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Abordar o Versuch nietzschiano por um Versuch do leitor?: em direção a uma leitura "als Problem" da obra de Nietzsche
Este artigo define a filosofia de Nietzsche como um Versuch (ensaio, tentativa, experimentação) e não como um conjunto de teses articuladas de maneira fixa. O leitor da obra de Nietzsche é ele mesmo constrangido a abordar os textos deste pensador de maneira tateante: se num primeiro momento a leitura parece impossível de dominar, a segunda parte da contribuição lembra que uma leitura metódica pode ser considerada, leitura que não pode, todavia, pretender absorver totalmente as dificuldades colocadas pelo pensamento de Nietzsche. O Versuch nietzschiano conduz, por conseguinte, a construir um Versuch do leitor em um caminho que, de forma mais ampla, convida a considerar a obra de Nietzsche como problema ("als Problem").
2022-12-06T13:20:35Z
Benoit,Blaise
Existem espíritos livres entre nós?
Considerando declarações feitas por Nietzsche nas distintas fases de sua obra, pretendemos discutir se nossas práticas atuais de ensino e pesquisa, marcadas pelo zelo erudito e pela especialização, contribuem ou não para a formação de espíritos livres, não sem antes vincular esta noção ao curso geral de uma filosofia comprometida com a afirmação da existência.
2022-12-06T13:20:35Z
Pimenta,Olímpio
Nietzsche ou a eternidade do tempo
Este artigo propõe uma interpretação do Eterno Retorno a partir da função que ele exerce em relação aos objetivos do pensamento de Nietzsche. Ou seja, busca-se seu sentido no contexto do projeto do filósofo de transformação da cultura européia. Não se formula, pois, uma teoria nietzschiana sobre a essência verdadeira do tempo que se confrontaria com a concepção metafísica do tempo linear. Portanto, o Eterno Retorno não pretende ser um enunciado dirigido ao entendimento, mas sim, ser a expressão de um desafio e tarefa para a vontade. Assim, ainda que a doutrina do Retorno possua a forma de uma representação teórica, o decisivo não é sua validade ou verdade enquanto teoria, mas sim, seu valor enquanto fórmula da mais alta afirmação da vida e como instrumento necessário de seleção.
2022-12-06T13:20:35Z
Sánchez Meca,Diego
Mentira, erro, ilusão, falsidade: sobre Nietzsche e Wittgenstein
Os trabalhos de Nietzsche e Wittgenstein apresentam contatos e possibilidades de aproximação que se revelam bastante fecundas para a interpretação de ambos. Apresenta-se aqui uma destas possibilidades, explicitando o terreno no qual ambos os autores situam o debate sobre a verdade e sua relação com a linguagem. Para isto, é feita uma breve apresentação de Sobre a verdade e a mentira em um sentido extra-moral, de Nietzsche, e se procura explicitar sua relação com a concepção de linguagem de Wittgenstein nas Investigações Filosóficas e em Sobre a Certeza.
2022-12-06T13:20:35Z
Carvalho,Marcelo
Ascetismo e inocência: a questão da religião no Humano, demasiado humano de Nietzsche
Pretende-se analisar, neste artigo, a estratégia histórico-fisiopsicológica utilizada por Nietzsche em Humano, demasiado humano no que diz respeito à sua análise da metafísica religiosa e, mais precisamente, do ascetismo. Para isso, demonstraremos como a argumentação nietzschiana chega à tese da inocência do ser humano e à demonstração de que o ascetismo e a santidade não passariam de um exercício de poder do indivíduo sobre si mesmo, como uma "ânsia de domínio" que, pela ausência de "objetos" externos, acaba se voltando contra si mesmo, pela via da "tiranização de partes de seu próprio ser", resultando no desprezo e no escárnio do homem consigo mesmo, sentimento que redunda na moralidade da culpa. O procedimento de Nietzsche, ao aliviar o homem desse peso, restabeleceria a inocência e a irresponsabilidade pela via da afirmação da necessidade de todas as coisas e da crítica à ideia de livre-arbítrio.
