RCAAP Repository
From Pets to Pests: Testing the Scope of the “Pets as Ambassadors” Hypothesis
Positive relationships with pets can sometimes foster more positive judgments of other animals. The present study sought to examine the scope of this “pets as ambassadors” effect in relation to four meaningful animal categories (companion, farmed, predator, and pest) derived from the Animal Images Database (Animal.ID). The Animal.ID contains ratings from 376 Portuguese individuals on pet attachment and several dimensions related to animal attributes and moral concern for 120 different animals, which offered insights into the scope and nature of the “pets as ambassadors” effect. Pet attachment was related positively to ethical concern for animals and lower levels of speciesism. The relationship between pet attachment and animal attributions were expressed, beyond companion animals, most consistently for predators and farmed animals, and least of all pests. The benefits of pet attachment centered mostly on aesthetic judgments and benevolent feelings toward predators and farmed animals, sentience attributions for pests, and concerns about the killing of all animal groups for human consumption. Pet attachment did not reliably relate to the attributions individuals made about the intelligence or dangerousness of animals, or their similarity to humans. The findings help clarify how pets might serve as ambassadors for other animals.
2025-10-28T12:13:06Z
Possidónio, Catarina Piazza, Jared Raymond Graça, João Prada, Marília
Point-of-care ultrasound to assess volume status and pulmonary oedema in malaria patients
Purpose: Fluid management is challenging in malaria patients given the risks associated with intravascular fluid depletion and iatrogenic fluid overload leading to pulmonary oedema. Given the limitations of the physical examination in guiding fluid therapy, we evaluated point-of-care ultrasound (POCUS) of the inferior vena cava (IVC) and lungs as a novel tool to assess volume status and detect early oedema in malaria patients. Methods: To assess the correlation between IVC and lung ultrasound (LUS) indices and clinical signs of hypovolaemia and pulmonary oedema, respectively, concurrent clinical and sonographic examinations were performed in an observational study of 48 malaria patients and 62 healthy participants across age groups in Gabon. Results: IVC collapsibility index (CI) ≥ 50% on enrolment reflecting intravascular fluid depletion was associated with an increased number of clinical signs of hypovolaemia in severe and uncomplicated malaria. With exception of dry mucous membranes, IVC-CI correlated with most clinical signs of hypovolaemia, most notably sunken eyes (r = 0.35, p = 0.0001) and prolonged capillary refill (r = 0.35, p = 0.001). IVC-to-aorta ratio ≤ 0.8 was not associated with any clinical signs of hypovolaemia on enrolment. Among malaria patients, a B-pattern on enrolment reflecting interstitial fluid was associated with dyspnoea (p = 0.0003), crepitations and SpO2 ≤ 94% (both p < 0.0001), but not tachypnoea (p = 0.069). Severe malaria patients had increased IVC-CI (p < 0.0001) and more B-patterns (p = 0.004) on enrolment relative to uncomplicated malaria and controls. Conclusion: In malaria patients, POCUS of the IVC and lungs may improve the assessment of volume status and detect early oedema, which could help to manage fluids in these patients.
2025-10-28T12:17:04Z
Pugliese, Christina M. Adegbite, Bayode R. Edoa, Jean R. Mombo-Ngoma, Ghyslain Obone-Atome, Fridia A. Heuvelings, Charlotte C. Bélard, Sabine Kalkman, Laura C. Leopold, Stije J. Hanscheid, Thomas Adegnika, Ayola A. Huson, Mischa A. Grobusch, Martin P.
António Ramos Rosa: escrever o poema universal
Poeta, crítico, ensaísta e tradutor, António Ramos Rosa (1924-2013) é uma personalidade incontornável da poesia e do pensamento portugueses da segunda metade do século XX. Por ocasião dos 60 anos da publicação do primeiro livro do poeta, O Grito Claro (1958), o CLEPUL organizou o Congresso Internacional "António Ramos Rosa: Escrever o Poema Universal", que teve lugar na Biblioteca Nacional de Portugal entre os dias 17 e 19 de Outubro de 2018. Desse encontro, nasceu o conjunto de ensaios compilados neste livro, que, contemplando as várias dimensões da escrita do autor - poesia, ensaio, crítica, epistolografia e tradução -, assim como a totalidade da sua vastíssima obra, constitui um precioso contributo para a renovação da leitura e da recepção da obra rosiana.
Orofacial musculoskeletal pain : an evidence-based bio-psycho-social matrix model
Pain is a multidimensional experience comprising sensory-discriminative, affective-motivational, and cognitive-evaluative dimensions. Clinical and research findings have demonstrated a complex interplay between social burdens, individual coping strategies, mood states, psychological disorders, sleep disturbances, masticatory muscle tone, and orofacial musculoskeletal pain. Accordingly, current classification systems for orofacial pain require psychosocial assessments to be an integral part of the multidimensional diagnostic process. Here, we review evidence on how psychosocial and biological factors may generate and perpetuate musculoskeletal orofacial pain. Specifically, we discuss studies investigating a putative causal relationship between stress, bruxism, and pain in the masticatory system. We present findings that attribute brain structures various roles in modulating pain perception and pain-related behavior. We also examine studies investigating how the nervous and immune system on cellular and molecular levels may account for orofacial nociceptive signaling. Furthermore, we review evidence pointing towards associations between orofacial musculoskeletal pain and neuroendocrine imbalances, sleep disturbances, and alterations of the circadian timing system. We conclude with several proposals that may help to alleviate orofacial pain in the future.
