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Estatinas na doença renal crônica
Hipertrigliceridemia e o HDL baixo são aspectos comuns em pacientes com insuficiência renal crônica. A mortalidade cardiovascular está substancialmente aumentada na presença de doença renal crônica (10-20 vezes maior). Existem evidências de estudos clínicos com estatinas sugerindo uma ação protetora dessas drogas na progressão da doença renal. Além disso, pacientes pós-transplante renal recebendo fluvastatina, experimentaram redução na incidência de infartos não fatais e de mortalidade cardíaca. Entretanto, um estudo recente com atorvastatina não demonstrou reduções na morbi-mortalidade cardiovascular entre pacientes diabéticos em hemodiálise. Estudos em andamento definirão o preciso papel das estatinas neste grupo especial de pacientes.
2005
Ferreira,Soraia R. C. Rocha,Aloísio M. Saraiva,José Francisco K.
Tratamento hipolipemiante em situações especiais: pós-transplante e/ou terapia imunossupressora
Existem dados limitados sobre o uso concomitante de agentes hipolipemiantes e drogas imunosupressoras. As melhores evidências provêm do uso de estatinas e ciclosporina. Em termos farmacodinâmicos, estas duas drogas têm substratos diferentes. No tocante a farmacocinética, as estatinas não modificam as concentrações plasmáticas de ciclosporina. Entretanto, quando combinada a qualquer estatina, um controle rigoroso dos níveis de ciclosporina é recomendado, levando-se em conta o seu estreito intervalo terapêutico. Ciclosporina afeta a área sob a curva de muitas estatinas, pela inibição do CYP450 3A4, aumentando a exposição sistêmica dessas drogas. Pravastatina se apresenta como o composto de maior segurança, uma vez que é glucuronidado. A área sob a curva para as outras estatinas (sinvastatina, lovastatina, atorvastatina, cerivastatina e rosuvastatina) pode aumentar em graus variáveis de acordo com o seu sítio de metabolização, extração hepática pelo OATP-transportador, secreção biliar, excreção renal, e extrusão da droga pelo sistema MDR.
2005
Izar,Maria Cristina de Oliveira
Terapia hipolipemiante em situações especiais: síndrome de imunodeficiência adquirida
Dislipidemias podem ser observadas precocemente entre pacientes com AIDS. Frequentemente, estas anormalidades lipídicas incluem HDL baixo e moderado aumento dos triglicérides sanguíneos. A terapia anti-retroviral combinada (HAART) pode agravar a dislipidemia nestes pacientes, com importante aumento nos triglicérides e no LDL. Vários mecanismos são propostos para explicar a dislipidemia mista observada nestes indivíduos, incluindo diferentes etapas do metabolismo lipídico. A importância do tratamento desses distúrbios lipídicos tem se tornado evidente com o aumento da expectativa de vida e os relatos de complicações cardiovasculares nestes pacientes. Existe um estado de resistência à insulina nos pacientes com AIDS em tratamento com HAART,que apresentam lipodistrofia, hipertrigliceridemia e baixos níveis de HDL. Drogas retro-antivirais são metabolizadas pelo CYP P450 3A4 e interações com algumas estatinas, especialmente com sinvastatina podem ocorrer. O tratamento com agentes hipolipemiantes deve ser baseado no perfil lipídico e no risco de coronariopatia. Para hipertrigliceridemias, fibratos (principalmente fenofibrato ou bezafibrato) devem ser as drogas de escolha, bem como as estatinas (principalmente pravastatina). Terapia combinada usando estatinas mais fibratos é recomendada para dislipidemias mistas graves e sempre sob rigoroso monitoramento de efeitos adversos.
