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Relendo a perspectividade: algumas notas sobre "o perspectivismo de Nietzsche"

Este texto contrasta o entendimento comum do "perspectivismo de Nietzsche" com o seu uso da palavra "Perspektive" e termos semelhantes. As primeiras seções proporcionam uma breve pesquisa do desenvolvimento dos diversos significados através da carreira de Nietzsche e a influência de Gustav Teichmüller. As seções subsequentes revelam alguns problemas de leituras comuns do perspectivismo, como a teoria do conhecimento de Nietzsche. Discutindo os assuntos de falsificação, objetividade e autorreferência, as seções remanescentes levam à conclusão que o perspectivismo não deve ser entendido como a doutrina epistemológica de Nietzsche, mas como algo que não o deixa criar tal doutrina.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Dellinger,Jakob

A questão da criação em Nietzsche e em Bergson

O artigo tem por objetivo confrontar a filosofia de Nietzsche - da vontade criadora - com a filosofia de Bergson - da duração. Procura perscrutar a compreensão que este filósofo tem da noção de duração, pensada como criação, isto é, como movimento contínuo que traz o passado e gera o futuro no presente: "jorro ininterrupto de novidade".

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2022-12-06T13:20:35Z

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Dias,Rosa Maria

Nietzsche leitor de Shakespeare

O artigo analisa, a partir de referências feitas por Harold Bloom em seu estudo Shakespeare: a invenção do humano, passagens nas quais Nietzsche propõe interpretações de duas tragédias de Shakespeare. Uma dessas passagens, retirada de Aurora, defende uma compreensão de Macbeth que escape da avaliação moralista do protagonista. A outra passagem é do primeiro livro de Nietzsche, O nascimento da tragédia, e diz respeito a uma das questões mais debatidas na recepção de Hamlet: o motivo da hesitação do príncipe, sua demora em agir diante das circunstâncias que lhe são apresentadas no primeiro ato da tragédia.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Süssekind,Pedro

Os pintores de Schopenhauer e Nietzsche

O artigo mostra como Schopenhauer e Nietzsche recorrem à pintura e à poesia para figurar os principais conceitos de suas filosofias. Aproximam assim filosofia e arte.

A música, nossa percursora: Acerca da música na filosofia de Nietzsche

O propósito deste artigo é procurar estabelecer as razões do privilégio da música na filosofia de Nietzsche. Através da apresentação da noção de "música absoluta" e do seu lastro na estética moderna, nomeadamente em Schopenhauer e nos textos teóricos de Wagner, mostrar-se-á as razões do distanciamento de Nietzsche dessa mesma noção, esclarecendo como a sua crítica de uma "metafísica da música" dá lugar à compreensão da escuta musical como um exercício de liberdade que promove o pensamento filosófico.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Branco,Maria João

Política e decadência: o envolvimento crítico de Nietzsche com a modernidade européia

O artigo tem por objetivo investigar a presença de um realismo político no pensamento de Nietzsche, assim como analisar as relações existentes entre esse realismo e um modelo de natureza preconizado pelo filósofo.

F. Nietzsche ou a "política" como "antipolítica"

Este artigo visa a discutir a relação de Nietzsche com a política. O filósofo alemão geralmente é visto como um pensador que critica ferozmente a política de sua época, mas que não possui nenhuma proposta concreta. Embora o próprio filósofo reforce essa imagem ao se declarar apolítico, o texto mostra em que sentido Nietzsche é apolítico e mesmo antipolítico, e revela o surgimento de um novo significado para a política.

Consideração tempestiva I: Nietzsche como jovem hegeliano e maître-à-penser

Nietzsche vale-se nada extemporaneamente de uma ambiciosa narrativa histórico-dialética, tipicamente jovem hegeliana, para enquadrar/valorar a Modernidade, elevar sua própria filosofia a uma altura incontrastável e encontrar para si um lugar absolutamente superior e único, que lhe autorize como Crítico absoluto e Destino, tendo em última análise como alvo principal (típico do seu tempo alemão) o "filisteu", o indivíduo humano comum e aquilo que politicamente lhe corresponde: a sociedade civil e a democracia. O que não exclui nosso interesse por sua notável crítica da cultura, seu naturalismo não-reducionista, romântico, sua contribuição à crítica do "platonismo" e do "cartesianismo".