2025-10-28T12:17:04Z
Ettlin, Privatdoz Dominik A Napimoga, Marcelo Henrique Meira e Cruz, Miguel Clemente-Napimoga, Juliana Trindade
Habitat and population estimates of Príncipe flagship species: Príncipe thrush Turdus xanthorhynchus, and Obô giant snail Archachatina bicarinata
O número de espécies ameaçadas de extinção tem crescido rapidamente devido às atividades humanas, estimando-se que o rácio de extinções tenha aumentado entre 100 a 1000 vezes em relação aos tempos anteriores ao surgimento do ser humano. A alteração do uso do solo é considerada a maior ameaça para a sobrevivência de muitas espécies, com a agravante de facilitar o aparecimento de muitas outras ameaças, como a proliferação de espécies invasoras. Atualmente assistimos a uma rápida alteração dos usos do solo, como tal é urgente identificar áreas prioritárias para conservação, em especial nos trópicos, onde se concentra grande parte da biodiversidade e onde as alterações antropogénicas se têm acentuado mais rapidamente nas últimas décadas. Neste contexto, conhecer a distribuição das espécies e as suas associações ambientais é essencial para desenvolver medidas de conservação. A ilha do Príncipe, no Golfo da Guiné, faz parte de um hotspot de biodiversidade a nível global, e é uma reserva da biosfera da UNESCO. A maior parte destes reconhecimentos deve-se à sua biodiversidade, que apesar da sua reduzida dimensão é muito rica em endemismos, com pelo menos 9 espécies de aves e 29 espécies de moluscos terrestres endémicas. Entre estas, contam-se algumas espécies particularmente carismáticas, como o tordo-do-Príncipe e o búzio-d’Obô. O tordo-do-Príncipe, Turdus xanthorhynchus, é uma espécie “Criticamente Ameaçada” endémica do Príncipe, que ocorre sobretudo em floresta nativa, desde o nível do mar até aos 800 m de altitude. O búzio-d’Obô, Archachatina bicarinata, é uma espécie “Vulnerável” endémica de São Tomé e Príncipe, que também está fortemente associada à floresta nativa. Ambas as espécies têm sido utilizadas como bandeira para consciencializar os habitantes locais para a perda de biodiversidade e para a degradação das florestas. Apresentam distribuições semelhantes à escala da ilha, acabando por sofrer pressões antropogénicas também semelhantes, sendo assim importante integrar os conhecimentos obtidos sobre ambas as espécies de forma a poder tomar as melhores decisões de conservação ao nível da floresta nativa. Este estudo tem como objetivo modelar a distribuição do tordo-do-Príncipe e do búzio-d’Obô, de forma a avaliar as suas preferências ambientais e fazer estimativas populacionais. Tudo isto para poder apoiar com informação os atuais planos de conservação destas duas espécies, propondo ações concretas para promover não só a sua conservação, como do ecossistema do qual dependem. Para modelar a distribuição das espécies e compreender as suas preferências ambientais foram utilizados modelos lineares generalizados tendo como base variáveis ambientais potencialmente relevantes, como a altitude, a pluviosidade, a topografia, a rugosidade, a distância à costa, o tipo de uso do solo, a inacessibilidade, o declive e a proporção de copas grandes. Esta análise foi feita a duas escalas: para a ilha completa e apenas para a zona de floresta nativa, onde se concentra o maior número de observações de ambas as espécies. No caso do tordo foram recolhidos dados de variáveis ambientais locais (número de árvores, número de árvores mortas, número de árvores grandes, número de palmeiras arbustivas, cobertura de copa, densidade do subcoberto, percentagem de solo coberta por vegetação, percentagem de solo coberta por pedras, percentagem de solo coberta por manta morta e percentagem de solo nu), para avaliar o seu efeito na presença da espécie no sul da ilha. A população das duas espécies foi estimada com dados recolhidos em transetos que estão localizados dentro da área de ocorrência destas espécies, cada um dos transetos foi amostrado por duas vezes, uma em junho e outra em dezembro. Ao nível da ilha a presença do tordo-do-Príncipe estava fortemente associada à floresta nativa, enquanto que dentro desta mostrava uma preferência por zonas mais remotas, afastadas da floresta mais degradada, a altitudes mais elevadas e com menor cobertura de copa. A área estimada como adequada à presença da espécie foi de cerca de 15.4 km2. Estas associações entre o tordo e o habitat são principalmente atribuídas à vulnerabilidade da espécie à pressão da caça e a espécies invasoras, e não tanto devido a uma dependência a floresta bem preservada, apesar de não se poder descartar que a espécie pode estar dependente de certas características ecológicas da floresta nativa. A estimativa populacional do tordo foi de 86 indivíduos (IC 95%: 34 a 180) em junho, e de 314 indivíduos (IC 95%: 201 a 477) em dezembro. Esta variação sazonal era expectável, uma vez que em geral o pico de atividade e conspicuidade das aves corresponde à época de reprodução que na maioria das aves de São Tomé e Príncipe ocorre durante a época das chuvas. Tendo como base dados de pontos de contagem obtidos de estudos anteriores sobre a distribuição e abundância das espécies de aves presentes na floresta nativa do Príncipe, foi feita uma correlação entre a abundância observada e a densidade corrigida de cada espécie, a partir da qual se tentou estimar a população de tordo existente na ilha. Esta análise apontou para uma população entre 178 e 259 indivíduos. À escala da ilha, a presença do búzio-d’Obô apresentou-se fortemente associada à floresta nativa e a elevadas altitudes, enquanto que dentro da floresta nativa esteve associado a as zonas de meia encosta, seguidas de zonas planas e vales. Tal como para o tordo, pensamos que a distribuição do búzio se deve não tanto a