RCAAP Repository
Ocupação inicial das Américas sob uma perspectiva bioarqueológica
Resumo A ocupação das Américas tem sido discutida cientificamente desde o século XIX, gerando uma infinidade de modelos explicativos. Por outro lado, há limitações das evidências empíricas das primeiras ocupações, causadas por problemas depreservação e pela baixa visibilidade arqueológica. Nesse aspecto, o uso de dados biológicos de populações humanas atuais e antigas tem fornecido informações cruciais para a interpretação dessas primeiras ocupações. Sob uma perspectivabioarqueológica, ou seja, através do estudo dos remanescentes biológicos humanos em contexto arqueológico, este texto sintetiza o atual entendimento sobre a rota de entrada, a data de entrada inicial, o número de migrações, a subsistência eos rituais mortuários dos primeiros americanos. Os resultados desse panorama sintético indicam que há temáticas de alto consenso (rota de entrada), de consenso intermediário (data de entrada) e de baixo consenso (número de migrações).Por outro lado, temáticas como a saúde e o modo de vida dos habitantes antigos das Américas ainda carecem de estudos mais aprofundados. Este texto ressalta a importância do conhecimento bioarqueológico para a formulação de modelosde ocupação, buscando incorporar de forma equilibrada evidências da América do Sul e do Norte.
2019
Da-Gloria,Pedro
Um réquiem para Clovis
Resumo No início do século XXI, o tema povoamento inicial da América ainda é sinônimo de controvérsia. Para além da diversidade de interpretações sobre os contextos arqueológicos com datações pleistocênicas, as divergências sobrea origem dos povos ameríndios recebem influências das diferentes lógicas que afetam a prática da arqueologia nas Américas, reforçadas pelos eventos científicos e por revistas acadêmicas. Essas questões serão analisadas aqui a partirde minha experiência como participante da conferência Paleoamerican Odyssey, que ocorreu em 2013 em Santa Fé, no Novo México (EUA).
2019
Dias,Adriana Schmidt
Arqueologia do povoamento inicial da América ou História Antiga da América: quão antigo pode ser um ‘Novo Mundo’?
Resumo Neste texto, discutimos o tema do povoamento inicial da América como uma narrativa – mais do que sítios, datas e artefatos, são analisados os discursos construídos a partir destes ‘dados’. Esta proposta baseia-se em uma perspectiva da Arqueologia que enfatiza a dinâmica social envolvida na construção do passado. Um dos pontos discutidos envolve a desconstrução da dicotomia entre ‘história x pré-história’ nas Américas. Essa discussão baseia-se em propostas relacionadas à ideia de ‘tempo profundo’ e ‘história profunda’, como já vem sendo discutido por historiadores, arqueólogos e antropólogos em outros países. Além de uma discussão conceitual sobre a construção dessas narrativas, propomos uma reflexão tambémsobre aspectos metodológicos vinculados à pesquisa de contextos relacionados aos momentos iniciais de entrada de pessoas nas Américas. Por fim, sugerimos alguns pontos para reflexão no sentido de construirmos uma História Antigadas Américas que incorpore diferentes formas de narrativa e temporalidades, cuja construção envolveria posições mais simétricas entre os diversos grupos que compõem essa história.
2019
Bueno,Lucas
Imagens dobráveis: posição e ubiquidade nos xamanismos ameríndios
Resumo Este artigo trata da relação entre a configuração da pessoa e as relações espaciais e temporais nos xamanismos das terras baixas da América do Sul. Partindo da análise de depoimentos e relatos etnográficos, busca-se aqui compreender,especificamente, experiências de ubiquidade características de processos de iniciação e de deslocamento. Aspectos das singulares topologias xamânicas estarão, assim, associados a alguns de seus desdobramentos notáveis, como a qualidadeintensiva da luminosidade, característica das concepções xamanísticas de espaço e tempo. Pretende-se, ainda, demonstrar como tais concepções terminam também por produzir uma condição humana marcada pela separação e pela falha, responsáveis pela produção de constantes dinâmicas rituais.
