franco Tamanaha,Eduardo
Os ‘cortadores de cabeças’: a memória como patrimônio dos Munduruku
Resumo O artigo analisa o modo como os Munduruku articulam passado e presente em suas lutas, agenciando a seu favor todo o imaginário sobre e por eles construído enquanto povo guerreiro, tradicionalmente conhecidos como os ‘cortadores de cabeça’. Apropriando-se de elementos da cultura dos não índios, os Munduruku demonstram sua habilidade política ao traçarem estratégias de ação, apropriarem-se da legislação nacional e internacional que lhes garante seus direitos, usarem o vocabulário adequado para o enfrentamento e fazerem alianças com órgãos como o Ministério Público Federal e organizações não governamentais, além de divulgarem suas batalhas internacionalmente. Assim, noções de história, ambiente e memória passaram a incorporar o repertório cultural desse povo, fundamentando estratégias de ação em situações de confronto ou de reivindicação.
2022-12-06T13:14:02Z
Henrique,Marcio Couto Oliveira,Rodrigo Magalhães de
Os trompetes dos guaribas: do modo de existência artefatual da pessoa no alto rio Negro
Resumo A proposta deste artigo é refletir sobre os instrumentos de sopro Jurupari tocados na região do alto rio Negro, tomando como ponto de partida a etnografia realizada junto ao povo Yuhupdeh. O foco da discussão é sobre a associação entre esses instrumentos e os processos de (re)produção dos corpos. Mais especificamente, procura-se abordar a associação dos instrumentos Jurupari e a fertilidade para além da questão sexual-genital, analisando a relação não a partir da noção de reprodução, mas da noção de geração e engendramento. Propõe-se aqui a abordagem dos instrumentos Jurupari não mais como uma metáfora masculina sobre o poder reprodutivo feminino, mas como uma biotecnologia andrógena de inseminação artefatual, que não só fabrica os corpos, como também os destrói, ao modo de uma farmacologia.
2022-12-06T13:14:02Z
Lolli,Pedro Del Picchia,Paulo Menotti
Nunca se ha visto miel tan sabrosa… ni picaduras tan dolorosas: abejas y avispas en la América portuguesa y española del siglo XVI
Resumen Este artículo es el resultado de la investigación y el análisis de las descripciones de abejas y avispas realizadas por cronistas, viajeros y misioneros en la América portuguesa y española. Se utilizaron como fuentes documentales las crónicas, cartas y tratados producidos durante el primer siglo de colonización europea. Al analizar los informes sobre tales clases de insectos, pudieron observarse los peligros que los ataques de avispas y abejas podrían representar para la subsistencia de las colonias, así como el potencial de explotación de la miel producida por varias especies de abejas nativas. La relevancia del conocimiento nativo también se hace evidente, especialmente en los nombres indígenas de las especies descritas, así como en la descripción detallada de sus características físicas y conductuales.
2022-12-06T13:14:02Z
Santos,Christian Fausto Moraes dos Fiori,Marlon Marcel Silva Filho,Wellington Bernardelli
“Glória a todas as lutas inglórias”: negociações, tensões, disputas e resistências relativas ao patrimônio afro-brasileiro
Resumen Este texto pretende, a partir de categorias como patrimônio (material e imaterial), museus e coleções, refletir sobre o apagamento da memória da cultura afro-brasileira nas instituições museológicas brasileiras e sobre contradições latentes, negociações, tensões e disputas em relação ao patrimônio afro-brasileiro, bem como sobre o modo como este é representado nos museus. Será analisado como os museus se debruçam ou não sobre a questão supracitada, seja pelo silenciamento de acervos e referências patrimoniais de origem africana na maior parte deles, seja pela quase total ausência de museus exclusivamente dedicados à cultura afro no Brasil. Por outro lado, apresenta alguns casos de patrimônios imateriais afro-brasileiros realçados pela aplicação do instrumento de tutela jurídica federal denominado ‘registro de bens culturais de natureza imaterial’ e algumas de suas implicações. Finalmente, como caso emblemático de resistências e apagamentos, este artigo discorrerá sobre o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, um espaço restrito e profícuo em referências veladas ou não a esta face da nossa história.
