RCAAP Repository
Estudo de viabilidade económica de novos produtos lançados na Indústria Farmacêutica
Nas últimas duas décadas, o Brasil tem estado num ciclo de estabilidade política e económica que tem gerado um efeito positivo no desenvolvimento da economia nacional. Nos últimos 15 anos tem havido um esforço, no Brasil, no sentido de expansão e modernização da Indústria Farmacêutica. Assim sendo, a Indústria Farmacêutica Brasileira é a maior e mais desenvolvida na América Latina e, atualmente, o Brasil encontra-se no sexto lugar no ranking mundial da Indústria Farmacêutica, com perspetivas futuras de crescimento otimistas. No Brasil, estima-se que mais de 35 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência visual, de acordo com os últimos censos demográficos realizados. Como tal, é possível afirmar-se que o Mercado Oftalmológico Brasileiro está em crescimento devido, na sua maioria, a duas razões principais: um maior número de doentes a necessitar de tratamentos e o lançamento de uma grande quantidade de produtos inovadores neste setor, uma vez que as empresas da Indústria Farmacêutica estão a investir mais em R&D. Para analisar o contexto atual e inferir as necessidades futuras do Mercado Oftalmológico Brasileiro recorreu-se a uma metodologia dupla. Esta metodologia conjugou fontes secundárias bibliográficas e sindicalizadas com informação de caráter primário obtida a partir de in-depth interviews realizadas a Oftalmologistas KOL no mercado em estudo. Na generalidade, os produtos comercializados no Mercado Oftalmológico do Brasil têm uma boa qualidade, porém, este é um mercado que está a crescer a um ritmo positivo e há sempre necessidade de novos produtos inovadores.
2025-10-28T12:27:27Z
Mourinha, Francisca Leite Saldanha Terrinca
Crítica de las representaciones : para una refedefinición del concepto de representación
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Corpo e representação : Cláudia Vaz, Francisco Albino Queirós, João Onofre, Pedro Reis
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Ângela Ferreira e Maria José Oliveira : duas obras, duas atitudes
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Atitudes face à escola e a si próprio em alunos de contextos familiares diferenciados
Este estudo procurou saber até que ponto as atitudes dos alunos face à escola e a si próprios dependem dos contextos familiares e se relacionam entre si. O estudo incluiu uma amostra de 378 alunos do 4º e do 6º anos de escolaridade e de ambos os géneros. Os instrumentos utilizados foram a escala “Piers-Harris Self-Concept”, a escala de “Estilos Educativos Parentais” e um questionário de “Atitudes face à Escola”. A análise dos resultados permitiu observar relações significativas entre as referidas atitudes e a sua dependência dos contextos familiares dos alunos. Os resultados vão no sentido de investigações congéneres e destacam a ideia de que eventuais programas de activação do desenvolvimento educacional dos alunos deverão centrar-se na ampliação de fontes específicas de apoio, com o envolvimento dos pais, dos irmãos e também dos professores.
2025-10-28T12:29:27Z
Abreu, Mari Veiga, Feliciano Henriques Antunes, Júlia Ferreira, Antónia
Leucemia linfócitica crónica. diagnóstico e terapêutica: novas abordagens
A leucemia linfocítica crónica é uma neoplasia hematológica linfo proliferativa que resulta da proliferação e acumulação de linfócitos B monoclonais. É a doença hematológica mais comum nas sociedades ocidentais. Os doentes podem ser divididos em diferentes estadios, determinados com o objetivo de avaliar a extensão da doença, orientar o tratamento e estabelecer um prognóstico. O conhecimento emergente sobre esta doença permitiu a descoberta de novos marcadores de prognóstico, o que possibilita a distinção dos doentes com um curso clínico indolente daqueles que apresentam doença de elevado risco. Dada a heterogeneidade da leucemia linfocítica crónica, a necessidade de investigação de novos meios de diagnóstico e de alvos terapêuticos tem vindo a ser crescente. Aquando do diagnóstico, a maioria dos doentes apresenta-se assintomática. Devido à inespecificidade, ou ausência de sintomas relacionados com a doença, é necessário realizar o diagnóstico diferencial dos pacientes com base nas características imunofenotípicas das células B e na sua análise morfológica. Com o surgimento das técnicas moleculares, que permitiram a descoberta das anomalias citogenéticas por detrás da leucemia linfocítica crónica, é possível cada vez mais direcionar os esquemas terapêuticos e desenvolver novos fármacos. Os doentes com prognóstico mais desfavorável e que possuem indicação para iniciar terapêutica, podem ser tratados com terapêuticas standard, tais como os regimes de quimioimunoterapia. Se apresentarem comorbilidades significativas, outros esquemas menos agressivos têm vindo a ser aplicados, como os inibidores dos recetores das células B. Apesar do sucesso desta terapêutica, muito ainda tem que ser investigado, sobretudo no campo da leucemia refratária ou recidiva. Por isso, novos fármacos como o acalabrutinib e o venetoclax receberam aprovação com base em estudos recentes e muitos outros encontram-se ainda em investigação exaustiva.