características ecológicas da floresta nativa, mas sobretudo a fatores externos como a pressão antropogénica e a sensibilidade a espécies invasoras, nomeadamente quando até há poucos anos a espécie era abundante por toda a ilha. A área estimada como adequada para a presença da espécie foi de cerca de 32 km2. Estimou-se uma população de 8881 indivíduos em junho (IC 95 %: 7874 a 9963), e de 4440 indivíduos em dezembro (IC 95%: 3736 a 5213). O maior número de indivíduos em junho foi um resultado surpreendente, pois era expectável que a maior atividade e abundância fosse durante a época das chuvas quando existe mais alimento disponível. É importante realçar que os resultados obtidos para ambas as espécies devem ser interpretados com grande cuidado, devido especialmente a uma amostragem pequena e potencialmente enviesada; especialmente no sul da ilha, onde o terreno é muito acidentado, houve certamente uma amostragem mais intensiva nas zonas mais acessíveis, o que pode enviesar as estimativas de abundância, as associações com variáveis ambientais e os mapas de probabilidade de ocorrência. Os resultados obtidos indicam que a sobrevivência de ambas espécies está fortemente dependente da proteção dos ecossistemas de floresta nativa, localizados quase exclusivamente no Parque Natural do Príncipe, que para isso precisa de um reforço nas capacidades de fiscalização e implementação. Para além do parque funcionar como refúgio para espécies ameaçadas, foi também possível perceber que estas espécies não ocupam esta área uniformemente, pelo que se mostra relevante compreender os complexos padrões de distribuição de ecossistemas ao longo do parque para permitir uma atuação mais focada nas áreas e nas ameaças mais importantes a curto prazo. Além disso, estes resultados sugerem que o estatuto do tordo deve ser mantido como “Criticamente Ameaçado” dentro dos critérios atuais, enquanto que o do búzio deveria ser reavaliado para pelo menos “Em Perigo”, devido a ter uma área de ocorrência inferior a 5000 km2 e estar limitada a duas localizações (Príncipe e São Tomé) onde está a decorrer um declínio ao nível da ocorrência, área de ocupação, qualidade do habitat e do número de subpopulações. Para garantir a adequação de medidas específicas de conservação, a monitorização é extremamente importante, pelo que a extensão e frequência da monitorização deveriam ser aumentadas. Recomendamos ainda que estudos futuros se dediquem a compreender a ecologia destas espécies, em particular ao nível da reprodução e da alimentação, bem como ao desenvolvimento de trabalhos que visem perceber o impacto das espécies invasoras nas espécies endémicas, com um foco particular na interação entre o búzio-d’Obô e o búzio-vermelho, Archachatina marginata, que foi introduzido no Príncipe nas últimas décadas. Finalmente, encorajamos o desenvolvimento de programas de educação ambiental em que estas duas espécies sejam utilizadas como bandeira para que os habitantes do Príncipe possam estar informados sobre a situação atual da biodiversidade da ilha, e sobre a importância das florestas e das espécies endémicas, para continuar a promover a alteração de atitudes e comportamentos em relação ao ambiente.
2025-10-28T12:10:18Z
Rebelo, Guilherme Rocha Vieira
Phenol and formaldehyde free printing ink resins
A tradição da resinagem em Portugal é longeva, estando inicialmente a sua atividade fortemente ligada ao equipamento naval em madeira. Da resina extraída do pinheiro vivo separa-se, através da destilação, a terbentina e a colofónia. Enquanto a terbentina encontra a sua aplicação como solvente orgânico e diluente de tintas e vernizes, a colofónia é utilizada como material de partida na produção de resinas com destino à produção de tintas de impressão ou outras coberturas de superfícies embora o seu uso sem recurso a modificações conheça também muitos outros domínios. Modificada, a colofónia pode sê-la de forma simples ou complexa. Transformações simples da colofónia, como a obtenção do seu aducto com anidrido maleico ou ácido fumárico, ou a produção de esteres simples, que visam principalmente a melhoria das suas propriedades intrínsecas. Também através das modificações já mencionadas, a colofónia pode ser utilizada como unidade estrutural principal para a produção de poliésteres de peso molecular elevado. A performance física e química destas resinas confere às tintas produzidas propriedades que permitem alcançar rotinas de impressão de qualidade. Em particular, as tintas para impressão offset requerem um comportamento altamente viscoso por se destinarem a processos de alta-rodagem, sendo o seu aspeto muitas vezes semelhante a pastas. Esta propriedade, entre outras de igual relevo, é conferida pela resina com a qual a tinta é produzida. Assim, a própria resina necessita de apresentar características adequadas a esta aplicação, sendo elas, principalmente, a viscosidade e a solubilidade em verniz. A colofónia é então modificada através da formação de adutos e esterificação, mas ainda com recurso à introdução de Resol, resina de fenol e formaldeído, para que possa satisfazer os critérios de solubilidade e viscosidade em verniz. Contudo, a utilização de fenóis e formaldeído acarreta atenção redobrada aquando do processo de produção que os envolve, assim como no tratamento de resíduos associados. Existe ainda uma preocupação crescente relacionada com as suas origens, nomeadamente no caso do fenol, que provem de matérias de natureza fóssil. Assim, desenvolver um produto de performance semelhante às resinas modificadas com fenol-formaldeído é não só uma antecipação sensata de futuras necessidades, como um ato de responsabilidade ambiental. Este trabalho, desenvolvido e suportado no Grupo Respol, visa precisamente a investigação e