2022-12-06T13:20:35Z
Oliveira,Jelson Roberto de
Nietzsche belle époque: decadência e performatividade
A apropriação de Nietzsche em torno do termo décadence - e seus conexos - nos textos redigidos entre 1887 e 1888 pode nos mostrar não apenas seu interesse de por um léxico típico da literatura e da fisiologia da belle époque, mas o modo como o uso desse vocabulário lhe permitiu, ao mesmo tempo, se colocar diante de seu tempo e estabelecer novas estratégias de escrita. Partindo, portanto, do horizonte decadentista e de seus procedimentos narrativos, entre 1871 e 1914, o artigo pretende analisar os tensionamentos envolvidos na inscrição de Nietzsche no período que se estende de seus últimos escritos até sua primeira recepção.
2022-12-06T13:20:35Z
Lemos,Fabiano
Linguagem e verdade: a relação entre Schopenhauer e Nietzsche em Sobre verdade e mentira no sentido extramoral
Pretendemos investigar a compreensão dos conceitos de verdade e linguagem no primeiro período de Nietzsche e demonstrar como a crítica à linguagem se relaciona com os conceitos de vontade, intelecto, intuição e razão de Schopenhauer. Segundo nossa interpretação, em oposição a Schopenhauer, o jovem Nietzsche identifica os conceitos de razão e linguagem e interpreta o intelecto como um processo pulsional. Tal alteração resultou na rejeição da proposta de uma metafísica da vontade e provocou mudanças significativas na interpretação dos papéis da arte, da ciência e da filosofia em relação aos propostos por Schopenhauer.
2022-12-06T13:20:35Z
Moreira,Fernando de Sá
Entre a memória e a política: Nietzsche e Arendt na atualidade
Neste artigo a nossa proposta é pensar, a partir de filosofias tão diversas como as de Nietzsche e Arendt, questões relevantes do campo teórico da memória social, vinculadas à problemática da política na atualidade. Para tanto, partimos da tese de que Nietzsche e Arendt, embora não sejam autores vinculados diretamente à memória social, apresentam ideias que podem contribuir de forma fecunda a este campo discursivo. Justifica esta tese a constatação de que os pensadores colocam o problema da memória e do esquecimento no centro de sua reflexão sobre a sociedade e sobre a política. Para nos aproximarmos dessas ideias sobre memória e política em Nietzsche e Arendt, como proposta metodológica nos concentramos no estudo daqueles que consideramos os escritos mais importantes de cada um deles - Genealogia da moral e Origens do totalitarismo, respectivamente - nos quais esses conceitos são tematizados de forma lapidar. Em ambos os livros a memória e o esquecimento são interpretados, de formas distintas, como fenômenos sociais que surgem num contexto de violência, de coerção. Os filósofos em questão reconhecem que a memória e o esquecimento são processos sociais instaurados com dor e violência. Para eles, o desafio é estudar os processos elaborados pela violência que controla e instaura o poder em diversas configurações sociais, discutindo o papel da memória e do esquecimento nessas configurações societárias. O escopo deste artigo, assim, é indagar como, em pensadores como Nietzsche e Arendt, a memória e a política podem ser interpretados segundo perspectivas que, mesmo partindo de algumas noções muito próximas, chegam a conclusões muito diversas.
2022-12-06T13:20:35Z
Barrenechea,Miguel Angel de Dias,Mário José
Criatividade e ceticismo em Nietzsche
Nietzsche abandonou as ideias românticas sobre o processo de criatividade. Cada ato de criatividade é relacionado a meios e circunstâncias específicos. Não há lugar para a criação ex nihilo. Uma atividade criativa no último Nietzsche é o projeto de transvaloração de todos os valores. Ele quer abolir a transvaloração dos valores arcaicos antigos, realizada pelo judaísmo, platonismo e cristianismo. Assim, a transvaloração de Nietzsche tem de destruir os valores da moralidade escrava. Mas qual é esse processo criativo presumido na transvaloração? Que espécie de valores pode ser criada sem criar uma nova heteronomia - uma heteronomia que nega a criatividade? Nietzsche torna-se o advogado de um ceticismo particular que propicia a criatividade. Um ceticismo criativo como filosofia experimental.