2019
Cesarino,Pedro de Niemeyer
Perspectiva histórico-cultural e investigación antropológica en Chile: una aproximación a los aportes de Max Uhle, Martin Gusinde y Aureliano Oyarzún (1910-1947)
Resumen Este artículo analiza la producción intelectual y contribuciones desde los postulados de la Escuela Histórico-Cultural austro-alemana en el desarrollo científico y fundamentación institucional de la antropología en Chile. Mediante una aproximación a la trayectoria y obra de Max Uhle, Martin Gusinde y Aureliano Oyarzún, se presentan algunos elementos que tienen por objetivo caracterizar los aportes en las investigaciones realizadas en el país, así como su contribución alas dinámicas socio-institucionales que permiten el nacimiento de la antropología científica hacia inicios del siglo XX. Para cumplir con dicho objetivo, se procedió mediante una aproximación de corte histórico, desde la cual se profundizó en el análisis de la producción científica de dichos autores. Esto permitió identificar y caracterizar actores, áreas de trabajo, núcleos temáticos comprendidos en el ejercicio antropológico, arqueológico y etnológico. Esta investigación entrega elementos que permiten discutir ciertas afirmaciones sobre la antropología a comienzos del siglo XX en Chile, entre ellas, la idea de la homogeneidad de sus prácticas, así como lo gravitante de su contribución con una política estatal de construcción de la nación
2019
Vilches,Rodrigo Andrés Vásquez Nawrath,Héctor Iván Mora Lizana,Miguel Ignacio Fernández
A organização do trabalho familiar sob a influência da produção de dendê em Tomé-Açu, Pará
Resumo O objetivo deste artigo é analisar a organização do trabalho em estabelecimentos familiares, cujos membros têm diferentesrelações com a dendeicultura na vila Água Azul, Tomé-Açu, Pará, considerando o debate sobre os impactos desta atividade no trabalho familiar e a tendência para a realização de uma agricultura com mais culturas perenes. A pesquisa envolveutrês tipos de famílias: com contrato para a produção de dendê, com algum membro assalariado na dendeicultura ou sem nenhuma relação com esta atividade. As conclusões mostram que: i) a organização do trabalho depende do tamanho daterra, do ciclo de desenvolvimento do grupo doméstico e do sistema de produção; ii) há relação direta entre a produção de dendê e a dependência da contratação de mão de obra; iii) há predominância de homens no trabalho agrícola e demulheres em outras atividades. O trabalho nos estabelecimentos resulta de numerosos arranjos e tem sido ressignificado, com a secundarização de culturas alimentares onde se cultiva dendê e com maior diversificação nos estabelecimentosque não têm relação com a dendeicultura. Aumenta, assim, a diferenciação das famílias quanto aos sistemas de produção e aos arranjos para o trabalho.
2019
Mota,Dalva Maria da Ribeiro,Laiane Schmitz,Heribert
Uma abordagem interdisciplinar do sítio arqueológico Cedro, baixo Amazonas
Resumo A região de Santarém serviu de cenário para o desenvolvimento de uma das maiores sociedades regionais da Amazônia durante o período pré-colonial tardio. Os habitantes desta região, descritos pelas crônicas coloniais como ‘Tapajó’, ocuparam uma vasta área ao sul do sítio Santarém, centro sociopolítico dessa sociedade. No platô de Belterra, estabeleceram ocupações permanentes e autônomas, como o sítio Cedro, localizado a 30 km do sítio Santarém. Por meio do estudo do sítio Cedro, este trabalho visa aprofundar duas das vertentes desenvolvidas pelo paradigma histórico-ecológico: o método interdisciplinar e a perspectiva de longa duração. Através de análises cerâmicas e líticas, geoquímicas e arqueobotânicas, nosso estudo evidencia quatro áreas de atividade usadas pelos moradores do sítio: (1) uma área de preparo de alimentos, que também serviu de oficina cerâmica; (2) uma área de enterramento de vasilhas; (3) um bolsão ritual; e (4) um poço artificial. Ao relacionar o contexto arqueológico com o uso do espaço na longa duração, verifica-se que a presença de terra preta e de poços na área do platô de Belterra, que continuam sendo utilizados, nos permite refletir sobre as possíveis funções desses dois elementos durante a época pré-colonial e sobre a continuação de práticas sociais antigas na atualidade.
2019
Troufflard,Joanna Alves,Daiana Travassos
A cronologia Jê meridional e os novos dados para o alto curso do Arroio Cará, Coxilha Rica, Lages, Santa Catarina
Resumo Este trabalho apresenta os resultados do estudo arqueológico de dois conjuntos de estruturas subterrâneas relacionadas a grupos Jê meridionais, localizadas no alto curso do Arroio Cará, no território cultural da Coxilha Rica, situada no planalto dos Campos Gerais, em Santa Catarina, Sul do Brasil. A revisão dos dados cronológicos disponíveis para sítios Jê meridionais possibilitou identificar a maior concentração de datas entre 800 e 1.600 AD. Foram obtidas três novas datas em 14C para os sítios pesquisados: 680 +/- 30 anos 14C AP para o sítio SC.PQ.17 e 1.440 +/- 30 anos 14C AP e 350 +/- 30 14C anos AP para o sítio SC.PQ.18. A ocupação mais recente, do sítio arqueológico SC.PQ.18, pode estar relacionada ao grupo cartografado por Curt Nimuendajú, junto aos rios Canoas e Pelotas, como ‘Pinaré’.
