RCAAP Repository
Golimumab - anti-TNF monoclonal antibody: where we stand today
Tumor necrosis factor (TNF) is a pro-inflammatory cytokine and its overexpression has been implicated in the pathophysiology of several chronic immune-mediated inflammatory diseases. Biological therapies, like TNF inhibitors, have been revolutionizing the course of these disorders. Golimumab is a transgenic anti-TNF monoclonal antibody that acts primarily by targeting and neutralizing TNF, thus preventing inflammation. It is approved for the treatment of Rheumatoid Arthritis, Psoriatic Arthritis, Ankylosing Spondylitis, Nonradiographic axial Spondyloarthritis, Juvenile Idiopathic Arthritis, and Ulcerative Colitis. Clinical trials are also being conducted in other conditions. This review charts the clinical development of golimumab and outlines the data that support its potential use across several Immune-mediated inflammatory diseases.
2025-10-28T12:22:48Z
Melo, Ana Teresa Campanilho-Marques, Raquel Fonseca, João Eurico
Matar Saudades de Fernando Lopes (1988). Permanência do mito odisseico no cinema português
This paper studies the odysseic structure of Fernando Lopes film "Matar Saudades" (1988), as well as the epic and tragic influences on the plot.
Learning mathematics and competences: Bringing together three theoretical perspectives
The symposium aims to bring into analysis and discussion a possibility of articulating and integrating theoretical concepts from Activity Theory, Situated Learning and Critical Mathematics Education in order to contribute to understanding learning in practices where mathematics and technology seem to be relevant.
2025-10-28T12:09:36Z
Matos, J.F. Santos, Madalena Fernandes, Elsa Carreira, Susana Pedro, N. Belchior, Margarida Gerardo, Helena Mesquita, Mônica
PGC-1α: a metabolic regulator
De modo a garantir a sobrevivência, os organismos vivos estão numa batalha constante para manter a homeostase energética, um processo fisiológico robusto e coordenado que pode ser definido como a regulação do equilíbrio entre a produção e o gasto de energia. Este processo requer a capacidade de os organismos adaptarem-se a mudanças ambientais, como no caso de atividades físicas extenuantes ou durante um estado de jejum. De maneira a atender às necessidades de ATP, as nossas células usam diferentes modalidades do metabolismo energético na presença ou ausência de oxigênio para produção de energia. Descoberto inicialmente como uma proteína que regulava a termogénese adaptativa na presença de frio por meio da interação com PPAR-γ, o PGC-1α foi considerado um fator central no metabolismo energético. Logo após foram também identificados dois homólogos, o PGC-1β e PRC, e várias isoformas. O PGC-1α funciona como o agente principal da biogénese mitocondrial e fosforilação oxidativa, no entanto, novos dados ao longo dos anos mostraram que o papel fisiológico do PGC-1α estende-se para além do controlo restrito do metabolismo energético, sendo um participante chave na angiogénese, músculo esquelético, gliconeogénese, função cardíaca e outros numerosos processos. A disfunção metabólica é uma característica comum observada em muitas doenças, estas geralmente acompanhadas por uma desregulação na atividade do PGC-1α. Devido a este papel fundamental na homeostase energética, revela-se assim um potencial alvo terapêutico bastante atraente em diversas doenças metabólicas e degenerativas que frequentemente acompanham o avançar da idade. Consequentemente, regular a ação de PGC-1α aumentando sua atividade em certos tecidos apresenta uma terapia adequada e interessante numa grande variedade de patologias, como a sarcopenia, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, síndrome metabólico, diabetes tipo 2 e até mesmo no cancro. O objetivo desta revisão é elucidar como é que o PGC-1α e suas isoformas desempenham suas atividades fisiológicas no organismo, mostrar dados atuais sobre como o PGC-1α está implicado na saúde e na doença, lacunas na literatura e alguns obstáculos que poderemos enfrentar no futuro no que diz respeito ao seu uso terapêutico.