2022-12-06T13:20:35Z
Sommer,Andreas Urs
Do valor da história à história dos valores
A questão colocada por Nietzsche em 1874 é explicitamente a do valor da história e só pode ser colocada porque reporta a história a uma instância exterior, a vida, qualificada então como não histórica. Em 1878, Nietzsche inverte sua interrogação e preconiza uma "filosofia histórica" que identifica vida e história, abrindo assim a possibilidade de uma história dos valores. O problema consiste agora em saber como concretizar esta última. Nietzsche recorre então ao esquema utilitarista, com o qual começa uma longa discussão, como testemunha muito bem, em 1882, A gaia ciência. Em 1887, o próprio conceito de "genealogia" é empregado para significar uma nova historicidade, cuja possibilidade mesma depende da liquidação prévia desse modelo, de modo que a crítica a Paul Rée deve ser compreendida também como uma autocrítica.
2022-12-06T13:20:35Z
Binoche,Bertrand
Harmonia e música dionisíaca: do Drama musical grego ao Nascimento da tragédia
O presente artigo tenta mostrar que as teses estéticas que aparecem em O nascimento da tragédia não são resultado de uma mera projeção subjetiva de Nietzsche sobre a arte grega. Isso porque, subjacente à argumentação de O nascimento da tragédia, haveria uma vasta fundamentação historiográfica cujos traços podem ser encontrados nos textos filológicos que antecedem a primeira obra filosófica de Nietzsche. Tendo isso em mente, este artigo vai realizar uma investigação nos textos em questão para tentar provar que a crítica de "projeção subjetiva" não se sustenta. Durante o exame, o tentaremos evidenciar, por exemplo, que a compreensão de Nietzsche acerca da ligação entre o aparecimento histórico da harmonia e o dionisismo grego está intimamente ligada às posições que aprecem em seus estudos filológicos dos anos 1860-1871. Posições que são derivadas e estariam legitimadas por dados da pesquisa historiográfica do século XIX.
2022-12-06T13:20:35Z
Corbier,Christophe
O perspectivismo moral nietzschiano
Ao contrário do que leituras rápidas de Nietzsche sugerem, o perspectivismo nietzschiano limita-se apenas na aparência à esfera teorética. Na verdade, Nietzsche também relaciona o perspectivismo com sua análise dos valores e, no geral, com a crítica da moralidade. O objetivo do presente artigo é apresentar uma visão ampla daquilo que poderia ser chamado de "perspectivismo moral" em Nietzsche. Como meio de responder a questão sobre que tipo de filosofia prática deriva do perspectivismo nietzschiano, teremos como foco duas visões que erroneamente se seguem dele: um individualismo radical e um forte relativismo.
2022-12-06T13:20:35Z
Gori,Pietro Stellino,Paolo
O Nietzsche tardio e a tese da falsificação
A maioria dos interpretes atribuem a Nietzsche a tese de que a nossa experiência do mundo é, de algum modo, errônea ou distorcida - em suma, advogam a "tese da falsificação". Em seu influente livro, Maudemarie Clark veio questionar esse consenso, afirmando que o Nietzsche tardio abandonou essa tese epistemológica chave em favor de uma versão de realismo empirista. O objetivo do meu artigo é de responder aos argumentos de Clark mostrando que não há razões para concluir que, nas suas últimas obras, Nietzsche rejeitou a tese da falsificação.
2022-12-06T13:20:35Z
Riccardi,Mattia
Algumas premissas à crítica de Nietzsche à teatrocracia
Na crítica que desenvolverá em relação a Wagner, Nietzsche aponta para o perigo de uma nova forma de poder, nomeadamente o da teatrocracia de Bayreuth, que pode ser interpretada, na senda das reflexões de Benjamin, Debord e Agamben, como o exórdio daquela forma de representação estética do domínio político chem durante todo o século XX, dará vida a novas formas de mitologia política. Nietzsche contrapor-lhe-á uma forma de "escrita trágica" inspirada, nos anos da juventude, ao tema hölderliniano da morte de Empédocles: uma fidelidade que, através do Zarathustra, voltaremos a encontrar até nos últimos escritos de Nietzsche: Ecce Homo e as cartas da "loucura".