2019
Perin,Edenir Bagio Herberts,Ana Lucia Oliveira,Marcelo Accioly Teixeira de
Leishmanioses: sua configuração histórica no Brasil com ênfase na doença visceral nos anos 1930 a 1960
Resumo Casos pioneiros de leishmaniose cutânea e mucocutânea nas Américas foram descritos em São Paulo, em 1909; somente em 1934, um patologista do Serviço de Febre Amarela encontrou a leishmaniose visceral no Brasil. Processos históricos concernentes a essas formas ganharam mais vigor institucional nos anos 1930. Se a Comissão para o Estudo da Leishmaniose consolidou o conceito de leishmaniose tegumentar americana, a Comissão Encarregada do Estudo da Leishmaniose Visceral Americana, chefiada por Evandro Chagas, deu origem ao Instituto de Patologia Experimental do Norte (1936) e ao Serviço de Estudo das Grandes Endemias (1938). A leishmaniose visceral ganhou crescente relevância no Nordeste brasileiro, nos anos 1950. Medidas de controle dos vetores por Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) ocorreram a reboque da campanha contra a malária, direcionadas também a cães, sacrificados massivamente, e humanos, tratados com drogas antimoniais. Grandes empreendimentos no interior do Brasil após o golpe civil-militar de 1964 transformaram a leishmaniose cutânea e mucocutânea em um problema sério na Amazônia e em outras regiões. No Brasil e em outros países, todas as formas de leishmaniose supostamente sob controle reemergiram em zonas rurais e urbanas e em áreas consideradas livres desse complexo de doenças endemoepidêmicas, devido a mudanças ambientais, migrações humanas, crescimento urbano caótico e outros processos socioeconômicos.
2019
Benchimol,Jaime Larry Gualandi,Frederico da Costa Barreto,Danielle Cristina dos Santos Pinheiro,Luciana de Araujo
Ecologia, doença e desenvolvimento na Amazônia dos anos 1950: Harald Sioli e a esquistossomose na Fordlândia
Resumo O artigo trata dos estudos do biólogo alemão Harald Sioli sobre a esquistossomose na região de Fordlândia, às margens do rio Tapajós, no Pará, realizados no início dos anos 1950, quando integrou a equipe do Instituto Agronômico do Norte (IAN). O IAN foi criado em 1939, no bojo de uma série de iniciativas destinadas a promover o desenvolvimento de regiões brasileiras, tidas como ‘atrasadas’ e vistas como ‘vazios demográficos’, por meio da agricultura, do incentivo à migração, de obras de infraestrutura e de ações de planejamento econômico. Sioli abordou a esquistossomose a partir de uma perspectiva ecológica. Correlacionou sua incidência com fatores ambientais ligados à distribuição dos caramujos hospedeiros, a atividades humanas e aos padrões de ocupação da terra. Dessa forma, podemos filiá-lo à vertente ecológica de estudo das doenças infecciosas, mostrando que ela teve lugar no auge do otimismo sanitário e do ciclo ideológico do desenvolvimentismo.
2019
Silva,André Felipe Cândido da Sá,Dominichi Miranda
Os fragmentos da história: primeiras notas etnográficas sobre os Tupi e Tupi Guarani
Resumo Nesta nota de pesquisa, apresento parte de uma etnografia histórica que, atualmente, venho desenvolvendo com os Tupi e os Tupi Guarani das aldeias localizadas em diversos pontos do litoral e do interior de São Paulo. O que segue é uma tentativa de reconstituir o processo de formação das identidades homônimas ocorrido entre os séculos XIX e XXI. Para tal propósito, procurei reunir os fragmentos de memória oral dos txeramôes e txedjrays, avôs e avós destes indígenas, e de documentos escritos – disponíveis nos acervos do Serviço de Proteção ao Índio da Fundação Nacional do Índio (SPI-FUNAI), do Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP), em bibliotecas etc. Os resultados preliminares indicam que, no século XIX, intelectuais e políticos consideravam como certo o fim dos grupos Tupi, seja pela miscigenação ou pelo extermínio; como também indicam a existência, na contemporaneidade, de indígenas que se afirmam como descendentes dos grupos Tupi – até então vistos como extintos – e dos grupos Guarani que, através dos últimos deslocamentos do século XIX, ali se estabeleceram. Logo, o que apresento aqui é parte de um estudo que visa compreender o processo de retomada dos territórios tupi e tupi guarani, que levou ao atual complexo de aldeias.