2025-10-28T12:29:54Z
Matos, Pedro Miguel Pires de
Impact of the COVID-19 pandemic on outpatient medicines use: antibiotics as an example
Contexto: A pandemia COVID-19 foi originada pelo novo coronavírus, SARS-CoV-2, que se propagou rapidamente por todo o mundo. As medidas de Saúde Pública que foram implementadas para reduzir a transmissão do vírus limitaram o acesso a prescrições médicas e poderão ter afetado a dispensa de medicamentos. O real impacto da pandemia e das medidas associadas no consumo de medicamentos em ambulatório não é conhecido. Objetivo: Avaliar o impacto da pandemia COVID-19 nos padrões de utilização de antibióticos de uso sistémico na comunidade, em Portugal. Método: Foi realizado um estudo descritivo e selecionados para análise, antibióticos de uso sistémico (classificação ATC J01). Uma análise de séries temporais, usando o modelo autorregressivo integrado de médias móveis (ARIMA), de indicadores de qualidade para o consumo de antibióticos na comunidade, em Portugal, foi realizada de 1 de janeiro de 2016 a 31 de dezembro de 2020. Resultados: O consumo de antibióticos (J01) diminuiu acentuadamente nos primeiros três meses de pandemia em Portugal, tendo uma redução significativa de 3 DIDs por mês no efeito de curto prazo (ρ = 0.0086). Após o início da pandemia, melhorias foram obtidas apenas a curto prazo para o consumo de penicilinas (ρ = 0.0247) e cefalosporinas (ρ = 0.0067). Não foram encontradas alterações significativas no consumo de macrólidos, lincosamidas e estreptograminas, quinolonas e no consumo relativo de penicilinas sensíveis às ß-lactamases e cefalosporinas de 3ª e 4ª geração. O consumo relativo de fluoroquinolonas aumentou a longo prazo +0.160% (ρ = 0.0199). O consumo relativo de penicilinas com inibidores das ß-lactamases e a razão entre antibióticos de amplo e estreito espectro sofreu um aumento a curto prazo (0.768% e 9.6, respetivamente), mas uma diminuição a longo prazo (-0.343% e -1.7, respetivamente). Conclusão: Existem alguns fatores relacionados à pandemia que levaram à diminuição do consumo de antibióticos de algumas classes, como o confinamento, a diminuição do número de consultas médicas presenciais realizadas e a redução da transmissão de outras infeções respiratórias. No geral, os nossos resultados mostram que a pandemia COVID-19 levou a um decrescimento no consumo de antibióticos, o que no futuro pode significar uma diminuição de resistências bacterianas.
2025-10-28T12:13:47Z
Domingues, Mariana Filipa Antunes
Modelo regulamentar integrado no sector do medicamento e produtos de saúde: o caso português (passado, presente e futuro)
O modelo regulamentar português foi alvo de diversas alterações e está em evolução contínua suscitada por novos desafios à saúde pública. No passado, o caso Lipocina no Fundão foi o impulsionador da publicação do Decreto nº 41 448, de 18 de dezembro de 1957, que cria a Comissão Técnica de Novos Medicamentos. A intoxicação grave de cinco crianças, e que conduz à morte de duas, foi o momento catalisador da redação deste decreto, pioneiro a nível europeu, mais protetor da saúde pública. Anos mais tarde, em 1993 será criada o INFARMED que tinha na sua constituição todas as vertentes do medicamento e que cumpria às exigências da Comunidade Económica Europeia. Em 1995, seria constituída a Agência Europeia de Avaliação de Medicamentos que atuaria no espaço europeu em conjunto com as agências nacionais para a proteção da saúde pública e a criação da Europa do Medicamento. No presente, a estrutura do INFARMED sofreu alterações decorrente dos novos desafios como são as novas tecnologias mais complexas e cada vez mais dispendiosas. Um novo foco seria a Avaliação das Tecnologias de Saúde, havendo a criação do SiNATS que permite uma avaliação das terapêuticas para posteriormente ocorrer a decisão do seu financiamento. A CATS faria parte da avaliação ex-ante da tecnologia e o SIATS faria parte da avaliação ex-post da mesma, sendo ambos extremamente importantes para o funcionamento sustentável do sistema. A nível europeu Portugal encontra-se envolvido no projeto EUnetHTA e na iniciativa La Valletta que promovem a colaboração internacional, o uso eficiente dos recursos e a partilha de informação de modo a serem realizadas avaliações das tecnologias melhores e mais rápidas. No futuro, após as alterações criadas pela pandemia foram definidas áreas prioritárias a desenvolver como a promoção da inovação economicamente sustentável e a transformação digital. A inovação poderá ser apoiada pelo Horizon Scanning, que identificará terapêuticas novas com potencial valor terapêutico acrescentado em vias de entrar no mercado permitindo o planeamento orçamental acertado para potencialmente serem incluídas no arsenal terapêutico; e pela autorização adaptativa, que permitirá o acesso precoce à inovação e permitirá determinar o seu perfil real de custo-efetividade.