2005
Yu,Pai Ching Calderaro,Daniela Lima,Enéas M. O. Caramelli,Bruno
O professor Jairo Ramos: editor fundador
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2006
Mesquita,Evandro Tinoco
Cintilografia do miocárdio com tecnécio 99m-MIBI e administração de adenosina em portadores de doença arterial coronária: correlação dos resultados com a angiografia coronária e o ultra-som intracoronário
OBJETIVO: Estabelecer a correlação da cintilografia de perfusão do miocárdio (CPM) com Tecnécio 99m-MIBI (MIBI) e injeção de adenosina, empregando a angiografia coronária quantitativa (ACQ) e o ultra-som intracoronário (UIC) como comparação. MÉTODOS: Estudo de 70 pacientes com doença arterial coronária (DAC), encaminhados à CPM com MIBI e adenosina. As manifestações clínicas, do eletrocardiograma (ECG) e os resultados das imagens foram correlacionadas às variáveis da análise visual e quantitativa da angiografia, bem como ao UIC. RESULTADOS: A média de idades foi de 60,6 anos, com 39 pacientes do sexo masculino. A angiografia coronária evidenciou estenose do diâmetro da luz (E%) de 49,94% em 105 artérias, com reavaliação à ACQ em 83 artérias (79%) e média de 44,20%, p<0,05. Infradesnível de ST durante adenosina associou-se a maiores graus de E% (55,0% vs 47,8%), p<0,05). A isquemia cintilográfica correlacionou-se a maior área porcentual de obstrução da luz pelo UIC (AO%). Os achados clínicos, do ECG e das imagens foram considerados em conjunto e expressos como respostas globais isquêmicas versus não-isquêmicas . A isquemia associou-se a menores valores do diâmetro mínimo da luz (DML) e da área mínima da luz (AML), obtidos à ACQ e ao UIC. CONCLUSÃO: A cintilografia do miocárdio com 99mTc-MIBI e adenosina correlaciona-se à AO% ao UIC, considerando-se as imagens de perfusão. Na avaliação dos resultados globais da prova observa-se associação com os diâmetros e as áreas da luz nos locais de obstrução, obtidos à ACQ e ao UIC.
2006
Mastrocolla,Luiz Eduardo Sousa,Amanda G. M. R. Smanio,Paola E. P. Staico,Rodolfo Pinto,Ibraim F. M. Meneghelo,Romeu S. Abizaid,Andreia C. Graebin,Roselei Vaz,Vinicius D. Paes,Angela Martins,Daniela S. Sousa,José Eduardo M. R.
Respostas cardiopulmonares ao exercício em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva de diferentes faixas etárias
OBJETIVOS: Comparar a capacidade funcional cardiorrespiratória no exercício, representada pelos índices de limitação funcional, consumo máximo de oxigênio (VO2máx) e limiar anaeróbico, em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva (ICC) de diferentes faixas etárias, e comparar as respostas cardiopulmonares ao exercício máximo. MÉTODOS: Foram avaliados 54 pacientes com ICC, agrupados por faixa etária, como segue: grupo I - idade entre trinta e 39 anos (n = 12); grupo II - idade entre quarenta e 49 anos (n = 18); grupo III - idade entre cinqüenta e 59 anos (n = 17); grupo IV - idade igual ou maior que sessenta anos (n = 7). Os pacientes foram submetidos a um teste cardiopulmonar máximo, em esteira rolante. Para a comparação entre os diferentes grupos etários foi realizada uma análise de variância com um fator. RESULTADOS: Não houve diferença significante dos valores obtidos de consumo máximo de oxigênio e de limiar anaeróbico entre os grupos etários, bem como dos valores máximos das variáveis produção de dióxido de carbono, pulso de oxigênio, razão de trocas gasosas, ventilação pulmonar, equivalentes ventilatórios para o oxigênio e para o dióxido de carbono. CONCLUSÕES: Os resultados obtidos sugerem que a capacidade funcional cardiorrespiratória no exercício de pacientes com ICC, assim como as variáveis cardiopulmonares obtidas no exercício máximo podem ser afetadas de forma semelhante pela doença cardíaca em todas as faixas etárias estudadas.