2025-10-28T12:28:07Z
Goulart, Maria João Correia
Mieloma múltiplo. diagnóstico e terapêutica. novos marcadores da doença
O mieloma múltiplo é uma doença hemato-oncológica, em que ocorre proliferação de células plasmáticas malignas na medula óssea, tendo como consequência o surgimento de uma proteína monoclonal na corrente sanguínea e/ou na urina. A sua incidência é superior em indivíduos afro-americanos e do sexo masculino. A sua etiologia ainda permanece desconhecida, apesar de existirem alguns fatores associados ao seu aparecimento e desenvolvimento. A presença de alterações genéticas pode ser importante na fisiopatologia do mieloma múltiplo e o microambiente da medula óssea é determinante na mediação da sobrevivência e da proliferação das células plasmáticas malignas, bem como na mediação da resistência à terapêutica e à angiogénese. As principais manifestações clínicas apresentadas pelos doentes são a anemia, a doença óssea, a insuficiência renal, o aumento do cálcio sanguíneo e uma maior predisposição para infeções. O diagnóstico do mieloma múltiplo baseia-se numa avaliação clínica e laboratorial e requer a presença de, pelo menos, um evento definidor de mieloma, para além de plasmocitose medular clonal ≥10% ou plasmocitoma ósseo ou extra-medular, comprovado através de biópsia. Tal como acontece noutras doenças oncológicas, no mieloma múltiplo a sobrevivência depende das características do doente, da carga e da biologia da doença, assim como da resposta à terapêutica. Esta sobrevivência tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, não só pela disponibilidade de melhores técnicas de diagnóstico, como também pela incorporação do transplante autólogo de células estaminais hematopoiéticas e pela aprovação de novos agentes terapêuticos. Apesar disto, a doença ainda permanece incurável, pelo que muita investigação continua a existir nesta área, quer ao nível de novos biomarcadores, que sejam úteis no diagnóstico e no prognóstico, quer ao nível de novas abordagens terapêuticas. Neste sentido, a imunoterapia, mais especificamente a terapêutica com chimeric antigen receptor-T cells, mostra-se muito promissora, com resultados nunca antes observados com qualquer outra abordagem podendo, no futuro, vir a constituir uma alternativa em doentes para os quais todas as terapias atuais disponíveis já não são eficientes.