2025-10-28T12:25:54Z
Falcão, Mariana Simões Isidro
SARS-CoV-2: as evidências genéticas da sua origem
Em dezembro de 2019 foi identificado pela primeira vez o novo agente viral Síndrome Respiratória Aguda Grave Coronavírus 2 (SARS-CoV-2), em Wuhan na China. Desde então, o vírus propagou-se rapidamente pelo mundo, resultando na pandemia da Doença por Coronavírus 2019 (COVID-2019) a qual já conta com um número de mortes superior a 4 milhões. Este é um vírus da família Coronaviridae do género Betacoronavirus e do subgénero Sarbecovirus. Atualmente já foram descritos sete coronavírus que infetam humanos sendo que, em menos de 20 anos esta família já foi responsável por duas epidemias: a Síndrome Respiratória Aguda Grave, em 2002, e a Síndrome Respiratória do Médio Oriente, em 2012. O morcego é o reservatório principal de Betacoronavirus, sendo a sequência mais próxima detetada até ao momento de uma amostra viral de morcego (Rhinolophus affinis), com homologia de 96.2%. Contudo sugerem-se a existência de hospedeiros intermediários, como o pangolim de Guangdong, devido à sua semelhança no domínio de ligação ao recetor. Embora existam várias hipóteses sobre a origem deste vírus, neste trabalho procurou-se abordar as principais características genéticas e, com base na evidência disponível, fazer uma análise das suas quatro hipóteses de origem: transmissão zoonótica direta; transmissão alimentar pela cadeia de frio; introdução através de uma espécie hospedeira intermediária; e introdução através de um incidente laboratorial.
2025-10-28T12:23:27Z
Galhano, Cátia Sofia Marques
PGC-1α: a target for neurodegenerative disorders
Com o aumento da esperança média de vida, também o impacto social e económico associado a problemas de saúde tem vindo a crescer. As doenças neurodegenerativas tendem a manifestar-se com a idade, principalmente devido à sua longa fase assintomática, durante a qual a doença já está em progressão, portanto a sua incidência tem aumentado e continuará a aumentar em todo o mundo, acompanhando a tendência de envelhecimento e crescimento da população. Entretanto, os tratamentos disponíveis para a maioria destas patologias apenas aliviam os sintomas já numa fase avançada, não existindo ainda disponíveis opções que alterem ou impeçam o seu curso natural. Ora, esta falta de alternativas farmacológicas é consequência da incerteza existente em relação aos mecanismos fisiopatológicos que originam estas doenças e à enorme variabilidade registada na população afetada. No entanto, vários estudos evidenciaram que a disfunção mitocondrial e o stress oxidativo desempenham um papel importante na patogénese de doenças como a doença de Alzheimer, doença de Parkinson e doença de Huntington, por exemplo. Tendo em conta a grande necessidade de aporte energético do tecido cerebral, tal não é inesperado. O peroxisome proliferator-activated receptor γ coactivator-1α (PGC-1α) é visto como um importante co-regulador da função mitocondrial desde a sua descoberta, há mais de 20 anos, e a sua hipotética relação com as doenças neurodegenerativas e expectável potencial terapêutico têm sido considerados e avaliados desde o início. Na verdade, vários modelos animais sem PGC-1α têm, desde então, revelado a presença de anomalias comportamentais e neurodegeneração, o que parece provar esta ligação. Assim, regular seletivamente a ação do PGC-1α (para evitar efeitos prejudiciais e indesejados noutros tecidos onde este também é expresso) poderá ser uma forma interessante e específica de mitigar a disfunção mitocondrial e o stress oxidativo. Contudo, ter como alvo um co-regulador da transcrição constitui um desafio a vários níveis, mas também apresenta diversas possibilidades, especialmente considerando os avanços científicos e tecnológicos recentes e futuros. Deste modo, a hipótese de usar o PGC-1α como um alvo terapêutico altamente específico para o tratamento de doenças como as neurodegenerativas não pode ser excluída e aguarda novos desenvolvimentos.
Aplicações terapêuticas da canábis e canabinoides
A canábis e, mais recentemente, os canabinoides têm vindo cada vez mais a serem investigados com base na enorme expectativa de poderem vir a ser potenciais terapêuticas utilizadas em inúmeras áreas da Medicina. A pesquisa pelas suas propriedades, mecanismos de ação e eficácia terapêutica passa atualmente pela análise da canábis e dos canabinoides em ensaios pré-clínicos e clínicos de patologias inflamatórias e do trato gastrointestinal, metabólicas, mentais, psiquiátricas, neurológicas, dermatológicas, oncológicas, infeciosas, oftalmológicas e até relacionadas com a dor. Quanto mais se investiga, mais se torna evidente a complexidade dos modos de atuação da canábis e dos canabinoides, não só entre diferentes espécies, como dentro das mesmas espécies. Isso leva a que seja necessário haver um conhecimento muito mais aprofundado do que o atual, não só sobre os benefícios que a canábis e os canabinoides podem trazer para a Humanidade, mas também sobre os aspetos mais prejudiciais dos seus consumos. As descobertas mais recentes sobre a possível utilização medicinal da canábis e dos canabinoides levou a que houvesse a necessidade de ser implementada, em alguns países, legislação relacionada com a utilização da canábis e dos canabinoides para fins medicinais.