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2022-12-06T13:20:35Z

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Souza,José Crisóstomo de

Os legisladores do futuro: a afinidade dos projetos políticos de Platão e de Nietzsche

o presente texto busca desconstruir o lugar-comum de que Platão é, tão somente, o principal adversário de Nietzsche. Ao analisarmos o percurso da reflexão nietzschiana, veremos que o filósofo, desde sua juventude, e com o progressivo auxílio das ferramentas de análise fisiológica e psicológica, jamais confundiu o platonismo com o homem e legislador político que foi Platão, recebendo dele, inclusive, a influência decisiva no projeto da "grande política". Veremos, paralelamente, que apesar de se considerar como o único herdeiro crítico do filósofo grego, considerado como um criador de novos valores, existem diferenças nos projetos políticos de ambos os filósofos, sobretudo no derradeiro período da reflexão nietzschiana, por meio do pensamento do eterno retorno do mesmo e da leitura do Código de Manu.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Constantinidès,Yannis

Nietzsche: sobre alguns problemas morais da democracia moderna

Para compreender as análises da política por Nietzsche é necessário compreender sua análise da moral cristã. Limitadas concepções do que sejam "bom" e "mau" sustentam as demandas por proteção, paz, longevidade. Para ser avaliado como bom, o governo deve prometer o cuidado das condições da mera existência. Assim, Nietzsche avista a política de sua época conduzindo adiante homens debilitados. Por pensar a política como instrumento para elaboração de cultura, sua tarefa consistiria em fortalecer o homem e seus modos de organização do viver em comum. Neste sentido, a genealogia da moral e o projeto de transvaloração dos valores representam um desafio a todos que se propõem a pensar a política.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Delbó,Adriana

Sobre o eugenismo e sua justificação maquiaveliana em Nietzsche

A tese central deste artigo é que Nietzsche desenvolveu um projeto eugenista, justificando-o por considerações maquiavelianas. Por eugenismo, entendemos uma ideologia política preconizando o controle da reprodução a serviço de uma imagem normativa do homem. A primeira parte (I) procura estabelecer a pertinência histórica dessa definição. Em seguida, argumentamos em favor da existência de um eugenismo nietzschiano (II). Essa interpretação é fundamentada por textos publicados e póstumos, assim como pelas fontes eugenistas de Nietzsche, das quais priorizamos os autores contemporâneos, sem omitir Platão. Por fim, a terceira parte (III) coloca em evidência um certo maquiavelismo do eugenismo nietzschiano, segundo o qual seria preciso reprimir a compaixão em nome de um fim superior.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Salanskis,Emmanuel

Quando a potência dá prova de espírito: origem e lógica da justiça segundo Nietzsche

Contrapondo-se à concepção tradicional de justiça, esse trabalho visa a expor a maneira pela qual Nietzsche interpreta esta noção, tendo como parâmetro avaliativo a doutrina da vontade de potência.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Wotling,Patrick

Aprender a parar de ser humano: calar-se, não ter nome

A partir da análise minuciosa de algumas partes do livro Aurora, este trabalho visa a mostrar a maneira pela qual Nietzsche reconfigura, a partir de novas bases, a compreensão do ser humano.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Molder,Maria Filomena

Mapeando o sujeito em Nietzsche: a distinção entre o Ich e o Selbst

O artigo visa a analisar o estatudo do sujeito em Nietzsche. Para tanto, investiga o dispositivo de uma auto-observação exercida pelo "eu" que consiste num mapeamento do "si mesmo"; perscruta um "recuo", em relação a Kant, no plano teórico, quanto à dissolução do sujeito da tradição metafísica; e avança a tese de que o sujeito é a articulação entre o Ich e o Selbst, de modo que a compreensão do sujeito permite jogar luz sobre a relação específica entre essas duas realidades.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Marques,António

O eterno retorno hoje

Neste trabalho, realizamos uma aproximação entre as cosmologias científicas não singulares (sem a singularidade inicial, o big bang), especialmente os modelos cíclicos, e o pensamento do eterno retorno de Nietzsche. Além disso, sugerimos respostas para o porquê da busca por "provas" científicas do eterno retorno feita pelo filósofo na década de 1880.