2025-10-28T12:14:55Z
Cotovio, Ana Margarida Murteira Damásio Boieiro
Linfoma de hodgkin. diagnóstico e terapêuticas atuais
O linfoma de Hodgkin afeta, em média, 2,7 pessoas em cada 100 000 indivíduos por ano. As faixas etárias mais afetadas são os jovens adultos e os idosos, sendo que é mais comum no sexo masculino que no feminino. Os principais fatores de risco associados ao seu desenvolvimento são as infeções virais pelo vírus Epstein-Barr, doenças autoimunes e, ainda, alguns fatores genéticos. O linfoma de Hodgkin é uma neoplasia hematológica constituída por uma minoria de células neoplásicas, cerca de 1%, cercadas por células que fazem parte do infiltrado inflamatório em redor. Estas células, desenvolvem-se a partir de células B do centro germinativo ou pós-centro germinativo, que sofreram alterações genéticas, permitindo a sua fuga à apoptose. O linfoma de Hodgkin divide-se em dois grandes grupos, o linfoma de Hodgkin clássico (95%) e o linfoma de Hodgkin de predomínio linfocítico nodular (5%). O primeiro subdivide-se em quatro subtipos diferentes: esclerose nodular, rico em linfócitos, celularidade mista e depleção linfocitária. Os sintomas mais comuns do linfoma de Hodgkin são linfadenopatias e sintomas B, constituídos por febres, suores noturnos e perdas de peso inexplicáveis. O principal meio de diagnóstico é a biópsia excisional do gânglio, que deve permitir a identificação das células tumorais (as células de Hodgkin e Reed-Sternberg). As técnicas imagiológicas e imunofenotípicas podem também ser ajudas complementares na definição do diagnóstico e na identificação do subtipo de linfoma de Hodgkin presente. O tratamento do linfoma de Hodgkin é feito consoante a avaliação do risco da doença, do prognóstico e do grau de estadiamento. Nos últimos anos foram realizados muitos avanços no tratamento, sendo atualmente uma neoplasia com uma sobrevivência global de 75% a 80%. A sua terapêutica clássica é constituída pela administração de adriamicina, bleomicina, vinblastina e dacarbazina seguidas de radioterapia. Novos tratamentos promissores têm sido desenvolvidos, principalmente na doença refratária e recidivante, recorrendo a diferentes anticorpos monoclonais, tais com o rituximab e o brentuximab vedotin. Após o tratamento, a monitorização é essencial para evitar o reaparecimento da doença e para fazer o controlo dos efeitos adversos tardios da terapêutica.
O microbioma e as doenças neurodegenerativas: doença de parkinson
Nas últimas décadas, o microbioma intestinal tem ganho relevância, emergindo como um agente importante na saúde do hospedeiro. Tem sido demonstrado que o microbioma intestinal e seus metabolitos estão envolvidos na modulação de funções gastrointestinais, pela sua influência na permeabilidade intestinal, função imunológica, mobilidade intestinal, sensibilidade e atividade do sistema nervoso entérico. Apesar dos recentes desenvolvimentos, a complexa interação entre a fisiologia do hospedeiro e o microbioma intestinal, é um tópico que merece a atenção da comunidade científica, no sentido do desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, particularmente em patologias como a doença de Parkinson. O microbioma e o cérebro comunicam através de diversas vias, como sendo o sistema imune, o metabolismo do triptofano, o nervo vago e o sistema nervoso entérico, envolvendo metabolitos microbianos como os ácidos gordos de cadeia curta ou os peptidoglicanos. O microbioma intestinal de indivíduos com DP pode apresentar (1) uma abundância excessiva de um cluster polimicrobial de agentes patógenos oportunistas, (2) valores reduzidos de baterias produtoras de ácidos gordos de cadeia curta (SCFA) e/ou (3) valores elevados de agentes microbiais que metabolizam hidratos de carbono (probióticos). A disbiose intestinal pode comprometer a integridade epitelial e aumentar a permeabilidade intestinal, permitindo que antigénios provenientes da dieta e sensibilizantes imunológicos (como as endotoxinas), possam entrar em circulação e promover inflamação e estados imunes atípicos. Esta inflamação intestinal promove a exacerbação da neuroinflamação, a disrupção da barreira hematoencefálica e a perda neuronal dopaminérgica na substância nigra em modelos animais. Este estado inflamatório encontra-se também correlacionado com a acumulação de -sinucleína intestinal em doentes com DP. Apesar de existir evidência proveniente de estudos em animais e de estudos clínicos que relacionam o microbioma numa variedade de doenças neurológicas, neurodegenerativas e psiquiátricas, esta área de estudo encontra-se ainda no seu início, sendo necessário prudência na interpretação dos resultados. Revela-se urgente desenvolver formulações de probióticos ou tratamentos de transferência fecal microbiana mais eficientes, estandardizar e reduzir a variabilidade na resposta do doente. Será também importante os futuros investigadores distanciarem-se de estudos correlacionais, direcionando a investigação para estudos longitudinais prospetivos e análises de causalidade realizados em maior escala.