2025-10-28T12:12:39Z
Conceição, Diogo Miguel Anastácio da Luz
Photoswitchable materials for drug delivery
Os materiais photoswitch têm recebido muita atenção nos últimos anos, devido à possibilidade de controlar os materiais de uma forma não invasiva mediante a exposição à luz. Uma molécula photoswitch, após ser irradiada com luz, pode sofrer uma transformação reversível na sua geometria, polaridade, rigidez e/ou índice de refração (doi:10.1002/chem.201805814)1. Aductos de Stenhouse doador - aceitador - DASA - são moléculas photoswitch recentemente descobertas que podem mudar a sua polaridade e geometria com a exposição à luz. Assim, estas moléculas ao serem irradiadas com luz visível perdem a sua cor característica, ao contrário de outros photoswitch que normalmente isomerizam quando irradiadas com luz ultravioleta, o que é uma vantagem para aplicações in vivo. A combinação de biopolímeros e moléculas DASA é uma abordagem promissora para o desenvolvimento de um sistema de libertação transdérmica de fármacos, visto que os biopolímeros não são tóxicos, e biodegradáveis. Neste trabalho foram sintetizados filmes à base de colina e gelatina, contendo também o aducto DASA, com o objetivo de produzir um sistema de libertação de fármacos baseado na mudança de polaridade do DASA após irradiação com luz visível. Os filmes desenvolvidos apresentam propriedades semelhantes às do Ion-Jelly (doi:10.1039/b811647d)2, visto que se forma uma solução viscosa gelifica após arrefecimento à temperatura ambiente. Os filmes preparados foram caracterizados quanto à sua estrutura química, física e estabilidade térmica. Para além disso foi estudada a sua capacidade de isomerização com irradiação de luz visível, a sua toxicidade e a capacidade de libertação de fármaco controladamente dos filmes. Acreditamos que, com as propriedades de ion jelly dos filmes obtidos, juntamente com as mudanças efetivas do DASA após a exposição à luz, este novo material DASA pode servir como base para um novo sistema transdérmico de libertação de fármaco capaz de ser controlado por luz.
As várias facetas dos antioxidantes e a sua influência na saúde e desenvolvimento do cancro
As espécies reativas de oxigénio são produzidas por células vivas como subproduto metabólico celular normal. Sob condições de stress, as células irão produzir vários subprodutos e os organismos vivos irão desenvolver uma série de mecanismos de resposta para se adaptarem à exposição do subproduto, bem como utilizá-lo como veículo de sinalização. As espécies reativas de oxigénio desencadeiam o stress oxidativo num mecanismo de feedback envolvendo muitos processos biológicos, como apoptose, necrose e autofagia. Várias evidências têm sugerido que as espécies reativas de oxigénio desempenham um papel crítico como moléculas de sinalização em todo o caminho da morte celular e uma produção elevada deste subproduto pode destruir a estrutura dos organelos e biomoléculas, o que leva à resposta inflamatória, que é um mecanismo para o desenvolvimento do cancro. As células desenvolveram um sistema equilibrado para neutralizar as espécies reativas de oxigénio, ou seja, sistemas antioxidantes que consistem em antioxidantes enzimáticos, bem como antioxidantes não enzimáticos que reduzem, em conjunto, o estado oxidativo. Os antioxidantes são essenciais para prevenir a formação e suprimir as atividades das espécies reativas oxigénio. Acredita-se que os antioxidantes são capazes de prevenir e tratar vários tipos de doenças malignas e, atualmente, os compostos antioxidantes naturais têm sido consumidos para prevenir e tratar diferentes tipos de cancro. Compostos fenóis extraídos de plantas medicinais abriram uma nova perspetiva no que diz respeito à prevenção e tratamento de cancros por possuírem características antioxidantes, entretanto, alguns estudos publicados recentemente revelaram que compostos antioxidantes não indicam propriedades anti tumorais absolutas. Alguns deles são úteis na iniciação e progressão do cancro. O PubMed foi consultado para identificar e analisar artigos publicados entre 1999 e 2021, adotando algumas palavras-chave (tanto em português como em inglês), como por exemplo: “espécies reativas de oxigénio”, “cancro”, “antioxidantes” e “stress oxidativo”, para encontrar artigos sobre este tópico. Desta pesquisa resultou a consulta de cerca de 110 artigos, dos quais 42 foram selecionados para integrar este trabalho. Numa análise extensa, com base em critérios de aceitação e exclusão, foram selecionados artigos que incluíam estudos que correlacionavam a associação entre o uso de antioxidantes e o cancro. Este trabalho permitiu-nos concluir que, em conjunto, os antioxidantes demonstram uma natureza dupla em relação ao cancro.