2022-12-06T13:14:02Z
Cândido,Manuelina Maria Duarte Rosa,Mana Marques
Casas históricas e museus-casa: conceitualização e desenvolvimento
Resumo As categorias ‘casa histórica’ e ‘museu-casa’ começaram o seu percurso na Europa, nos EEUU e na América Latina nos séculos XVIII, XIX e XX, respectivamente. Essa trajetória as conectou, pois, para a criação de um museu-casa, era usada geralmente uma casa histórica. A discussão sobre essas categorias qualificou-se em vários países por quase nove décadas – de 1934 ao presente –, com o papel exercido por distintas entidades e teóricos da Museologia e do Patrimônio, o que contribuiu para o desenvolvimento conceitual e a sua diferenciação, principalmente nos últimos vinte e cinco anos. Apesar desse avanço, ainda existem pesquisadores que usam esses termos como se fossem sinônimos. Casa histórica é um imóvel geralmente não aberto ao público, excepcional por suas características e que pode conservar ou não seus interiores, enquanto museu-casa é uma casa musealizada que necessita de um processo posterior ao da casa histórica para poder potencializar e visibilizar os valores do prédio, atuando como museu, ou seja, fazendo com que espaços criados para uso privado se tornem lugares públicos de exibição. A compreensão destas diferenças e similitudes resulta crucial na hora da abordagem museológica porque envolve discussões em torno da concepção do bem patrimonial.
2022-12-06T13:14:02Z
Cayer,Nelson Alexis Scheiner,Teresa Cristina
Arroz, protagonismo africano e a transformação ecológica das Américas
Resumen A publicação em 2001 do livro “Black rice: The African origins of rice cultivation in the Americas” desencadeou um animado debate entre acadêmicos dos EUA. A sua tese é de que os escravos africanos contribuíram para a história agrária do Novo Mundo muito mais do que com o mero trabalho. Segundo “Black rice”, foram os cultivadores de arroz oriundos da África ocidental que iniciaram a cultura do arroz nas Américas, onde aplicaram a sua experiência com a espécie africana de arroz na produção de um de seus alimentos básicos preferidos. Este texto resume o debate acadêmico que resultou da publicação de “Black rice” e avalia as suas influências teóricas e metodológicas evidenciadas em estudos subsequentes do conhecimento e protagonismo africanos na transferência e na transformação de plantas, paisagens, agricultura e gastronomia nas Américas. O artigo culmina com uma atualização da tese do “Black rice” a partir dos resultados de pesquisas acumulados nas últimas duas décadas.
2022-12-06T13:14:02Z
Carney,Judith A. Watkins,Case
No trilho da ‘viagem filosófica’ de Alexandre Rodrigues Ferreira: uma breve história das suas coleções e sua disseminação
Resumo A ‘viagem filosófica’ de Alexandre Rodrigues Ferreira é, de longe, a mais intensa e profusamente estudada pela comunidade acadêmica portuguesa e brasileira. Este artigo pretende fazer um ponto de situação em relação à história das coleções e ao modo como este valioso patrimônio foi considerado ao longo do tempo; e destacar como, ainda hoje, continua a ser um espólio importante e válido para as mais diversas áreas científicas. Nesse sentido, proponho, em primeiro lugar, fazer um ponto de situação sobre a origem da coleção documental, considerando os textos e os registros visuais (desenhos, mapas, espécimes naturais, herbários, materiais tridimensionais) e os seus múltiplos destinos; seguidamente, procuro entender como se processou a disseminação deste espólio e de que forma é que a comunidade acadêmica e a sociedade puderam gradualmente aceder aos textos e à iconografia, nomeadamente através de publicações, exposições, plataformas digitais; e, finalmente, pretendo destacar a riqueza dum conjunto documental que continua a permitir leituras múltiplas e olhares renovados não apenas a historiadores, mas também a cientistas das mais diversas áreas. Conjuntamente, eles têm um papel notável na preservação e na disseminação dum patrimônio que, por tanto tempo, ficou oculto, quase esquecido.