2025-10-28T12:28:07Z
Loição, Lilite Mariline Conceição
Modos de convergência regulamentar entre medicamentos e dispositivos médicos no quadro da União Europeia
Os dispositivos médicos têm como principais funções auxiliar no diagnóstico, prevenção, controlo e tratamento de deficiências, doenças ou lesões, contribuindo para uma significativa melhoria da qualidade de vida da população. Tornam-se, assim, indispensáveis para o setor da saúde. Por serem tão distintos dos medicamentos e considerando a evolução que sofreram nos últimos anos, todas as classes de dispositivos médicos têm de ser abrangidas por legislação própria atualizada, por forma a evitar erros na regulamentação de produtos potencialmente danosos. Atualmente, a convergência tecnológica entre dispositivos médicos e outros produtos de saúde é alvo de grande procura por parte da indústria farmacêutica, criando uma lacuna legislativa crítica que pode colocar em causa a segurança e eficácia das terapêuticas comercializadas no mercado da União Europeia. Por forma a salvaguardar a evolução do setor da inovação, é crítico que existam estruturas e programas de apoio que possam conduzir os fabricantes na interpretação da atual legislação. Simultaneamente, a capacitação e formação dos especialistas que integram as agências reguladoras sobre procedimentos de avaliação de produtos-fronteira permite maior celeridade no acesso do doente à inovação.
2025-10-28T12:14:28Z
Perez, Joana Ferreira Lopes Ucha
Medicinal use of cannabis
A Cannabis é uma planta utilizada, há milhares de anos em várias partes do mundo, para diversos fins, desde fibra para tecido ou redes de pesca, ao uso terapêutico e recreativo. Os usos medicinais descritos incluem analgésico, poderoso relaxante, controlo de náuseas e enjoos e também para estimular o apetite. Com o passar do tempo, foi-se notando um aumento do uso pelas suas propriedades psicotrópicas e alucinogénias pelo que o seu consumo teve de ser regulado e até foi incluída na lista de substâncias ilegais e proibidas. As plantas de Cannabis sativa produzem químicos importantes denominados fitocanabinóides e que são os responsáveis pelas propriedades farmacológicas da planta. Existem cerca de 500 moléculas que podem ser encontradas nestas plantas, sendo que os fitocanabinóides compreendem cerca 100 dessas moléculas. Os fitocanabinóides que aparecem em maior quantidade, o Δ-9-tetrahidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), produzem os efeitos mais significativos no ser humano e são as moléculas utilizadas como substâncias ativas em medicamentos. Aquando do estudo dos efeitos dos canabinóides, foi identificado o sistema endocanabinóide, composto pelos recetores de canabinóides e pelos canabinóides endógenos. O recetor CB1 pode ser extensamente encontrado no sistema nervoso central, e o recetor CB2 pode ser encontrado nos órgãos e tecidos periféricos. As moléculas classificadas como canabinóides endógenos são o 2-araquidonoilglicerol e N-araquidonoiletanolamina. Quanto às suas propriedades terapêuticas, estudos clínicos demonstraram eficácia terapêutica do uso de canabinóides em várias formas farmacêuticas em diversas doenças ou sintomas de doenças. Existem já medicamentos aprovados para o tratamento de espasmos derivados de esclerose múltiplas em doentes refratários a outras terapêuticas, dor crónica neuropática, sintomas associados a doenças neurodegenerativas e alívio de náuseas e vómitos associados a administração de citotóxicos. A legislação em Portugal permite a produção e uso de Cannabis para fins medicinais e já existe 1 medicamento aprovado e comercializado, o Sativex. Apesar dos estudos que já existem, a prática clínica e a evidência ainda é pouca, pelo que ainda existe muito por estudar relativamente à eficácia terapêutica de Cannabis e os efeitos que esta pode ter no ser humano a curto e longo prazo.