Atividade fotoprotetora de extratos de punica granatum L.: avaliação in vitro
A radiação ultravioleta (UV) em excesso promove graves problemas de pele tais como eritema solar, fotoenvelhecimento e cancro de pele. Os filtros solares atuam na prevenção de doenças através de filtros químicos (origem sintética ou natural) e filtros físicos. De uma forma geral, os filtros físicos refletem as radiações UV e os filtros químicos absorvem a energia das radiações UV. Os filtros solares químicos de origem natural com atividade fotoprotetora são desenvolvidos para formulações dermocosméticas. Estas substâncias químicas devem ser atóxicas e compatíveis com o veículo do produto dermocosmético. Além disso, devem apresentar estabilidade físico-química ao longo de um determinado tempo. A romã (Punica granatum L.) é fruto de uma árvore cultivada em grande parte do planeta. No interior do fruto existem sementes carnudas. Estudos encontrados na literatura demonstram que a romã contem compostos químicos propícios para fotoproteção, tais como, antioxidantes, antocianinas e compostos fenólicos. Neste trabalho experimental foram preparados extratos de material vegetal fresco de romã com diferentes solventes: extrato puro, extrato aquoso, extrato hidroalcoólico, extrato glicólico e extrato oleoso. Estes extratos foram incorporados em gel de carbopol. Foi determinado o fator de proteção solar in vitro dos diferentes extratos de romã e extratos de romã incorporados em gel. A determinação do fator de proteção solar foi feita através do método de Mansur por ser uma metodologia simples e de baixo custo. A estabilidade acelerada dos geles com extratos de romã foi efetuada através de análises físico-químicas (pH e viscosidade) e características organolépticas. Perante os resultados obtidos verificou-se que as características organolépticas e físico-químicas não sofreram grandes alterações ao longo do estudo de estabilidade acelerada de 28 dias. O fator de proteção solar nos extratos e gel com extratos estudados apresentaram valores muitos baixos, abaixo do valor mínimo considerado para a atividade fotoprotetora. Estes resultados mostraram a necessidade de otimização da metodologia de extração de compostos químicos presentes na romã para melhorar o nível do fator de proteção solar.
2025-10-28T12:13:33Z
Cardoso, Hugo Ricardo Pinto
Distúrbios neurológicos associados às novas substâncias psicotrópicas
As novas substâncias psicotrópicas (NSP’s), em particular o grupo das catinonas sintéticas, conhecidas como “bath salts”, são o segundo maior grupo de NSP’s, a seguir aos canabinóides sintéticos. Representam um dos principais problemas no que toca à saúde pública na atualidade, havendo uma rápida disseminação das mesmas no mercado de droga, levando cada vez mais pessoas às unidades de urgência dos hospitais como indicam os relatórios post-mortem. Este grupo de NSP’s apresenta efeitos idênticos aos da cocaína e anfetaminas, mas os seus efeitos ainda não estão completamente elucidados. A necessidade de monitorizar e controlar o consumo destas substâncias leva a que seja crucial o seu estudo de forma a identificar os potenciais problemas e riscos associados às NSP’s. Entre as várias catinonas sintéticas já estudadas, a 4-cloroetilcatinona (4-CEC) permanece com informação mais escassa. O objetivo deste estudo foi caracterizar as alterações psicomotoras promovidas pela exposição de ratinhos a uma única a 4-CEC e efetuar um estudo preliminar da cinética das alterações comportamentais observadas através de ensaios in vivo. Após o teste de Habituação, os ratinhos, machos, com 28,4±2,2g de massa, com 1 mês de idade e um com 4 meses, foram administrados com uma dose de 0 (controlo) ou 32 mg/kg de 4-CEC e sujeitos ao Open Field Test durante 60 minutos. Foram analisados parâmetros como Grooming, Stretch Attend Postures (SAP), Circling e Rearing em termos comportamentais, e Line Crossing, tempo nas várias zonas do campo, velocidade média, distância percorrida e tempo imóvel como medidas de atividade locomotora/exploratória. Os animais tratados com dose única de 4-CEC apresentaram maiores frequências nos parâmetros de Line Crossing, distância percorrida, SAP, tempo passado na periferia e menor tempo imóvel. Estes parâmetros indicam uma maior atividade locomotora e exploratória por parte dos grupos expostos a 4-CEC. Adicionalmente, a menor frequência de micções e defecações por parte dos mesmos indica uma possível ação da catinona sintética no sistema nervoso autónomo. Quando analisada a cinética das alterações comportamentais observou-se um possível pico de ação da substância entre os 20 e os 30 minutos após administração, diminuindo gradualmente ao longo do tempo, sugerindo uma ação rápido e de curta duração. Concluindo, a dose única de 4-CEC provocou nos animais estimulação motora, e alterações comportamentais, em parte, sugestivos da indução de um efeito ansiolítico. As alterações comportamentais têm início e duração de ação rápido e curto.