desenvolvimento de uma resina com origem na colofónia, que possua um comportamento semelhante às suas equivalentes produzidas com recurso a fenol e formaldeído. Por ser um trabalho sustentado na ideia de antecipação de um futuro panorama e por estar fortemente ligado à indústria, a informação de acesso publico relacionada diretamente com esta temática é reduzida. Em adição, nenhum produtor à data da realização deste trabalho oferece, na sua gama de produtos, resinas de colofónia sem fenol e formaldeído com desempenho semelhante aos objetivos propostos. Numa consulta aos dossiers de produto registados no âmbito do REACH, realizada no final de 2020, não constam resinas derivadas de colofónia produzidas com recurso a novas matérias-primas ou processos. Pode constatar-se que para além da não comercialização, também não se prevê que tal venha a acontecer num futuro próximo, uma vez que o registo deve anteceder a entrada de um produto no mercado. Com acesso unicamente às técnicas, química e formulações já conhecidas desta indústria, foram delimitadas as guias principais deste trabalho e desenhado um plano de abordagem ao problema. Assim, este trabalho possui um carácter fortemente marcado pela ausência de suporte de trabalhos anteriores que possam indicar de forma mais clara um método a seguir e por isso possui uma natureza bastante relacionada com a procura e averiguação da abordagem mais viável, permitindo depois uma investigação aprofundada e mais ciente dos contornos do problema. O presente trabalho teve início com a caracterização de algumas amostras industriais de resina de colofónia produzida com recurso a fenol e formaldeído. Compreender o comportamento do Resol na resina e como este afeta a viscosidade e solubilidade, de modo a poder desenhar uma solução mais meditada para o problema em mãos foi considerado o objetivo principal. Desde estudo, conclui-se que o Resol para além de criar pontes lineares longas, com peso molecular considerável, entre moléculas de ácidos resínicos, fá-lo ainda através de uma estrutura de natureza altamente solúvel em óleo alifáticos, mais ainda que a própria colofónia. Em adição, a natureza da sua ligação química é estável e a mobilidade de cadeia contribui para aumentar a viscosidade. Um poliéster de colofónia é tipicamente produzido com recurso a monómeros de pequenas dimensões, como os ácidos resinicos, adutos de colofónia e polióis como o pentaeritritol. A porção fenólica é a única com extensão apreciável e por isso é a entidade que permite criar algum distanciamento entre centros mais condensados compostos pelos restantes monómeros. Com a remoção do Resol, este espaço que permite à macromolécula respirar perde-se e obtém-se uma estrutura fortemente intrincada que resulta na perda de viscosidade e na redução da superfície de contacto com o solvente. Reintroduzir estruturas deste tipo na matriz da resina pode então permitir recuperar total ou parcialmente o comportamento perdido com a remoção do Resol. É importante então que estas estruturas sejam principalmente lineares, ou com backbone linear, sejam maioritariamente alifáticas ou com exterior alifático, que possam ou tenham origem em recursos renováveis e sejam de toxicidade reduzida ou nula. Alguns polímeros pensados para responder a estas necessidades foram sintetizados e introduzidos mais tarde na produção da resina de colofónia. Alguns dos monómeros utilizados nestes pré-polímeros foram ainda introduzidos como tal em formulações de resina de modo a tentar obter algum tipo de estrutura linear in situ e sem recurso a preparações adicionais. Além da possível reintrodução de estruturas deste tipo ponderou-se e testou-se a utilização de algumas modificações simples na formulação da resina que incluem alterações de processo, introdução de polióis altamente funcionais e modificação com óleos vegetais de cadeia curta, entre outros. É ainda importante referir que existe uma relação muito forte entre as propriedades da viscosidade e solubilidade em resinas sem Resol. Modificações que aumentam a solubilidade implicam sempre perdas de viscosidade e vice-versa, sendo por isso ainda mais importante encontrar métodos que permitam escapar a esta dualidade. Das modificações simples mencionadas, a adição de componentes em duas fases produziu aumento significativo da viscosidade sem perca de solubilidade, quando comparada com a mesma formulação com adição numa fase e solubilidade média. Ficou evidente que a modificação ao processo permite alterar apenas umas das propriedades, neste caso a viscosidade. No entanto, quando se tentou recorrer a este método para aumentar a viscosidade de uma formulação de solubilidade alta, não se verificou o seu incremento. É possível que este efeito apenas se confirme a partir de um dado limite inferior de componente éster, que regula fortemente o fator da solubilidade. Outras modificações como a utilização de outros óleos vegetais e polióis de alta funcionalidade não produziram efeitos apreciáveis. Da utilização de poliésteres substitutos de Resol, ou seus monómeros, na formulação de resinas verificou-se que para valores de solubilidade próximos dos desejados, a resposta viscosa é depreciável. No entanto, em ambos os casos confirmaram-se a existências de espécies de baixo peso molecular em quantidades muito superiores às típicas de resinas produzidas com recurso a fenol e formaldeído. A presença destas espécies é responsável pelo aumento da polidispersividade de pesos moleculares e consequente redução da resposta viscosa. Contudo, como no caso destas formulações se introduziram novas espécies químicas é plausível que o limite inferior de Mw para obtenção de resposta viscosa possa ser simplesmente superior aos que se encontram habitualmente em resinas fenólicas.