2022-12-06T13:14:02Z
Domingues,Ângela Maria Vieira
‘E do verbo fez-se’ partículas em Nheengatú
Resumo Estudos acerca do contato linguístico permitem observar hierarquias de acessibilidade a palavras de diferentes classes que possam ocorrer como empréstimos. Essas hierarquias indicam, por exemplo, que nomes são mais facilmente transferidos de uma língua para outra do que verbos e estes podem ser inseridos na língua-alvo como verbos, quando há adaptação morfológica, ou como partículas, quando há inserção direta. Neste artigo, apresenta-se o caso de quatro expressões verbais do Português que foram introduzidas em Nheengatú, língua geral amazônica em contato com o Português desde o século XVI, como partículas de modalidade deôntica – tenki de ‘tem que’ e presizu de ‘é preciso’ – e como marcadores de sentenças interrogativas – será de ‘será’, e seraki ‘será que’. Para tanto, primeiramente, apresentam-se os critérios que permitem distinguir uma classe de partículas em Nheengatú, para, em seguida, aplicá-los às partículas de origem verbal emprestadas do Português. Esta análise corrobora os estudos que indicam que marcadores de modalidade são mais facilmente acessíveis a ocorrerem como empréstimos linguísticos do que outras formas de tempo, aspecto e modo (TAM). No entanto, no Nheengatú, observa-se que expressões de modalidade epistêmica podem ser adaptadas na língua-alvo como marcadores gramaticais de sentenças interrogativas, considerados mais difíceis de ocorrerem como empréstimos.
2022-12-06T13:14:02Z
Cruz,Aline da Santos,Bárbara Heliodora Lemos de Pinheiro
Nuevo registro de Canis lupus familiaris prehispánico en el humedal del Paraná inferior con evidencias de aserrado perimetral
Resumen En este trabajo se presenta un nuevo registro de perro prehispánico recuperado en el sitio arqueológico Cerro Lutz, ubicado en el humedal del Paraná inferior. El material asignado a Canis lupus familiaris corresponde a un fémur proximal que presenta huellas de aserrado perimetral, lo cual indica que el espécimen fue utilizado con fines tecnológicos. La determinación específica del fémur se realizó sobre la base de un estudio morfométrico, en donde se incluyeron, con fines comparativos, fémures de otros dos individuos precolombinos de C. l. familiaris, como así también de los cánidos silvestres de la región (Cerdocyon thous, Dusicyon avus y Licalopex griseus). Los resultados obtenidos indican que el fémur corresponde a un individuo de talla mediana de similares características al primer ejemplar hallado en Cerro Lutz y al recuperado en el sitio CH2D01-II en Uruguay. En terminos tecnológicos constituye un elemento descartado durante el proceso de elaboracíon de un artefacto, probablemente una punta ahuecada. Para el aréa de estudio, este es el primer registro que existe sobre la utilización de un hueso de un perro precolombino como materia prima.
2022-12-06T13:14:02Z
Acosta,Alejandro Loponte,Daniel M. Buc,Natacha
Selecionar, cuidar e encaminhar: os médicos na Batalha da Borracha (1942-1944)
Resumo O objetivo deste artigo é examinar a atuação dos médicos do Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) na Batalha da Borracha durante a Segunda Guerra Mundial. O esforço de guerra e os acordos firmados com os Estados Unidos em 1942 implicaram o envio massivo de mão de obra brasileira para os seringais amazônicos. O artigo mostra como o processo de recrutamento e seleção de homens oriundos de diversas partes da região Nordeste para a extração de látex expressou e foi conformado por problemas históricos da sociedade brasileira: doença, desnutrição e analfabetismo. Esses médicos deveriam recrutar milhares de trabalhadores em uma população pobre e marcada pela seca e deles cuidar até a viagem para a Amazônia. O processo foi marcado por enorme pressão dos EUA, do governo federal e de governos nordestinos para que os médicos e as agências envolvidas cumprissem as metas acordadas, e também por críticas de setores econômicos pela diminuição da oferta de mão de obra barata no Nordeste. A atuação desses médicos é reveladora sobre as dramáticas condições de vida de homens nordestinos selecionados para uma marcha que os transformaria, heroica e tragicamente, em ‘soldados da borracha’.