2019
Bertapeli,Vladimir
Coleções etnobotânicas no Brasil frente à estratégia global para a conservação de plantas
Resumo Este artigo aborda o processo de implementação de acervos etnobotânicos no Brasil, com enfoque nas coleções da Amazônia brasileira e sua importância frente às metas da Estratégia Global para a Conservação de Plantas (GSPC) no país.Foram identificadas quatro recentes coleções etnobotânicas no Brasil: duas encontram-se no Sudeste – no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e no Jardim Botânico da Fundação Zoobotânica de Minas Gerais (JBFZB-BH), – e duas no estadodo Pará – no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e na Universidade do Estado do Pará (UEPA) –, reunindo mais de mil e quinhentas amostras, distribuídas em diferentes categorias de uso, com destaque para a medicinal. Estas coleçõesrefletem a importância da flora dos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia em diversos contextos socioculturais e estão relacionadas às atividades voltadas a atingir pelo menos três das metas delineadas pela GSPC. Portanto, acervosdessa natureza devem ser encorajados e apoiados, dado o seu inestimável valor científico e cultural.
2019
Melo,Paula Maria Correa de Oliveira Fonseca-Kruel,Viviane Stern da Lucas,Flávia Cristina Araújo Coelho-Ferreira,Márlia
Estudos sobre partículas
No summary/description provided
2019
Magalhães,Marina Maria Silva Silva,Léia de Jesus
Partículas em Sikuani
Resumo Este artigo analisa um grupo particular de morfemas da língua Sikuani (Guahibo), no intuito de demonstrar que: 1) no nível da forma, o grupo tem propriedades de classe; 2) no nível funcional, ele possui correlatos semânticos e pragmáticos tipicamente gramaticais; e 3) ele é certamente passível de uma caracterização em termos de protótipo. A análise é levada a cabo almejando níveis apreciáveis de explicitação e exaustividade, incluindo uma primeira identificação das classes de morfemas da língua, o inventário ilustrado dos morfemas que são objeto deste estudo, uma segunda identificação das classes de morfemas da língua e a síntese dos resultados. O conjunto de considerações feitas ao longo do artigo pretende contribuir para a validação da – reiteradamente questionada – noção tipológica de ‘partícula’.
2019
Queixalós,Francesc
Partículas em Mundurukú (Tupí)
Resumo O objetivo deste artigo é elaborar uma análise sobre partículas em Mundurukú: interrogativas; negação, contraste e restrição; ênfase/modalização e euforia; inclusão; e tempo, aspecto e modo (TAM). A proposição dessa classe de palavras seguiu critérios formais e funcionais, aqui apresentados tanto para justificar a existência de partículas nessa língua quanto para contribuir com o debate teórico sobre esse tema. Os dados advêm de narrativas orais e escritas, descrições de procedimentos de caça, produção de cestaria e rede de dormir, material produzido para área de saúde e elicitações. Partículas em Mundurukú são formas invariáveis, em sua maioria monossilábicas átonas, com status funcional e não lexical. Elas têm escopo sobre constituintes, ocorrendo, em sua maioria, após eles, podendo também ter escopo sobre sentenças inteiras. Exercem funções tipicamente pragmáticas, como focalização contrastiva e modalização. A posição e o contorno fonológico criado pelas partículas mostram seu escopo, mas ele não é restrito ao constituinte ou à sentença, estabelecendo uma relevante interferência no fluxo conversacional, de modo a restringir, contestar, afirmar, corrigir, incluir, questionar informações e demonstrar estados de espírito, como irritação, euforia, admiração, polidez, certeza, incerteza. As partículas se prestam, ainda, a expressar hipóteses, ordem e tempo próximo no passado ou no futuro.
2019
Gomes,Dioney Moreira
O lugar das partículas entre palavras, morfemas e sintagmas em Kubeo
Resumo Este artigo descreve a noção de palavras, morfemas e sintagmas em Kubeo, avaliando criticamente o status de partículas. Após uma abordagem que aponta as dificuldades analíticas para se definir as fronteiras entre palavras e sintagmas na língua, bem como os diferentes critérios usados para diferenciar tipos de palavras e tipos de morfemas sob um ponto de vista estrutural, funcional e fonológico, estudamos as partículas como uma classe de palavras cuja função principal é a de marcadores pragmáticos. Partículas não são assumidas a priori, mas emergem como resultado de um percurso metodológico, que questiona a necessidade dessa categoria descritiva, cuidadosamente delimitando-a e diferenciando-a de outras classes de morfemas.