Referencial para o ensino em português língua segunda em Cabo Verde no contexto da oficialização da língua cabo-verdiana
A qualidade do ensino depende da língua em que é ministrado, conforme o domínio que dela têm os aprendentes. Historicamente, nas escolas de Cabo Verde, o Português tem sido a língua veicular e de alfabetização e é assumido como instrumento de comunicação escrita e meio de acesso a diferentes áreas de saber, já que usufrui do estatuto de língua recomendada para o ensino das diferentes disciplinas. No entanto, a UNESCO recomenda ou reconhece que o ensino deve ser iniciado e/ou realizado em língua materna, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos. Todavia, a Língua Cabo-Verdiana (LCV), que tem o estatuto de Língua materna (LM), é ainda predominantemente oral, embora seja utilizada à escala nacional, a nível do quotidiano. A LCV ainda não é ensinada nas escolas, pelo que a instituição de um modelo de ensino que favoreça a situação actual de Cabo Verde exige uma complexa e reflectida decisão a tomar pelas autoridades educativas. O ensino será ministrado na Língua Cabo-Verdiana? Continuará a sê-lo em Português, como se fosse língua materna, ou como língua estrangeira, língua segunda? Ou será melhor um ensino bilingue? As respostas a estas e outras questões serão procuradas junto dos professores do Ensino Básico, alguns do Secundário que ensinam em Cabo Verde e altos responsáveis pelo sistema educativo caracterizarão o ensino, a língua de ensino no processo pedagógico, a hipótese de introdução da língua materna. É nossa perspectiva reunir ideias que justifiquem a proposta de um planeamento educativo, onde sobressaem aspectos relacionados com a escolha de língua (s) de ensino, visando introduzir melhoria na qualidade das aprendizagens, de modo a satisfazer as necessidades do país.
2025-10-28T12:11:16Z
Mendes, Amália Faustino
Caraterização da atividade antimicrobiana da alga Plocamium cartilagineum para aplicações biotecnológicas
A resistência aos antimicrobianos é uma ameaça crescente à saúde pública a nível global, tendo forte impacto quer na saúde humana quer na saúde animal, assim como um impacto económico nas sociedades atuais. A necessidade de novas soluções antimicrobianas tem remetido muitos investigadores para o uso de produtos naturais marinhos como fonte de novas moléculas biologicamente ativas. O objetivo principal desta dissertação focou-se na avaliação do potencial antimicrobiano da alga Plocamium cartilagineum contra microrganismos patogénicos humanos e de peixes. Foram realizadas duas extrações independentes, com diclorometano-metanol e etanol-água, a partir da biomassa seca da alga P. cartilagineum. A atividade antimicrobiana dos extratos/ frações foi avaliada contra 13 microrganismos, que incluem bactérias gram-positivas e gram-negativas, e fungos (patogénicos para o Homem e para os peixes). Verificou-se que os extratos/ frações possuem atividade contra Staphylococcus aureus, Cutibacterium acnes, Staphylococcus epidermidis, Vibrio anguillarum e Edwardsiella tarda, sendo a fração mais apolar do extrato de etanol-água a mais potente. A inibição da formação de biofilme foi também avaliada, tendo-se verificado que os extratos/ frações inibem a formação de biofilme produzido por Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa e E. tarda. Paralelamente, foram estudados os mecanismos de ação dos diversos extratos/ frações, onde se verificou que, dependendo dos microrganismos em causa, os extratos/ frações podem atuar a nível da degradação do DNA ou da membrana plasmática. A avaliação da toxicidade dos extratos/ frações, foi estudada quanto à capacidade de promover hemólise em eritrócitos de carneiro, assim como, a citotoxicidade foi avaliada numa linha celular de fibroblastos de rato (células 3T3). Verificou-se que os extratos/ frações não provocam hemólise significativa, no entanto, à exceção da fração de acetato de etilo proveniente do extrato hidroalcoólico, todos diminuem significativamente a viabilidade celular de fibroblastos 3T3. A análise preliminar da fração com maior potencial bioativo, por ressonância magnética nuclear de protão, evidenciou a presença de monoterpenos mono- e polihalogenados como constituintes maioritários, sugerindo que estes metabolitos poderão ser os responsáveis pelas propriedades antimicrobianas observadas. Em conclusão, verificou-se que os diferentes extratos revelaram potencial antimicrobiano e de inibição da formação de biofilmes, sendo a macroalga em estudo um recurso natural a explorar com vista à descoberta de novos agentes antimicrobianos. O conhecimento obtido através deste estudo pode ser útil na formulação de novos antimicrobianos para aplicação médica, assim como para aplicação veterinária, em sistemas de aquacultura.