2022-12-06T13:14:02Z
Miranda,Gabriela Alves Hochman,Gilberto
Visibilidade e intencionalidade das pinturas rupestres no sítio GO-CP-33, em Palestina de Goiás, Brasil
Resumo As pinturas rupestres do sítio GO-CP-33 estão localizadas no município de Palestina de Goiás, na região sudoeste do estado de Goiás. As figuras são marcadas por expressões que remetem a movimento, elas se diferenciam das demais tradições rupestres do Brasil. A análise dos grafismos possibilitou a percepção da distribuição espacial das imagens, da medição da altura dos painéis e da organização dos dados para verificação do alcance visual das figuras, tomando como referência uma pessoa que estivesse diante dos painéis rupestres. A partir dos dados, ficou sugerido que as escolhas dos suportes rochosos estiveram relacionadas a diferentes estratégias de visibilidade: alguns grafismos foram postos para serem vistos com facilidade e outros, pouco acessíveis ao olhar. Tomou-se como base que as representações rupestres são detentoras de sentidos diversos, dotadas de agência e relacionadas a práticas culturais para as quais a memória coletiva dos ocupantes teria sido um elemento temporal relevante. Entendemos que as articulações envolvidas na visibilidade das figuras não se encerram na dicotomia em torno do ‘ver’, mas fazem parte de uma dinâmica interativa constituída pelo alcance visual, pelo tema das composições gráficas e pelo contexto em que se encontram e podem estar também articuladas a outras dimensões da cultura.
2022-12-06T13:14:02Z
Procópio,Grazieli Pacelli Viana,Sibeli Aparecida
A flauta-jaguar e outros aerofones wauja: uma contribuição xinguana ao instrumentarium zoologica Amazonia
Resumo Estudos etnomusicológicos recentes sobre as flautas xinguanas revelam sistemas de extraordinária complexidade sociológica, simbólica e sonora, abrangendo poética musical, relações de gênero, ontologia política e agência cosmológica. Entretanto, pouco se conhece sobre suas identidades espirituais específicas e as implicações de tais identidades para a economia simbólica dos rituais musicais. O objetivo deste artigo é oferecer uma contribuição ao conhecimento do instrumentarium zoologica Amazonia a partir dos xamanismos musical e visionário-divinatório wauja. O objeto central da minha análise é um trio de flautas de madeira, feito em 1991 e ainda atuante, que tem o jaguar como identidade espiritual e cuja identificação decorre de processos xamânicos. Essa relação entre aerofones e jaguares aponta para o modelo teórico, recentemente proposto, da continuidade ontológica entre seres sobrenaturais e artefatos na Amazônia. Embora a organologia e a materialidade sejam importantes para o entendimento dessa relação, há, porém, um aspecto ainda pouco considerado por esse modelo: a visualidade. Este artigo propõe avançar a hipótese de que a atribuição de identidades espirituais aos aerofones tem uma relação direta com o modo como as transformações corporais são imaginadas pelos xamãs.
2022-12-06T13:14:02Z
Barcelos Neto,Aristoteles
Counterfactual and non-counterfactual conditional constructions in Kuikuro (Upper Xingu Carib)
Abstract Kuikuro is one of the varieties of the Upper Xingu Carib Language, of the Southern Xinguan Branch of the Carib family, which is spoken by approximately 600 people, in the region known as the Upper Xingu, at the southern edge of the Brazilian Amazon. This article focuses on counterfactual and non-counterfactual conditional constructions in Kuikuro. After an introduction containing the relevant information on methodology, theoretical background and the main questions that arise from the Kuikuro data, the article is further organized into two sections. The first one offers a brief introduction to the Kuikuro people and a sketch of the Kuikuro morphosyntactic typology and the relevant grammatical facts. The second section describes counterfactual and non-counterfactual conditional constructions. The results of this preliminary study show that Kuikuro speakers have multiple morphosyntactic resources available to realize utterances expressing conceptual and pragmatic domains of possibility, whether these are asserted, assumed, or denied.
2022-12-06T13:14:02Z
Franchetto,Bruna
Conjunction and additive constructions in the language of the Gavião of Rondônia
Abstract As a contribution to the study of complex structures in native Amazonian languages, this article examines the syntax of additives and conjunctions in the language of the Gavião of Rondônia. In this language the particle k ĩ ´í ‘also, too, and’ is used to form additive (‘also’) constructions with noun phrases and verb phrases, without creating conjoined syntactic constituents. The same particle is also used to form constructions with conjoined constituents, in which two or more verb phrases or two or more noun phrases are conjoined. The different functions of the particle have different and somewhat complicated syntactic structures. A brief description of basic Gavião syntax is provided, to have a basis for understanding the structure of the additives and conjunctions. Examples are given to describe the patterns observed and to provide tests to determine the constituent structure of the conjoined constructions. Composition rules for conjoined and additive constructions are offered when there is sufficient evidence. The semantic difference between participles and conjunctions is noted. Typological properties of Gavião additives and conjunction are discussed. Conjunction is of the postpositive bisyndetic type. Disjunction, ‘or’, which also appears in the language, is briefly described.