2006
César,Marcelo de Castro Montesano,Fábio Tadeu Diniz,Rosiane Vieira Zuza Almeida,Dirceu Rodrigues Tebexreni,Antonio Sérgio Barros,Turíbio Leite de
Estudos eletrofisiológicos seriados do sistema éxcito-condutor do coração de pacientes com cardiopatia chagásica crônica
OBJETIVOS:Estudar a evolução das lesões do sistema de condução do coração, por meio de estudos eletrofisiológicos (EEF) invasivos, o impacto dessas alterações nos eventos cardiovasculares (ECV) e a freqüência desses eventos em pacientes com cardiopatia chagásica crônica. MÉTODOS: Estudo prospectivo iniciado em 1979, com seguimento clínico até 2000, com participação de 28 pacientes chagásicos crônicos, com idade entre 18 e 65 anos, portadores de bloqueios de ramo e/ou bloqueios atrioventriculares (AV). Os pacientes foram submetidos a dois EEF, com intervalo de tempo mínimo de 4 anos, sendo estudados 5 parâmetros eletrofisiológicos, que foram correlacionados com ECV. Holter de 24 horas e ecocardiograma foram realizados. RESULTADOS: O tempo médio de seguimento após o 1º EEF foi de 154,5 meses, enquanto o intervalo entre os EEF foi de 107,5 meses. A idade variou entre 25 e 65 anos. Vinte e sete pacientes apresentavam bloqueio completo de ramo direito, associado ou não a bloqueio divisional ântero-superior esquerdo. O ecocardiograma foi alterado em 12 pacientes. Ao Holter de 24 horas e à estimulação ventricular, apenas um paciente apresentou TVS. Nove apresentaram ECV e somente o intervalo HV >70 ms apresentou relação estatisticamente significante com esses eventos. CONCLUSÕES: a) A forma crônica da doença de Chagas apresenta diferentes porcentagens de anormalidades evolutivas nas variáveis eletrofisiológicas, sendo a mais freqüente a alteração no PW. b) Entre os achados eletrofisiológicos, somente o intervalo HV > 70 ms relacionou-se com ECV. c) A incidência de ECV foi de 31,1% seguimento médio de 154,5 meses.
2006
Valente,Ney Pimenta,João Paola,Angelo Amato Vincenzo de
Valores de pressão arterial e suas associações com fatores de risco cardiovasculares em servidores da Universidade de Brasília
OBJETIVO: Verificar e classificar, de acordo com o JNC 7, os níveis de pressão arterial dos servidores acima de quarenta anos da Universidade de Brasília, e estimar a prevalência de fatores de risco cardiovasculares presentes em tal população. MÉTODOS: Foi realizado um estudo transversal na Universidade de Brasília, onde os servidores acima de quarenta anos responderam a um questionário e tiveram pressão arterial, peso e altura medidos. Os níveis de pressão arterial foram classificados de acordo com o JNC 7 e os dados demográficos dos indivíduos de cada categoria foram analisados. A porcentagem dos fatores de risco foi calculada. A análise estatística foi feita através do teste ANOVA e do teste qui-quadrado, quando aplicável. RESULTADOS: Setecentos e quatro servidores participaram do estudo, incluindo 438 homens e 266 mulheres. A mediana de idade foi 47 anos. Segundo o JNC 7, 139 (19,8%) pessoas foram classificadas como normotensas; 298 (42,3%) como pré-hipertensas e 267 (37,9%) como hipertensas. Os fatores de risco avaliados foram sobrepeso/obesidade (56,8%), tabagismo (19,5%), consumo de bebidas alcoólicas (53,6%), sedentarismo (48,4%) e hipertensão (37,9%). CONCLUSÃO: A alta freqüência de níveis pressóricos elevados e fatores de risco cardiovasculares apontam para a necessidade de medidas preventivas e terapêuticas de doenças cardiovasculares direcionadas aos servidores da universidade.
2006
Conceição,Tatiana Valverde da Gomes,Fabiano Alves Tauil,Pedro Luiz Rosa,Tânia Torres
Estudo comparativo das avaliações clínica e ecocardiográfica Doppler na evolução das lesões valvares em crianças e adolescentes portadores de febre reumática
OBJETIVO: Comparar os exames clínico e ecocardiográfico Doppler na avaliação das lesões valvares em crianças e adolescentes com febre reumática, bem como investigar a evolução da doença segundo essas avaliações. MÉTODOS: Trata-se de estudo observacional longitudinal que englobou 258 crianças e adolescentes com diagnóstico de febre reumática, baseado nos critérios de Jones. Os pacientes foram acompanhados durante o período de 2 a 15 anos. A presença e a quantificação das lesões valvares nas fases aguda e crônica foram determinadas pelas avaliações clínica e ecocardiográfica Doppler. Utilizou-se a estatística de Kappa para estimar a concordância entre as avaliações, e as evoluções clínica e ecocardiográfica Doppler da cardite e valvite, respectivamente, foram comparadas pelo teste do qui-quadrado ou de Fisher, p < 0,05. RESULTADOS: Dos 109 pacientes submetidos à avaliação ecocardiográfica Doppler na fase aguda, 31 não apresentavam clínica de cardite, mas 17 (54,8%) deles mostravam lesão valvar ao ecocardiograma Doppler (valvite subclínica). Na fase crônica, 153 dos 258 tinham exame cardiovascular normal, mas 85 (55,5%) desses mostravam lesão valvar ao ecocardiograma Doppler (valvopatia crônica subclínica). A involução das lesões valvares segundo a avaliação ecocardiográfica Doppler foi menos freqüente, ocorrendo em 10 (25,0%) dos pacientes com valvite leve e em apenas 1 (2,5%) daqueles com valvite moderada, e em nenhum com valvite grave. CONCLUSÃO: A identificação de lesões valvares na febre reumática é maior se a avaliação clínica for acrescida do exame ecocardiográfico Doppler, que também mostra menor índice de regressão das lesões valvares. O diagnóstico de valvite e valvopatia subclínicas tem implicação quanto às profilaxias secundária da febre reumática e da endocardite.