2025-10-28T12:18:28Z
Freitas, Gonçalo Maria Coelho Fragoso
O retábulo-mor do Convento de Jesus de Setúbal no contexto dos conjuntos retabulares atribuídos à oficina do pintor régio Jorge Afonso
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O regresso à imagem original -os repintes e restauros das representações do calvário nos retábulos dos Conventos de Jesus e da Madre de Deus
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Diversas formas de Proteu: a mitologia n'O Lima de Diogo Bernardes
Subsistem em torno do poeta quinhentista Diogo Bernardes dúvidas em relação à sua vida e à sua obra, sendo, porém, certo que se moveu em círculos áulicos e literários de destaque, ao longo de toda a sua vida. Quanto à sua obra, afigura-se muito provável que tenha participado na organização dos seus três volumes de poesia, as Várias Rimas ao Bom Jesus (1594), O Lima (1596) e as Rimas Várias Flores do Lima (1597). O presente trabalho focará o segundo livro, no qual se incluem as Éclogas e Cartas. A análise partirá de perguntas como: o que caracteriza e distingue a obra de Diogo Bernardes? Como explicar as escolhas do autor em termos de género, temas, motivos, linguagem, alusões mitológicas, e também na organização dos poemas? Qual o papel da Mitologia Clássica nestes textos? Bernardes escolheu incluir n'O Lima composições bucólicas e epistolares, diversas e, ao mesmo tempo, muito próximas. Semelhantes em temas, divergem na linguagem que utilizam: as Éclogas simples e comedidas, contidas nas alusões à Mitologia Clássica, mas plenas de profundidade sob a simplicidade aparente. As Cartas, pelo contrário, explodem numa linguagem intensa e mordaz, ao mesmo tempo que informal e quotidiana; a Mitologia irrompe e multiplica-se ao longo das epístolas. Bernardes cria a imagem de um poeta maltratado, desiludido, enganado e desenganado, a quem apenas falta um Mecenas. O seu único bem e arma é a poesia como Orfeu, espera persuadir quem está no poder com o seu canto e mudar a sua sorte. Mas nem os poderes persuasivos de Orfeu nem as artes de metamorfose de Proteu lhe podem valer; como eles, Bernardes está marcado pela frustração das suas tentativas e expectativas.
2025-10-28T12:23:40Z
Gomes, Ana Filipa Teixeira Leite
Stresse em estagiários de enfermagem e sua influência na relação de ajuda ao doente
A enfermagem tem sido considerada como uma das profissões indutoras de stresse, que coloca os profissionais de saúde sob tensão. O presente estudo decorreu da constatação de que os alunos de enfermagem, em estágio, passam por momentos de stresse que podem, já aí, afectar a qualidade da sua relação com o doente. A amostra foi constituída por 200 estagiários em situação hospitalar. No âmbito dos instrumentos utilizados, construiu-se uma escala específica, a “Escala de Avaliação do Stresse em Estágio, e procedeu-se à adaptação da escala Caring Dimentions Inventory (CDI), de Watson et al. (2001); ambos os instrumentos apresentaram boas qualidades psicométricas. A análise dos resultados revelou a existência de stresse perante a supervisão, a integração, as condições de trabalho, a competência individual e as relações interpessoais, influenciando aspectos técnicos e de apoio, presentes na relação de ajuda ao doente. Os resultados enquadram-se na literatura revista, que corroboraram, sugerindo implicações específicas na formação educacional em enfermagem e remetendo para posteriores estudos no âmbito da saúde.