2022-12-06T13:14:02Z
Moore,Denny
How to not lose the track: tail-head linkage as a mechanism for maintaining cohesion of spatial information in Dâw narratives
Abstract References to landscape and places are central in traditional narratives by speakers of Dâw (Naduhup, Brazilian Amazon). This emphasis on spatial reference is primarily established through locative adverbial clauses that are often repeated throughout the discourse. Their function is to relate an event to a place, establish reference to locative information mentioned earlier in discourse, and provide cohesion when pre-posed to the main clause. In this syntactic position, they act as bridges connecting sentences and paragraphs by referring to antecedent context. Locative adverbial clauses in clause-initial position are interesting in Dâw because they can occur as exact replicas of a locative adverbial clause that was postposed to the main clause of the antecedent sentence. This strategy has been described in the literature as tail-head linkage. Its central function is to maintain coherence among participants and events along subsequent sentences in discourse and to ensure that the interlocutor is able to track the numerous locations mentioned in the narrative. This paper explores the functional and formal properties of tail-head linkage by focusing on locative adverbial clauses in Dâw, and contributes to the understanding of how processes of subordination can be responsible for tracking spatial information in the discourse of Dâw speakers.
2022-12-06T13:14:02Z
Obert,Karolin
Anaphora and subordination in Karitiana
Abstract This paper describes the behavior of the anaphoric element ta- in Karitiana (Arikém branch, Tupian family) showing that it is a third person anaphor which must be bound (c-commanded and coindexed) by an antecedent in the same sentence. ta- may occur as a possessor clitic attached to a nominal, or as a subject or object clitic attached to a verb. We show with elicited and spontaneous data that the Karitiana anaphor is subject oriented when occurring in embedded environments, being able to refer to the subject of the matrix clause or to the subject of an embedded clause in cases of multiple embedding. We analyze this lexical item as a medium-distance anaphor, following the definition of Reuland and Koster (1991). Logophoric uses of the ta- anaphor are also exemplified and briefly discussed.
2022-12-06T13:14:02Z
Storto,Luciana Vivanco,Karin
Clause chaining and switch-reference in Aikanã and Kwaza
Abstract In Aikanã and Kwaza, neighbouring endangered isolate languages of Rondônia, Brazil, sentences can include chains of medial clauses and end with a predicate in a matrix sentence mood, such as declarative, interrogative etc. In Kwaza, traditional narratives may even consist of a single long string of medial clauses, terminated by a fixed formula in the declarative mood. In both languages, subject (dis)continuity is expressed by a switch-reference system that indicates on the predicate of the current clause whether the subject of the next clause will be different or not. In this descriptive article I present similarities and differences between the systems of switch-reference in Aikanã and Kwaza. Among the differences, I discuss cases of formally marked switch-reference that appears to express topic discontinuity rather than subject discontinuity, in Kwaza. Also, I analyse the unusual anticipatory nature of the Kwaza system. As a special feature of this article I include two versions of a traditional mythological narrative, originally told in Aikanã and later retold in Kwaza, to illustrate clause chaining and switch-reference through a coherent and culturally relevant text.
2022-12-06T13:14:02Z
Voort,Hein van der
JACARANDA RONDONIAE VATTIMO N.SP. BIGNONIACEAE - SEÇÃO DILOBOS ENDL.
Continuando o estudo de material botânico herborizado, do INPA, das espécies de Jacaranda Jussieu (Bignoniaceae - Seção Dilobos Endl.), da região Norte do Brasil, o autor teve a oportunidade de encontrar uma nova espécie desse gênero, a qual denominou de Jacaranda rondoniae Vattimo n. sp., sendo o epiteto dedicado ao Território de Rondônia onde foi encontrada.
2022-12-06T13:14:02Z
VATTIMO,ITALO DE