2019
Chacon,Thiago Costa
A partícula ‘tá(~matá)’ na estrutura oracional da língua guajá
Resumo O artigo examina as propriedades morfossintáticas da partícula ‘tá(~matá)’ na estrutura oracional da língua guajá, considerando seu desenvolvimento em termos de uma abordagem formal da gramaticalização. Partindo do estudo de Magalhães (2007), em que tal categoria é analisada como partícula aspectual projetiva (PROJ), discutimos seu estatuto sintático, tomando por base a ocorrência de correlatos em outras línguas da família Tupí-Guaraní (TG), particularmente na língua kamaiurá. Adotando o quadro teórico gerativista (Chomsky, 1995), propomos que a partícula projetiva ‘tá(~matá)’ (PROJ) do guajá realiza o núcleo funcional [T(ense)], definido por um modelo cartográfico da estrutura oracional. Essa análise é avaliada em relação às propriedades estruturais da negação, por um lado, e à distribuição dos traços de concordância de sujeito, por outro lado.
2019
Salles,Heloisa Lima
The particle ‘ke’ as a differential object and subject marker in Ka’apor
Abstract The main purpose of this article is to show that the Ka’apor language exhibits both direct object marking (DOM) and differential subject marking (DSM). This research demonstrates that the particle ke is responsible for triggering these systems, since it is used when agent subjects are semantically affected by the event described by the verb and when objects are high on the animacy scale. In this sense, the DOM mechanism in Ka’apor is regulated by both the animacy and definiteness scales. With regard to DSM, I hypothesize that it emerges as an example of a markedness reversal, since affectedness is not a typical property of subjects, but only of objects. As a result, DSM in Ka’apor is characterized by the fact that only subjects which resemble typical patient objects are overtly case-marked by the particle ke.
2019
Duarte,Fábio Bonfim
Partículas de Final de Sentença (PFS): uma análise cartográfica por fases sobre o sistema da língua Tenetehára
Resumo O objetivo deste artigo é analisar a distribuição das Partículas de Final de Sentença (PFS) em Tenetehára, as quais compõem um conjunto de itens funcionais que ocorrem em uma posição sintática rígida em posição sentencial final. A ordem das PFS nesta língua pode ser formalmente capturada se for considerada uma única estrutura de base, a partir da qual se deriva, por movimentos sintáticos, a ordem dessas categorias. Assim, a proposta é de que a linearização dessas partículas à direita é o resultado do movimento de uma partícula mais baixa, i.e., o alçamento de uma projeção contendo uma dessas partículas para o especificador de uma projeção dominante. A análise aqui apresentada tem o mérito de integrar harmoniosamente duas propostas teóricas da Teoria de Princípios e Parâmetros: a Hierarquia de Cinque (1999) e a Abordagem de Derivação por Fases (Chomsky, 2001).
2019
Camargos,Quesler Fagundes Castro,Ricardo Campos Tescari Neto,Aquiles
Partícula interrogativa e pitch-accent frasal nas perguntas polares em fa d’Ambô
Resumo Apresentamos os recursos linguísticos para a realização de perguntas polares em fa d’Ambô (FA), a partir de um corpus formado por dados obtidos na Guiné Equatorial. Discutimos o (i) uso da partícula interrogativa final a; e a (ii) associação de pitch-accent frasal à última mora da palavra prosódica final da sentença, com alteração do acento da palavra e elevação da entonação, padrão linguístico não documentado, embora previsto por Gordon (2014). A interrogativa faculta o uso da partícula a para perguntas polares, porém seu uso não é licenciado em perguntas-QU. Trabalhos anteriores não abordaram essa questão (Barrena, 1957; Post, 1995; Zamora, 2010) ou afirmaram que as interrogativas polares eram construídas como as declarativas (Post, 1995). Argumentamos que, em FA, palavras acentuadas ao final da sentença interrogativa polar diferem daquelas que ocorrem em outras posições e que o pitch-accent é atraído ao limite direito da sentença, padrão não documentado em uma língua de sistema top-down (Gordon, 2014). Destacando o fato de a partícula final a ocorrer em FA e em outros crioulos de base portuguesa do Golfo da Guiné, oferecemos evidências para sua presença no Proto-Crioulo do Golfo da Guiné, bem como da influência das línguas do substrato Níger-Congo, sobretudo aquelas do cinturão sudanês.
2019
Agostinho,Ana Lívia Araujo,Gabriel Antunes de Santos,Eduardo Ferreira dos