Drug absorption through the nasal mucosa: current challenges
Embora a via de administração oral continue a ser a via de administração preferencial para fármacos com ação sistémica, a baixa biodisponibilidade oral de alguns compostos e as características da cavidade nasal proporcionam o processo de desenvolvimento de novos fármacos para administração nasal. A administração intranasal apresenta várias vantagens, tais como: ser uma via não invasiva e conveniente para auto-administração ou para cuidadores, ausência de efeito de primeira passagem pelo fígado, início de ação quase imediato e aumento da biodisponibilidade do fármaco. Apesar do potencial da via de administração nasal, o muco e a barreira epitelial, a clearance mucociliar e a atividade enzimática representam algumas das suas limitações. Algumas das abordagens mais comuns para promover a absorção nasal incluem: a inibição da clearance mucociliar com mucoadesivos; aumento de absorção com intensificadores de absorção; alteração das propriedades físico-químicas da substância ativa usando pró-fármacos ou outras estratégias; inibição do metabolismo com inibidores enzimáticos; otimização da formulação com micro / nanopartículas; design e otimização de dispositivos de administração; utilização de tecidos ex-vivo e métodos de cultura de células in vitro para triagem e melhoria da absorção nasal de fármacos. Para obter autorização de introdução no mercado dos medicamentos para absorção nasal, as entidades reguladoras exigem vários dados e resultados para fins de controlo de qualidade, que são compilados num dossier organizado pela indústria farmacêutica durante o processo de desenvolvimento. Um número considerável de fármacos e várias inovações para administração intranasal foram desenvolvidos e são descritos nesta monografia, bem como suas indicações.
The role of sodium croscarmellose in controlled drug release from oral solid dosage forms
Este projeto tem como objetivo entender três formas diferentes de produzir pellets, duas delas por extrusão e outra usando a técnica de co-extrusão antes da esferonização e secagem dos extrudidos, realizando também uma avaliação do seu potencial de desintegração da croscarmelose sódica presente nos pellets. Este trabalho de campo foi divido em duas partes. A primeira desenvolvida na Universidade de Lisboa com a produção de pellets por esferonização dos extrudidos e co extrudidos, obtidos através de uma prensa extrusora, utilizando um esferonizador para posterior esferonização. O rendimento máximo obtido foi de 85.9%. A distribuição por tamanhos foi estreita. O processo de co-extrusão mostrou-se complexo e muito dependente do equipamento. A presença de croscarmelose sódica na estrutura dos pellets diminuiu o tempo de desintegração (<15min) embora a libertação do paracetamol tenha ficado pelos 58%, muito provavelmente pela presença de celulose microcristalina na formulação que atuou como matriz. Na Jagiellonian University, na segunda fase do projeto, foi possível produzir pellets através de extrusão –esferonização utilizando um extrusor de rolos e um esferonizador antes da secagem. O rendimento deste processo não foi além dos 75.1% e este trabalho de campo mostrou uma forma de produzir pellets com croscarmelose sódica e que esta adição teve um impacto no tempo de desintegração dos pellets. A circularidade foi de 0.72 e os fatores que se mostraram críticos para a produção destes pellets foram a fração de croscarmelose sódica, o tempo de repouso, a taxa de extrusão e o prato do esferonizador. Estes fatores tiverem um impacto crítico e por isso o seu controlo é importante aquando da formação de pellets. No geral este projeto provou a possibilidade de produzir pellets por extrusão, co extrusão e a monitorização do tempo de desintegração por incorporação de croscarmelose sódica na formulação. Mais estudos devem ser conduzidos para desenvolver estas descobertas.