2006
Meira,Zilda Maria Alves Goulart,Eugênio Marcos Andrade Mota,Cleonice de Carvalho Coelho
Estudo "LOTHAR": avaliação de eficácia e tolerabilidade da combinação fixa de anlodipino e losartana no tratamento da hipertensão arterial primária
OBJETIVO: O estudo LOTHAR avaliou a eficácia, tolerabilidade e os efeitos metabólicos em médio e longo prazo (um ano) da combinação fixa de anlodipino e losartana versus anlodipino e losartana isoladamente. MÉTODOS: Estudo multicêntrico brasileiro, randomizado, duplo-cego e comparativo realizado com 198 pacientes com hipertensão arterial primária em estágios 1 e 2. RESULTADOS: A combinação fixa apresenta alta eficácia anti-hipertensiva que se mantém em longo prazo com percentual reduzido de escape do controle pressórico, inferior a dos dois regimes monoterápicos de comparação. Em longo prazo, mais de 60% dos pacientes tratados com a combinação fixa permaneceram com níveis da PAD < 85 mmHg e o efeito anti-hipertensivo quando avaliado pela MAPA persistiu nas 24 horas com relação vale-pico de 76,7%. A freqüência de eventos adversos foi bastante reduzida neste grupo sendo a incidência em longo prazo de edema de membros inferiores cerca de quatro vezes menor que a observada com o anlodipino isolado. A combinação fixa não alterou os metabolismos da glicose e dos lípides tanto em médio quanto em longo prazos. CONCLUSÃO: Estes resultados nos permitem afirmar que a combinação de anlodipino e losartana, a primeira combinação fixa de um antagonista dos canais de cálcio e um bloqueador do receptor da angiotensina II disponível no mercado farmacêutico constitui-se em excelente opção para o tratamento da hipertensão arterial em larga gama de pacientes hipertensos.
2006
Kohlmann Jr,Osvaldo Oigman,Wille Mion Jr.,Décio Rocha,João Carlos Gomes,Marco Antonio Mota Salgado,Natalino Feitosa,Gilson Soares Dallaverde,Ernesto Ribeiro,Artur Beltrame
Segurança do transplante autólogo, intra-arterial, de células mononucleares da medula óssea na fase aguda do acidente vascular cerebral isquêmico
O acidente vascular cerebral (AVC) é a terceira causa de óbito e a principal causa de incapacidade em indivíduos adultos. Embora a mortalidade do AVC esteja diminuindo em alguns países, a morbidade tem aumentado em razão do envelhecimento da população e do aumento da sobrevida dos pacientes¹. O tratamento com ativador do plasminogênio tissular recombinante (rt-PA) é eficaz quando instituído em até 3 horas após o início dos sintomas², porém seu uso está limitado a cerca de 5% dos pacientes na fase aguda do AVC isquêmico. Além disso, nenhum agente para neuroproteção teve sua eficácia comprovada em estudos clínicos em humanos. Portanto, outras estratégias terapêuticas precisam ser desenvolvidas. Em modelos animais, o uso de células-tronco correlacionou-se com melhora funcional após o AVC³. Publicações recentes têm demonstrado a segurança do tratamento com células mononucleares da medula óssea (CMMO) injetadas via intracoronária em pacientes portadores de cardiopatia isquêmica aguda ou crônica4,5. Baseado nesses dados iniciais, há crescente interesse no estudo do transplante com CMMO na fase aguda do AVC. Relatamos o primeiro caso de transplante autólogo de CMMO via intra-arterial na fase aguda do AVC isquêmico.