2025-10-28T12:26:34Z
Fonseca, Cristiana Isabel Reis
Padrões geográficos na prática da prostituição feminina da cidade de Lisboa
Visualizada a partir de ideias estereotipadas e simplistas que carecem de conhecimento, de uma atitude compreensiva e de uma visão aprofundada e baseada na complexidade que a prostituição feminina apresenta, a geografia em Portugal não parece sentir-se atraída pelo estudo do tema. Todos ou a grande maioria dos fenómenos com que nos confrontamos nos dias de hoje apresentam uma expressão territorial e a prostituição não é exceção. O estudo analisa, com recurso aos Sistemas de Informação Geográfica, os padrões geográficos da prostituição feminina e algumas das características que estão associadas à prática de serviços sexuais praticados em espaços interiores. Comprar ou ler um jornal é cada vez mais acessível. A quantidade de informação publicitada na secção de Classificados destes jornais, permitiram a validação de 2442 anúncios publicados em dois jornais diários no ano de 2018 para Portugal Continental e a realização de 60 entrevistas no ano de 2020 para a cidade de Lisboa. Para Portugal Continental, o estudo revela a presença do fenómeno em 102 municípios e apresenta resultados cartográficos e quantitativos que mostram a mobilidade das profissionais entre diferentes territórios ao longo de um ano. Para a cidade de Lisboa, um conjunto de métodos estatísticos e de variáveis foram explorados e aplicados para visualizar e identificar os padrões territoriais existentes. Das variáveis em análise não é linear que as áreas da cidade de Lisboa com maior concentração de população e de grande atividade económica sejam as que mais influenciam a distribuição espacial do fenómeno. Quando relacionamos o exercício da prostituição em espaços interiores com a média dos valores praticados nos diversos serviços sexuais, dos 36 arruamentos observados, a proximidade a alojamentos turísticos e o imposto municipal sobre os apartamentos apresentam maior capacidade explicativa
2025-10-28T12:23:53Z
Morais, Miguel Ângelo Portugal
Estratégias de relocalização de bicicletas em serviços de bikesharing
This project was based on the study of the bikesharing service, that is, the service of sharing bicycles. In order to make this type of service efficient, it's necessary to optimize the profits generated from the understanding and restructuring of the balance of bicycles between their collection points. For an initial framing, a research was made on the history and evolution of what led to the bicycle sharing that we have today and what are the factors that made it fail previously. Throughout the project, a detailed analysis was made regarding the main factors that influence a certain influx on the search for bicycles on a specific collection point. These patterns are mainly based on aspects such as the period of the day, the days of the week, the location of stations, available bicycles, and on the other hand, available spots for relocation. After the identification of the main patterns, an extremely important study of the modeling was made, in order to better understand the searches and realization of the simulation. In the modeling, an analysis was made on the distribution of the intervals between searches and travel time, and naturally tests have been made as well, in order to understand the significance of the conclusions taken. In the simulation we tried to understand to what extent the total number of bicycles has an influence on the satisfaction of demand, as well as to identify behaviors that can induce a redistribution that optimizes the satisfaction of demand and in turn, profits. Finally, some suggestions were made in the terms of the information that would be interesting to have available for a future study, as well as in the perspective of service and service management.
:Estúdio, vol.2, nº3 (Verão 2011)
No summary/description provided
2025-10-28T12:19:54Z
Queiroz, João Fernández-Fariña, Almudena Barbosa, Álvaro Ramos, José Artur Maio Dias Veloso, Maria Fernanda Alvelos, Heitor Serra, J. Paulo Gonçalves, Luís Jorge Rodrigues Villeroy Corona, Marilice Febrer Martín, Mònica Marcondes, Neide Sacramento, Nuno
Effect of different host genetic backgrounds in the response against oral bacterial infection
Os organismos vivos interagem naturalmente no seu habitat de formas que se estendem sobre uma vasta panóplia de interações bióticas, e de entre as quais o parasitismo parece ser a mais comum e bem-sucedida. O seu sucesso deve-se maioritariamente a um delicado e dinâmico equilíbrio entre a transmissão do parasita e a sua virulência, propriedades que são usualmente atribuídas exclusivamente ao patogénio. Contudo, estas características podem variar quer natural quer experimentalmente, dependendo de condições ambientais, da genética do hospedeiro e das comunidades microbianas que constituem a microbiota. Naturalmente, para sobreviver a uma infeção parasítica o hospedeiro tem de ser apto para montar uma resposta imune competente e eficaz. Em traços gerais, a resposta imune é constituída por mecanismos de resistência, que visam limitar a infeção bloqueando ou eliminado o patogénio e reduzindo a carga parasitária, e por mecanismos de tolerância à doença, que resultam numa melhoria no vigor ou estado de saúde do hospedeiro sem implicar uma redução da carga parasitária. A mosca da fruta, Drosophila melanogaster, passa grande parte do seu ciclo de vida em matéria orgânica em decomposição contactando intimamente com microrganismos, muitos deles patogénicos. Como tal, este organismo possui um vasto conjunto de respostas imunes que o protegem de bactérias, fungos, parasitas e vírus. Embora não possua sistema imunitário adaptativo, presente em vertebrados, a Drosophila tem sido amplamente usada como organismo modelo para estudar imunidade inata, devido a conservação evolutiva destes mecanismos. As defesas imunes da mosca da fruta consistem em: 1) Imunidade comportamental, que tem como propósito evitar contacto com microrganismos patogénicos para prevenir uma possível infeção; 2) Imunidade epitelial, que consiste em barreiras físicas que protegem contra o estabelecimento de microrganismos no interior do corpo; 3) Imunidade celular que depende da ação de células móveis e sésseis (hemócitos) presentes na cavidade corporal; 4) Imunidade humoral que tem por base a produção e secreção de péptidos antimicrobianos para a hemolinfa. Um dos múltiplos patogénios naturais capazes de infetar Drosophila é Pseudomonas entomophila, cujo genoma se encontra totalmente sequenciado e muitos dos seus fatores de virulência identificados, tornando este microrganismo num modelo ideal para estudos de imunidade em D. melanogaster. P. entomophila causa ativação da imunidade sistémica mesmo quando ingerida, e a sua patogenicidade neste cenário deve-se à capacidade que esta bactéria tem de persistir no sistema digestivo da mosca, excretando múltiplas substâncias tóxicas que causam danos no intestino. Muitos dos seus genes associados à sua entomopatogenicidade foram identificados como, por exemplo, genes que codificam toxinas, explicando o efeito altamente nefasto que esta bactéria tem quando ingerida pela mosca da fruta. Dada a importância do background genético do hospedeiro em face de uma infeção a que responde através de mecanismos de resistência e tolerância à doença, este trabalho tem como ambição compreender qual o contributo relativo de cada um destes mecanismos neste processo. Para este fim, infetámos um conjunto de 75 linhas do Drosophila Genetic Reference Panel (DGRP) com P. entomophila. O DGRP é um painel que consiste de cerca de 200 linhas isogénicas, sequenciadas na sua totalidade, que permite decompor a variabilidade genética presente numa população natural de Drosophila, constituindo uma poderosa ferramenta para análises de associação genética. Usando este sistema previamente estabelecido no laboratório o nosso objetivo é caracterizar dinâmicas de infeção em linhas do DGRP por P. entomophila. Com a recolha de dados relativos à sobrevivência após infeção, caracterizámos diferentes dinâmicas de sobrevivência dependentes no background genético do hospedeiro. Através da análise combinada de sobrevivência e dados referentes a carga parasitária recolhidos, inferimos fenótipos relativos a resistência e tolerância à doença neste conjunto de linhas do DGRP. No futuro, a extensão dos protocolos à totalidade do DGRP, juntamente com alguns ajustes que visam melhorar a qualidade dos dados recolhidos, poderá levar à identificação através de análises de associação genética (GWAS) de genes envolvidos em mecanismos quer de resistência quer de tolerância à doença.