2025-10-28T12:18:28Z
Martins, Lucas Rafael Chambel
Plantas medicinais e preparações tradicionais à base de plantas usadas como ansiolítico
Os ansiolíticos consistem em medicamentos utilizados na terapêutica de neuroses e distúrbios psicossomáticos relacionados com a ansiedade. As plantas medicinais e as preparações à base de plantas são utilizadas para o tratamento de doenças do foro neurológico e, nos últimos vinte anos, tem existido uma multiplicidade de estudos sobre a sua utilização no tratamento de distúrbios psiquiátricos, estando descrito o potencial neuromodulador em simultâneo para vários recetores do SNC para algumas destas plantas medicinais e respetivas preparações. A presente monografia tem como objetivo contribuir para o conhecimento da utilidade das plantas medicinais no tratamento da ansiedade, identificar as plantas medicinais com monografia elaborada pela EMA e indicação terapêutica para tratamento do stress mental, assim como rever e atualizar a literatura relativa a ensaios clínicos realizados com plantas medicinais utilizadas como ansiolítico, de entre as objeto de monografia pela EMA e as identificadas por pesquisa bibliográfica. De modo a atingir os objetivos propostos procedeu-se à pesquisa bibliográfica na página de internet da EMA e em bases de dados, sendo os dados bibliográficos obtidos nestas tratados de acordo com a metodologia PRISMA. Após pesquisa na página de internet da EMA foram identificadas dezassete monografias de plantas medicinais e/ou preparações de utilização tradicional e/ou bem estabelecida com indicação terapêutica para tratamento do stress mental. Relativamente à pesquisa bibliográfica em bases de dados, foram identificadas vinte e duas plantas medicinais utilizadas como ansiolítico. Destas, cinco possuem monografia elaborada pela EMA, sendo entre estas selecionadas Passiflora incarnata L. e Lavandula angustifolia Mill. pelo maior número de ensaios clínicos realizados e Valeriana officinalis L. pelo seu maior impacto no mercado económico europeu. Paralelamente foram também identificadas dezassete plantas medicinais que não são ainda objeto de monografia pela EMA, procedendo-se entre estas à seleção de Piper methysticum G. Forster pelo maior número de ensaios clínicos realizados. Em suma, verifica-se a existência de um número significativo de ensaios clínicos onde foi avaliado o potencial ansiolítico de diferentes plantas.
Exploring the role of MFG-E8 in ALS
A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa rara e fatal caraterizada pela degeneração tanto dos neurónios motores superiores como dos neurónios motores inferiores. Para além dos neurónios, a microglia está também comprometida considerando a falência das suas funções vitais no sistema nervoso central, sendo uma delas a fagocitose. A função fagocítica da microglia pode ser mediada por uma proteína denominada de glóbulo de gordura do leite-fator de crescimento epidérmico 8 ou MFG-E8. Esta proteína é produzida pela microglia e é libertada para o meio extracelular, onde vai exercer a sua função enquanto ponte entre a célula apoptótica e a microglia, facilitando a função fagocitíca da microglia. Para além da microglia, os astrócitos também podem produzir MFG-E8 e libertá-la para o meio extracelular, exercendo um papel adicional à fagocitose pela microglia. Os nossos estudos anteriores demonstraram que a expressão génica da MFG-E8 está diminuída na medula espinhal de ratinhos mSOD1 o que indica que a fagocitose pode estar comprometida. Os nossos resultados mostram que a expressão génica da MFG-E8 está diminuída tanto nos astrócitos derivados da medula espinhal como nos do córtex de ratinhos mSOD1. Relativamente à expressão proteica, esta está diminuída nos astrócitos derivados do córtex o que indica que estas células não estão a contribuir para a produção da proteína e, por isso, o seu papel como facilitadores da função fagocítica da microglia pode também estar comprometido. Para além disto, os nossos resultados mostraram ainda que existe um aumento na expressão proteica na microglia mSOD1 de 2 dias e 16 dias derivada da medula espinhal. Este aumento pode dever-se a uma retenção da proteína na célula, estando assim impedida de realizar a sua função no meio extracelular, como interveniente da fagocitose das células apoptóticas. Este estudo comprova que a MFG-E8 pode estar desregulada na Esclerose Lateral Amiotrófica, podendo ser um dos mecanismos da patogenicidade da doença.