2006
Mendonça,Maria Lúcia Furtado de Freitas,Gabriel R. de Silva,Suzana Alves da Manfrim,Aquiles Falcão,Carlos Henrique Eiras Gonzáles,Constantino André,Charles Dohmann,Hans Fernando Rocha Borojevic,Radovan Otero,Rosália Mendez
Aneurisma chagásico do ventrículo esquerdo: aspectos cirúrgicos em 29 casos
Entre março de 1980 e dezembro de 1991,29 pacientes foram submetidos a remoção cirúrgica de aneurisma do ventrículo esquerdo de etiologia chagásica. Vinte e dois pacientes eram do sexo feminino e 7 do masculino, com idades que variaram entre 21 e 69 anos, todos com reação imunológica positiva para doença de Chagas. No pré-operatório, 8 pacientes apresentaram acidente vascular cerebral, 8 tinham cansaço (algum grau de insuficiência cardíaca congestiva), 8 tinham palpitações e tonteiras, enquanto os 5 restantes apresentaram associações dessas queixas. Três pacientes eram portadores de marcapasso artificial. O eletrocardiograma estava alterado em todos os casos. A radiografia de tórax era normal em metade dos casos. Do ponto de vista angiográfico, as coronárias eram normais e o ventrículo esquerdo apresentava aneurisma apical, com aspecto de dedo de luva ou mamilo em 14 pacientes, sacular em 8, de parede inferior em 4 e duplo (inferior + ponta) em 3. Em um dos pacientes (duplo aneurisma) havia insuficiência mitral importante e em 4 detectou-se a presença de trombos intracardíacos. Não houve mortalidade hospitalar. No seguimento pós-operatório, houve um óbito. Três pacientes desenvolveram bloqueio atrioventricular completo e necessitaram implante de marcapasso. Um paciente, cuja indicação era arritmia, teve recorrência dos sintomas. Concluímos que a ressecção de aneurismas de etiologia chagásica, em casos selecionados, é procedimento de baixa mortalidade, previne a recorrência de tromboembolismo, controla a insuficiência cardíaca devido à discinesia e pode eliminar arritmias em um significativo número de pacientes.
1992
Wanderley Neto,José Torres,Luiz Daniel F Elias,Décio O Silva,Sandra Tenório da Gama,Hemerson C Farias,Mônica Dourado,Gilvan O Cavalcante,Cid C Wiszomirsky,Antonio De Biase Mendonça,José Teles de
Anuloplastia sem suporte para tratamento da insuficiência mitral reumática
Desde 1974, temos empregado anuloplastia sem suporte para tratamento da insuficiência mitral de etiologia reumática em uma população predominantemente jovem. A avaliação dos resultados tardios forma a base deste relato. São 154 pacientes com insuficiência mitral isolada (sem estenose ou dupla lesão), sendo 55 (36%) do sexo masculino e 99 (64%) do feminino, idade média = 36 ± 16 (5 a 73) anos; as lesões associadas foram: 47 lesões aórticas, 21 tricuspídeas e 2 comunicações interatriais; a classe funcional pré-operatória foi I-II em 19% e III-IV em 81 % e o índice cardiotorácico 0,61 ± 0,10. Todos os pacientes foram submetidos a uma anuloplastia similar à descrita por WOOLER et alii 21 que consiste na redução da porção mural do anel mitral obtida pela aplicação de dois pontos ancorados em feltros nas comissuras, sem comprometer a extensão de cúspide septal. Quando necessário, procedimentos adicionais sobre as cordas tendíneas foram realizados. Nenhum paciente recebeu suporte anular por anel ou barra posterior. A mortalidade precoce foi de 3 (1,9%) pacientes: falência miocárdica (1) e embolia pulmonar (2). A mortalidade tardia foi de 9 (5,8%), falência miocárdica (3), septicemia (1), embolia pulmonar (1) e morte súbita (1) e causa desconhecida (3). Reoperações foram realizadas em 28 (18,2%) casos, dos quais 2 (1,3%) por disfunção de prótese aórtica. Sopro sistólico residual esteve presente em 48% dos casos. Complicações tardias: embolias sistêmicas 5,8% (1/3 como prótese aórtica), endocardite infecciosa 1,3% e embolia pulmonar 0,7%. Classe funcional pós-operatória (p. a.) foi I - II em 84% e III - IV em 16%; índice cardiotorácico p. o. 0,58 ± 0,10. Probalidade atuarial de sobrevida tardia é estimada em 79,5 ± 5,3% aos 10 anos e 71,0 ± 7,4% aos 14 anos. Sobrevida sem eventos: 67,9 ± 8,9% aos 10 anos e 56,1 ± 11,7% aos 14 anos. A insuficiência mitral reumática pode ser tratada efetivamente por anuloplastia sem suporte anular profético, com resultados tardios comparáveis àqueles obtidos por técnicas mais complexas. Isto tem importância no tratamento de crianças e adultos jovens, especialmente no sexo feminino, quando se deseja evitar implante de próteses mecânicas.