2025-10-28T12:13:47Z
Rodrigues, Carina Veiga, Feliciano Henriques
O acesso a medicamentos inovadores: regras e condicionantes novos anticoagulantes orais
O acesso a terapêuticas cada vez mais inovadoras traduz-se num aumento da esperança média de vida e um consequente aumento do índice de envelhecimento da população. A maior parte da população residente em Portugal é considerada idosa e sendo a idade um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, estas acabam por ser as patologias que provocam o maior número de óbitos em Portugal. Dentro das patologias cardiovasculares destacam-se os eventos tromboembólicos que estão associados a uma taxa de mortalidade muito elevada e patologias como a doença isquémica, o enfarte agudo do miocárdio e as doenças cerebrovasculares são das mais mortais. Esta elevada taxa de mortalidade associada aos eventos tromboembólicos deve-se, em grande parte, às terapêuticas anticoagulantes que desde 1962 têm sido a terapêutica base no tratamento e na prevenção dos eventos tromboembólicos. A entrada dos novos anticoagulantes orais no mercado veio revolucionar a terapêutica anticoagulante que se manteve inalterada durante um longo período de tempo. Estas terapêuticas demonstraram uma eficácia clínica semelhante à dos anticoagulantes clássicos, mas permitem uma dose de administração fixa, têm menos reações adversas, menos interações e, mais importante, permitem que deixe de ser preciso monitorizar constantemente os doentes que estejam a fazer terapêutica anticoagulante. Com a entrada dos novos anticoagulantes orais no mercado, verificou-se que o consumo destas novas terapêuticas por parte da população aumentou substancialmente, o que se traduziu num aumento significativo dos encargos que estas terapêuticas têm para o serviço nacional de saúde. No entanto, chega-se à conclusão não só que existe acesso por parte da população a estas terapêuticas inovadoras devido ao crescimento do consumo das mesmas, mas também que o investimento por parte do serviço nacional de saúde é justificável pois houve uma redução drástica na taxa de mortalidade associada aos eventos tromboembólicos e às doenças cardiovasculares.
2025-10-28T12:21:41Z
Carvalho, Afonso Lousinha Alcobia Mariano de
Pictogramas de apoio à gestão da medicação: avaliação da compreensão de pictogramas por idosos portugueses – estudo observacional transversal - Pict4Elder.PT
Introdução: Globalmente, a população encontra-se cada vez mais envelhecida. Os idosos, devido, por exemplo, à polimedicação, nível de literacia em saúde reduzido e baixa adesão à medicação, apresentam um risco acrescido na utilização de medicamentos com potenciais danos para a sua saúde. Para o reduzir, é de todo relevante que a informação seja fornecida de forma efetiva pelo farmacêutico, aquando da dispensa de medicamentos, para que o regime terapêutico seja compreendido e cumprido pelo utente. Uma das estratégias que facilitam este processo consiste na utilização de pictogramas farmacêuticos. Objetivo: Validar, em termos de usabilidade, 28 pictogramas farmacêuticos do PictoPharma – Pharmaceutical pictogram system em idosos (idade superior a 65 anos; nacionalidade portuguesa; responsáveis pela gestão da sua própria medicação). Métodos: Estudo analítico observacional transversal. Amostra não probabilística de conveniência. Aplicação presencial de questionário padronizado, na Farmácia Nova (Benfica, Lisboa), entre fevereiro e março de 2021, a 48 idosos (n = 280 idosos). Resultados: Os participantes apresentaram idades compreendidas entre os 66 e os 88 anos. Cerca de 66,67% tinham entre os 66-75 anos; 85,42% pertenciam ao sexo feminino; 52,08% frequentou 1 a 4 anos de escolaridade; 87,50% e 64,58% não apresentava qualquer compromisso cognitivo, de acordo com o Mini-Mental State Examination e aplicando-se, respetivamente, cut offs internacionais e nacionais. A percentagem de pictogramas farmacêuticos corretamente interpretados situou-se entre 31,25% e 100%. Aproximadamente 75% dos pictogramas farmacêuticos incluíam-se no critério de aceitação da American National Standard’s Institute. Conclusões: Importa rever os pictogramas farmacêuticos com uma percentagem de compreensão inferior a 85% e realçar a importância da intervenção contínua do farmacêutico no que respeita à explicação e orientação do utente face às instruções da toma da medicação. Sendo este estudo parte integrante de um estudo de maiores dimensões, é necessário analisar todos os dados recolhidos, de forma a concluir se os pictogramas farmacêuticos a validar poderão ser utilizados de forma efetiva e segura, promovendo o uso racional do medicamento. Palavras-chave: Gestão da medicação; Idosos; Literacia em saúde; Pictogramas farmacêuticos; Polimedicação.