2025-10-28T12:11:30Z
Roque, Diogo Filipe Serrano dos Santos
:Estúdio, vol.2, nº4 (Inverno 2011)
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2025-10-28T12:21:54Z
Queiroz, João Fernández-Fariña, Almudena Barbosa, Álvaro Ramos, José Artur Maio Dias Veloso, Maria Fernanda Alvelos, Heitor Serra, J. Paulo Gonçalves, Luís Jorge Rodrigues Villeroy Corona, Marilice Salvatori, Maristela Febrer Martín, Mònica Marcondes, Neide Sacramento, Nuno
Castelos encantados e castelinhos residenciais : as casas acasteladas revivalistas em Portugal
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2025-10-28T12:09:08Z
Santos, Joaquim Rodrigues dos
As primeiras fortificações europeias no Sri Lanka : (possíveis) origens portuguesas de várias fortificações holandesas
Cerca de uma década depois do primeiro contacto português com a mítica “Taprobana”, realizado em 1506, foi estabelecido um posto fortificado para comércio em território cingalês, junto ao Reino de Cota, no sudoeste da ilha de Ceilão. Aos poucos a presença portuguesa foi-se estendendo para norte e para sul, ao longo do litoral, chegando de Matara (no sul) até Jafanapatão (no norte), e penetrando para o interior até Manicavaré, Sitavaca e Sofragão, a meio caminho de Candia, capital do reino cingalês. Esta expansão do poderio português no Ceilão foi feita a partir de bases fortificadas: Columbo, Negumbo, Calituré, Gale, Maturé, Chilão, Manar e, no final do século XVI, Jafanapatão, a que se juntou no início do século seguinte Triquinimalé e Batecalou, na costa nordeste e leste da ilha. Porém, o fim da hegemonia portuguesa no Ceilão começou a revelar-se no início do século XVII, tendo a ameaça holandesa surgido na ilha nos inícios do segundo quartel desse século, com a tomada das praças mais orientais; em poucos anos todos os territórios portugueses na ilha acabaram por cair sob domínio neerlandês. Desde então instalou-se a crença de que as obsoletas fortificações portuguesas foram totalmente demolidas e reconstruídas depois, mais aperfeiçoadamente, pelos holandeses. Porém, tal poderá ter sucedido de um modo distinto, deturpado em prol da mitificação holandesa: existem mais fortificações portuguesas no Sri Lanka do que geralmente se pensa. Pretende-se desvelar esta problemática mediante propostas que visam demonstrar a permanência de várias fortificações portuguesas, algumas equivocadamente designadas como holandesas, comparando-as com descrições e iconografia históricas, bem como com outras fortificações portuguesas no Oriente. Percebe-se assim que a origem dessas fortificações poderá afinal ser portuguesa, permitindo apresentar um conjunto de hipóteses que sirvam de mote para o debate sobre a verdadeira origem de muitas das fortificações no Sri Lanka atribuídas aos holandeses.
2025-10-28T12:17:04Z
Santos, Joaquim Rodrigues dos
As vistas da "Acrópole de Lisboa" : análise das representações iconográficas do Castelo de São Jorge e Real Paço da Alcáçova nas imagens panorâmicas de Lisboa tomadas a partir do rio Tejo
A colina onde se implanta o Castelo de São Jorge em Lisboa terá certamente assumido, desde sempre, um lugar de preponderância para quem entra no rio Tejo a partir do seu estuário. Talvez mesmo desde os tempos primevos da sua ocupação, com a primitiva estrutura fortificada da Idade do Ferro, sucessivamente ocupada por romanos, visigodos, muçulmanos e, finalmente, pelos portugueses. Existem descrições escritas deste morro feitas ao longo dos tempos, que nos mostram a sua importância no panorama olisiponense, muito embora a partir de finais do século XV se tenha iniciado o processo de decadência da fortificação e paço real medievais, implantados altaneiramente no topo do morro. Datam já do início deste período de declínio as primeiras representações iconográficas do conjunto fortificado e palatino lisboeta, cuja majestosa silhueta inserida no perfil da cidade, a partir do espaço ribeirinho e fluvial, tornaram o conjunto numa espécie de “acrópole” da cidade de Lisboa – alusão comparativa que, de resto, foi aproveitada e exponenciada no contexto do regime ditatorial do Estado Novo, aquando do lançamento do projecto de reintegração do Castelo de São Jorge para as celebrações do Duplo Centenário da Fundação e da Restauração da Independência (1940). É interessante verificar, aliás, que após a reintegração da fortificação medieval, a sua imagem diferia substancialmente da anteriormente existente antes das obras, o que desde logo motivou diversas críticas mais ou menos veladas. Mais curioso ainda é verificar que a reintegração do castelo não terá tido em conta o conjunto de imagens iconográficas de Lisboa (maioritariamente tomadas a partir do rio Tejo), nas quais a vetusta fortificação e paço real estavam representados. E é possível encontrar, de facto, um elevado conjunto de representações em pinturas, iluminuras, azulejos, gravuras e fotografias, tomadas a partir do rio Tejo, onde o Castelo de São Jorge e o Real Paço da Alcáçova se podem vislumbrar facilmente.