1992
Kalil,Renato A. K Lucchese,Fernando A Prates,Paulo R Sant'Anna,João Ricardo M Faes,Farid C Pereira,Edemar M. C Nesralla,Ivo A
Operação de Glenn bidirecional
A cirurgia de Gleen bidirecional tem sido empregadacomo uma opção ao tratamento cirúrgico de pacientes considerados candidatos "não ideais" à cirurgia de derivação átrio-pulmonar. A operação consiste na anastomose da veia cava superior com a artéria pulmonar (anastomose término-lateral), permitindo o fluxo sanguíneo também para o pulmão contra-lateral. A partir de janeiro de 1990 até fevereiro de 1992, 20 pacientes foram operados em nosso Serviço, com idade variando de 5 meses a 8 anos (média de 37,7 meses). Oito pacientes eram do sexo feminino e o peso variou de 6,3 a 18,8 Kg (média - 12,4 kg). A indicação cirúrgica foi considerada primária em 10 casos. Sete casos de atresia tricúspide e 3 de ventrículo único, que apresentavam acentuada diminuição do fluxo pulmonar e não eram candidatos a correção total funcional. Os demais pacientes tiveram a indicação considerada secundária, ou seja, já haviam sido submetidos a operação de shunt artério-venoso, cerclagem do tranco pulmonar, ou atriosseptostomia, 8 casos de atresia tricúspide, 3 de ventrículo único com estenose ou cerclagem pulmonar e 1 caso de DVSVD com ventrículo superior-inferior). A operação foi realizada com desvio da veia cava-átrio direito em 12 casos e com o uso de CEC em 8. Durante o procedimento cirúrgico, os pacientes foram monitorizados com oxímetro pulsátil e a saturação de oxigênio média pré-correção foi de 75,5% (71% a 86%) e após, de 95% (91% a 98%). Não ocorreu óbito hospitalar e o único óbito tardio foi devido a infecção pulmonar no 2º mês de pós-operatório. Achamos, portanto, que a operação de Glenn bidirecional estará bem indicada como primeira etapa da correção definitiva, pois não aumenta o trabalho cardíaco e a resistência vascular pulmonar não produz distorções em artéria pulmonar como shunt tipo Blalock-Taussig.
1992
Chaccur,Paulo Dinkauyzen,Jarbas J Abdulmassih Neto,Camilo Arnoni,Antoninho S Silva,Maria Virgínia D Bosísio,Ieda Jatene Fontes,Valmir F Cappellari,Márcia Paulista,Paulo P Jatene,Adib D Souza,Luiz Carlos Bento de
Aneurismas da aorta
Entre janeiro de 1979 e janeiro de 1992, foram realizadas 212 operações para correção de aneurismas e de dissecções da aorta. Neste trabalho serão analisados 104 procedimentos cirúrgicos (em 97 pacientes) para correção de aneurismas. A idade dos pacientes variou de 14 a 79 anos (média 59,5 anos) e o sexo predominante foi o masculino, com 75 pacientes. Os aneurismas localizavam-se na aorta ascendente em 46 pacientes, na croça em 8, na aorta descendente em 8, na aorta toráco-abdominal em 8, na aorta abdominal em 21, na aorta descendente e abdominal em 2, na aorta ascendente e tóraco-abdominal em 2, na aorta ascendente e descendente em 1, na aorta ascendente, croça e descendente em 1. Doenças cardiovasculares associadas estavam presentes em 39 pacientes, sendo valvopatia aórtica em 18 (excluídos os pacientes com ectasiaânulo-aórtíca), insuficiência coronária em 17, coarctação da aorta em 2, persistência do canal arterial em 1 e valvopatia mitral e aórtica em 1. A mortalidade imediata (hospitalar e/ou 30 dias) foi de 14,4%, sendo de 27,7% (5/18) para pacientes com mais de 70 anos e de 11,3% (9/79) para pacientes com idade inferior a 70 anos. Os aneurismas localizados na aorta ascendente e croça foram operados como o auxílio de circulação extracorpórea. Parada circulatória e hipotermia profunda foram utilizadas em todos os pacientes com aneurisma da croça. O estudo tomográfico e angiográfico deve ser de toda a aorta, pela possibilidade de aneurismas de localizações múltiplas.