2025-10-28T12:25:54Z
Valério, Filipa Isabel Mendes Bonito
A Custódia de Belém : um símbolo nacional entre o Liberalismo e o Estado Novo
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2025-10-28T12:28:20Z
Neto, Maria João Alves, Alice Nogueira Soares, Clara Moura
O impacto da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao VIH na Europa
O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) continua a ser transmitido entre a população e é responsável por uma infeção crónica e incurável com um impacto profundo e estigmatizante, concretamente sobre as comunidades europeias. Apesar do arsenal de estratégias preventivas que foram desenvolvidas até à data, isoladas ou combinadas, estas não foram suficientes para abrandar a epidemia do VIH ao ritmo desejado. Só no ano de 2019, foram reportados 24 801 novos casos de infeção por VIH na Europa, tornando imperativo um reforço das estratégias de prevenção e mitigação da transmissão deste agente infecioso. A Profilaxia Pré-Exposição ao VIH (PrEP) surge como um importante método preventivo que começa agora a ganhar o seu destaque. A PrEP oral consiste na utilização de fármacos antirretrovirais, em regime diário ou intermitente, devendo ser oferecida como uma escolha adicional de prevenção para pessoas seronegativas em alto risco de infeção. Com uma boa adesão e em conjunto com outras medidas, oferece até 90% de proteção. Embora não confira proteção contra outras Infeções Sexualmente Transmissíveis (IST), utilizar a PrEP envolve testes regulares ao VIH e a outras IST. A PrEP oral foi aprovada na Europa em 2016 e disponibilizada em Portugal em 2018 como parte do pacote de estratégias de prevenção do VIH. Desde que surgiu, foi alvo de opiniões opostas e despoletou questões como a dificuldade de adesão, a criação de resistências, a relação custo-efetividade, os potenciais efeitos compensatórios nas práticas sexuais e o estigma associado ao seu uso. Embora exista um aumento progressivo do número de países europeus a implementar a PrEP, subsiste ainda uma grande lacuna entre a implementação e o acesso por parte de potenciais utilizadores. Encontram-se a decorrer diversos estudos que procuram explorar o impacto da PrEP sobre a epidemiologia do VIH, bem como sobre a sociedade.
Plantas e produtos vegetais com acção no sistema hepatobiliar
O sistema hepatobiliar contribui imenso para o bem estar do ser humano, porque desempenha várias funções muito importantes para o organismo. As consequências da disfunção deste sistema são quase sempre muito graves ou mesmo fatais. Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, patalogias ao nível do sistema hepatobiliar são um dos maiores fatores da mortalidade na União Europeia. Uma das funções deste sistema é a filtração do sangue feita pelo fígado. Por isso, em termos da toxidade este orgão pode ser o alvo das susbstâncias tóxicas existentes no sangue. Há muitos produtos que são perigosos para o fígado e que podem causar a morte das células deste orgão. Entre estas substâncias uma grande parte pertence a alguns medicamentos, tais como antidepressivos, quimioterapêuticos contra cancro, anti-inflamatórios e analgésicos. Até os próprios medicamentos sintéticos para curar doenças hepatobiliares podem ter efeitos negativos para este sistema. Devido à existência do problema importante a este nível, é necessário desenvolver o tratamento eficaz e seguro das enfermidades do sistema hepatobiliar. As plantas medicinais podem contribuir para o desenvolvimento de métodos da cura e da prevenção destas doenças. Também, vale a pena, mencionar que só a utilização correta destas plantas pode melhorar o estado da saúde do doente, visto que o uso inadequado das mesmas pode provocar efeitos negativos. Neste trabalho vão ser abordados vários tópicos acerca do uso das plantas medicinais para tratamento das doenças do sistema hepatobiliar. Em primeiro lugar, será referida a importância das plantas medicinais ao nível mundial e a história da utilização destas plantas para o tratamento de várias enfermidades. Também será abordado o sistema hepatobiliar e as doenças relacionadas com o mesmo. Este trabalho concentrar-se-á principalmente nas 4 plantas medicinais: Taraxacum officinale (L.) Weber ex F.H. Wigg., Rosmarinus officinalis L., Glycyrrhiza glabra L., Andrographis paniculata (Burm.f.) Nees.