2025-10-28T12:23:40Z
Coutinho, Helena Isabel Saraiva
Role of cystatin C in HIV-1 infection of human macrophages
As catepsinas são proteases de cisteína com um papel fundamental na manutenção da homeostase imunológica e no combate a infeções, ao digerirem proteínas em compartimentos lisossomais dos macrófagos. Vários patógenos, como Mycobacterium tuberculosis (MTB) e o HIV-1 são capazes de contornar esta linha de defesa e estabelecer infeções crónicas. Em estudos anteriores, o nosso grupo inferiu que, o aumento da atividade das catepsinas, através do silenciamento mediado por siRNA do seu inibidor endógeno, a cistatina C (CstC), levou a um acréscimo da morte intracelular do MTB. Adicionalmente, observámos um incremento na apresentação de antigénios, na proliferação de linfócitos T CD4 + e na libertação de interferão gama. A imunodeficiência induzida pelo HIV é um fator de predisposição para adquirir e / ou reativar patógenos latentes, como o MTB. Estes dois agentes modulam sinergicamente a resposta imune do hospedeiro para aumentar ambas as infeções. Além disso, o HIV estabelece reservatórios virais dentro de macrófagos tecidulares, promovendo, assim, uma infeção crónica. Neste estudo, analisámos o potencial terapêutico do silenciamento mediado por siRNA da CstC para combater a infeção por HIV-1 e a co-infeção com MTB em macrófagos humanos. Realizámos, ainda, estudos de perda de função com E-64d e CstC recombinante, como inibidores sintéticos e endógenos da atividade das catepsinas, respetivamente. Devido à não representatividade da dimensão da amostra em todas as experiências, nenhuma conclusão estatisticamente significativa pode ser retirada. No caso de mono-infecção por HIV, o silenciamento de CstC resultou no aumento da libertação de p24 (n = 2) e a suplementação com CstC exógeno diminuiu a replicação do HIV em metade da amostra (n = 4). No nosso modelo de co-infecção, o silenciamento da CstC não influenciou a libertação de p24 (n = 2), mas a suplementação com CstC exógena mostrou uma tendência para diminuir a replicação do HIV (n = 2). Estudos adicionais, com cocultura de linfócitos T CD4 + com macrófagos e isolados clínicos de HIV-1 e MTB, são necessários para avaliar a aplicação terapêutica do silenciamento da CstC, direcionada a macrófagos, para o tratamento da infeção por HIV-1 e co-infeção com MTB.
Synthesis of 1H-pyrrolo[3,2-c]quinolines as scaffolds for biologically active compounds
No âmbito do Programa Erasmus+ realizado no Departamento de Química Orgânica da Jagiellonian University Medical College em Cracóvia foram sintetizados derivados da 1H-pirrolo[3,2-c]quinolina. Os derivados de pirroloquinolinas apresentam atividade como antimaláricos, como anticancerígenos e a nível do sistema nervoso central (SNC). As suas propriedades biológicas encontram-se dependentes da fusão entre os anéis de pirrole e quinolina, bem como do padrão de substituição deste núcleo tricíclico. O trabalho desenvolvido consistiu na introdução de substituintes na posição 8 (flúor, cloro e metoxilo) do esqueleto 1H-pirrolo[3,2-c]quinolina. Os compostos foram desenhados com o objetivo de poderem vir a ser ativos no SNC. Dependendo do padrão de substituição do composto projetado, a síntese foi executada de acordo com um protocolo particular. Deste modo, os passos chave na obtenção da 4-cloro-8-fluoro-1H-pirrolo[3,2-c]quinolina e da 4-cloro-8-metoxi-1H-pirrolo[3,2-c]quinolina incluíram as reação de aza-Baylis-Hillman, alquilação e metátese de fechamento de anel, enquanto que a síntese do análogo 8-cloro foi realizada de acordo com a abordagem de Leuckart-Wallach. Foram obtidos três novos derivados da 4-cloro-1H-pirrolo[3,2-c]quinolina que foram identificados e caracterizados por RMN (ressonância magnética nuclear de protão) e espetrometria de massa. Para determinação da pureza dos produtos, foi aplicado o método de cromatografia líquida de alta resolução.
2025-10-28T12:24:07Z
Jorge, Joana Guerreiro Galla Goucha
Evolução da resistência em tuberculose
A Tuberculose (TB) é uma doença infeciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis que afeta geralmente os pulmões podendo também afetar outras partes do corpo. Antes do aparecimento dos antibióticos era uma doença de elevada mortalidade considerada incurável. Graças ao aparecimento de fármacos como Rifampicina, Isoniazida, Estreptomicina, Etambutol e a vacina preventiva Bacillus Calmette-Guérin (BCG) passou a ser possível o seu tratamento embora ainda represente uma das principais causas de morte por doenças infeciosas. A resistência antibiótica continua a representar um problema crescente, aumentando o período de tratamento e dificultando a adesão terapêutica, tornando assim necessária a constante procura de novos fármacos e desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Novos fármacos como a Delamanida, Bedaquilina e Pretomanida têm demostrado uma elevada eficácia no tratamento da TB e das estirpes multirresistentes. O aparecimento da pandemia global por COVID-19 teve um grande impacto nos estudos antituberculosos ao retroceder consideravelmente as evoluções até agora atingidas. Representa atualmente um dos problemas a ser ultrapassado na luta contra a Tuberculose.
2025-10-28T12:14:42Z
Inocêncio, Ariel Silene Faria