1992
Souza,Januário M Rojas,Salomón O Berlinck,Marcos F Mazzieri,Ricardo Oliveira,Paulo A. F Martins,José Renato M Senra,Dante F Salazar,Valéria Oliveira,Sérgio Almeida de
Nova bioprótese aórtica sem suporte: resultados clínicos
No período de maio de 1990 a março de 1992, 81 pacientes foram submetidos a implante de urna bioprótese aórtica sem suporte Stentlessem três centros: Biocór Hospital (34 pacientes), Universidade de Turim (31 pacientes) e Hospital Karolinska (16 pacientes). A idade variou de 14 a 85 anos, com média de 51 anos. Quarenta e oito pacientes eram do sexo masculino e 33 do sexo feminino. O período de acompanhamento pré-operatório variou de 1 a 22 meses. A principal indicação para a cirurgia foi a estenose aórtica, destacando-se 5 pacientes que apresentavam endocardíte aguda da valva aórtica com presença de severo comprometimento do anel em 3 deles. Todos os pacientes foram operados sob hipotermia moderada e proteção miocárdica com cardioplegia cristalóide. A técnica básica do implante da bioprótese foi com duas camadas de chuleio contínuo de Prolene 4 zeros. Todos os pacientes sobreviveram à cirurgia. Houve 4 (4,93%) óbitos no pós-operatório imediato e 1 (1,23%) óbito tardio no 16º mês de pós-operatório secundário a trombo-embolismo pulmonar. A principal complicação pós-operatória foi o bloqueio AV total, em 7 pacientes. O estudo ecocardiográfico realizado em todos os pacientes mostrou gradientes que variaram de 6 a 12 mmHg. Todos os pacientes encontra-se em controle clínico, incluindo avaliação hemodinâmica pela ecodopplercardiografia. Os resultados preliminares desta nova bioprótese são promissores com relação à sua performance a longo prazo, sendo a observação tardia fundamental na confirmação dos excelentes resultados iniciais.
1992
Gontijo Filho,Bayard Vrandecic,Mário O Morea,Mário Radegran,Kjell Silva,João Alfredo de Paula e Fantini,Fernando Antônio Barbosa,Juscelino Teixeira
Extubação precoce em cirurgia cardíaca infantil: procedimentos e resultados em seis anos de experiência
De 441 crianças portadoras de cardiopatias congênitas submetidas a intervenções cirúrgicas, 372 (84%) foram extubadas em sala cirúrgica, imediatamente após o procedimento baseado em critérios clínicos, saturação cutânea de O2 e pCO2 no ar expirado. As complicações pós-operatórias não apresentaram correlação com o procedimento, observando-se, inclusive, baixo índice de complicações pulmonares. Concluiu-se que a maioria das crianças, incluindo muitas com lesões complexas e hipertensão pulmonar pre-operatoria, podem ser extubadas precocemente com segurança e diminuição das complicações pulmonares secundárias à ventilação mecânica, bem como redução do período de permanência em UTI, e de hospitalização, stress da criança, dos familiares e os custos hospitalares.