2022-12-06T13:20:35Z
Ferraro,Gianfranco
Sobre a concepção relacional de linguagem em Nietzsche
Depois de formular expressamente uma concepção relacional de linguagem em Sobre verdade e mentira no sentido extramoral, só raramente Nietzsche voltará a associar de maneira explícita os conceitos de linguagem e relação, como ocorre notadamente num fragmento póstumo de 1888. Gostaríamos, porém, de propor a hipótese de que em momento algum o filósofo abandona sua concepção relacional de linguagem; por outro lado, parece-nos que no decurso da obra ela passa por modificações, que devem ser identificadas.
2022-12-06T13:20:35Z
Corbanezi,Eder
Invertendo o poema parmenídico: sobre a crítica do jovem Nietzsche ao pensamento de Parmênides
O objetivo deste artigo é analisar a interpretação realizada por Nietzsche ao poema de Parmênides, Da Natureza. Para levar a cabo essa tarefa, efetuaremos, num primeiro momento, um exame do poema em questão. Esse trabalho inicial fornecerá subsídios para, num segundo momento, voltarmos nossos esforços diretamente à interpretação nietzschiana do texto do pré-socrático. Nesta segunda etapa do artigo, iremos nos debruçar sobre os trabalhos A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos e Os filósofos pré-platônicos. A intenção inicial do segundo momento de nossa empreitada é esclarecer a hipótese de Nietzsche acerca da gênese do poema e do desenvolvimento lógico do argumento nele contido. Feito isso, também tentaremos retraçar a argumentação do filósofo alemão no que diz respeito à critica que ele realiza ao pensador de Eleia. Por fim, tentaremos mostrar que as questões levantadas por Nietzsche nesses textos irão reverberar nas fases posteriores de sua filosofia.
2022-12-06T13:20:35Z
Melo Neto,João Evangelista Tude de
Nietzsche, entre o Übermensch e o Unmensch
Na Genealogia da moral, Nietzsche define Napoleão Bonaparte como a síntese de Unmensch e Übermensch, isto é, como uma conjunção entre um não-homem, um inumano ou um monstro e um sobre-humano ou um além-do-homem. Investigaremos as observações de Nietzsche sobre o imperador francês, no intuito de esclarecer, por um lado, o conceito de Übermensch e, por outro, o significado do termo Unmensch.
2022-12-06T13:20:35Z
Bilate,Danilo
Aurora: uma obra de transição no conjunto dos escritos de Nietzsche
Neste artigo, temos por objetivo analisar a hipótese de que o livro Aurora, no conjunto dos escritos de Friedrich Nietzsche, apresenta uma filosofia transitória. Nesse sentido, faremos ver que, justamente por causa de seu caráter transitório Aurora tem sido tão subestimada e obscurecida, principalmente quando comentada não a partir de seu quadro teórico transitivo, mas a partir de conceitos e projetos posteriores.
2022-12-06T13:20:35Z
Dias,Geraldo
Nietzsche, entre a arte de ler bem e seus leitores
Este trabalho visa a colocar algumas questões acerca da relação entre Nietzsche e seus leitores. Para tanto, intenta abordar o duplo papel da arte de ler bem, que, de um lado, pode indicar a maneira pela qual o filósofo lê o mundo, e, de outro, como quer que suas obras sejam lidas.
2022-12-06T13:20:35Z
Silva Júnior,Ivo da
Nietzsche e a busca pelo seu leitor ideal
Durante praticamente todo o seu itinerário filosófico, Nietzsche se preocupou com a recepção de seu pensamento, desenvolvendo coordenadas de como gostaria que os seus escritos fossem lidos. Essas coordenadas passam a cumprir uma função particularmente significativa e estratégica no período em que o filósofo concebe o projeto de um ocultamento resoluto de suas posições mais essenciais - um projeto que vai de par com a adesão ao estilo aforismático-, podendo ser dividas em duas classes: aquelas que solicitam o leitor que preserva a literalidade do texto e aquelas que estimulam o leitor a empreender uma arte de interpretação. A reunião desses dois direcionamentos fecunda a figura do leitor ideal de Nietzsche, o leitor que adentra de forma ativa na corrente de pensamentos que precede os aforismos, sem, contudo, perder de vista a letra do filósofo.
2022-12-06T13:20:35Z
Nasser,Eduardo