2025-10-28T12:28:33Z
Santos, Joaquim Rodrigues dos
Ermida de Nossa Senhora do Socorro, no Carvalhal (Bombarral) : um exemplo das ameaças ao património cultural português
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2025-10-28T12:13:33Z
Santos, Joaquim Rodrigues dos Santos, Dóris
Macau : novas leituras
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2025-10-28T12:19:23Z
Laborinho, Ana Paula Cordeiro, Gonçalo Pinto, Marta Pacheco Nunes, Ariadne
Em defesa da Ermida de Nossa Senhora do Socorro, no Carvalhal (Bombarral)
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2025-10-28T12:25:40Z
Santos, Joaquim Rodrigues dos Santos, Dóris Serrão, Vitor Silva, Raquel Henriques da Raposo, Luís Meco, José Fernandes, José Manuel Carita, Hélder Serra, João B. Caldas, João Vieira Gorjão, Sérgio Silva, Manuela Santos
Virulência cooperativa em Salmonela – Simulação num ambiente estruturado
O intestino humano é habitado por uma comunidade de microrganismos que é denominada microbiota. Esta microbiota, que está em simbiose com o hospedeiro, possui funções de auxílio no processo digestivo e de proteção contra bactérias patogénicas. Estas duas funções complementam-se uma vez que o auxílio do processo digestivo diminui a concentração de nutrientes no lúmen intestinal, o que vai dificultar a colonização por bactérias patogénicas. Este processo é denominado de resistência à colonização. A S. typhimurium é uma bactéria patogénica que infeta o hospedeiro humano causando uma gastroenterite. O sucesso da colonização da S. typhimurium depende da expressão de vários fatores de virulência. Mais ainda, a S. typhimurium utiliza o processo de virulência cooperativa para estabelecer infeção. Este traduz-se na expressão de dois fenótipos, um que expressa a virulência através do sistema de secreção tipo III (TTSS) e o outro fenótipo que não expressa a virulência, mas que beneficia dos “bens-comuns” desencadeados pelo fenótipo virulento. Esta tese de mestrado teve como objetivo o estudo in silico, em meio estruturado, do processo de virulência cooperativa da S. typhimurium. O propósito era perceber a forma como ocorre a infeção no meio estruturado, como também a interação dos antibióticos e probióticos na infeção. Desta forma, construímos dois modelos em meio estruturado. Um modelo representa o meio estruturado com inflamação global e o outro modelo representa o meio estruturado com inflamação local. Nestes dois modelos procedemos à distribuição aleatória das estirpes no sistema, isto é, dois fenótipos de S. typhimurium, bactérias mutantes espontâneas não virulentas e bactérias comensais. Num primeiro momento, optámos por analisar o processo de infeção da S. typhimurium wild-type nos dois modelos, numa fase mais avançada do estudo, procedemos à construção de programas que nos permitiram fazer uma análise da introdução de antibiótico e de probiótico. Os efeitos da introdução de probióticos numa infeção por S. typhimurium wild-type ainda não são conhecidos, sendo que os únicos estudos que existem são praticamente todos realizados in vivo. Com isto, a realização deste estudo in silico, possibilita estudar um sistema complexo como é a infeção por S. typhimurium e permite estudar a relação entre os diferentes componentes e variáveis, como por exemplo a interação entre as estirpes presentes nos diferentes meios. Deste modo, o estudo in silico possibilita prever o efeito do que poderá ocorrer nas experiências in vivo. Os resultados obtidos assumindo que a inflamação é local foram diferentes dos obtidos quando assumimos que a inflamação é global. No meio estruturado com inflamação global, a introdução de antibiótico foi prejudicial para a recuperação da infeção por S. typhimurium wild-type. Todavia, no meio estruturado com inflamação local, a introdução de antibiótico foi prejudicial somente quando o antibiótico matou a totalidade das células do fenótipo S. typhimurium TTSS-1- - “OFF” e das bactérias mutantes espontâneas não virulentas. Quando introduzimos concentrações de antibiótico que não mata a totalidades das bactérias do fenótipo S. typhimurium TTSS-1- - “OFF” e das bactérias mutantes espontâneas não virulentas, a introdução de antibiótico foi benéfico para findar uma infeção por S. typhimurium wild-type. Em relação ao probiótico, no meio estruturado com inflamação global, a introdução de probiótico proporcionou resultados diferentes que vão desde a total eliminação da S. typhimurium wild type até à permanência da S. typhimurium wild-type no sistema. Porém no meio estruturado com inflamação local, a introdução de probiótico proporcionou, dentro do processo infecioso, sempre a eliminação da S. typhimurium wild-type mostrando a estabilidade da introdução de probiótico. Estes resultados são importantes porque proporcionam novos conhecimentos para o tratamento da infeção por S. typhimurium.
2025-10-28T12:15:10Z
Veloso, Diogo Miguel Henriques