1992
Báucia,José Augusto Barbero-Marcial,Miguel
Como eu faço: cardioplegia sangüínea isotérmica retrógrada de baixo volume
No summary/description provided
1992
Braile,Domingo M
Ecodopplercardiografia transesofágica intra-operatória: utilidade na cirurgia da valva mitral
A ecodopplercardiografia ocupa posição de destaque no diagnóstico das valvopatias, pois fornece dados sobre a anatomia valvar, a área estenótica, os gradientes pressóricos e o grau da regurgitação. Seu uso na cirurgia cardíaca, com a abordagem epicárdica, é bastante conhecido. O advento da abordagem transesofágica, por não interferir no campo operatório, facilitou a sua utilização. O objetivo deste trabalho foi estudar a utilidade da ETE nacirurgiada valva mitral. De julho de 1991 a janeiro de 1992, aecodopplercardiografia transesofágica (ETE) monitorizou 198 cirurgias, das quais 65 foram sobre a valva mitral (VM). A idade variou de 8 a 62 anos e 42 pacientes eram do sexo feminino. A comissurotomia e papilarotomia (CP) foi o procedimento mais freqüente em 28 pacientes (pts), seguido do implante de bioprótese (BP) em 24 e da plastia (PL) em 19. A ETE pré-operatória confirmou o diagnóstico da lesão mitral em todos os pts, tendo acrescentado informações quanto ao grau e direção da insuficiência mitral (IM) em 8 dos 28 pts submetidos a CP. Modificou a orientação da abordagem da valva tricúspide em 9 oportunidades (3 por diagnosticar lesões não detectadas e 6 por evitar a abordagem desnecessária por melhor avaliação da lesão. Quanto aos pts submetidos a implante de BP, 6 já tinham próteses disfuncionantes, em 12 pts a BP foi implantada de imediato por decisão do cirurgião e, em 6 pts, a BP foi implantada após a detecção da presença de IM importante pós-correção. Quanto ao pts submetidos a PL, 12 tinham prolapso, 6 tinham insuficiência coronária e 1 era pós-operatório tardio de correção de defeito do septo atrioventricular. Em apenas 1 pt foi necessária nova CEC para nova plastia. A avaliação da tM pós CEC evidenciou 7 pts (10%) com IM importante, sendo necessária nova CEC, e mostrou IM leve em 15 pts, moderada em 8 e importante em 1 onde não foi realizada nova CEC. A ETE é um método de grande valor no auxílio do planejamento cirúrgico nas doenças da VM, bem como na avaliação imediaata dos resultados operatórios possibilitando ao cirurgião uma adequada análise anatômica e funcional da estrutura abordada.
1992
Moraes,Álvaro Villela de Medeiros,Caio César Jorge Pomerantzeff,Pablo M. A Sbano,João César Pardi,Miriam Magalhães Abensur,Henry Martins,Tamara Cortez Cerri,Giovani Guido Verginelli,Geraldo Bellotti,Giovani Pileggi,Fúlvio Jatene,Adib D
Análise do estudo anatomopatológico de pacientes submetidos a cirurgia valvar no InCór - HC FMUSP
Das 44 necropsias realizadas em pacientes submetidos a cirurgia valvar no ano de 1990 no InCór, foram encontradas como causas clínicas de óbito nos pacientes mitrais: coagulopatia e sangramento em 11 casos; baixo débito em 7; choque cardiogênico em 5; choque séptico em 3; falência de múltiplos órgãos em 3; síndrome da angústia respiratória do adulto (S.A.R.A.) em 2; arritmia ventricular severa em 2; tromboembolismo pulmonar (T.E.P.) em 1. Nos pacientes aórticos: coagulopatia e sangramento em 5; choque cardiogênico em 2; septicemia em 3; aneurisma micótico roto em 1; acidente vascular cerebral hemorrágico (A.V.C.H.) em 1; arritmia venticular em 1. Nos pacientes mitro-aórticos: coagulopatia e sangramento em 2; T.E.P. em 2; septicemia em 1; arritmia ventricular severa em 1; S.A.R.A. em 1. Encontramos como causas anatomopatológicas de óbito nos pacientes mitrais: choque hemorrágico em 13; falência de múltiplos órgãos em 4; choque séptico em 3; broncopneumonia (B.C.P.) em 4; infarto agudo do miocárdio (I.A.M.) em 3; choque cardiogênico em 3; hemorragia cerebral em 1; S.A.R.A. em 1. Nos pacientes aórticos: endocardite em 3; choque hemorrágico em 2; hemorragia cerebral em 2; I.A.M. em 1; choque cardiogênico em 1; septicemia em 1; S.A.R.A. em 1; dissecção aguda de aorta com coagulopatia em 1. Nos pacientes mitro-aórticos: falência de múltiplos órgãos em 2; T.E.P. em 2; S.A.R.A. em 1; choque hemorrágico em 1; endocardite em 1. Concluímos haver correlação entre diagnóstico clínico e anatomopatológico em 36 pacientes, correspondendo a 82% dos casos, sendo a principal causa de óbito o choque hemorrágico. Uma observação importante: 11 (25%) pacientes apresentavam alguma forma de hepatopatia crônica, não diagnosticada anteriormente pelo estudo clínico-laboratorial, e que alguns pacientes que evoluíram em baixo débito, não explicado clinicamente, tiveram como achado anatomopatológico infarto subendocárdico.
1992
Fabri,Hélio A Pomerantzeff,Pablo M. A Monteiro,Ana Cristina M Gutierrez,Paulo Violante,Raimunda Auler Júnior,José Otávio C Grinberg,Max Verginelli,Geraldo Jatene,Adib D