Nietzsche e o projeto crítico de superação da compreensibilidade

O objetivo do texto é analisar o que denominamos projeto crítico de superação da compreensibilidade, a partir de três hipóteses: a) a temporalização do pensamento, remontando-o às condições individuais do emprego de um conceito, um signo, uma ação, etc.; b) essa individualidade do pensamento implica em compreendê-lo de modo fluido, de modo que tão logo se alterem as condições individuais do emprego de um conceito, altera-se também seu sentido; c) Nietzsche não parte mais da vontade incondicional de ser compreendido e, sobretudo, universal e univocamente compreendido, mas sim da hipótese de que "não se quer apenas ser compreendido quando se escreve, mas sim e de certa forma também não ser compreendido".

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2022-12-06T13:20:35Z

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Viesenteiner,Jorge Luiz

Nietzsche e a filologia, a filologia e Nietzsche. Minhocas e tesouros: a pesquisa das fontes e a "biblioteca ideal" de Nietzsche

Neste artigo, o autor justifica a importância que tem o trabalho editorial realizado por Colli e Montinari para a compreensão da filosofia nietzschiana no século XX. Considera, portanto, que o exaustivo trabalho com as fontes de citação do filósofo e com anotações e correspondências, muitas inéditas, ou consideradas irrelevantes por alguns pesquisadores, ou utilizadas de forma arbitrária e descontextualizada, podem, se bem organizadas, fornecer informações preciosas para a definição da identidade filosófica de Nietzsche. E, para tanto, argumenta ser necessário enfatizar a atividade filológica do próprio Nietzsche. Destaca, por fim, o quanto é útil o aparato para a organização dos escritos nietzschianos feitos por Colli e Montinari, que possibilitaram corrigir equívocos históricos de interpretação.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Campioni,Giuliano

Giorgio Colli intérprete de Nietzsche

Neste artigo, o autor afirma que o trabalho filosófico de Giorgio Colli é mais importante do que o seu trabalho editorial das obras de Nietzsche, pelo qual ganhou reconhecimento internacional. Mostra que Colli foi um filósofo com posições contrárias aos principais movimentos de sua época: ao academicismo, ao historicismo, às pesquisas de caráter positivista. Por fim, indica que , como pensador sistemático e metafísico, Colli viu na filosofia antiga o apogeu do pensamento ocidental e, em Nietzsche, a maior expressão moderna desse pensamento, sem contudo, poupá-lo de críticas.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Busellato,Stefano

Nietzsche no Rio da Prata (1900-1950)

Minha atual pesquisa concentra-se nos primeiros leitores do Rio da Prata de Nietzsche, entre o final do séc. XIX até meados do séc. XX. Tenho me ocupado com a recepção de seu pensamento na margem oriental do Rio da Prata, mais especificamente no contexto do modernismo. O romancista Carlos Reyles e o ensaísta José Enrique Rodó, são dois exemplos claros das questões e interesses que motivaram a leitura de Nietzsche em 1900 na costa uruguaia, num contexto em que a crise europeia de fin-de-siècle encontrava significativos ecos nestas latitudes. Ao mesmo tempo na margem Argentina, entre os muitos leitores do filósofo, me interessa em especial Jorge Luis Borges, a quem dedico agora minha pesquisa, reconstruindo os segmentos pertinentes da sua "biblioteca ideal". Desta forma, minha exposição centra-se, em precisar as características comuns e específicas desta recepção de Nietzsche, assim como, os pressupostos (metodológicos, de enfoque, etc.) do meu trabalho no contexto dos estudos sobre Nietzsche

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2022-12-06T13:20:35Z

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Sánchez,Sergio

Há espaço para uma concepção não moral da normatividade prática em Nietzsche?: notas sobre um debate em andamento

Este artigo está estruturado em três seções. Na primeira procuro mostrar como a busca por uma concepção alternativa de normatividade prática na filosofia moral contemporânea guarda afinidades com o projeto nietzschiano de crítica da moralidade. Na segunda seção examino os méritos e as limitações da tentativa de Brobjer de filiar Nietzsche à tradição grega da ética das virtudes. Na terceira seção examino as distintas motivações da crítica de Nietzsche à solução moral para o problema da normatividade prática e defendo a tese de que esta diversidade de motivações torna sua posição instável, oscilando entre uma versão consequencialista e uma não consequencialista do perfeccionismo. Não discuto exaustivamente, mas sugiro que a versão não consequencialista é mais consistente com alguns compromissos importantes da filosofia de Nietzsche.

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2022-12-06T13:20:35Z

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Lopes,Rogério